22.º Domingo Comum

2 de Setembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Em que consiste a verdadeira religião? A Liturgia deste Domingo fala-nos do culto agradável a Deus nosso Pai. Moisés convida o povo a cumprir fielmente os Mandamentos do Decálogo. Jesus ensina que a Palavra da Sagrada Escritura está acima das tradições humanas. São Tiago ensina que a religião pura e sem mancha consiste em visitar os órfãos e as viúvas.

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Guardareis os mandamentos do Senhor.» 

Moisés recorda ao Povo de Israel que é necessário observar a Lei de Deus, que supera em perfeição as leis dos outros povos vizinhos. O fiel cumprimento dos dez mandamentos oferece aos homens o caminho da prudência e da verdadeira sabedoria.

 

Deuteronómio 4, 1-2.6-8

Moisés falou ao povo, dizendo: 1«Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. 2Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. 6Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: 'Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!' 7Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? 8E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?»

 

A leitura é tirada da parte final do 1º discurso de Moisés; tem o aspecto duma espécie de introdução ao corpo legislativo central do Deuteronómio, num vivo apelo à observância da Lei.

7-8 «Qual é a grande nação…?» A superioridade de Israel sobre as grandes nações não reside no poderio militar, no valor e cultura do seu povo. Ele é incomparavelmente superior a todos os povos pelas relações tão estreitas com a divindade, pela elevadíssima noção que tem dum Deus único e transcendente, misericordioso e providente e, por outro lado, pela elevação da sua moral, das suas «leis e preceitos» (v. 1). Mas tudo isto – um poderoso motivo de credibilidade da sobrenaturalidade da sua religião – de nada aproveita se o povo não cumprir (v. 6) aqueles mesmos mandamentos que o tornam grande no meio dos outros povos.

 

Salmo Responsorial    Sl 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)

 

Monição: O salmo 14 faz parte da liturgia da entrada no santuário. Está escrito em forma de diálogo. O salmista, talvez um peregrino, pergunta: Quem habitará, Senhor no vosso santuário? Um sacerdote, ou um levita, responde, enumerando as condições: viver sem mancha, praticar a justiça, dizer a verdade. Com o salmista também nós perguntamos:

 

Refrão:     Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

 

Ou:           Ensinai-nos, Senhor:

                quem habitará em vossa casa?

 

O que vive sem mancha e pratica a justiça

e diz a verdade que tem no seu coração

e guarda a sua língua da calúnia.

 

O que não faz mal ao seu próximo

nem ultraja o seu semelhante,

o que tem por desprezível o ímpio,

mas estima os que temem o Senhor.

 

O que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo,

e não empresta dinheiro com usura,

nem aceita presentes para condenar o inocente.

Quem assim proceder jamais será abalado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Sede cumpridores da palavra.» 

 S. Tiago afirma que tudo o que é bom vem de Deus, que tudo criou pela sua palavra. Esta palavra continua a ouvir-se, iluminando a nossa vida, fazendo-nos produzir muito fruto, as obras de misericórdia. 

 

Tiago 1, 17-18.21b-22.27

Caríssimos irmãos: 17Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. 18Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. 21bAcolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. 22Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. 27A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.

 

Começamos hoje, durante 5 domingos, a fazer uma leitura respigada da Epístola de S. Tiago. Como escrito tipicamente moral e didáctico que é, não obedece a um plano doutrinal previa­mente elaborado, sucedendo-se os temas ao correr da pena, sempre com a preocupação dominante de fazer um forte apelo a que os fiéis vivam o espírito cristão em todas as circunstâncias, de um modo coerente com a fé, em perfeita unidade de vida: o comportamento dos cristãos tem de ser um reflexo da sua fé.

17. «Pai das luzes» pode querer dizer, Pai dos astros (luminares: cf. Salm 136,7-9); estes mudam de posição e de luminosidade, em contraste com o seu Criador, «no qual não há variação nem sombra de mudança».

18. «Nos gerou (cf. Jo 1, 12-13; 3, 3; 1 Pe 1, 23; Tt 3, 5; 1 Jo 3, 9; 4, 7; 5, 1.4.18) pela palavra da verdade», isto é, pelo anúncio do Evangelho (cf. Ef 1, 13; 2 Cor 6, 7; 2 Tim 2, 15); para sermos primícias das suas criaturas: assim como os primeiros frutos da terra pertenciam a Deus (cf. Ex 22, 28-29; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21; Dt 18, 4), assim também os cristãos, como início da humanidade renovada (cf. Apoc 14, 4; 21, 1; Rm 8, 19-23).

19-27 Nestes versículos, de que a leitura litúrgica extrai apenas uma pequena amostra, enumeram-se exigências para que a Palavra produza todo o seu fruto, com uma provável alusão à parábola do semeador (v. 21b: «a palavra em vós plantada» – cf. Mt 13, 4-30 par). Trata-se de viver numa absoluta coerência com a nova condição de filhos de Deus (v. 18) e com o Evangelho, o ponto fulcral da exortação que constitui este escrito: «sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes» (v. 22).

27 «A religião pura…» As obras de misericórdia fazem parte da essência da vida cristã (cf. Mt 25, 31-46; 1 Tm 5, 3-8).

 

Aclamação ao Evangelho        Tg 1, 18

 

Monição: «Deixais o mandamento de Deus para vos prenderdes à tradição dos homens.»

Jesus adverte-nos para que saibamos ler a palavra de Deus à luz do Espírito Santo e não à luz da visão demasiado limitada do nosso espírito. As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade,

para sermos como primícias das suas criaturas.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 7, 1-8a.14-15.21-23

 

Naquele tempo, 1reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. 2Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. 3Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. 4Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre. 5Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» 6Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: 7'Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos'. 8aVós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». 14Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Ouvi-Me e procurai compreender. 15Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; 21porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: 22imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. 23Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro».

 

O texto evangélico não visa simplesmente dar a notícia de uma controvérsia, descrevendo o modo como Jesus se desenvencilhou da situação, ou relatar a oposição e conflito que começava a esboçar-se com as autoridades judaicas; aqueles «fariseus e alguns escribas, que tinham vindo de Jerusalém», viriam mandatados pelo Sinédrio. A intenção que preside ao relato é pôr em evidência o ensino de Jesus acerca da verdadeira pureza, do valor relativo das leis e tradições humanas e de como o elemento mais decisivo para a configuração moral do agir humano é a interioridade da pessoa, dando assim um golpe mortal no mero formalismo exterior.

1-13 Estes vv. referem a controvérsia a propósito de os discípulos de Jesus comerem sem lavar as mãos: é que estava a ser posta em causa a tradição dos antigos. S. Marcos explica brevemente os preceitos judaicos relativos a purificações (vv.3-4), pois escreve para cristãos que na maioria não são de origem judaica. Note-se que estes preceitos não constam de parte nenhuma do A. T.; a «tradição dos antigos» (v. 5), à letra, «dos mais velhos» (um título honorífico para célebres doutores da lei), pertencia à chamada «Lei oral», que os escribas, para imporem novas prescrições, faziam crer que fora revelada por Deus a Moisés, tão obrigatórias como a Lei escrita do A. T. e que só vieram a ser compiladas por escrito na Mixná (repetição), por fins do séc. II p. C. A 6ª ordem desta obra, dividida em 12 tratados, era toda ela dedicada às purificações. A generalidade do povo não fazia caso da purificação das mãos antes de comer, pois considerava que esta só obrigava os sacerdotes no exercício do culto (cf. Ex 30, 17-21). Jesus, com a citação de Is 29, 13, não só denuncia um culto sem alma, feito de exterioridades ocas e vazias, mas também censura abandono da lei de Deus em troca do zelo por preceitos humanos (v. 8; a leitura suprimiu as especificações dos vv. 9-13).

14-15 Nesta secção, só indirectamente ligada à anterior, Jesus dirige-se agora à «multidão» num ensino através de uma parábola, ou melhor de um enigma, que obriga a reflectir em que consiste a autêntica pureza; já não se trata apenas de superar tradições e convencionalismos humanos, mas de abandonar uma mentalidade que não faz a destrinça entre o bem e o mal; só o pecado é que torna o homem impuro, e não pode haver pecado sem um querer deliberado, mau e desordenado. E não é apenas a tradição dos escribas e fariseus que é ultrapassada, mas a lei ritual do A. T., que declarava as pessoas impuras por grande quantidade de coisas de que se não tinha qualquer espécie de culpa. Estamos aqui na novidade da Lei de Cristo e perante uma moral de amor e responsabilidade.

21-23 Estes vv. pertencem à explicação particular e bem realista dada aos discípulos (vv. 17-23; os vv. 16-20 são omitidos na leitura). A moral cristã está no pólo oposto de todo o formalismo. É só «do coração», isto é, da vontade livre, que provém o que contamina o homem moralmente. Sem conhecimento e deliberação não pode haver propriamente pecado.

Note-se que Marcos apresenta imediatamente a seguir Jesus em terras gentias, na região de Tiro e Sídon, e a entrar numa casa pagã, sem fazer caso da impureza legal em que incorria (v. 24).

 

Sugestões para a homilia

 

Vós deixais o mandamento de Deus para vos prenderdes à tradição dos homens.

 

As leituras deste Domingo são uma catequese sobre a verdadeira religião. O salmista pede a Deus que o ensine a viver de tal modo, que possa habitar para sempre no santuário celeste. Felizes, já neste mundo, os que vivem sem mancha, amando a Deus, fazendo o bem ao seu semelhante. Quem assim proceder, escutando a Palavra divina, praticando a justiça para com os irmãos, jamais será abalado. (Salmo 14) Escutar a Palavra de Deus que nos ensina a praticar o amor fraterno.

Moisés pedia: “Escuta Israel, os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra, que vos dá o Senhor.” (Deut 4,1-2). Curiosamente também a voz de Deus se dirigiu a Josué, antes da conquista da terra prometida aos filhos de Israel: “És tu que hás-de introduzir este povo na posse da terra que jurei dar a seus pais. Por isso sê forte e muito corajoso para observar fielmente toda a Lei que te prescreveu o meu servo Moisés. Não te afastes dela nem para a direita nem para a esquerda, a fim de seres feliz em todas as tuas empresas.” (Josué, 1,6-7)

 No Evangelho, Jesus insiste na importância de escutar e compreender bem a Palavra da Sagrada Escritura: “Chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: Escutai-me e procurai compreender.” Que significa esta insistência? Certamente aquilo que importa compreender não é assim tão evidente como parece. A nossa relação com Deus e com os outros tem de ser algo de interior. Tem de ser uma relação verdadeira, justa e autêntica. A nossa religião manifesta-se no amor ao próximo, com obras exteriores, mas brota da fé em Deus, que existe no nosso coração: “A Palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Com o coração se acredita para obter a justiça.” (Rom 10, 8-10) “A nossa religião é uma expressão do que nos vai no coração.” (D. Manuel Clemente, O Evangelho da Vida, 22 Domingo, Ano B)

 Na polémica com os fariseus e com os escribas vindos de Jerusalém, Jesus acusa-os dizendo: “Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes às tradições dos homens.” Jesus não rejeita as tradições do seu povo, mas coloca a Palavra de Deus acima dos costumes dos homens. As tradições são boas se não afastam de Deus. Jesus responde aos doutores da lei, utilizando a linguagem vigorosa do Profeta Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam. As doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos.” Os profetas tinham condenado o formalismo religioso. Para Deus, mais que os gestos exteriores, contam as convicções profundas, que nascem do coração.

São Tiago, na segunda leitura da Missa de hoje, também nos pede: “Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes.” A fé traduz-se em obras de misericórdia, porque a fé sem obras está morta: “O homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.” (Tg 2,24-2) Portanto, “a religião pura e sem mancha consiste em visitar os órfãos e as viúvas e conservar-se puro do contágio do mundo.” (São Tiago 1,22-27)

Hoje falamos constantemente da poluição que ameaça destruir o nosso planeta. Já não se pode beber em qualquer fonte, porque a água está poluída. Jesus diz que o nosso coração também pode estar contaminado pela impureza, pela inveja, pelo orgulho, pelos vícios. Examinemos a nossa consciência à luz da lista de pecados enumerados por Jesus, no Evangelho que acabámos de escutar.

Com Nossa Senhora pedimos ao Pai celeste, em nome de Jesus para que o Espírito Santo nos dê um coração novo, um coração que seja como uma fonte de água pura e cristalina. Peçamos para que todos possam saciar a sua sede com o nosso amor fraterno. Jesus, purificai-nos do contágio do mundo, com o fogo do Vosso Amor divino.

 

Fala o Santo Padre

 

«Tal como outrora para os fariseus, também para nós existe o perigo de nos considerarmos rectos ou, pior ainda, melhores do que os outros, só porque observamos certas regras e costumes, embora não amemos o nosso próximo.»

O Evangelho deste domingo apresenta um debate entre Jesus e alguns fariseus e escribas. A discussão refere-se ao valor da «tradição dos antigos» (Mc 7, 3) que Jesus, inspirando-se no profeta Isaías, define como «preceitos humanos» (v. 7) e que nunca deve tomar o lugar do «mandamento de Deus» (v. 8). As antigas prescrições em questão abrangiam não apenas os preceitos de Deus revelados a Moisés, mas uma série de regras que especificavam as indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicavam tais normas de modo bastante escrupuloso, apresentando-as como expressão de religiosidade autêntica. Portanto, a Jesus e aos seus discípulos repreendem a transgressão daquelas normas, em particular no que se refere à purificação exterior do corpo (cf. v. 5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético: «Descuidando o mandamento de Deus — afirma — apegais-vos à tradição dos homens» (v. 8). São palavras que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre: sentimos que nele há verdade e que a sua sabedoria nos liberta dos preconceitos.

Mas atenção! Com estas palavras Jesus quer alertar-nos também a nós, hoje, para não pensarmos que a observância exterior da lei é suficiente para sermos bons cristãos. Do mesmo modo como outrora para os fariseus, também para nós existe o perigo de nos considerarmos rectos ou, pior ainda, melhores do que os outros, só porque observamos certas regras e costumes, embora não amemos o nosso próximo, sejamos duros de coração, soberbos e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é algo estéril, se não muda o coração nem se traduz em atitudes concretas: abrir-se ao encontro com Deus e à sua Palavra na oração, procurar a justiça e a paz, socorrer os pobres, os mais frágeis, os oprimidos. Nas nossas comunidades, nas nossas paróquias e nos nossos bairros todos nós sabemos quanto mal fazem à Igreja e quanto escândalo dão as pessoas que se dizem muito católicas e vão com frequência à igreja mas depois, na sua vida quotidiana, descuidam a família, falam mal dos outros e assim por diante. É isto que Jesus condena, porque este é um contratestemunho cristão.

Dando continuidade à sua exortação, Jesus concentra a atenção num aspecto mais profundo, afirmando: «Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas é o que sai do homem que o torna impuro» (v. 15). Deste modo, Ele salienta o primado da interioridade, ou seja a supremacia do «coração»: não são as realidades externas que nos fazem santos ou não santos, mas é o coração que exprime as nossas intenções, as nossas opções e o desejo de fazer tudo por amor a Deus. As atitudes exteriores constituem a consequência daquilo que já decidimos no nosso coração, e não o contrário: com a atitude exterior, se o coração não muda, não somos cristãos autênticos. A fronteira entre o bem e o mal não passa fora de nós mas, ao contrário, dentro. Então podemos interrogar-nos: onde está o meu coração? Jesus dizia: «Onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração». Qual é o meu tesouro? É Jesus, é a sua doutrina? Então, o coração é bom. Ou o tesouro é outra coisa? Portanto, é o coração que se deve purificar e converter. Sem um coração purificado, não podemos ter mãos verdadeiramente limpas, nem lábios que pronunciam palavras de amor sinceras — tudo é falso, uma vida ambígua — lábios que pronunciam palavras de misericórdia, de perdão. Isto só pode ser feito por um coração sincero e purificado.

Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, que nos conceda um coração puro, livre de toda a hipocrisia. É com este adjectivo que Jesus se dirige aos fariseus: «hipócritas», porque eles dizem uma coisa e fazem outra. Um coração livre de qualquer hipocrisia, de modo a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e de alcançar a sua finalidade, que é o amor.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 30 de Agosto de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos, ao Senhor, que está perto de quantos O invocam,

e imploremos a sua graça em favor de todos os homens, dizendo (cantando):

 

 Senhor, nós temos confiança em Vós.

 

1. Para que os catequistas e ministros do povo de Deus

 acolham docilmente a palavra da Escritura

e a transmitam com alegria e clareza, oremos.

 

 2. Para que o coração dos nossos governantes

se abra mais aos apelos dos que sofrem

e às tribulações dos órfãos e viúvas, oremos.

 

3. Para que os cristãos do mundo inteiro

não se prendam à tradição que vem dos homens,

 mas à novidade libertadora de Jesus Cristo, oremos.

 

4. Para que a mensagem de Jesus nos lembre a todos

que é do coração que nascem os vícios,

os pensamentos impuros e os maus desejos, oremos.

 

5. Para que esta nossa assembleia dominical

não se limite a ouvir a palavra do Evangelho,

mas a ponha em prática com alegria, oremos.

 

Oremos: Senhor, nosso Deus,

escutai as súplicas que Vos dirigimos pelas necessidades de todos os homens

e guardai os discípulos do vosso Filho em perfeita fidelidade ao Evangelho.

Por nosso Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Como é grande, Senhor a vossa bondade para aqueles que vos servem! (Salmo 30,20)

Jesus Cristo é a Palavra, o Verbo feito carne. Ele vem até nós como o Pão vivo que nos santifica, que mata a nossa fome e a nossa sede de infinito! Agradeçamos. Aceitemos o convite à santidade que o Santo Padre nos dirige: “O meu objectivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto actual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque “o Senhor escolheu-nos para sermos santo e irrepreensíveis em caridade na sua presença. (Ef 1, 4)

 “Peçamos ao Espírito Santo que infunda em nós um desejo intenso de sermos santos para a maior glória de Deus; e animemo-nos uns aos outros neste propósito. Assim, compartilharemos uma felicidade que o mundo não nos poderá tirar. (Papa Francisco, Alegrai-vos e exultai, nº2 e nº177)

 

Cântico da Comunhão: Comemos ó Senhor do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai eternamente, M. Luís, NRMS 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«ALEGRAI-VOS E EXULTAI» (Mt 5, 12), diz Jesus a quantos são perseguidos ou humilhados por causa d’Ele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. Com efeito, a chamada à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia; a Abraão, o Senhor propô-la nestes termos: «anda na minha presença e sê perfeito» (Gn 17, 1).

A Virgem Maria viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. Ela estremecia de júbilo na presença de Deus, Ela conservava tudo no seu coração. É a mais abençoada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. E, quando caímos, não aceita deixar-nos por terra e, às vezes, leva-nos nos seus braços sem nos julgar. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa connosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra: «Ave Maria...»  (Papa Francisco, Alegrai-vos e Exultai, nº 1 e nº176)

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 3-IX: A Boa Nova e Cristo crucificado.

1 Cor 2, 1-6 / Lc 4, 16-30

Ao ouvirem estas palavras todos, na sinagoga, ficaram furiosos. Ergueram-se então e expulsaram Jesus da cidade.

Jesus apresenta-se na sinagoga de Nazaré e explica aos seus conterrâneos a sua missão. Inaugura o anúncio da Boa Nova, citando uma passagem de Isaías (Ev.). É mal recebido, não encontrando boas disposições nos seus ouvintes.

S. Paulo recorda aos Coríntios que a sua pregação da Boa Nova foi muito simples e apoiava-se em Cristo crucificado (Leit.). Para entendermos melhor os planos de Deus é necessário termos uma fé maior, que não se apoia na sabedoria humana mas na força de Deus (Leit.).

 

3ª Feira, 4-IX: O homem natural e o homem espiritual.

1 Cor 2, 10-16 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha um espírito de demónio impuro.

Nas Leituras de hoje encontramos pessoas que têm espíritos diferentes.

Um deles é o que tem o espírito de um demónio (Ev.), e que representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado. O outro é o homem natural (Leit.), que não aceita o que vem de Deus, o que para ele é uma loucura. E o último é o homem espiritual, que se deixa guiar pelo «Espírito de Deus que nos ensina» (Leit.), que tem o espírito de Cristo e, com essa luz, julga todos os acontecimentos e pessoas. Procuremos imitar este último.

 

4ª Feira, 5-IX: Ver as coisas como Deus as vê.

1 Cor 3, 1-9 / Lc 4, 38-44

Não pude falar-vos como a homens que têm o Espírito de Deus, mas como a homens puramente naturais.

S. Paulo queixa-se da falta da dimensão sobrenatural dos Coríntios, pois têm uma visão demasiado humana (Leit.).

O comportamento de Jesus indica-nos os meios para adquirirmos essa visão sobrenatural. Em primeiro lugar, a oração: «ao romper do dia, Jesus dirigiu-se a um sítio ermo». Depois, o conhecimento do Evangelho: «Tenho que ir às outras cidades anunciar a Boa Nova do reino de Deus» (Ev.). Pela oração e pelo Evangelho aprenderemos a ver as coisas, as pessoas e os acontecimentos, como Deus os vê.

 

5ª Feira, 6-IX: A sabedoria humana e a sabedoria divina.

1 Cor 3, 18-23 / Lc 5, 1-11

Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada, Mas, já que o dizes, largarei as redes.

Diz S. Paulo que «a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» (Leit.). Assim aconteceu com os pescadores no lago de Genesaré (Ev.). Passaram uma noite inteira sem apanharem nada (e eles eram os especialistas humanos da pesca) mas, com a sabedoria de Deus, apanharam uma grande quantidade de peixes.

Na nossa vida cristã de pouco serve só o nosso esforço, o emprego exclusivo dos meios humanos, ainda que sejam necessários. Precisamos contar sempre com a ajuda do Senhor, com sua sabedoria, com os seus ensinamentos, com o seu exemplo.

 

6ª Feira, 7-IX: Acolhimento das graças de Deus.

1 Cor 4, 1-5 / Lc 5, 33-39

Ninguém recorta um remendo de um vestido novo, para o deitar em vestido velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos.

Com estas comparações, Jesus pede-nos que devemos estar bem preparados para receber as graças  divinas e os ensinamentos da Boa Nova. No entanto, as faltas de correspondência às inspirações do Espírito Santo, e o pouco empenho na luta espiritual, contribuem para 'envelhecer a alma'.

O mesmo se poderia dizer de certos hábitos 'velhos' de criticar frequentemente os outros. Essa tarefa compete a Deus, de acordo com o que diz S. Paulo: «não façais qualquer juízo antes de tempo, enquanto o Senhor não vier» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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