21.º Domingo Comum

26 de Agosto de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na missa vimos reunir-nos com Cristo. É Ele que dá sentido à nossa vida. Queremos ouvir a Sua Palavra. Só Ele tem palavras de vida eterna.

 

Disponhamos o nosso coração para este encontro com Ele.

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Josué depois de ter conquistado a terra de Israel desafia o povo a escolher o verdadeiro Deus ou os deuses dos pagãos.

 

Josué 24, 1-2a.15-17.18b

Naqueles dias, 1Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou os anciãos de Israel, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2aJosué disse então a todo o povo: 15«Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor». 16Mas o povo respondeu: «Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses; 17porque o Senhor é o nosso Deus, que nos fez sair, a nós e a nossos pais, da terra do Egipto, da casa da escravidão. Foi Ele que, diante dos nossos olhos, realizou tão grandes prodígios e nos protegeu durante o caminho que percorremos entre os povos por onde passámos. 18bTambém nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».

 

A leitura é tirada do capítulo final do livro de Josué, uma obra impregnada do espírito e da teologia do Deuteronómio, que celebra a fidelidade do amor de Deus e apela para uma correspondência fiel à escolha gratuita do seu amor. A obra termina com o relato da Grande Assembleia de Siquém, para a ratificação da Aliança, cujo rito, à maneira dos pactos hititas, não aparece na leitura (vv. 25-27). O povo decidiu livremente escolher a Yahwéh, melhor dito, decidiu não O abandonar. Josué, com vigorosa decisão, adianta-se com o seu exemplo: «eu e minha família serviremos o Senhor» (v. 15); o povo responde: «também nós queremos servir o Senhor, pois Ele é o nosso Deus» (v. 18b). Como então, ainda hoje a fidelidade e a santidade do povo depende muito da decidida fidelidade dos seus chefes e daqueles fiéis cujo bom exemplo deixa rasto.

1 «Siquém». Cidade ligada à vida dos Patriarcas (Gn 12, 6; 33, 18), na Samaria, entre os montes Garizim e Ebal, que os arqueólogos localizaram a 2 km a Sul de Nablus. Já não existia no tempo de Jesus, por ter sido destruída por João Hircano, em 128 a. C.

15 «Amorreus». Designação frequente no A.T., como forma muito genérica para indicar os habitantes da Palestina antes dos hebreus. Para os especialistas de História os amorreus são povos semitas que pelo ano 2.000 se fixaram na Mesopotâmia, Síria e Palestina. A sua primeira metrópole foi Mari, na margem ocidental do médio Eufrates, mas no seu apogeu foi Babilónia.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R. 9a)

 

Monição: Saboreai e vede como o Senhor é bom. Que saibamos descobrir em nossa vida muitas vezes esta maravilha.

 

Refrão:     Saboreai e vede como o Senhor é bom.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os justos

e os ouvidos atentos aos seus rogos.

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

 

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as suas angústias.

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

 

Muitas são as tribulações do justo,

mas de todas elas o livra o Senhor.

Guarda todos os seus ossos,

nem um só será quebrado.

 

A maldade leva o ímpio à morte,

os inimigos do justo serão castigados.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele se refugiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo fala do matrimónio e do amor que há-de existir nos esposos e que é sinal do amor entre Cristo a e Sua Igreja.

 

Efésios 5, 21-32

Irmãos: 21Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. 22As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, 23porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. 24Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. 25Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. 26Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, 27para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. 28Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; 30porque nós somos membros do seu Corpo. 31Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. 32É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.

