28º Domingo Comum

14 de Outubro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai a minha prece, M. Carneiro, NRMS 102

Sl 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Que fazer para chegar ao céu, para nos salvarmos? Jesus vai recordar-nos a necessidade de cumprir os mandamentos. E também de estarmos desprendidos das riquezas deste mundo.

 

Vamos ouvir com atenção o que Jesus nos quer dizer, limpando, antes de mais, o nosso coração do nosso arrependimento.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta primeira leitura é um elogio da sabedoria que vem de Deus e que é a maior riqueza que podemos alcançar na terra.

 

Sabedoria 7, 7-11

7Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. 8Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. 9Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. 10Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. 11Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis.

 

A leitura é tira da 2ª parte da obra (Sab 6, 22 – 9, 18), que trata da verdadeira sabedoria, aquela que leva a Deus, e do modo de a alcançar. Estas palavras inspiradas – um maravilhoso hino à Sabedoria, a terminar com uma bela oração a pedi-la – são postas na boca de Salomão, rei sábio por excelência (cf. 1 Re 4, 25-30). Trata-se dum artifício literário destinado a chamar a atenção do leitor, pois o livro foi escrito em grego tardiamente, já no séc. I a. C, o último livro do cânon do A. T.

7-11 «Orei… implorei…». A sabedoria tem em Deus a sua origem: o próprio Salomão não a tinha por nascimento, mas como fruto da sua oração. Ela excede todos os bens terrenos, mesmos os mais preciosos, e «com ela me vieram todos os bens», numa alusão a 1 Re 3, 7-14, onde se conta como Deus concedeu a Salomão um acréscimo de outros bens, tendo ele pedido apenas a sabedoria.

 

Salmo Responsorial     Sl 89 (90), 12-13.14-15.16-17 (R. 14)

 

Monição: O salmo também nos anima a pedir a sabedoria. É ela que nos dá a verdadeira alegria já neste mundo.

 

Refrão:        Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade

                     e exultaremos de alegria.

 

Ou:               Enchei-nos da vossa misericórdia:

                     será ela a nossa alegria.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando?

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Compensai em alegria os dias de aflição,

os anos em que sentimos a desgraça.

 

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.

Desça sobre nós a graça do Senhor.

Confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A Palavra de Deus é viva e deve penetrar no mais íntimo do nosso coração para o transformar.

 

Hebreus 4, 12-13

12A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração. 13Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto a seus olhos. É a ela que devemos prestar contas.

 

Este célebre texto constitui não só um elogio da Palavra de Deus, mas também um veemente apelo à responsabilidade para todos os que a ouviram, a fim de não deixarem «endurecer o coração» (Hebr 3, 8.15; 4, 7; cf. Salm 95 (94), 8-11), sobretudo quando essa Palavra foi proclamada pelo próprio Filho de Deus (cf. Hebr 1, 2).

«A Palavra de Deus» é a sua voz (cf. v. 7), que se faz ouvir na Escritura, na pregação da Igreja, no íntimo da alma e que continua viva e actuante: «viva e eficaz…» (cf. Dt 32, 47; Jo 6, 68; Is 55, 10-11). A força penetrante da Palavra é descrita com a linguagem de Filon de Alexandria, para aludir ao seu poder de julgar. Ela penetra até naquele reduto impenetrável da consciência, onde o homem é o senhor exclusivo das suas decisões, onde se situam as próprias intenções mais secretas; ela invade até nas mais recônditas profundidades do ser humano, de tal maneira que este não pode esquivar-se nem dissimular o que se passa no seu interior. «As qualidades da Palavra de Deus são tais que uma pessoa não se pode esquivar à sua imperiosa autoridade, nem à hipótese de iludir a nossa responsabilidade em face dela» (W. Leonard). O seu poder discriminatório para julgar e discernir é expresso em termos de «dividir» aquilo que é impossível de destrinçar («alma e espírito»), ou muito difícil de separar («articulações e medulas»). E é atribuído à Palavra um conhecimento que só Deus possui, identificando-a expressamente com Deus no v. 13 (cf. Salm 139): «tudo está patente e descoberto a seus olhos»; note-se que «descoberto» é um particípio perfeito passivo grego derivado de «trákhlelos» (pescoço), o que faz lembrar a imagem do sacerdote que descobre o pescoço das vítimas a fim de desferir o golpe de misericórdia, sugerindo-se assim a seriedade e o dramatismo daquilo que é o «prestar contas» a Deus.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 5, 3

