aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

FRANÇA

 

SENTIDO DO

SACRIFÍCIO DE SI MESMO

 

No passado dia 28 de Março, a França homenageou o seu herói, o tenente-coronel gendarme Arnaud Beltrame, morto quatro dias antes em resultado dos ferimentos sofridos após se ter oferecido ao jihadista terrorista num supermercado em Trèbes, na noite anterior, em troca de uma refém.

 

Num telegrama de condolências pelas vítimas dos ataques terroristas ocorridos no dia 23 de Março na região de Carcassonne e Trèbes, sul da França, o Papa Francisco elogiou em particular “o gesto generoso e heróico do tenente-coronel Arnaud Beltrame, que doou a sua vida para proteger as pessoas”.

Também a Conferência dos Bispos da França uniu-se à homenagem nacional prestada a Arnaud Beltrame, quando foi sepultado. “Este acto de heroísmo  marca todos os nossos concidadãos. Dar a vida para salvar os outros é um exemplo proeminente e certamente terá uma fecundidade na nossa sociedade, tentada pela violência e pelo meter-se em si mesma”.

Nascido numa família pouco praticante, Arnaud Beltrame viveu uma autêntica conversão dez anos atrás, quando estava a preparar-se para o Sacramento do Matrimónio com a sua namorada Marielle.

Confrontado com a atitude de Beltrame, o jovem filósofo católico francês Martin Steffens, comentou:

“O sacrifício é algo que não se pode prescrever moralmente, impor moralmente, porque é um acto livre, mas ao mesmo tempo é um acto eminentemente moral que suscita a admiração e que indica a própria fonte de toda a moral, que é um amor transbordante pela vida, um amor tal a ponto de estar pronto para dar a própria vida por outra pessoa”.

O sacrifício é a atitude de quem é capaz de doar-se a si. “Uma mãe que está esperando um bebé: é óbvio que durante a maior parte da gravidez terá que sacrificar a maioria das coisas de que ela gosta. Para que existam crianças que venham ao mundo, é preciso que exista este louco dom de si; e, portanto, se o mundo de hoje continua a acolher as crianças, é porque o sacrifício é como uma base contínua e discreta que sustenta o mundo”.

 

 

POLÓNIA

 

O LIVRO DA VIDA

DE S. JOÃO PAULO II

 

“São João Paulo II não cessa de falar-nos, de inspirar-nos, de guiar-nos e de encorajar-nos”, disse o arcebispo emérito de Cracóvia, cardeal Stanisław Dziwisz, no 13º aniversário de morte de Karol Wojtyła, celebrado no passado dia 2 de Abril, com uma solene liturgia no Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia.

 

O prelado, que foi secretário particular de João Paulo II, questionou-se sobre o que podemos ler do “livro da vida de João Paulo II”, que se fechou em 2 de Abril de 2005, mas que permanece aberto para a Igreja e para o mundo, sobretudo com a sua beatificação e sucessiva canonização.

Respondendo a essa pergunta, o arcebispo emérito de Cracóvia disse que Deus sempre esteve no centro da existência de João Paulo II, que tinha construído a sua vida, como numa rocha, fixando o olhar no rosto de Jesus Cristo.

Em seguida, o cardeal Dziwisz ressaltou que no livro da vida de Karol Wojtyła é possível conhecer a sua posição em relação ao homem, a cada homem, resgatado com o sangue do Salvador. “Teve uma atitude de serviço e de atenção”, disse o purpurado, que especificou as suas palavras oferecendo aos fiéis alguns exemplos concretos:

“João Paulo II tinha a convicção de que o homem é o caminho da Igreja e, por conseguinte, incessantemente encorajava a Igreja a servi-lo; promovia a protecção de toda a vida concebida e indefesa; encorajava a pastoral da juventude e das famílias, o cuidado aos doentes, às pessoas não auto-suficientes e aos anciãos”.

Além disso, o arcebispo emérito de Cracóvia destacou que podemos aprender do livro da vida de João Paulo II também um grande amor pela Igreja. “O amor por uma Igreja não ideal, inexistente, mas pela Igreja dos homens frágeis e pecadores, homens no caminho da conversão que voltam para os caminhos indicados pelos Evangelhos”.

