ACONTECIMENTOS ECLESIAIS

 

 

RECORTE

 

 

O CASO ALFIE EVANS

 

 

 

O Hospital pediátrico “Bambino Gesù”, de Roma, desde há muito tempo disponibilizou-se para receber o bebé inglês Alfie Evans, e cuidar dele até à sua morte natural.

Neste sentido, a agência Vatican News entrevistou no dia 19 de Abril a presidente do Hospital, a doutora Mariella Enoc.

 

 

Presidente Enoc, o que está a fazer o “Bambino Gesù” no caso Alfie?

– É importante notar que estamos a trabalhar desde Julho do ano passado. Em Setembro, os nossos médicos foram até lá e repetimos continuamente a disponibilidade do hospital. Ontem estive com o pai de Alfie, Thomas, e pude constatar realmente uma grande determinação em fazer viver o filho deles. Então, falei com os nossos médicos e escrevi duas cartas. Uma carta dirigida ao pai, na qual exprimo o nosso desejo de uma estreita colaboração com os médicos do hospital inglês, em relação aos quais existe, por parte de todos os nossos colegas, uma grande estima. Mas pedimos para fazer um acordo em conjunto, para podermos continuar pelo menos um percurso diagnóstico, onde naturalmente tudo será compartilhado, enquanto mantemos vivo o menino. Os nossos médicos fizeram uma nota de aprofundamento – em relação à primeira que tinham feito em Setembro –, onde reafirmam o desejo de cuidar do menino, compartilhando sempre tudo com os colegas ingleses, e onde explicam que nós cuidamos muitíssimas crianças e, portanto, não podemos negar que existe um risco mínimo, mas isso aplica-se a todas as crianças... Também podemos ajudar no transporte aéreo. Portanto, está tudo, naturalmente, a cargo do Hospital Bambino Gesù, não de mais ninguém. Sobre isto, fiz um acordo com os médicos, com o hospital e com as autoridades inglesas. Manifestei também a minha disponibilidade e a de alguns dos meus colaboradores, se for necessário, para irmos a Liverpool dizer pessoalmente o que pensamos. 

 

Que tratamento propõe o “Bambino Gesù” para Alfie?

– Nós não propomos nenhum tratamento. Neste momento, o menino não pode ser curado, mas pode ser cuidado... e, segundo o nosso conceito, isso significa cuidar dele. Portanto, não faremos certamente encarniçamento terapêutico; os nossos médicos decidiram colocar eventualmente no menino uma PEG, para a alimentação, e uma traqueotomia para a respiração, se fosse absolutamente necessário... E naturalmente poder-se-ia aprofundar o diagnóstico. Muitas doenças desconhecidas nestes anos, mesmo rapidamente passaram a ser conhecidas e, portanto, não se pode render diante do desejo de que a ciência continue os seus percursos. Portanto, não temos neste momento um tratamento. Enquanto para Charlie Gard havia um tratamento experimental, neste caso, não; também porque a doença ainda não foi diagnosticada com precisão.

 

Na sua opinião, há esperança para esta transferência?

– Não sei, porque, obviamente, a nossa não é uma posição de quem quer ser melhor do que o outro. Porém, sabemos que nunca desistimos e depois, quando se vê que o menino não supera, então é acompanhado, lentamente, até à sua morte natural.

 

A doutora teve oportunidade de falar com o Papa?

– Não, ontem o Papa pediu que me telefonassem da Secretaria de Estado; portanto, falei com o Secretário de Estado e com o Substituto, com os quais mantive contacto também pelas duas cartas que enviara. O Santo Padre fez-me saber que queria que fizesse o possível e o impossível – disse-me ele – para que o menino venha para o Bambino Gesù. Isto é o que o Papa me fez saber, logo depois da conversa com Thomas. E, portanto, era o que estávamos a fazer... Digamos que ontem procurei fazê-lo do modo mais activo possível. O que eu podia fazer era escrever as duas cartas e depois oferecer a nossa disponibilidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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