25.º Domingo Comum

23 de Setembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

 

Antífona de entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Muitas vezes sonhamos com uma vida cristã cheia de louvores de aplausos e de triunfos, mas encontramos contradições, também dos bons.

Na vida presente, Deus abençoa os Seus amigos com a Cruz. Ela é o sinal certo de que estamos no caminho do Senhor.

Arrependamo-nos da falta de fé com que nos queixamos das contradições e outros sofrimentos, sempre à espera duma vida sem sofrimento. Peçamos ajuda para uma emenda de vida.

 

Oração colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os ímpios tentam pôr à prova a bondade e paciência do justo, causando-lhe sofrimentos. Hoje, como ontem, a confiança em Deus e a certeza da filiação divina vencem todos os obstáculos.

 

Sabedoria 2, 12.17-20

Disseram os ímpios: 12«Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação. 17Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é a sua morte. 18Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários. 19Provemo-lo com ultrajes e torturas para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. 20Condenemo-lo à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.

 

A escolha deste texto foi ditada pela leitura evangélica de hoje, em que temos o 2.° anúncio da Paixão e Morte do Senhor. O contexto desta passagem é o da descrição da vida desaforada dos ímpios, que não se limitam a gozar desenfreadamente dos prazeres da vida, mas vão ao ponto de não tolerarem a vista do justo, que é para eles uma constante repreensão; por isso dedicam-se a atormentá-lo e a escarnecê-lo, num desafio irónico a Deus, a quem o justo considera Pai, para que o venha socorrer. E, se Deus não lhe vem acudir, então os ímpios cantam vitória. Os sofrimentos, provações e zombarias a que está sujeito um justo vêm a ser as mesmas que sofre o justo por excelência, Jesus Cristo. Quando em Jesus se cumpriram estas palavras proféticas, foi possível à Igreja, segundo o atesta a Tradição Patrística e a Liturgia, descobrir uma plenitude de sentido nas palavras do hagiógrafo (sentido típico, ou também sentido plenário). «É diante do nosso crucifixo que podemos e devemos mesmo, meditar esta passagem, e nesta contemplação acharemos a força para seguir, se tal é a vontade de Deus a nosso respeito, o divino Justo perseguido, na via do opróbrio» (Pirot-Clamer).

18 «Se o justo é filho de Deus…». Nos livros mais recentes do A. T., o título de filho de Deus aplica-se a todos os justos e mais propriamente ao Messias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 53, 3-4. 5. 6. 8

 

Monição: O Salmo 53 é uma oração do justo a proclamar a sua confiança em Deus, no meio da provação. Perante as dificuldades que encontramos, para viver com fidelidade a vocação de filhos de Deus, façamos dele a nossa oração.

 

Refrão:     O Senhor sustenta a minha vida.

 

Senhor, salvai-me pelo vosso nome,

pelo vosso poder fazei-me justiça.

Senhor, ouvi a minha oração,

atendei às palavras da minha boca.

 

Levantaram-se contra mim os arrogantes

e os violentos atentaram contra a minha vida.

Não têm a Deus na sua presença.

 

Deus vem em meu auxílio,

o Senhor sustenta a minha vida.

De bom grado oferecerei sacrifícios,

cantarei a glória do vosso nome, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Tiago menor, na sua Carta dirigida a toda a Igreja, ajuda-nos a discernir entre o que nasce do espírito de Deus do que é inspirado pelo demónio.

Devemos estar atentos, porque também entre os cristãos se infiltram as invejas, conflitos e toda a espécie de mal.

 

Tiago 3, 16 - 4, 3

Caríssimos: 16Onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más acções. 17Mas a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. 18O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. 1De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? 2Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. 3Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.

