10º Domingo Comum

10 de Junho de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Minha Luz e Salvação, D. Julíen, mel. em Cantemos Todos, n.s 421.

 

Salmo 26, 1-2

Antífona de entrada: O Senhor é minha luz e salvação: a quem temerei? O Senhor é protector da minha vida: de quem hei-de ter medo?

 

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Evangelho de hoje diz-nos que os conterrâneos de Jesus não O aceitam como enviado de Deus. Olhando para os seus discípulos disse: «quem fizer a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.» Hoje, Jesus eleva-nos à categoria de membros da Sua família. A segunda leitura ensina que a certeza da ressurreição dá sentido à nossa vida neste mundo e abre-nos o horizonte da vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição:  «Estabelecerei inimizade entre a tua descendência e a descendência dela.» 

Perdida a amizade divina o homem encontra-se reduzido à sua condição de ser limitado. O homem acusa a mulher. Esta desculpa-se com a serpente. Deus promete o triunfo do bem que há-de vencer a injustiça e o egoísmo.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

Narra-se nos primeiros versículos deste capítulo do Livro do Génesis (vv. 1-8) a queda dos nossos primeiros pais: a serpente tenta a mulher e esta induz o marido.

Agora Deus procede ao contrário: pergunta primeiro ao marido (vv. 9.11); este responde (vv. 10.12); depois pergunta à mulher (v. 13) mas à serpente não pergunta; amaldiçoa-a directamente (v. 14).

Por aqui se vê que as perguntas dirigidas por Deus a modo de instrução judicial, não são um meio de que necessite para o conhecimento da situação, mas sim uma forma de que se serve para que os réus sejam conscientes da culpa e entendam a pena.

«Onde estás?» (v. 9) Porque te escondes? Não é verdade que Deus passeava sempre pela brisa da tarde ao encontro de Adão? E tinha então algum receio da presença de Deus? Então que te aconteceu?

Adão reconhece que agora tem medo e esse medo vem da sua nudez (v. 10). Não estava nu antes? Sim, mas agora a nudez é algo que lhe provoca o descontrolo, o desequilíbrio das paixões em ebulição entre as quais a vergonha da mulher e o medo de Deus.

«Quem te deu a conhecer?» (v. 11). A árvore da ciência do bem e do mal não acrescenta um único conhecimento objectivo ao homem; só lhe acrescenta um conhecimento subjectivo: o da própria malícia. A partir de então o corpo deixa de ser aquilo que é objectivamente, um dom esponsalício de Deus ao homem, e do homem à sua mulher, para se converter subjectivamente num instrumento de malícia, num potencial para a própria maldade,

«A mulher que me deste.» (v. 12). Não era ela totalmente sua? Não era inclusivamente carne da sua carne (cf. Gen 2, 23)? Como é que agora ela se distancia tanto do homem («a mulher que puseste na minha companhia»)? Por estas palavras quase parece ter sido a mulher uma imposição de Deus ao homem, e não ao contrário, uma ajuda adequada para ele (cf. Gen 2,8). Pelo pecado, mesmo as ajudas de Deus perdem a sua graça, as bênçãos são vistas como mal- dições e as dádivas como tributos. O dom de Deus é difícil de perceber pelo pecador (cf. Jo 4,10), que o vê como um peso, um impecilho, uma imposição. É o egoísmo que nos faz pensar assim.

«Que fizeste?... A serpente enganou-me» (v. 13). A mulher ainda se refugia na serpente mas menos do que o homem se tinha refugiado nela. As suas palavras são poucas como quem reconhece mais que pecou. Se é verdade que o Génesis nos apresenta a mulher com mais culpa também o é que ela parece mais arrependida, com menos palavreado de falsa justificação.

O v. 15 apresenta-nos a vingança de Deus. O Senhor usa precisamente a descendência da mulher para sanar o pecado que nela se tinha gerado.

 

Salmo Responsorial    Sl 129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Monição: O salmo 129 é um hino de acção de graças pelo perdão divino. Deus não acusa. Com o salmista cantamos a força purificadora da confissão e suplicamos alegremente: “Se tiverdes em conta os nossos pecados, Senhor, quem poderá salvar-se?”

No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Refrão:        No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Ou:               No Senhor está a misericórdia,

                no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão,

para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Acreditamos; por isso, falamos.»

