DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

DISPOSIÇÕES CONVENIENTES PARA

A COMPREENSÃO CIENTÍFICA DO UNIVERSO

 

 

No passado dia 14 de Junho, o Papa recebeu em audiência no Vaticano um grupo de professores e estudantes da Escola de Astrofísica de Verão, promovida pelo Observatório de Astronomia da Santa Sé.

Na sua intervenção, Francisco vincou a importância de Fé e Ciência colaborarem em ordem à compreensão do Universo.

Título da Redacção de CL.

 

 

Estimados amigos!

 

Dou as boas-vindas a todos vós, professores e estudantes deste curso de Verão organizado pelo Observatório Astronómico do Vaticano. Provindes de muitos países e culturas diversas, e tendes especialidades diferentes. Isto recorda-nos como a diversidade pode unir para um objectivo comum de estudo, e como o sucesso do trabalho depende também de tal diversidade, porque é precisamente da colaboração entre pessoas de várias regiões que pode surgir uma compreensão comum do nosso Universo.

O tema da vossa pesquisa deste ano refere-se às estrelas variáveis à luz das novas e grandes investigações astronómicas. Estes estudos provêm do esforço colaborativo de muitas nações e do trabalho conjunto de muitos cientistas. Como se manifestará claramente nesta escola, só trabalhando juntos, em equipa, é que podeis dar um sentido a todas estas novas informações.

O Universo é imenso e, à medida que vai crescendo a nossa compreensão sobre ele, aumenta também a necessidade de aprender a gerir o fluxo de informações que nos chegam de tantas fontes. Talvez o modo como geris uma tal quantidade de dados pode dar esperança também a quantos no mundo se sentem esmagados pela revolução informática da Internet e dos social media.

À luz de todas estas informações e deste enorme Universo, sentimo-nos pequenos e podemos ser tentados a pensar que somos insignificantes. Com efeito, não há nada de novo neste medo. Há mais de dois mil anos, o Salmista pôde escrever: «Quando contemplo o firmamento, obra dos vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: que é o homem, para que vos lembreis dele, o filho do homem, para que cuideis dele?». E prossegue: «Na verdade, vós o fizestes um pouco menos que um deus, de glória e de honra o coroastes» (Sl 8, 4-6).

É sempre importante, como cientistas e como crentes, começar por admitir que há muita coisa que não sabemos. Mas é também importante nunca ficar satisfeito por permanecer num cómodo agnosticismo. Precisamente como nunca devemos pensar que sabemos tudo, do mesmo modo nunca deveríamos ter medo de tentar aprender mais.

Conhecer o Universo, pelo menos em parte; conhecer o que sabemos e o que não sabemos, e como podemos proceder para saber mais: esta é a tarefa do cientista. Depois, existe outro olhar, o metafísico, que reconhece a Causa Primeira de tudo, escondida aos instrumentos de medição. E outro olhar ainda, o da fé, que acolhe a Revelação. A harmonia destes diversos níveis de conhecimento conduz-nos à compreensão; e a compreensão – assim o esperamos – abre-nos à Sabedoria.

Também neste sentido podemos entender “a glória e a honra” de que fala o Salmista, a alegria de um trabalho intelectual como o vosso, o estudo da astronomia. Através de nós, criaturas humanas, este Universo pode tornar-se, por assim dizer, consciente de si mesmo e d’Aquele que nos criou: é o dom – com a correspondente responsabilidade – que nos foi dado como seres pensantes e racionais neste cosmos.

Mas, como seres humanos, somos mais do que pensantes e racionais. Somos também pessoas com um sentido de curiosidade que nos impele a saber mais; criaturas que se esforçam por aprender e partilhar o que aprenderam, pelo gosto de o fazer. E somos pessoas que amam o que fazem e que descobrem no amor pelo Universo uma amostra daquele amor divino que, contemplando a criação, declarou que era boa.

Como se sabe, Dante escreveu que é o amor que move o sol e as estrelas (cf. Paraíso, XXXIII, 145). Possa também o vosso trabalho ser “movido” pelo amor: amor pela verdade, amor pelo próprio Universo e amor de cada um de vós pelo outro, trabalhando juntos na diversidade.

Com estes votos, cordialmente invoco abundantes bênçãos do Senhor sobre vós e sobre o vosso trabalho. Obrigado.

 

 


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