aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

NOVA TRADUÇÃO DA BÍBLIA

 

A Associação Bíblica Portuguesa (ABP), que está a preparar uma nova tradução da Bíblia, promoveu no dia 30 de Abril passado, na Universidade Católica Portuguesa, uma Jornada de Estudos sobre “O Novo Testamento em novas perspectivas”.

 

A ABP está a trabalhar numa nova tradução da Bíblia para português, por iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa, tendo constituído uma vasta equipa de especialistas em Sagrada Escritura com esse objectivo.

O presidente da Direcção, padre Mário Sousa, explicou que a edição experimental da tradução dos Evangelhos e dos Salmos vai ser apresentada no fim deste ano, numa linguagem que “evoca sentimentos e experiências”.

“Na Bíblia, a linguagem vai muito além daquilo que diz. Ela evoca sentimentos e experiências. A Bíblia foi escrita numa mentalidade muito diferente da nossa e numa cultura muito distinta da dos nossos dias”, afirmou.

Para o presidente da ABP, traduzir a Bíblia implica ter presente que a sua linguagem é “essencialmente evocativa” e tem de se entender “a partir da poesia”, não a partir de uma “mentalidade muito ocidental e numa linguagem muito marcada pela dimensão informativa”.

 A tradução para português é feita a partir das línguas originais dos livros da Bíblia, o grego para o Novo Testamento e o hebraico e aramaico para o Antigo Testamento, e o trabalho está estruturado segundo as orientações da Santa Sé, que pedem uma tradução o mais literal possível em relação ao texto original.

 

 

GUARDA

 

URGÊNCIA DOS CUIDADOS PALIATIVOS

 

O Cón. António Luciano Santos da Costa, eleito pelo Papa Francisco, no passado dia 3 de Maio, como novo Bispo de Viseu, pronunciou-se sobre o debate em curso na sociedade portuguesa, relativamente à legalização ou não da eutanásia.

 

O futuro Bispo, que fora enfermeiro antes de se orientar para a vida sacerdotal e que depois sempre esteve ligado aos temas da Bioética, diz que o que está verdadeiramente em causa são duas concepções diferentes de humanidade.

Uma para quem “o estar junto dos doentes, dos pobres, dos idosos” é algo que “rouba tempo” e por isso pretende “outro estilo de vida”; e outra, onde a Igreja Católica se insere, que defende “o respeito pela vida humana em toda a sua dignidade, com todo o seu valor, desde o momento da concepção até à morte natural”.

O cónego da Guarda foi um dos oradores do ciclo de debates “Decidir sobre o final da Vida”, promovido ao longo de vários meses pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

Um evento onde o responsável católico defendeu a necessidade de apostar mais e melhor nos cuidados paliativos.

“A morte deve acontecer no momento certo. É aqui que surge a medicina paliativa, que tem o seu lugar para ajudar a maior parte daqueles que carecem destes serviços”, salientava D. António Luciano Santos Costa, para quem “estes cuidados deveriam estar mais próximos de todos os que precisam”.

 

 

ÉVORA

 

NOVO PERCURSO DO

“CAMINHO DE SANTIAGO”

 

No passado dia 4 de Maio, o Presidente da República inaugurou um novo percurso do “Caminho de Santiago”, a Via Portugal Nascente.

 

Para Marcelo Rebelo de Sousa, que percorreu como “peregrino” alguns quilómetros desta nova rota, “são caminhos que recuperam a História, o passado, a tradição, a cultura. Ao mesmo tempo projectam o conhecimento de Portugal, do Portugal interior, de um daqueles Portugais de que se fala menos”, salientou.

Este novo percurso português de peregrinação até Santiago de Compostela (Espanha) é composto por 19 etapas, numa extensão de 390 quilómetros.

Tem o seu início em Tavira, no Algarve, e passa depois pelo concelho de Estremoz, seguindo posteriormente por Santo Amaro (Fronteira) até Trancoso.

“É um caminho que põe em ligação o cristianismo, uma vez que para trás passará por Mértola, com o mundo islâmico, e à frente por Belmonte, com a cultura judaica. Isto é Portugal no que tem de melhor, de ponte entre religiões, culturas, civilizações. Algumas vezes não estivemos à altura desse desafio, muitas vezes estivemos”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante a iniciativa de apresentação da Via Portugal Nascente, na igreja do Salvador, o Presidente da República recebeu um bordão de peregrino, que utilizou depois quando “estreou” a nova rota, acompanhado pelas comunidades e também pelo arcebispo de Évora, D. José Alves, e pelo presidente da autarquia local.

Na Sé de Évora, D. José Alves celebrou uma cerimónia de bênção dos peregrinos, com a participação de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

 

LISBOA

 

COLECÇÃO “MESTRES DA ARTE CRISTÔ

 

O Museu de Arte Antiga, acolheu no passado dia 4 de Maio a apresentação de um livro sobre o Mestre Pero, um dos mais destacados escultores da época medieval cristã, no âmbito de um projecto editorial que está a ser implementado pela Igreja Católica e o Governo.

 

Sandra Costa Saldanha, directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais, destacou uma obra inserida na colecção “Mestres da Arte Cristã”, que “agora se começa a concretizar”, em colaboração com a Direcção-Geral do Património.

Um trabalho que “pretende relevar e autonomizar a actividade de vários artistas que dedicaram a sua actividade profissional sobretudo à produção de obras de arte cristãs”.

Intitulada “Pero – O mestre das imagens”, a primeira publicação da colecção “Mestres da Arte Cristã” é da autoria de Carla Varela Fernandes e destaca um artista que, no século XIV e ao serviço da Rainha Santa Isabel, se notabilizou pela sua originalidade e novidade.

“Com este livro, pela primeira vez, a obra deste importante escultor é tratada como um todo, arriscando-se ainda um provável itinerário artístico, entre França e vários locais da Península Ibérica”, pode ler-se na apresentação desta obra.

À semelhança do que acontecia com o Mestre Pero, muitos dos artistas que vão ser abordados neste projecto ainda não têm uma obra de investigação que lhes tenha sido inteiramente dedicada, ou seja, existem vários estudos parcelares mas não trabalhos de conjunto.