 

Tiago, um verdadeiro «sábio» cristão, explica agora em que consiste a sabedoria cristã; depois de apelar para que esta se mostre com obras (v. 13), denuncia uma falsa sabedoria, «a terrena, a da natureza corrompida (psykhikê/animalis), a diabólica», que, por proceder da soberba, leva a uma «inveja amarga», e a um «espírito dado a contendas» (v. 14), «desordem e toda a espécie de más acções» (v. 16). A esta contrapõe «a sabedoria que vem do alto», que qualifica com uma série de dotes (vv. 17-18) que fazem lembrar os que S. Paulo atribui à caridade em 1 Cor 13.

18 Este versículo forneceu o lema a Pio XII: «opus iustitia pax». Na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica traduzimos: «E é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz»: Uma colheita (um fruto) de justiça é a santidade, a conformidade com Deus e a sua palavra, manifestada nas obras, como reflexo da autêntica sabedoria. Este versículo é uma bela síntese jacobeia (cf. Is 32, 17-18; Mt 5, 9; Filp 1, 11; Hebr 12, 11).

4, 1-3 Tiago, após ter caracterizado a sabedoria cristã como uma sementeira de paz, passa a fustigar uma série de atitudes contrárias e incoerentes com a fé: as discórdias (4, 1-12), a presunção (v. 13-16) e a avareza (5, 1-6). E começa por se interrogar: «De onde vêm as guerras?» Se a sabedoria leva à paz, como pode haver conflitos entre os fiéis? «Das vossas paixões», que é preciso controlar. Como dizia João Paulo II logo no início do seu pontificado, «Não bastam as análises sociológicas para trazer a justiça e a paz. A raiz do mal está no interior do homem (cf. Mc 7, 21). O remédio, portanto, parte também do coração». Sem a reforma interior, todas as outras reformas não fazem mais do que adiar a verdadeira solução e agravar muitos males (cf. Rom 7, 14-25; Gal 5, 17; 1 Pe 2, 11).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Tes 2, 14

 

Monição: Também Jesus encontrou resistência, entre os homens, à Sua missão redentora. A contradição é o selo da aprovação de Deus.

Aclamemos o Evangelho que proclama para nós tão consoladoras verdades.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Deus chamou-nos por meio do Evangelho,

para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 30-37 (29-36)

Naquele tempo, 30Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; 31porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l'O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». 32Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. 33Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?» 34Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. 35Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». 36E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: 37«Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

 

Entramos hoje na leitura da 2ª parte do Evangelho de Marcos. A 1ª parte culminou na confissão de fé de Pedro (Mc 8, 29 – no passado domingo), que, segundo a estrutura teológica deste Evangelho, dá a resposta certa à interrogação fulcral das pessoas: «Quem é este?»; a partir de então, Jesus começa a revelar o que significa ser o Messias e o modo como tem de realizar a sua missão: será um Messias rejeitado, que deverá morrer na cruz para depois ressuscitar, mas «os discípulos não compreendiam» (v. 31), como Marcos não se cansa de sublinhar. A confissão de Pedro e a do centurião no Calvário (15, 39) ilustram o título que Marcos pôs à sua obra: «Evangelho de Jesus, o «Messias», o «Filho de Deus»».

A leitura junta hoje duas perícopes: o 2º anúncio da Paixão (vv. 30-32) e a discussão sobre quem é o maior no Reino (vv. 33-37).

34 «O último de todos e o servo de todos». Duma penada, Jesus corta pela raiz toda a ambição de poder dentro da sua Igreja, que desgraçadamente pode infectar tanto os membros da hierarquia como os leigos, por vezes ainda mais ciosos de poder dentro da Igreja. Jesus deixou bem claro que a autoridade é uma forma de serviço humilde e discreto, alheia a clericalismos e protagonismos (cf. Mt 20, 28; Jo 13, 14-17).

35 «Receber uma criança…: o gesto de Jesus de abraçar uma criança é um gesto profético, uma verdadeira acção simbólica. Se nos reportarmos à época, abraçar um menino não era um gesto corrente, sobretudo num mestre, pois as crianças não eram objecto de carinho dos adultos, mas sim de desprezo. Assim Jesus ensinava aos Apóstolos que a sua grandeza estava em acolher com afecto e humildade aqueles que não têm valor aos olhos do mundo, como as crianças, os pobres, os doentes e em geral todos os necessitados; fazer isto «em nome de Cristo», por amor a Ele, é acolhê-lo a Ele.

