acontecimentos eclesiais

DA SANTA SÉ

 

NOVO PREFEITO DA

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

 

Bento XVI nomeou Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé o arcebispo de São Francisco, nos Estados Unidos, Mons. William Joseph Levada, de 68 anos.

 

William Levada nasceu em 1936 na Califórnia e estudou no Seminário de Los Angeles. Em 1958 foi para Roma, onde se licenciou em Teologia na Universidade Pontifícia Gregoriana, doutorando-se mais tarde em 1971. Ordenado sacerdote em 1961, em Roma, um ano depois regressa aos Estados Unidos para vários encargos pastorais na arquidiocese de Los Angeles.

Em 1976 volta para Roma para trabalhar como Oficial na Congregação para a Doutrina da Fé, até 1982. Ali coincide com o Cardeal Joseph Ratzinger, nomeado Prefeito em 1981. Ao mesmo tempo, dava aulas de Teologia na Universidade Gregoriana.

Regressa aos Estados Unidos como Director do Secretariado da Conferência Episcopal da Califórnia. Pouco depois é nomeado Bispo auxiliar de Los Angeles, e mais tarde arcebispo de Portland. Por este tempo, colabora como membro da Comissão editorial do Catecismo da Igreja Católica (1986-1993).

Em 1995 é designado arcebispo de São Francisco, e em 2000 membro da Congregação para a Doutrina da Fé.

A Congregação para a Doutrina da Fé, originariamente chamada Sagrada Congregação da Romana e Universal Inquisição, foi fundada pelo Papa Paulo III em 1542, para defender a Igreja das heresias. É a mais antiga das nove Congregações da Cúria Romana.

Em 1908, o Papa S. Pio X mudou o seu nome para o de Sagrada Congregação do Santo Ofício. Finalmente, em 1965, recebeu o nome actual no Pontificado de Paulo VI. Hoje, segundo a Constituição Apostólica «Pastor bonus» do Papa João Paulo II, a sua tarefa própria é promover e tutelar a doutrina da fé e a moral em todo o mundo católico.

 

 

«A OBRA DA IGREJA»,

NOVA REALIDADE ECLESIAL

 

No passado domingo dia 22 de Maio, à hora do Angelus, o Santo Padre dirigiu-se aos membros da nova realidade eclesial «a Obra da Igreja», animando-os a viverem a sua espiritualidade.

 

«Professai a vossa fé na Santíssima Trindade, glorificando, com vossas palavras e acções, o Pai, o Filho e o Espírito Santo»”.

«A Obra da Igreja» foi fundada em 1963 pela Madre Trindade da Santa Mãe Igreja, nascida em Sevilha em 1929. Ao não ser possível configurá-la nas formas canónicas dos Institutos de Vida Consagrada, em 1997 a Santa Sé reconheceu a sua singularidade e aprovou-a como instituição de Direito pontifício.

A Obra, na qual participam sacerdotes, leigos, consagrados, não-consagrados, casais, jovens e crianças, abriu mais de quarenta casas em vários continentes e reúne mais de dois mil membros, entre eles uns 80 sacerdotes, que graças a este novo carisma encontraram sua vocação.

O seu carisma principal é a difusão do amor à Igreja de Cristo, fundado numa experiência teológica e mística de surpreendente profundidade e altura.

A Madre Trindade deu milhares de palestras, recolhidas em fitas (700) e em vídeo (300), reunidas em três livros: «A Igreja e o seu mistério», «Frutos de oração» e «Vivências da alma».

A Madre Trindade vive há anos em Roma, enferma. Em 15 de Dezembro de 1996, João Paulo II visitou-a e abençoou-a no seu próprio quarto, o que ela considerou como o maior dia da sua vida.

Recentemente, foram publicadas na Internet alguns opúsculos da Madre Trindade da Santa Mãe Igreja, nos quais transmite a sua experiência interior acerca dos principais mistérios do cristianismo, especialmente o da Igreja, Corpo Místico e Esposa de Cristo.

 

 

ACORDO ENTRE CATÓLICOS E ANGLICANOS

SOBRE A VIRGEM MARIA

 

O Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, presidido pelo Cardeal Walter Kasper, e a Delegação da Comunhão Anglicana apresentaram no passado dia 16 de Maio o documento conjunto «Maria: Graça e Esperança em Cristo», elaborado pela Comissão Internacional Católico-Anglicana (ARCIC).

 

Embora o texto necessite de ser aprovado pelas autoridades das respectivas Igrejas, é um passo importante no diálogo entre ambas, pois os dogmas marianos e a própria devoção mariana católica têm sido vistos pelos anglicanos como elementos de separação, apesar de a Virgem Maria ter um lugar importante na vida e na liturgia anglicanas.

Para muitos anglicanos, os dogmas da Imaculada Conceição (1854) e da Assunção (1950) não estão suficientemente apoiados na Sagrada Escritura. Como a razão de base desta atitude é a reserva à autoridade do Papa, o novo documento examina o conteúdo desses dogmas do ponto de vista da Escritura e da Tradição, e não da autoridade que os definiu. Aprofunda-se assim na herança comum, representada também pelos primeiros Concílios ecuménicos e pelos escritos dos Padres da Igreja. Segundo a Declaração, «é impossível ser fiéis às Escrituras sem prestar a atenção devida a Maria». Deste modo, chegou-se a um acordo substancial de que o conteúdo dos dogmas manifesta o que diz a Sagrada Escritura e o que a Igreja acredita.

