Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

31 de Maio de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 80,17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje a Igreja convida-nos a louvar e adorar a Jesus presente na Eucaristia. Ele é verdadeiro Deus, Senhor do Céu e da terra. Fez-se homem e quis ficar em nossos altares para ser para nós Pão de vida eterna. Amemo-Lo cheios de fé e adoremo-Lo no Santíssimo Sacramento.

 

Examinemo-nos dos nossos pecados sobretudo com a Santíssima Eucaristia.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés celebrou a Aliança entre Deus e o povo escolhido no Monte Sinai. Essa aliança manifesta o amor e proteção de Deus a Israel e a promessa do povo para ser fiel a Deus, cumprindo os mandamentos.

 

Êxodo 24, 3-8

Naqueles dias, 3Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». 4Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. 5Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. 6Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. 7Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». 8Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».

 

Este texto refere a ratificação da antiga Aliança, por mediação de Moisés, entre dois protagonistas, Deus e o povo de Israel. O rito é descrito com dois elementos, a saber: um (vv. 3a. e 7), a leitura das cláusulas postas por Deus – «as palavras do Senhor» (debarim: ou Decálogo, cf. Ex 20) e «as leis (mixpatim: ou Código da Aliança, cf. Ex 21 – 22) –, com a correspondente aceitação pela parte do povo – «nós o poremos em prática» (vv. 3b e 7). O outro elemento é o sacrifício para selar a Aliança (vv. 4b-6). É interessante notar como a descrição deste sacrifício conserva uns traços muito primitivos, pois quem imola os animais não são sacerdotes, mas «alguns jovens» (v. 5), num altar construído ad hoc e tendo à volta doze estelas (v.4). Os ritos de sangue eram correntes entre os povos nómadas daqueles tempos, mas, para o povo de Israel, este rito encerra um significado particular. Com efeito, o sangue é a vida (cf. Gn 9, 4) e a vida é pertença só de Deus, por isso ele só deve ser derramado sobre o altar, ou ser usado para ungir pessoas consagradas a Deus (cf. Ex 29, 19-21); ao dizer-se que Moisés «aspergiu com ele o povo» todo (v. 8), deixa-se ver que esta aliança não apenas vincula o povo às cláusulas, para obedecer às leis de Deus, mas sobretudo que este povo fica a pertencer a Deus, como um povo santo, que Lhe é consagrado, um povo sacerdotal (cf. Ex 19, 3-6). O sangue derramado em partes iguais – «metade sobre o altar» (v. 6), que representa a Deus, e a outra «metade» sobre o povo (v. 8) – mostra os laços estreitos da comunhão de vida que a aliança cria entre Deus e o povo, num impressionante simbolismo. Uma tal união e aliança é a prefiguração da nova, universal e definitiva aliança, aquela que unirá para sempre, de modo sobrenatural, o homem com Deus, através do sangue de Cristo (cf. Mt 26, 28; Heb 9, 11.28: 2.ª leitura de hoje)

 

Salmo Responsorial     Sl 115 (116), 12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)

 

Monição: Este salmo convida-nos a agradecer a Deus os Seus benefícios A melhor ação de graças é a Eucaristia. Com Jesus damos graças pelas maravilhas que realizou e continua a realizar por todos nós.

 

Refrão:        Tomarei o cálice da salvação

                     e invocarei o nome do Senhor.

 

Ou:               Elevarei o cálice da salvação,

                     invocando o nome do Senhor.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos Hebreus o Senhor fala-nos da oferta que Jesus fez de Si mesmo ao Pai como sacrifício agradável. Ele é o Mediador da Nova e Eterna Aliança, selada pelo Seu Sangue.

 

Hebreus 9, 11-15

Irmãos: 11Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, 12e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. 13Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, 14quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! 15Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.