Os sofrimentos do dia a dia não preocupam o Apóstolo S. Paulo, pois deposita toda a sua esperança no Senhor que lhe concederá uma recompensa na “morada eterna.” Ele recomenda-nos uma atenção especial para os bens do espírito: “As coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas.”

 

2 Cor 4,13 5,1

Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d'Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

 

Três elementos parecem surgir na visão antropológica do Apóstolo: as coisas externas, corruptíveis, aquilo que é interno, que se renova cada vez mais, e a Ressurreição da carne.

No momento presente é a fé que nos faz falar (v. 13; cf. Ps 116,10). Essa fé revela-nos que, tal como Cristo, seremos ressuscitados, isto é, também segundo a carne (v. 14).

Tal facto afiança-nos na alegria, na acção de graças contínua a Deus (v. 15), apesar de que, visivelmente, o nosso exterior se corrompa e esteja destinado a morrer, com padecimentos, certamente, mas não definitivos (v. 16); mais ainda: esta tribulação presente é leve (v. 17).

Tenha-se em conta que a visão de S. Paulo nunca é dualista: não se trata de um desprezo do corpo por ser corruptível, e em espiritualismo galopante de dia para dia. 0 Apóstolo é claro: quem se corrompe é o «nosso homem» (hêmôn anthrôpos); a pessoa inteira sofre com a degradação de uma das suas partes.

Consola-nos a fé, porque se a nossa habitação terrestre se vai dissolvendo, Deus prepara-nos uma casa eterna nos céus (v. 1).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 7, 16

 

Monição: “Satanás está perdido.”

Jesus é acusado pelos escribas: “Está possesso Belzebu.” Jesus não é compreendido pelos seus familiares, que dizem: “está fora de si.” Jesus cumpre a missão que o Pai. Por isso, quando “for levantado da terra atrairá todos a Ele” (Jo 12, 32)

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia, J. Santos, NRMS, n.º 2 (I).

 

Chegou a hora em que vai ser expulso

o príncipe deste mundo, diz o Senhor;

e quando Eu for levantado da terra,

atrairei todos a Mim.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 3,20 35

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos que, ficando fora, mandaram-n'O chamar. A multidão estava sentada em volta d'Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?» E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».

 

O texto do Evangelho da Missa de hoje apresenta 3 partes: a situação prévia e a reacção dos familiares de Jesus (vv. 20-21); a acusação dos escribas (vv. 22-30); de novo os familiares de Jesus (vv. 31-34).

Como vemos, existe uma espécie de inclusão da atitude dos familiares de Jesus, que constitui como que a moldura que envolve uma narração de polémica do Senhor com os escribas que tinham descido de Jerusalém. As pessoas da família do Mestre não têm tanta azáfama (cf. v. 20), porque o conheciam desde pequenino, como um rapaz completamente normal, e tentam pará-l'O, talvez para que serene e reflita sobre aquele modo louco de proceder (v. 21).

Tal atitude é, além disso, justificada pelas autoridades religiosas, os homens importantes que tinham chegado de Jerusalém; são os que desceram (katabantes) de Jerusalém, que vêm arvorados em juízes, denunciando o Senhor como um possesso de Belzebu (v. 22).

Assim Cristo vê-se obrigado a não só pregar o Reino de Deus, como também a fazer a sua apologia, vincando a impossibilidade de atacar alguém sem ter alguma inimizade com o atingido, e sem, pelo menos, tê-lo impedido de se defender (vv. 23-27). Se o demónio estava manietado já não era mau de todo; algum contributo bom era forçoso admitir da pregação de Jesus.

Mas há ainda outro argumento. De facto a segunda parte do discurso (vv. 28--29) começa com um corte nítido («em verdade vos digo») e um tom notoriamente severo: acusa-se o pecado e dá-se-Ihe, além disso, uma pena («nunca será perdoado» e «será réu de delito perpétuo». Este argumento só é dito no fim: tem espírito imundo (v. 30). A acusação da falta de pureza, não era somente uma calúnia ou uma manifestação raivosa – como, aliás, todas as outras – de recusa na aceitação da pregação do Mestre; era algo que feria o mais íntimo da Pessoa de Cristo e que atentava retorcidamente, de modo diabólico, contra tudo o que o Senhor viera fazer e ensinar. «A fornicação – dirá mais tarde S. Paulo – nem se mencione entre vós» (Ef 5,3).