 

Sugestões para a homilia

 

As contradições do justo

Jesus Cristo vai à nossa frente

 

As contradições do justo

 

O Livro da Sabedoria coloca-nos perante uma realidade de todos os tempos: a forte oposição que o justo enfrenta, para viver a fidelidade ao Senhor.

Não devíamos estranhar esta prova, porque ela é sinal do impacto que o Evangelho provoca no ambiente, a viver muito distante do que ele exige.

Hoje há conspirações contra as famílias que pretendem viver segundo os desígnios do Criador.

Ridiculariza-se a fidelidade conjugal e acha-se normal que se falte aos compromissos assumidos perante Deus; classifica-se como falta de senso ter um número razoável de filhos, enquanto a castidade é encarada como anormalidade psíquica.

Para a aquisição de bens, todos os meios se julgam lícitos: enganar, subtrair, fuga aos impostos, adulteração da qualidade das mercadorias, do peso, etc.

São estas algumas das provações do justo. Se percorrermos outros campos da vida humana encontraremos igualmente grandes desvios.

Sabemos que nada disto acontece por acaso. Há um inspirador oculto de todos estes males.

Como resistir a todo este ambiente, vivendo com fidelidade a Lei de Deus?

A certeza da vitória. Este optimismo perante as dificuldades lança raízes profundas na nossa fé. O nosso Deus não perde batalhas. Tem – isso sim! – um modo diferente do nosso de vencer.

Faz-nos bem meditar o Salmo II de vez em quando, para renovar esta esperança.

A oração é a nossa força. Quando nos recolhemos em diálogo com o Senhor, acabamos por ver na sua verdadeira perspectiva toda esta confusão, e enchemo-nos de força para resistir.

Atenção ao que procede ou não do espírito de Deus. Não há lugar para cristãos medíocres, rotineiros. São folhas secas que, à menor rajada de vento, se desprendem da árvore da Igreja e nos abandonam.

De cada vez escasseiam mais os cristãos que limitam a sua vida de relação com Deus aos três meios de transporte: carrinho(Baptismo), carrão (Casamento) e carreta (Funeral).

No meio de tudo isto, somos chamados a ser fermento de um mundo novo, pela nossa fidelidade a Jesus Cristo. Depois, espera-nos a vida eterna.

 

Jesus Cristo vai à nossa frente

 

Jesus anuncia aos Apóstolos, como já o fizera de outras vezes, a Sua Paixão, Morte e Ressurreição ao terceiro dia.

No entanto, os Doze nunca entenderam este anúncio, porque estavam totalmente voltados para um triunfalismo do Povo de Deus nesta vida.

Não tinham ainda abandonado a convicção de que a dor, a contradição – também a dos bons – é um sinal da aprovação de Deus. Ela abençoa-nos com a Cruz, e nós teimamos em esperar que, em vez da cruz, nos apresente um ramo de rosas.

Deus tinha falado claro a este respeito, meio milénio antes, pela pena de Isaías, ao descrever O Servo de Iavé.

Um dos sinais da nossa não aceitação do projecto de Deus na redenção do mundo, na transformação da sociedade, está na dificuldade em nos aceitarmos pequenos como somos.

Já assim tinha acontecido aos Doze. Quando, chegaram a Cafarnaum, Jesus deixou-os embaraçados, quando lhes perguntou sobre que discutiam no caminho. Encheram-se de vergonha porque, enquanto caminhavam, tinham discutido como os rapazes entre si, qual deles seria o maior.

É natural que cada um, na argumentação que usava, não se preocupasse em provar que era outro do grupo, mas ele próprio, apresentando os respectivos títulos, da terra de procedência, da profissão, da origem familiar ou de qualquer feito mais saliente na vida passada.

