Santo António de Lisboa

13 de Junho de 2018

 

S. António de Lisboa, presbítero e doutor da Igreja

Padroeiro secundário de Portugal

(Memória)

Em Portugal: Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

Sir 15, 5

Antífona de entrada: O Senhor deu-lhe a palavra no meio da assembleia, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e revestiu-o com um manto de glória.

 

Em Portugal diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje solenemente a Festa de Santo António de Lisboa, presbítero, doutor da Igreja e Padroeiro secundário de Portugal.

O estudo da sua vida constitui para todos nós um modelo a imitar se, como verdadeiros cristãos, desejamos encarnar na própria vida os valores evangélicos vividos por este santo.

Reconheçamos que nem sempre temos sido tão amigos de Deus e dos nossos irmãos necessitados como o foi Santo António.

Verdadeiramente arrependidos e com propósito firme de emenda, confessemos que somos pecadores e peçamos a misericórdia de Deus.

 

Oração colecta: Deus eterno e todo-poderoso, que em Santo António destes ao vosso povo um pregador insigne do Evangelho e um poderoso intercessor nas necessidades, concedei que, pelo seu auxílio, sigamos fielmente os ensinamentos da vida cristã e mereçamos a vossa protecção em todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta primeira leitura, tirada do livro de Ben Sirá ou Eclesiático, salienta que o estudo, a meditação e o anúncio da Palavra de Deus são as mais nobres actividades do homem.

 

Ben-Sirá 39, 8-14 (gr. 6-10)

6Aquele que medita na lei do Altíssimo, se for do agrado do Senhor omnipotente, será cheio do espírito de inteligência. Então ele derramará, como chuva, as suas palavras de sabedoria e na sua oração louvará o Senhor. 7Adquirirá a rectidão do julgamento e da ciência e reflectirá nos mistérios de Deus. 8Fará brilhar a instrução que recebeu e a sua glória estará na lei da aliança do Senhor. 9Muitos louvarão a sua inteligência, que jamais será esquecida. Não desaparecerá a sua memória e o seu nome viverá de geração em geração. 10As nações proclamarão a sua sabedoria e a assembleia celebrará os seus louvores.

 

A leitura começa (v. 8) fazendo apelo à ideia central do livro de Jesus Ben Sira: «Aquele que se dedica à Lei possuirá a sabedoria» (15, 1). Com efeito, logo no início da obra se diz que a sabedoria está em Deus (1, 1-8) e que Ele a comunica a toda a criação, muito em particular àqueles que O amam (1, 9-10). O trecho da leitura é extraído daquele conjunto em que se faz o elogio do escriba sábio (38, 25 – 39, 15). Estas são palavras que a liturgia aplica aos Santos Doutores da Igreja.

 

Salmo Responsorial     Sl 18 B (19 B), 8.9.10.11 (R. 10b)

 

Monição: Neste salmo de meditação, louvaremos a Deus porque a harmonia do mundo humano é criada pela Sua Palavra, como lei ou instrução, que ensina a humanidade a viver na fraternidade e na justiça.

 

Refrão:        Os juízos do Senhor são verdadeiros e rectos.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma.

As ordens do Senhor são firmes

e dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração.

Os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece eternamente.

Os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 5, 16

 

Monição: Através do testemunho visível dos discípulos de Cristo é que os homens podem descobrir a presença e a acção de Deus invisível.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras,

glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 13-19

Naquele tempo, 13disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte 15nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. 16Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. 17Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas não vim revogar, mas completar. 18Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

 

13 «O sal» preserva da corrupção e dá gosto aos alimentos, mas sem chamar a atenção com a sua presença. Assim a acção do cristão preserva o mundo da corrupção com a sua acção apostólica despretensiosa, agradável e cheia de naturalidade, mas sem deixar nunca de estar actuante; esta força vem-lhe da sua união a Cristo, da sua preocupação de santidade pessoal. Vem a propósito recordar a Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e à conduta dos católicos na vida política da Congregação para a Doutrina da Fé datada de 24.11.2002, que pretende «iluminar um dos aspectos mais importantes da unidade de vida que caracteriza o cristão, a saber: a coerência entre fé e vida, entre o Evangelho e a cultura, recolhida pelo Concílio Vaticano II». Por outro lado, tenha-se em conta que o sal, usado nos sacrifícios do A. T., também significava a perpetuidade e a inviolabilidade da aliança com Deus (cf. Lv 2, 13; Nm 18, 19).

16 «Glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus». O cristão tem de ser «luz» para iluminar, mas com grande rectidão de intenção: na sua acção apostólica não deve buscar o seu prestígio pessoal, mas ter plena consciência de que a luz maravilhosa da doutrina evangélica não é sua  e de que «as suas boas obras» não as faz principalmente pelas suas próprias forças; actua como instrumento nas mãos do artista divino; tem de brilhar, não com luz própria, mas reflectindo a luz de Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

Santo António, um enamorado da Palavra de Deus

Que testemunhou com a vida a fé que proclamava

 

Santo António, um enamorado da Palavra de Deus

 

Ter devoção a Santo António, muito para além de a ele recorrermos para interceder pelos nossos pedidos de graças e de milagres, é procurar imitá-lo no modo como encarnou na sua vida o amor à Palavra de Deus e aos mais necessitados.