 

Cristo é apresentado como Sumo Sacerdote, numa alusão aos ritos judaicos do Dia da Expiação (Yom Kipur), em só o sumo sacerdote entrava na parte mais sagrada do santuário, o Santo dos Santos. Ele «atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito» (v. 11), isto é, segundo a interpretação feita pela tradução, o Santuário do Céu, aonde subiu e onde continua a exercer a sua mediação salvífica.

12-15 O sacrifício de Cristo, com a oferta do seu próprio sangue, isto é, da sua vida imolada, tem uma eficácia infinitamente superior à dos sacrifícios antigos que não obtinham mais do que uma pureza legal e exterior.

14 «Quanto mais o sangue de Cristo… pelo espírito eterno». É em virtude da sua natureza divina que o seu sacrifício tem um valor infinito, que não apenas supera os sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, mas os torna obsoletos.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição: S.Marcos relata a última Ceia de Jesus e a instituição da Eucaristia. Avivemos a nossa fé neste mistério admirável.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 14, 12-16.22-26

12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. 14Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?» 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». 23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». 26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

 

Estamos no relato evangélico da última Ceia de Jesus, segundo Marcos. Tratando-se duma Ceia Pascal, é deveras impressionante que nenhum evangelista relate a comida do cordeiro, o elemento central da ceia judaica. É que todo o interesse se centra nas palavras e nos gestos de Jesus. Aqui tudo é diferente, porque o cordeiro é Ele próprio.

13-14 O pormenor aqui relatado mostra como Jesus tinha tudo previsto cuidadosamente e parece até indiciar que Ele quereria ocultar a Judas o local da Ceia para evitar a consumação da traição neste momento.

15 «Uma grande sala grande no andar superior, alcatifada e pronta». Estes pormenores, que não aparecem nos outros evangelistas podem denunciar, de acordo com a tradição, que o Cenáculo era propriedade de Maria de Jerusalém, a mãe de Marcos, o próprio evangelista que no-los relata.

22 «Isto é o meu Corpo». A expressão de Jesus é categórica e terminante, com exactamente as mesmas palavras nos quatro relatos paralelos que há no Novo Testamento; não deixa lugar a mal entendidos. Não diz: aqui está o meu Corpo, nem isto é o símbolo do meu Corpo, mas sim: isto é o Meu Corpo, como se dissesse: «este pão já não é pão, mas é o Meu Corpo», isto é, «sou Eu mesmo». Todas as tentativas de entender estas palavras num sentido simbólico fazem violência ao texto; com efeito, «ser» no sentido de «ser como», «significar», só se verifica quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como o signifique. Por outro lado, Jesus, com a palavra «isto» não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; por isso, não tem sentido dizer que com a fracção do pão o Senhor queria representar o despedaçar do seu Corpo por uma morte violenta. E Jesus não podia querer dizer uma tal coisa; se o tivesse querido dizer, teria de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era, afinal, um gesto usual do chefe da mesa, em todas as refeições, e ninguém lhe podia descobrir outro sentido; por outro lado, o gesto de beber o cálice muito menos condizia com esse tal suposto sentido. Os Apóstolos entenderam as palavras no seu verdadeiro realismo (cf. Jo 6, 51-58). Assim as entende e prega S. Paulo (1 Cor 11) e a Igreja Católica assistida indefectivelmente por Cristo e pelo Espírito Santo. O mistério eucarístico é tão transcendente que não podia passar pela cabeça humana sequer sonhá-lo (cf. a recente Encíclica Ecclesia de Eucharistia). Assim fala São Justino a meados do século II: «Não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciado a acção de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se incarnou».

 

Sugestões para a homilia

 

1) Tomai e comei

2) Este é o Meu Sangue da nova e eterna aliança

3) Para servirmos ao Deus vivo

 

 

1)Tomai e comei

Esta festa do Corpo de Deus anima-nos a avivar a nossa fé na Santíssima Eucaristia, Jesus vivo cá na terra escondido no Pão e no Vinho consagrados na Santa Missa. Ele repete sobre o altar pelo ministério dos sacerdotes o que fez na última Ceia, como escutávamos no Evangelho. Não vemos a transformação que se opera na consagração, mas sabemos que é verdade, porque Jesus o ensinou. Ele é a própria verdade e tem todo o poder, porque é Deus. O povo deu a esta festa o nome de Corpo de Deus, porque Ele é verdadeiro homem e por isso tem um corpo humano que está vivo no Céu e se torna presente na Santa Missa e depois se conserva nos sacrários das nossas igrejas. É também verdadeiro Deus e tem todo o poder para realizar este prodígio maravilhoso. Ele manifestou esse poder através dos milagres que operou na Sua vida pública. O primeiro é já uma preparação directa para a eucaristia: nas bodas de Caná mudou a água em vinho, vinho bom e abundante que surpreendeu o encarregado do banquete.

Preparou-o também com a multiplicação dos pães, para matar a fome à multidão que O seguia: com cinco pães e dois peixes saciou a mais de cinco mil pessoas. No final recolheram doze cestos do pão que sobrou. No dia seguinte Jesus falou-lhes do Pão do céu que iria dar e que seria o Seu Corpo e Sangue.

Avivemos a nossa fé em Jesus vivo na Eucaristia e manifestemo-la com obras. Uma delas é responder ao convite que nos dirige em cada missa: tomai e comei.

Outra é procurar recebê-Lo dignamente, preparando bem a nossa alma. Muitos vão comungar e não se confessam. S.Paulo avisava os primeiros cristãos, ao falar-lhes da Eucaristia, dizendo: Examine-se cada um a si mesmo e assim coma deste pão, porque aquele que o come e bebe não distinguindo o corpo do Senhor come e bebe a sua própria condenação (1 Cor 11,28-29). Não podemos ir comungar depois de um pecado grave, sem antes nos confessarmos. E devemos confessar-nos com frequência mesmo dos pecados veniais, como lavamos a roupa e tomamos banho para andar limpos e poder receber em nossa casa uma pessoa importante.

Outra manifestação de fé é louvar e adorar o Senhor como hoje fazemos com a procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento, nesta festa do Corpo de Deus.

Outra ainda é visitar a Jesus no Sacrário da nossa igreja onde tantas vezes está sozinho. O Santo Padre S.João Paulo II deu-nos um belo exemplo de amor a Jesus no Sacrário. Tinha ao lado do seu gabinete de trabalho a capela, onde ia muitas vezes ao dia e onde escrevia alguns dos seus discursos. Ali chegava a passar noites inteiras prostrado em oração.

 

 

2) Este é o Meu Sangue da nova aliança

 

O Senhor realizou com os homens uma Nova e eterna aliança através do Seu sangue. Não é já a aliança do Sinai que Deus fez por intermédio de Moisés.

Jesus constituiu o novo povo de Deus formado por judeus e gentios e santificado pelo Seu Sangue. Foi esse Sangue divino derramado na Cruz que selou a nova Aliança. Por isso ouvíamos na segunda leitura tirada da Carta aos Hebreus: “ele é mediador de uma nova aliança...Não derramou sangue de cabritos e de touros mas o Seu próprio sangue e alcançou-nos uma redenção eterna” (2ª leit). E no Evangelho Jesus disse ao tomar o cálice: “Este é o Meu Sangue, o sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens”.

Somos o Povo de Deus, a Igreja santa, que Deus ama e em que Ele espera o nosso amor. Essa aliança torna-se presente em cada missa e ali se deve renovar uma e outra vez pela entrega do nosso coração.

A Igreja vive da Eucaristia. Ela faz a Eucaristia mas também é a Eucaristia que faz a Igreja, que a reúne à volta de Cristo e nos une uns aos outros. “Todos os que participamos do mesmo pão formamos um só Corpo” - lembra S.Paulo (1 Cor 10, 17).

A Santa Missa há-de ajudar-nos a viver melhor a caridade com os nossos irmãos e com todos os homens. Ficamos mais unidos a Cristo e mais unidos uns aos outros. Se a vivermos devidamente sentiremos a necessidade de corresponder melhor ao amor de Jesus e de com Ele nos sacrificarmos alegremente pelos que estão à nossa volta.

 

3) Para servirmos ao Deus vivo

 

Jesus oferece de novo sobre o altar o Seu Corpo e sangue como na Cruz. A Missa não é apenas uma recordação do Calvário. Jesus torna presente sobre o altar de maneira real e misteriosa o sacrifício da cruz. Para que dele participemos de modo superabundante e para nos unirmos à Sua oferta ao Pai, pondo sobre o altar a nossa vida toda: os nossos trabalhos, as nossas alegrias, as nossa penas e até os nossos pecados e o nosso arrependimento. É a nossa vida que se oferece a Deus, que ganha valor unida ao sacrifício de Cristo, que se torna também um sacrifício espiritual agradável a Deus.

Na Carta aos Hebreus ouvíamos: o sangue de Cristo que pelo Espírito eterno se ofereceu a Deus como vítima sem mancha purificará a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo.

O Concílio lembrou que a Eucaristia é a fonte e o cume de toda a vida cristã. Nela emana de Cristo toda a graça. Ele é também o nosso Sumo Sacerdote que encaminha para o Pai toda a nossa vida e a vida de toda a Igreja.

Que a Virgem, que mais unida esteve a Jesus no Calvário, nos ensine a unir-nos bem a Jesus, a avivar a nossa fé e tratar bem o Senhor no Santíssimo Sacramento.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quando comemos aquele Pão, entramos em comunhão com Ele, comprometemo-nos a realizar a comunhão entre nós, a transformar a nossa vida em dom, sobretudo aos mais pobres.»

Celebra-se hoje […] a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, ou, segundo a expressão latina, mais conhecida, a solenidade do Corpus Christi.

O Evangelho apresenta a narração da instituição da Eucaristia, feita por Jesus durante a Última Ceia, no cenáculo de Jerusalém. Na vigília da sua morte redentora na cruz, Ele realizou o que tinha predito: «Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne... Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele» (Jo 6, 51.56). Jesus toma nas mãos o pão e diz: «Tomai, isto é o meu corpo» (Mc 14, 22). Com este gesto e com estas palavras, Ele atribui ao pão uma função que já não é a de simples alimento físico, mas de tornar presente a sua Pessoa no meio da comunidade dos crentes.

A Última Ceia representa o ponto de chegada de toda a vida de Cristo. Não é apenas antecipação do seu sacrifício que se cumprirá na cruz, mas também síntese de uma existência oferecida pela salvação da humanidade inteira. Por conseguinte, não é suficiente afirmar que Jesus está presente na Eucaristia, mas é necessário ver nela a presença de uma vida oferecida e participar nela. Quando tomamos e comemos aquele Pão, somos associados à vida de Jesus, entramos em comunhão com Ele, comprometemo-nos a realizar a comunhão entre nós, a transformar a nossa vida em dom, sobretudo aos mais pobres.

A festa de hoje evoca esta mensagem solidária e incentiva-nos a aceitar o seu íntimo convite à conversão e ao serviço, ao amor e ao perdão. Estimula-nos a tornarmo-nos, com a vida, imitadores daquilo que celebramos na liturgia. Cristo, que nos alimenta sob as espécies consagradas do pão e do vinho, é o mesmo que vem ao nosso encontro nos acontecimentos diários; está no pobre que estende a mão, no sofredor que implora ajuda, no irmão que pede a nossa disponibilidade e aguarda o nosso acolhimento. Está na criança que nada sabe de Jesus, da salvação, que não tem a fé. Está em cada ser humano, até no mais pequenino e indefeso.

