14º Domingo Comum

8 de Julho de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia, J. Santos, NRMS 88

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Momentos antes de começar a elevar-Se ao Céu, Jesus disse aos Apóstolos e a cerca de quinhentos discípulos ali reunidos: «recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria, e até aos confins da terra».

E precisamente desta missão que o Senhor nos confia que nos fala toda a Liturgia da Palavra deste 14.º Domingo do Tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

A testemunha vive aquilo que anuncia. Nós, porém, proclamamos aos quatro ventos que somos católicos, mas a nossa vida está muitas vezes em contradição com o que afirmamos.

Reconheçamos humildemente que não temos sido boas testemunhas de Cristo, na vida de cada dia, e recorramos à misericórdia de Deus para que nos perdoe e nos conceda a graça de recomeçarmos o nosso caminho baptismal.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Gostamos de usar o nome de cristãos quando nos convém,

    mas destoamos deste nome na vida de família, no trabalho e na caridade.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Manifestamos pouca preocupação em conhecer a vida de Cristo,

    para O podermos imitar e testemunhar no dia a dia com os nossos irmãos.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Sonhamos com uma Igreja que triunfe ao gosto humano

    e não nos lembremos que somos fermento, luz, sal e semente que morre.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Primeira Leitura narra-nos a vocação do profeta Ezequiel, chamado por Deus nos tempos difíceis do exílio de Babilónia.

Deus quer precisar de cada um de nós para, com a vivência da sua vocação dar testemunho de Jesus Cristo

 

Ezequiel 2, 2-5

Naqueles dias, 2o Espírito entrou em mim e fez-me levantar. Ouvi então Alguém que me dizia: 3«Filho do homem, Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje. 4É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado que te envio, para lhes dizeres: ‘Eis o que diz o Senhor’. 5Podem escutar-te ou não – porque são uma casa de rebeldes –, mas saberão que há um profeta no meio deles».

 

A leitura refere a vocação e a missão do profeta Ezequiel, no exílio de Babilónia. É impressionante o contraste entre a grandeza da glória do Senhor antes descrita gongoricamente no capítulo 1º e a debilidade do seu profeta; é Deus que lhe dá força e o anima a dirigir-se a «um povo de cabeça dura».

3 «Filho de homem». Esta expressão, com que repetidamente é designado o profeta, põe em contraste a pouquidão humana com a grandeza divina. Quase só em Ezequiel aparece este título; Jesus há-de assumi-lo para indicar a aparência humilde com que se revela; esta expressão era uma forma discreta de se referir a si (um asteísmo), equivalente a este homem; mas, em parte, a expressão era também um título glorioso (cf. Dan 7, 13). De qualquer modo, é um título exclusivamente usado pelo próprio Jesus, pois mais ninguém assim O chama. O cristológico deste título é belamente exposto por Bento XVI (Jesus de Nazaré, cap. X).

 

Salmo Responsorial     Sl 122 (123), 1-2a.2bcd.3-4 (R. 2cd)

 

Monição: O salmista levanta o seu olhar de aflição para o Senhor, plenamente confiado na sua ajuda.

Também nos queremos fazer dele a nossa oração plena de confiança filial, para que nos ajude a vencer os problemas da vida.

 

Refrão:        Os nossos olhos estão postos no Senhor,

                     até que Se compadeça de nós.

 

Levanto os meus olhos para Vós,

para Vós que habitais no Céu,

como os olhos do servo

se fixam nas mãos do seu senhor.

 

Como os olhos da serva

se fixam nas mãos da sua senhora,

assim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus,

até que tenha piedade de nós.

 

Piedade, Senhor, tende piedade de nós,

porque estamos saturados de desprezo.

A nossa alma está saturada do sarcasmo dos arrogantes

e do desprezo dos soberbos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo garante aos cristãos de Corinto — apresentando o seu exemplo — que Deus actua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados.

Não nos sintamos, pois, diminuídos na nossa missão de testemunhas de Jesus Cristo, a pesar da nossa pouca valia e fragilidade pessoal.

 

2 Coríntios 12, 7-10

Irmãos: 7Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne, – um anjo de Satanás que me esbofeteia – para que não me orgulhe. 8Por três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. 9Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder». Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo. 10Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.