Alguns dos prodígios a ele atribuídos são historicamente confirmados, embora muitos outros sejam claramente lendários nos quais a devoção popular insistiu demasiado e que fizeram esquecer os elementos essências da sua pessoa.

Para com mais clareza conhecermos Santo António temos de reconhecê-lo como um estudioso enamorado da Palavra de Deus. Alguém, como nos relata a primeira leitura de hoje, “cheio do espírito de inteligência” e que dedicou a sua vida à “meditação nos mistérios de Deus”.

Em todas as suas acções, em todas as ocasiões, em todos os actos de caridade, António lembrava a necessidade de dar a precedência à Palavra de Deus.

Durante muitos anos, ninguém reparara no profundo conhecimento da “aliança do Senhor”, o «cântico novo» que ele tinha adquirido.

Um dia em que faltara o pregador que devia fazer o solene sermão no dia da consagração de alguns novos sacerdotes, não encontraram substituto entre os Franciscanos. Pediram então ajuda aos Dominicanos. Todavia nenhum deles se atrevia a improvisar a pregação em cerimónia tão solene. Chamaram António como último recurso e este foi praticamente obrigado a aceitar. Aqui se revelou a sua capacidade oratória e o seu profundo conhecimento das Escrituras.

Os seus temas preferidos eram o amor de Deus, a oração e o amor pelos pobres. Denunciou a corrupção moral, o egoísmo dos ricos e a exploração dos trabalhadores. A este amor pelos pobres está ligada a tradição do chamado «Pão dos pobres». Como agradecimento ao Santo, por um favor recebido, oferece-se uma ajuda a quem passa necessidade. Por tudo isto, “a sua recordação não desaparecerá” como ouvimos na leitura de hoje que parece ter sido escrito a propósito de Santo António.

Com a sua pregação inspirada testemunhou com a vida a sua fé.

 

Que testemunhou com a vida a fé que proclamava

 

A Palavra que ouvimos no Evangelho: “vós sois o sal terra” aplica-se admiravelmente a Santo António. Recordemos que o sal não serve apenas para dar sabor aos alimentos. Também se usa para os conservar e impedir que se estraguem. O cristão é sal da terra também neste sentido. Com a sua presença impede que a humanidade se corrompa, apodreça e arruíne.

Ao adoptar muitas vezes tons severos ao denunciar os vícios, com a sua palavra António “queimava” como sal as feridas dos avarentos, dos corruptos, dos luxuriosos.

“Vós sois a luz do mundo”, continuou o Evangelho. Não se pode olhar directamente para a luz  porque cega, mas serve para iluminar os objectos. Daí que não se deva olhar para a luz, mas para as coisas por ela iluminadas. António sempre teve receio que alguém fixasse o olhar sobre ele em vez de o fazer sobre Cristo. Por tal motivo, procurou fazer tudo para que as pessoas não se sentissem atraídas ou manifestassem a sua admiração por ele, mas pelas obras de amor que por seu intermédio eram feitas e pudessem assim glorificar a Deus Pai que está nos céus, pois Deus é glorificado quando os homens se deixam conquistar pelo seu amor, não quando os aplaudem.

Os pobres aproximavam-se de António não pela sua sabedoria ou virtude, mas «pela sede que tinham da Palavra de Deus» por ele pregada, ao passo que, como ele dizia, «os mundanos se inebriavam com o cálice de ouro do vício, sem se deixarem anunciar pela mensagem divina».

“Aquele que praticar os mandamentos e ensinar será grande no reino dos céus”, dizia Jesus no final do texto evangélico de hoje. Para ser grande no reino dos céus não basta a profissão de fé feita com a boca, é necessária uma vida coerente com a fé que se proclama.

Este aspecto da espiritualidade foi bem sublinhado por Santo António quando dizia que «quem fala das coisas celestes deve viver celestialmente» e «cultivar em si mesmo o desapego das coisas terrenas e supérfluas, mortificando os afectos, guardando os sentidos, praticando as virtudes, vivendo a pureza e sendo misericordioso e paterno».

Para além de grande pregador, António é um santo que testemunhou com a vida a fé que proclamava. [O Senhor] Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa.

Levemos desta celebração o desejo e o compromisso de procurar imitar este santo procurando viver coerentemente a fé que dizemos professar, tornando-nos assim sal da terra e luz do mundo.

O Senhor quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa.

 

 

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor Jesus disse-nos no Evangelho:

“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo.”

Peçamos ao Senhor que nos ajude

a ser coerentes com a fé que professamos,

rezando:

 

Por intercessão de Santo António, Senhor, atendei as nossas preces.

