ACONTECIMENTOS ECLESIAIS

 

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

RUY DE CARVALHO,

PRÉMIO ÁRVORE DA VIDA

 

O actor Ruy de Carvalho foi distinguido com a edição de 2018 do “Prémio Árvore da Vida―Padre Manuel Antunes”, atribuído anualmente pela Igreja Católica para destacar um percurso ou obra que reflicta o humanismo e a experiência cristã.

 

A decisão foi anunciada no passado dia 11 de Abril pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

A acta do júri realça o percurso do actor e declamador, de 91 anos, elogiando o seu “sentido exemplar da seriedade profissional” e as “implicações culturais da sua presença no espaço público, daí decorrendo a empatia e a influência positiva exercida na sociedade”.

“A consciência dos poderes do teatro, do cinema e da televisão encontrou sempre em Ruy de Carvalho uma resposta indutora da elevação humana – numa carreira sintomaticamente iniciada em 1942 com O Jogo para o Natal de Cristo e sempre coerente com o humanismo cristão que inspira a sua visão da vida”, pode ler-se na deliberação.

Do júri fizeram parte D. João Lavrador, bispo dos Açores e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; o padre Américo Aguiar, presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença; o padre António Trigueiros, director da revista “Brotéria”; Maria Teresa Dias Furtado, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Guilherme d’Oliveira Martins, administrador-executivo da Fundação Calouste Gulbenkian; e José Carlos Seabra Pereira, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O júri decidiu, por unanimidade, atribuir a edição de 2018 do “Prémio Árvore da Vida―Padre Manuel Antunes” a Ruy de Carvalho, actor e declamador “com cimeira representatividade nos palcos e nos ecrãs há mais de sete décadas, e como tal distinguido com inúmeros galardões e com altas condecorações do Estado português”.

A sessão de entrega da distinção vai decorrer a 2 de Junho, em Fátima, integrada no programa da 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura.

“Há meio século que a mesma energia interpretativa e comunicativa de Ruy de Carvalho se manifesta no teatro radiofónico e nas telenovelas e séries televisivas, completando uma lição de fecunda longevidade ao serviço do enriquecimento lúdico-cultural de sucessivas gerações de cidadãos portugueses”, sustenta a nota.

Em 2006, numa entrevista à Agência ECCLESIA, Ruy de Carvalho falou da sua admiração pela figura de São Francisco de Assis e apresentou-se como “um homem de fé e de esperança” e um “cristão da Ressurreição”.

“Nunca abdiquei dos meus princípios cristãos”, disse então.

A 1 de Março de 2017, aquando do 90.º aniversário natalício do actor, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou Ruy de Carvalho com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

O “Prémio Árvore da Vida―Padre Manuel Antunes”, composto pela escultura “Árvore da Vida”, de Alberto Carneiro, e um montante de 2500 euros, foi instituído em 2005 pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, contando desde então com o patrocínio do grupo Renascença Comunicação Multimédia.

 

 

AÇORES

 

CONFERÊNCIA POR

NOVO NÚNCIO PORTUGUÊS

 

Na passada noite de 11 de Abril, D. José Avelino Bettencourt proferiu uma conferência sobre a história e as características da representação diplomática da Santa Sé no mundo.

 

Novo Núncio apostólico na Geórgia e na Arménia, D. José Avelino Bettencourt, falava numa sessão que decorreu na biblioteca da Escola Antero de Quental, em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, promovida pela Associação de Antigos Alunos.

O novo representante diplomático da Santa Sé, o primeiro de origem açoriana e o segundo português na história da Igreja, é natural da ilha de São Jorge (Açores), e está de passagem pelo arquipélago, onde visitará três ilhas: São Miguel, Terceira e São Jorge, onde habitualmente passa férias e onde se encontram as suas raízes familiares mais directas.

O sacerdote que foi ordenado bispo no passado dia 19 de Março, na Basílica de São Pedro, pelo Papa Francisco, proferiu uma conferência sobre a história da diplomacia da Santa Sé ao longo dos tempos, começando por recordar que desde o século IV há legados pontifícios e que esta representação diplomática tem sempre como matriz a defesa da dignidade humana.

