Solenidade da Santíssima Trindade

27 de Maio de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 8 (II)

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o mistério da Santíssima Trindade: Três Pessoas distintas — o Pai e o Filho e o Espírito Santo — e um só Deus verdadeiro.

Antes de recomeçarmos a caminhada do Tempo Comum que nos deve levar até ao fim do Ano Litúrgico, a significar a nossa chegada às portas do Paraíso, a Igreja coloca diante dos nossos olhos o mistério da Santíssima Trindade. Ele é o centro da nossa vida e o prémio da desta caminhada, para nos animar à generosidade.

É um mistério absoluto, isto é, mesmo depois de revelado, não o conseguimos compreender. Conforta-nos a certeza de que Deus revelou-nos tudo e só aquilo  que nos faz falta para a Salvação eterna.

 

Acto penitencial

 

Somos, desde o Baptismo, Templos da Santíssima Trindade, verdadeiros Sacrários de Deus, mas esquecemo-nos muitas vezes desta verdade.

Este esquecimento manifesta-se quando pecamos, mortal ou venialmente, na nossa falta de dignidade ou de modéstia no vestir, ou no esquecimento permanente desta maravilha do Deus Trino que Se dignou habitar em nós: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Coloquemo-nos em espírito diante da Santíssima Trindade e desagravemos o nosso Deus, prometendo emenda do nosso comportamento a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•   Pai do Céu: Pedimos-Vos perdão da desordem do nosso viver

    que se manifesta na falta de cuidado em zelar o dom da vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Filho Redentor do mundo, imolado na Cruz para nos resgatar,

    perdoai  os nossos pecados por pensamentos, palavras e obras.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Espírito Santíssimo que habitais em nós para nos fazer santos,

    perdoai a nossas indelicadas resistências às Vossas inspirações.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Dirigindo-se ao Povo de Deus. Moisés exalta a condescendência de Deus que desce até Se familiarizar com os homens.

Deus quis descer até à nossa pequenez para nos fazer subir à Sua altura, tornando-nos Seus filhos pelo Baptismo.

 

Deuteronómio 4, 32-34.39-40

Moisés falou ao povo, dizendo: 32«Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? 33Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? 34Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? 39Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. 40Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».

 

Terá presidido à escolha deste texto para este dia, a preocupação de, por um lado, pôr em evidência que o mistério da Trindade divina em nada fere a sua indivisível unidade: «o Senhor é o único Deus… e não há outro» (v. 39), e, por outro, abrir-nos para a consideração de que Deus não é um mero princípio explicativo do que existe, uma força cega, mas um ser pessoal – «o Senhor teu Deus» – um pai providente, que fez pelo seu povo «tremendas maravilhas» (v. 34). A leitura é tirada da 2ª parte do 1.° discurso de Moisés, nas estepes de Moab, que aqui atinge o seu ponto culminante ao exaltar, em estilo oratório e comovente, o incomparável amor de Deus para com o seu Povo. Mas Ele não aparece como um Deus, cool (fiche), para quem tudo está sempre bem, pelo contrário, como um verdadeiro pai, que quer ver os seus filhos felizes, por isso lhes recorda como é indispensável «cumprir as suas leis e os seus mandamentos» (v. 40). Esta é uma daquelas passagens, fervorosas e ardentes, que vieram a moldar a alma do piedoso israelita.

 

Salmo Responsorial     Sl 32 (33), 4-5.6.9.18.19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: O salmo responsorial convida-nos a entoar um hino de louvor ao nosso Deus criador e providente.

No entanto, para o fazer dignamente é preciso um esforço generoso para O servir e amar.

 

Refrão:        Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

                    

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo vem lembrar-nos, na Carta aos fieis da Igreja de Roma, que o Deus em quem acreditamos não é um Deus distante e inacessível, que se demitiu do seu papel de Criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens.

É um Deus que acompanha com amor e ajuda a caminhada das pessoas e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.

