aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

DISCURSOS DO PAPA FRANCISCO

SOBRE A EUROPA

 

“Repensar o futuro partindo das relações. Discursos sobre a Europa” é um novo volume da Livraria Editora Vaticana – Secretaria para a Comunicação, que reúne as cinco principais reflexões que o Papa Francisco ofereceu aos representantes da política, do episcopado e da sociedade civil europeia, a partir da visita ao Parlamento Europeu e ao Conselho da Europa em Estrasburgo, na França, em 25 de Novembro de 2014.

 

A apresentação do volume, assinada pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, ressalta o intento do Santo Padre que – num cenário mundial de guerras, divisões e pobreza, diante das exaustões da Europa e da constante crise de solidariedade – fala para a Europa de esperança.

As palavras do Papa Francisco nunca oferecem raciocínios abstractos, mas têm subjacentes rostos e situações concretas, problemáticas reais das pessoas que encontra diariamente durante as suas numerosas audiências. Colocam no centro a pessoa humana, com as suas necessidades, os seus laços, a sua dignidade.

Segundo o cardeal Parolin, para o Papa Francisco a Europa é chamada a reencontrar a si mesma, a sua alma, o espírito humanista. Isso exige “repensar o futuro partindo das relações”.

Face a uma ideia individualista do homem, a uma concepção da pessoa humana desvinculada de todo e qualquer contexto social, “o Papa propõe uma visão relacional da pessoa, inserida numa comunidade”.

Perante uma globalização da indiferença que encontra a sua seiva vital no egoísmo, o Papa “faz apelo a uma liberdade responsável, radicada na verdade e capaz de dar vida a uma solidariedade concreta”.

 

 

PROMOÇÃO DE ESTUDOS DE DIREITO CANÓNICO

NAS UNIVERSIDADES CATÓLICAS

 

No passado dia 3 de Maio foi apresentado no Vaticano a Instrução da Congregação para a Educação Católica sobre “os estudos de Direito Canónico à luz da reforma do processo matrimonial” (29-IV-2018).

 

Promover uma preparação diferenciada, sobretudo académica, das diferentes pessoas que estão a trabalhar nas causas de declaração de nulidade do matrimónio, nos tribunais eclesiásticos ou no aconselhamento matrimonial – é o propósito da nova Instrução, à luz das inovações introduzidas pela reforma dos processos canónicos desejadas pelo Papa Francisco e expressas por dois documentos em forma de motu proprio: “Mitis Iudex Dominus Iesus” e “Mitis et misericors Iesus”.

Na Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, Francisco faz referência à necessidade de tornar os procedimentos de reconhecimento de casos de nulidade mais acessíveis e ágeis.

Além de urgir nível alto nas Faculdades de Direito Canónico existentes, permite-se agora abrir Departamentos de Direito Canónico nas Faculdades de Teologia, onde já existe um curso de Direito Canónico; e onde há universidades católicas com a Faculdade de Direito, ali também são convidados a estabelecer cátedras de Direito Canónico.

 

 

PAPA CELEBRA 50 ANOS

DO CAMINHO NEOCATECUMENAL

 

No passado dia 5 de Maio, o Papa recebeu em Tor Vergata, nos arredores de Roma, cerca de 150 mil membros do Caminho Neocatecumenal vindos de todo o mundo, por ocasião do 50.º aniversário deste movimento católico.

 

Na mensagem deixada aos participantes desta celebração, Francisco convidou todos a darem graças por este aniversário e afirmou que este movimento, através “da vivência do Evangelho e da evangelização”, tem ajudado muitas pessoas e famílias a encontrarem Deus e a Igreja e a “descobrirem o amor terno do Pai”.

Durante a celebração, o Papa cumprimentou de forma especial aqueles que iniciaram o caminho há 50 anos e presidiu à cerimónia de envio de vários grupos e famílias do movimento. Estava presente a actual equipa internacional do Caminho Neocatecumenal: Kiko Argüello, padre Mario Pezzi e Ascensión Romero.

“A evangelização é a prioridade da Igreja de hoje. A missão é anunciar o Senhor que quer o bem de todos e que nunca se cansará da humanidade, de mim, de ti, de nós e de todo o mundo. A missão é dar o que recebemos”, apontou o Papa.

O Papa considerou a Comunidade Neocatecumenal “um grande dom para a Igreja Católica deste tempo”.

O Caminho Neocatecumenal nasceu em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Cármen Hernández, falecida em 2016; é reconhecido pela Igreja Católica como um itinerário de formação católica válido para a sociedade e os dias de hoje.

A Portugal chegou por volta de 1969, trazido por Kiko Argüello , que foi viver para a Penha de França, em Lisboa, tendo-se afirmado ao longo dos anos como um dos movimentos católicos mais emergentes no país, contando actualmente com mais de 300 comunidades espalhadas pelas dioceses portuguesas.

Destaque ainda para a existência de três seminários com vocações que brotam deste movimento, em Lisboa, em Évora e no Porto.

 

 

PAPA VISITA NOMADÉLFIA

E CIDADELA DE LOPPIANO

 

No passado dia 10 de Maio, o Papa Francisco visitou a cidadela internacional dos Focolares em Loppiano (Itália), onde vivem cerca de 850 pessoas, depois de ter passado pela comunidade católica de Nomadélfia.