“A diplomacia da Santa Sé é a busca sincera de pontes e de diálogo e, sendo uma diplomacia ao serviço da humanidade e do homem, esforça-se por escutar e disponibiliza-se para ajudar” – disse D. José Bettencourt.

“Contribuímos de modo religioso; também podemos dar conselhos políticos, mas falamos com o coração procurando imitar Deus na sua paciência, com coragem e magnanimidade, cientes de que poderemos seguir em frente.

“É conhecida a influência da Santa Sé”, disse, recordando que o Núncio apostólico é o decano do corpo diplomático e apresentou mesmo vários exemplos onde os diplomatas do Vaticano são sempre decisivos, sobretudo em zona de conflitos.

“O diplomata da Santa Sé não defende um território, nem interesses militares e estratégicos, mas tem a missão de salvaguardar e defender os direitos humanos e a dignidade humana, desde logo a liberdade religiosa, que está na base de uma colaboração entre todas as pessoas, com base em princípios éticos”, frisou, destacando que a Santa Sé nunca retira um diplomata de um cenário de guerra.

“Mesmo debaixo de fogo, a Santa Sé mantém sempre o seu corpo diplomático. A diplomacia do Vaticano é a diplomacia da paciência do bem”, concluiu.

O novo Núncio apostólico na Geórgia e na Arménia, países aonde chegará no final de Maio, percorreu a história das relações diplomáticas da Santa Sé e reflectiu sobre a evolução do papel destes representantes do Papa, que começaram por ser legados pontifícios e hoje estão distribuídos, com estruturas fixas, por 185 estados de um total de 193 nações acreditadas junto da ONU.

“O representante pontifício é diplomata junto de quem? Junto da Igreja local e se possível junto das autoridades governamentais”, disse o arcebispo, recordando que uma das principais funções do Núncio é estabelecer pontes entre o Vaticano e a Igreja local, informando o Papa, com rigor e clareza.

Actualmente existem 106 núncios; muitos deles exercem a função em mais do que um país. D. José Bettencourt será um deles.

D. José Avelino Bettencourt, diplomata de carreira da Santa Sé, é natural dos Açores, tendo acompanhado a sua família que emigrou para o Canadá, onde foi ordenado padre em 1993, fazendo parte do presbitério de Otava.

O sacerdote frequentou a Academia Eclesiástica em Roma, tendo-se formado em Direito Canónico, e entrou no serviço diplomático da Santa Sé em 1999.

Depois de ter trabalhado na representação diplomática da Santa Sé na República Democrática do Congo, D. José Bettencourt passou à Secção para as relações com os Estados, do Vaticano.

Em 2013, D. José Bettencourt foi condecorado pelo presidente Aníbal Cavaco Silva com a Comenda da Ordem Militar de Cristo; é cónego honorário da Sé de Angra (Açores) desde Março de 2015.

 

 

LISBOA

 

D. MANUEL LINDA

E A PASTORAL DE CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO

 

Numa entrevista à Agência Ecclesia, no passado dia 12 de Abril, D. Manuel Linda, novo Bispo para o Porto, afirmou a respeito da pastoral com divorciados recasados que “não há oposição entre os bispos em Portugal”: “o que o Papa refere numa alínea é uma possibilidade, não quer dizer que todos os casais lá cheguem”.

 

Agência Ecclesia – Um outro tema que decorre do pontificado do Papa Francisco é a família. De que forma se vão dar passos, nomeadamente no acolhimento, integração e acompanhamento dos casais em segunda união?

D. Manuel Linda – Não vai ser por decreto do bispo. Será por um trabalho sinodal, de todos, incluindo as famílias, e daqueles que têm a missão de trabalhar nesta pastoral. Vamos criar uma mentalidade, aquilo que Pio XII chamava uma opinião pública dentro da Igreja. Devagarinho, sem pressas e ver onde podemos chegar.

AE – Mas o objectivo é o acolhimento e a integração?

ML – O objectivo é sempre a integração de todos.

AE – Também na prática sacramental?

