11º Domingo Comum

17 de Junho de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Viemos com alegria, C. Silva, NRMS 46

Sl 26, 7.9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Vós sois o meu refúgio: não me abandoneis, meu Deus, meu Salvador.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

S. Marcos, no Evangelho de hoje, apresenta-nos duas parábolas utilizadas por Jesus para nos falar do Reino de Deus. Na primeira, destaca a semente lançada à terra que germina e cresce sozinha, enquanto o lavrador dorme e se levanta noite e dia. Na segunda, descobrimos a força e a vitalidade do pequeno grão de mostarda, que há-de transformar-se na maior de todas as plantas da horta. A germinação na terra e o crescimento da planta não dependem de nós.

 

Oração colecta: Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e acções Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Eu elevo a árvore modesta.»

Esta passagem do profeta Ezequiel ofereceu a Jesus a ocasião para anunciar as duas parábolas que vamos escutar no Evangelho. O profeta mostra-nos como Deus pode fazer de um pequeno ramo uma árvore frondosa.

 

Ezequiel, 17, 22-24

22Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do grande cedro, dos seus ramos mais altos, Eu próprio vou colher um ramo novo, vou plantá-lo num monte muito alto. 23Na elevada montanha de Israel o hei-de plantar. Ele há-de lançar ramos e dar frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. 24E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; abato a árvore elevada e elevo a arvore abatida, faço que seque a árvore verde e reverdesça a árvore seca. Eu, o Senhor, o afirmei e o hei-de realizar.»

 

O Profeta Ezequiel, após a denúncia das infidelidades do seu povo sujeito ao duro castigo do exílio babilónico, fala agora em nome do Senhor Deus, anunciando a restauração final do povo exilado, como obra do próprio Deus. De um simples ramo – outra forma de referir o resto de Israel – Ele fará surgir um cedro majestoso, a dar frutos, e em cujos ramos «farão ninho todas as aves» (v. 23), numa visão universalista escatológica, que preanuncia a universalidade do Reino de Deus, que Jesus descreve na parábola do grão de mostarda do Evangelho de hoje.

 

Salmo Responsorial    Salmo 91 (92) 2-3. 13-14. 15-16. (R. cf. 2a)

 

Monição: O salmista escreveu esta acção de graças para exprimir a sua alegria pelas maravilhas, pela bondade e pela fidelidade de Deus, a quem canta logo pela manhã, ao som da harpa, da lira e da cítara.

 

Refrão:        É bom louvar-vos Senhor

 

É bom louvar o Senhor

e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,

proclamar pela manhã a vossa bondade

e durante a noite a vossa fidelidade.

 

O justo florescerá como a palmeira,

crescerá como o cedro do Líbano;

plantado na casa do Senhor,

florescerá nos átrios do nosso Deus.

 

Mesmo na velhice dará o seu fruto,

cheio de seiva e de vigor,

para proclamar que o Senhor é justo:

n'Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Empenhamo-nos em agradar ao Senhor, quer continuemos a habitar neste corpo, quer tenhamos de sair dele.»

O cristão vive neste mundo sempre numa grande tensão entre a experiência diária desta vida e a saudade da vida futura. O cristão vive como exilado, neste mundo, mas cheio de esperança de alcançar a pátria celeste.

 

2 Coríntios 5, 6-10

Meus irmãos: 6Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como que exilados, longe do Senhor, 7pois caminhamos pela fé e não vemos claramente. 8E, com a mesma confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para habitarmos junto do Senhor. 9Por isso nos empenhamos em Lhe ser agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de afastar-nos dele. 10Todos nós devemos aparecer a descoberto perante o tribunal de Cristo, a fim de cada qual receber a sua paga, pelas obras feitas durante a vida corporal, conforme as tiver praticado, boas ou más.