 

Loppiano acolhe famílias, jovens, sacerdotes e religiosos de 65 países dos cinco continentes, que seguem o modelo de convivência do Movimento dos Focolares, baseado nos valores evangélicos de solidariedade e fraternidade.

A cidadela surgiu em 1964 nas colinas da região italiana da Toscana, perto de Florença; foi a primeira das 24 cidadelas do género em todo o mundo. O Movimento dos Focolares teve início em Trento (Itália), em 1943, pela mão de Chiara Lubich.

Depois de um momento de oração no santuário mariano local, Francisco teve um encontro com membros da comunidade.

Antes, Francisco visitara a Comunidade do padre Zeno Saltini, em Nomadélfia, cerca de 180 quilómetros a norte de Roma, onde o esperavam mais de 4 mil pessoas.

O pontífice começou por rezar junto ao túmulo do padre Zeno, fundador da comunidade, conhecida pela vida de fraternidade e acolhimento às crianças e idosos.

“Continuem por este caminho, incarnando o modelo do amor fraterno, também mediante obras e sinais visíveis, nos vários contextos onde a caridade evangélica os chama, mas sempre conservando o espírito do padre Zeno, que queria uma Nomadélfia leve e essencial nas estruturas”.

 

 

NOVO LIVRO DE RATZINGER-BENTO XVI,

COM PREFÁCIO DO PAPA FRANCISCO

 

No passado dia 11 de Maio, o último livro de Joseph Ratzinger-Bento XVI – que recolhe os seus textos sobre o tema da “Fé e Política” – foi apresentado em Roma pelo arcebispo Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do Papa emérito, e pelo Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

 

O livro tem Prefácio do Papa Francisco, que o define como uma espécie de bússola para “compreender o nosso presente e encontrar uma sólida orientação para o futuro”.

A liberdade da obediência a Deus é um tema que “desde sempre esteve no centro da atenção do Papa emérito – escreve Francisco – e isso o leva desde jovem a reflectir sobre os limites da obediência ao Estado a favor da liberdade da obediência a Deus”.

Além do mais, Ratzinger experimenta em primeira pessoa o nazismo que, “com a sua mentira totalitária” de incluir todas “as possibilidades e esperanças humanas”, se torna “demoníaco e tirânico”.

Ao mesmo tempo, Bento XVI coloca em discussão “a pretensão totalitária do Estado marxista e a ideologia ateia sobre a qual se fundava”. O autêntico contraste entre marxismo e cristianismo para Ratzinger, “não deriva certamente da atenção preferencial dos cristãos pelos pobres”, destaca Francisco, mas da fonte da redenção do homem.

A verdadeira redenção do homem encontra-se na “completa dependência do amor” de Deus, que é a “verdadeira liberdade”.

Hoje, ao invés, tende-se a olhar somente ao amor do homem pelo próprio ego, que leva à “colonização” das consciências, nega as diferenças entre homem e mulher, planifica racionalmente a produção de seres humanos, chegando a “considerar lógico e lícito eliminar aquilo que já não se considera criado, doado, concebido e gerado, mas feito por nós mesmos”.

Esses são “direitos humanos aparentes” – destaca o Pontífice – todos “orientados à autodestruição do homem”, porque negam que “o homem é criatura de Deus”, que tutela a sua liberdade e dignidade.

Defender o homem “contra as reduções ideológicas”, portanto, quer dizer “fixar a obediência do homem a Deus como limite da obediência ao Estado”. E numa época de mudanças como a época contemporânea – conclui o Papa Francisco – significa “defender a família”, porque “o futuro da humanidade passa através dela” e o bem da família “é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja”.

 

 

NORMAS PARA PROTEGER O SILÊNCIO

NOS MOSTEIROS FEMININOS

 

No passado dia 15 de Maio foi apresentada no Vaticano a Instrução “Cor Orans” (1-IV-2018), de aplicação da Const. Apost. «Vultum Dei quaerere» sobre a vida contemplativa feminina, publicada pela Congregação para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica.

 

Entre as novas regras para as religiosas de clausura, por solicitação do Papa, pede-se “sobriedade e critério” no uso dos media, para preservar o silêncio próprio destes mosteiros.

“A normativa sobre os meios de comunicação social, na grande variedade com que se apresentam actualmente, tem como objectivo a salvaguarda do recolhimento e do silêncio: é possível, efectivamente, vacilar no silêncio contemplativo quando se enche a clausura de ruídos, de notícias e de palavras”.

 

 

PARA UMA REFORMA DO

ACTUAL SISTEMA ECONÓMICO-FINANCEIRO

 

No passado dia 17 de Maio foi apresentado no Vaticano o novo documento da responsabilidade conjunta da Congregação para a Doutrina da Fé e do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, intitulado “Oeconomicae et pecuniariae quaestiones” (6-I-2018), com considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do actual sistema económico-financeiro.

 

Participaram na apresentação os Prefeitos daqueles Dicastérios, respectivamente o arcebispo Luis Ladaria e o cardeal Peter Turkson.

Segundo o documento, a chave para um desenvolvimento autêntico é “o amor pelo bem integral, inseparável do amor pela verdade”. Para promover tal desenvolvimento é crucial “o discernimento ético”.