ML – Também na prática sacramental se tal for possível, depois de um forte discernimento. Porque há aqui um tratamento por vezes superficial. Quando o Papa refere, numa alínea, a integração na comunhão e confissão, fala numa possibilidade, não quer dizer que todos os casais lá cheguem. Mas essa possibilidade estará em aberto. Também que isto não nos ocupe todo o tempo, que nos faça esquecer toda a pastoral familiar, concretamente a preparação para o matrimónio, os primeiros anos da vida em matrimónio, que certamente – imagino, nunca fui casado – serão anos de muito sonho, mas de confronto com nova realidade. E tudo o resto, incluindo os viúvos...

AE – De uma análise a este tema nos últimos meses, na Igreja Católica em Portugal, pode dar a impressão que tínhamos ideias diferentes de como concretizar esse acolhimento e integração, a partir de propostas de bispos diocesanos. Há opiniões diferentes ou diz-se a mesma coisa de forma diferente?

ML – As duas coisas. Normalmente dizemos a mesma realidade, fiéis à mesma doutrina, e a maneira de exprimir pode ser com palavras diferentes que levem a percepções complementares. Estamos em oposição ao Papa Francisco? Ninguém está em oposição ao Papa, pelo menos que o tenha declarado publicamente em Portugal. A fazer exactamente aquilo que o Papa Francisco pede: ele despoletou um processo, que tem milhentos caminhos possíveis e nós estamos à procura dos melhores caminhos para chegar à mesma meta. O caminho da Diocese de Angra pode não ser o mesmo da Diocese Bragança-Miranda, o do Porto pode não ser o do Ordinariato Castrense. Estamos todos à procura de caminhos, mas a meta é a mesma. Não há oposição entre os bispos em Portugal. Nenhuma!

 

 

FÁTIMA

 

PRESENÇA FRANCISCANA:

OITO SÉCULOS EM PORTUGAL

 

No final da sua Assembleia Plenária, no passado dia 12 de Abril, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou o documento “Oito séculos de presença franciscana em Portugal” onde valoriza a “acção missionária, a obra cultural e a intervenção social” do carisma franciscano.

 

“Desejamos que esta celebração jubilar seja ocasião para uma tomada de consciência das sementes franciscanas que ao longo do tempo foram germinando e crescendo na alma portuguesa”, lê-se na Nota Pastoral.

Os bispos católicos portugueses consideram que o jubileu dos 800 anos é um “oportuno momento de interpelação” para os franciscanos e para a sociedade.

A partir do exemplo do fundador São Francisco de Assis, os membros da Família Franciscana devem ser também, sempre e cada vez melhor, “anúncio vivo e transparente de Jesus em palavras e obras”.

“Se assim for, o Franciscanismo tem futuro nos tempos de hoje apesar dos obstáculos da caminhada”, observa a CEP.

Para a sociedade actual, os bispos referem que São Francisco “tem igualmente uma palavra forte” pelo seu amor “à simplicidade e à pobreza”, que é convite “a um estilo de vida sóbrio e respeitador da casa comum da Criação”.

“A sua mensagem de Paz e Bem é estímulo à promoção da fraternidade universal, fundada não em vago humanitarismo social, mas na consciência agradecida de que Deus é Pai comum de toda a humanidade”, desenvolve a Nota pastoral.

Num “momento de acentuada crise de vocações”, que a vida consagrada atravessa, a CEP revela que acompanha com esperança a “situação de prova que também atinge a Família Franciscana”.

Na Nota Pastoral é recordado que o carisma de Assis é uma “árvore frondosa de numerosos ramos”, que chegou a Portugal em 1217 e se estabeleceram em Alenquer e Guimarães.

“Não sendo franciscana a pia baptismal do novel Reino de Portugal, o cunho franciscano cedo impregnou muito do Cristianismo português na vivência da piedade cristológica e mariana, sobretudo na celebração do Natal (presépio), na devoção à Paixão de (Via sacra) e no culto da Imaculada Conceição”, destacam.

Na sua Nota, distinguem também a acção missionária, a obra cultural e a intervenção social dos diversos ramos Franciscanos, padres e frades, religiosos e leigos.