A apresentação do livro contou com a participação do presidente do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel; também do historiador de Arte Paulo Pereira, a par da autora, Carla Varela Fernandes.

O artista, que alguns defendem ter origem catalã, outros francesa, trabalhou por exemplo “no túmulo da Rainha Isabel, também no túmulo da própria neta da Rainha, também chamada Isabel, e depois para o arcebispo de Braga”, para além de “ter dado resposta a muitos párocos, e bispos de outras dioceses, na elaboração de outras muitas obras”, explicou Carla Varela Fernandes.

 

 

FÁTIMA

 

CHINA PRESENTE NO 13 DE MAIO

 

A peregrinação internacional aniversária de 13 de Maio passado foi presidida, pela primeira vez, por um prelado chinês, o cardeal John Tong, Bispo emérito da diocese de Hong Kong.

 

“Peço-lhe que leve daqui, de Fátima e destes peregrinos, um abraço para todo o povo da China, um abraço tão grande como daqui, Fátima, até Hong Kong”, disse D. António Marto, no final da Missa conclusiva.

O Bispo da diocese explicou aos cerca de 300 mil peregrinos que a celebração decorreu com uma atenção particular aos “irmãos católicos chineses”.

Recuando até Maio de 2017, D. António Marto recordou a visita do Papa e a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

A Procissão do Adeus, com milhares de pessoas a acenar lenços brancos, encerrou as celebrações religiosas no primeiro 13 de Maio após o Centenário das Aparições, com o tema “Tempo de graça e misericórdia: dar graças pelo dom de Fátima”.

As celebrações oficiais do 13 de Maio foram encerradas com um recital de acção de graças, com o tenor italiano Andrea Bocelli, na Basílica da Santíssima Trindade, a partir das 16h00.

 

 

BRAGA

 

SANTUÁRIO DO BOM JESUS

 

O Santuário do Bom Jesus do Monte espera que a UNESCO vá a Braga “confirmar e verificar” o que foi enviado para a sede daquele organismo e “torne aquele santuário Património Mundial da Humanidade”, comunicou D. Jorge Ortiga, numa conferência na Academia Portuguesa de História sobre «Bom Jesus do Monte: das origens a Património Mundial», no passado dia 23 de Maio.

 

O académico de mérito, D. Jorge Ortiga, sublinhou que a designação de Património Mundial da Humanidade “é de inteira justiça” por, na impossibilidade de as pessoas se deslocarem à Terra Santa, “poderem encontrar em determinados espaços algo que suscite a mesma devoção”.

O Santuário do Bom Jesus do Monte (também referido como Santuário do Bom Jesus de Braga) localiza-se na cidade de Braga, e fica situado nas proximidades do Santuário de Nossa Senhora do Sameiro.

Este santuário dedicado ao Senhor Bom Jesus constitui-se num conjunto arquitectónico-paisagístico integrado por uma igreja, um escadório onde se desenvolve a Via Sacra do Bom Jesus, uma área de mata (Parque do Bom Jesus), alguns hotéis e um funicular (Elevador do Bom Jesus).

O Santuário do Bom Jesus do Monte foi elevado a Basílica Menor a 5 de Julho de 2015 e a 20 de Julho do mesmo ano foi apresentada a candidatura do Bom Jesus a Património Mundial da Humanidade na Comissão Nacional da UNESCO.

 

 

LISBOA

 

DIA DIOCESANO DA FAMÍLIA

 

No domingo passado 27 de Maio, o Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente presidiu à “Festa da Família” em Penafirme e defendeu a «matriz familiar» para a organização social e eclesial.

 

“A base da comunidade cristã como a base da própria sociedade não é o indivíduo, é a pessoa. E a pessoa é um ser em relação e o primeiro âmbito é naturalmente a família”, sublinhou.

Segundo o prelado, em casa aprende-se a olhar uns pelos outros, “os mais fortes pelos mais fracos, os mais velhos pelos mais novos e os mais novos pelos mais velhos”, a ter atenção concreta à necessidade de cada um.

A própria comunidade cristã, como fez Jesus Cristo, que viveu até aos 30 anos de idade na família de Nazaré, é o alargamento a todos daquilo que se aprende “na família de cada um”, mas para isso é preciso que essa família “também funcione e seja ajudada a funcionar”.

“A família é um bem para a comunidade cristã e a comunidade cristã é um bem para cada família”, observou.

Segundo o programa do Dia diocesano da Família, a tarde do domingo começou com animação musical, antes da Eucaristia presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, onde foram homenageados os casais que celebram as suas bodas matrimoniais – 10, 25, 50 ou mais anos de casamento – em 2018.

 

 

PORTO

 

FALECEU CÓN. RUI OSÓRIO

 

No passado dia 31 de Maio, faleceu, aos 77 anos de idade, o cónego Rui Osório, que deixou uma marca profunda na área da comunicação social da Igreja.

 

Natural de Vila Nova de Gaia, onde nasceu em 1940, Rui Osório foi ordenado sacerdote em 1964. Começou a ganhar o gosto pela área da comunicação social nos últimos anos de estudante e até teve, durante dois anos, semanalmente, um programa na Rádio Renascença.

Ainda estudante começou a escrever prosa para alguns jornais e os documentos do II Concílio Vaticano foram objecto de muitas crónicas deste estudante de Teologia e jovem padre.

Devido ao impacto do documento conciliar «Inter Mirifica», D. Florentino Andrade e Silva, na altura Administrador apostólico do Porto devido ao exílio de D. António Ferreira Gomes, pediu-lhe para estudar jornalismo, o que fez na Universidade de Navarra, em Espanha.

Quando D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, regressou do exílio, chamou o padre Rui Osório para dirigir o semanário diocesano, “Voz do Pastor”. O novo director deu-lhe uma orientação mais actual e mudou-lhe o nome para “Voz Portucalense”, tornando-o um dos semanários de projecção nacional.

Depois da revolução de Abril de 1974, com o consentimento de D. António Ferreira Gomes, Rui Osório resolveu profissionalizar-se como jornalista e começou a trabalhar no “Jornal de Notícias” em 1977, apenas como redactor, recusando sempre ascender a director, seguindo o conselho do seu Bispo D. António.

Como trabalho pastoral, ficou como assistente diocesano da Acção Católica Rural. Posteriormente, quando se reformou do “Jornal de Notícias” em 2005, aos 65 anos, veio a ser nomeado pároco da Foz e membro do Cabido da Catedral

O Presidente da República Portuguesa publicou no dia do seu falecimento uma mensagem de condolências:

“Homem da Igreja e do Jornalismo, com uma carreira de décadas no Jornal de Notícias e na Rádio Renascença, fundador da Voz Portucalense, o Padre Rui Osório, desde há muito um amigo pessoal, foi também um combatente pela Liberdade, discípulo de D. António Ferreira Gomes, perseguido pela Polícia Política antes do 25 de Abril.

“No livro «O Senhor escreva connosco», por ocasião do 50.º aniversário da sua ordenação, agradeceu ao Espírito Santo o dom da Comunicação; um dom que pôs ao serviço do bem comum e que fica na memória dos seus leitores e ouvintes, dos paroquianos da Foz Velha, dos amigos”.

 

 

FÁTIMA

 

RUY DE CARVALHO,

PRÉMIO ÁRVORE DA VIDA

 

O actor Ruy de Carvalho recebeu no passado dia 2 de Junho, durante a Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, o Prémio Árvore da Vida/Padre Manuel Antunes 2018, da Igreja Católica, pelo seu “testemunho de vida e de humanismo”.

 

D. João Lavrador, bispo de Angra e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais falou num “justo prémio” para uma figura que ajuda a “engrandecer” a própria distinção, por causa de um “notável currículo” fruto de “competência profissional e humana”.

Após receber o prémio, Ruy de Carvalho disse ser “uma honra” ter sido escolhido, considerando ser uma exigência oferecer o seu trabalho “a Cristo e a Deus”.

A acta do júri, lida pelo director do SNPC, José Carlos Seabra Pereira, realça o percurso do actor e declamador, de 91 anos, elogiando o seu “sentido exemplar da seriedade profissional” e as “implicações culturais da sua presença no espaço público, daí decorrendo a empatia e a influência positiva exercida na sociedade”.

Do júri fizeram parte D. João Lavrador; o padre Américo Aguiar, presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença; o padre António Trigueiros, director da revista “Brotéria”; Maria Teresa Dias Furtado, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Guilherme d’Oliveira Martins, administrador-executivo da Fundação Calouste Gulbenkian; e José Carlos Seabra Pereira.

Ruy de Carvalho nasceu em Lisboa, em 1927, estreou-se em 1942, numa peça encenada por Francisco Ribeiro (Ribeirinho), e anunciou a reforma em 1998, quando interpretava “Rei Lear”, de Shakespeare, para o Teatro Nacional D. Maria II, mas prosseguiu a carreira durante mais duas décadas, pelos palcos, pelo cinema, pela televisão.

O Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, composto pela escultura “Árvore da Vida”, de Alberto Carneiro, e um montante de 2500 euros, foi instituído em 2005 pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, contando desde então com o patrocínio do grupo Renascença Comunicação Multimédia.

 

 

PORTO

 

COLÓQUIO SOBRE

D. ANTÓNIO BARROSO

 

O Paço Episcopal do Porto acolheu nos dias 7 e 8 de Junho passado um Colóquio sobre D. António Barroso, no centenário da sua morte. Em análise a sua vida e acção pastoral no contexto político, social e eclesial da época em que viveu. Foi missionário e bispo. Em destaque a sua firmeza, visão pastoral, autenticidade, liberdade e simplicidade evangélica.

 

D. António de Sousa Barroso nasceu na freguesia de Santa Maria de Remelhe, em Barcelos, a 5 de Novembro de 1854. Em Novembro de 1873, ingressou no Real Colégio das Missões Ultramarinas, em Cernache do Bonjardim, na Sertã.

Ordenado presbítero, o seu primeiro trabalho missionário foi restaurar a antiga missão do Congo, em África, onde construiu uma capela, uma escola, um pequeno hospital e criou condições para o ensino de práticas agrícolas.

Em Fevereiro de 1891 foi nomeado para Moçambique. Com essa missão, e depois de confirmado pelo Papa na dignidade de bispo de Himéria (a 1 de Junho de 1891), partiu para Moçambique, onde desembarcou a 20 de Março de 1892. Do seu pontificado africano destaca-se a preocupação em visitar as paróquias e as missões já estabelecidas no seu vasto território diocesano, assim como a criação de novas missões, de modo a formar uma rede de postos missionários. Atendeu, igualmente, à questão da instrução, em especial a feminina, tendo fundado os Institutos D. Amélia e Leão XIII, que deixou a cargo das Irmãs de S. José de Cluny, sendo estas as primeiras escolas moçambicanas para o ensino feminino.

Em Agosto de 1897, passou a ser bispo de S. Tomé de Meliapor, na India, onde reformou os programas do Seminário e dotou-o de uma biblioteca, construiu um convento para franciscanos e remodelou o orfanotrófio-asilo de Madrasta.

Praticamente duas décadas depois de ter iniciado a sua missão ultramarina, D. António Barroso foi nomeado bispo do Porto, em Fevereiro de 1899.

Fez nascer a Obra de Assistência aos Clérigos Pobres da Diocese do Porto, com estatutos aprovados em Junho de 1916. E às questões económicas juntou as de formação, revelando grande cuidado com o Seminário da Sé, onde ergueu a biblioteca, com o restabelecimento das Conferências teológico-morais e litúrgicas, com a organização de retiros. Criou, ainda, o Boletim da Diocese do Porto, em 1914.

O papel da agricultura e as questões salariais também foram motivo de reflexão do prelado que apontava, na sua abordagem, para o sentido cristão do trabalho e para o papel social da Igreja como alavanca para a transformação da sociedade.

Após a implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, os bispos escreveram uma pastoral colectiva em defesa dos direitos da Igreja Católica, condenando os agravos das novas leis civis e a forma autoritária como o novo regime cerceava e atacava os princípios e as instituições da religião católica. O governo republicano proibiu a leitura deste documento nas missas. D. António Barroso não aceitou esta ordem. Foi chamado a Lisboa e proibido de voltar a qualquer lugar do seu bispado.