“A recente crise financeira poderia ser uma oportunidade para desenvolver uma nova economia mais atenta aos princípios éticos e para uma nova regulamentação da actividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos e valorizando os serviços à economia real”. Contudo, não houve sempre “uma reacção que tenha levado a repensar os critérios obsoletos que continuam a governar o mundo”

Um fenómeno inaceitável é “lucrar explorando a própria posição dominante com a injusta desvantagem de outras pessoas ou enriquecer-se gerando danos ou perturbações ao bem-estar colectivo”.

Num contexto marcado por profundas desigualdades, é necessário repensar os modelos económicos. A economia não deve ser vista como um instrumento de poder, mas de serviço: “o dinheiro deve servir e não governar”.

Portanto, os operadores competentes e responsáveis são chamados a “desenvolver novas formas de economia e finanças, cujas práticas e regras sejam dirigidas ao progresso do bem comum e respeitosas da dignidade humana, no seguro sulco oferecido pelo ensinamento social da Igreja”.

 

 

PAPA INTERVÉM EM GRAVES ABUSOS

NA IGREJA DO CHILE

 

No passado dia 17 de Maio, terminou o último dos quatro encontros que o Santo Padre teve no Vaticano com 34 bispos chilenos, convocados por causa de graves abusos descobertos na vida da Igreja desse país, na sequência de uma visita apostólica confiada pelo Papa ao arcebispo de Malta, Mons. Charles Scicluna, e ao Pe. Jordi Bertomeu, oficial da Congregação para a Doutrina da Fé.

 

Ao concluir este período de discernimento e encontro fraterno, o Papa Francisco entregou a cada um dos bispos uma carta que foi dada a conhecer:

“Queridos irmãos no episcopado,

“Quero agradecer-lhes por terem acolhido o convite para que, juntos, fizéssemos um discernimento franco face aos graves factos que prejudicaram a comunhão eclesial e debilitaram o trabalho da Igreja do Chile nos últimos anos.

“À luz dos acontecimentos dolorosos concernentes aos abusos – de menores, de poder e de consciência –, temos aprofundado a gravidade dos mesmos, bem como as trágicas consequências que tiveram particularmente para as vítimas. A algumas delas eu mesmo pedi perdão de todo o coração, a cujo pedido vocês se uniram numa só vontade e com o firme propósito de reparar os danos causados.

“Agradeço a plena disponibilidade que cada um manifestou para aderir e colaborar em todas aquelas mudanças e resoluções que teremos de tomar a curto, médio e longo prazos, necessárias para restabelecer a justiça e a comunhão eclesial.

“Depois destes dias de oração e reflexão, convido-vos a seguir construindo uma Igreja profética, que sabe colocar no centro o que é importante: o serviço ao seu Senhor no faminto, no preso, no migrante, na vítima de abuso.

“Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

“Que Jesus vos abençoe e a Virgem Santa vos proteja.

“Fraternalmente,

                             Francisco

 

A reacção dos bispos

 

Reconhecendo a sua responsabilidade nos graves problemas denunciados, todos os bispos chilenos solidariamente puseram os seus cargos nas mãos do Papa, para ele livremente resolver a situação da melhor maneira, com a seguinte declaração:

“Antes de tudo, agradecemos ao Papa Francisco pela sua escuta paterna e a sua correcção fraterna. Mas, sobretudo, queremos pedir perdão pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao Povo de Deus e ao nosso país pelos graves erros e omissões cometidos por nós.

“Agradecemos também a Mons. Scicluna e ao Rev. Jordi Bertomeu pela sua dedicação pastoral e pessoal e pelo esforço investido nas últimas semanas para tentar sarar as feridas da sociedade e da Igreja no nosso país.

“Agradecemos às vítimas pela sua perseverança e coragem, não obstante as enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram de enfrentar, unidas com frequência à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial. Mais uma vez imploramos o seu perdão e a sua ajuda para continuar a avançar no caminho do tratamento das feridas para que possam ser saradas.

“Em segundo lugar, queremos comunicar que todos nós presentes em Roma, por escrito, colocamos os nossos cargos nas mãos do Santo Padre, para que Ele decida livremente por cada um de nós.

“Nós colocamo-nos a caminho, sabendo que esses dias de diálogo honesto representam uma pedra angular de um profundo processo de transformação guiado pelo Papa Francisco. Em comunhão com ele, queremos restabelecer a justiça e contribuir para a reparação do dano causado, para dar novo impulso à missão profética da Igreja no Chile, cujo centro sempre deveria ter sido em Cristo.

“Desejamos que a face do Senhor volte a resplandecer na nossa Igreja e nos empenhemos para isso. Com humildade e esperança, pedimos a todos que nos ajudem a percorrer esta estrada.

“Seguindo as recomendações do Santo Padre, imploramos a Deus que nessas horas difíceis, mas repletas de esperança, a Igreja seja protegida pelo Senhor e por Nossa Senhora do Carmo.

Os bispos da Conferência Episcopal Chilena.

 

Decisões do Papa Francisco

 

Posteriormente, o Papa Francisco continuou a receber vítimas de abusos no Chile, partilhando com elas a sua dor. Na carta que escreveu ao povo do Chile em 30 de Maio seguinte, dizia que “todo o processo de revisão e purificação que se está a viver é possível graças ao esforço e à perseverança de pessoas concretas, as quais, também contra toda esperança e descrédito, não se cansaram de buscar a verdade”.