 

 

FÁTIMA

 

RECONHECIDAS AS VIRTUDES HERÓICAS

DO CÓN. MANUEL FORMIGÃO

 

No passado sábado 14 de Abril, o Papa aprovou – entre outros – a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” do cónego Manuel Formigão, conhecido por “Apóstolo de Fátima”, figura central na investigação e divulgação das aparições na Cova da Iria.

 

Este é um passo central no processo que leva à proclamação de um fiel católico como Beato; agora, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão novo Venerável.

Manuel Nunes Formigão nasceu em Tomar, em 1 de Janeiro de 1883 e aos 12 anos entrou no Seminário em Santarém, onde iniciou os estudos eclesiásticos.

Terminada a sua formação, e tendo em conta a sua capacidade intelectual e grande vida de piedade, foi enviado para Roma, onde obteve o grau académico de Doutor em Teologia e Direito Canónico pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

A 13 Setembro de 1917 foi pela primeira vez à Cova da Iria, como simples curioso e “profundamente céptico relativamente aos factos que se diziam ali estarem a acontecer”.

Não se aproximou do local das aparições e saiu de Fátima ainda “mais céptico, pois não presenciou nada de invulgar, apenas notando a diminuição da luz solar por altura das supostas aparições, facto a que não deu qualquer importância”.

No entanto, voltou a Fátima, em concreto a Aljustrel, no dia 27 desse mesmo mês, a fim de interrogar, em separado, os três videntes.

A este interrogatório sucederam-se outros nas semanas seguintes, nomeadamente o efectuado no dia 13 de Outubro, horas depois da última aparição e depois de ter sido testemunha, juntamente com mais de 60 mil pessoas, ao assombroso fenómeno solar, que o povo apelidou como “Milagre do Sol”.

“Sem o seu empenho, não teríamos tido uma edição crítica da documentação de Fátima. Esta foi a base sobre a qual assenta toda a nossa investigação sobre Fátima e que garante a sua credibilidade", frisou D. António Marto na cerimónia de trasladação dos restos mortais para Fátima, em 28 de Janeiro de 2017, para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores, das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima, congregação por ele fundada em 1926.

O Cón. Formigão faleceu em Fátima, a 30 de Janeiro de 1958, e no ano 2000 a Conferência Episcopal Portuguesa concedeu a anuência para a introdução da causa de beatificação e canonização do “Apóstolo de Fátim”.

 

 

PORTO

 

ENTRADA SOLENE

DO NOVO BISPO

 

No passado domingo 15 de Abril, teve lugar no Porto a entrada solene de D. Manuel Linda na diocese, com uma celebração eucarística na qual participaram autoridades civis e militares, bispos das dioceses de Portugal, sacerdotes, diáconos e largas centenas de leigos diocesanos. Curiosamente, nesta data D. Manuel Linda completava 62 anos.

 

O Núncio apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, leu publicamente a bula pontifícia de nomeação de D. Manuel Linda, na qual o Papa Francisco fala dos “comprovados dotes de inteligência e de coração” do novo Bispo do Porto, bem como da sua competência na “teologia moral e realidades pastorais”.

O pontífice evoca, nesta nomeação, a “feliz memória” de D. António Francisco dos Santos, anterior Bispo do Porto, e saúda a “caríssima comunidade eclesial” da diocese nortenha.

Na homilia do novo Bispo do Porto, destaca-se o convite que fez para uma colaboração entre a Igreja e a sociedade: “Todos reconhecemos os enormes contributos que os múltiplos sectores da sociedade podem dar para esta necessária e urgente sensatez humana” – assinalou.

Esta sensatez humana leva à salvação na acção da “comunidade crente” – disse D. Manuel Linda –, tornando os corações mais semelhantes a Cristo e humanizando as organizações e estruturas.

O novo Bispo do Porto quer trabalhar com todos para uma “fermentação evangélica que o nosso mundo anseia” – declarou D. Manuel, frisando querer trabalhar numa equipa onde não haja suplentes:

“A nossa equipa diocesana do Porto não terá, portanto, suplentes: nem jovens nem crianças, nem adultos nem idosos, nem ricos nem pobres, nem cultos nem humilhados. Tê-los-á a todos como titulares e em campo”.

