Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, F. da Silva, NRMS 106

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Festa da Transfiguração de Jesus é um dos milagres do Divino Mestre narrados nos evangelhos e diferente dos demais pois, neste caso, o objeto do milagre é o próprio Jesus.

O Senhor quis manifestar-se no Tabor aos três Apóstolos — Pedro, Tiago e seu irmão João —, no esplendor de Ressuscitado, testemunhas do milagre da ressurreição da filha de Jairo e futuras testemunhas da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras, para que na hora de O verem aniquilado pelo sofrimento, não vacilassem na fé.

S. Tomás de Aquino considerava a Transfiguração como o "maior dos milagres", uma vez que ele complementou a teofania do baptismo e mostrou a perfeição da vida no céu. A Transfiguração é também um dos cinco grandes marcos da vida de Jesus na narrativa dos Evangelhos.

 

Acto penitencial

 

Peçamos humildemente perdão ao Senhor, porque a nossa falta de fé nos mantém afastados d’Ele, sobretudo nos momentos em que é mais necessário dar testemunho da nossa fé.

Peçamos a Sua ajuda divina para nos convertermos de verdade, por uma séria mudança de vida.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A, com a recitação Confissão e Senhor, tende piedade de nós, ou Kyrie).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Daniel contempla, nas margens dos rios da Babilónia, uma visão da majestade de Deus que nos faz lembrar o acontecimento do Tabor.

Avivemos a nossa fé em Deus Pai todo poderoso, Criador e Senhor do Céu e da terra que nos há-de chamar à Sua glória.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial    Sl 96(97),1-2.5-6.9 e 12

 

Monição: O salmista dirige-nos um convite à alegria porque o nosso Deus é Rei e governa todas as coisas.

Este convite à alegria tem o seu ponto culminante na anunciação do Arcanjo a Nossa Senhora. Também ele A convida a alegrar-se.

 

Refrão:     O Senhor é rei,

                o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, um dos três Apóstolos presentes na Transfiguração, dá na sua carta um testemunho deste acontecimento.

Dirige-nos, depois, um convite a que reavivemos a nossa fé na divindade de Cristo.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: O testemunho dado pelo Pai, no Tabor, sobre a divindade de Cristo, deve ter assombrado o três Apóstolos que estavam ali. Na verdade, ouviu-se a voz do pai, como nas margens do Jordão: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1, 1 – 8, 29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8, 29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8, 31-33). A visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8, 31 – 9, 1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3, 21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chega-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze.

«Subiu… a um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. Mas acima das considerações topográficas o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger no «simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário» (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

«E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17, 2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7, 9; Act 1, 10; Apoc 3, 4-5; 4, 4; 7, 9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3, 23). «Moisés e Elias puderam receber a revelação de Deus no monte, eles aparecem agora, na transfiguração, a conversar com Aquele que é a Revelação de Deus em pessoa» (J. Ratzinger, ibid. p. 384).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2 Sam 22, 12; Salm 18(17), 12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, aparece sobretudo como um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13, 22; 19, 9; 24, 15-16; 33, 9; Lv 16, 2; Nm 9, 15-23; 11, 25). De acordo com Lc 9, 32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9, 29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu (a bat-qol, como garantia divina da teologia rabinica) é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8, 29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa».

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição – visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus Cristo de ontem, de hoje e de sempre

A Majestade do nosso Deus

Um vislumbre da glória do Céu

Jesus, Rei Universal

• Jesus Cristo, o Senhor da glória

Somos Suas testemunhas

Proclamamos a Sua Ressurreição

Jesus, centro da nossa vida

 

1. Jesus Cristo de ontem, de hoje e de sempre

 

a) A Majestade do nosso Deus. «Continuava eu a olhar, até que foram preparados uns tronos, e um Ancião sentou-se. Branco como a neve era o seu vestuário, e os cabelos da cabeça eram como de lã pura; o trono era feito de chamas, com rodas de fogo flamejante.»