 

Na primeira parte da 2ª Carta aos Coríntios (cap. 1 a 7), S. Paulo, depois de fazer a sua defesa perante as acusações dos adversários, faz a apologia do seu ministério apostólico; e, no meio de tribulações sem conta (4, 7-12), é a fé em Jesus ressuscitado e a esperança no Céu que o leva a não desfalecer (4, 13 – 5, 10). O desejo de se «exilar do corpo», isto é, de deixar esta vida terrena, «para habitar junto do Senhor» no Céu (v. 8) leva-o ao empenho em lutar por Lhe agradar (v. 9). E não deixa de aproveitar a ocasião para expor aos fiéis uma verdade de fé fundamental que nos responsabiliza, a saber, que todos havemos de ser julgados por Deus no fim desta vida. É a este mesmo «tribunal de Cristo» (v. 10) que se refere o nº 1022 do Catecismo da Igreja Católica: «Cada homem recebe, na sua alma imortal, a retribuição eterna logo depois da sua morte, num juízo particular que põe a sua vida na referência de Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do Céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Chamamos a atenção para o modelo antropológico grego que S. Paulo aqui adopta; como bom comunicador, costuma lançar mão da linguagem que mais se presta a ser bem compreendido pelos destinatários.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: “A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo: 

quem O encontrar permanecerá para sempre.”

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

A semente é a Palavra de Deus, Cristo é o semeador;

todo aquele que O encontra, encontra a vida eterna. Refrão

 

 

Evangelho

 

São Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, 26dizia Jesus às multidões: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. 27Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. 28A terra produz por si, primeiro o pé, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. 29E, mal o trigo o permite, logo ele mete a foice; a seara está pronta. 30Jesus dizia também: «A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? 31É como o grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes que há na terra. 32Mas, depois de semeado, começa a crescer, torna-se a maior de todas as plantas da horta e deita ramos tão grandes que as aves do céu vêm abrigar-se à sua sombra.» 33Jesus pregava-lhes a palavra Deus com muitas parábolas destas, conforme eram capazes entender. 34E não lhes falava senão por meio de parábolas, e, em particular, tudo explicava aos discípulos.

 

Após a interrupção com o tempo da Quaresma e da Páscoa, retomamos hoje a sequência da leitura do evangelista do ano, S. Marcos, com duas parábolas do Reino de Deus no final do cap. 4, a saber, a do germinar e crescer da semente e a do grão de mostarda. A primeira (vv. 26-29) é uma das poucas passagens exclusivas de S. Marcos; ela apresenta o processo do desenvolvimento da semente, deveras misterioso sobretudo para os antigos, pois tudo acontece sem que o semeador saiba como e sem que ele intervenha de qualquer modo: «Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como» (v. 27). O Reino de Deus cresce não pela virtude, preocupação ou mérito do pregador, mas pela sua energia interna, pela força da graça de Deus que actua onde, como e quando quer. São Paulo dirá aos Coríntios, ufanos em grupos à volta dos diversos pregadores do Evangelho: «Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento. Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer» (1 Cor 3, 6-7). Também se pode fazer uma leitura espiritual (lectio divina) da parábola aplicando-a à acção da graça na alma: Deus faz que brotem dentro de nós, sem sabermos como, santas inspirações, boas resoluções, fidelidade, maior entrega… Ele realiza em nós e à nossa volta aquilo que nem sequer podíamos sonhar, desde que lancemos a semente e não estorvemos a obra de Deus.

30-32 A pergunta retórica com que a parábola do grão de mostarda é introduzida – «a que havemos de comparar o Reino de Deus? – é um recurso bem semítico destinado a atrair a atenção dos ouvintes. O grão de mostarda era a semente mais pequena então conhecida, que pode em pouco tempo vir a dar uma planta de cerca de três metros. Esta parábola põe em evidência a desproporção entre a insignificância dos começos do Reino de Deus e a sua vasta e rápida expansão. O livro de Actos dos Apóstolos sublinha constantemente o crescimento progressivo da Igreja; por sua vez, em S. Lucas, Jesus anima-nos a não temer a insignificância dos começos: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc 12, 32).

 

Sugestões para a homilia

 

“Eu elevo a árvore modesta”

«A menor de todas as sementes torna-se a maior de todas as plantas da horta.»

