Assunção da Virgem Santa Maria

 

Missa do Dia

15 de Agosto de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Mãe da Igreja, F. da Silva, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Toda a Igreja canta jubilosa, unindo sua voz à dos Santos e dos Anjos para louvar, agradecer e glorificar a Santíssima Trindade pelo dom maravilhoso da Santíssima Virgem Maria.

Maria sobe ao mais alto dos céus porque se fez pequena e serva. Sem nunca exibir e enaltecer as suas qualidades centrou-se exclusivamente em Deus e d’Ele viveu numa confiança heróica e numa entrega sem limites centralizada no mistério pascal de seu filho e filho de Deus.

No caminho da nossa vida, Maria, acompanha-nos levando-nos e conduzindo-nos até Deus. O desejo de Maria é que todos os seus filhos caminhem em Cristo até á glória da Vida Eterna.

Com Maria vivamos o grande encontro com Deus nesta Eucaristia e que cada eucaristia seja a síntese do que deve ser a nossa vida concreta.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A luz que irradia da Mulher ofusca todo o poder do mal que quer atuar contra a vida e contra o mistério da salvação.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: “Da tua beleza se enamora o Rei”. Maria está revestida da graça que opera nEla maravilhas. E a maior maravilha é que n’Ela se reflete Deus.

 

Refrão:     À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                ornada do ouro mais fino.

Ou:           À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cristo é a Vitória definitiva sobre o mal e sobre a morte. NEle venceremos e ressuscitaremos.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Dirigiu-se apressadamente para servir, para amar. Quem ama corre, vê mais longe, chega mais cedo. “Quem ama não cansa nem se cansa”.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

Uma Mulher maravilhosa

Cristo é o centro

Seu segredo: Amar e servir

 

Uma Mulher maravilhosa

A Mulher está bem patente no início da história da salvação. Depois de Adão e Eva terem pecado, sucumbiram na tentação de ser como Deus, aparece no mesmo início: " porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela” (Gn3,15).

Paulo fala da Mulher: “Quando chegou a plenitude dos tempos, mandou o seu Filho, nascido de mulher… para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4,4-5). E o evangelista São João coloca esta Mulher em ação nas bodas de Caná, ajudando a revelar Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Messias esperado. Depois coloca esta Mulher junto à cruz” Mulher eis aí o teu filho” e coloca a Mulher a na grande batalha contra o poder do mal.

Os concílios de Éfeso, Calcedónia, Constantinopla, Niceia, logo nos primeiros séculos e depois todos os outros com referência a Maria até ao Vaticano II, na Lumem Gentium (capitulo VIII), que diz: “ A Mãe de Deus é o tipo e figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo” (8,63). A Igreja está chamada a ser o que Maria foi na sua vida e na sua missão.

Esta Mulher admirável esta revestida de sol. Nela brilha de forma única o próprio Deus, Cristo jesus “sol de justiça”, “Sol Nascente”. Maria é a obra-prima de toda a criação (tem a lua debaixo dos pés) e na cabeça está ornada com a preciosidade do Povo da primeira aliança e o Povo da Nova aliança.

Em Lucas Ela porta esta Nova aliança e vemos o paralelo que Lucas faz com a trasladação da primeira Arca da Aliança. Maria leva em si a Nova Aliança e por isso a alegria pela presença de Deus, do Messias, do Filho de Deus: João exulta de Alegria, Isabel cantou maravilhas e Maria cantou o seu magnificat.

Estava para ser Mãe e gritava com dores e ânsias de maternidade. A maternidade de Maria é muito fecunda e se exprime no dar á luz os Filhos de Deus e, unindo-se ao seu mistério pascal de forma única, foi dada como mãe a todos os homens e mulheres, a todos os filhos de Deus.

Maria é a imagem fiel da Igreja. Esta está chamada a ser como Maria, mas entretanto também enfrenta o poder do mal que a quer destruir, mas que não conseguirá. A Igreja está chamada a viver na plenitude da glória como a descreve o apocalipse: a Esposa do Cordeiro que se apresentará bela e santa para o seu esposo.

 

Cristo é o centro

Cristo foi e é o centro da vida e missão de Maria. Foi em atenção à Incarnação do Filho de Deus que Maria foi chamada desde toda a eternidade para esta missão tão bela e grandiosa.

Cristo foi o centro da sua vida como desejo de que o Messias esperado viesse visitar o seu Povo. Como membro do Povo de Deus Maria desejava profundamente a realização dessa fundamental promessa.

Cristo foi o centro da sua vida quando em atenção aos méritos de Cristo Ela foi preservada de toda a mácula do pecado e foi revestida da graça de Deus.

Cristo foi o centro do seu Coração Imaculado que o aceitou plenamente antes de o receber em seu seio virginal.

Cristo foi o centro da sua vida quando este permaneceu no seu ventre maternal. Foi a primeira a pronunciar o seu nome. Foi a primeira a comungar com Ele de forma tão intensa. Foi a primeira a partilhar tudo com Ele. Foi a primeira a levá-lo e a contagiar os outros. Foi a primeira a beijá-lo, abraçá-lo, a primeira a contemplar seu rosto.

