15º Domingo Comum

15 de Julho de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Adorai o Senhor no seu templo, M. Carneiro, NRMS 98

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Eucaristia, Cristo no meio de nós, interpela-nos a uma resposta positiva. Cristo vem ao nosso encontro e chama pelo nosso nome. Partilha connosco a Palavra que ilumina o sentido mais profundo da nossa vida. Dá-se a nós para que possamos viver n’Ele por Ele e com Ele. Envia-nos, “Ide em Paz”, para O anunciarmos a todas as pessoas e em todos os ambientes.

A abertura do nosso coração à sua presença de paz, de misericórdia e de vida abundante dispõe-nos a correspondermos fielmente ao envio com audácia, maturidade e sabedoria.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Vai-te daqui”. Parecem palavras escutadas em tantos espaços! Mesmo diante das oposições devemos -com sabedoria e paz- continuar a missão porque é o Senhor que nos envia.

 

Amós 7, 12-15

Naqueles dias, 12Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. 13Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». 14Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. 15Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’».

 

A leitura é tirada da 3ª parte do livro de Amós, «o ciclo das visões proféticas» (7, 1 – 9, 10). A visão do fio-de-prumo (7, 6-9) tinha denunciado a falta de rectidão e corrupção que grassava no Reino do Norte, que se encontrava como uma parede desaprumada, a ameaçar ruína iminente. O sacerdote Amasias, apaniguado do rei Joroboão II, vê no profeta uma ameaça para a sua privilegiada situação e por isso previne o rei contra o profeta que anunciava a sua morte e a destruição do Reino do Norte (vv. 10-11) e dá ordens a Amós para que se retire para o Reino de Judá (vv. 12-13), chamando-lhe «vidente», um outro nome dado aos profetas. Amós confessa que era um simples trabalhador, mas que Deus inesperadamente o chamou e enviou a profetizar (vv. 14-15): «Eu não era profeta nem filho de profeta». Temos aqui a única alusão à sua vocação. Este texto deixa ver a genuinidade do carisma profético de Amós, que não era um mero elemento dum grupo profético, ou um profeta profissional ou cortesão, ao serviço dos homens.

 

Salmo Responsorial     Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: Cantemos com júbilo este salmo pelas grandes maravilhas que Deus opera pelo seu povo.

 

Refrão:        Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

                     e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom,

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo propõe-nos a certeza de sermos amados, escolhidos e agraciados por Deus com tantas maravilhas. A tal deve corresponder a nossa fidelidade e o nosso compromisso responsável.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: Efésios 1, 3-14                            Forma breve: Efésios 1, 3-10

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, de sua livre vontade, para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para que fosse enaltecida a glória da sua graça, com a qual nos favoreceu em seu amado Filho. 7N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça, 8que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, 9deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, 10para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.

[11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para servir à celebração da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. 13Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo prometido, 14que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.]

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas. A primeira parte (vv. 3-10), exalta as bênçãos que encerra o projecto divino de salvação em Cristo, por isso é chamada o benedictus paulino. Assim se exprime Bento XVI: «Cada semana, a Liturgia das Vésperas apresenta à oração da Igreja o solene hino de abertura da Carta aos Efésios… Pertence ao género das «berakot», ou seja, as «bênçãos», que já aparecem no A. T. e que terão uma ulterior difusão na tradição judaica. Trata-se, portanto, de uma constante cadeia de louvor elevada a Deus, que na fé cristã é celebrado como «Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo»» (Audiência geral de 23-XI-2005).

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus. Estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3, 1-3). A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos; e não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

7 «Pelo seu Sangue temos a Redenção». A salvação que Cristo nos traz não é uma mera libertação; é apresentada como um resgate, uma remissão dos pecados (cf. Col 1, 14), que custou o Sangue de Cristo, a sua vida oferecida em sacrifício pelos pecados (cf. Ef 1, 14; 1 Tes 5, 9; 1 Cor 6, 2; 7, 23; GaI 3, 13; 4, 5. 1 Pe 2, 9; 2 Pe 2, 1; Act 20, 28; Apoc 5, 9; 14, 3).