Entre Março de 1911 e Abril de 1914, D. António viveu exilado, na sua casa em Remelhe, tendo ordenado clandestinamente na capela medieval da aldeia dezenas de diáconos e presbíteros.

Faleceu a 31 de Agosto de 1918 deixando no Porto um perfume de santidade no coração dos seus diocesanos. Do seu testamento ressalta uma frase lapidar: “nasci pobre, rico não vivi, e pobre quero morrer”.

 

No Colóquio sobre D. António Barroso, proferiu uma conferência D. Carlos Azevedo, delegado do Conselho Pontifício para a Cultura. Profundo conhecedor da sua vida e acção pastoral, tendo assinado com Amadeu Gomes de Araújo uma biografia sobre o missionário António Barroso, bispo do Porto, com o título “Réu da República”, D. Carlos Azevedo salientou que D. António Barroso era um homem frontal e decidido, munido de uma “verticalidade e uma autenticidade” capaz de ter “liberdade” nos pareceres que dava à Santa Sé, revelando “uma autonomia em relação a qualquer jogo que não estivesse de acordo com o Evangelho”.

D. Carlos Azevedo afirmou ainda que D. António Barroso era um homem que “pegava no Evangelho aplicando-o ao concreto dos tempos”.

Em 1992 foi dado início ao processo de beatificação e canonização de D. António Barroso. A 17 de Junho de 2017, o Papa Francisco aprovou o decreto que declara as "virtudes heróicas" de D. António Barroso, reconhecendo, assim, "as virtudes e o exemplo de vida de ministério e de missão" do homem que foi bispo do Porto entre 1899 e 1918.

 

 

COIMBRA

 

CONGRESSO NACIONAL

DOS ENFERMEIROS CRISTÃOS

 

“Ser enfermeiro e cristão é uma dupla responsabilidade”, defendeu João Paulo Nunes, presidente da Associação Católica dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde, no Congresso nacional que terminou no passado dia 9 de Junho.

 

O enfermeiro cristão, além de ser “excelente enfermeiro, tem de incorporar nas práticas quotidianas os valores de ser cristão: valores que dizem respeito à humanidade e à forma de enfrentar a doença, o nascimento e a morte”.

O Congresso nacional da Associação Católica dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde teve como tema «Cidadania em saúde – Barómetro social e humano – Promover a vida».

João Paulo Nunes acrescentou ainda que há um ponto de partida que marca o que é humanizar, uma forma de colocar a pessoa no centro.

“Abdicar da minha ideia ou do que penso ser correcto, porque é mais correcto compreender o que a pessoa sente que está correcto e este posicionamento de partida marca o que é humanizar”, acrescentou.

Outro aspecto que João Paulo Nunes destacou foi a dicotomia dos imperativos éticos e económicos.

“É uma dicotomia que põe em causa a pessoa. E a matriz económica tem uma prevalência desproporcionada em relação à matriz de proximidade e dos valores que só se transmitem com tempo”, apontou.

 

 

PORTALEGRE

 

ORIENTAÇÕES PASTORAIS

SOBRE AMORIS LAETITIA

 

O Bispo da diocese D. Antonino Dias escreveu uma carta pastoral com o título «A Bem da Família», na qual oferece algumas “orientações positivas” de ajuda aos divorciados a viver em nova união.

 

Na apresentação do documento, que é uma proposta de aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica «Amoris laetitia» do Papa Francisco, D. Antonino Dias realçou que as propostas “são passos a desenvolver no tempo, sem respostas rápidas e à partida, pois não há receitas simples”.

Na realização deste ministério do discernimento, os pastores têm “a responsabilidade de evitar cair nos dois extremos, isto é, no rigorismo ou no laxismo”, porque “quando se pensa que tudo é branco ou preto pode-se fechar o caminho da graça e do crescimento”.

O texto, que resultou duma reflexão dos bispos do Centro, sublinha que as orientações oferecidas terão “sempre de ser adaptadas a cada situação e a cada pessoa, pois é essa a essência do discernimento”.

“Há um percurso histórico de cada pessoa a ter em conta, e não apenas um momento da sua vida”, escreveu D. Antonino Dias, que participou na assembleia do Sínodo dos Bispos dedicada à Família em 2015, no Vaticano.

Na carta pastoral «A Bem da Família», o bispo de Portalegre – Castelo Branco afirma que “acompanhar não é julgar e decidir, não é ser controlador, mas escutar e ajudar a que as pessoas tomem consciência da sua situação e consigam tomar uma decisão que as aproxime de Deus e da Sua Palavra”.

“Não se trata de adequar a pastoral à doutrina; trata-se sim, de não arrancar à doutrina o selo pastoral que lhe é original e constitutivo”, reforça D. Antonino Dias.

 

 

LEIRIA

 

ORIENTAÇÕES PASTORAIS

SOBRE AMORIS LAETITIA

 

O bispo da diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto, publicou uma Nota Pastoral sobre a situação dos católicos divorciados a viver em nova união, propondo um “guia prático” para aplicar as orientações do Papa Francisco neste campo.

 

O texto, intitulado “O Senhor está perto de quem tem o coração ferido”, admite que os católicos em segunda união possam aceder aos Sacramentos, após um “caminho de acompanhamento e discernimento”.

“Pode acontecer que o discernimento antes referido leve a concluir que a integração não passe necessariamente pela participação sacramental. Isso não dispensa de procurar outras formas: presença activa na comunidade e participação nas suas actividades, integração em grupos ou movimentos de oração ou espiritualidade, compromisso nos diversos serviços eclesiais”, assinala D. António Marto.

O objectivo apresentado é uma “maior integração eclesial dos fiéis divorciados”, a partir do que é proposto na Exortação Apostólica “Amoris laetitia”, do Papa Francisco, especialmente no capítulo VIII.

O Bispo de Leiria-Fátima sustenta que, após este itinerário de discernimento, os divorciados possam ser padrinhos ou madrinhas, leitores na liturgia, cantores, catequistas, membros dos conselhos paroquiais ou “exercer cargos de responsabilidade em movimentos eclesiais, obras sociais e caritativas”.