 

Monição: Os bens da terra podem afastar de Deus o coração. Estejamos atentos ao que Jesus nos vai dizer

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

*Forma longa: São Marcos 10, 17-30  Forma breve: São Marcos 10,17-27

Naquele tempo, 17ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d'Ele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 18Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 19Tu sabes os mandamentos: 'Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe'». 20O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». 21Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». 22Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. 23Então Jesus, olhando à volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!» 24Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! 25É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». 26Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?» 27Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».

[28Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». 29Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, 30receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».]

 

O protagonista desta cena é alguém «muito rico», que era jovem (cf. Mt 19, 22) e pessoa importante (cf. Lc 18, 18), humanamente vistas as coisas, alguém que deveria ser aproveitado para uma grande empresa, como era o Reino de Deus. O episódio mostra que o Reino não só não consiste em bens materiais, como também exige o desprendimento deles. O diálogo entre Jesus e o jovem é profundo, como profundo, exigente e amável é o olhar de Jesus, que Marcos refere por três vezes (vv. 21.23.27). O próprio jovem começa por pôr a questão mais profunda, a que ninguém se pode esquivar, a da salvação: «que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» (v. 17). O jovem cumpria os mandamentos, mas não passava além duma aurea mediocritas. Para ser apto para o Reino de Deus, não bastava cumprir; faltava-lhe uma coisa (v. 21): a entrega, a generosidade, a alegria profunda de dar e de se dar sem pôr condições. A cena do jovem que se retirou triste oferece uma ocasião para Jesus voltar a expor a doutrina da pobreza evangélica e do desprendimento. Mas não se limita a insistir (vv. 23.24) no perigo das riquezas para se ser bom, à maneira dum sábio grego: «é impossível que um homem extraordinariamente bom seja extraordinariamente rico» (Platão, Leis, V, 12); Jesus fala da impossibilidade de entrar no Reino de Deus, o que deixa os discípulos assombrados (vv. 24.26). No entanto, atalha: «a Deus tudo é possível» (v. 27), pois Ele pode conceder a graça de uma pessoa usar bem as riquezas, ou mesmo até de renunciar radicalmente aos bens terrenos. A cena termina com as garantias para os primeiros discípulos que deixaram tudo e seguiram Jesus, umas garantias válidas para todos em todos os tempos (vv. 28-30). Notar como em Marcos as promessas de felicidade e bem-aventurança incluem as perseguições por causa de Jesus e do Evangelho (v. 29; cf. Mt 5, 10-12).

25 «É mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha…». Note-se como Jesus, falando de coisas sérias, o faz com bom humor, pondo os seus ouvintes a sorrir ao imaginarem a divertida cena de um camelo nas suas repetidas tentativas de passar por um lugar por onde não podia caber.

 

Sugestões para a homilia

 

 

 Para chegar à meta temos de saber para onde caminhamos, saber o roteiro a seguir e não irmos carregados de malas e bagagens, que nos impedem de caminhar.

 No caminho dos mandamentos encontramos um grande perigo: o das riquezas. S.Francisco de Assis, que a Igreja recordou há poucos dias, continua a transmitir uma mensagem muito actual. Temos de viver a pobreza evangélica, cada um no seu lugar e no seu estado de vida.

O dinheiro, as riquezas são algo de bom, são dons de Deus, que temos de usar com sabedoria, não nos deixando dominar por eles e sabendo pô-los ao serviço das necessidades próprias e das necessidades dos outros. Sem pôr neles o nosso coração.