Com profundo sentido de pedagogia, Jesus colocou no meio de todos uma criança, apresentando-a como exemplo a imitar: na consciência da sua pequenez, da carência de ajuda, na incapacidade para realizar qualquer tarefa útil.

Aceitemos e amemos a nossa condição de pequenos, abandonando os projectos de falsos triunfos.

A cruz, as contradições, vêm muitas vezes pelo caminho de não nos darem a importância que julgamos ter, por não querer ficar atrás dos outros.

A Celebração da Eucaristia Dominical é para nós uma profunda lição de humildade. O nosso Deus e Senhor, Criador do Universo, oculta na Cruz – cujo Sacrifício renovamos – a Sua Divindade. Aqui, na Santíssima Eucaristia, oculta a Sua Humanidade.

Que a Mãe da Igreja nos ensine e ajude a viver com humilde naturalidade a nossa caminhada para o Céu.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus transtorna a sua lógica, dizendo-lhes simplesmente que

a vida autêntica se vive no compromisso concreto com o próximo, isto é, servindo.»

Jesus faz aos seus discípulos uma pergunta aparentemente indiscreta: «Que discutíeis pelo caminho?» (Mc 9, 33). Uma pergunta que Ele nos pode fazer também hoje: De que é que falais diariamente? Quais são as vossas aspirações? Eles «ficaram em silêncio – diz o Evangelho – porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior», quem era o mais importante. Sentiam vergonha de dizer a Jesus aquilo de que estavam a falar. Como nos discípulos de ontem, também em nós hoje, pode-se encontrar a mesma discussão: Quem é o mais importante?

Jesus não insiste com a pergunta, não os obriga a dizer-Lhe o assunto de que falavam pelo caminho; e todavia a pergunta permanece, não só na mente, mas também no coração dos discípulos.

Quem é o mais importante? Uma pergunta que nos acompanhará toda a vida e à qual somos chamados a responder nas diferentes fases da existência. Não podemos fugir a esta pergunta; está gravada no coração. Mais do que uma vez ouvi, em reuniões de família, perguntar aos filhos: De quem gostas mais, do pai ou da mãe? É como se vos perguntassem: Quem é mais importante para vós? Será que esta pergunta é simplesmente um jogo de crianças? A história da humanidade está marcada pelo modo como se respondeu a esta pergunta.

Jesus não teme as perguntas dos homens; não tem medo da humanidade, nem das várias questões que a mesma coloca. Pelo contrário, Ele conhece os «recônditos» do coração humano e, como bom pedagogo, está sempre disposto a acompanhar-nos. Fiel ao seu estilo, assume os nossos interrogativos, as nossas aspirações, conferindo-lhes um novo horizonte. Fiel ao seu estilo, consegue dar uma resposta capaz de propor novos desafios, descartando «as respostas esperadas» ou aquilo que aparentemente já estava estabelecido. Fiel ao seu estilo, Jesus sempre propõe a lógica do amor; uma lógica capaz de ser vivida por todos, porque é para todos.

Longe de qualquer tipo de elitismo, Jesus não propõe um horizonte para poucos privilegiados, capazes de chegar ao «conhecimento desejado» ou a altos níveis de espiritualidade. O horizonte de Jesus é sempre uma proposta para a vida diária, mesmo aqui na «nossa ilha»; uma proposta que faz com que o dia-a-dia tenha sempre um certo sabor a eternidade.

Quem é o mais importante? Jesus é simples na sua resposta: «Se alguém quiser ser o primeiro – ou seja, o mais importante –, há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Quem quiser ser grande, sirva os outros e não se sirva dos outros.

E este é o grande paradoxo de Jesus. Os discípulos discutiam sobre quem deveria ocupar o lugar mais importante, quem seria seleccionado como o privilegiado – os discípulos, que eram os mais próximos de Jesus, discutiam sobre isto! , quem seria isento da lei comum, da norma geral, para se pôr em evidência com um desejo de superioridade sobre os demais. Quem subiria mais rapidamente, ocupando os cargos que dariam certas vantagens.