 

Romanos 8, 14-17

Irmãos: 14Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai». 16O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. 17Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

 

Esta belíssima passagem põe em relação com as três Pessoas divinas a nossa vida cristã, que é uma vida trinitária. Pela obra redentora de «Cristo» – o Filho (v. 17) –, recebemos o «Espírito Santo» que se une ao nosso espírito (v. 16) e que nos põe em relação com o «Pai», levando-nos a bradar: «Abbá, ó Pai!» (v. 15). Esta filiação adoptiva, põe-nos em relação com cada uma das Pessoas divinas. Tem-se discutido muito sobre o sentido desta repetição: Abbá, ó Pai!; parece não se tratar de uma simples tradução do próprio termo arameu usado pelo Senhor, mas antes de uma filial explosão de piedosa ternura para com Deus – Pai Nosso! –, uma espécie de jaculatória pessoal, correspondente à exclamação: «ó Pai, Tu que és Pai!» (M. J. Lagrange).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Ap 1, 8

 

Monição: Unamo-nos aos coros dos Anjos e Santos do Paraíso que louvam a Santíssima Trindade.

Entoemos nós também a aclamação ao Evangelho com um hino solene de louvor e gratidão.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 28, 16-20

16Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram-n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Estamos perante o final, sóbrio mas solene de Mateus, que condensa todo o seu Evangelho num tríptico deveras paradigmático. Assim, temos: no v. 18 Jesus ressuscitado, como o Pantokrátor – «todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!» –; no v. 17, temos a Igreja nascente que O reconhece como Senhor, apesar da vacilação de alguns – «adoraram-no, mas alguns ainda duvidaram» –; nos vv. 19-20 está a sua Igreja em missão – «ide… até ao fim dos tempos». Ao mesmo tempo, o Evangelista introduz-nos numa visão holística e cósmica da história da salvação centrada em Cristo (cf. Ef 1, 10.23; 3, 9; Filp 3, 21; Col 1, 16.17.18.20; 3, 11), projectada para todo o Universo na abrangência dos quatro pontos cardeais, através do recurso à quádrupla repetição da palavra todo:» todo o poder» (v. 18), «todas as nações» (v. 19), «tudo o que vos mandei» (v. 20a), «todos os dias» (v. 20b), que a tradução litúrgica traduziu por «sempre», empobrecendo assim a força expressiva do texto.  

16 «O monte que Jesus lhes indicara», na Galileia, mas sem mais precisão. Há quem queira ver esta aparição como a referida por S. Paulo a mais de 500 irmãos (1 Cor 15, 6).

19-20 «Baptizando… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Em nome de não significa em vez de, mas, tendo em conta o sentido dinâmico da preposição grega eis, trata-se de ser baptizado para Deus; tenha-se em conta que o nome não é um simples apelativo, mas um hebraísmo que designa o próprio ser de alguém. Sendo assim, as palavras da forma do Baptismo sugerem a substância cristã deste Sacramento, a saber, ficar radicalmente dedicado para Deus, a fim de, em todas as circunstâncias da vida, Lhe dar glória (é o chamado sacerdócio baptismal comum de todos os fiéis: LG 10; cf. 1 Pe 2, 4-10). A fórmula encerra a referência mais explícita ao mistério da própria vida de Deus, o mistério da SS. Trindade: a unidade de natureza é sugerida pelo singular – em nome, não nos nomes –, e a distinção de hipóstases (não se trata de pessoas como indivíduos ou realidades separadas e autónomas!), pela indicação de cada uma delas como realmente distintas, pois para cada uma se usa o artigo grego: «em nome de o Pai e de o Filho e de o Espírito Santo». Por outro lado, a proposição de parece corresponder à tradução de um genitivo epexegético (à maneira dum aposto), o que nos leva a entender a fórmula assim: baptizando… para (dedicar a) Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.

20 «Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim dos tempos». Podemos ver todo o Evangelho de Mateus marcado por uma inclusão: Mt 1, 23 – «Deus connosco» – e Mt 28, 20 – «estou sempre convosco» –. Jesus garante a assistência contínua e a indefectibilidade à sua Igreja. A História da Igreja é a melhor confirmação destas palavras de Jesus; mas Ele não prometeu que não haveria crises na sua Igreja – as provocadas quer por perseguições, quer pelo mau comportamento dos seus filhos –, mas sim que todas estas seriam seguramente superadas.

