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CRISTO REI ?

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

«Desperta, Senhor! Porque dormes?» (S 44, 24) O clamor do salmista ecoa neste mundo enlouquecido, empenhado em destronar o Criador da sua realeza; afastá-Lo de tudo! E não só por parte dos seus inimigos declarados, mas de muitos dos que se intitulam «fiéis» e preferem servir o mundo a confessar e esforçar-se por cumprir os mandamentos divinos. E o seu maior castigo é justamente essa mesma revolta.

De facto, a maior punição da nossa rebeldia é a cegueira racional e espiritual que ela provoca: perdemo-nos, não sabendo por onde vamos, nem para onde. Desaparecem-nos os sinais do caminho. Vamos com os «outros»… para onde «os outros» também não sabem. «A multidão saiu à rua para ver a multidão», resumia um jornalista certa festa popular. A inteligência esvai-se. Só conta o imediato e o medo de sentir-nos sós…

 

Por isso é tão importante a vida interior. Não basta conhecer a doutrina da fé, ainda que muito correcta; é preciso saber viver «sozinhos», a sós com Ele, para resistir a este tsunami moral que nos arrasta para uma dupla morte, social e sobrenatural.

 

Mas é que a tormenta é dentro da própria Igreja! Sempre o foi; sempre a Igreja esteve em crise, tanto por motivos internos («A impaciência produz hereges», já dizia S. Cipriano) e externos: o assalto à Igreja pela mentalidade dominante em cada geração. Agora, o relativismo. Outras virão até ao fim dos tempos. Mantém a fé e a união com o Papa. «Sem o Papa não somos nada», dizia um santo do nosso tempo.

 

«Desperta, Senhor! Porque dormes?» E Ele responde-nos: «Esconde-te ainda um pouco de tempo, até que cesse a minha indignação» (Is 26, 21)

«Esconde-te», quer dizer: entra dentro de ti; faz oração; conversa comigo: tem confiança em Mim; espera um pouco; verás como de tantos males tiro bens… E o primeiro bem é a tua intimidade comigo. Sem essa tua aflição, talvez te esquecesses de Mim, afrouxasses na oração, não sentisses a perdição das almas, não te penitenciasses pelos teus pecados e pelos dos teus irmãos; nem te apegasses tanto à minha Mãe Santíssima.

Assim como não reparamos que o castigo do afastamento de Deus é o próprio afastamento, talvez não nos demos conta de que o primeiro prémio da nossa aflição é a própria aflição por amor de Deus e das almas, que nos leva a estar a sós com Ele, Uno e Trino, numa intimidade de amor maior e mais vibrante do que nunca.

 

 

 

 

 

 


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