E Jesus transtorna a sua lógica, dizendo-lhes simplesmente que a vida autêntica se vive no compromisso concreto com o próximo, isto é, servindo.

O convite ao serviço apresenta uma peculiaridade a que devemos estar atentos. Servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados que Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar. Amor que se concretiza em acções e decisões. Amor que se manifesta nas diferentes tarefas que somos chamados, como cidadãos, a realizar. São pessoas de carne e osso, com a sua vida, a sua história e especialmente com a sua fragilidade, aquelas que Jesus nos convida a defender, assistir, servir. Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos. Por isso, à vista concreta dos mais frágeis, o cristão é sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de omnipotência.

Há um «serviço» que serve aos outros; mas temos que guardar-nos do outro serviço, da tentação do «serviço» que «se» serve dos outros. Há uma forma de exercer o serviço cujo interesse é beneficiar os «meus», em nome do «nosso». Este serviço deixa sempre os «teus» de fora, gerando uma dinâmica de exclusão.

Todos estamos chamados, por vocação cristã, ao serviço que serve e a ajudar-nos mutuamente a não cair nas tentações do «serviço que que se serve». Todos somos convidados, encorajados por Jesus a cuidar uns dos outros por amor. E isto sem olhar para o lado, para ver o que o vizinho faz ou deixou de fazer. Jesus diz: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Este será o primeiro. Não diz: Se o teu vizinho quiser ser o primeiro, que sirva. Devemos evitar os juízos temerários e animar-nos a crer no olhar transformador a que Jesus nos convida.

Este cuidar por amor não se reduz a uma atitude de servilismo; simplesmente põe no centro a questão do irmão: o serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até «padece» com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos a ideias, mas a pessoas.[...]

Não nos esqueçamos da Boa Notícia de hoje: a importância dum povo, duma nação, a importância duma pessoa sempre se baseia no modo como serve a fragilidade dos seus irmãos. E nisto, encontramos um dos frutos da verdadeira humanidade.

Porque, queridos irmãos e irmãs, «quem não vive para servir, não serve para viver».

  Papa Francisco, Homilia, Havana (Cuba), 20 de Setembro de 2015

 

Oração Universal

 

Apresentemos ao Pai do Céu, por mediação de Jesus Cristo,

as necessidades de toda a Igreja e de todos os homens,

lembrando especialmente os que sentem dificuldades

em viver com generosa fidelidade a sua vocação à santidade.

 

1.  Para que o Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

alentem a esperança dos fiéis que lhes estão confiados,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que os pais e mães de família e demais educadores

ensinem aos mais jovens os verdadeiros valores da vida,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os que sofrem perseguição por amor de Deus

encontrem no Senhor a fortaleza de que necessitam,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que todos sintamos a alegria e a responsabilidade

de sermos, entre os outros, fermentos de um mundo novo,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que as almas das testemunhas da fé que já partiram,

pela misericórdia de Deus entrem na felicidade eterna,

oremos, irmãos.

 

Aceitai, Senhor, a nossa humilde prece que Vos dirigimos,

cheios de confiança na Vossa bondade de nosso Pai do Céu,

e concedei-nos tudo que não ousamos ou não sabemos pedir.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus conVosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, bendito seja, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da paz

 

A paz que o Senhor nos quer dar não uma paz triunfalista, que possa lisonjear o nosso orgulho, mas fruto da humildade que nos vem de reconhecermos os próprios erros e sermos capazes de nos reconciliarmos com os irmãos.

Com estes sentimentos

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Santíssima Eucaristia que agora nos é oferecida – Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus – é o nosso alimento e, ao mesmo tempo, uma profunda lição de humildade para todos nós. Deus humilha-Se até parecer um banal alimento, para nos ajudar a crescer em santidade.

Comunguemos com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 118, 4-5

Antífona da comunhão: Promulgastes, Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.

