24.º Domingo Comum

16 de Setembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

 

cf. Sir 36, 18

Antífona de entrada: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste 24.º Domingo do tempo comum leva-nos a reflectir sobre o modo como vivemos a fé cristã que dizemos professar. Podemos dizer-nos cristãos porque frequentamos a igreja? Não pensaremos em termos de sucesso, glória, honras humanas, em ficar nos primeiros lugares?  Recitamos muitas fórmulas e fazemos muitas profissões de fé, não pomos em dúvida as verdades que nos ensinaram na catequese, mas será que apenas pronunciamos palavras sem descobrir o seu real significado?

Mais que nunca, devido à influência da sociedade actual, somos tentados a pensar em nós mesmos, a pormo-nos no centro dos interesses, a procurar tudo aquilo que nos proporciona vantagens, o que necessariamente nos afasta do interesse pelos outros.

Pensando nisto, facilmente reconhecemos que a nossa concepção de vida se tem baseado mais em palavras que em obras concretas e coerentes com a fé que dizemos professar.

Peçamos, pois, a misericórdia de Deus para as nossas falhas, reconhecendo que somos pecadores.

 

Oração colecta: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor...

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: As expressões do profeta Isaías, que vamos escutar nesta primeira leitura sobre os sentimentos deste «Servo» sofredor, aplicam-se com exactidão e realismo aos tormentos que Cristo sofreu na Paixão.

 

Isaías 50, 5-9a

5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido. 8O meu advogado está perto de mim. Pretende alguém instaurar-me um processo? Compareçamos juntos. Quem é o meu adversário?  Que se apresente! 9aO Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?

 

A leitura é extraída do 3º poema dos célebres Cantos do Servo de Yahwéh, que aparecem dispersos pelo Segundo Isaías. Trata-se de um poema literariamente bem estruturado em estrofes iniciadas da mesma forma: «O Senhor Deus». Neste texto é o próprio Servo (cf. v. 10) quem é apresentado a falar. Apresenta-se «a falar como um discípulo» (v. 4), embora não se trate de um discípulo qualquer: é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24). Segundo o que os Evangelhos deixam ver, a Tradição cristã primitiva logo viu nesta figura uma representação profética de Jesus Cristo e da sua Paixão, ao arrepio das expectativas messiânicas da época.

5 «Eu não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Um pleno cumprimento deu-se no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Lc 22, 63-64; etc.

 

Salmo Responsorial    Sl 114 (116), 1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9)

 

 

Monição: Inspirados pela primeira leitura, rezamos o salmo responsorial que é uma adesão à Palavra proclamada, transformando-se assim em hino de acção de graças.

 

Refrão:     Andarei na presença do Senhor

                sobre a terra dos vivos.

Ou:           Caminharei na terra dos vivos

                na presença do Senhor.

Ou:           Aleluia.

 

Amo o Senhor,

porque ouviu a voz da minha súplica.

Ele me atendeu

no dia em que O invoquei.

 

Apertaram-me os laços da morte,

caíram sobre mim as angústias do além,

vi-me na aflição e na dor.

Então invoquei o Senhor:

«Senhor, salvai a minha alma».

 

Justo e compassivo é o Senhor,

o nosso Deus é misericordioso.

O Senhor guarda os simples:

estava sem forças e o Senhor salvou-me.

 

Livrou da morte a minha alma,

das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés.

Andarei na presença do Senhor,

sobre a terra dos vivos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: É preciso que a fé seja acompanhada das obras, isto é, que vivamos coerentemente com as verdades em que acreditamos.

 

Tiago 2, 14-18

Meus irmãos: 14De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? 15Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, 16e um de vós lhe disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? 17Assim também a fé sem obras está completamente morta. 18Mas dirá alguém:  «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé.

 

Tiago começa a desenvolver aqui a ideia subjacente a toda a carta: a coerência da vida com a fé, com uma argumentação repetitiva para insistir na mesma ideia nuclear, expressa em termos equivalentes (v. 14.17.18.20.26). Conjugando o método sapiencial e exemplos vivos do A. T. com a pedagogia estóica de perguntas retóricas e de interlocutores fictícios, obtém um belo efeito, desperta o interesse do leitor e convence. Na leitura de hoje o ensino gira à volta duma situação típica, a saber, a do crente que não presta assistência ao irmão (v. 14-17; cf. 1 Jo 3,17).

17 «Assim também a fé sem obras está completamente morta». S. Tiago não está em oposição a S. Paulo, como Lutero afirmou, mas coloca-se noutro ponto de vista distinto. S. Paulo quer demonstrar aos judaizantes que as obras da Lei de Moisés são inúteis para obter a salvação, que só Cristo nos traz. S. Tiago pretende visar os crentes que não vivem a fé, e, segundo pensam alguns, apoiando-se numa interpretação abusiva de S. Paulo, o qual também não deixa de apelar para a necessidade das boas obras, uma vez recebido o dom da graça (cf. Rm 2, 6; 6, 15-22; 8, 4.12-13; 12, 9-21; 1 Cor 13, 2-3; Gl 5, 6.19-22). O mesmo texto de Gn 15,6 é citado por ambos: S. Paulo para ensinar a gratuidade da justificação (Rm 4,2-3; Gl 3,5-7), S. Tiago para inculcar a necessidade duma fé coerente e activa (mais adiante, nos vv. 20-23). S. Paulo tem diante de si a lei judaica e situa-se na fase que precede a justificação, ao passo que S Tiago considera o cristão, o homem já justificado, que tem de viver a sua fé com obras de amor a Deus e ao próximo, e não considera aqui as observâncias próprias do judaísmo. Os ensinamentos estão em plena concordância com o Evangelho: «Nem todo o que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus» (Mt 7, 21).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Gal 6, 14

 

 

Monição: A cruz é o sinal do amor e do dom mais total. Nós «levamos a cruz» sempre que nos sacrificamos para fazer o bem e tornar alguém feliz.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. Silva, NRMS 50-51

 

Toda a minha glória está na cruz do Senhor,

por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 8, 27-35

Naquele tempo, 27Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». 29Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». 30Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. 31Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. 32E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. 33Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». 34E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 35Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

 

O texto da leitura pode ser considerada como um ponto de charneira na estrutura do Evangelho de S. Marcos. Os vv. 27-29 encerram a primeira parte do Evangelho, com a confissão de fé de Pedro, «Tu és o Messias», a qual não é mais uma resposta entre tantas acerca da pessoa de Jesus, mas é a resposta certa, a resposta da fé à pergunta implícita ao longo da redacção: «Quem é este homem?» Os vv. 30-35 iniciam a segunda parte do Evangelho de Marcos, em que Jesus começa uma instrução aprofundada aos discípulos, revelando a natureza da sua condição de Messias, contra tudo o que era de esperar, bem posto em evidência na oposição frontal do próprio Pedro, que «não compreende as coisas de Deus» (vv. 32-33).

 34-35 «Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me…» Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso «renegar-se a si mesmo», renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

Ser cristão é ver o mundo com novos olhos

A fé que professamos e a vida que vivemos

O cristão deve construir a vida em obras de amor

 

Ser cristão é ver o mundo com novos olhos

 

Mais que nunca, as pessoas se deixam seduzir por ideais efémeros, mesquinhos e enganadores. Enaltecem os que têm sucesso, que são fortes, vencedores, que se conseguem impor. Muitas vezes nos deixamos levar pelas aparências e nos apegamos a fátuas realidades que a vida acaba por desmascarar.

Confrontados estes nossos juízos com os de Deus , acabamos por constatar que os critérios que o Senhor segue são muito diferentes dos nossos. Ao longo de toda a Escritura, com mais acuidade no Antigo Testamento, verificamos que Deus escolhe preferencialmente os mais pequenos, os mais fracos e insignificantes para levar a cabo o seu projecto de salvação.

Neste trecho do profeta Isaías, que acabamos de escutar, é-nos apresentado um «Servo sofredor», homem ultrajado, humilhado, derrotado, mas que Deus não abandona nas mãos do inimigo. Pelo contrário, faz da sua obra um sucesso e mostra a todos que ele era um homem justo.

Os primeiros cristãos viram neste homem a imagem do seu Mestre, Jesus de Nazaré, rejeitado pelos seus contemporâneos, ferido, maltratado e repudiado pelos chefes religiosos e políticos do seu tempo, mas reconhecido por Deus, através da ressurreição, como verdadeiro vencedor.

Ora, o verdadeiro cristão é aquele que começou a ver o mundo e os homens com novos olhos, com os olhos de Deus; que não avalia as pessoas pelo dinheiro que possuem, pela grandeza das casas que habitam ou pelos grandes carros que têm, mas com base no amor que conseguiram demonstrar com a sua vida, a exemplo de Cristo,.

Aqui reside a fé que professamos.

 

A fé que professamos e a vida que vivemos

 

Assim aconteceu com os discípulos quando Jesus os interpela sobre a sua identidade. Eles haviam manifestado a opinião dos outros sobre o Mestre, mas Ele quer saber o que os discípulos tinham compreendido sobre tudo aquilo que lhes tinha ensinado e se realmente o conheciam. Acreditavam n’Ele, seguiam-n’O mas não compreendiam para onde se dirigia e qual a sua verdadeira finalidade.

À interpelação que Jesus lhes faz, é Pedro que responde em nome de todos: «Tu és o Messias». Deu uma resposta exacta, mas a ideia que ele tem de Jesus é completamente errada, pois está convencido que o Mestre vai iniciar o reino de Deus na terra por meio de uma demonstração de força, com prodígios e sinais que o imponham à atenção de todos. É essa também a opinião dos outros discípulos. Mas Jesus «começa a ensinar-lhes» -  diz o texto - que «tinha de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos […] de ser morto e ressuscitar três dias depois».

Pedro reage por achar um projecto inaceitável que redundará em falência total. Jesus repreende-o severamente e expõe a todos claramente o que exige daqueles que o querem seguir, apontando três imperativos: «Renega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-me».

«Renega-te a ti», deixa de pensar em ti mesmo, rejeita o teu egoísmo, interessa-te pelos outros; «toma a tua cruz», que é o sinal do amor mais total, une-te a Mim, levas a cruz sempre que te sacrificas por fazer o bem, para tornar alguém feliz; e «segue-me», toma-Me como modelo, toma parte no meu projecto, vive por amor do irmão juntamente comigo.

Não é pelo facto de irmos à igreja, de impecavelmente enunciarmos as nossas profissões de fé, de rezarmos as orações que nos propuseram, de não duvidarmos das verdades que nos foram ensinadas durante o período da nossa catequese que se identificará a fé que dizemos professar.

Se continuamos a pensar no reino de Deus com base na glória, nos triunfos, nos aplausos recebidos, não estaremos a raciocinar segundo Deus, mas segundo os critérios humanos.

A vida do cristão deve ser construída com obras de amor.

 

O cristão deve construir a vida em obras de amor

 

De que obras se trata? Não são as prática rituais, as liturgias solenes nos templos, as orações, as idas à igreja. Não!

É São Tiago que nos responde: a religião «pura e sem mácula» consiste em respeitar os pobres e fazer obras de misericórdia. Não se pode consolar o necessitado com palavras ocas, mas é preciso dar-lhe ajuda concreta. É possível professar a fé com palavras exactas, construir uma religião em que falta o essencial: as obras de amor pelo homem.

Nós temos admiração por pessoas que não frequentam a igreja ou até se confessam ateias, mas que são extraordinariamente generosas, disponíveis, que ajudam quem precisa e somos capazes de nos interrogarmos: mas esta gente «sem fé» como é capaz de ser tão boa?.

Se o acto de fé se reduzisse à adesão fria e racional a uma verdade revelada, de certeza que estas pessoas que desconhecem a Cristo não teriam fé. Mas o Espírito do Senhor não fica fechado numa estrutura eclesial. Ele sopra onde quer, age livremente em cada homem e inspira a fazer obras de amor.

Quem se deixa guiar docilmente pelos impulsos do Espírito, mesmo que não se aperceba, segue pelo caminho da fé, crê mais do que quem professa em voz alta as orações e os dogmas, mas não conforma a sua vida com o Evangelho.

Como nos posicionamos nós? Mostramos a nossa fé sem obras, ou as nossas obras demostram a nossa fé?

Pensemos nisto.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus convida a perder a vida por Ele, a fim de a receber renovada. Seguir o nosso Mestre exige que se caminhe depois d’Ele e se ouça atentamente a sua Palavra — recordai-vos: ler todos os dias um trecho do Evangelho — e os Sacramentos. »

O Evangelho de hoje apresenta-nos Jesus que, a caminho para Cesareia de Filipe, pergunta aos discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» (Mc 8, 27). Eles respondem aquilo que o povo dizia: alguns consideravam-no João Baptista renascido, outros, Elias ou um dos grandes Profetas. O povo estimava Jesus, considerava-o um «enviado de Deus», mas ainda não conseguia reconhecê-lo como o Messias, aquele Messias prenunciado e esperado por todos. Jesus olha para os apóstolos e pergunta de novo: «Mas vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 29). Eis a pergunta mais importante, com a qual Jesus se dirige directamente a quantos o seguiam, para comprovar a sua fé. Pedro, em nome de todos, exclama com prontidão: «Tu és o Cristo» (v. 29). Jesus fica admirado com a fé de Pedro, reconhece que ela é fruto de uma graça, de uma graça especial de Deus Pai. E então revela abertamente aos discípulos o que o espera em Jerusalém, ou seja, que «o Filho do homem iria sofrer muito... ser morto e, depois de três dias, ressurgir» (v. 31).

Ao ouvir isto, o próprio Pedro, que acabara de professar a sua fé em Jesus como Messias, escandaliza-se. Desviando-se um pouco com o Mestre, repreende-o. E como reage Jesus? Por sua vez repreende Pedro por isto, com palavras muito severas: «Vai-te da minha frente, Satanás!» — chama-lhe Satanás! — «Pois não aprecias as coisas de Deus, mas só as dos homens» (v. 33). Jesus apercebe-se de que em Pedro, como nos outros discípulos — também em cada um de nós! — à graça do Pai se opõe a tentação do Maligno, que pretende distrair-nos da vontade de Deus. Anunciando que terá que sofrer e ser morto para depois ressuscitar, Jesus deseja fazer compreender a quantos o seguem que Ele é um Messias humilde e servo. É o Servo obediente à palavra e à vontade do Pai, até ao sacrifício completo da própria vida. Por isso, dirigindo-se a toda a multidão que estava ali, declara que quem quiser ser seu discípulo deve aceitar ser servo, como Ele se fez servo, e adverte: «Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (v. 34).

Pôr-se na sequela de Cristo significa carregar a própria cruz — todos temos uma... — para o acompanhar no seu caminho, um caminho desagradável que não é o do sucesso, da glória passageira, mas aquele que leva à liberdade verdadeira, que nos liberta do egoísmo e do pecado. Trata-se de rejeitar abertamente aquela mentalidade mundana que coloca o «eu» e os próprios interesses no centro da existência: não é isto que Jesus quer de nós! Ao contrário, Jesus convida a perder a vida por Ele, pelo Evangelho, a fim de a receber renovada, realizada e autêntica. Graças a Deus, estamos certos de que no final este caminho conduz à ressurreição, à vida plena e definitiva com Deus. Decidir segui-lo, o nosso Mestre e Senhor que se fez Servo de todos, exige que se caminhe depois d’Ele e se ouça atentamente a sua Palavra — recordai-vos: ler todos os dias um trecho do Evangelho — e os Sacramentos.

Há jovens aqui na praça: rapazes e moças. Pergunto-vos: sentistes vontade de seguir Jesus mais de perto? Reflecti. Rezai. E deixai que o Senhor vos fale.

A Virgem Maria, que seguiu Jesus até ao Calvário, nos ajude a purificar sempre a nossa fé de falsas imagens de Deus, para aderir plenamente a Cristo e ao seu Evangelho.

  Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 13 de Setembro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos:

Invoquemos com alegria Jesus Cristo

que se fez igual a nós

para que se compadeça de todos aqueles

que O invocam e digamos com toda a confiança:

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração

 

1.     Que a Santo Padre, o Papa, os Bispos,

Presbíteros e Diáconos,

sejam reconhecidos pelas obras de amor

que realizem em favor de todos os homens,

oremos ao Senhor.

 

2.     Que os proclamadores e os ouvintes da Palavra de Deus

vejam o mundo e os homens com olhos novos,

os olhos de Deus, com base no amor,

oremos ao Senhor.

 

3.     Que todos os cristãos sigam a radicalidade exigida por Jesus,

deixando o egoísmo próprio, a fim de se interessarem

verdadeiramente pelos outros,

oremos ao Senhor.

 

4.     Que todos nós saibamos “tomar a nossa cruz”,

procurando suportar pacientemente as pequenas

ou grandes tribulações, sacrificando-nos para fazer o bem,

oremos ao Senhor.

 

5.     Que sigamos Jesus, tomando-O como modelo,

partilhando a sua escolha de vida de amor

em favor dos homens, juntamente com Ele,

oremos ao Senhor.

 

6.     Que sejamos dóceis aos impulsos do Espírito

deixando-O agir livremente em nós,

a fim de adequarmos a nossa vida

ao Evangelho, através da prática de boas obras,

oremos ao Senhor.

 

Senhor Jesus Cristo,

que dissestes aos vossos discípulos:

“Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me”,

purificai o nosso coração, e dai-nos a graça

de correspondermos ao vosso chamamento.

Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Unamo-nos em comunhão a Jesus sacramentado, procurando segui-l’O como nos ensinou, para que a nossa fé seja testemunhada pelas obras, numa vivência coerente com as verdades que acreditamos.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 35, 8

Antífona da Comunhão: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! A sombra das vossas asas se refugiam os homens.

Ou:       Salmo 35, 8

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da Comunhão: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Na conclusão desta celebração eucarística e interpelados pela escuta da Palavra, não nos esqueçamos que Jesus recomendou: que  rejeitássemos o nosso egoísmo interessando-nos mais pelos outros; que tomássemos a nossa cruz, que é o sinal do amor mais total; nos uníssemos a Ele, sacrificando-nos por fazer o bem, para tornar alguém feliz; e que O sigamos, como modelo na vivência do amor aos mais necessitados.

 

Cântico final: Senhor fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-IX: Vida apoiada na Eucaristia.

1 Cor 11, 17-26 / Lc 7, 1-10

O Senhor Jesus na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e deu graças; depois partiu-o e disse: Isto é o meu Corpo.

A Igreja vive da Eucaristia desde os primeiros tempos, conforme este relato de S. Paulo, em que adverte para o cuidado em receber o Senhor nas melhores condições, evitando fazê-lo indignamente, pois quem o fizer será réu do Corpo e do Sangue do Senhor (Leit.).

Para edificarmos a nossa vida sobre a Eucaristia, procuremos melhorar as nossas disposições para recebermos a Comunhão. Sigamos o exemplo do centurião (Ev.),  com as virtudes que a Igreja nos propõe para esse momento: fé, humildade e delicadeza.

 

3ª Feira, 18-IX: Misericordiosos como Jesus.

1 Cor 12, 12-14, 27-31 / Lc 7, 11-17

E vinha com a viúva bastante gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-se e disse: Não chores.

Jesus veio carregar com as nossas misérias sobre os seus ombros, veio compadecer-se dos que sofrem, como a viúva de Naim (Ev.). «Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação. São muitos os passos dos ensinamentos de Cristo que manifestam o amor-misericórdia sob uma espécie sempre nova» (J. Paulo II).

À semelhança de Cristo, todos devemos ser misericordiosos para com os outros (Leit.). «Nada nos pode fazer tão imitadores de Cristo como a preocupação pelos outros. Se não te preocupas pelo próximo pouca coisa fizeste» (S. João Crisóstomo).

 

4ª feira, 19-IX: A Magna Carta da caridade.

1 Cor 12, 31- 13, 13 / Lc 7, 31-35

Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo.

E este caminho de perfeição é o caminho da caridade. «No seu hino à caridade, S. Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais  do que mera actividade. 'Ainda que eu distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita'. Este hino deves ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial» (Bento XVI).

Um dos campos da caridade pode ser o de evitar as críticas: «Veio João Baptista e vós dizeis... Veio o Filho do Homem e vós dizeis: É um glutão e um ébrio» (Ev.).

 

5ª Feira, 20-IX: O pecado: arrependimento e perdão.

1 Cor 15, 1-11 / Lc 7, 36-50

Depois disse à mulher: Os teus pecados estão perdoados. Foi a tua fé que te salvou. Vai em paz.

A oração desta mulher foi escutada por Jesus, mesmo sem ter dito nada: as lágrimas e o perfume foram suficientes: «Jesus atende a oração de fé expressa em palavras, ou feita em silêncio (as lágrimas e o perfume da pecadora)» (CIC, 2616).

Os nossos defeitos e faltas, mesmo frequentes, não devem desanimar-nos, enquanto formos humildes e nos arrependermos. O arrependimento e o perdão do Senhor levaram aquela mulher a começar de novo. Não esqueçamos que «Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras» (Leit.).

 

6ª Feira, 21-IX: S. Mateus: O conhecimento de Jesus.

Ef 4, 1-7. 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem, chamado Mateus, sentado no posto de cobrança e disse-lhe: Segue-me.

Logo que foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou imediatamente tudo para se dedicar ao serviço do Senhor (Ev.) A partir de então pode acompanhá-lo, ser testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da Última Ceia, etc. Deixou-nos um precioso documento: o seu Evangelho.

A todos nos é pedido este maior conhecimento do Senhor: «No fim chegaremos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem adulto, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude» (Leit.).

 

Sábado, 22-IX: Crescimentos das virtudes e as provações.

1 Cor 15, 35-37. 42-49 / Lc 8, 4-15

E a semente que ficou na boa terra são aqueles que ouviram a palavra com um coração recto e bom, a conservaram e, com perseverança, dão fruto.

Ambas Leituras referem as sementeiras e as sementes. S. Paulo afirma: «O que tu semeias não volta à vida sem morrer» (Leit.). Isto significa que, sem o sacrifício, não pode haver frutos na vida cristã.

Jesus fala dos terrenos que recebem a sementeira da palavra de Deus. Num dos terrenos, o demónio tenta arrancar a palavra do coração: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento interior (Ev.), em vista duma virtude comprovada» (CIC, 2847). A provação e o sacrifício são pois necessários.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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