Já em Junho, o Papa aceitou a renúncia dos seus cargos episcopais a cinco dos bispos chilenos.

 

 

PRÓXIMA CANONIZAÇÃO

DE PAULO VI E ÓSCAR ROMERO

 

No consistório público de cardeais do passado dia 19 de Maio, o Papa Francisco anunciou que vai proceder à canonização dos beatos Paulo VI e Óscar Romero no dia 14 de Outubro próximo, na Praça de São Pedro, durante o Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens.

 

Em 7 de Março passado, Francisco aprovara os milagres atribuídos à intercessão de cada um deles.

Paulo VI (1897-1978) governou a Igreja Católica entre 1963 e 1978, período em que decorria o Concílio Vaticano II e se lhe seguiu um pós-concílio turbulento, tendo sido beatificado pelo Papa Francisco em 19 de Outubro de 2014.

Foi o primeiro Papa a fazer viagens internacionais, entre as quais uma visita pastoral a Fátima, em 13 de Maio de 1967.

Óscar Romero (1917-1980) era arcebispo de San Salvador (capital de El Salvador). Segundo dizia, concordava com a Teologia da libertação na sua visão católica, não na sua visão marxista, materialista. Por se insurgir contra a repressão política da junta militar que governava o país, foi assassinado quando celebrava a Missa em 24 de Março de 1980. Foi beatificado em nome do Papa Francisco em 23 de Maio de 2015, como mártir da fé católica.

 

 

MEMÓRIA LITÚRGICA DE

SANTA MARIA, MÃE DA IGREJA

 

No passado dia 21 de Maio, segunda-feira depois de Pentecostes, a Igreja Católica celebrou, pela primeira vez, a memória litúrgica da “Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja”, que o Papa Francisco inscreveu no Calendário Romano Geral, em 3 de Março deste ano.

 

“Esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem, Mãe do Redentor e dos redimidos”, lê-se no decreto, assinado pelo Prefeito do Dicastério, cardeal Robert Sarah.

O motivo da celebração está brevemente descrito no Decreto Ecclesia Mater: favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana.

“Considerando a importância do mistério da maternidade espiritual de Maria, o Papa Francisco estabeleceu que na segunda-feira depois do Pentecostes, a Memória de Maria Mãe da Igreja seja obrigatória para toda a Igreja de rito romano”, comentou o cardeal.

“O desejo é que esta celebração, agora para toda a Igreja, recorde a todos os discípulos de Cristo que, se queremos crescer e enchermo-nos do amor de Deus, é preciso enraizar a nossa vida sobre três realidades: na Cruz, na Hóstia e na Virgem – Crux, Hostia et Virgo. Estes são os três mistérios que Deus deu ao mundo para estruturar, fecundar, santificar a nossa vida interior e para nos conduzir a Jesus Cristo. São três mistérios a contemplar em silêncio”.

 

 

NOVO PREFEITO DA

CONGREGAÇÃO PARA OS SANTOS

 

No passado dia 26 de Maio, o Papa Francisco nomeou o arcebispo Mons. Giovanni Angelo Becciu como Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, para suceder ao cardeal Angelo Amato, no cargo desde 2008.

 

O arcebispo Angelo Becciu é desde 2011 Substituto para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, tendo sido Núncio apostólico em Angola (2001-2009) e em Cuba (2009-2011).

Mons. Becciu tomará posse do novo cargo no final do mês de Agosto, permanecendo nas actuais funções na Secretaria de Estado até 28 de Junho, data em que era criado cardeal pelo Papa Francisco.

Ordenado sacerdote em 1972, Mons. Giovanni Angelo Becciu obteve o doutoramento em direito canónico e foi ordenado arcebispo em 2001.

 

 

IGREJA E DESPORTO

 

No passado dia 1 de Junho, em vésperas do campeonato mundial de futebol, na Rússia, a Santa Sé publicou um documento inédito sobre o desporto, numa reflexão que alerta para questões como a corrupção, doping, apostas e a falta de respeito pelos limites físicos dos atletas.

 

O documento, da responsabilidade do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, leva o título “Dar o melhor de si. Sobre a perspectiva cristã do desporto e a pessoa humana”.

O documento foi apresentado no mesmo dia, na Sala de Imprensa do Vaticano, juntamente com a Mensagem do Papa Francisco, pelo Prefeito do Dicastério, Card. Kevin Farrel.

“O documento não pretende responder a todas as questões e desafios que o mundo do desporto representa hoje, mas sim mostrar a relação entre o desporto e a experiência de fé e oferecer uma visão cristã da prática desportiva”.

A expressão “Dar o melhor de si” provém de várias intervenções do Papa Francisco, que a aplica ao desporto e à luta no campo da fé (cf. Gaudete et exsultate, n. 11).

“Na verdade, por um lado, recorda o esforço, o sacrifício que um desportista deve tomar como uma constante da sua vida para obter uma vitória ou simplesmente para chegar à meta. Mas também, no âmbito da fé, somos chamados a dar o nosso melhor para chegar à santidade”, meta para todos, também para os desportistas. Na Mensagem que acompanha este documento, o Santo Padre escreve que “o desporto pode ser um instrumento de encontro, de formação, de missão e santificação”.