 

Ou

Jo 10, 14

Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

As palavras que o Sacerdote nos dirige ao terminar a Celebração, não constituem uma despedida delicada até ao próximo encontro.

O «Ide em paz» é um mandato, para que continuemos a missa na vida, dando testemunho da alegria que aqui vivemos.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

25ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-IX: As graças de Deus e a correspondência.

Prov 3, 27-34 / Lc 8, 16-18

Pois àquele que tiver, dar-se-á mas, àquele que não tiver, até o que julga ter lhe será tirado.

Quando correspondemos à graça, recebemos novas graças; mas, quando não correspondemos, ficamos mais pobres. A vida espiritual exige sempre um novo empenho, uma nova correspondência. Pelo contrário, quem não avança retrocede: «Se disseres basta, estás perdido» (S. Agostinho).

Deus concede novos favores quando encontra boas disposições: «Ele abençoa a residência dos justos; aos humildes concede o seu favor; os sábios hão-de alcançar a glória» (Leit.).

 

3ª Feira, 25-IX: Sobre a família de Jesus.

Prov 21, 1-6 / Lc 8, 19-21

Mas Jesus respondeu-lhes: minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.

Como pertencer à família de Jesus? «O germe e o começo do Reino é o 'pequeno rebanho' daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos quais Ele próprio é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus (Ev.)» (CIC,764).

Esta família é caracterizada pelo cumprimento da vontade de Deus, tem uma nova maneira de agir, que é ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática (Ev.); e uma oração própria, o Pai nosso (CIC, 764). Mas cuidado, pois «aos olhos dos homens todos os caminhos parecem rectos, mas o Senhor é quem pesa os corações» (Leit.).

 

4ª Feira, 26-IX: Confiança plena em Deus.

Prov 30, 5-9 / Lc 9, 1-6

Disse-lhes então: Não leveis nada para o caminho, nem cajado, nem saco, nem pão, nem dinheiro.

Jesus quer ensinar os Apóstolos, quando os envia para a primeira missão apostólica, que têm que aprender a apoiar-se nos meios sobrenaturais, que é Ele quem dá toda a eficácia (Ev.).

A mesma confiança se há-de notar nos pedidos que fazemos na nossa oração: «Duas coisas vos peço, Senhor, mas não mas negueis até que eu morra: afastai de mim a fraude e a mentira: não me deis pobreza nem fortuna, deixai que eu tenha o alimento necessário. É que, na abundância, poderia renegar-vos» (Leit.).

 

5ª Feira, 27-IX: Desejo forte de ver a Deus.

Co 1, 2-11 / Lc 9, 7-9

Mas, quem é esse homem, de quem oiço dizer tais coisas.

O desejo de ver o rosto de Cristo é fundamental para a nossa vida, pois «nEle Deus nos abençoa, fazendo resplandecer sobre nós a luz do seu rosto. Sendo, ao mesmo tempo, Deus e homem, Ele revela-nos também o rosto autêntico do homem, revela o homem a si mesmo» (João Paulo II) .

Sem esta perspectiva de Deus, o resto das coisas acaba por ser uma desilusão: «todas as coisas produzem cansaço, ninguém o pode explicar; o olhar não consegue ver bastante» (Leit.). Lendo o Evangelho conhecemos melhor o rosto de Cristo.

 

6ª Feira, 28-IX: Descobrir o momento oportuno.

Co 3, 1-11 / Lc 9, 18-22

Para tudo há um momento oportuno, para cada coisa há um tempo debaixo do Céu.

O momento mais oportuno (Leit.) para cada coisa pode ser aquele em que devemos levar a cabo a vontade de Deus para nós. O Senhor quer que vivamos e santifiquemos o momento presente, cumprindo com responsabilidade o dever correspondente a esse momento.

Com Jesus podemos aprender que há-de haver um momento para a oração: «estava Jesus a orar sozinho», um momento para o sacrifício: «O Filho do Homem tem de sofrer muito, tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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