“Com sabedoria e paciência, João Paulo II guiava a grande comunidade eclesial muito diferenciada, que fala várias línguas e que expressa a fé no contexto de diferentes culturas e tradições. No seu coração de pastor havia lugar para todos”, disse.

“João Paulo II introduziu a Igreja no terceiro milénio da fé cristã e encorajou todos a fim de que, olhando para o rosto de Jesus Cristo, único Salvador do mundo, tomássemos o caminho da fé, da esperança e do amor, tornando-se assim, no nosso mundo tão irrequieto, o fermento.”

O purpurado reiterou ainda o papel desempenhado por João Paulo II no âmbito da comunidade internacional: “Podemos ler do livro da vida de João Paulo II o seu sentido de responsabilidade pelos destinos do mundo, porque com realismo via tanto o bem como o mal no mundo. Não perdia de vista nem os egoísmos, nem tensões e conflitos”.

Todavia, observou, “buscava dialogar com todos, e em primeiro lugar com os responsáveis pelos destinos dos povos, que nem sempre eram guiados pelas mesmas motivações. Acolhia os chefes das grandes religiões do mundo, convidando-os a rezar pela paz”.

“É indubitável que João Paulo II tenha dado uma significativa contribuição para a libertação dos povos da Europa centro-oriental do jugo do sistema totalitário”.

Concluindo, o arcebispo emérito de Cracóvia agradeceu ao Senhor pelo Santo Pastor que foi um dom para a Igreja e para o mundo, e um dom para cada um de nós. “Cada um segue o próprio caminho da caridade e do serviço, em conformidade com a própria vocação e com os dons que tenha recebido do Criador”.

 

 

BRASIL

 

BISPOS ENVIAM CARTA AO PAPA

 

Durante a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (CNBB), reunida de 11 a 20 de Abril na Aparecida, foi enviada com data de 11 de Abril uma carta ao Papa Francisco, levando saudações do episcopado e as temáticas que estão a ser trabalhadas durante a Assembleia Geral. O texto trata também da unidade do episcopado brasileiro com o Sumo Pontífice. Apresentamos um excerto elucidativo:

 

“Nesta Assembleia Geral nos dedicaremos, particularmente, ao tema da formação dos presbíteros da Igreja no Brasil, elaborando as diretrizes para formação no contexto atual, a partir da nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis.

“Diante da pequena imagem da Virgem Aparecida, também fazemos memória dos 40 anos de sua restauração, após um atentado que a deixou fragmentada. Num período em que o Brasil passa por grave instabilidade política, econômica e social, que também atinge nossa vivência eclesial, queremos assumir ao lado de nosso povo as exigências deste momento que, cremos, também pode ser de profunda restauração. Sem ceder à perplexidade e à estagnação, sentimo-nos impulsionados a uma adesão mais intensa e criativa ao Evangelho de Jesus Cristo.

“Reconhecemos a graça de participarmos da missão do Filho de Deus, que restaura em Si mesmo todas as coisas sob o impulso do Espírito Santo. Essa obra se desenvolve na história e conta com todos os filhos e filhas da Igreja, chamados à santidade, na diversidade das vocações. Agradecemos a Vossa Santidade pela Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual, assinada no dia 19 de março passado, na Solenidade de São José. Com essa Exortação, somos encorajados, como pastores, a percorrer o caminho das bem-aventuranças e a permanecer ao lado dos fiéis em sua busca quotidiana da santidade”.

 

 

SÍRIA

 

ATAQUE DE POTÊNCIAS OCIDENTAIS

 

Os temores de um ataque à Síria concretizaram-se na madrugada de sábado, dia 14 de Abril. Os Estados Unidos, apoiados pelo Reino Unido e pela França, realizaram “bombardeamentos específicos” em Damasco e Homs, como resposta ao uso de armas químicas contra civis, que aqueles países atribuem ao governo sírio, o qual nega essa acção. O anúncio do ataque foi dado pelo presidente Donald Trump, num comunicado oficial dirigido à nação.

 

Segundo o Pentágono, uma hora após o anúncio de Trump, foram atingidos três alvos específicos, todos relacionados com a produção e armazenamento de armas químicas: um centro de pesquisa científica localizado em Damasco, um depósito de armas químicas e um posto de comando, que também servia como depósito, ambos localizados em Homs.