9 «O mistério da sua vontade» é o plano redentor que Deus tem guardado para salvar todos os homens: tendo permanecido oculto durante muito tempo, foi-nos revelado agora em Cristo (cf. Col 1, 26).

10 «Instaurar todas as coisas em Cristo», ou «Reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas». O verbo grego «anakêfalaiôsasthai», é de significação bastante discutida e difícil de traduzir. Assim a Vulgata, preferiu o sentido de «instaurare omnia in Christo», (tradução mantida na actual tradução litúrgica), decidindo-se pela ideia de «restaurar todas as coisas», fazendo voltar ao princípio, à santidade original toda a Criação transtornada pelo pecado (assim, à partícula aná que entra na composição do verbo grego é dado um sentido iterativo). Porém outros, apoiando-se no elemento central da palavra, «kêfaláion» – «resumo», «ponto principal» –, traduzem por «concentrar ou reunir todas as coisas em Cristo», enquanto que Ele é o centro de convergência, o principio de unidade, ou o cume de toda a Criação. Finalmente, outros, atendendo ao contexto (v. 22; 4, 15; 5, 23; Col 1, 18; 2, 10.19), onde Cristo é apresentado como «Cabeça», em grego, «kêfalê», preferem traduzir por: «reunir sob a chefia de Cristo». Nesta linha parece estar a Nova Vulgata ao traduzir «recapitulare». Entretanto, parece-nos que o sentido literal não se fica somente no aspecto de fazer com que tudo tenha a Cristo por Cabeça, mas que visa também o aspecto de reunir. Também a tradução por «reunir sob a chefia de Cristo» não parece suficientemente expressiva. Com efeito, todos os seres criados estão desconjuntados e desunidos tanto entre si, como relativamente a Deus; pela Redenção de Cristo voltam a unir-se entre si e com Deus, em Cristo, ao unirem-se a Cristo e ao serem vivificados por Ele, constituído como cabeça de toda a Criação. A verdade é que este primado e capitalidade de Cristo por enquanto só é universal «de direito»; para que o seja «de facto» são os homens chamados a uma missão co-redentora, esforçando-se por «pôr Cristo no cume de todas as actividades humanas, dando forma a tudo segundo o espírito de Jesus, colocando Cristo no âmago de todas as coisas» (S. Josemaria, Cristo que passa, n.º 105).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: Somos chamados, escolhidos e enviados para anunciar o evangelho da alegria, da paz, da vida e do amor.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 6, 7-13

Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros 8e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; 9que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. 10Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. 11E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». 12Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, 13expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

 

Esta missão dos 12 é restrita aos judeus e vai ser uma espécie de estágio ou treino para a missão universal, após a Ressurreição (cf. Mc 16, 15). Entre as recomendações de Jesus sobressai a do desprendimento; com efeito, o pregador há-de pregar sobretudo com o exemplo da sua vida.

11 «Sacudi o pó...» Gesto habitual dos judeus ao entrarem na Terra Santa, para não a contaminarem com a terra dos gentios, que se tenha colado às sandálias. Com tal gesto mostrava-se que consideravam como gentios aqueles que os não recebessem.

13 «Ungiam com óleo numerosos doentes». Aqui aparece insinuado o Sacramento da Unção dos Enfermos, que o Senhor terá instituído talvez mais adiante e que mais tarde foi recomendado e promulgado aos fiéis. na epístola de S. Tiago 5, 14 ss. 

 

Sugestões para a homilia

 

Docilidade e coerência dos mensageiros.

Dinamismo da ação de Deus nos seus discípulos.

Urgência da Missão e de Discípulos.

 

Docilidade e coerência dos mensageiros.

A Palavra de Deus lança desafios a todos os discípulos na responsabilidade de anunciar o Evangelho. Jesus Cristo chamou, ensinou, preparou, com palavras e gestos, e enviou com a sua autoridade. Indicou também os sinais da autenticidade do enviado ou mensageiro: leve de equipamento e um estilo de paz, de coerência, simplicidade, fé a toda a prova, pobreza e despojamento.