O Senhor nem sequer se detém na defesa tratando o tema da castidade. Esta acusação provoca a ira divina; isto é algo muito mais sério: é a blasfémia contra o Espírito Santo. E vemos Jesus não já ferido mas irado. A acusação de impureza contaminava imediatamente todos os que andavam com Cristo, e que eram os seus verdadeiros familiares (vv. 33-35). Afastar dele os seus discípulos com um argumento deste género era algo muito mais grave do que simplesmente a calúnia que colocava em guardar aqueles que ainda O não conheciam, ou, pelo menos, não viviam com Ele. Que afastassem d'Ele, ou hostilizassem os seus familiares segundo a carne, era-Lhe mais suportável do que corromperem a relação que unia Cristo com aqueles que procuravam fazer a Vontade do Pai, os seus verdadeiros familiares, segundo o Espírito. E Jesus amaldiçoa violentamente tal tentativa, chamando-a pecado contra o Espírito.

E é então que voltamos a ver os familiares de Jesus. Vêm, desta vez com a Sua Mãe, e não para O deter mas para Lhe falar. Podemos presumir razoavelmente que Ela os terá aproximado do Filho mudando-lhes a atitude que antes tinham (vv. 31-32).

 

Sugestões para a homilia

 

Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Na primeira leitura, o autor do livro do Génesis leva-nos ao jardim do paraíso e relata o diálogo de Deus com o homem: “Onde Estás?” Adão respondeu: “Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me”. Desobedecendo a Deus os nossos primeiros pais sentem vergonha e medo. Estes sentimentos são sinais de ruptura com a anterior situação de inocência e de harmonia. A “árvore do conhecimento do bem e do mal” significa o orgulho e a auto-suficiência. Não devemos prescindir de Deus para decidir por nós próprios o que é bem e o que é mal. Ao defender-se, o homem acusa a mulher: “a mulher, que me deste por companheira, deu-me do fruto da árvore e eu comi”. Vem, depois, a “defesa” da mulher: “a serpente enganou-me e eu comi”. Deus, é justo juiz. Deus não abandonou a humanidade e anunciou a Boa Nova: “Estabelecerei inimizade entre ti (serpente) e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça.” Da descendência da mulher havia de nascer, Jesus o Salvador. Adão e Eva tinham sido felizes, ao ponto de terem a alegria de passear com Deus, “ pela brisa da tarde”. Que nostalgia desse tempo! A nossa alma tem sede de viver com Deus. E Deus alimentou esse nosso desejo, revelando-nos: “As minhas delícias consistem em viver no meio dos filhos dos homens!” Na plenitude dos tempos, Deus Pai cumpriu a sua promessa. Jesus veio acampar no meio de nós. “Habitou no meio de nós o Verbo cheio de graça e da sua plenitude todos nós recebemos. A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. (J0 1, 14) Jesus é o Emanuel. “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho chamado Emanuel, que quer dizer Deus connosco.” No Evangelho de hoje vemos Jesus rodeado da multidão e dos seus discípulos, sentados ao seu redor, escutando as suas palavras. Que Boa Nova! Que Feliz anúncio: “Quem fizer a vontade de Meu Pai, esse é Meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Com a Liturgia recordamos: “Pai santo, Vós revelastes na plenitude dos tempos o mistério escondido: Em Cristo, novo Adão e em Maria, nova Eva, manifestaste finalmente a vossa Igreja, primícias da humanidade redimida.” (Prefácio de Nossa Senhora). Nós somos a nova família de Jesus. Ele ensinou-nos a chamar a Deus com o nome de Pai. Jesus fez-nos esta confidência: “Pedireis em meu nome. Não digo que rogarei por vós, porque o próprio Pai vos ama, porque me amastes e acreditastes que Eu vim de Deus.” (Jo 16,26-27) Nós somos Seus filhos “muito amados.” Acerca dos que acreditam em Jesus e o recebem, S. João escreveu no Prólogo do seu Evangelho: “Estes não nasceram da vontade da carne e do sangue, mas de Deus.” Obrigado, Jesus, porque hoje nos revelais a nossa verdadeira identidade: nós somos a vossa família.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Reino de Deus requer a nossa colaboração, mas é sobretudo iniciativa e dom do Senhor. A nossa obra frágil, se for inserida na de Deus não receia as dificuldades. A vitória do Senhor é certa. »

O Evangelho de hoje é formado por duas parábolas muito breves: a da semente que germina e cresce sozinha, e a do grão de mostarda (cf. Mc 4, 26-34). Através destas imagens tiradas do mundo rural, Jesus apresenta a eficácia da Palavra de Deus e as exigências do seu Reino, mostrando as razões da nossa esperança e do nosso compromisso na história.