 

A leitura é tirada da 3.ª parte de 2 Cor, em que S. Paulo entra em polémica com os que pretendiam desautorizá-lo. Não receia mesmo apelar para «revelações» extraordinárias (12, 1-6). O texto é rico de ensinamentos para a vida cristã: a humildade, a confiança no poder da graça de Deus e a necessidade da oração. «Um espinho na carne»: a natureza deste espinho é muito discutida. Parece menos provável que se trate de tentações violentas ou de angustiantes preocupações pastorais. É mais provável que se trate de alguma doença que o afligia (paludismo, doença nervosa, doença nos olhos, sendo esta última explicação a mais seguida, a partir dos elementos deduzidos de Act 9, 8-9.18; 23, 5; Gal 4, 15; 6, 11.

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Lc 4, 18

 

Monição: Deus manifesta-se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Assim aconteceu em Nazaré.

Quando as pessoas se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher mensagem de amor e alegria que Ele lhes apresenta.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

Ele me enviou a anunciar o Evangelho aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 6, 1-6

Naquele tempo, 1Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? 3Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?» E ficavam perplexos a seu respeito. 4Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». 5E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.

 

Por este episódio fica claro que Jesus, embora socialmente aparecesse como um mestre entre tantos, Ele não o era como os restantes, pois não tinha o curriculum de mestre, por isso não vêem nele mais do que um simples carpinteiro, alguém que vivera em tudo uma vida igual à dos seus conterrâneos. «Tiago e José» eram primos de Jesus, filhos duma outra Maria, como se diz em Mt 27, 57 (cf. Mc 15, 47); irmão era uma forma de designar todos os familiares.

3 «O filho de Maria». Alguns deduzem daqui que S. José já tinha morrido, o que é mais do que provável; com efeito, em todas as passagens onde se fala de parentes de Jesus, nunca se nomeia S. José. Há porém aqui um pormenor curioso: nos lugares paralelos de Mateus e Lucas, Jesus é chamado «filho do carpinteiro» (Mt 13, 55) e «filho de José» (Lc 4, 22). No entanto, não são os Evangelistas a designá-lo assim, mas os ouvintes do Senhor. Mateus e Lucas, que já tinham deixado clara a virgindade de Maria, nos episódios da infância de Jesus, não têm receio de recolher a designação corrente de «filho de José». S. Marcos, que não tinha referido ainda a virgindade da Mãe de Jesus, evita cuidadosamente a designação de «filho de José», para que os seus leitores não venham a confundir as coisas. É pois destituído de fundamento afirmar que S. Marcos ignorava a virgindade de Maria.

 

Sugestões para a homilia

 

• Povo de profetas

Enviados por Deus

A vocação é uma iniciativa de Deus

Humildes na missão

• Viver a vocação

Acolhamos Deus que nos fala

Espírito de Fé perante a Mensagem

O silêncio de Deus

 

 

1. Povo de profetas

 

A 1.ª leitura conta-nos a vocação do Profeta Ezequiel, um sacerdote que, no tempo doloroso do exílio de Babilónia, foi chamado a sustentar a fé do povo judeu. Ezequiel quer dizer “poder de Deus”.

Profeta não é aquele que anuncia factos desconhecidos e futuros, mas aquele que fala em nome de Deus, ou seja, o Seu porta-voz junto dos homens.

 

a) Enviados por Deus. «Filho do homem, Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje

Deus chama o profeta Ezequiel para, com a palavra, fortalecer a fé do povo judeu, no Cativeiro de Babilónia. O envio deste homem é mais um sinal do amor de Deus ao Seu Povo: Se não o amasse, não procuraria confortá-lo e confirmá-lo na fé.

O que ele anunciou, há perto de 2.500 anos é também destinado a alimentar a nossa fé recebida no Baptismo.

O conhecimento das verdades da Fé chegou até nós, não pelo esforço da nossa inteligência, nem por uma revelação directa de Deus, mas pela mediação da Igreja que no-la anunciou por meio de homens.

Nesta aventura entraram os nossos pais, padrinhos que nos conduziram a fonte do Baptismo, e por pessoas amigas que iluminaram a nossa inteligência com a doutrina católica, enquanto o Espírito Santo actuava no nosso interior.

Deus quer operar por meio de nós no mundo em que vivemos realizando as Suas maravilhas. Somos, ao mesmo tempo, os destinatários deste envio e enviado de Deus junto dos seus irmãos.

Ao exercermos esta missão profética, havemos de ter presentes as advertências do Senhor.

• É uma missão difícil. «Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje.» Tornamo-nos pessoas incómodas, ao falar de conversão pessoal de mudança de vida.

• Proclamamos tudo e só o que Deus quer. «É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado que te envio, para lhes dizeres: ‘Eis o que diz o Senhor’. Podem escutar-te ou não - porque são uma casa de rebeldes -, mas saberão que há um profeta no meio deles».

— Pelo testemunho de vida. Antes das palavras tem de estar o exemplo. Não devemos ficar à espera de não termos defeitos para começarmos a evangelizar. O que é preciso será que as pessoas vejam que estamos convencidos do que dizemos e lutamos para o pôr em prática.

— Pela palavra fiel. Não há nada e novo a inventar no Credo ou na Teologia Moral. Apenas temos necessidade de, com toda a fidelidade, aplicarmos os ensinamentos de Jesus Cristo às situações concretas em que as pessoas vivem.

 

b) A vocação é uma iniciativa de Deus. «Eu te envio [...] a um povo rebelde que se revoltou contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje

Deus queria a conversão do Seu Povo, porque O amava. Até aos dias de hoje, nunca desistiu nem desistirá de o chamar aos caminhos da felicidade na terra e no Céu.

O nosso Pai Deus ama cada pessoa, com amor infinito, por mais degradada e longe do Seu Amor que ela se encontre.

Nós temos de reflectir, nas palavras e na conduta, este amor e carinho infinito de Deus a cada pessoa. Alimentamos a esperança de que ela é capaz de mudar e Deus quer que ela mude, nunca desistindo de a chamar.

Características da vocação:

• É uma iniciativa de Deus, pois Ele escolheu desde toda a eternidade aquilo que necessita de nós.

A vocação profética é um desígnio divino. Cada um de nós foi chamado por iniciativa de Deus. Não se nomeia Jahwéh directamente; mas aquele que chama Ezequiel não pode ser outro senão Deus... O nosso texto é antecedido (cf. Ez 1,1-28) de uma solene manifestação de Deus. Depois, o profeta ouve uma “voz” que o chama (vers. 2) e que revela a Ezequiel que deve dirigir-se a esse Povo rebelde que se insurgiu contra Deus.

Há também uma referência ao “espírito” que se apossou do profeta e o fez “levantar”; de acordo com a reflexão judaica, era Deus que comunicava uma força divina – o seu “espírito” – àqueles que escolhia para enviar a salvar o seu Povo, como os juízes (cf. Jz 14,6.19; 15,14), os reis (cf. 1 Sam 10,6.10; 16,13) e os profetas (no caso de Ezequiel, esse “espírito” aparece como uma manifestação especialmente violenta de Deus, que se apossa do profeta e o destina para o seu serviço). A vocação é sempre uma iniciativa de Deus e não uma escolha do homem. Foi Deus que chamou Ezequiel e que o designou para o seu serviço.

• Espera uma resposta livre da nossa parte. A vontade de Deus, de mãos dadas com a nossa, realizará maravilha no mundo.

Em toda a vocação aparece sempre a ideia de que o chamamento é dirigido a um homem. Ezequiel é chamado “filho de homem” (vers. 3) – expressão hebraica que significa simplesmente “homem ligado à terra, fraco e mortal. Deus chama homens frágeis e limitados, não seres extraordinários, etéreos, dotados de capacidades incomuns...

O que é decisivo não são as qualidades extraordinárias do profeta, mas o chamamento de Deus e a missão que Deus lhe confia. A indignidade e a limitação, típicas do “filho do homem”, não são impeditivas para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.

 

c) Humildes na missão. «Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne, — um anjo de Satanás que me esbofeteia — para que não me orgulhe.»

S. Paulo confidencia, na segunda Carta aos fieis da Igreja de Corinto, que o Senhor o ajuda a ser humilde, no meio de tantos êxitos pastorais, permitindo que ele seja atormentado por “um espinho da carne:”

Não sabemos claramente do que se trata. Alguns avançam com a hipótese de que se trata de uma doença de pele que lhe dava mau aspecto aos olhos dos ouvintes.

Fica-nos a lembrança de que a nossa missão de profetas pode ser ensombrada e empobrecida pela soberba.