 

b) Um vislumbre da glória do Céu. «Mil milhares o serviam, dez mil miríades lhe assistiam. O tribunal reuniu-se em sessão e foram abertos os livros.»

 

c) Jesus, Rei Universal. «vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. 14Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. »

 

2. Jesus Cristo, o Senhor da glória

 

No mistério da Transfiguração, Jesus corre, por momentos o véu que oculta a glória da Sua divindade e manifesta-Se em todo o esplendor da Sua Divindade. Tudo se reveste de simbolismo nesta acção de Jesus.

 

a) Somos Suas testemunhas. «Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles»

Jesus transfigura-Se perante três dos Seus Apóstolos que escolheu para testemunhas especiais: da ressurreição da filha de Jairo e da Agonia no Jardim das Oliveiras.

Quer prepará-los para que aguentem o impacto remendo de O verem em Agonia e não esmoreça a sua fé na divindade de Jesus.

Leva-os para o alto monte, como que a significar que não se trata de uma situação ordinária esta proximidade do Céu. «para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles» A tradição situa este acontecimento da vida de Jesus no Tabor. É um monte da Galileia, uma alta colina 17 km  a oeste do Mar da Galileia, como o topo à cota de 575 metros acima do nível do mar, muito íngreme de todos os lados — um autocarro não consegue subi-lo — de onde se pode contemplar um panorama deslumbrante em toda a volta.

Terá sido no topo deste monte que, segundo os Evangelhos do Novo Testamento da Bíblia, ocorreu a transfiguração de Jesus Cristo, sendo por isso considerado como um dos lugares místicos da Terra Santa.

 

b) Proclamamos a Sua Ressurreição. «As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear.» A vestes resplandecentes e brancas fazem com que Jesus Se manifeste com a glória da divindade, na manhã da Ressurreição e nas sucessivas aparições.

Nós seremos também revestidos desta glória — salvo as distâncias — depois da ressurreição dos mortos.

É uma verdade de fé que nos conforta, quando vemos que o corpo humano se vai degradando até cair em ruínas e se desfazer na sepultura.

«Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias”. Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados.» A contemplação da beleza e Jesus deve ter deslumbrado, não só Pedro, mas também os outros dois.

«Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos

Jesus recomenda silêncio por uma elementar prudência. Havia uma ideia falsa sobre a missão do Messias. Queriam fazer d’Ele um político e um guerreiro que viesse restaurar o poder e a glória de Israel, do Povo Escolhido. Se o povo tivesse conhecimento desta manifestação e a interpretasse ao seu modo, fariam, provavelmente uma revolução que atrairia a vingança dos romanos sobre eles, como veio a acontecer nos anos setenta da era cristã.

Não devemos falar das consolações que alguma vez Deus se digne conceder-nos, para não desorientar as pessoas, pensando que nisto consiste a santidade.

De resto, quando uma pessoa apregoa a propósito e despropósito que revê esta ou aquela “aparição” ou “revelação”, esse é o sinal infalível de que não é verdade. Os santos que receberam estas manifestações tinham uma grande relutância em falar delas, como se isso fosse uma vergonha para eles.

 

c) Jesus, centro da nossa vida. «Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus.» Moisés representa os Patriarcas, e Elias, os profetas de todo o Antigo Testamento. Jesus é o verdadeiro Messias, enviado pelo Pai, que estes homens de Deus não se cansaram de anunciar.

«Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”.»

Dá-se aqui uma teofania — manifestação esplendorosa de Deus — semelhante à que aconteceu quando Jesus saía das águas, no rio Jordão, depois do Baptismo.

Ao recomendar-nos que escutemos Jesus, o Pai proclama-O o Seu porta-voz oficial. O Mestre é a palavra do pai e diz-nos tudo e só o que o Pai nos quer revelar. Ele é a última e definitiva Palavra do Pai que nos ensina a viver como bons filhos de Deus e nos guia até ao Céu.