Na primeira parábola a atenção é dada ao facto de que a semente, lançada na terra, ganha raiz e se desenvolve sozinha, quer o camponês durma quer vigie. Ele tem confiança no poder interno da semente e na fertilidade do terreno. Na linguagem evangélica, a semente é símbolo da Palavra de Deus, cuja fecundidade é recordada por esta parábola. Do mesmo modo como a semente humilde se desenvolve na terra, também a Palavra age com o poder de Deus no coração de quem a ouve. Deus confiou a sua Palavra à nossa terra, ou seja, a cada um de nós com a nossa humanidade concreta. Podemos ser confiantes, porque a Palavra de Deus é palavra criadora, destinada a tornar-se «o grão abundante na espiga» (v. 28). Esta Palavra, se for aceite, certamente dará os seus frutos, porque o próprio Deus a faz germinar e maturar através de veredas que nem sempre podemos verificar e de um modo que nós não sabemos (cf. v. 27). Tudo isto faz compreender que é sempre Deus, é sempre Deus quem faz crescer o seu Reino — por isso rezamos tanto para que «venha a nós o vosso Reino» — é Ele quem o faz crescer, o homem é seu humilde colaborador, que contempla e rejubila pela criadora acção divina e aguarda paciente os seus frutos.

A Palavra de Deus faz crescer, dá vida. E aqui gostaria de vos recordar mais uma vez a importância de ter o Evangelho, a Bíblia, ao alcance — o Evangelho pequeno na bolsa, no bolso — e de nos alimentarmos todos os dias com esta Palavra viva de Deus: ler todos os dias um excerto do Evangelho, um trecho da Bíblia. Nunca vos esqueçais disto, por favor. Porque é esta a força que faz germinar em nós a vida do Reino de Deus.

A segunda parábola utiliza a imagem do grão de mostarda. Apesar de ser a mais pequenina de todas as sementes, está cheia de vida e cresce até se tornar «a planta mais frondosa do horto» (Mc 4, 32). É assim o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena e de aparência irrelevante. Para fazer parte dele é preciso ser pobre de coração; não confiar nas próprias capacidades, mas no poder do amor de Deus; não agir para ser importante aos olhos do mundo, mas precioso aos olhos de Deus, que tem predilecção pelos simples e humildes. Quando vivemos assim, através de nós irrompe a força de Cristo e transforma o que é pequenino e modesto numa realidade que faz fermentar toda a massa do mundo e da história.

Obtemos destas duas parábolas um ensinamento importante: o Reino de Deus requer a nossa colaboração, mas é sobretudo iniciativa e dom do Senhor. A nossa obra frágil, aparentemente pequenina face à complexidade dos problemas do mundo, se for inserida na de Deus não receia as dificuldades. A vitória do Senhor é certa: o seu amor fará germinar e crescer todas as sementes de bem presentes na terra. Isto abre-nos à confiança e à esperança, não obstante os dramas, as injustiças, os sofrimentos que encontramos. A semente do bem e da paz germina e desenvolve-se, porque o amor misericordioso de Deus a faz amadurecer.

A Virgem Santa, que acolheu como «terra fecunda» a semente da Palavra divina, nos ampare nesta esperança que nunca nos desilude.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 14 de Junho de 2015

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos e irmãs, a Deus Pai de misericórdia,

que quer salvar todos os homens, e peçamos-Lhe que saibamos resistir

às promessas enganadoras da serpente,

suplicando (ou: cantando), com toda a confiança:

 

R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.

 

1. Para que os fiéis das nossas Dioceses e comunidades

acreditem em Jesus ressuscitado

e falem d’Ele com o desassombro de São Paulo, oremos.

 

2. Para que os homens creiam em Deus que os criou,

não se deixem enganar por Satanás,

mas escutem a voz da consciência, oremos.

 

3. Para que Deus multiplique os frutos da terra,

dê aos mais pobres o pão de cada dia,

e a todos ensine a ser discípulos do seu Filho, oremos.

 

4. Para que os pecadores se convertam do pecado,

os doentes tenham saúde e alegria

e os defuntos recebam nos céus a vida eterna, oremos.

 

5. Para que os membros da nossa assembleia

procurem fazer a vontade de Deus Pai,

e Jesus os reconheça como irmãos, oremos.