• Somos tentados a apoderarmo-nos dos êxitos para glória pessoal, em vez de os referirmos a Deus. Contamos os êxitos — aqueles momentos em que nos saímos bem das coisas, mas não os fracassos, humanamente considerados.

• Devemos perguntar a nós próprios com frequência se é a glória de Deus que procuramos, ou a nossa. O desânimo, a tristeza e abatimento que se seguem quando uma iniciativa apostólica não é humanamente bem sucedida é, frequentemente porque nos mostrou que não somos tão eficazes como pensávamos. Aquele desmentido pelos factos, fez-nos perder a alegria.

• Quando procuramos o ruído, o êxito fácil, em vez de trabalhar em profundidade na aproximação das pessoas de Deus significa que não procuramos a Deus, mas a nós próprios.

Devemos, pois, vigiar atentamente, porque tudo serve para alimentar a nossa vaidade e orgulho. Contamos facilmente os êxitos, mas não os fracassos humanamente considerados.

Quando trabalhamos por Deus, centramos a nossa atenção em fazer as coisas bem, com seriedade e abandonamos, depois, os resultados à vontade de Deus.

 

2. Viver a vocação

 

Depois de iniciada a Sua vida pública, Jesus visita Nazaré onde vivera desde o regresso do Egipto até à partida para a Sua missão.

Foi lido o texto de Isaías que descreve profeticamente a missão do Messias anunciado. Jesus levantou-Se para o comentar, dizendo apenas que tudo o que havia escrito nesta profecia estava agora a acontecer n’Ele, quer dizer, Ele mesmo era o Messias anunciado.

Foi perante esta afirmação que se deu a reacção orgulhosa dos Nazarenos, negando-se a aceitar Jesus como o Messias prometido.

 

a) Acolhamos Deus que nos fala. «Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: “De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?”»

Como aos conterrâneos de Jesus, também a nós se manifesta a Palavra de Deus na fraqueza e na humildade.

Caímos facilmente na tentação de ouvir o que o Senhor nos diz na leitura da Sagrada Escritura, na pregação e nos conselhos que recebemos, como se fosse qualquer mensagem humana, um produto da sabedoria pessoal. É por isso que a nossa soberba reage.

A nossa atitude interior, quando ouvimos a Palavra de Deus, há-de ser como a dos miraculados do Evangelho: “Senhor que eu veja!” Senhor, se quiseres podes tornar-me limpo.”

Quando abrimos a Sagrada Escritura ou caminhamos para a Igreja, onde vamos participar numa celebração, havemos de fomentar uma santa curiosidade que nos leva a perguntar: “Que vai dizer-me hoje o Senhor?”

A humildade levou Santo Agostinho a converter-se quando ouviu uma voz que lhe dizia: “Toma e lê!” Leu um texto da Sagrada Escritura que se lhe pôs diante dos olhos e converteu-se.

O Santo Cura d’Ars dizia a um sacerdote que veio pregar à sua paróquia. “É hoje que me via converter?”

Santa Teresa Benedita da Cruz — Edith Stein — encontrou na casa de uma amiga a História de uma alma, de Santa Teresinha do Menino Jesus, passou a noite inteira a lê-la e, quando pela manhã fechou o livro, tinha decidido ser cristã.

 

b)  Espírito de Fé perante a Mensagem. «”Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?” E ficavam perplexos a seu respeito

Desculpamo-nos com a não aceitação e posta em prática do que ouvimos, apelando para a pobreza humana de quem nos fala.

Há pessoas que percorrem as igrejas à procura da Missa onde gostem mais de ouvir a pregação, porque não lhes exige nada e fica-se apenas em palavras bonitas;

Ou porque é mais breve, reduzindo muito o tempo da celebração. Para muitos, o que desejam não é participar seriamente na Celebração do Domingo, mas estar dentro da igreja o menos tempo possível. Choram todos os momentos que gastam com Deus; não com o futebol, no café ou noutras ocupações com que gastam o tempo que Deus lhes deu gratuitamente.

E quando, a pesar de todas as cautelas, a Palavra de Deus parece exigir-lhes a mudança de vida, desculpam-se com os defeitos e pecados reais ou imaginários de quem prega: “Por quem Deus nos manda avisar!”