 

Terminamos hoje com a leitura respigada de Efésios, precisamente com a referência aos deveres dos esposos cristãos. Marido e mulher encontravam-se numa situação nova relativamente à vida das outras pessoas casadas com quem conviviam, por isso o amor, o respeito e a obediência são focados numa nova perspectiva, a da união indissolúvel e da mútua entrega entre Cristo e a Igreja. S. Paulo parte da consideração duma analogia em que o marido representa Cristo e a esposa a Igreja, por isso as suas exortações têm como pano de fundo esta representação. Mas de modo nenhum ele pretende reduzir os deveres e as relações familiares a este figurino. Ele foca os aspectos que se enquadram nesta semelhança. Assim, ao dizer, «as mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor» (v. 22), não pretende negar o que diz antes: «sede submissos uns aos outros» (v. 21), ou contradizer o princípio da igualdade de dignidade e direitos já dado por assente em Gálatas: «já não há diferença entre judeu e grego, nem entre escravo e livre, nem entre homem e mulher» (Gal 3, 28). Se sublinha para a mulher o dever de submissão é em virtude da analogia estabelecida, pois também o marido tem que ser submisso à mulher (cf. v. 21); mas também poderíamos pensar que S. Paulo, como bom psicólogo, fala em concreto da submissão para a mulher, aludindo a que o coração (a mulher) tem de se submeter à razão (o homem). De qualquer modo, não se opõe à justa promoção da mulher, o que aliás não é mais do que uma das consequências da doutrina cristã bem entendida e bem vivida, sem que com isso se queira dizer que já nem tem em nada que se submeter ao marido, pois também o marido, para ser bom marido, tem que se submeter à mulher, e, afinal, quando a submissão é ditada pelo amor e respeito mútuos, não é deprimente, mas libertadora.

32 «É grande este mistério...» A Vulgata diz «sacramento», não no sentido técnico da Teologia, mas no sentido de algo sagrado que contém um significado oculto. Ora este significado é grande, importantíssimo, do mais alto alcance, pela sua referência a Cristo e à Igreja. Com isto, S. Paulo ensina que o Criador, ao unir o homem e a mulher em matrimónio, deixou-nos uma figura ou «tipo» da união de Cristo com a Igreja, união que é una, indissolúvel e santificante. Daqui que o Concílio de Trento tenha dito que este texto paulino insinua a sacramentalidade do Matrimónio cristão.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 6, 63c.68c

 

Monição: Quando Jesus fala do Pão da vida que Ele vai dar muitos não acreditam e afastam-se. Vamos dizer-Lhe como S.Pedro: Tu tens palavras de vida eterna e nós acreditamos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:

Vós tendes palavras de vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 60-69

Naquele tempo, 61muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?» 62Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? 63E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? 64O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. 65Mas, entre vós, há alguns que não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. 66E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai». 67A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. 68Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».

 

A reacção dos ouvintes de Jesus às suas palavras de revelação no discurso eucarístico passa da discussão (vv. 41.52) e do escândalo (v. 61) ao abandono da parte de muitos discípulos que já tinham aderido a Ele (v. 67). No meio deste descalabro ergue-se a voz de Pedro, em nome dos Doze, numa confissão de fé clara, firme e decidida, que permanece como o ponto de referência da fé recta e como paradigma de comunhão entre todos aqueles que ao longo dos tempos hão-de seguir a Cristo.

60-71. As palavras de Jesus não são palavras «duras» (v. 60), mas são «espírito e vida» (v. 64); não são palavras humanas, pois são a revelação do espírito de Deus e dão a vida eterna; por isso têm de ser acolhidas com fé, com a fé, humilde e firme, de Pedro (v. 69). As palavras de Jesus são espírito, mas de modo nenhum isto significa que são palavras para serem entendidas num sentido espiritual e figurado (como pensam muitos protestantes); elas não são palavras humanas, se o fossem, é que haveria razão para o escândalo.

69. «O Santo de Deus»: este título, apesar das variantes textuais (na Vulgata aparece Christus Filius Dei, por influência da confissão de Pedro em Mt 16, 16) está mais bem documentado. Não aparece nunca como título messiânico, a não ser na boca dos demónios (Mc 1,24; Lc 4,34); «sendo o Santo de Deus, Jesus não pertence à esfera terrestre, mas à ultra-terrena, ao mundo do divino, e encontra-se com Deus numa relação que nenhum outro ser tem, porque Deus o santificou e o enviou ao mundo (10, 16), por isso Ele, e só Ele, pode dar a vida eterna» (A. Wikenhauser). Segundo J. Ratzinger, estas palavras, o Santo de Deus, «recordam-nos também o embaraço de Pedro ao ver-se na proximidade do Santo depois da pesca milagrosa, que lhe faz experimentar, de modo dramático, a miséria do seu ser pecador» (Jesus de Nazaré, cap. IX).

 

Sugestões para a homilia

 

1) Estas palavras são duras

2) Tu tens palavras de vida eterna

3) Queremos servir ao Senhor

 

 

1) Estas palavras são duras

 

Jesus deixou bem clara a Sua doutrina sobre a Eucaristia. Ele vai dar a Sua carne como comida, como alimento de vida eterna.

Muitos, apesar de terem visto os milagres, apesar de terem comido na multiplicação dos pães e dos peixes, agora não querem acreditar no que Ele diz. Acham que as Suas palavras são duras, incompreensíveis.

Jesus podia ter recuado dizendo: outro dia voltamos a falar deste assunto. Em vez disso vira-se para os doze e pergunta-lhes: também quereis ir-vos embora?

Também nós podemos algumas vezes sentir dificuldade em aceitar alguma das verdades da fé. E

havemos de reagir pedindo ao Senhor que nos aumente a fé. Ninguém pode vir a Mim se não for concedido por meu Pai (Ev,). A fé é um dom de Deus que temos de agradecer e pedir. Não podemos fiar-nos apenas em nossas forças e muito menos na capacidade da nossa inteligência. Exige humildade, o reconhecimento da nossa pequenez e da grandeza infinita de Deus e dos Seus mistérios.

 

2) Tu tens palavras de vida eterna

 

 É muito bonita a resposta de S.Pedro: Senhor só tens palavras de vida eterna e nós acreditamos.

Só Cristo tem palavras de vida eterna. Ele veio revelar-nos os mistérios de Deus. Acreditamos na Sua Palavra, nos Seus ensinamentos, dispostos a dar a vida pela nossa fé, como tantos mártires ao longo dos séculos.

É Cristo que dá sentido à vida do homem e mais ninguém. Hoje um novo paganismo está a invadir a sociedade. Voltamos ao ambiente da antiga Roma. O povo pedia pão e jogos-diziam os historiadores.

A imoralidade espalhava-se sobretudo nos sectores mais influentes. Eram frequentes os divórcios. Na Carta aos Romanos S.Paulo aponta também os pecados da homossexualidade, hoje defendidos por muitos como algo natural.

Os primeiros cristãos surgiram desses ambientes e viveram corajosamente a sua fé sem terem medo das reações em contrário. Evitavam os espectáculos imorais, davam exemplo de pureza e amizade, como Jesus lhes tinha ensinado. E eram muitos os que se convertiam perante o testemunho dos discípulos de Cristo. Vede como eles se amam-exclamavam, com testemunha um escritor do sec.II.

Impressionava-os a coragem e a alegria de muitos mártires. E o mundo de então foi-se transformando. E formou-se uma civilização cristã.

É preciso hoje reevangelizar a Europa. Foi esse o pregão de S.João Paulo II em Santiago de Compostela, em Novembro de 1982:

“Falo aos Representantes de organizações nascidas para a cooperação europeia, e aos Irmãos no Episcopado das diversas Igrejas locais da Europa... A vida civil encontra-se marcada pelas consequências de ideologias secularizadas, que vão desde a negação de Deus ou a limitação da liberdade religiosa até à preponderante importância atribuída ao êxito económico em relação aos valores humanos do trabalho e da produção; desde o materialismo e o hedonismo, que atacam os valores da família unida, os valores da vida recém-concebida e a tutela moral da juventude até a um "niilismo" que desarma a vontade de afrontar problemas cruciais como os dos novos pobres, emigrantes, minorias étnicas e religiosas, justo uso dos meios de informação, enquanto arma as mãos do terrorismo...

 Por isso, eu, João Paulo, filho da Nação Polaca, que se tem considerado sempre europeia, pelas suas origens, tradições, cultura e relações vitais... Eu, Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal, de Santiago, te lanço, velha Europa, um grito cheio de amor: Volta a encontrar-te. Sê tu mesma. Descobre as tuas origens. Reaviva as tuas raízes. Revive aqueles valores autênticos que tornaram gloriosa a tua história e benéfica a tua presença noutros continentes. Reconstrói a tua unidade espiritual, num clima de pleno respeito por outras religiões e pelas genuínas liberdades. Dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Não te orgulhes pelas tuas conquistas até esquecer as suas possíveis consequências negativas. Não te deprimas pela perda quantitativa da tua grandeza no mundo ou pelas crises sociais e culturais que te afectam agora. Tu ainda podes ser o farol de civilização e estímulo de progresso para o mundo. Os outros continentes olham para ti e esperam também de ti a mesma resposta que São Tiago deu a Cristo: "Eu posso"” (Discurso em Santiago de Compostela 1982).

Temos todos de trabalhar para levar Cristo a todos os recantos da Europa e do mundo. Só Ele tem palavras de vida eterna. S.João Paulo II deu-nos exemplo deste empenho que não se poupava a sacrifícios. O mesmo faz o Papa Francisco, com a sua palavra e ações.

 

3) Queremos servir ao Senhor

 

Os israelitas tinham conquistado a terra prometida. Josué reúne o povo e diz-lhes se querem continuara a servir ao Deus que os tirou do Egipto ou se preferem seguir os costumes dos povos pagãos que habitavam naquelas terras. É bonito ver a exclamação do povo: nós queremos servir ao Senhor.

 Também nós temos de renovar muitas vezes o compromisso de amar a Deus e cumprir os Seus mandamentos. Temos muitas solicitações à nossa volta a tentar desviar-nos do caminho, a prometer-nos uma vida mais fácil ou mais feliz longe de Jesus.

Temos de reagir, renovando o nosso desejo de amar a Deus, de seguir a Jesus, de O levar a todos os que nos rodeiam. Só Ele tem palavras de vida eterna e nós acreditamos nEle e por essa fé queremos orientar toda a nossa vida.

Em particular no campo da família, que é a célula da sociedade. Na Carta aos Efésios S.Paulo falava da vida em casal que tem por modelo o amor entre Cristo e a Igreja. O matrimónio é um grande sacramento. O Senhor não falta com a Sua graça para fazer da vida matrimonial caminho de santidade e de felicidade.

Que a Virgem nos ensine a viver com alegria a nossa entrega ao Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada um de nós pode questionar-se: quem é Jesus para mim? É um nome, uma ideia, só um personagem histórico?

Ou é verdadeiramente aquela pessoa que me ama, que deu a sua vida por mim e caminha comigo? »

Conclui-se hoje a leitura do capítulo seis do Evangelho de João, com o discurso sobre o «Pão da vida», pronunciado por Jesus no dia seguinte ao milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. No final daquele discurso, o grande entusiasmo do dia anterior apagou-se, porque Jesus tinha afirmado ser Pão descido do céu, e que teria dado a sua carne como alimento e o seu sangue como bebida, aludindo assim claramente ao sacrifício da sua própria vida. Aquelas palavras suscitaram desilusão nas pessoas, que as julgaram indignas do Messias, não «vencedoras». Portanto, alguns olhavam para Jesus: como um Messias que devia falar e agir de forma que a sua missão tivesse sucesso, imediatamente. Mas precisamente sobre isso eles enganavam-se: acerca do modo de conceber a missão do Messias! Nem sequer os discípulos conseguem aceitar aquela linguagem inquietante do Mestre. E o trecho de hoje refere as suas apreensões: «Isto é muito duro! — diziam — Quem o pode admitir?» (Jo 6, 60).

Na realidade, eles compreenderam bem o discurso de Jesus. Tão bem que não queriam ouvi-lo, porque é um discurso que põe em crise a sua mentalidade. As palavras de Jesus sempre nos põem em crise, por exemplo diante do espírito do mundo, da mundanidade. Mas Jesus oferece a chave para superar as dificuldades: uma chave composta por três elementos. Primeiro, a sua origem divina: Ele desceu do céu e subirá «para onde estava antes» (v. 62). Segundo: as suas palavras só podem ser compreendidas através da acção do Espírito Santo, Aquele «que dá a vida» (v. 63) é precisamente o Espírito Santo que nos faz entender bem Jesus. Terceiro: a verdadeira causa da incompreensão das suas palavras é a falta de fé: «Mas há alguns entre vós que não crêem» (v. 64), diz Jesus. Com efeito, desde então, está escrito no Evangelho, «muitos dos seus discípulos se retiraram e voltaram atrás» (v. 66). Perante estas deserções, Jesus não faz concessões e não atenua as suas palavras, aliás obriga a fazer uma escolha específica: estar com Ele ou separar-se d’Ele, e diz aos Doze: «Quereis vós também retirar-vos?» (v. 67).

A este ponto Pedro faz a sua confissão de fé em nome dos outros Apóstolos: «Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna» (v. 68). Não diz «para onde iremos?», mas «para quem iremos?». O problema fundamental não é ir e abandonar a obra empreendida, mas é para quem ir. A partir desta interrogação de Pedro, compreendemos que a fidelidade a Deus é questão de fidelidade a uma pessoa, com o qual nos unimos para caminhar juntos pela mesma estrada. E esta pessoa é Jesus. Tudo o que temos no mundo não sacia a nossa fome de infinito. Precisamos de Jesus, de estar com Ele, de alimentarmo-nos à sua mesa, com as suas palavras de vida eterna! Acreditar em Jesus significa torná-lo centro, o sentido da nossa vida. Cristo não é um elemento acessório: é o «pão vivo», o alimento indispensável. Unir-se a Ele, numa verdadeira relação de fé e de amor, não significa estar acorrentado, mas profundamente livre, sempre a caminho. Cada um de nós pode questionar-se: quem é Jesus para mim? É um nome, uma ideia, só um personagem histórico? Ou é verdadeiramente aquela pessoa que me ama, que deu a sua vida por mim e caminha comigo? Para ti, quem é Jesus? Estás com Jesus? Procuras conhecê-lo mediante a sua palavra? Lês o Evangelho, todos os dias um trecho do Evangelho para conhecer Jesus? Tens contigo um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para o ler, em todos os lugares? Por que quanto mais estivermos com Ele tanto mais crescerá o desejo de permanecer com Ele. Agora peço-vos gentilmente, façamos um momento de silêncio e cada um de nós em silêncio, no seu coração, pergunte a si mesmo: «Quem é Jesus para mim?». Em silêncio, cada um responda no seu coração.

A Virgem Maria nos ajude a «ir» sempre ter com Jesus para experimentar a liberdade que Ele nos oferece, e que nos permita limpar as nossa escolhas das incrustações mundanas e dos medos.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 23 de Agosto de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos ao Senhor os nossos pedidos por nós, por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos:

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

1-Pelo Santo Padre Francisco -para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza, para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

2-Pelos bispos e sacerdotes -para que preguem com valentia o Evangelho e nos animem a cumprir fielmente os mandamentos de Deus, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

3-Por todos os cristãos -para que renovem a sua fé e o seu amor a Jesus, com obras e em verdade, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

4-Pelos irmãos separados -para que Deus lhes dê luz abundante na busca da unidade numa só Igreja e com um só pastor, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

5-Por todos os homens afastados de Deus -para que conheçam e sigam a Jesus Salvador, o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

6-Por todas as famílias para que renovem o seu amor, eduquem na fé os seus filhos e façam do seu matrimónio caminho de santidade, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer melhor as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo amou a Igreja, J. Santos, NRMS 71-72

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Rito da paz

Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos os nossos irmãos.

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos ao Espírito Santo nos ensine a tratar bem a Jesus que agora vem a nós.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Salmo 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

 

Ou

Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do teu Amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Guiados pela fé e animados pela graça de Jesus, vamos daqui com o desejo de renovar o mundo à nossa volta.

 

Cântico final: Uma certeza nos guia, M. Carneiro, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-VIII: Oração de intercessão.

2 Tes 1, 1-5. 11-12 / Mt 23, 15-22

Cegos! Então que vale mais, a oferenda ou o altar, que tornou sagrada a oferenda?

Os fariseus davam mais importância às práticas exteriores do que às interiores (Ev.). Pelo contrário, S. Paulo confia muito no valor da oração: «Que Ele faça, com o seu poder, que se realizem plenamente todos os vossos bons propósitos» (Leit.).

Para aqueles que querem servir o próximo é importante a oração: «interceder, pedir o favor de outrem, é próprio dum coração conforme com a misericórdia de Deus. Na intercessão, aquele que ora não olha aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros, e chega até a rezar pelos que lhe fazem mal» (CIC, 2635).

 

3ª Feira, 28-VIII: Os limpos de coração.

2 Tes 2, 1-3. 13-16 / Mt 23, 23-26

Fariseu cego! Purifica primeiro o interior do copo e do prato, para o exterior ficar limpo também.

Os fariseus dedicavam mais atenção às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (Ev.).

Esta limpeza é muito importante para os nossos encontros com o Senhor, especialmente na Eucaristia: «Os fiéis podem esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximarem dignamente da Comunhão sacramental» (J. Paulo II). Também é preciso fazer uma limpeza de tudo o que não está acordo com o Evangelho: «permanecei firmes e prendei-vos ao que vos foi transmitido» (Leit.).

 

4ª Feira, 29-VIII: Martírio de S. João Baptista.

Jer 1,  17-19 / Mc 6, 17-29

O guarda foi decapitá-lo na cadeia, trouxe num prato a cabeça dele e entregou-a à jovem.

«João Baptista, precedendo Jesus 'com o espírito e o poder de Elias', dá testemunho dEle pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio» (CIC, 523).

Na sua pregação, nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou o Senhor: «Não tremas diante daqueles a quem te envio» (Leit.). Orientou a pregação para a conversão, que continua a ser muito actual. Ao recordarmos o seu martírio aproveitemos os nossos 'martírios' diários para nos santificarmos. 

 

5ª Feira, 30-VIII:  Atitude vigilante.

1 Cor  1, 1-9 / Mt 24, 42-51

Ele é que vos tornará firmes até ao fim, irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Este é o apelo que faz S. Paulo aos fiéis de Corinto, para que estejam vigilantes, irrepreensíveis até ao fim (Leit.).

Estaremos vigilantes se nos esforçarmos por melhorar a nossa própria vida: pondo mais empenho na nossa oração pessoal; no sacrifício: no cuidado das coisas pequenas do dia (cf. Ev do servo fiel e prudente, que cuida de tudo). E procurando também melhorar a vida da sociedade em que estamos integrados: vivendo melhor a nossa profissão e a vida familiar, tornando o mundo mais justo e mais humano.

 

6ª Feira, 31-VIII: Negligência e vigilância.

1 Cor 1, 17-25 / Mt 25, 1-13

O reino dos Céus será semelhante a dez virgens que pegaram nas suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.

Para alcançarmos a vida eterna, precisamos estar vigilantes como as virgens prudentes; as insensatas forma excluídas, por se terem descuidado (Ev.).

«A vigilância opõe-se à negligência, ou falta de solicitude devida, que procede de uma falta de vontade» (S. Tomás). A vigilância está ligada ao cuidado das coisas pequenas (o azeite nas lâmpadas), e também à Cruz: «Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, força e sabedoria de Deus» (Leit.). E, os sacrifícios, por sua vez, ajudam-nos a adquirir uma vontade mais forte.

 

Sábado, 1-IX: O valor dos talentos.

1 Cor 1, 26-31 / Mt 25, 14-30

Muito bem, excelente e fiel servidor! Como foste fiel em pouca coisa, à testa de muita coisa te hei-de colocar.

O significado da parábola é bem claro: Deus entregou-nos muitos talentos: a inteligência, a capacidade de amar e fazer os outros felizes, os bens temporais, as graças sobrenaturais, etc. E espera que os saibamos aproveitar muito bem, especialmente o tempo de vida na terra.

Precisamos arranjar tempo para as coisas de Deus, da família e do trabalho E também fazermos exame sobre o tempo mal empregado em coisas inúteis: excessos de TV, uso da Net, etc. O tempo é o 'dinheiro' para comprarmos a vida eterna (J. Escrivá).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Ferreira R. Correia

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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