O jovem rico do Evangelho não teve coragem de seguir a vocação, porque tinha muitos bens e faltou-lhe a coragem para os deixar. Foi-se embora triste. Tinha o coração nas riquezas e elas não podem dar a felicidade.

Vivemos num mundo materialista, onde imperam o consumismo e o hedonismo. Para muitos só contam os bens materiais, pondo a felicidade no consumir, no ter, no comprar e no prazer. Este ambiente pode meter-se na vida dos cristãos, na vida de cada um de nós.

Temos de repetir muitas vezes as palavras do salmo de hoje: “ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”. Temos de lembrar-nos que é breve a nossa vida neste mundo e que teremos de deixar tudo. E que os bens materiais não os levaremos.

Levaremos sim as boas obras que tivermos realizado com eles. Conta-se de um homem que pedira aos filhos para lhe porem dinheiro no caixão, quando morresse. Quando foi para o sepultar, os filhos discutiam quanto haviam de pôr. Um genro sugeriu: põe-se um livro de cheques e ele levanta o que quiser.

Como é difícil – lembra-nos Jesus -um rico entrar no Reino de Deus. É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus”.

Somos ricos no mau sentido se temos o coração apegado ao muito ou ao pouco que possuímos.

Vivemos a pobreza se procuramos usar os bens que Deus nos deu para as nossas necessidades e para bem dos que nos rodeiam. Se procuramos com o nosso dinheiro praticar generosamente as obras de misericórdia corporais e espirituais. Iremos encontrar no outro mundo somente o que tivermos dado.

Vivemos a pobreza evangélica se evitamos gastos inúteis, se procuramos que durem as coisas que usamos, se procuramos poupar e não comprar tudo o que atrai os nossos olhos.

Os pais devem ensinar os filhos a usar as coisas materiais, sabendo renunciar a caprichos, aprendendo a trabalhar e a gastar bem o dinheiro, a ser generosos com os mais necessitados.

 

Cem vezes mais

 

S.Pedro aproveita o comentário de Jesus par fazer uma pergunta: -Nós deixámos tudo para Te seguir. Que será de nós?

Tinham sido mais generosos que o jovem rico, Tinham abandonado barcos e redes para seguir a Jesus. Tinham deixado a mulher e os filhos para se porem inteiramente ao serviço do Reino de Deus.

O Senhor responde –lhe com uma lição para todos nós. Anima-nos a ser generosos. Vale a pena !O Senhor dá cem vezes mais já neste mundo e, depois, a vida eterna. É o investimento mais rendoso e mais seguro que podemos fazer. Saibamos dar o nosso tempo, o nosso dinheiro, a nossa vida para ajudar os outros por amor de Deus.

Uma das obras de misericórdia mais necessárias é dar catequese, gastando tempo generosamente ao serviço de crianças e jovens. Ensinar as crianças a conhecer e amar a Jesus, a viver como Ele nos ensina é fundamental para a renovação do mundo.

É fundamental ensiná-los a rezar. João Paulo II proclamou um Ano do Rosário para celebrar os seus 25 anos de pontificado ao serviço da Igreja e do mundo do nosso tempo.

Temos de atender aos pedidos e ensinamentos deste papa e ao exemplo que nos deu de oração e de amor a Nossa Senhora. O mesmo nos lembra o papa Francisco.

Hoje, em nossas paróquias, sente-se a falta das crianças no terço e devoções. Em casa muitas não rezam em família. É uma situação que nos deve preocupar a todos. Sem oração não se pode amar a Deus, não se pode ser bom, não se podem vencer as dificuldades e tentações da vida.

Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças. Pediu-lhes para rezarem o terço todos os dias. E tão bem elas souberam corresponder aos pedidos da Senhora! A Si mesma Se chamou a Senhora do Rosário.