Num dos capítulos, o documento apresenta alguns desafios para a promoção de um desporto justo e plenamente humano, entre os quais a degradação do corpo, o doping, a corrupção e as eventuais influências negativas dos espectadores. A Igreja compartilha com os protagonistas do desporto a responsabilidade de identificar os desvios e comportamentos negativos e de orientar o desporto no caminho da promoção humana.

 

 

“POBRES DO PAPA”

NO GOLDEN GALA DE ATLETISMO

 

Duzentas pessoas pobres, sem-tecto, idosos, com necessidades especiais, refugiados e migrantes, assistidos pela Esmolaria Apostólica, pela Cooperativa Auxilium e pela Comunidade de Santo Egidio, assistiram no Estádio Olímpico de Roma ao Golden Gala de atletismo, convidados pelo Papa Francisco e pela Federação Italiana de Atletismo.

 

Depois de duas noites no circo, a visita aos Museus Vaticanos e a pizza para todos no átrio da Sala Paulo VI, foi a vez de assistir a uma competição mundial de atletismo.

Uma noite de celebração e amizade, como havia previsto o Esmoler Apostólico, arcebispo Krajewski, vivida na beleza de um desporto universal e simples como é o atletismo.

Várias vezes o Papa Francisco recordou que os pobres têm necessidade não só de alimentos, de roupas e de um lugar para dormir, mas também de uma palavra amiga, de um sorriso e de oportunidades de lazer e de uma diversão saudável.

Os “pobres do Papa” também receberam no Estádio Olímpico no final da noite um jantar embalado.

 

 

CARTA DE CRISTÓVÃO COLOMBO

DEVOLVIDA À SANTA SÉ

 

No passado dia 14 de Junho, a Embaixada dos Estados Unidos junto à Santa Sé restituiu à Biblioteca Apostólica Vaticana a carta do navegador e descobridor das Américas, Cristóvão Colombo, substituída num momento não especificado por uma falsa.

 

A embaixadora dos EUA junto à Santa Sé, Callista Gingrich, acompanhada de representantes do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos e Investigações de Segurança Nacional, entregou a carta ao então Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, arcebispo Jean-Louis Brugues.

A carta de Cristóvão Colombo é um relato sobre a descoberta da América, erroneamente considerada por ele como “as Índias”, escrita em 1493 aos reis católicos Fernando e Isabel de Espanha.

O texto foi traduzido em latim e várias cópias foram distribuídas em toda a Europa. A Biblioteca Apostólica Vaticana recebeu uma dessas edições, em 1921, como parte da “Colecção De Rossi” de livros e manuscritos raros.

No documento, de poucas páginas, o navegador genovês descreve os seres humanos, a fauna e a flora do Novo Mundo e como conseguiu alcançá-lo após 33 dias de navegação, em 12 de Outubro de 1492.

Colombo escreveu a carta no caminho de volta, em 1493, a bordo do “Nina”. Desembarcou em Lisboa, em 4 de Março, e fez com que o material duplicado chegasse à corte espanhola.

Desses manuscritos em espanhol, nenhum foi preservado, daí o valor histórico e patrimonial das impressões em latim.

A carta começou a circular entre os coleccionadores numa época em que a imprensa começava a fazer parte dos hábitos cotidianos dos europeus.

A missiva, inicialmente mantida em segredo, foi impressa e difundida, permitindo que todos tomassem conhecimento da existência de um novo continente.

Em 2011, o Departamento estadunidense de Investigações de Segurança Nacional foi contactado por um especialista de livros e manuscritos que considerava falso o documento pertencente à Colecção vaticana.

Depois de informar o Vaticano sobre o possível roubo, os funcionários do Departamento de Segurança coordenaram a análise da carta feita por especialistas nesse sector, dentre os quais da Universidade de Princeton.

Mesmo não conhecendo o período exacto em que a carta foi roubada, os agentes americanos conseguiram encontrar o original, comprado por Robert Parsons a um comerciante de livros de Nova York, em 2004, o qual não sabia que tinha sido tirado sem autorização do Vaticano. A viúva de Parsons aceitou depois renunciar a todos os direitos pela carta.

 

 

ESTATÍSTICA DA IGREJA CATÓLICA

 

Foram publicados o Anuário Pontifício 2018 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae 2016. Cresce o número de católicos no mundo, sendo o maior aumento na África; porém, diminuem as vocações consagradas.

 

De 2010 a 2016, os fiéis católicos no mundo continuam a aumentar de ano em ano, embora com mais lentidão do que no passado. A África é o continente com o maior crescimento, enquanto a Europa regista uma diminuição de católicos. Também diminui sensivelmente o número de padres, religiosos e seminaristas.

A África conta com 17,6% dos católicos de todo o mundo. O país com maior número de baptizados é a República Democrática do Congo, com mais de 44 milhões, seguido pela Nigéria com 28 milhões de católicos. Na Europa, há uma pequena diminuição, embora sejam 22% da população católica mundial.

Quase metade dos fiéis reside nas Américas (48,6%), e a grande maioria na América do Sul (o Brasil continua a ser o país com o maior número de católicos no mundo).