Jesus Cristo continua a falar-nos — não verdades novas, mas as de sempre — na Sua Igreja. A Sua doutrina é imutável e o Santo Padre tem o carisma que lhe dá o Espírito Santo, para ser infalível em matéria de fé e de costumes. Os Mandamentos serão exactamente os mesmos até À consumação dos séculos.

Chama-nos a uma vida ordinária. «De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles.» Há momentos na vida em que tudo nos parece mais fácil. Vemos com clareza o nosso papel na vida e sentimo-nos felizes por sermos cristãos e amigos de Deus.

Mas isto não é o habitual na nossa vida. Agradeçamos estes momentos de consolação e especial fortaleza na fé, mas não fiquemos tristes quando estes momentos derem lugar à prosa de cada dia. Nós não trabalhamos por entusiasmo dos sentidos, mas por Amor.

O mesmo Senhor que Se transfigurou no Tabor vai tornar-Se presente nesta Celebração da Eucaristia, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

É como que uma Transfiguração no silêncio que pede a fortaleza da nossa fé, para nos comportarmos como se O víssemos.

Ele Se nos oferece como Alimento, para transfigurar as nossas vidas e um dia podermos participar na Sua glória.

Maria Santíssima, sempre presente em cada Missa, ajudar-nos-á a esta transfiguração diário em Seu Divino Filho e nosso Irmão.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Transportemo-nos em espírito ao Monte do Tabor

onde Jesus Se transfigurou diante de três Apóstolos

revelando-nos o esplendor da Sua divindade,

e peçamos-Lhe a graça de crescermos na fé e no Amor.

Oremos (cantando), cheios de alegria:

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos e Presbíteros em comunhão com ele,

    para que nos confirme e dirija na fé em Jesus Cristo e na Sua Igreja,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

2. Por todas as famílias da nossa comunidade paroquial e seus membros,

    para que dêem o bom testemunho de lares luminosos alegres e fecundos,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

3. Pelos irmãos que sofrem dúvidas ou hesitações na sua caminhada na fé,

    para que a luz da Transfiguração de Jesus os conforte, ilumine e fortaleça,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

4. Pelos que sofrem doenças físicas ou dores morais e não têm esperança,

    para que o Senhor Jesus os conforte e encha de alegria verdadeira, paz,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

5. Pelas pessoas que sofrem doenças incuráveis ou estão em agonia final,

    para que a certeza da fé no Céu e na ressurreição final as encha de paz,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

6. Pelos nossos familiares e amigos que partiram desde há um ano para cá,

    para que o Senhor misericordioso os acolha na Sua mansão do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a alegria da fé!

 

 Ouvi, Senhor, as nossas súplicas que hoje Vos dirigimos

e envolvei-nos com a luz santíssima da Transfiguração

que aos Apóstolos foi dado ver brilhar no Tabor,

para escutarmos a voz do vosso muito amado Filho,

imagem e esplendor da vossa infinita glória.

Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O entusiasmo de Pedro diante do mistério de Cristo transfigurado levou-o a pedir para ficar ali, sem casa nem outro meio de subsistência.

Jesus Cristo, Sabedoria infinita, procurou que tivéssemos nesta vida duas coisas indispensáveis: a luz que acabamos de receber na Liturgia da Palavra e o Alimento da Eucaristia que Ele mesmo preparar agora, pelo ministério do sacerdote.

 

Cântico do ofertório: bom Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A verdadeira paz neste mundo está na vida íntima com Jesus Cristo, enquanto caminhamos nesta terra.

Tudo o mais – armas, negociações, etc. – acaba por falhar, se lhe faltar isto. Procuremos a verdadeira paz que só Deus nos pode dar.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Vamos receber na Sagrada Comunhão o mesmo Jesus que Se transfigurou no Tabor, perante os olhos deslumbrados dos três Apóstolos.

Peçamos ao Espírito Santo que avive a nossa fé e incendeie o nosso Amor, para que recebamos o Corpo e Sangue do Senhor como ele deseja ser recebido.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Cristo Rei, M. Carneiro, NRMS 92

 

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que a festa da Transfiguração do Senhor nos ajude a recordar constantemente que vamos a caminho da glorificação no Céu.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

3ª Feira, 7-VIII: Ajuda de Deus nos momentos difíceis.