Animemos as crianças e pais a rezar o terço em família todos os dias. Tantas famílias venceriam os perigos que as ameaçam se rezassem unidas o terço.

Quando se reza alcança-se a sabedoria de Deus. Sem oração a catequese não faz efeito. O P. Garrigou Lagrange, célebre teólogo dominicano, conta que um dia lhe apareceu no confessionário uma velhinha que lhe fez algumas perguntas sobre a Santíssima Trindade. Admirado com a profundidade daquelas questões, perguntou-lhe onde é que tinha estudado e ela respondeu admirada: -senhor padre, eu não sei ler. Na oração ponho-me a pensar nestas coisas e vêm-me estas perguntas ao pensamento.

Que a Senhora do Rosário nos alcance este amor à oração e o desejo de o comunicar aos outros.

 

Fala o Santo Padre

 

«Privando-nos dos bens, recebemos o benefício do verdadeiro bem; libertamo-nos da escravidão dos bens e adquirimos a liberdade do serviço por amor; renunciamos à posse e alcançamos a alegria do dom.»

 

O Evangelho de hoje, tirado do capítulo 10 de Marcos, subdivide-se em três cenas, cadenciadas por três olhares de Jesus.

A primeira cena apresenta o encontro entre o Mestre e uma pessoa que — segundo o trecho paralelo de Mateus — é identificado como «jovem». O encontro de Jesus com um jovem. Ele corre ao encontro de Jesus, ajoelha-se e chama-lhe: «Bom Mestre». E depois, pergunta-lhe: «Que devo fazer para alcançar a vida eterna?», ou seja, a felicidade (v. 17). «Vida eterna» não é somente a vida do além, mas é a vida plena, completa, sem limites. Que devemos fazer para a alcançar? A resposta de Jesus resume os mandamentos que se referem ao amor pelo próximo. A este respeito, nada se pode repreender àquele jovem; mas evidentemente a observância dos preceitos não lhe é suficiente, não satisfaz o seu desejo de plenitude. E Jesus intui este desejo que o jovem traz no coração; por isso, a sua resposta traduz-se num olhar intenso, repleto de ternura e carinho. Assim diz o Evangelho: «Fixou nele o olhar, amou-o» (v. 21). Compreendeu que era um jovem bom... Mas Jesus entende também qual é o ponto fraco do seu interlocutor, e apresenta-lhe uma proposta concreta: distribuir todos os seus bens aos pobres e segui-lo. No entanto, aquele jovem tem um coração dividido entre dois senhores: Deus e o dinheiro, e por isso vai embora entristecido. Isto demonstra que fé e apego às riquezas não podem conviver. Assim, no fim, o impulso inicial do jovem dilui-se na infelicidade de um seguimento malogrado.

Na segunda cena, o evangelista enquadra o olhar de Jesus, e desta vez trata-se de um olhar pensativo, de admoestação: «Olhando ao seu redor, disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrarem no Reino de Deus!”» (v. 23). Diante da admiração dos seus discípulos, que se interrogavam: «Então, quem pode salvar-se?» (v. 26), Jesus responde com um olhar de encorajamento — é o terceiro olhar — e diz: sim, a salvação é «impossível para os homens, mas não para Deus!» (v. 27). Se confiarmos no Senhor, poderemos superar todos os obstáculos que nos impedem de o seguir pelo caminho da fé. Confiar no Senhor! Ele infunde-nos a força, dá-nos a salvação, acompanha-nos ao longo do caminho!

E assim chegamos à terceira cena, aquela da solene declaração de Jesus: Em verdade vos digo: quem deixa tudo para me seguir, terá a vida eterna no futuro e o cêntuplo já no presente (cf. vv. 29-30). Este «cêntuplo» é composto pelos bens antes possuídos e depois deixados, mas que se encontram multiplicados ao infinito. Privando-nos dos bens, recebemos o benefício do verdadeiro bem; libertamo-nos da escravidão dos bens e adquirimos a liberdade do serviço por amor; renunciamos à posse e alcançamos a alegria do dom. Aquilo que Jesus dizia: «Há maior felicidade em dar do que em receber» (cf. At 20, 35).

O jovem não se deixou conquistar pelo olhar de amor de Jesus, e deste modo não conseguiu mudar. Somente acolhendo o amor do Senhor com gratidão humilde poderemos libertar-nos da sedução dos ídolos e da cegueira das nossas ilusões. O dinheiro, o prazer e o sucesso deslumbram, mas depois decepcionam: prometem a vida mas causam a morte. O Senhor pede-nos que nos desapeguemos destas falsas riquezas para entrar na vida verdadeira, na vida plena, autêntica, luminosa. E eu pergunto-vos, a vós jovens, rapazes e moças, que agora vos encontrais na praça: «Sentistes o olhar de Jesus em vós? O que desejais responder-lhe? Preferis deixar esta praça com a alegria que nos dá Jesus, ou com a tristeza no coração que a mundanidade nos oferece?»...

A Virgem Maria nos ajude a abrir o coração ao amor de Jesus, ao olhar de Jesus, o Único que pode saciar a nossa sede de felicidade.

Feliz domingo a todos! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!

 

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de Outubro de 2015

 

Oração Universal

 

Depois de ouvirmos a Sua Palavra e professarmos a nossa fé, vamos apresentar com Jesus ao Pai os nossos pedidos:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus, para que todos descubram nela

a luz que aponta o caminho seguro da felicidade aqui e no Além, oremos irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre, para que o Senhor

o encha de muitas alegrias cá na terra, oremos irmãos.

 

3.  Pelos bispos, sacerdotes e diáconos, para que preguem com sabedoria e coragem

o Evangelho de Cristo, com todas as exigências,

também no que se refere aos mandamentos, oremos irmãos.

 

4.  Por todos nós, para que saibamos cumprir fielmente os mandamentos

e animemos os outros com a nossa vida santa a chegar ao Céu, oremos irmãos.

 

5.  Por todos os cristãos, para que vivam intensamente este mês do Rosário

e todas as paróquias se tornem, com Maria, escolas de oração, oremos irmãos.

 

6.  Pelos jovens, para que saibam dizer sim corajosamente a uma vida de pobreza e heroísmo

no seguimento de Cristo, apoiados numa forte devoção à Virgem toda Santa, oremos irmãos.

 

7-Pelas benditas almas do Purgatório, para que o Senhor as purifique

e lhes abra as portas da bem-aventurança, oremos irmãos.

 

Senhor, que nos reunistes numa só família, a Santa Igreja, para vivermos como Vossos filhos cá na terra, fazei saibamos amar -Vos cada vez mais, cumprindo fielmente a Vossa vontade. Por N.S.J.C. Vosso Filho, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: “Da Missa de Festa”, Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Para acolher a Jesus, temos de ter a nossa alma em graça, cumprindo fielmente os mandamentos.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Sl 33, 11

Antífona da Comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:   

cf. 1 Jo 3, 2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da Comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Rezar o rosário é aprender com a Virgem a cumprir cuidadosamente a vontade de Deus e, assim, ser feliz na terra e no Céu.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-X: A conversão e a liberdade dos filhos de Deus.

Gal 4, 22-24. 26-27 / Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

Jesus fala de um acontecimento único, que é o sinal de Jonas (Ev.). É um sinal que prefigura a sua Ressurreição ao terceiro dia. A sua Ressurreição é a promessa da nossa própria ressurreição.

Mas o sinal de Jonas é também uma lembrança da conversão dos habitantes de Nínive, que fizeram caso dos pedidos de Deus.  Através da palavra de Deus, o Senhor espera de nós uma pequena conversão, que nos leve porventura a libertar-nos de alguma pequena escravidão, de modo a ficarmos mais livres para amar a Deus e ao próximo: «Se Cristo nos libertou foi para sermos realmente livres» (Leit.). Nª Senhora diz-nos «Fazei o que Ele vos disser», em Caná da Galileia.