A credibilidade do mensageiro está no seu estilo de vida: sobriedade, serviço, simplicidade e entrega. Um mensageiro que transmite com fidelidade, despojado das suas opiniões, sem buscar seguranças de poder, de prestígio ou de benefícios. Assim a mensagem será como água límpida e pura a saciar os corações sedentos e os buscadores das fontes genuínas.

 

Dinamismo da ação de Deus nos seus discípulos.

Amós um homem dedicado ao mundo da agricultura, revelando um certo estatuto e uma certa posição, tudo deixa para servir ao Senhor. Não há sombra de interesse pessoal ou busca de benefício e vantagens pessoais. Nem sequer está na tradição de antepassados de profetas: “Eu não era profeta nem filho de profeta (…) foi o Senhor que me tirou da guarda de rebanhos e me disse: “Vai profetizar ao meu povo de Israel”. Também por isso Amós reconhece que não pode haver dificuldades para quem é enviado em nome do Senhor. O “vai-te daqui” só serve para o profeta ter consciência de como os seus gestos e palavras são providenciais. E serve para robustecer a convicção da inteira fidelidade à missão dada por Deus.

Também Paulo se sente amado, chamado, escolhido e enviado. Ninguém o impedirá de anunciar Jesus Cristo. Por isso Paulo partilha connosco de forma densa a escolha que Deus faz a cada um. Em Cristo tudo de belo aconteceu em nosso favor. E todos, conhecendo esta formidável notícia, são convidados a assumi-la na vida e a propô-la a todos. O Evangelho deve ser anunciado por cada um como água límpida que corre da fonte.

Também os doze são chamados, escolhidos e enviados em missão. A coerência da vida, o despojamento, a pobreza e a total confiança em Deus deixa intuir a força vinculativa da Boa Nova. O que atraiçoa a beleza da mensagem do Evangelho é a falta de coerência, os interesses pessoais de vária ordem que pervertem o dinamismo da mesma proposta, o não assumir a própria fragilidade como motivo para a busca do perdão, da graça e da humildade.

 

Urgência da Missão e de Discípulos.

É urgente a missão do anúncio do Evangelho com toda a frescura. Tal exige um encontro pessoal com Cristo numa oração ativa, substancial, no encontro sacramental da Eucaristia e Reconciliação. Conseguir a leveza do coração, impedindo de ser coração dividido, pelo esmero de este estar na mais intensa comunhão com Deus e na luta constante contra todo o pecado. Conhecer e amar, na docilidade ao Espírito Santo, o conteúdo belo a fé, contido na Palavra de Deus, na Tradição e no Magistério. E ainda no fluxo de obras, que pela santidade e sabedoria dos seus autores, reforçam o ensinamento essencial de Cristo e da Igreja.

A missão hoje é urgente, cansativa e laboriosa pois enfrenta a ignorância, a má vontade, as ideologias perniciosas e interesseiras, a mentira e falsidade nos campos pseudo científico, histórico e religioso. Diante de tal devemos possuir a consciência de Amós, de Paulo, dos Doze e de todos os que na mesma missão, se gastaram, se consumiram e deram a vida.

A urgência de Discípulos, formados na escola de Cristo, na docilidade ao Espírito Santo, amorosos e dedicados à Igreja, conhecedores de forma intensa e profunda do ser humano e dos ambientes, que sabem discernir, acolher, dizer, atuar. Também personalidades maduras que aguentam a dureza dos tempos, dos ambientes e de movimentos que se opõe a esta tarefa.

Discípulos coerentes, pessoas de paz, de bondade, desinteressados de vantagens pessoais, que crêem firmemente na força e no dinamismo do Evangelho e na presença de Cristo, que anunciam a salvação dom excelente de Deus.

Discípulos conhecedores das suas fragilidades: “temos um tesouro em vasos de barro”, relembra o papa Francisco e exorta todos a tomar consciência de sermos ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo em nossa fragilidade… nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.

‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro… a hipocrisia em relação a nós mesmos”.

“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O quê? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”. É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor. (Papa Francisco, homilia diária, 16/6/17).