Há tempos, o Papa Francisco vinha manifestando a sua preocupação com a situação síria, pedindo que os líderes políticos e militares escolhessem outro caminho, o da negociação, “o único que pode levar a uma paz que não seja a da morte e da destruição”. O último apelo foi feito justamente uma semana atrás, no domingo 8 de Abril, após a oração do Regina Caeli:

“Da Síria chegam notícias terríveis de bombardeamentos com dezenas de vítimas, das quais muitas são mulheres e crianças. Notícias de tantas pessoas atingidas pelos efeitos de substâncias químicas contidas nas bombas. Rezemos por todos os defuntos, pelas famílias que sofrem. Não há uma guerra boa e outra má, nada pode justificar o uso destes instrumentos de extermínio contra pessoas e populações inermes. Rezemos a fim de que os responsáveis políticos e militares escolham outro caminho, o da negociação, o único que pode levar a uma paz que não seja da morte e da destruição”.

 

O Patriarca maronita do Líbano, Sua Beatitude Cardeal Béchara Boutros Raï, fizera um apelo, no passado dia 12 de Abril, à Comunidade internacional em prol da Síria.

Na sua mensagem, o Cardeal afirma: “Enquanto algumas grandes potências estão batendo o tambor de uma nova guerra contra a Síria, lamentamos a falta da linguagem da paz entre os líderes do mundo; lamentamos ainda a falta de um mínimo sentimento humano em relação aos milhões de sírios inocentes, obrigados a fugir das suas terras, por causa da guerra e de uma série de crimes, destruição, terrorismo e violência. Numerosas pessoas estão longe de casa, privada do calor de suas famílias”.

O Líbano, escreve o Cardeal Béchara Raï, recebeu mais de um milhão e setecentos mil pessoas, quase a metade dos seus habitantes, num momento em que a maioria dos países europeus lhes fecha as suas portas: “Hoje, perguntamos a esses países, contrários à guerra, se arcam, mesmo parcialmente, com as consequências desta migração forçada”.

Por isso, o Cardeal maronita “apela à consciência das grandes potências e da comunidade internacional, para que se esforcem para colocar um ponto final nesta guerra, a fim de que se estabeleça uma paz justa, global e duradoura, mediante instrumentos políticos e diplomáticos e não militares, pois o povo do Oriente Médio tem direito a uma vida pacífica e tranquila.

O Patriarca maronita conclui o seu apelo afirmando: “Declarar guerra é demonstração de grande fraqueza; construir a paz é demonstração de máximo heroísmo”.

 

 

INGLATERRA

 

O CASO DO BEBÉ ALFIE

 

Na noite de 23 de Abril passado, foram desligados os aparelhos que mantinham a respiração artificial do bebé Alfie Evans, depois da sentença nesse sentido do Supremo Tribunal britânico. No entanto, o bebé continuou a respirar sozinho por mais de 9 horas, mas depois voltaram a conectá-lo ao aparelho de respiração artificial e a hidratá-lo.

 

A notícia foi dada no Facebook Steadfast onlus, a organização que faz parte do grupo que está a dar apoio à família do bebé inglês. Entretanto, o governo italiano concedia a cidadania italiana à criança, para facilitar a sua mudança para o Hospital Bambino Gesù, em Roma.

No quarto de Alfie estavam apenas o pai Tom e a mãe Kate que o tiveram ao colo e o sacerdote italiano que nestes dias assiste a família. Foi o pai que insistiu para que os médicos voltassem a hidratá-lo, pois senão “seria uma morte por fome e sede”.

O Papa Francisco fez um novo apelo no twitter do mesmo dia: “Emocionado pelas orações e pela grande solidariedade em favor do pequeno Alfie Evans, renovo o meu apelo para que seja atendido o sofrimento dos seus pais e satisfeito o seu desejo de tentar novas possibilidades de tratamento”.

Na manhã do dia 18 de Abril, o Papa Francisco recebera na Casa Santa Marta os pais do pequeno Alfie, o bebé de 23 meses que sofre de uma rara doença neurológica degenerativa, ainda desconhecida, internada no Alder Hey Children's Hospital de Liverpool. Os médicos tinham pedido aos tribunais a suspensão do tratamento ao bebé, com o argumento de “melhor defender o seu interesse”. Pelo contrário, os pais querem que não lhe apressem a morte e, por isso, pretendem transferi-lo ao Hospital Bambino Gesù, que se declarou disposto a acolhê-lo para assisti-lo até ao fim.