Para evitar equívocos, frequentes em ambientes protestantes – que têm um grande peso num sector da Comunhão anglicana (Low Church) – o documento precisa que a devoção mariana não supõe obscurecer a mediação única de Cristo. «Afirmando juntos sem ambiguidades a mediação única de Cristo, que produz frutos na vida da Igreja, não consideramos como uma divisão da comunhão a prática de pedir a Maria e aos Santos que roguem por nós».

 A ARCIC, constituída em 1970, já apresentou outros quatro documentos. Consta de 18 membros, nomeados pelo arcebispo de Canterbury de acordo com a Delegação da Comunhão Anglicana e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O acordo supõe o regresso ao diálogo entre católicos e anglicanos, depois do passo para trás que significou em 2003 a ordenação de um bispo assumidamente homossexual na comunidade anglicana dos Estados Unidos, criando tensões na própria Comunhão anglicana, que levaram a Comissão de Lambeth a propor várias iniciativas práticas para evitar divisões doutrinais.

 

 

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

DO PAPA JOÃO PAULO II

 

Ao entardecer do dia 28 de Junho, na Basílica de São João de Latrão, o Cardeal Camillo Ruini, Vigário-Geral para a diocese de Roma, presidiu à abertura solene do processo de beatificação e canonização do Papa João Paulo II, menos de três meses desde o seu falecimento em 2 de Abril passado.

 

Depois de constituído o tribunal nomeado pelo Cardeal, foi apresentada a petição pelo Postulador da Causa, o padre polaco Mons. Slawomir Oder. Os membros do tribunal comprometeram-se a cumprir fiel e diligentemente o encargo e a guardar segredo dos depoimentos das testemunhas; um juramento semelhante foi feito pelo Postulador.

No discurso de encerramento da cerimónia, o Cardeal Ruini citou as palavras do Cardeal Joseph Ratzinger na homilia de exéquias de João Paulo II, em 8 de Abril, quando disse: «Podemos estar seguros de que o nosso amado Papa se assoma agora à janela da casa do Pai, nos vê e nos abençoa». E afirmou: «Sim, esta é também a nossa certeza e, por isso, pedimos ao Senhor, de todo o coração, que a Causa de Beatificação e Canonização que esta noite começa possa chegar muito em breve ao seu termo. Os numerosos testemunhos que continuamente nos chegam sobre a santidade de vida do saudoso Papa e as graças pedidas através da sua intercessão confirmam a nossa oração».

 

Edicto e Oração para pedir a intercessão

 

Em 13 de Maio passado, o Papa Bento XVI tinha anunciado que havia dispensado dos cinco anos de espera que devem decorrer depois da morte de um Servo de Deus antes de dar início ao seu processo de beatificação, acedendo à petição feita pelo Cardeal Camillo Ruini a respeito de João Paulo II. Uns dias depois, o Cardeal Vigário de Roma publicava um Edicto convidando todos e cada um dos fiéis a comunicar-lhe directamente ou a enviar ao Tribunal Diocesano de Roma «todas as notícias das quais se possam de algum modo arguir elementos favoráveis ou contrários à fama de santidade do mencionado Servo de Deus».

Ao iniciar-se agora o processo de beatificação e canonização de João Paulo II, foi dada a conhecer a Oração aprovada pelo Cardeal-Vigário para pedir a intercessão do Servo de Deus.

Mais informações sobre esta Causa, ver em www.BeatificazioneGiovanniPaoloII.org.

 

 

DIA MUNDIAL DA PAZ 2006

 

NA VERDADE, A PAZ

 

«Na verdade, a paz» é o tema escolhido pelo Papa Bento XVI para o 39.º Dia Mundial da Paz, a celebrar em 1 de Janeiro de 2006.

 

Um tema forte, para sublinhar com clareza que a paz é a situação que permite a verdade plena sobre o homem e que a sede de verdade manifestada pelo homem traduz-se no desejo de paz, da paz verdadeira.

A primeira mensagem por ocasião do Dia Mundial da Paz, assinada por Bento XVI, parte da Constituição conciliar Gaudium et spes, na qual se afirma que a humanidade não conseguirá construir um mundo verdadeiramente mais humano para todos os homens sobre a terra se todos não se dedicarem com espírito renovado à verdade da paz.

A natureza humana - explica a nota que ilustra o tema do próximo Dia Mundial da Paz - tem exigências profundas: os direitos do homem pedem que sejam aplicados; o direito natural dos povos e os seus princípios universais devem ser respeitados; a justiça entendida como dar a cada um o que é seu pede que seja cumprida.

Quando o agir humano não respeita a ordem das coisas, aquela gramática natural de que falou João Paulo II perante a Assembleia Geral das Nações Unidas a 5 de Outubro de 1995, «quando coarcta a vida humana, impedindo o seu desenvolvimento, quando impõe sacrifícios intoleráveis aos povos, a paz não existe, porque não se tem nenhum respeito pela verdade das coisas».

A paz verdadeira, explica ainda a nota emitida pela Santa Sé, é também pacífica; ela reconcilia, faz sair do próprio isolamento, a verdade deixa entrever o caminho das relações humanas autênticas, permite corrigir os erros, reconciliar-se consigo e com os outros, ser transparentes nas contratações e fiéis da palavra dada.

 

António Pinheiro


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