 

Sugestões para a homilia

 

• A nossa história divina

Deus criou-nos do nada

Deu-Se-nos a conhecer e a amar

Fez de nós o Seu Povo

• O mistério da Santíssima Trindade

Há um só Deus

Em Três Pessoas distintas

Fez de nós Seus filhos

 

1. A nossa história divina

 

a) Deus criou-nos do nada. «Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante?»

Ao retomarmos a caminhada para o Céu, neste Tempo Comum, há duas perguntas oportunas que devemos fazer a nós próprios, como seres inteligentes: quem sou? O que estou a fazer na terra?

Chamou-nos à vida por amor e para partilhar connosco para sempre a Sua mesma felicidade no Céu.

Somos como a criança que acaba de nascer, rodeada de todo o carinho dos pais e outros familiares, mas ainda não sabe a quem ficou a dever a sua vida.

O Livro do Génesis conta-nos como Deus formou Adão do pó da terra e, a partir dele, Eva, a mãe de todos os viventes.

O Senhor fez-nos pouco menores que um anjo ou deus. Além do corpo, deu-nos uma alma imortal, com inteligência para conhecermos a verdade, e vontade livre para escolhermos o bem ou o mal.  Somos, pois, um resumo do universo, participando a criação visível material, e da invisível.

Desta escolha Ele deixou dependente a nossa salvação ou perdição eterna, dando-nos sempre a possibilidade de voltar atrás quando nos enganarmos no caminho.

O homem é o único de todos os seres criados que Deus amou em razão de si mesmo.

Determinou estabelecer com cada um de nós uma relação pessoal e íntima, tornando-nos seus filhos.

Com esta finalidade, fez-nos participantes da Sua mesma vida divina, pelo mistério da graça santificante. E quando a não soubemos guardar e defender, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade incarnou, assumindo uma natureza humana igual à nossa, unida para sempre ao Verbo e ofereceu-Se em resgate por nós.

Encontramos no amor humano uma grande ajuda para conhecermos o mistério da nossa vida.

 

b) Deu-Se-nos a conhecer e a amar. «Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver

Deu-Se-nos a conhecer por dois modos:

Pela Revelação natural. Revelou-Se aos homens por meio da criação. Também o artista, de algum modo, se revela pela sua obra.

• Pela Revelação sobrenatural. Deus falou-nos de muitos modos. Nos últimos tempos, que são os últimos, revelou-Se-nos pelo Seu Filho (Hebreus).

Ao abrir-nos a Sua intimidade, convidou-nos a entrar nela, a tornarmo-nos Seus familiares numa comunhão de vida que durará para sempre.

Como no caso de um namoro humano: À medida que cada um deles se dá a conhecer — “se revela” — implicitamente convida o outro a entrar nessa intimidade e a viver com ele em comunhão para sempre, uma comunhão fecunda que se projecta nos filhos. Uma criança é um monumento perpétuo do amor dos pais um ao outro.

A Revelação do mistério da Santíssima Trindade só se dá no Novo Testamento. Antes, foi indispensável confirmar as pessoas na fé de um só Deus.

Foi revelada pela primeira vez na Anunciação.

Volta a manifestar-se com toda a solenidade quando Jesus sai da água do rio Jordão, depois de ter sido baptizado por João Baptista. O Pai proclama Jesus o Seu Filho Unigénito e o Espírito Santo desce sobre Ele sob a figura de uma pomba.

Durante a vida pública, Jesus fala muitas vezes com o Pai e fala do Espírito Santo na Última Ceia, revelando-O como Consolador, Advogado, Aquele que nos ensinará toda a verdade, que há-de colocar em nossos lábios a palavra exacta de defesa quando tivermos de comparecer perante os tribunais, por causa da nossa fé.

«Todo aquele que se quiser salvar, antes tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, perecerá, com certeza, para sempre.»

Ora bem, a fé católica consiste em que veneremos um só Deus na Trindade, e à Trindade na unidade; sem confundir as pessoas nem separar as substâncias. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo; mas o Pai e o Filho e o Espírito Santo têm uma só divindade, glória igual e coeterna majestade.» (Símblo Quicumque ou Atanasiano).