 

Na véspera, sábado dia 14 de Abril, D. Manuel Linda tomou posse do governo pastoral da diocese do Porto. Logo a seguir encontrou-se com os jornalistas. Destacou o trabalho do Administrador diocesano, D. António Taipa, e dos bispos auxiliares, D. Pio Alves de Sousa e D. António Augusto Azevedo, nos meses após a morte de D. António Francisco dos Santos.

O novo Bispo do Porto afirmou que pretende actuar com amabilidade e simpatia, seguindo o testemunho do seu antecessor, relacionando-se com os 2 milhões e 200 mil diocesanos:

“Com os 2 milhões e 200 mil pessoas que vivem, fazem a sua vida nesta área da diocese do Porto, muitos que se revêem na dimensão religiosa e outros que caíram no desânimo e indiferença, serão para nós pessoas com quem nos relacionaremos na plenitude do que é humano” – assinalou.

A propósito do trabalho social na diocese do Porto, D. Manuel Linda afirmou que “tem de se sujar as mãos na realidade do dia-a-dia e há situações em que tem de haver a denúncia” – declarou.

 

 

LISBOA

 

“E DEUS CRIOU O MUNDO”,

EM DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

 

Um projecto de rádio em português intitulado “E Deus criou o Mundo”, iniciativa de diálogo inter-religioso, emitido na Antena 1, foi apresentado em forma de livro ao Papa Francisco no passado dia 18 de Abril, durante a audiência pública com os peregrinos.

 

Henrique Mota, que modera este programa emitido às terças-feiras, pelas 23h10, conta que Francisco se mostrou muito agradado com esta ideia, lançada há três anos pelo jornalista argentino Carlos Quevedo.

No final da audiência pública, o Papa parou para falar com a comitiva que seguiu de Portugal, deixou palavras de incentivo e fez votos de que o projecto continue para a frente, com confiança e esperança.

O programa de rádio “E Deus criou o Mundo” junta semanalmente um católico (Pedro Gil), um muçulmano (Khalid Jamal) e um representante judaico (Isaac Assor), num debate que abrange temas relacionados com as religiões em causa, mas também assuntos de actualidade.

A oportunidade de ir a Roma e de levar este projecto ao Papa, em forma de livro – numa edição especial da editora “Saída de Emergência” –, surgiu a partir de um convite da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, para a participação num Congresso internacional sobre comunicação, em Roma.

Henrique Mota destaca que este evento permitiu dar a conhecer também o projecto a “uma audiência muito qualificada e numerosa”, vinda de “vários contextos diferentes, incluindo da Austrália”, e que mostrou “muita curiosidade quanto ao modelo do programa” que tem ido para o ar nestes três anos.

O editor conta que foram “mais de 40 minutos de perguntas”, que incentivaram a continuar e a desenvolver todo o trabalho que tem sido feito.

E que não teria sido possível, sem “o empenho de Carlos Quevedo”, autor e produtor do programa, e a “confiança de Rui Pêgo, director da Antena 1, que acreditou neste projecto e defendeu um espaço em antena de debate sobre temas da religião”.

 

 

FÁTIMA

 

SENTIDO DO SOFRIMENTO E DO SACRIFÍCIO

NA MENSAGEM DE FÁTIMA

 

O terceiro itinerário da “Escola do Santuário” aprofunda o sentido do sofrimento e do sacrifício na Mensagem de Fátima e a reparação como acto livre de participação na compaixão divina.

 

A reflexão sobre o sentido do sofrimento, do sacrifício e da reparação deu o mote ao terceiro itinerário da Escola do Santuário para este ano, em 21 e 22 de Abril. No horizonte para a reflexão destes aspectos centrais da Mensagem de Fátima está sempre a liberdade humana, disse o director do Departamento de Pastoral da Mensagem de Fátima do Santuário, padre José Nuno Silva. 

“Ao reflectirmos sobre a questão do sofrimento, estamos no âmago da Mensagem de Fátima e das interrogações sobre a condição humana e sobre Deus, porque o sofrimento é o grande lugar onde o humano se põe à prova. Também é no sofrimento que se inscreve a mais radical possibilidade de liberdade, que passa por descobrir o significado do meu sofrimento em favor dos outros, em reparação.”

