DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

A PROMOÇÃO ACTIVA DA FAMÍLIA

 

 

No passado dia 16 de Junho, o Papa Francisco recebeu na Sala Clementina uma Delegação de 150 membros do “Forum das Associações Familiares” italianas, fundado há 25 anos, que compreende actualmente mais de 500 centros de comunhão e partilha.

Perante a saudação calorosa do Presidente, o Santo Padre sentiu a necessidade de responder com um improviso, entregando depois o discurso que tinha preparado – onde recorda o desígnio de Deus sobre a Família que o Forum procura levar à prática –, que damos a conhecer a seguir.

Título da Redacção de CL.

 

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

Dou-vos as boas-vindas e dirijo uma afectuosa saudação a vós e ao vosso Presidente, a quem agradeço as suas palavras. Este encontro permite-me conhecer mais de perto a vossa realidade, o Forum das Famílias, nascido há 25 anos. Ele reúne no seu complexo mais de quinhentas associações, e é verdadeiramente uma rede que põe em evidência a beleza da comunhão e a força da partilha. É uma particular “família de famílias”, de tipo associativo, através da qual experimentais a alegria de viver juntos e ao mesmo tempo assumis o seu compromisso, fazendo vosso o esforço pelo bem comum, a construir cada dia, quer no âmbito do Forum, quer no âmbito mais amplo da sociedade.

A família, que vós promoveis de vários modos, está no centro do projecto de Deus, como mostra toda a história da salvação. Por um misterioso desígnio divino, a complementaridade e o amor entre o homem e a mulher tornam-nos cooperadores do Criador, que lhes confia a tarefa de gerar para a vida novas criaturas, cuidando de todo o coração do seu crescimento e educação. O amor de Jesus pelas crianças, a sua relação filial com o Pai celeste, a sua defesa do vínculo conjugal, que declara sagrado e indissolúvel, revelam plenamente o lugar da família no projecto de Deus: como berço da vida e primeiro lugar do acolhimento e do amor, a família tem um papel essencial na vocação do homem, e é como uma janela que se abre de par em par sobre o próprio mistério de Deus, que é Amor na unidade e trindade das Pessoas.

 

O nosso mundo, muitas vezes tentado e guiado por lógicas individualistas e egoístas, não raramente perde o sentido e a beleza dos laços estáveis, do compromisso com as pessoas, do cuidado incondicional, da assunção da responsabilidade em favor do outro, da gratuidade e do dom de si. Por esse motivo, é difícil compreender o valor da família, e acaba-se por concebê-la segundo aquelas mesmas lógicas que privilegiam o indivíduo, em vez dos relacionamentos e do bem comum. E isto, apesar de que nos últimos anos de crise económica, a família tenha representado o mais poderoso amortecedor social, capaz de redistribuir os recursos segundo a necessidade de cada um.

Pelo contrário, o pleno reconhecimento e o apoio adequado à família deveriam representar o primeiro interesse por parte das instituições civis, chamadas a favorecer a constituição e o crescimento de famílias sólidas e serenas, que se ocupem da educação dos filhos e cuidem das situações de fragilidade. Com efeito, quem aprende a viver relações autênticas no âmbito da família, será mais capaz de as viver também em contextos mais vastos, desde a escola ao mundo do trabalho; e quem se exercita no respeito e no serviço em casa, poderá praticá-los melhor também na sociedade e no mundo.

Pois bem, o objectivo de um apoio mais forte às famílias e de uma sua valorização mais adequada, consegue-se através de uma incansável obra de sensibilização e de diálogo. Este é o compromisso que o Forum realiza há vinte e cinco anos, durante os quais tendes realizado uma grande quantidade de iniciativas, estabelecendo uma relação de confiança e de colaboração com as Instituições. Exorto-vos a continuar esta obra, tornando-vos promotores de propostas que mostrem a beleza da família, e que quase obriguem, por serem convincentes, a reconhecer a sua importância e preciosidade.

Encorajo-vos, portanto, a dar testemunho da alegria do amor, que ilustrei na Exortação apostólica Amoris laetitia, onde recolhi os frutos do providencial percurso sinodal sobre a família, realizado por toda a Igreja. Com efeito, não há melhor argumento do que a alegria que, transparecendo de dentro, prova o valor das ideias e da experiência vivida e indica o tesouro que descobrimos e desejamos compartilhar.

Portanto, movidos por esta força, sereis cada vez mais capazes de tomar a iniciativa. O Apóstolo Paulo recorda a Timóteo que «Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e de prudência» (2 Tim 1, 7). Assim seja o espírito que vos anima também, ensinando-vos o respeito, mas também a audácia, para vos pordes em acção e procurardes novos caminhos, sem medo. É o estilo que eu pedi para toda a Igreja, desde a minha primeira e programática Exortação Apostólica, quando usei o termo «primeirear», que sugere a capacidade de ir com coragem ao encontro dos outros, e não fechar-se no próprio comodismo, mas procurar pontos de convergência com as pessoas, de lançar pontes indo à procura do bem onde quer que ele se encontre (cf. Evangelii gaudium, 24). Deus é o primeiro que «primeireia» em relação a nós: se verdadeiramente o conhecemos, não podemos esconder-nos, mas devemos sair e actuar, usando os nossos talentos.

 

Obrigado porque vos esforçais por fazer isso! Obrigado pelo empenho que pondes, conforme exigido pelo vosso Estatuto, para uma «participação activa e responsável das famílias na vida cultural, social e política» (2.1.b.), e para a «promoção de políticas familiares adequadas, que tutelem e apoiem as funções da família e os seus direitos» (2.1.c.). Além disso, no âmbito da escola, continuai a favorecer um maior envolvimento dos pais e a incentivar muitas famílias a um estilo de participação. Não vos canseis de apoiar o crescimento da natalidade na Itália, sensibilizando as instituições e a opinião pública sobre a importância de dar vida a políticas e estruturas mais abertas ao dom dos filhos. É um autêntico paradoxo que o nascimento dos filhos, que constitui o maior investimento para um país e a primeira condição da sua prosperidade futura, represente muitas vezes para as famílias uma causa de pobreza, devido à escassa ajuda que recebem ou à ineficiência de muitos serviços.

Estas e outras problemáticas estais a enfrentá-las com firmeza e caridade, demonstrando que a vossa sensibilidade em relação à família não deve ser etiquetada como confessional, de modo a ser acusada – sem razão – de parcialidade. Pelo contrário, ela baseia-se na dignidade da pessoa humana e, por isso, pode ser reconhecida e compartilhada por todos, como acontece quando, mesmo em contextos institucionais, nos referimos ao «Factor Família» como um elemento de avaliação política e operacional, multiplicador de riqueza humana, económica e social.

Agradeço-vos mais uma vez por este encontroo. Exorto-vos a prosseguirdes no vosso empenho ao serviço da família e da vida, e invoco sobre todos os membros do Forum a bênção de Deus e a protecção da Sagrada Família de Nazaré. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

 

 


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