Eu elevo a árvore modesta

O profeta Ezequiel escreve num período difícil da História de Israel. O último rei da família de David, o rei Joaquim, tinha sido derrotado e levado para o cativeiro da Babilónia. Os israelitas sentem vacilar a sua fé: Deus teria faltado à fidelidade que tinha jurado a David, no Salmo 89? “Encontrei a David, meu servo, ungi-o com óleo santo. Estarei sempre a seu lado e com a minha força o sustentarei. A minha fidelidade e a minha bondade estarão com ele, pelo meu nome será firmado o seu poder.” Então, o profeta responde com uma comparação: a família de David é como um cedro vigoroso. O rei de Babilónia veio e cortou-o. Mas Deus irá a Babilónia, tomará um ramo de dinastia de David e plantá-lo-á na terra de Israel. O pequeno ramo crescerá e tornar-se-á um cedro enorme onde “as aves do céu poderão habitar à sua sombra.” Esta profecia está cheia de optimismo e de esperança. Podemos acreditar sempre em Deus que “levanta a árvore baixa e faz reverdecer a árvore seca.” Esta linguagem recorda-nos o Magnificat, o cântico de Nossa Senhora: “O Senhor derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.” Deus é fiel e jamais esquece a sua aliança. Também nos Actos dos Apóstolos, S. Paulo recorda esta verdade aos judeus de Antioquia da Pisídia: “Deus suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: encontrei a David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração. Da sua descendência, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel.” (Actos 13, 13-25)

 

«A menor de todas as sementes torna-se a maior de todas as plantas da horta.»

Jesus anunciava o Reino de Deus utilizando as parábolas, servindo-se de comparações tiradas da vida real. A pregação de Jesus, ao apresentar o mistério do Reino de Deus, é comparada a uma sementeira. O seu desenvolvimento é lento, mas constante e vigoroso. Porque a energia da semente e a força da Palavra de Deus, é poderosa. É essa vitalidade divina que a faz germinar, crescer, chegar à hora da colheita. A humildade do começo contrasta com a grandeza que o Reino de Deus há-de atingir quando chegar à sua plenitude, na hora da ceifa, “quando o Filho do Homem vier cheio de poder e de glória.”

 

 “A semente é a Palavra de Deus,” que contém uma força viva e irresistível. Uma vez anunciada penetra na inteligência e no coração de quem a ouve. Tal como a semente lançada à terra, a palavra divina germina e transforma a nossa vida. O Reino de Deus pode comparar-se com um grão de mostarda. Jesus põe em evidência o contraste entre a pequenez da semente e a grandeza da árvore. A menor de todas as sementes vai dar origem “à maior de todas as plantas da horta”. O Reino de Deus não se avalia pelo que é visível. O Reino de Deus está no coração de cada homem. É preciso esperar e confiar que a semente germine, cresça e dê fruto abundante. O Evangelho transmite-nos muita alegria e um grande optimismo: a árvore nasce de uma pequena semente. Também é assim que se desenvolve o Reino de Deus em cada pessoa e no mundo. Olhemos para Jesus rodeado por alguns pobres pescadores do lago a Galileia: com este pequeno grupo fundará a sua Igreja, que há-de ser sinal de salvação para todos os povos. Os primeiros cristãos começaram a lançar a semente do Reino, cumprindo o pedido de Jesus: “Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova.” Hoje, a Igreja de Deus está presente em toda a terra: “À sombra dos seus ramos podem abrigar-se todos as pessoas de boa vontade.”

 

Fala o Santo Padre

 

«Como outrora no lago da Galileia, também hoje no mar da nossa existência Jesus é Aquele que vence as forças do mal e as ameaças do desespero.»

Na Oração da Colecta rezámos: «Concede ao teu povo, ó Pai, que viva na veneração e no amor pelo teu santo nome, pois tu nunca privas da tua graça quantos estabeleceste na rocha do teu amor». E as Leituras que ouvimos mostram-nos como é este amor de Deus para connosco: é um amor fiel, um amor que recria tudo, um amor estável e seguro.

O Salmo convidou-nos a dar graças ao Senhor porque «o seu amor é eterno». Eis o amor fiel, a fidelidade: é um amor que não desilude, nunca falta. Jesus encarna este amor, dele dá testemunho. Ele nunca se cansa de nos amar, suportar, perdoar, e assim acompanha-nos no caminho da vida, segundo a promessa que fez aos discípulos: «E Eu estarei sempre convosco, todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). Por amor fez-se homem, por amor morreu e ressuscitou, e por amor está sempre ao nosso lado, nos momentos bons e difíceis. Jesus ama-nos sempre, até ao fim, sem limites e sem medidas. E ama-nos a todos, a ponto que cada um de nós pode dizer: «Deu a vida por mim». Por mim! A fidelidade de Jesus nunca se rende nem sequer diante da nossa infidelidade. Recorda-nos isto São Paulo: «Nós somos infiéis, mas Ele permanece fiel, porque não pode renegar-se a si mesmo» (2 Tm 2, 13). Jesus permanece fiel até quando errámos, e espera por nós para nos perdoar: Ele é o rosto do Pai misericordioso. Eis o amor fiel.

O segundo aspecto: o amor de Deus tudo regenera, ou seja, faz novas todas as coisas, como nos recordou a segunda Leitura. Reconhecer os próprios limites, as próprias debilidades, é a porta que abre ao perdão de Jesus, ao seu amor que nos pode renovar profundamente, que nos pode recriar. A salvação pode entrar no coração quando nos abrimos à verdade e reconhecemos os nossos erros, os nossos pecados; então façamos experiência, a boa experiência d’Aquele que veio não para os sadios, mas para os doentes, não para os justos, mas para os pecadores (cf. Mt 9, 12-13); experimentemos a sua paciência — tem tanta! — a sua ternura, a sua vontade de salvar todos. E qual é o sinal? O sinal que nos tornamos «novos» e fomos transformados pelo amor de Deus é saber-se despojar das vestes desgastadas e velhas dos rancores e das inimizades para vestir a túnica pura da mansidão, da benevolência, do serviço aos outros, da paz do coração, própria dos filhos de Deus. O espírito do mundo está sempre em busca de novidades, mas só a fidelidade de Jesus é capaz da verdadeira novidade, de nos tornar homens novos, de nos recriar.

Por fim, o amor de Deus é estável e seguro, como os penedos rochosos que impedem a violência das ondas. Jesus manifesta-o no milagre narrado pelo Evangelho, quando domina a tempestade, aplacando o vento e o mar (cf. Mc4, 41). Os discípulos têm medo porque se apercebem que não vão conseguir, mas Ele abre-lhes o coração à coragem da fé. Face ao homem que brada: «Não tenho mais força», o Senhor vai ao seu encontro, oferece a rocha do seu amor, à qual cada um se pode agarrar com a certeza que não cai. Quantas vezes sentimos que não aguentamos mais! Mas Ele está ao nosso lado com a mão estendida e o coração aberto.

[…] Podemos perguntar-nos se hoje estamos firmes nesta rocha que é o amor de Deus. Como vivemos o amor fiel de Deus para connosco. Há sempre o risco de esquecer aquele grande amor que o Senhor nos mostrou. Também nós cristãos corremos o risco de nos deixarmos paralisar pelos receios do futuro e procurar certezas em coisas passageiras, ou num modelo de sociedade fechada que tende mais a excluir do que a incluir. Cresceram nesta terra tantos santos e beatos que receberam o amor de Deus e o difundiram pelo mundo, santos livres e teimosos. Nas pegadas destas testemunhas, também nós podemos viver a alegria do Evangelho praticando a misericórdia; podemos partilhar as dificuldades de tantas pessoas, das famílias, sobretudo das mais frágeis e marcadas pela crise económica. As famílias precisam de sentir a carícia materna da Igreja para ir em frente na vida conjugal, na educação dos filhos, no cuidado dos idosos e também na transmissão da fé às jovens gerações.

Acreditamos que o Senhor é fiel? Como vivemos a novidade de Deus que todos os dias nos transforma? Como vivemos o amor firme do Senhor, que se coloca como uma barreira segura contra as ondas do orgulho e das falsas novidades? O Espírito Santo nos ajude a estar sempre cientes deste amor «rochoso» que nos torna estáveis e fortes nos sofrimentos pequenos ou grandes, capazes de não nos fechar face às dificuldades, de enfrentar a vida com coragem e olhar para o futuro com esperança. Como outrora no lago da Galileia, também hoje no mar da nossa existência Jesus é Aquele que vence as forças do mal e as ameaças do desespero. A paz que Ele nos doa é para todos; também para tantos irmãos e irmãs que fogem de guerras e perseguições em busca de paz e liberdade.

[…] Confiemos à nossa Mãe o caminho eclesial e civil desta terra: Ela nos ajude a seguir o Senhor para ser fiéis, para nos deixarmos renovar todos os dias e permanecer firmes no amor. Assim seja.

 Papa Francisco, Angelus, Praça Vittorio, Turim, 21 de Junho de 2015

 

Oração Universal

 

Caríssimos cristãos:

Aqui reunidos no Espírito Santo,

oremos com toda a confiança a Deus Pai,

pela mediação de seu Filho Jesus Cristo, dizendo: Ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pelo Papa Francisco, que preside a toda a Igreja,

pela nossa Conferência Episcopal

e pela coragem de todos os bispos e presbíteros, oremos.

 

2. Pelos cristãos que perderam a fé,

pelo povo judeu, vinha que Deus plantou,

e pelos crentes de todas as religiões, oremos.

 

3. Pela semente lançada à terra por Jesus,

 pelo crescimento da fé na Igreja de hoje

 e por todas as missões e missionários, oremos.

 

4. Por aqueles que perderam a esperança,

pelos que foram injustamente condenados

e pelos que vivem no exílio, longe da pátria, oremos.

 

5. Pela nossa assembleia celebrante,

por toda a comunidade (paroquial)

e pelos nossos pais e irmãos que Deus chamou, oremos.

 

Pai de misericórdia,

que enviastes o vosso Filho

a semear a Palavra no coração dos homens,

fazei que ela germine e dê muito fruto, para ser recolhido no celeiro do reino dos Céus.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que pelo pão e o vinho apresentados ao vosso altar dais ao homem o alimento que o sustenta e o sacramento que o renova, fazei que nunca falte este auxílio ao nosso corpo e à nossa alma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

«E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo» (Jo 6, 51)

“Na última Ceia, na noite em que foi entregue, o nosso Salvador instituiu o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da futura glória.  A Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos se alimentem à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecerem juntamente com o sacerdote, e não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos.” (1 Cor 15,28)

(Sacrosantum Concilium, liturgia, nº 47-48)

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu pão, C. Silva, NRMS 98

Sl 26, 4

Antífona da comunhão: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

 

ou

Jo 17, 11

Pai santo, guarda no teu nome os que Me deste, para que sejam em nós confirmados na unidade, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, porque é eterno, M. Luís, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a sagrada comunhão nos vossos mistérios, sinal da nossa união convosco, realize a unidade na vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração.

Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor

e se acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo.”

(Cf Ro 10, 8-10)

 

Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque «esta é, na verdade, a vontade de Deus: a nossa santificação» (1 Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projecto do Pai que visa reflectir e encarnar, num momento determinado da história, um aspecto do Evangelho.

Esta missão tem o seu sentido pleno em Cristo e só se compreende a partir d’Ele. No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. Mas pode também envolver a reprodução na própria existência de diferentes aspectos da vida terrena de Jesus: a vida oculta, a vida comunitária, a proximidade aos últimos, a pobreza e outras manifestações da sua doação por amor. A contemplação destes mistérios, como propunha Santo Inácio de Loyola, leva-nos a encarná-los nas nossas opções e atitudes. Porque «tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério», «toda a vida de Cristo é revelação do Pai», «toda a vida de Cristo é mistério de redenção», «toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação», e «tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n’Ele e Ele vivê-lo em nós».

(Papa Francisco, Exortação Apostólica, Gaudete et Exiultate, 19-20)

 

Cântico final: A vida só tem sentido, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

11ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-VI: Renovação da mentalidade.

1 Reis 21, 1-16 / Mt 5, 38-42

 Levaram-no então (a Naboth) para fora da cidade, apedrejaram-no e ele morreu.

Estamos diante de um episódio de intriga, inveja e mentira, que acabou num autêntico homicídio de um inocente.

Pelo contrário, Jesus pede uma nova mentalidade no convívio com as outras pessoas. É altura de acabar com a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Agora deve prevalecer o amor ao próximo (Ev.), a capacidade de humilhação, o desprendimento do próprio eu, o espírito de serviço, que exige esquecimento pessoal, interesse pelos problemas dos outros e ajuda aos mais necessitados.

 

3ª Feira, 19-VI: Heroicidade no perdão.

1 Reis, 21, 17-21 / Mt 5, 43-48

Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus.

Não é fácil seguir este ensinamento de Jesus (Ev.), sobretudo quando é preciso perdoar ou aceitar melhor aqueles que nos incomodam. Quando vivemos bem o amor ao próximo, ele torna-se um anúncio feliz para todas as pessoas, porque torna patente o amor de Deus, que não abandona ninguém.

O rei Acab arrependeu-se de todo o mal que tinha feito e Deus perdoou-lhe (Leit). Se alguma vez maltratamos alguém, sempre temos a oportunidade de compensarmos esse mal, arrependendo-nos e pedindo desculpa.

 

4ª Feira, 20-VI: É necessária uma recta intenção.

2 Reis 2, 1. 6-14 / Mt 6, 1-6, 16-18

Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai, presente no segredo.

O Senhor pede-nos que tenhamos uma intenção recta quando fizermos as nossas práticas religiosas (Ev.). É, pois, importante que haja uma conversão do nosso interior: «Jesus insiste na conversão do coração, desde o Sermão da Montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar; o amor aos inimigos; orar ao Pai 'no segredo' (Ev.); perdoar do fundo do coração na oração» (CIC, 2608).

Eliseu não pediu a Elias muitos bens, mas o que era mais importante aos olhos de Deus e da sua missão: «que eu possa herdar uma dupla força do teu espírito» (Leit.).

 

5ª Feira, 21-VI: Os tesouros do Pai-nosso.

Sir 48, 1-15 / Mt 6, 7-15

Quando orardes não digais muitas palavras como os pagãos. Orai, pois, deste modo: Pai nosso...

Procuremos descobrir os tesouros contidos no Pai-nosso. No que diz respeito às petições: depois de nos termos posto na presença de Deus nosso Pai, o Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem a nossa miséria à sua graça» (CIC, 2803).

Elias realizou grandes prodígios graças à sua oração, e foi levado ao céu num carro de fogo. Também Eliseu ficou cheio do mesmo espírito de Elias (Leit.).

 

6ª Feira, 22-VI: O nosso coração está em Deus.

2 Reis 11, 1-4. 9-18. 20 / Mt 6, 19-23

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O coração é, em sentido bíblico, o 'fundo do ser' ('as entranhas') em que a pessoa se decide ou não por Deus (Ev.). O 'tesouro' é o próprio Deus. Por isso, dizemos no Prefácio: o nosso coração está em Deus.

Quando o coração está cheio de maldade, podem acontecer coisas terríveis, como foi o caso de Atália, a mãe do rei, e dos crimes que cometeu (Leit.). Procuremos que o nosso coração esteja em Deus e em tudo o que se refere a Deus, e nos nossos familiares e amigos, no nosso trabalho e na família, etc.

 

Sábado, 23-VI: O alcance da Providência divina.

2 Cron 24, 17-25 / Mt 6, 24-34

Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas elas vos serão acrescentadas.

A Providência divina estende-se a todas as coisas criadas (os lírios, as ervas), aos homens (que havemos de comer?) e ao tempo (o pão de cada dia). Como bons filhos de Deus, coloquemos todos os nossos problemas nas mãos do nosso Pai Deus, que só quer o nosso bem, mesmo que seja contrário ao que pedíamos

Se as coisas não correm bem, não nos afastemos do Senhor. Descontente com as idolatrias, Zacarias, cheio do Espírito Santo, disse: «Uma vez que abandonaste o Senhor, também Ele vos abandonará» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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