O encontro de dois dias partiu da interrogação deixada por Nossa Senhora aos Pastorinhos na Aparição de 13 de Maio de 1917: “Quereis oferecer-vos a Deus... em acto de reparação?”, para “sublinhar o exercício da liberdade, na descoberta de um sentido redentor para a vida”.

“No início de tudo, em Fátima, está uma resposta livre, de três crianças, a uma interrogação. A partir do momento em que elas assumem o «sim», assumem este sentido para tudo aquilo que vai acontecer. Olhar a vida dos Pastorinhos é, por isso, perceber um sentido, e aprender um movimento interior que é capaz de redimir as experiências mais difíceis e dolorosas que a vida tem”, explica o Padre José Nuno Silva.

O encontro decorreu em três passos, onde o sofrimento era abordado segundo três perspectivas: pessoal, em Cristo, e, na conclusão, conjugando as duas. Durante os dois dias houve momentos de oração e aprofundamento, com destaque para a “Hora Reparationis”, um momento orante concretizado a partir da contemplação dos vitrais da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com o subsídio de passagens bíblicas, que tinha como pano de fundo a reparação e o sacrifício.

Na base de todas os itinerários da Escola do Santuário, tem estado o aprofundamento da Mensagem de Fátima. Este não era excepção, ao perspectivar o sentido do sofrimento e do sacrifício na espiritualidade da Mensagem de Fátima, através da descoberta da reparação como acto livre de participação pessoal na compaixão divina.

Desde o início desta proposta de aprofundamento da espiritualidade da Mensagem de Fátima, já participaram nos itinerários da Escola do Santuário cerca de duzentas pessoas.

 

 

TORRES VEDRAS

 

CONDECORAÇÃO PARA

A FAMÍLIA FRANCISCANA

 

No passado sábado 28 de Abril, o presidente da República Portuguesa anunciou em Torres Vedras a decisão de condecorar como membro honorário da Ordem Infante D. Henrique as ordens franciscanas, pelos 800 anos da sua presença no país.

 

“O presidente da República entendeu ser justo, em nome de todos os portugueses, seguindo uma orientação traçada em casos similares pelo seu antecessor, o presidente Jorge Sampaio, em 1991, atribuir à família franciscana uma condecoração: o título de membro honorário da Ordem Infante D. Henrique”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, numa visita ao Convento do Varatojo, que encerrou as comemorações dos oito séculos de presença franciscana em Portugal, que se iniciaram em 2017.

A distinção evoca “o trabalho ao longo dos séculos, em solo português e em todo o mundo”. “Por tudo isso vos estou, em nome de Portugal, muito grato”, acrescentou o chefe de Estado.

A Ordem do Infante D. Henrique destina-se a distinguir serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou a “inspiração franciscana” da sua juventude, elogiando os ideais de humildade, simplicidade, justiça e de respeito pela Natureza, que inspiram crentes e não-crentes.

O encontro no Convento do Varatojo incluiu um momento de oração, sob a presidência de D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, e uma actuação do grupo vocal Camerata de Torres Vedras.

A família franciscana iniciou em 2017 um conjunto de iniciativas, que agora concluíram, após as Jornadas de Estudo “Oito séculos da presença franciscana em Portugal – Memória e Vivência”, promovidas pela Família Franciscana e o Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa (UCP), que decorreram de 25 a 28 de Abril.

 

 

FÁTIMA

 

ENCONTRO NACIONAL

DE PASTORAL LITÚRGICA

 

O Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) anunciou que o seu próximo Encontro nacional de reflexão vai “aprofundar o mistério da Liturgia como fonte e cume de toda a espiritualidade cristã”.

 

O Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica tem como tema “Liturgia e Espiritualidade” e realiza-se de 23 a 27 Julho, em Fátima.

“A espiritualidade é uma palavra que se usa para exprimir realidades muito diferentes, mas que se referem sempre ao essencial em causa; a espiritualidade da liturgia não se encontra nas rubricas nem nas cerimónias, mas na vida em Cristo, que tem o seu início e o seu termo nos ritos e nas preces”, explica o secretariado da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade.

 


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