 

1.     Que o Santo Padre, o Papa N.,

juntamente com todos os Bispos,

Presbíteros e Diáconos unidos na fé de Cristo,

dêem testemunho vivo dessa mesma fé,

oremos, irmãos.

 

2.     Que todos aqueles que vivem no erro

ou na ignorância de Cristo,

abram os seus corações e as suas mentes

e abracem a verdade que liberta,

oremos, irmãos.

 

3.     Que as nossas obras, concretas e verdadeiras,

realizadas por amor em favor dos homens,

sejam o sinal de que o Espírito de Cristo

está presente em nós, 

oremos, irmãos.

 

4.     Que todos nós aqui presentes,

nunca desanimemos perante as dificuldades

por que eventualmente tenhamos de passar,

e tenhamos a coragem de denunciar vivamente

tudo aquilo que seja contrário aos valores evangélicos,

oremos irmãos.

 

5.     Que o Espírito Santo faça crescer na fé,

na humildade, na sabedoria e no amor de Cristo

todos os crentes que ensinam, estudam ou escrevem,

oremos, irmãos.

 

6.     Que todos nós aqui reunidos em assembleia,

procuremos imitar Santo António,

dando bom testemunho do Evangelho,

oremos, irmãos.

   

Chegue até Vós, Senhor,

a humilde oração deste vosso povo,

e pela intercessão de Santo António,

dignai-Vos ouvi-lo com bondade,

não em atenção aos seus méritos,

mas à vossa infinita misericórdia.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nós somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10(I)

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos estes divinos mistérios, o Espírito Santo derrame em nós a luz da fé que iluminou sempre a vida de Santo António para anunciar ao mundo a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio dos Pastores da Igreja: p. 1032

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor, que vamos receber, reforcem em nós a unidade a Cristo, à Igreja e a todos os homens nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Louvai nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Jo 5, 16

Antífona da comunhão: Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, porque é eterno, M. Luís, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Deus de sabedoria infinita, que nos alimentais com o Corpo de Cristo, pão da vida, ensinai-nos com a sua doutrina e fazei que, ao celebrarmos a festa de Santo António, conheçamos melhor a vossa verdade e a pratiquemos na caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminarmos esta nossa celebração, confirmemos a nossa devoção a Santo António como modelo a imitar; que consigamos encarnar na própria vida os valores por ele tão proclamados; e tenhamos a coragem de denunciar todos os vícios, corrupções ou desvios que se sejam contrários aos verdadeiros valores evangélicos.

 

Cântico final: A Santo António elevemos, M. Faria, NRMS 18

 

 

HomiliaS FeriaIS

 

5ª Feira, 14-VI: A vivência da caridade fraterna

1 Reis 18, 41-46 / Mt 5, 20-26

Deixa aí a tua oferta, diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem então apresentar a tua oferta.

Jesus ajuda a descobrir novos modos de viver a caridade fraterna, ligada ao amor de Deus (Ev.). Vivendo a comunhão com os nossos irmãos entraremos em comunhão com Cristo. Elias, pela sua oração, acaba com uma seca de muitos anos (Leit.).

Isto é possível se descobrirmos a imagem de Deus nos outros, restaurada por Cristo. «Foi em Cristo, 'imagem do Deus invisível', que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Assim como foi em Cristo, redentor e salvador, que a imagem divina, deformada pelo 1º pecado, foi restaurada na sua beleza original» (CIC, 1701).

 

6ª Feira, 15-VI: Manter o coração limpo.

1 Reis 19, 9. 11-16 / Mt 5, 27-32

Todo aquele que tiver olhado uma mulher, para a desejar, já cometeu adultério.

Jesus pede-nos que vivamos bem o 9º mandamento da Lei de Deus (Ev.), pois levamos o tesouro do amor de Deus em vasos de barro, que se podem quebrar.

Precisamos combater as tentações internas contra a castidade: guardar os sentidos, travar as imaginações, as recordações, etc. Mantenhamos o mais limpo possível o nosso coração, para amarmos a Deus e ao próximo. O profeta Elias descobriu a presença do Senhor por uma simples brisa, e logo começou a contar-lhe as suas dificuldades, e a pedir-lhe ajuda, pois queriam tirar-lhe a vida (Leit.).

 

Sábado, 16-VI: Verdade e fidelidade.

1 Reis 19, 19-21 / Mt 5, 33-37

A vossa linguagem deve ser sim, sim; não, não. O que for além disto vem do Maligno.

Como Jesus é a Verdade, pode pedir aos seus discípulos um amor incondicionado à verdade (Ev.). A verdade consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia (CIC, 2146). E, ao mesmo tempo, evitar, por exemplo, todo o tipo de mentiras.

A verdade aplica-se também à fidelidade aos chamamentos de Deus. O profeta Eliseu, quando foi chamado, deixou imediatamente tudo para cumprir a vontade de Deus (Leit.). Seremos verdadeiros se adequarmos a nossa conduta aos preceitos do Senhor.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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