 

c) Fez de nós o Seu Povo. «Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos

Deu-nos uma Lei para cumprir segundo as exigências da nossa mesma natureza. Quando alguém cumpre a Lei, não ofende apenas a Deus. Ofende-se também a si mesmo, autodestrói-se.

• Na Sua actuação fora do “seio” da Santíssima Trindade há apropriações, embora as acções sejam comuns às Três Pessoas:

Ao Pai apropriamos a Criação; ao Filho a nossa Redenção; e ao Espírito Santo a nossa santificação.

Mas incarnar, padecer, morrer e ressuscitar só é próprio da Segunda Pessoas da Santíssima Trindade.

Deus revelou-nos tudo e só o que é necessário para a nossa salvação. Como o melhor dos pais, evitou confundir-nos com a revelação de verdades que não poderíamos abarcar. É um dos mistérios absolutos da nossa fé, quer dizer, mesmo depois de revelada a sua existência, não o podemos compreender, o que não acontece com outras verdades, Por exemplo: depois de reveladas, compreendemos, de algum modo as verdades da Presença Rala e da Imaculada Conceição.

Não nos propomos nesta solenidade, portanto, decifrar este mistério, mas contemplar um Deus que é Amor, comunidade de Pessoas e nos assume para fazermos parte desta “Família”.

Ele fez de nós uma só família, para vivermos na terra e continuarmos no Céu em comunhão uns com os outros e todos com Ele.

 

2. O mistério da Santíssima Trindade

 

a) Há um só Deus. «Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram

«É com estas palavras que começa o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. A confissão da unicidade de Deus, que radica na Revelação divina da Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus e tão fundamental como ela. Deus é único; não há senão um só Deus: «A fé cristã crê e professa que há um só Deus, por natureza, por substância e por essência» (Cat Rom I. 2, 8, p. 26.). (CIC n. 200).»

Um ateu convertido dizia há pouco tempo: “Quando não acreditas em Deus, os teus instintos passam a ser a tua religião. De facto, eles mandam em muitas vidas e são adorados pelas pessoas que lhes entregam toda a sua vida.

A fé trona-nos livres, responsáveis e felizes, ao contrário do que nos faz crer o demónio e os que o seguem.

«A Israel, seu povo eleito, Deus revelou-Se como sendo único: «Escuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). Por meio dos profetas, Deus faz apelo a Israel e a todas as nações para que se voltem para Ele, o Único: «Voltai-vos para Mim, e sereis salvos, todos os confins da terra, porque Eu sou Deus e não há outro [...] Diante de Mim se hão-de dobrar todos os joelhos, em Meu nome hão-de jurar todas as línguas. E dirão: "Só no Senhor existem a justiça e o poder"» (Is 45, 22-24) (Cf. Fl 2, 10-11.) ». (CIC n. 201).

Ao longo do Antigo Testamento, Deus não revela este mistério insondável de Três Pessoas e um só deus verdadeiro, porque poderia confundi-los, eles que estavam rodeados de povos que adoravam vários falsos deuses. Foi necessária uma longa caminhada para gravar na sua mente e no seu coração a verdade do Deus único e uno.

 

b) Em Três Pessoas distintas. «Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei

Deus revela-Se-nos como uma comunhão de Três Pessoas, unidas no mesmo Amor divino, logo desde o princípio do Novo Testamento.

Na Anunciação. O Filho que Maria vai conceber «será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.» Maria vai conceber um filho sem concurso do varão. «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.»

No Baptismo de Jesus. Quando Jesus saía da água do rio Jordão. «Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência”.»

Na pregação de Jesus. O Mestre fala com frequência do Pai, a ponto de os judeus se indignarem contra Ele, “porque se fazia Filho de Deus” ou chamava a Deus Seus Pai.

Na última Ceia, quando fala aos Onze no Pai, Filipe adianta-se e pede: «Mostra-nos o Pai e isso nos basta.» E o Mestre responde-Lhe: «Filipe: há tanto tempo que vives comigo e não Me conheces? Quem Me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos um.»

Fala-lhes também com insistência no Espírito Santo, promete-lhes a Sua vinda e diz-lhes que Ele será o Paráclito, o que lhes ensinará toda a verdade.

Antes de Jesus subir ao Céu. Jesus manda-nos baptizar em nome de Três Pessoas. Baptizar em nome de quer dizer, por Sua Autoridade, a quem ficam consagradas. Portanto só se pode tratar de Pessoas Divinas. «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

O Deus que Se nos revela no mistério da Santíssima Trindade é a Verdade infinita e a nossa inteligência só pode abarcar o que finito, limitado. No entanto, na acção de cada uma das Três Pessoas Divinas no mundo, dá-nos a conhecer um vislumbre da Sua infinita Riqueza.

• Ao Pai atribui-se a Criação do universo, de todas as coisas visíveis e invisíveis, os Anjos e as criaturas materiais. A Criação que os nossos olhos contemplam e que a nossa imaginação tem dificuldade em abarcar revelam-nos a Sabedoria infinita e a Omnipotência de Deus.

• Ao Filho, o Verbo do Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade atribui-se a Redenção, que aparece como remédio para a queda dos nossos primeiros pais.

Na Sua Paixão e Morte na Cruz, no meio de sofrimentos indizíveis, deu o maior testemunho do Amor de Deus a todos nós e ensinou-nos que o caminho da ressurreição gloriosa é a fidelidade à vontade do Pai.

• Ao Espírito Santo foi atribuída a nossa santificação, seguindo Jesus Cristo — o modelo que nos foi dado — até ao Paraíso. Com a graça santificante, comunicou-nos no Baptismo a participação da natureza divina; pelos sete dons, empurra-nos docemente a pensarmos e comportamo-nos como se Jesus ou Maria estivesse no nosso lugar.

 

c). Fez de nós Seus filhos.. «Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: “Abba, Pai”. O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus

Os nossos sentidos apresentam-nos as pessoas em grupos quase incomunicáveis, como se umas fossem superiores às outras. São valorizadas segundo a inteligência que exibem, a bolsa que apertam nas mãos ou o poder que está ao serviço dos seus caprichos.

A fé ensina-nos que há um só povo, uma só raça, uma só família: a dos filhos de Deus.

Filhos de Deus. Em que consiste a filiação divina. Recebemos a condição de filhos de Deus no Baptismo. A partir dai, podemos tratar a Deus por Pai, Pai nosso.

A filiação divina que recebemos não faz de nós desuses, mas torna-nos participantes da natureza divina, pela vida divina — a graça santificante que recebemos no momento da Aliança baptismal.

As consequências que ela traz para nós. A filiação divina em Cristo é o centro de toda a riqueza que recebemos. Pela graça, formamos um só Corpo Místico do qual o Espírito Santo é a Alma e Jesus Cristo a Cabeça.

Como filhos de Deus e membros do Seu Corpo, somos irmãos de todos os usos da terra, do purgatório e do Céu; herdeiros do paraíso

A que atitude nos deve levar. Como filhos de Deus, devemos procurar a santidade de vida, amando-nos sinceramente uns aos outros, pois com todos formaremos uma comunhão no Céu, continuando a que já vivemos na terra.

Exclama um autor sagrado: “Lembra-te, ó homem, da tua dignidade, da altura a que Deus te elevou.” Como templos do Deus vivo, merecemos um respeito infinito.

A Eucaristia dominical — renovação do mistério pascal de Cristo — é a assembleia dos eleitos do Senhor. Jesus preside à celebração; o Espírito Santo capacita o sacerdote para consagrar o pão e o vinho, transubstanciando-o no Corpo e Sangue do Senhor.

Unidos a Cristo, no Espírito Santo, oferecemos ao Pai o único Sacrifício que Lhe é agradável.

Maria, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa do Espírito Santo há-de ajudar-nos a viver na intimidade da Trindade Santíssima.

 

Fala o Santo Padre

 

«O caminho da vida cristã é essencialmente trinitário: «O Espírito Santo guia-nos para o pleno conhecimento dos ensinamentos de Cristo; e Jesus, por sua vez, veio ao mundo para nos levar ao conhecimento do Pai, a fim de nos reconciliar com Ele.»

Hoje celebramos a festa da Santíssima Trindade, que nos recorda o mistério do único Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. A Trindade é comunhão de Pessoas divinas que existem uma para a outra, uma com a outra, uma pela outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério de amor do Deus vivo. E foi Jesus quem nos revelou este mistério. Ele falou-nos de Deus como Pai; falou-nos sobre o Espírito; e falou-nos de Si mesmo como Filho de Deus. De tal modo nos revelou este mistério. E quando, ressuscitado, enviou os discípulos para evangelizar os povos, disse-lhes que os baptizassem «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Cristo confia este mandamento em todas as épocas à Igreja, que dos Apóstolos herdou o mandato missionário. E dirige-o também a cada um de nós que, em virtude do Baptismo, fazemos parte da sua Comunidade.

Por conseguinte, a solenidade litúrgica de hoje, enquanto nos faz contemplar o mistério maravilhoso do qual nós derivamos e rumo ao qual caminhamos, renova-nos a missão de viver a comunhão com Deus e de viver a comunhão entre nós segundo o modelo da Comunhão divina. Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre os outros ou contra os outros, mas uns com os outros, pelos outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar de modo concorde a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e por todos, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e a conceder o perdão, valorizando os vários carismas sob a guia dos Pastores. Em síntese, foi-nos confiada a tarefa de edificar comunidades eclesiais que sejam cada vez mais família, capazes de reflectir o esplendor da Trindade e de evangelizar não apenas com as palavras, mas com a força do amor de Deus que vive em nós.

Como eu dizia, a Trindade é também o fim último para o qual está orientada a nossa peregrinação terrena. Com efeito, o caminho da vida cristã é uma senda essencialmente «trinitária»: o Espírito Santo guia-nos para o pleno conhecimento dos ensinamentos de Cristo, recordando-nos também o que Jesus nos ensinou; e Jesus, por sua vez, veio ao mundo para nos levar ao conhecimento do Pai, a fim de nos orientar para Ele e de nos reconciliar com Ele. Na vida cristã, tudo gira em volta do mistério trinitário e tudo se realiza em referência a este mistério infinito. Por conseguinte, procuremos manter sempre alto o «tom» da nossa vida, recordando-nos para que finalidadepara que glória existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos; e a que imensa recompensa somos chamados! Este mistério abrange a nossa vida inteira e todo o nosso ser cristão. Recordamo-lo, por exemplo, cada vez que fazemos o sinal da cruz: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E agora convido-vos a fazer todos juntos o sinal da cruz, dizendo em voz alta: «Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!».

Neste último dia do mês de Maio, o mês mariano, confiemo-nos à Virgem Maria. Ela, que mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou e amou o mistério da Santíssima Trindade, nos guie pela mão; nos ajude a ver nos acontecimentos do mundo os sinais da presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo; e nos conceda amar o Senhor Jesus com todo o nosso coração, para caminharmos rumo à visão da Trindade, meta maravilhosa para a qual tende a nossa vida. Peçamos-lhe, igualmente, que ajude a Igreja a ser mistério de comunhão e comunidade hospitaleira na qual cada pessoa, de maneira particular a pobre e marginalizada, possa encontrar acolhimento e sentir-se filha de Deus, desejada e amada.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 31 de Maio de 2015

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs, Templos  da Santíssima Trindade:

Elevemos a nossa oração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,

para que nos guiem pelos caminhos desta vida na terra

até à felicidade do Paraíso que nos está Prometida no fim.

Oremos (cantando) cheios de esperança:

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em união com a Sé Apostólica,

    para que nos confirme na fé e nos anime a vivê-la com fidelidade,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

2. Pelas famílias, especialmente as da nossa comunidade paroquial,

    para que vivam esta caminhada à imagem da Santíssima Trindade,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

3. Pelos que não têm fé porque não a receberam ou a perderam,

    para que o Senhor os ilumine e lhes dê a alegria de acreditar,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

4. Pelos que acreditam em Deus, mas não na Santíssima Trindade,

    para que Deus os acolha na sua boa fé e os conduza à Salvação,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