 

 Senhor, nosso Deus,

dai-nos a audácia de ser santos

e de proclamar com alegria que só em Vós está a misericórdia

e a abundância da redenção. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Deus e Senhor, Perruchot, mel. em Cantemos Todos, n.9 63.

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor.

 

Santo: J. Santos, NRMS, n.s 50-51.

 

Monição da Comunhão

 

“Na noite em que Nosso Senhor Jesus Cristo foi entregue, tomando o pão e dando graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: Tomai e comei; isto é o meu Corpo. Depois, tomando o cálice e dando graças, disse: Tomai e bebei; isto é o meu Sangue.” (I Cor 11, 23-25) Tendo dito sobre o pão: Isto é o meu Corpo, quem se atreverá a duvidar? Tendo afirmado e dito: Isto é o meu Sangue, quem ousará ainda duvidar? Instruídos pela doutrina da fé acreditamos que aquilo que parece pão, não é pão, muito embora seja sensível ao gosto, mas é o Corpo de Cristo; e o que parece vinho, não é vinho, ainda que tenha esse sabor, mas é o Sangue de Cristo.

(Catequeses de Jerusalém, Liturgia das Horas, Vol II, Sábado da oitava da Páscoa, p 581)

 

Cântico da Comunhão: É Cristo quem nos convida, Carlos Silva, mel. em Cantemos Todos, n.s 107.

 

Salmo 17, 3

Antífona da comunhão: Sois o meu protector e o meu refúgio, Senhor; sois o meu libertador; meu Deus, em Vós confio.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele.

 

Cântico de acção de graças: Felizes os que habitam na Vossa Casa, Senhor, B. e Sousa, mel. em Cantemos Todos, n° 180.

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a acção santificadora deste sacramento nos liberte das más inclinações e nos conduza a uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e Minha mãe.»

Comentário de Santa Teresinha do Menino Jesus:

«Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos diz o Senhor.» (Is 55,8) O mérito não consiste em fazer, nem em dar muito, mas antes em receber e amar muito. Está dito que a felicidade está mais em dar do que em receber (Act 20,35) e é verdade, mas quando Jesus quer tomar para Si a doçura de dar, não é delicado recusar. Deixemo-Lo tomar e dar tudo o que quiser; a perfeição consiste em fazer a sua vontade, e a alma que se entrega totalmente a Ele é chamada pelo próprio Jesus «sua mãe, sua irmã» e toda a sua família. Aliás, «se alguém Me tem amor, guardará a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23). Oh, como é fácil agradar a Jesus, deleitar o seu coração; basta amá-Lo, sem olhar demasiado para nós próprios.

 (Santa Teresa do Menino Jesus, Carta 142)

 

Cântico final: Louvado sejais, Senhor, m. Faria, NRMS, n.9 2 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

10ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-VI: S, Barnabé: O cumprimento da sua missão.

Act 11, 21-26 / Mt 10, 7-13

É que ele (Barnabé) era um homem bom e cheio do Espírito Santo e de fé. E considerável multidão aderiu ao Senhor.

S. Barnabé foi um dos primeiros fiéis da igreja de Jerusalém. Anos depois, foi destacado para pregar o Evangelho em Antioquia e, mais tarde, para acompanhar S. Paulo na sua primeira viagem apostólica.

Graças ao seu trabalho apostólico entre os pagãos muitos se converteram (Leit.). Todos somos evangelizadores, na medida em que encontrámos o amor de Deus em Cristo e precisamos crescer, procurando uma melhor formação, um aprofundamento do nosso amor e um testemunho mais claro do Evangelho.

 

3ª Feira, 12-VI: Aprender a viver da fé.

1 Reis 17, 1-6 / Mt 5, 1-12

Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus.

A luz a que Jesus se refere (Ev.) é a luz da fé, que deve estar bem viva em cada um de nós, para podermos dar testemunho aos outros e assim possam glorificar a Deus.

O profeta Elias ensinou a viúva de Sarepta a viver da fé na palavra de Deus, que não falta às suas promessas; que não lhe faltaria mais o alimento em sua casa e não morreriam de fome, ela e o filho (Leit.). É com esta fé em Cristo que nós poderemos alcançar a verdade, que acreditamos que a força de Deus está presente na história, que o sofrimento tem valor salvífico, e assim renovaremos a face da terra.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     José Miguel Ferreira Martins

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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