Precisamos ver nas pessoas Deus que nos fala. O vinho, independentemente da vasilha em que é servido, tem sempre a mesma qualidade. A Palavra de Deus é esse vinho.; a vasilha, a pessoa que a proclama.

Os santos procedem d modo diferente. O Santo Cura d’Ars dizia a um sacerdote que chamou para pregar na sua paróquia, quando ele subia para o púlpito: “É hoje que me vai converter?”

Exercitemos a fé, vendo em cada pessoa que o Senhor nos envia alguém de quem Ele Se serve para nos dizer aquilo de que precisamos.

«Quem vos acolhe é a Mim que acolhe. E quem Me acolhe, acolhe Aquele que Me enviou

 

c)  O silêncio de Deus. «Jesus disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa”. E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente

A abundância dos dons de Deus — palavra, Sacramentos, bons conselhos e bons exemplos — leva, à vezes, a tê-los em pouca conta.

Corremos o perigo — nós que vivemos na terra da abundância — de proceder como os seixos dos rios: vivem mergulhados na água, noite e dia, e continuam completamente enxutos no seu interior.

O fechar os ouvidos à Palavra de Deus, às inspirações da graça, endurece o coração, insensibilizando-o e faz-nos perder o ouvido.

Ás vezes, as pessoas queixam-se de que não lhes apetece rezar e que nada lhes fala de Deus. Pode tratar-se de uma prova de Deus; mas muitas vezes é a consequência da infidelidade.

Todos conhecemos pessoas que viveram muito próximas de Deus e que depois se afastaram para muito longe, numa vida de pecado. Este lamentável estado de espírito pode ser fruto de uma vida infiel e orgulhosa.

Os nazarenos tinham mais do que ninguém para acolherem Jesus, enviado do Pai, como todo o entusiasmo. Viram-no crescer e puderam ver a Sua vida extraordinária dentro do ordinário.

Como rezamos? Às vezes é como se ligássemos uma máquina automática e depois a deixamos correr, sem que precise da nossa atenção.

Como vivemos a santa Missa? A rotina é o inimigo do verdadeiro Amor. Quantas pessoas não têm a possibilidade de participar no mistério eucarístico ao menos uma vez por ano! Quantos cristãos, em países de perseguição, põem em risco a vida para poderem participar na missa!

Como recebemos na Comunhão o Corpo e o Sangue do Senhor. Às vezes percebe-se facilmente que as pessoas tratam a Santíssima Eucaristia como um pedaço de pão vulgar num piquenique.

Um Bispo espanhol, que está nos altares e se distinguiu pela devoção aos Sacrários abandonados, dizia aos sacerdotes que acabava de ordenar: “Tratai-m’O bem! Tratai-m’O bem!”

 

Fala o Santo Padre

 

«Como é belo imaginar as nossas paróquias e comunidades, não com as portas fechadas, mas como verdadeiros centros de encontro tanto entre nós como com Deus; como lugares de hospitalidade e acolhimento

«O Senhor dar-nos-á chuva e dará fruto a nossa terra»: assim diz o Salmo. Com isto, somos convidados a celebrar a misteriosa comunhão entre Deus e o seu Povo, entre Deus e nós. A chuva é sinal da sua presença, na terra trabalhada pelas nossas mãos. Uma comunhão que sempre dá fruto, que sempre dá vida. Esta confiança brota da fé, de saber que contamos com a sua graça que sempre transformará e regará a nossa terra.

Uma confiança que se aprende, que se educa. Uma confiança que se vai gerando no seio duma comunidade, na vida duma família. Uma confiança que se transforma em testemunho no rosto de tantos que nos encorajam a seguir Jesus, a ser discípulos d’Aquele que nunca desilude. O discípulo sente-se convidado a confiar, sente-se convidado por Jesus a ser amigo, a compartilhar a sua sorte, a partilhar a sua vida. «A vós, não vos chamo servos, chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que sabia do meu Pai». Os discípulos são aqueles que aprendem a viver na confiança da amizade de Jesus.

E o Evangelho fala-nos deste discipulado. Apresenta-nos a cédula de identidade do cristão; a sua carta de apresentação, a sua credencial.

Jesus chama os seus discípulos e envia-os, dando-lhes regras claras e precisas. Desafia-os a um conjunto de atitudes, comportamentos que devem ter. Sucede, e não raras vezes, que nos poderão parecer atitudes exageradas ou absurdas; seria mais fácil lê-las simbólica ou «espiritualmente». Mas Jesus é muito claro. Não lhes diz: fazei de conta, ou fazei o que puderdes.

Recordemos juntos estas recomendações: «Não leveis nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem alforje, nem dinheiro (…) Permanecei na casa onde vos derem alojamento». Parece uma coisa impossível.

Poderíamos concentrar-nos em palavras como «pão», «dinheiro», «alforje», «cajado», sandálias», «túnica». E seria lícito. Mas parece-me que há aqui uma palavra-chave, que poderia passar despercebida diante da contundência daquelas que acabo de enumerar. Uma palavra central na espiritualidade cristã, na experiência do discipulado: hospitalidade. Como bom mestre, Jesus envia-os a viver a hospitalidade. Diz-lhes: «Permanecei na casa onde vos derem alojamento». Envia-os a aprender uma das características fundamentais da comunidade crente. Poderíamos dizer que é cristão aquele que aprendeu a hospedar, que aprendeu a alojar.

Jesus não os envia como poderosos, como proprietários, chefes ou carregados de leis, normas. Ao contrário, mostra-lhes que o caminho do cristão é simplesmente transformar o coração. O próprio coração e ajudar a transformar o dos outros. Aprender a viver de forma diferente, com outra lei, sob outra norma. É passar da lógica do egoísmo, do fechamento, da luta, da divisão, da superioridade para a lógica da vida, da gratuidade, do amor. Passar da lógica do dominar, esmagar, manipular para a lógica do acolher, receber, cuidar.

São duas as lógicas que estão em jogo, duas maneiras de enfrentar a vida e de enfrentar a missão.

Quantas vezes concebemos a missão com base em projectos ou programas. Quantas vezes idealizamos a evangelização, pondo de pé milhares de estratégias, tácticas, manobras, truques, procurando que as pessoas se convertam com base nos nossos argumentos. Hoje o Senhor diz-nos muito claramente: na lógica do Evangelho, não se convence com os argumentos, as estratégias, as tácticas, mas simplesmente aprendendo a alojar, a hospedar.

A Igreja é uma mãe de coração aberto que sabe acolher, receber, especialmente a quem precisa de maior cuidado, que está em maior dificuldade. A Igreja, como a queria Jesus, é a casa da hospitalidade. E quanto bem se pode fazer, se nos animarmos a aprender esta linguagem da hospitalidade, esta linguagem de receber, de acolher! Quantas feridas, quanto desespero se pode curar numa casa onde alguém se sente bem-vindo! Para isto, é preciso ter as portas abertas, sobretudo as portas do coração.

Praticar hospitalidade com o faminto, o sedento, o forasteiro, o nu, o enfermo, o encarcerado (cf. Mt 25, 34-37), com o leproso, o paralítico. Hospitalidade com aquele que não pensa como nós, com a pessoa que não têm fé ou a perdeu. E, às vezes, por nossa culpa. Hospitalidade com o perseguido, o desempregado. Hospitalidade com as culturas diferentes, de que esta terra paraguaia é tão rica. Hospitalidade com o pecador, porque cada um de nós também o é.

Muitas vezes esquecemo-nos de que há um mal que precede os nossos pecados, que tem lugar antes. Há uma raiz que causa muito, muito dano e que destrói silenciosamente tantas vidas. Há um mal que, pouco a pouco, vai fazendo ninho no nosso coração e «corroendo» a nossa vitalidade: a solidão. Solidão que pode ter muitas causas, muitos motivos. Como destrói a vida e nos faz tão mal! Vai-nos afastando dos outros, de Deus, da comunidade. Vai-nos encerrando em nós mesmos. Por isso, o que é próprio da Igreja, desta mãe, não é principalmente gerir coisas, projectos, mas aprender a fraternidade com os outros. A fraternidade acolhedora é o melhor testemunho de que Deus é Pai, porque «é por isto que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

Desta maneira, Jesus abre-nos a uma lógica nova; a um horizonte cheio de vida, beleza, verdade, plenitude.

Deus nunca fecha horizontes, Deus nunca é passivo face à vida, nunca é passivo face ao sofrimento dos seus filhos. Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Foi para isto que nos enviou seu Filho, no-Lo oferece, entrega, compartilha: para aprendermos o caminho da fraternidade, o caminho do dom. Em definitivo, é um novo horizonte, uma nova palavra para tantas situações de exclusão, desagregação, confinamento, isolamento. É uma palavra que quebra o silêncio da solidão.

E quando estivermos cansados ou se tornar pesada a tarefa de evangelizar, é bom recordar que a vida proposta por Jesus corresponde às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos fomos criados para a amizade com Jesus e para o amor fraterno (EG 265).

Uma coisa é certa! Não podemos obrigar ninguém a receber-nos, a hospedar-nos; isto é certo e faz parte da nossa pobreza e da nossa liberdade. Mas é certo também que ninguém nos pode obrigar a não sermos acolhedores, hospedeiros da vida do nosso Povo. Ninguém nos pode pedir que não recebamos e abracemos a vida dos nossos irmãos, especialmente a vida daqueles que perderam a esperança e o gosto pela vida. Como é belo imaginar as nossas paróquias, comunidades, capelas, lugares onde estão os cristãos, não com as portas fechadas, mas como verdadeiros centros de encontro tanto entre nós como com Deus. Como lugares de hospitalidade e acolhimento.

A Igreja é mãe, como Maria. N’Ela, temos um modelo. Alojar como Maria, que não dominou nem Se apoderou da Palavra de Deus; pelo contrário, hospedou-A, gerou-A e entregou-A.

Alojar como a terra que não domina a semente, mas que a recebe, nutre e faz germinar.

Assim queremos ser nós, os cristãos, assim queremos viver a fé neste solo paraguaio: como Maria, alojando a vida de Deus em nossos irmãos com a confiança, com a certeza de que «o Senhor nos dará chuva e dará fruto a nossa terra». Que assim seja.

 Papa Francisco, Homilia, Assunção, Paraguai, 12 de Julho de 2015

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Com humildade, peçamos ao Pai, no Espírito Santo, por Jesus,

que venha ao encontro da fé de tantos cristãos do mundo de hoje,

ajudando-os a caminhar na fidelidade ao Seu Amor de Pai.

Oremos (cantando), cheios de confiança:

 

    Senhor, venha a nós o Vosso reino.

 

1. Pela nossa Diocese, suas famílias, comunidades e movimentos,

    para que procurem evangelizar o meio em que estão inseridas,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

2. Pelos governantes que procuram servir e não servir-se do cargo,

    para que se desempenhem com generosidade da missão recebida,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

3. Pelo povo de Israel nosso antepassado na fé, com os profetas

    para que vivam em paz e concórdia, e sejam fieis ao Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

4. Pelos que sentem a fraqueza da sua carne, e lutam por ser puros,

    para que o Senhor lhes conceda a alegria de viver a fidelidade,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

5. Pelos jovens da nossa comunidade que ainda não têm emprego,

    para que experimentem, quanto antes, a alegria de um trabalho,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

6. Por todas as pessoas que Deus chamou a Si de há um ano para cá,

    para Ele lhes perdoe as sua manchas e as acolha na glória eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Venha a nós o Vosso reino.

 

Pai santo, ensinai-nos a acreditar no dom da graça do vosso Filho

e, por esta santíssima Eucaristia, tornai-nos fortes na fraqueza

e manifestai em nós o vosso poder e a Vossa misericórdia.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor marcou este encontro connosco, no primeiro dia da semana, chamado Domingo, porque nos ama infinitamente.

Alimentou a nossa fé com a luz da Sua Palavra, na primeira parte da Santa Missa.

Convida-nos agora para tomar parte no Banquete da Eucaristia que Ele mesmo vai preparar, transubstanciando o pão e o Vinho do Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Queremos, para nós e para as outras pessoas, a verdadeira paz de Deus que só Jesus Cristo nos pode dar.

Disponhamo-nos a acolhê-la, perdoando e aceitando sermos perdoados das ofensas que fizemos aos outros.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Palavra de Deus que foi proclamada para nós deve tornar-se agora carne em nossa vida de cada dia. Para que isso nos seja possível, Jesus Cristo — a Palavra do Pai — oferece-nos o Seu Corpo e Sangue para Alimento da nossa vida divina.

Comunguemos com fé, amor e reverência, e agradeçamos ao mesmo Senhor este de infinito valor.

 

Cântico da Comunhão: O Espírito de Deus repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Pelo pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Fomos investidos, pelo Baptismo, numa missão profética junto dos nossos irmãos que se cruzam connosco na vida.

Exercitemo-la pelo testemunho de vida conduzida segundo a vontade de Deus e pela palavra em que damos a razão da nossa esperança.

 

Cântico final: Vamos caminhando alegremente, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-VII: Os dons de Deus ao seu Povo.

Os 2, 16-18. 21-22 / Mt 9, 18-26

Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo justiça e o direito, por amor e misericórdia.

«Deus ama o seu povo, mais do que um esposo a sua bem amada; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades (Leit.); e chegará ao mais precioso de todos os dons: 'Deus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu Filho único'» (CIC, 219).

As curas narradas no Evangelho são precisamente uma manifestação do amor de Cristo. São um sinal de que Ele, como Médico divino, veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo. Quem dEle se aproxima com fé, como a hemorroísa, recebe sempre um dom (Ev.).

 

3ª Feira, 10-VII:O Senhor espera a nossa ajuda.

Os 8, 4-7. 11-13 / Mt 9, 32-38

A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

É verdade que há também actualmente uma carência inquietante de vocações. A grande maioria das pessoas continua a ser atraída por outros caminhos, que não exigem compromissos com Deus e, às vezes, até se afastam de Deus: «considero repelente, ó Samaria, o bezerro que adoras» (Leit.).

Para que haja mais vocações é preciso reavivar, sobretudo na gente mais jovem, uma nostalgia de Deus, para que possam desabrochar desejos de entrega a Deus. E também que haja um grande movimento de oração em todas as comunidades (Ev.).

 

4ª Feira, 11-VII: S. Bento: Apoio nas raízes cristãs da Europa.

Prov 2, 1-9 / Mt 19, 27-29

E, todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e, terá como herança, a vida eterna.

S. Bento contribuiu enormemente para a implantação das raízes cristãs dos países que hoje constituem a Europa. Por isso, foi nomeado Padroeiro da Europa pelo Papa Paulo VI em 1964.

Ouviu o chamamento do Senhor e deixou tudo por amor a Ele (Ev.), e nós recebemos uma esplêndida herança. Para reconstruirmos as raízes cristãs na Europa, recorramos à protecção de Deus e de sua Mãe, e sejamos fiéis à nossa vocação cristã: «Ele guarda os caminhos dos que lhe são fiéis» (Leit.).

 

5ª Feira, 12-VII: A misericórdia divina.

Os 11, 1-4. 8-9 / Mt 10, 7-15

Ainda Israel estava na infância e já eu o amava e a ele, meu filho, chamei-o para que saísse do Egipto.

Como se manifesta esta misericórdia divina? «O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor de um pai para com seu filho (Leit.). Este amor é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos» (CIC, 219).

É esse amor que o leva a perdoar as ofensas dos filhos: «Não deixarei arder a minha indignação. É que eu sou Deus, e não homem, o Santo que está no meio de vós» (Leit.). E o leva também a ter compaixão por todos os enfermos: «curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios» (Ev.).

 

6ª Feira, 13-VII: Confiança nas promessas de Deus.

Os 14, 2-10 / Mt 10, 16-28

Quando vos entregarem, não vos inquieteis com a maneira de falar. O Espírito do vosso Pai é que falara por vós.

Deus é fiel e  nunca nos abandonará. Devemos, portanto, aceitar as suas promessas e ter nEle uma confiança e fé plenas: «Porque sem fé não é possível agradar a Deus e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém, que não persevere nela até ao fim (Ev.), poderá alcançar a vida eterna» (CIC, 161).

Deus convida-nos a voltar sempre para Ele: «Hei-de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente, pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit.).

 

Sábado, 14-VII: Abandono filial e disponibilidade.

Is 6, 1-8 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais do que muitos passarinhos.

Jesus pede-nos um abandono filial à Providência do Pai celestial, que cuida das  mais pequenas necessidades dos seus filhos: «Não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? (Ev.)».

Este abandono consegue-se especialmente a através do diálogo com Deus, como aconteceu com o profeta Isaías. Estava inquieto, queixou-se da sua indignidade, foi purificado dos seus pecados e acabou por manifestar uma total disponibilidade para a missão que Deus lhe confiou: «Eis-me aqui, Senhor, podeis enviar-me» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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