A Eucaristia, fonte de amor para a vida da Igreja, é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode ficar indiferente diante de quantos não têm o pão de cada dia. E hoje, sabemo-lo, é um problema cada vez mais grave.

A festa do Corpus Christi inspire e alimente cada vez mais em cada um de nós o desejo e o compromisso por uma sociedade acolhedora e solidária. Deponhamos estes auspícios no coração da Virgem Maria, Mulher eucarística. Que ela suscite em todos a alegria de participar na Santa Missa, sobretudo aos domingos, e a coragem jubilosa de testemunhar a caridade infinita de Cristo.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de Junho de 2015

 

Oração Universal

 

Em cada missa Deus quer encher-nos da Sua sabedoria e da Sua graça por meio de Seu Filho. Unidos a Ele, aqui presente na Eucaristia, peçamos cheios de confiança: 

Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    1-Pela Santa Igreja de Deus, para que difunda a verdadeira sabedoria que vem de Cristo e todos se deixem atrair pela Sua luz, oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    2-Pelo Santo Padre, para que a sua palavra seja escutada por todos os cristãos e por todos os homens, oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que proclamem com clareza a doutrina de Cristo, animando a todos a amar a Jesus presente em nossos sacrários oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    4-Pelos cristãos do mundo inteiro, para que sejam testemunho de vida nova em Cristo, cumprindo fielmente o mandamento do amor, oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    5-Por todos nós, para que manifestemos com entusiasmo a nossa fé e a nossa devoção à Eucaristia, oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

    6-Por todos os que se encontram no Purgatório, purificando-se dos pecados, para que o Senhor lhes abra as portas do Céu, oremos ao Senhor.

 Senhor, venha nós o Vosso Reino.

 

 

    Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, Vosso Filho, e através da Eucaristia nos encheis da Sua graça, ajudai-nos a amá-Lo sempre mais.

    Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ao teu sacrário venho, Senhor, B. salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio da Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Rito da paz

 

Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos os nossos irmãos.

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos ao Espírito Santo nos ensine a tratar bem a Jesus que agora vem a nós.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Memorial da morte do senhor, M. Carvalho, NRMS 77-79

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Guiados pelo Espírito Santo vamos daqui com o desejo de renovar o mundo à nossa volta, unidos a Jesus na Eucaristia.

 

Cântico final: Povos da terra exaltai, M. Faria, NRMS 11 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 1-VI: A igreja, casa de oração.

1 Ped, 4, 7-13 / Mc 11, 11-25

A minha casa será chamada casa de oração, para todas as nações.

Com estas palavras, o Senhor indica-nos como há-de ser o nosso comportamento e o respeito a ter em conta nas igrejas. Com que respeito e piedade estou nos locais de culto, onde se celebra o sacrifício eucarístico e Jesus está presente no Sacrário?

S. Pedro aconselha-nos para este efeito: «Sede ponderados e comedidos para poderdes orar», isto é, ter o máximo recolhimento possível, e «Se alguém quiser falar, que o faça como é próprio das palavras de Deus», isto é, evitar as conversas desnecessárias, que se podem ter fora da igreja.

 

Sábado, 2-VI: A recristianização da sociedade.

Jds 17. 20-25 / Mc 11, 27-32

Os escribas e os anciãos: Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

Também nos podem fazer uma pergunta semelhante: com que direito implantais os valores cristãos na sociedade? Temos realmente um dever de recristianizar a sociedade, a família, a educação, etc., como Jesus o fez e, a seguir, os primeiros cristãos, pois está em jogo o respeito pela dignidade humana e os seus direitos inalienáveis.

Para isso, temos à nossa  disposição a nossa fé santíssima e contar com ajuda do Espírito Santo (Leit.). Procuremos convencer os hesitantes, salvemos os que andam pelos caminhos de perdição e tenhamos compaixão pelos restantes (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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