Cristo foi o centro da sua vida e procurou que os apóstolos e todos acolhessem a Sua palavra e agissem de acordo com a sua vontade: “fazei tudo o que Ele vos disser”. E foi o centro quando escutava a sua palavra sem procurar protagonismo e se colocar no último lugar: “Está lá fora a tua mãe”.

Cristo foi o centro da sua total entrega do qual nunca se separou até à máxima entrega junto da cruz de Seu filho.

Maria convida a cada um de nós a termos Cristo como centro da nossa vida e da nossa missão. Ela conduz sempre para Cristo, para Deus. Nada quer para si mas tudo entrega a Deus numa constante e omnipotente súplica em favor de todos.

 

Seu segredo: Amar e servir

O segredo de uma vida elevada à glória está em amar e servir pelas dimensões da fé, da esperança e da caridade. Um segredo de amar e servir, tendo Deus como centro e referência.

Maria foi sempre humilde porque sempre percebeu com sábia inteligência da fé, a humildade de Deus em Jesus Cristo que se fez homem no seu ventre e ficando sujeito e submisso numa docilidade encantadora. O céu é humilde, o céu é amor.

Maria coloca-se sempre em disponibilidade e serviço: partiu apressadamente para a montanha. Ultrapassa todas as dificuldades e vence todas as barreiras para servir. Também em Caná ela está para servir: atenta e acolhedora, compreensiva e solícita. Na cruz também está para servir, no meio de tremenda dor ainda tem forças para acolher, servir e amar homens e mulheres que crucificam seu filho. E tem forças para os gerar à sombra da Cruz e na eficácia das palavras de Jesus: “Mulher eis aí o teu filho”.

Maria serve sempre com ousadia e humildade e coloca-se sempre no lugar que melhor possa servir, sobretudo os humilhados, os pobres e os pecadores, os periféricos e os marginais. Esse lugar é o último e que ninguém quer.

 

Fala o Santo Padre

 

«A nossa existência, vista à luz de Maria elevada ao Céu, não é um perambular sem sentido, mas uma peregrinação que, apesar de todas as suas incertezas e sofrimentos, tem uma meta segura: a casa do nosso Pai, que nos espera com amor.»

Hoje a Igreja celebra uma das festividades mais importantes, dedicadas à Bem-Aventurada Virgem Maria: a solenidade da sua Assunção. No final da sua vida terrena, a Mãe de Cristo foi elevada de alma e corpo ao Céu, ou seja, à glória da vida eterna, em plena comunhão com Deus.

A página evangélica de hoje (cf. Lc 1, 39-56) apresenta-nos Maria que, imediatamente depois de ter concebido por obra do Espírito Santo, vai visitar a sua idosa parente Isabel, também ela milagrosamente à espera de um filho. Neste encontro repleto de Espírito Santo, Maria exprime a sua alegria com o cântico do Magnificat, porque adquiriu plena consciência do significado das maravilhas que se realizam na sua vida: é através dela que alcança o seu cumprimento toda a expectativa do seu povo.

Contudo, o Evangelho mostra-nos também qual é o motivo mais verdadeiro da grandeza de Maria e da sua bem-aventurança: o motivo é a fé! Com efeito, Isabel saúda-a com as seguintes palavras: «Bem-aventurada és Tu que creste, porque se hão-de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!» (Lc 1, 45). A fé é o âmago de toda a história de Maria; Ela é a crente, a grande crente! Ela sabe — e di-lo — que sobre a história pesam a violência dos prepotentes, o orgulho dos ricos, a arrogância dos soberbos. No entanto, Maria acredita e proclama que Deus não deixa sozinhos os seus filhos, humildes e pobres, mas socorre-os com misericórdia e solicitude, derrubando os poderosos dos seus tronos e dispersando os orgulhosos nas tramas dos seus corações. Esta é a fé da nossa Mãe, esta é a fé de Maria!

O Cântico de Nossa Senhora, permite-nos também intuir o sentido completo da vicissitude de Maria: se a misericórdia do Senhor é o motor da história, então não podia «conhecer a corrupção do sepulcro Aquela que gerou o Senhor da vida» (Prefácio). Tudo isto não se refere unicamente a Maria. As «maravilhas» que o Todo-Poderoso realizou nela tocam-nos profundamente, falam-nos da nossa viagem na vida, recordam-nos a meta que nos espera: a casa do Pai. A nossa existência, vista à luz de Maria elevada ao Céu, não é um perambular sem sentido, mas uma peregrinação que, apesar de todas as suas incertezas e sofrimentos, tem uma meta segura: a casa do nosso Pai, que nos espera com amor. É bom pensar nisto: nós temos um Pai que nos espera com amor, e também a nossa Mãe Maria está lá em cima e nos aguarda com amor.