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus, o Bom Pastor, vê sempre com “os olhos do coração”. Da sua compaixão que nasce o desejo de alimentar a multidão com o pão da sua Palavra.»

O Evangelho de hoje recorda-nos que, depois da experiência da missão, os Apóstolos voltaram felizes mas também cansados. E Jesus, cheio de compreensão, deseja dar-lhes um pouco de alívio; então, retira-se com eles para um lugar deserto, a fim de que possam descansar um pouco (cf. Mc 6, 31). «Mas viram-nos partir e perceberam para onde iam... e assim precederam-nos» (v. 32). E nesta altura o evangelista oferece-nos uma imagem singularmente intensa de Jesus, «fotografando» por assim dizer os seus olhos e captando os sentimentos do seu Coração; assim diz o evangelista: «Ao descer da barca, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas» (v. 34).

Retomemos os três verbos deste fotograma sugestivo: ver, sentir compaixão, ensinar. Podemos denominá-los os verbos do Pastor. Ver, sentir compaixão, ensinar. O primeiro e o segundo, ver e sentir compaixão, estão sempre associados na atitude de Jesus: com efeito, o seu olhar não é de um sociólogo, nem de um repórter fotográfico, porque ele vê sempre com «os olhos do coração». Estes dois verbos, ver e sentir compaixão, configuram Jesus como Bom Pastor. Também a sua compaixão não é apenas um sentimento humano, mas constitui a comoção do Messias, em quem se fez carne a ternura de Deus. É desta compaixão que nasce o desejo de Jesus, de alimentar a multidão com o pão da sua Palavra, ou seja, de ensinar a Palavra de Deus ao povo. Jesus vê, Jesus sente compaixão, Jesus ensina-nos. Isto é bonito![…]

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 19 de Julho de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Supliquemos a Deus Pai

que nos mostre a sua misericórdia

e dê a salvação à santa Igreja,

dizendo (ou: cantando), de coração sincero:

R. Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

Ou: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

Ou: Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

 

1. Pelo Papa Francisco e por todos os bispos, presbíteros e diáconos,

para que celebrem os mistérios de Jesus Cristo

com alegria e fervor sempre renovados,

oremos.

 

2. Pelos apóstolos que Jesus continua a enviar,

para que, sem alforge nem dinheiro,

anunciem o arrependimento e a paz,

oremos.

 

3. Pelos que têm fome e pelos doentes,

pelos rejeitados e por todos os que sofrem,

para que encontrem alívio junto de Deus e dos homens,

oremos.

 

4. Por todos aqueles que Deus abençoou e escolheu,

e pelos que chamou à fé e marcou pelo Espírito,

para que sejam santos e irrepreensíveis na sua presença,

oremos.

 

5. Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que Deus nos conceda o perdão dos pecados

e a vontade de cumprir os mandamentos,

oremos.

 

(Outras intenções)

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que nos destes a conhecer a vossa vontade

de renovar todas as coisas em Cristo,

iluminai os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Senhor, que nos chamais pelo nosso nome e nos enviais em missão, fazei pela Vossa presença em nossa vida, enviados no anúncio coerente da Boa Nova, nas nossas famílias, nos nossos amigos e com todas as pessoas.

Fazei que a nossa missão nada mais seja senão esta experiência que temos contigo agora na Eucaristia. Ajudai-nos a ser assim em todo o tempo e lugar.

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ide em paz e anunciai o Evangelho da vida, da alegria e do amor.

Ide: é urgente o anúncio de Cristo por palavras e sobretudo pela vida.

Ide é urgente ser discípulo humilde, simples, mas sempre pronto a anunciar a Boa Nova, mesmo no meio das dificuldades e provações.

Ide e sede livres sem vos deixardes acorrentar por medos, por interesses pessoais, por seguranças cómodas, por ideologias e mentiras.

Ide vigorosos e leves e confiai em Cristo Jesus e na Igreja espalhada por todo o mundo. E que as perseguições e os martírios dos vossos irmão vos encoraje ao testemunho.

Ide e levai convosco Nossa Senhora, a Mãe que estimula a fazer tudo o que Jesus nos diz e pede.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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