A Ásia, onde historicamente os católicos são uma minoria, com excepção das Filipinas, os católicos são 11% dos católicos no mundo. Enquanto o restante 0,8% – ou seja pouco mais de 10 milhões de católicos – vivem na Oceânia.

Diminui o número de seminaristas e religiosas professas, o que confirma a queda geral de vocações nos últimos anos. De facto, de 2010 a 2016, o número dos que entram no seminário diminuiu 1,8%, enquanto as religiosas professas diminuíram 8,7%.

Estes dados convidam à reflexão. Por que aumenta com lentidão o número de católicos no mundo? Irá a par da lentidão no crescimento demográfico? Será efeito da secularização em países de maioria católica (como na Europa)? A diminuição na Europa também será efeito da imigração de países africanos, de religião islâmica? Não influirá no sentido positivo a imigração de países africanos onde aumenta o número de católicos?

E por que diminuem as vocações consagradas (sacerdotes, religiosos e sobretudo religiosas)? Será apenas efeito da secularização nos países desenvolvidos e a consequência da revolução sexual? Não influirá também nesses países a difusão do feminismo, com a sua busca afanosa da realização pessoal?

 

 

AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS DA

REFORMA DA CÚRIA ROMANA

 

No passado dia 13 de Junho, concluiu-se no Vaticano o encontro do Conselho de Cardeais (C9) com o Papa Francisco. Encontravam-se presentes todos os membros, excepto o cardeal australiano George Pell. O Santo Padre não esteve presente na manhã da quarta-feira devido à audiência geral.

 

O trabalho do Conselho foi dedicado em grande parte ao estudo do esboço da nova Constituição apostólica da Cúria Romana, cujo título provisório é Praedicate Evangelium. O Conselho de Cardeais já tem pronto um primeiro texto a ser entregue ao Santo Padre para as apreciações que considerar oportunas, úteis e necessárias.

O Conselho avaliou como, segundo um princípio de gradualidade, várias partes da reforma em andamento da Cúria foram implementadas nos cinco anos de trabalho.

O secretário do Conselho para a Economia, Mons. Brian Ferme, apresentou a reforma da estrutura financeira-organizativa da Santa Sé e do Governatorato (organismo que exerce o poder executivo no Estado da Cidade do Vaticano).

Além disso, após ter ilustrado os objectivos e os princípios fundamentais, entre os quais evitar desperdícios, favorecer a transparência, assegurar a correcta aplicação dos princípios contabilísticos, seguir o princípio de dupla supervisão e os padrões internacionais, Mons. Ferme evidenciou os seguintes pontos positivos: um procedimento uniforme para a preparação dos orçamentos e balanços; uma maior atenção às despesas; uma maior cooperação e compreensão da reforma financeira; uma mudança gradual de mentalidade acerca da transparência e responsabilidade.

Por fim, o cardeal estadunidense Sean O’Malley actualizou os presentes sobre o trabalho da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. A próxima reunião do Conselho de Cardeais realizar-se-á nos dias 10, 11 e 12 de Setembro próximo.

 

 

FAMÍLIA À IMAGEM DE DEUS

 

No passado dia 16 de Junho, o Papa Francisco recebeu em audiência uma Delegação nutrida do Forum das Associações Familiares italianas, que celebravam 25 anos da sua vida.

 

Depois de entregar o texto preparado – que publicamos na Secção “Documentação” –, o Santo Padre fez um discurso de improviso cheio de recordações.

O primeiro tema em que o Papa se deteve foi o da paciência. É preciso saber esperar. Na vida há situações de graves crises “onde se pode chegar até à infidelidade”. É justamente nesta hora que é preciso “a paciência” do amor que espera. E se um grita, o outro não deve responder gritando, mas deixar passar a tempestade e depois falar no momento oportuno.

“Muitas mulheres – porque isso é mais comum nas mulheres, mas às vezes no homem também – esperaram no silêncio olhando para o outro lado, esperando que o marido voltasse à fidelidade. E isto é santidade. A santidade perdoa tudo, porque ama”.

Por isso, são fundamentais as três palavras já recordadas outras vezes: “com licença”, “obrigado” e “desculpa”.

Sobre a Amoris laetitia, o Papa recomendou ler o quarto capítulo da Exortação. “Alguns – disse – reduziram Amoris laetitia a uma estéril casuística do «pode-se, ou não se pode». Não entenderam nada!”. A seguir, o Papa concentrou-se na preparação ao matrimónio, recordando as palavras que lhe foram ditas por uma mulher em Buenos Aires: «Para serem padres, vocês estudam oito anos, preparam-se durante oito anos. E depois, passados alguns anos descobrem que não é este o caminho; então, escrevem uma bela carta para Roma, e Roma dá a autorização, e assim podem casar-se. Pelo contrário, nós, que recebemos um Sacramento para toda a vida, temos de nos contentar apenas com três ou quatro encontros de preparação. Isto não está certo!”. Neste ponto, Francisco sublinhou a necessidade de “um catecumenato matrimonial, assim como há um catecumenato para o Baptismo”.

O problema é que hoje – sublinha o Papa – “muitas vezes pensa-se em formar uma família e casar como se fosse uma lotaria”, ou seja, com o pensamento, «se der, deu; se não, anula-se e começa-se de novo». “Trata-se de superficialidade em relação ao maior dom que Deus deu à humanidade: a família”.