Jer 30, 1-2. 12-15. 18-22 / Mt 14, 22-36.

Pedro lançou um grito: Salva-me, Senhor.

Quando as coisas se nos apresentam difíceis e parece que não há solução, não nos esqueçamos de nos dirigirmos ao Senhor e pedir-lhe a sua ajuda. O profeta Jeremias passou por maus momentos, mas o Senhor teve compaixão do seu povo (Leit.). Pedro, quando estava afogar-se, pediu também ajuda(Ev.).

 Recorramos ao Senhor nas coisas pequenas e correntes de cada dia, e Ele estenderá a sua mão para nos ajudar a superar os perigos e as tribulações. E não esqueçamos que Ele põe ao nosso lado o nosso Anjo da Guarda para nos proteger.

 

4ª Feira, 8-VIII: Qualidades da boa oração.

Jer 31, 1-7 /Mt 15, 21-28

A mulher cananeia: Tem compaixão de mim, Senhor, Filho de David.

O Senhor manifestou o seu desejo de unir todas as famílias de Israel: «Nesse tempo, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas hão-de formar o meu Povo» (Leit.)

Quando aparece a mulher cananeia a pedir-lhe ajuda, Jesus diz-lhe que deve ir primeiro ao seu povo. Dada a insistência da mulher, concede-lhe o milagre da cura de sua filha. Foi a humildade, e também a fé, que impressionaram Jesus. Assim deve ser a nossa oração: pedir, insistir, até que o Senhor nos atenda.

 

5ª feira, 9-VIII: S. Teresa Benedita da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os 2, 16, 21-22 / Mt 25, 1-13

À meia noite ouviu-se um brado: Aí vem o esposo: saí-lhe ao encontro.

Celebramos a festa de Sta. Teresa B. da Cruz, uma das três padroeiras da Europa. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com Cristo, enchendo de azeite (a graça de Deus) a lâmpada da sua vida, que culminou no martírio.

A Europa precisará sempre do testemunho de cada um dos seus filhos. Há uma maneira desleixada, aburguesada, de percorrer os caminhos de Deus (das virgens insensatas), e uma maneira heróica (das virgens prudentes), que consiste em viver com fidelidade as coisas pequenas, feitas com muito amor a Deus e ao próximo.

 

6ª Feira, 10-VIII: S. Lourenço: A fecundidade do sofrimento.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra, e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dará muito fruto.

S. Lourenço, diácono do papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois do próprio Papa. Deu-nos um exemplo de fidelidade à Igreja (Oração).

Graças ao seu martírio, e ao de tantos outros, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro, pois «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit.). Participemos também nesta sementeira, oferecendo as nossas contrariedades de cada dia, as renúncias necessárias para cumprirmos os nossos deveres, etc., que constituem o nosso «grão de trigo» (Ev.), que dará abundantes frutos, só conhecidos no Céu.

 

Sábado, 11-VIII: O Senhor cumpre sempre as suas promessas.

Hab 1, 1-12- 2, 4 / Mt  17, 14-20

Se tiverdes fé como um grão de mostarda, nada vos será impossível.

Os discípulos não puderam curar um rapaz epiléptico, porque, como disse o Senhor, foi por causa da sua pouca fé (Ev.), Como eles disseram noutra ocasião a Jesus: 'Aumenta-nos a fé', o mesmo devemos nós fazer quando pedimos alguma coisa.

Mesmo que passe muito tempo, apresentemos ao Senhor a nossa queixa e aguardemos: «Alerta para ver como irá responder à minha queixa!» (Leit.) O Senhor não deixará de cumprir a sua promessa: «Se tardar em cumprir-se, deves guardá-la, pois há-de realizar-se a seu tempo... o justo viverá pela sua fidelidade» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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