aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

SANTA SÉ CONDENA

USO DE ROBÔS AUTOMÁTICOS NA GUERRA

 

O uso das armas letais automáticas, os chamados “robôs assassinos” – que diferentemente dos drones não são comandados à distância por um ser humano, mas agem baseados em algarismos previamente estabelecidos –, tornará a guerra “ainda mais desumana”, porque “qualquer tecnologia para ser aceitável deve ser compatível e coerente com a justa concepção da pessoa humana, primeiro fundamento da lei e da ética”.

 

Foi o que disse o Observador permanente da Santa Sé no escritório da ONU em Genebra (Suíça), Mons. Ivan Jurkovič, num pronunciamento no passado dia 9 de Abril, ao grupo de discussão entre especialistas governamentais sobre os Sistemas de armas letais automáticas.

“Toda a intervenção armada deve ser atentamente ponderada e em cada ocasião deve-se verificar a sua legitimidade, legalidade e conformidade com os objectivos previstos, que devem ser também estes legítimos tanto do ponto de vista ético como legal”, continuou o representante vaticano, especificando que “estas tarefas têm-se tornando cada vez mais complexas e demasiadamente não bem definidas para ser confiadas a máquinas, que são ineficazes diante de dilemas morais”.

Buscando criar um consenso legal e uma base ética sobre o tema, a delegação da Santa Sé pediu para focar a discussão no princípio de “não-contradição antropológica”, quando se fala de robotização e “desumanização” da guerra.

Uma arma automática não pode ser um sujeito moralmente responsável e é incapaz de assumir escolhas éticas mais complexas do que as fixadas por sua programação, escolhendo por exemplo atingir objectivos civis para obter sucessos militares.

 

 

PAPA EM DIÁLOGO COM CRIANÇAS

 

Na tarde do domingo 15 de Abril, o Papa Francisco realizou uma visita pastoral a uma Paróquia romana de periferia, a Paróquia de São Paulo da Cruz, no Bairro Corviale, no Sul de Roma, onde começou por dialogar com um grupo de crianças.

 

A quarta criança, um menino, Emanuele, comoveu-se diante do microfone e não conseguia falar, e começou a chorar. O Papa animou-o: «Vem cá! Vem contar-me ao ouvido”. O menino levantou-se e foi ter com o Papa, que lhe deu um forte abraço consolador. Entre lágrimas e soluços, Emanuele conseguiu em voz baixa contar a sua preocupação. No fim, Francisco dirigiu-se a todos: “Pedi licença a Emanuele para dizer a sua pergunta em público, e ele disse que sim. É por isso que eu vou dizer: “Há pouco tempo atrás, o pai morreu. Ele era ateu, mas baptizou todos os quatro filhos. Ele era um bom homem. Está no céu, o meu pai?”. Que bom um filho que diz do seu pai: “Ele era um bom homem”. Ele deve ter dado um belo testemunho aos seus filhos. É um belo testemunho do filho que herdou a força do seu pai e, também, teve a coragem de chorar diante de todos nós. Se aquele homem era capaz de criar filhos assim, é verdade, ele era um bom homem. Aquele homem não tinha o dom da fé, não era crente, mas tinha baptizado os seus filhos. Ele tinha um bom coração. E Emanuele tem dúvida de o seu pai, por não ser crente, está no céu. Quem diz que vai para o céu é Deus, mas como é o coração de Deus diante de um pai assim? Como é? Como vos parece que é? Um coração de pai. Deus tem o coração de pai. E diante de um pai, não crente, que foi capaz de baptizar os seus filhos e dar essa bravura aos seus filhos, pensam que Deus seria capaz de deixá-lo longe? Que vos parece? Mais forte, coragem!”

(Todos) Não!

“Emanuele, aqui está a resposta. Deus certamente estava orgulhoso do teu pai, porque é mais fácil um crente baptizar os filhos, do que baptizá-los um incrédulo. Certamente, isso agradou muito a Deus. Fala com o teu pai, reza ao teu pai. Obrigado, Emanuele, pela tua coragem”.

 

 

PAPA NOMEIA TRÊS MULHERES

CONSULTORAS DA SANTA SÉ

 

No sábado passado 21 de Abril, o Papa Francisco nomeou três mulheres como consultoras da Congregação para a Doutrina da Fé, um dos organismos mais importantes da Cúria Romana.

 

As escolhas do Papa recaíram sobre a italiana Linda Ghisoni, subsecretária do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, especialista em Direito Canónico; Michelina Tenace, professora de Teologia na Universidade Pontifícia Gregoriana, de Roma; e a belga Laetitia Calmeyn, professora de Teologia no Colégio dos Bernardinos, em Paris.

Em Fevereiro, Francisco tinha nomeado a irmã Carmen Ros como nova subsecretária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Em Novembro de 2017, o Papa tinha nomeado duas mulheres como subsecretárias do novo Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé): a já referida Linda Ghisoni e Gabriella Gambino, professora de Bioética.

A presença feminina na Santa Sé inclui responsabilidades nos departamentos da Cúria Romana e nas áreas dos arquivos, da história e da comunicação social.

Actualmente, a jornalista espanhola Paloma García é vice-directora da Sala de Imprensa da Santa Sé; Margaret Archer preside à Pontifícia Academia de Ciências Sociais; Barbara Jatta é a primeira directora dos Museus Vaticanos desde Janeiro de 2017.

 

 

PAPA RECORDA:

A CIÊNCIA TEM LIMITES ÉTICOS

 

No passado dia 28 de Abril, o Papa Francisco recordou que a ciência tem de assumir “limites” éticos, num discurso aos participantes na quarta edição da conferência “Unite to Cure”, com especialistas em medicina regenerativa.

 

“A Igreja louva todo o esforço de investigação e os seus resultados para curar as pessoas que sofrem, recordando um dos princípios fundamentais: «nem tudo o que é tecnicamente possível e realizável é eticamente aceitável». A ciência sabe que tem limites e sentido de responsabilidade ética, pelo bem da humanidade”, declarou.

Francisco recebeu na Sala Paulo VI cerca de 700 participantes na Conferência Internacional promovida pelo Pontifício Conselho para a Cultura, sobre o tema “Unidos para curar”.

“Quando vejo representantes de culturas, sociedades e religiões diferentes unir as forças, para empreender um percurso comum de reflexão e compromisso em prol de quem sofre, fico muito feliz, pois a pessoa humana é ponto de encontro e instrumento de unidade”, assinalou o Papa.

A intervenção destacou que, diante do problema do sofrimento humano, é preciso “criar sinergias entre pessoas e instituições, para superar os preconceitos e cultivar maior consideração pela pessoa doente”.

O Papa Francisco alertou para os riscos de doenças “ligados às mudanças radicais da civilização moderna, como o fumo, o álcool, as substâncias tóxicas que poluem o ar, a água e o solo”.

“Torna-se urgente uma maior sensibilidade de todos por uma cultura de prevenção para cuidar da saúde”, acrescentou.

 


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