“Também, hoje, fala-se de vários tipos de famílias. É verdade, a palavra «família» é uma palavra análoga: família de estrelas, família de árvores, família de animais… Mas a família humana, à imagem de Deus, é uma só: de homem e mulher”.

“Pode ser que um homem e uma mulher não tenham fé: mas se eles se amam e se casam, são à imagem e semelhança de Deus [marido e mulher], mesmo não crendo. É um mistério”.

Depois, o discurso do Papa concentrou-se nos filhos. Há o caso dos que têm que comprar uma casa, viajar, ou como o casal que não queria filhos, mas tinham três cães e dois gatos. Situação diante das quais o Papa reitera que os filhos são “o maior dom”.

A seguir fez uma forte crítica ao aborto selectivo:

“Os filhos acolhem-se como vêm, como Deus os manda, como Deus permite – mesmo se às vezes são doentes. Ouvi dizer que está na moda – ou ao menos acontece – que nos primeiros meses de gravidez se fazem alguns exames, para ver se a criança está bem ou se tem algum problema… Nesse caso, a primeira ideia é: eliminamo-lo? É homicídio de crianças. E, para ter uma vida tranquila, elimina-se um inocente!”

Francisco recordou algumas histórias que a sua professora contava quando era menino: quando as crianças eram atiradas do penhasco. “No século passado – acrescentava – todos ficavam escandalizados com o que os nazis faziam para obter a pureza da raça. Hoje fazemos o mesmo, mas com luvas brancas”.

Há também a questão do trabalho. Se, por um lado, para viver são precisos dois empregos, por outro lado, a família está ameaçada pela falta de empregos. O Papa ressalta também que é preciso, sempre, brincar com as crianças: “percam tempo com os vossos filhos”; e, recordando os idosos, pediu novamente que os avós falem com os netos e não sejam afastados da família.

 

 

PUBLICADO INSTRUMENTO DE TRABALHO

DO SÍNODO DOS BISPOS SOBRE OS JOVENS

 

No passado dia 19 de Junho, foi publicado no Vaticano o Documento de trabalho da XV Assembleia Geral ordinária do Sínodo dos Bispos, de 3 a 28 de Outubro próximo, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

 

Entre 16 e 29 anos, os jovens do mundo são um quarto da humanidade. No Instrumento de trabalho, os padres sinodais poderão encontrar a descrição da sua variedade, as suas esperanças e dificuldades.

Estruturado em três partes – reconhecer, interpretar e escolher –, o Documento procura oferecer as chaves de leitura da realidade juvenil, baseando-se em diferentes fontes, entre as quais um Questionário on line que reuniu respostas de mais de 100 mil jovens.

O que querem os jovens de hoje? Sobretudo, o que buscam na Igreja? Naturalmente, exprimem-se com os modos de ser próprios da juventude.

Em primeiro lugar, desejam uma “Igreja autêntica”, que brilhe pela “exemplaridade, competência, co-responsabilidade e solidez cultural”, uma Igreja que compartilhe “a sua situação de vida à luz do Evangelho, em lugar de fazer pregações”, uma Igreja que seja “transparente, acolhedora, honesta, atraente, comunicativa, acessível, alegre e interactiva”. Enfim: uma Igreja “menos institucional e mais relacional, capaz de acolher sem julgar previamente, amiga e próxima, acolhedora e misericordiosa”.

Mas há também quem não pede nada à Igreja ou pede que seja deixado em paz, considerando-a um interlocutor não significativo ou uma presença que “incomoda e irrita”. Um motivo para essa atitude está nos casos de escândalos sexuais e económicos, sobre os quais os jovens pedem à Igreja que “reforce a sua política de tolerância zero”.

Outro motivo está na falta de preparação dos ministros ordenados e na dificuldade da Igreja em explicar o motivo das próprias posições doutrinais e éticas diante da sociedade contemporânea.

 

 

DIA MUNDIAL DO REFUGIADO

 

O Papa Francisco associou-se à celebração do Dia Mundial do Refugiado, que se celebrava no passado dia 20 de Junho, por iniciativa das Nações Unidas, defendendo “responsabilidade e humanidade” no acolhimento a quem é obrigado a deixar o seu país.

 

“Desejo que os Estados envolvidos nestes processos cheguem a um entendimento, para assegurar, com responsabilidade e humanidade a assistência e a protecção a quem é forçado a deixar o seu próprio país”, disse após a recitação do Angelus.

Este ano, precisou, a celebração “chega no meio de consultas entre governos para a adopção de um Pacto Mundial para os refugiados”, bem como um Pacto para a Migração segura, ordenada e regular.

“Cada um de nós é chamado a estar próximo dos refugiados, a encontrar com eles momentos de encontro, a valorizar o seu contributo, para que também eles se possam inserir melhor nas comunidades que o recebem”, acrescentou.

 

 

SIMPÓSIO SOBRE

DEFESA INTERNACIONAL DA LIBERDADE RELIGIOSA

 

No passado dia 25 de Junho, realizou-se em Roma, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, um Simpósio sobre a “Defesa Internacional da Liberdade Religiosa”, organizado em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, a Comunidade de Santo Egídio e a Embaixada dos Estados Unidos junto à Santa Sé. O discurso conclusivo foi do cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.

 

Ao responder a algumas perguntas durante o evento, o cardeal Parolin falou sobre o Dia de reflexão e oração pela Paz no Oriente Médio que ia realizar-se em Bari no dia 7 de Julho seguinte, com a participação do Papa Francisco e os líderes das Igrejas Orientais: “Como sempre, o Papa Francisco propõe sinais muito significativos. E isto é mais um sinal da sua proximidade às terras e aos povos que sofrem perseguições”.

E acrescentou: “O Santo Padre tem a convicção de que as Igrejas cristãs podem colaborar na busca de uma solução, considerando também o forte sentimento religioso daquelas populações”.

Depois o cardeal Parolin respondeu a algumas perguntas sobre o tema da gestão dos fluxos migratórios e do acolhimento dos migrantes: “Creio que é necessário uma resposta comum a este problema. Certamente, os portos fechados não são uma resposta”.

No discurso de conclusão, o Secretário de Estado indicou uma série de acções para defender a liberdade religiosa, entre as quais: superar a indiferença política; sensibilizar a opinião pública; fazer com que as condições económicas e sociais permitam o regresso das minorias às suas terras de origem; alimentar o diálogo inter-religioso, cuidar da formação religiosa para prevenir a radicalização e bloquear o fluxo de dinheiro e armas que permitem o ataque às minorias.

“Participei neste Simpósio porque a Santa Sé está na primeira linha pela defesa e promoção da liberdade religiosa – explicou o purpurado – e acompanha com extrema preocupação o que está acontecendo no mundo, onde as minorias, tanto étnicas como religiosas, não são respeitadas; pelo contrário, muitas vezes são hostilizadas, até mesmo perseguidas para que desapareçam”.

 

 

PADRE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA,

ARQUIVISTA E BIBLIOTECÁRIO DA SANTA SÉ

 

No passado dia 26 de Junho, o Papa Francisco nomeou o padre português José Tolentino Mendonça, de 52 anos, até agora Vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, como Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, elevando-o à dignidade de arcebispo. A tomada de posse está marcada para 1 de Setembro.

 

O padre José Tolentino Mendonça nasceu em Machico (Madeira) em 1965 e foi ordenado sacerdote da diocese madeirense em 1990.

Poeta, investigador e ensaísta, é doutor em Teologia Bíblica.

Foi reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma (2001-2002), primeiro director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (2004-2014), consultor do Conselho Pontifício da Cultura (desde 2011). Em 2015 foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Santiago da Espada pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.

A nota biográfica destaca os “numerosos volumes e artigos de âmbito teológico e exegético, além de várias obras poéticas”.

De 18 a 23 de Fevereiro deste ano, orientou o retiro da Quaresma do Papa Francisco e seus mais directos colaboradores, em Ariccia, nos arredores de Roma, sobre o tema “Elogio da sede”.

O novo responsável do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica sucede ao arcebispo francês Jean-Louis Bruguès.

O Arquivo Secreto do Vaticano conserva “os documentos relativos ao governo da Igreja, para antes de tudo estarem à disposição da Santa Sé e da Cúria no desempenho do próprio trabalho, e para que depois, por concessão pontifícia, possam representar para todos os estudiosos de história fontes de conhecimento, mesmo profano, daquelas regiões que há séculos estão intimamente ligadas com a vida da Igreja”.

A Biblioteca Apostólica do Vaticano foi constituída pelos Papas e apresenta-se como “instrumento da Igreja para o desenvolvimento, a conservação e a divulgação da cultura” e nas suas várias secções oferece “tesouros riquíssimos de ciência e de arte aos estudiosos que investigam a verdade”.

Celebração Litúrgica deseja ao ilustre sacerdote um fecundo trabalho no novo âmbito da Pastoral da Cultura.

 

 

AUMENTA O NÚMERO

DOS CARDEAIS-BISPOS

 

No passado dia 26 de Junho, foi publicado um Rescrito, assinado pelo Substituto da Secretaria de Estado Mons. Angelo Becciu, com o qual o Papa Francisco comunica a passagem de quatro cardeais para a Ordem dos Bispos.

 

O Colégio dos cardeais está dividido em três ordens: cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos. Esta divisão é muito antiga e, hoje, é apenas honorífica.

“Os Romanos Pontífices sempre olharam com olhos de fraterna predilecção ao Colégio dos cardeais”, com esta frase inicia o Rescrito com o qual é comunicada a passagem de quatro cardeais para a Ordem dos Bispos.

Os cardeais “oferecem um peculiar apoio à missão do Sucessor de Pedro, levando a preciosa contribuição da sua experiência e do seu serviço às Igrejas particulares espalhadas em todo o mundo e enriquecendo de modo eficiente a comunhão com a Igreja de Roma”.

Segundo o Rescrito, “nas últimas décadas registou-se um significativo aumento do Colégio dos cardeais. Todavia, na sua divisão, enquanto os membros da Ordem dos cardeais-presbíteros e dos cardeais-diáconos aumentaram consideravelmente, o número dos cardeais que fazem parte da Ordem dos Bispos permaneceu constante”.

Por isso, considerando a necessidade de aumentar a actual composição, o Santo Padre indicou o nome de quatro cardeais que passam a fazer parte da Ordem dos Bispos: Pietro Parolin, Secretário de Estado; Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais; Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos; e Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.

 

 


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