O bispo de Leiria-Fátima parte da reflexão feita pelos bispos das dioceses do centro do País (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu), bem como dos pronunciamentos de outros episcopados (bispos da região pastoral de Buenos Aires, de Malta, da Alemanha e da região Emília-Romanha, na Itália).

O futuro cardeal recorda a necessidade de informar os fiéis divorciados a viver em nova união sobre a possibilidade de “averiguar a existência, ou não, de algum fundamento” para iniciar um processo de nulidade do matrimónio no Tribunal Eclesiástico.

Noutros casos, acrescenta, “quando as circunstâncias concretas de um casal o tornem factível, especialmente quando ambos sejam cristãos com um caminho sólido de fé, pode-se examinar a possibilidade do compromisso de viverem em continência conjugal”.

D. António Marto precisa que as decisões são tomadas a partir da “consciência das pessoas”, cabendo ao orientador espiritual “assegurar que todo o processo decorreu como devia”.

O Papa Francisco propõe na sua exortação apostólica sobre a família, publicada em 2016 após duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015), um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

 

 

LISBOA

 

CARDEAL SEAN O’MALLEY,

DOUTOR HONORIS CAUSA PELA UCP

 

No passado dia 15 de Junho, a Universidade Católica Portuguesa (UCP) atribuiu o título de “Doutor Honoris Causa” ao arcebispo de Boston, cardeal Sean O’Malley, apresentado como um “amigo de Portugal e da UCP”.

 

A reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil, elogiou “uma personalidade notável” da Igreja no mundo, no discurso que inaugurou a cerimónia, no Auditório Cardeal Medeiros.

A responsável evocou a “notável colaboração” do distinguido na construção da UCP e a sua actividade pastoral de “grande proximidade” às comunidades portuguesas nos EUA.

Por sua vez, o cardeal-patriarca de Lisboa e magno chanceler da UCP, D. Manuel Clemente, saudou o cardeal O’Malley e o gesto de o distinguir, como sinal da “universalidade” da instituição académica.

“A honra refere-se sobretudo a nós e à nossa universidade, por o podermos agora incluir entre um dos nossos”, declarou.

O cardeal O’Malley falou, após a distinção, de uma sociedade marcada por heróis culturais que personificam o “individualismo e espírito de competição” e de celebridades que são fruto de uma “cultura viciada no entretenimento”.

A educação católica, acrescentou, deve apresentar um “outro ideal”, ajudando as pessoas a tornarem-se “plenamente humanas”.

“Fomos colocados neste mundo para tomar conta uns dos outros”, chamados a ser “protectores e cuidadores”, declarou, numa intervenção em português.

O novo doutor da UCP destacou que, apesar de todos os seus avanços, a ciência e a tecnologia “não terão nunca capacidade de ensinar o valor das coisas ou o sentido da existência”.

Sean Patrick O’Malley fez os primeiros votos religiosos na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em 1965; tem mestrado na área da educação e doutoramento em literatura espanhola e portuguesa; nasceu em Lakewood, no Estado de Ohio, em 1944, numa família católica de ascendência irlandesa.

O cardeal foi membro da direcção da Associação de Cooperação com a Universidade Católica Portuguesa, que se destacou no apoio à UCP, sob a direcção do cardeal luso-americano Humberto Sousa Medeiros (1915-1983).

Em 1985, o cardeal Sean O’Malley foi agraciado com a Comenda da Ordem Infante D. Henrique em reconhecimento pelo trabalho junto da comunidade de luso-americanos; em 2016 foi condecorado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique.

 

 

VISEU

 

NOVO BISPO,

D. ANTÓNIO LUCIANO DOS SANTOS COSTA

 

O Papa Francisco nomeou no dia 3 de Maio passado como bispo de Viseu o cónego António Luciano dos Santos Costa, de 66 anos, vigário episcopal para o Clero da Guarda, sucedendo a D. Ilídio Leandro, que renunciou por motivos de saúde.

 

D. António Luciano dos Santos Costa nasceu em Março de 1952, em Sandomil (Seia), distrito e diocese da Guarda. O mais velho de sete irmãos, trabalhou como enfermeiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra; depois de cumprir o serviço militar em Moçambique, retomou funções nos Hospitais da Universidade de Coimbra, completando a formação em Enfermagem.

Entrou no seminário aos 28 anos, iniciando o percurso para a formação sacerdotal no ISET (Coimbra), no ano lectivo de 1980/1981, continuando-o no Seminário da Guarda; foi ordenado sacerdote para esta diocese em Junho de 1985, na Catedral da Guarda.

Após a ordenação, estudou Teologia Moral em Roma, na Academia Alfonsiana, concluindo a Licenciatura com uma dissertação sobre o pensamento e obra de Bernhard Häring, “Ser Livre em Cristo, Projecto Responsável do Homem”; fez ainda estudos em Bioética, no Centro de Bioética da Faculdade de Medicina, Hospital de Santa Maria (Lisboa).

Na Diocese da Guarda, onde era vigário episcopal para o Clero, era capelão do Hospital Distrital da Guarda, juiz do Tribunal Eclesiástico, membro do Cabido e do Conselho Presbiteral.

O percurso do novo bispo passou, entre outros encargos, pela equipa formadora do Seminário Maior, a Capelania do Estabelecimento Prisional, a docência de Educação Moral e Religiosa Católica, de Teologia Moral, de Doutrina Social da Igreja, Ética e Bioética e de Deontologia Profissional e Ética.

D. António Luciano Santos Costa acompanhou ainda, na Covilhã, o trabalho pastoral no mundo universitário.

 

No passado dia 17 de Junho, D. António Luciano Santos Costa recebeu a ordenação episcopal na Sé da Guarda, sendo ordenante principal o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e co-ordenantes D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, e D. Ilídio Leandro, Bispo cessante de Viseu.

Participaram na celebração de D. António Luciano o núncio apostólico, diversos bispos de Portugal, o clero da diocese da Guarda e de Viseu, assim como paroquianos, amigos e conhecidos do novo bispo, tanto das paróquias onde foi responsável, como dos hospitais e das universidades onde colaborou.

O início do trabalho pastoral de D. António Luciano na diocese de Viseu vai ser no dia 22 de Julho, sucedendo a D. Ilídio Leandro que pediu a resignação ao Papa Francisco por motivos de saúde.

 

 

PORTO

 

HOMENAGEM A

D. DOMINGOS DE PINHO BRANDÃO

 

No passado dia 23 de Maio, foi inaugurada, no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior, a Sala dedicada a D. Domingos de Pinho Brandão, antigo Bispo auxiliar da diocese.

 

D. Domingos de Pinho Brandão nasceu em 1920, na freguesia de Arouca.

Frequentou o Seminário Maior do Porto, terminando o seu curso de Teologia na Universidade Gregoriana. Foi ordenado sacerdote em Roma, na Basílica de S. João de Latrão (1943). Depois de ter paroquiado na sua terra natal, foi nomeado Reitor do Seminário Maior do Porto pelo então bispo do Porto, Dom António Ferreira Gomes, até ao exílio deste.

Em 1966 foi nomeado bispo auxiliar de Leiria e, mais tarde, bispo auxiliar do Porto (1972-1988). Embora de saúde precária, foi um investigador notável e plurifacetado no campo da história de arte, arqueologia, epigrafia, numismática, museologia, deixando inúmeros escritos nestas áreas.

Fundou o Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário do Porto (1958) e o Museu Diocesano de Arte Sacra de Leiria. Aquele museu reúne sobretudo esculturas desde o século XIV até à actualidade, bem como outros objectos artísticos, como algumas pinturas de relevante valor, objectos litúrgicos, paramentos e alfaias para a liturgia.

Ensinou no Liceu Alexandre Herculano, em vários colégios, centros, instituições e na Faculdade de Letras do Porto. Foi membro da Academia Nacional de Belas Artes e da Academia Portuguesa da História. Participou em reuniões científicas e trabalhos de escavação, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo impulsionado e organizado os Colóquios Portuenses de Arqueologia de 1961 a 1966.

Faleceu em 1988, no Porto, aos 68 anos.

 

 

FÁTIMA

 

SIMPÓSIO INTERNACIONAL

FÁTIMA HOJE: QUE SENTIDO?

 

De 22 a 24 de Junho passado, decorreu no Centro Pastoral Paulo VI o Simpósio Teológico-Pastoral “Fátima Hoje: que sentido?”, promovido pelo Santuário de Fátima.

 

O encontro pretendia ser um contributo privilegiado para a vivência do tema proposto pelo Santuário para este ano pastoral: “Dar graças pelo dom de Fátima”, reflectindo sobre o sentido de Fátima no mundo

“Decorridos cem anos sobre o acontecimento e passado o momento necessariamente celebrativo que evocou esse acontecimento fundante, reveste-se de total pertinência que as diferentes formas de pensar, ao olharem para o comportamento humano em torno da Cova da Iria, interroguem o sentido que Fátima continuará a ter depois de se virar essa página que foi o ano de 2017”, escreve o Presidente da Comissão Organizadora do Simpósio, Marco Daniel Duarte, no folheto de divulgação da proposta.

O programa de três dias aconteceu com a Mensagem de Fátima no centro da reflexão, num itinerário dinamizado sob os verbos: receber e viver, no primeiro dia; viver e anunciar, no segundo; e reflectir, na conclusão. Investigadores de diferentes academias, nacionais e estrangeiras, seguindo esta perspectiva, reflectiram sobre a existência humana, partindo das fontes e dos protagonistas de Fátima, lançando “uma visão sobre o complexo e multiforme mundo contemporâneo”.

 

 

ÉVORA

 

NOVO ARCEBISPO,

D. FRANCISCO SENRA COELHO

 

No passado dia 26 de Junho, o Papa Francisco nomeou D. Francisco José Senra Coelho, até agora bispo auxiliar de Braga, como o novo arcebispo de Évora, sucedendo a D. José Sanches Alves, na diocese desde 2008.

 

A entrada solene de D. Francisco Senra Coelho, de 57 anos, far-se-á no domingo, 2 de Setembro próximo, na Catedral de Évora; até esse momento, D. José Alves assume funções de Administrador apostólico.

Nessa altura, D. Francisco receberá o pálio abençoado pelo Papa Francisco na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, 29 de Junho passado. É uma insígnia litúrgica de honra e jurisdição própria dos arcebispos, que foi entregue ao Núncio apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, que a vai impor ao novo arcebispo.

D. Francisco Senra Coelho nasceu em 1961 em Lourenço Marques (Moçambique), sendo seus pais naturais do concelho de Barcelos, distrito de Braga.

Frequentou o Liceu em Braga e a seguir ingressou no Seminário da arquidiocese. Em 1980 passou para o Seminário Maior de Évora, onde concluiu o curso superior de Teologia, sendo ordenado sacerdote para a nova diocese em Junho de 1986.

Era pároco de Nossa Senhora de Fátima, em Évora, e moderador da Zona Pastoral Centro/Sul da arquidiocese, quando em Abril de 2014, foi nomeado pelo Papa Francisco como bispo auxiliar de Braga.

A ordenação episcopal decorreu a 29 de Junho desse ano na Sé de Évora, presidida pelo arcebispo D. José Alves. O seu lema episcopal é “Illum oportet crescere me autem minui” (Convém que Ele cresça e eu diminua) (Jo 3, 30).

Entre os seus muitos cargos pastorais, era director espiritual do Organismo Mundial do Movimento dos Cursilhos de Cristandade.

A nível académico, é doutor em História pela Universidade Internacional de Phoenix (EUA), tendo como tema da tese a vida do Arcebispo de Évora, D. Augusto Eduardo Nunes, no contexto da Primeira República em Portugal. Era professor do Instituto Teológico de Évora e director e editor da revista “Igreja Eborense”. Tem muitas obras publicadas, a última das quais sobre “Nossa Senhora e a História de Portugal”.