5. Por todas as crianças, jovens e todas as demais pessoas da Igreja,

    para que sejam amadas e respeitadas como Templos do Altíssimo,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

6. Pelos nossos familiares e amigos que Deus chamou e purifica,

    para que, na Sua infinita misericórdia os acolha hoje no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

Deus, Uno e Trino que nos chamastes à vida na terra,

para merecermos uma felicidade sem fim junto de Vós:

ajudai-nos a viver com fidelidade e amor a nossa vocação,

pra que sejamos dignos de alcançar as Vossas Promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Com a alma cheia de júbilo, depois de termos recebido a luz da Palavra de Deus na Mesa da Palavra, preparamo-nos agora para celebrar o augusto mistério da Santíssima da Eucaristia.

Adoremos o Pai e o Filho e o Espírito Santo, pedindo à Santíssima Trindade que nos prepare para receber o Corpo, Sangue e Alma do Senhor na Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Seja bendito e louvado, F. da Silva, NRMS 22

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Queremos a paz na terra, onde todas as pessoas vivam como filhas do mesmo Pai que está nos Céus.

Em que medida, porém, estamos dispostos a perdoar e a fazer da nossa arte o necessário para que isto seja uma realidade?

Manifestemos a boa vontade do nosso coração, com o sinal litúrgico a que nos convidam neste momento.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Lembremos a Oração de Portugal aos Pastorinhos de Fátima. Ele resume os sentimentos com que nos havemos de aproximar da Sagrada Comunhão nesta Solenidade da Santíssima Trindade: fé profundo que nos há-de levar à adoração, reparação e súplica.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós Vos louvamos, ó Deus - Te Deum, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Caminhemos na vida, recordando-nos de que somos Sacrário vivos da Santíssima Trindade.

Adoremos as Três Divinas Pessoas e procuremos ganhar intimidade com elas, para caminharmos felizes até ao Céu.

 

Cântico final: Com a benção do Pai, J. Santos, NRMS 38

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-V: O valor da fé e da riqueza.

1 Ped 1, 3-9 / Mc 10, 17-27

A fé tem muito mais valor do que o oiro (Leit.). Foi esta luz da fé que faltou ao homem rico, quando o Senhor lhe pediu para deixar tudo e segui-lo (Ev.).

O homem rico, embora vivesse bem os mandamentos da Lei de Deus, desde a sua juventude, não foi capaz de viver uma conversão em relação aos bens materiais, e partiu triste (Ev.). Todos precisamos ter presente esta avaliação das coisas, pessoas e acontecimentos, feita pelo próprio Senhor. Por exemplo, o tempo dedicado a Deus nunca é uma perda de tempo e o mesmo se pode dizer das obras de misericórdia, etc.

 

3ª Feira, 29-V: A generosidade de Deus e a nossa.

1 Ped, 1, 10-16 / Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãs, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

Um dos caminhos para a vida eterna é a generosidade no desprendimento: fazer com que Cristo seja o centro de toda a vida cristã. A união com Ele há-de prevalecer sobre todas as coisas, quer se trate de laços familiares, sociais, etc. (Ev.).

Outro caminho é a aceitação dos sofrimentos, «pois o Espírito predisse-lhes os sofrimentos reservados a Cristo e as glórias que haveriam de seguir-se a esses sofrimentos» (Leit.). Deus paga com muito maior generosidade as nossas ofertas: cem vezes mais na vida actual e a glória da vida eterna (Ev.).

 

4ª Feira, 30-V: Partilhar o cálice com o Senhor.

1 Ped 1, 18-25 / Mc 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que eu hei-de beber?

Para obter um lugar na vida eterna é preciso partilhar primeiro o cálice do Senhor (Ev.), isto é, participar da sua paixão, morte e ressurreição. A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! Com os nossos sofrimentos completamos, de certo modo, o que falta à Paixão de Cristo (Col 1, 24). Aprendamos a oferecer ao Senhor as contrariedades, as enfermidades, a dor, todas as nossas acções.

Além disso, precisamos amar intensamente os nossos irmãos, do íntimo do nosso coração, e acreditar na palavra de Deus, que permanece eternamente.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial