Ano da Eucaristia

O CORPO MÍSTICO DE CRISTO E A EUCARISTIA *

 

 

MICHAEL HULL

New York

 

A Igreja tem numerosas definições no Novo Testamento. Por exemplo, S. Pedro fala dela como o «Povo de Deus» (1 Pe 2, 9-10) e S. João como a «esposa de Cristo» (Apoc 21, 9). Mas, sem dúvida, nenhuma é mais profunda do que aquela de S. Paulo, quando descreve a Igreja como o «Corpo de Cristo» (1 Cor 12, 27; cf. Ef 1, 22-23; 4, 15-16; Col 1, 18, 24; 3, 15). O Papa Pio XII assim o declara de forma tão eloquente na sua Carta Encíclica Mystici corporis Christi: “Para definir e descrever esta verdadeira Igreja de Jesus Cristo – que é a Igreja santa, católica, apostólica e romana – não se pode encontrar nada de mais belo, nada de mais excelente, nada enfim de mais divino que aquela expressão que a designa como o ‘Corpo místico de Jesus Cristo’: expressão que provém, e como que flui, daquilo que é frequentemente exposto na Sagrada Escritura e nos escritos dos Santos Padres» (n. 13).

A definição de Igreja como o Corpo místico de Cristo é a mais apropriada, porque compreende ao mesmo tempo o que a Igreja é e o que ela faz. O Concílio Vaticano II recorda-nos na Lumen gentium, n.3, e o Papa João Paulo II repete-o na Ecclesia de Eucharistia, n. 21: «Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, ‘no qual Cristo, nossa Páscoa, foi imolado’ (1 Cor 5, 7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só Corpo em Cristo (cf. 1 Cor 10, 17)». Dito de outra maneira, o sacrifício da Missa, o sacrifício eucarístico – a expressão mais elevada do culto – é também a manifestação mais segura da Igreja como corpo eucarístico.

Por este motivo, o Decreto Presbyterorum ordinis do Vaticano II sublinha que «todos os sacramentos, como também todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão intimamente unidos à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam»; que a Eucaristia é «como a fonte e o cume de toda a evangelização»; e que «os cristãos já assinalados pelo sagrado Baptismo e pela Confirmação, são plenamente inseridos no Corpo de Cristo pela recepção da Eucaristia» (n. 5). Presbyterorum ordinis lembra-nos também que «nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da santíssima Eucaristia» (n. 6).

A necessidade de um Ano da Eucaristia faz-se sentir fortemente, a fim de promover uma maior devoção à Missa e à adoração eucarística fora da Missa. Com esta devoção, a Igreja aumenta a santidade e a unidade no seu seio e resplandece como «a luz do mundo» (Mt 5, 14; Jo 8, 12, 9, 5). Como disse João Paulo II: «Aos germes de desagregação tão enraizados na humanidade por causa do pecado, como demonstra a experiência quotidiana, contrapõe-se a força geradora de unidade do Corpo de Cristo. A Eucaristia, construindo a Igreja, cria por isso mesmo comunidade entre os homens» (EE, n. 24). A Igreja não é somente o paradigma perfeito da comunidade humana, ela é também o Corpo místico de Cristo (cf. LG, n. 1), no qual «proclamamos a morte do Senhor até que Ele venha» (1 Cor 11, 26).

 

 

 



* Videoconferência mundial organizada pela Congregação para o Clero sobre o tema O Ano da Eucaristia, em 25-II-05, tomada da página na Internet da Congregação: www.clerus.org.


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