 

3ª Feira, 16-X: A limpeza do interior.

Gal 5, 1-6 / Lc 11, 37-41

Limpais o exterior do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e malvadez.

Devemos procurar que o nosso interior esteja sempre bem limpo (Ev.), porque é do coração que procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições. Sigamos o conselho do Apóstolo: «Permanecei firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da servidão» (Leit.).

Os puros do coração são os que puseram a inteligência e a vontade de acordo com as exigências da santidade de Deus, principalmente em três domínios: a caridade, a castidade ou rectidão sexual, o amor pela verdade e a ortodoxia da fé. Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé (CIC, 2518). Recorramos com fé ao Imaculado Coração de Maria.

 

4ª Feira, 17-X: Os frutos do Espírito Santo.

Gal 5, 18-25 / Lc 11, 42-46

O fruto do Espírito consiste em caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e continência.

 A vinda do Espírito Santo à nossa alma produz frutos abundantes e da melhor qualidade. Estes frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja fala de doze: caridade, alegria... (Leit.).

É graças ao Espírito Santo que podemos dar bons frutos, porque Ele nos enxerta na verdadeira Vide, que é Cristo. A sua intervenção na vida de Nª Senhora produziu, como fruto, a Encarnação de Cristo: bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Quando dizemos que 'sim' a Deus, cumprindo a sua vontade, reforçamos a imagem de Cristo dentro de nós.

 

5ª Feira, 18-X: S. Lucas: o seu contributo.

2 Tim 4, 9-17 / Lc  10, 1-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os, dois a dois, à sua frente.

Os Doze, e os outros discípulos (Ev.), participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também a da sua sorte. Com todos estes actos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja (CIC, 765).

S. Lucas participou na missão de Cristo, transmitindo-nos, com a sua palavra e os seus escritos, os ensinamentos de Jesus (no Evangelho), e a vida da primitiva cristandade (nos Actos dos Apóstolos). Acompanhou S. Paulo e esteve seu lado na prisão em Roma (Leit.). A ele devemos um melhor conhecimento da vida de infância de Jesus, de algumas parábolas (o filho pródigo, o bom samaritano...) e da vida de Nossa Senhora.

 

6ª Feira, 19-X: Os cuidados e Deus e os nossos cuidados.

Ef 1, 11-14 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um deles está esquecido diante de Deus

Deus ama e cuida de todas as suas criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: 'Valeis mais do que muitos passarinhos' (Ev.). Jesus ensina-nos a ter um abandono filial à Providência do Pai celestial, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos, que orienta todas as coisas que nos acontecem para nosso bem.

Se Deus assim cuida de nós, também nós devemos cuidar de tudo o que se refere a Deus, concretamente o que se refere à sua Palavra, como fez Nª Senhora, que a levou à prática: «Vós também ouvistes a Palavra da Verdade, a Boa Nova da vossa salvação» (Leit.).

 

Sábado, 20-X: O pecado e a misericórdia divina.

Ef 1, 15-23 / Lc 12, 8-12

E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á, mas quem disser uma blasfémia contra o Espírito Santo, não se perdoará

«O pecado consiste na rebelião contra Deus ou, ao menos, no esquecimento ou indiferença para com Ele e para com o seu Amor» (João Paulo II). É um desejo insensato viver afastado, muito ou pouco, de Deus. A lembrança da misericórdia divina ajudará a viver a contrição, para nos aproximarmos outra vez: «Deus tudo submeteu aos pés de Cristo e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça da Igreja» (Leit.). A blasfémia contra o Espírito Santo consiste em fechar a alma à graça de Deus, excluindo a própria fonte do perdão.

Rezemos com muita confiança a Salve Rainha a Nª Senhora, Mãe de Misericórdia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Ferreira Correia

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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