Mas enquanto a vida passa, Deus faz resplandecer «para o seu povo, peregrino sobre a terra, um sinal de consolação e de esperança segura» (ibid.). Aquele sinal tem um rosto e um nome: o rosto luminoso da Mãe do Senhor, o nome abençoado de Maria, cheia de graça, bem-aventurada porque acreditou na palavra do Senhor: a grande crente! Como membros da Igreja, estamos destinados a participar na glória da nossa Mãe porque, graças a Deus, também nós cremos no sacrifício de Cristo na cruz e, mediante o Baptismo, estamos inseridos neste mistério de salvação.

Hoje oremos todos juntos a Ela a fim de que, enquanto percorremos o nosso caminho nesta terra, nos dirija o seu olhar misericordioso, ilumine a nossa vereda, nos indique a meta e, depois deste exílio, nos mostre Jesus, fruto abençoado do seu seio. E juntos digamos: ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Agosto de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Neste dia em que toda a Igreja se alegra com o triunfo de Santa Maria,

chegue até Deus, por intercessão da Virgem cheia de graça,

a nossa oração unânime,

e digamos (ou: e cantemos), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Santa Maria, Mãe de Deus, intercedei pelo mundo.

 

1. Pela Igreja que nos fez renascer em Cristo,

para que tenha a alegria de gerar sempre novos filhos

e de os ver alcançar o reino eterno,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

2. Pelos discípulos de Jesus Cristo,

para que sejam fiéis à palavra do Evangelho

e desejem, com ardor, alcançar os bens do Céu,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

3. Pelos chefes de Estado e seus governos,

para que exerçam o poder como um serviço

e não se deixem vencer pelo desânimo,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

4. Pelos que sofrem humilhações e passam fome,

para que o Senhor os encha de bens,

os conforte e lhes dê o desejo da santidade,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

5. Por todas as mães, pelos doentes e os sem abrigo,

para que encontrem em Cristo a sua esperança

e em Maria Santíssima a sua advogada,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

6. Por todos nós aqui presentes em assembleia,

para que Deus nos dê a graça da humildade,

à imitação da vida simples da Virgem Mãe,

oremos, por intercessão da Virgem Maria.

(Outras intenções).

 

Senhor, nosso Deus,

dai à Igreja a graça de imitar a Rainha do Céu,

que deu ao mundo o vosso Filho,

e de entrar um dia na glória onde Ela já se encontra,

ornada do ouro mais fino.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ditosa Virgem cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.

 

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Senhor Jesus que maravilha poder receber-Vos à semelhança da Vossa Mãe. Que o nosso amém seja como o Fiat de Maria. E que a nossa vida, na relação e comunhão convosco, seja à semelhança da vida dEla.

Obrigado por nos terdes dado esta Mãe tão maravilhosa e terna. Ela nos conduz sempre a Vós. Ela nos faz caminhar em Vós. Ela nos une sempre a Vós. Ela nos ensina a encontra-Vos em cada pessoa.

 

Cântico da Comunhão: Salvé estrela do mar, A. Cartageno, NCT 618

 

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com Cristo em nós temos de fazer como Maria: correr apressadamente ao encontro dos irmãos. Temos de nos fazer servos de todos e ir sobretudo para aqueles espaços e ambientes onde estão os últimos e os que ninguém quer.

Amar e servir é a nossa vocação e missão.

 

Cântico final: Foi um sono de luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 16-VIII: Ver tudo com os olhos de Deus.

Ez 12, 1-12 / Mt 18, 21 – 19, 1

Se meu irmão me ofender várias vezes, quantas deverei perdoar-lhe?

É quase inevitável que, no nosso dia, apareçam pequenos conflitos com as pessoas com quem nos relacionamos. O Senhor pede-nos que procuremos perdoar do íntimo do coração (Ev.), que procuremos dar bom exemplo, para que nos vejam (Leit.).

«O amor ao próximo consiste precisamente no facto de que amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem sequer conheço. Aprendo a ver aquela pessoa, já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas também segundo a perspectiva de Cristo. O seu amigo é meu amigo» (Bento XVI).

 

6ª Feira. 17-VIII: A dignidade do matrimónio.

Ez 16, 59-63 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído no princípio da criação (Ev.). Infelizmente, o ambiente continua a desfigurar esta dignidade: «O valor da indissolubilidade matrimonial é cada vez mais ignorado reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, equiparando-as aos matrimónios legítimos; não faltam tentativas para serem aceites modelos com casais, onde a diferença sexual não resulta essencial» (J. Paulo II).

Rezemos para que tudo volte à normalidade: «Pois eu é que hei-de restabelecer a minha Aliança contigo e então reconhecerás que eu sou o Senhor» (Leit.).

 

Sábado, 18-VIII: Coração novo e alma nova.

Ez 18, 1-10. 13. 30-32 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos Céus é daqueles que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é a condição para receber a Revelação de Deus e também para entrar no reino dos Céus (Ev.). Que significa tornar-se criança diante de Deus? É necessário um coração contrito e confiante, que nos faça voltar ao estado de crianças (CIC, 2785).

Além disso, precisamos converter-nos e criar uma coração novo e uma alma nova: «Convertei-vos e renunciai a todas as vossas culpas. Lançai para longe de vós todas as faltas  que praticastes e criai um coração novo e uma alma nova» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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