 

O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, publicou no site da arquidiocese a seguinte mensagem aos diocesanos:

“D. Francisco José Villas-Boas Senra de Faria Coelho, oriundo de Braga, foi ordenado e trabalhou numa Arquidiocese com um contexto social e eclesial diferente da nossa. A sua experiência sacerdotal e humana constituiu, para nós, um contributo de inegável valor. Ao mesmo tempo, a sua inteligência e carreira académica dotaram-no com uma visão ímpar dos problemas, oferecendo-nos sempre sugestões oportunas em ordem a opções pastorais adequadas ao tempo em que vivemos. Também o seu zelo apostólico e alegria no anúncio do Evangelho deixaram marcas num número significativo de comunidades, leigos e sacerdotes que o conheceram de perto”.

Também D. José Sanches Alves deixou-lhe as boas-vindas:

“D. Francisco, seja bem-vindo a esta Arquidiocese que tão bem o conhece e tanto o estima pelo excelente trabalho pastoral que nela realizou. Todos exultam de alegria e estão prontos para o acolher como seu pastor, seu pai, seu irmão e seu amigo. Conte sempre com a minha fraterna amizade e com a minha oração”.

Na notícia publicada no site da Conferência Episcopal Portuguesa, o Padre Manuel Barbosa, secretário da CEP, exprime os votos dos Bispos:

“Invocamos as bênçãos do Senhor sobre D. Francisco Senra Coelho para que assuma esta nova missão como pastor da Arquidiocese de Évora com a mesma dedicação pastoral com que tem exercido o seu ministério episcopal”.

No dia seguinte à nomeação, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou um telegrama pessoal a D. Francisco Senra Coelho, no qual cumprimenta e saúda o Prelado pelas suas novas funções como Arcebispo de Évora, desejando-lhe as melhores venturas no exercício das mesmas ao serviço da Arquidiocese e das suas populações.

Celebração Litúrgica, cujos responsáveis o contactavam de perto enquanto bispo auxiliar de Braga, deseja frutos abundantes na sua nova responsabilidade pastoral ao serviço da Igreja em Portugal. 

 

 

LISBOA

 

PADRE TOLENTINO MENDONÇA,

ARQUIVISTA E BIBLIOTECÁRIO DA SANTA SÉ

 

O cardeal-patriarca de Lisboa saudou a nomeação do padre José Tolentino Mendonça para Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, feita pelo Papa Francisco no passado dia 26 de Junho.

 

D. Manuel Clemente disse que é uma “grande alegria” ver o novo arcebispo português num “cargo tão importante para a vida cultural da Igreja”.

O cardeal-patriarca elogiou a “sensibilidade cultural e pastoral” do novo responsável português, com um percurso eclesial e na sociedade que vai ajudar a Igreja Católica a prestar um serviço ao mundo com o património que ela conserva.

“Ninguém melhor do que D. José Tolentino Mendonça para desempenhar essa função”, acrescentou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, sublinhando a sua capacidade “de intervir e de criar” desde os primeiros tempos da sua formação sacerdotal.

Também o Presidente da República deixou uma felicitação entusiástica na sua página de Internet:

“Ao tomar conhecimento da sua designação, pelo Santo Padre, como Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, com a categoria de Arcebispo, envio a D. José Tolentino Mendonça as minhas mais cordiais saudações, também como amigo e admirador.

“Esta nomeação é um ato que engrandece o nome de Portugal, reconhecendo a trajetória de vida e a densidade espiritual, intelectual e humana de José Tolentino Mendonça.

“Sacerdote admirado pelos Portugueses, vulto maior da cultura portuguesa contemporânea, o gesto do Santo Padre representa para D. Tolentino Mendonça o justo e merecido culminar de um exemplar percurso de fé, caminho em que a palavra tem papel decisivo.

“Através dos seus livros de teologia e de poesia, das suas crónicas regulares na imprensa escrita, das suas intervenções públicas nos mais diversos lugares e, enfim, do exercício de funções docentes e diretivas na Universidade Católica Portuguesa, D. José Tolentino Mendonça alcançou um lugar cimeiro não apenas entre nós, mas no seio da intelectualidade católica de todo o mundo.

“Em meu nome e em nome do povo português, desejo-lhe as maiores venturas no exercício de tão exigentes quanto prestigiadas funções.

Marcelo Rebelo de Sousa”

 

 

LISBOA

 

NA ROTA DAS CATEDRAIS

 

A Directora geral do Património Cultural, Paula Silva, considerou que as catedrais portuguesas têm um “conjunto de peças notáveis e um acervo artístico enorme” na inauguração da exposição «Na Rota das Catedrais – Construções e Identidades», no passado dia 26 de Junho.

 

Esta exposição, inaugurada na Galeria D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, surge na sequência de um longo trabalho, desde 2009, onde “foi assinado um protocolo entre o Estado Português e a Conferência Episcopal Portuguesa” no sentido da criação da Rota das Catedrais.

Um projecto que pretende que cada catedral “tenha melhores condições de visita cultural” e onde as catedrais possam mostrar o “seu conteúdo artístico” com o lema “conheça Portugal através das suas catedrais”, refere Paula Silva.

As catedrais portuguesas são um “conjunto patrimonial de reconhecida singularidade”, que ao longo dos séculos assumiu papel de relevo “na estrutura do território e na definição de uma identidade nacional”.

O critério de escolha das mais de cem peças expostas tenta “criar núcleos temáticos” e da importância da catedral “na génese da cidade e no culto religioso”.

O património religioso, assim como o resto do património “é objecto de muita atenção” e cada vez mais as pessoas e as populações “estão atentas” a esse património, frisou a Directora geral.

Ao fazer a avaliação dos cerca de 10 anos do projecto «Rota das Catedrais», Paula Silva recorda que as direcções regionais da cultura juntamente com os cabidos das catedrais “têm desenvolvido um conjunto grande de obras e de valorização”.

Esta exposição está patente ao público até ao dia 30 de Setembro.

 

 

FÁTIMA

 

D. ANTÓNIO MARTO,

NOVO CARDEAL

 

No Consistório de 28 de Junho passado, o Papa Francisco criou os 14 novos cardeais anteriormente eleitos, entre os quais D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima.

 

Após a cerimónia, D. António Marto recordou os momentos em que se aproximou do Papa Francisco para receber as insígnias cardinalícias.

“À medida que a gente se aproxima para ser investidos, sente-se um peso cá dentro a dizer assim: «Vais assumir uma nova missão». Mas depois chega-se lá, enfim, ouve-se a oração e a fórmula da entrega das insígnias, a gente saúda o Papa e fica-se satisfeito”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, o abraço ao Papa Francisco transformou o momento. “Aí já estava sereno e aliviado”, acrescentou.

D. António Marto revelou o que disse ao Papa quando este impôs o barrete cardinalício.

“Eu disse ao Santo Padre que Nossa Senhora e os Santos Pastorinhos agradecem o dom de Fátima”, mostrando-se “disponível” para o serviço que lhe for confiado.

Após o Consistório, os novos cardeais, acompanhados por Francisco, foram cumprimentar o Papa emérito Bento XVI, com quem rezaram, no Mosteiro “Mater Ecclesiae”, onde ele reside.

D. António Marto disse ter encontrado o Papa emérito “muito frágil”, do ponto de vista físico, justificando a sua ausência na celebração com estas limitações e prometendo a sua oração. “Praticamente não vê”, acrescentou.

Antes de se deslocar para a Sala Paulo VI, onde decorreu a sessão de cumprimentos, D. António Marto conseguir trocar algumas palavras com o Papa Francisco, que lhe disse que o cardinalato “foi uma carícia de Nossa Senhora”.

Por sua vez, D. Rino Passigato, núncio apostólico em Portugal, destacou a ligação desta decisão do Papa à celebração do Centenário das Aparições:

“O Santo Padre disse-me que tomou esta decisão para honrar Nossa Senhora de Fátima”, explicou.

No dia 29 de Junho, D. António Marto e os novos cardeais concelebraram a Eucaristia na Praça de São Pedro; no dia seguinte, sábado, às 18h00 locais, o novo cardeal português presidiu a uma Missa na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma.

 

 

LISBOA

 

CARTA DO PAPA AO PATRIARCA

 

Com data de 26 de Junho, o Santo Padre enviou uma carta ao Cardeal Patriarca, congratulando-se com a Nota que este publicara em aplicação do cap. VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia. É com alegria que a damos a conhecer, tomada do site do Patriarcado:

 

Amado Irmão Cardeal

D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente

Patriarca de Lisboa

 

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia

Esta sua aprofundada reflexão  encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério. 

As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus. 

Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas. 

Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa. 

Vaticano, 26 de junho de 2018

                                                        Franciscus

 

 

FÁTIMA

 

SIMPÓSIO DO CLERO

 

O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios referiu que o Simpósio do Clero 2018 vai abranger um leque variado de questões “que se colocam hoje à vida dos padres”, para “serem testemunhas alegres do Evangelho”.

 

O Simpósio do Clero vai ter como tema “O Padre: ministro e testemunha da alegria do Evangelho”, a realizar-se de 3 a 6 de Setembro.

“Um tema muito inspirado na reflexão e nos desafios propostos pelo Papa Francisco. A alegria do Evangelho deve estar no centro da vida da Igreja e, evidentemente, por natureza, no centro das preocupações, do trabalho e vida dos sacerdotes como testemunhas dessa alegria, desse Evangelho ser capaz de apaixonar a vida das pessoas”, explicou D. António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto.

O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios destacou do programa a conferência “O ministério sacerdotal no magistério do Papa Francisco”, a cargo do Prefeito da Congregação para o Clero, o cardeal Beniamino Stella, em 3 de Setembro.

No dia seguinte, o secretário do mesmo organismo da Santa Sé, Mons. Jorge Carlos Patrón Wong, vai apresentar aos padres em Portugal os temas “A formação sacerdotal na Igreja do Futuro” e “A formação para a fidelidade e fecundidade no ministério”.

No Simpósio do Clero 2018 haverá também uma “abordagem especial” à dimensão espiritual da vida do sacerdote, que “é aquela que alimenta muito a fecundidade do ministério”.

Segundo o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, vai haver espaço também para o “testemunho” da experiência e das realizações dos sacerdotes, em vários ambientes – “hospital ou prisão, militares, académicos, escolares” – e meios sociais, como “na cidade, nos meios urbanos, suburbanos, mundo rural”.

D. António Augusto Azevedo assinala que o encontro de formação vai terminar com uma conferência dedicada ao celibato, um “tema sempre clássico”, mas que “hoje tem contornos muito atuais”, associado aos outros conceitos evangélicos da obediência e da fraternidade, apresentado pelo bispo emérito de San Sebastián (Espanha), D. Juan Maria Uriarte, a 6 de Setembro.

 

 

BRAGA

 

BIENAL INTERNACIONAL DE

ARTE SACRA CONTEMPORÂNEA

 

O Museu Pio XII vai receber a Bienal Internacional de Arte Sacra Contemporânea promovida pela Atlas Violeta, em colaboração com a Arquidiocese de Braga e o município local, de 3 de Agosto a 3 de Setembro.

 

“Não podemos ficar no passado. Temos de continuar a ser artífices. Continuamos a ter artistas e a fé está aí”, disse o director do Museu da Arquidiocese de Braga.

Para o cónego José Paulo Abreu, o evento é uma oportunidade de “reaproximar a Igreja dos artistas dos dias de hoje”.

A Bienal Internacional de Arte Sacra Contemporânea “pretende promover a Arte Sacra num olhar mais moderno, para que as gerações contemporâneas desmistifiquem esta forma de expressão tão consagrada”, e tem como principal objectivo “realçar a beleza, singularidade, verdade e bondade” presente na Arte Sacra Contemporânea representada em cada obra de arte exposta.

A mostra vai ocupar diversos espaços do emblemático Museu, como a capela de Nossa Senhora da Torre e a Torre de São Tiago.

A gala de encerramento e a entrega de prémios da Bienal Internacional de Arte Sacra Contemporânea está agendada para 31 de agosto, no Teatro Circo de Braga; um júri vai nomear os primeiros três classificados, e o quarto artista vai ser escolhido pelo público.

“O evento dá a conhecer a obra de um vasto leque de artistas nacionais e internacionais, que colocam a sua arte e imaginação ao serviço do fenómeno religioso”, realçou o presidente do município bracarense, Ricardo Rio.

 

 


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