A transferência, no entanto, fora negada pelos juízes, e agora pelo Tribunal Supremo de Apelação britânico.

Ver adiante: Recorte e Comentário, na Secção “Acontecimentos eclesiais”.

 

 

PAQUISTÃO

 

ORAÇÃO ESPECIAL PELA

LIBERTAÇÃO DE ASIA BIBI

 

Igrejas e grupos de cristãos neste país aceitaram imediatamente o convite de Asia Bibi para um Dia Especial de Oração e Jejum pela sua Libertação no dia 27 de Abril. O arcebispo de Lahore, Mons. Sebastian Shaw também participa da mobilização.

 

A campanha para um Dia Especial de Oração pela Libertação de Asia Bibi foi lançada pela sua família e pela Renaissance Education Foundation de Lahore, que dá assistência jurídica e financeira aos familiares da mulher cristã presa sob a acusação de blasfémia.

Bibi junto com seus familiares ficou profundamente comovida ao saber do recente anúncio do presidente do Supremo Tribunal do Paquistão, Saqib Nisar: o magistrado declarou que cuidará pessoalmente do caso e que em breve estabelecerá a data da audiência no máximo órgão judicial do país.

O bispo presidente do “Conselho Episcopal do Paquistão” declarou: “Aprecio a decisão do presidente do Supremo Tribunal. É um passo necessário. Essa mulher está a sofrer há muito tempo”. O Conselho episcopal do Paquistão é um conselho de mais de 40 bispos de várias denominações protestantes, como pentecostais, evangélicos, adventistas, metodistas e outras confissões, que actuam em comunhão e colaboração com a Igreja Católica para construir a unidade entre cristãos no Paquistão.

 

 

COREIA

 

CIMEIRA DE ESPERANÇA

 

A esperança, após a cúpula entre os dois países no passado dia 27 de Abril, é de um diálogo sincero sem armas nucleares. O Papa reza pela paz entre as duas Coreias.

 

“Acompanho com a oração o resultado positivo da Cúpula Inter-coreana da última sexta-feira [27 de Abril] e o corajoso compromisso assumido pelos Líderes das duas Partes para realizarem um caminho de diálogo sincero em prol de uma Península Coreana livre de armas nucleares. Rezo ao Senhor para que as esperanças de um futuro de paz e mais fraterna amizade não sejam desiludidas, e para que a colaboração possa prosseguir produzindo frutos para o amado povo coreano e para o mundo inteiro”.

Este é o desejo e a oração do Papa Francisco, entre os aplausos dos fiéis, na conclusão do Regina Coeli no passado domingo 29 de Abril. Depois do histórico encontro entre os presidentes das duas Coreias, no vilarejo de fronteira de Panmunjom, de facto, há optimismo sobre um futuro de paz entre os dois países, ainda formalmente em guerra desde 1950.

Como revelou à imprensa o porta-voz do presidente sul-coreano, o líder da Coreia do Norte Kim Jong-on prometeu encerrar o local de testes nucleares de Punggye-ri até ao mês de Maio, onde nos últimos 10 anos foram realizadas as seis experimentações atómicas norte-coreanas. O encerramento do local será de forma pública, na presença de especialistas em segurança estadunidenses e sul-coreanos e de jornalistas.

Precisamente sobre os Estados Unidos, que nestes dias estão trabalhando para fixar uma data e um lugar para a cúpula com a Coreia do Norte, Kim Jong-Un reiterou ser ele “por natureza contrário aos EUA”, mas de não ser “o tipo de pessoa que lança ogivas nucleares contra a Coreia do Sul, o Pacífico ou os Estados Unidos”. A intenção é de não renovar “a dolorosa história da Guerra da Coreia” e renunciar ao nuclear. “Por que deveria eu manter armas nucleares e viver em condições difíceis, em lugar de nos reunirmos com os estadunidenses para construir a confiança mútua, se eles prometerem acabar com a guerra e não nos invadirem?”, disse o líder de Pyongyang.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial