aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

PATRIARCA APRESENTA ORIENTAÇÕES

SOBRE CAP. VIII DE AMORIS LAETITIA

 

No passado dia 6 de Fevereiro, D. Manuel Clemente publicou uma Nota com orientações para a aplicação prática do cap. VIII da Exortação apostólica Amoris laetitia, a respeito dos divorciados recasados, entre outras pessoas.

 

No desejo de ser sempre fiel ao Santo Padre, num tema que tem provocado polémica mesmo na Igreja, o Patriarca fundamenta-se em três documentos autorizados: a Exortação Amoris laetitia, cap. VIII, do Papa Francisco; a Nota dos Bispos da Região Pastoral de Buenos Aires com “Critérios básicos para a aplicação do cap. VIII da Amoris laetitia”, louvada numa Carta do Papa, e posteriormente ambas inseridas em publicação oficial; e o discurso do então Cardeal Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Agostino Vallini, no Congresso Pastoral diocesano.

D. Manuel Clemente tem presente o seu dever de dar orientações para a diocese, como é indicado pelo Papa Francisco: “Os sacerdotes têm o dever de acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento segundo a doutrina da Igreja e as orientações do Bispo” (AL, 300).

A Nota do Patriarca termina com algumas “alíneas operativas”, que têm provocado comentários críticos opostos. Na realidade, a Nota insiste no acompanhamento personalizado por um guia espiritual, para se poderem dar paulatinamente os passos rumo a uma melhor integração na vida cristã.

 

Posteriormente, em 13-II-2018, D. Manuel Clemente publicou um esclarecimento, pedindo um discernimento pastoral caso a caso:

“A Nota lida e comentada na Reunião de Vigários do Patriarcado de Lisboa de 6 de fevereiro recolhe passagens de três documentos – do Papa Francisco, dos Bispos da Região de Buenos Aires e do Cardeal-vigário de Roma – sobre o acompanhamento, discernimento e integração a prestar aos casais que não vivem em matrimónio sacramental. Como síntese que é, deve ser tomada na totalidade e pede a leitura dos documentos na íntegra, para que cada citação seja plenamente entendida. A Quaresma que iniciamos dá-lhe particular oportunidade.

“Quanto ao acompanhamento, todos requerem o que lhes é devido da parte dos pastores e das comunidades: delicadeza e respeito, proximidade e estímulo espiritual.

“Quanto ao discernimento, acolha-se a realidade de cada caso, no respetivo percurso e nas suas possibilidades e disposições. As propostas a fazer tanto terão em conta, como poderão suscitar, a disponibilidade de cada casal em ordem à concretização do ideal matrimonial cristão (discernimento dinâmico). 

“Quanto à integração, requer-se o reconhecimento e a promoção do seu lugar de batizados na Igreja de todos, com os talentos que Deus distribui a cada um e as ações correspondentes à situação pessoal.

“Nestes casos, como em quaisquer outros na Igreja de Cristo, ninguém julga ninguém e todos estimulamos todos para nos adequarmos sempre mais e melhor à absoluta fidelidade de Deus. A isso mesmo nos levará a sua Graça”.

 

Miguel Falcão

 

 

LISBOA

 

FALECEU PADRE DÂMASO

 

No passado dia 22 de Fevereiro, faleceu no Hospital da Ordem Terceira o padre Dâmaso Lambers, aos 87 anos, dedicado de longa data à pastoral penitenciária.

 

O seu corpo esteve em câmara-ardente na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidiu às exéquias no sábado, com a presença do anterior e do actual presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, o cónego João Aguiar e o padre Américo Aguiar.

Hermano Nicolau Maria Lambers nasceu em Junho de 1930, na Holanda, onde viveu, durante a sua infância, adolescência e juventude, as consequências da Segunda guerra mundial. Sacerdote da Congregação dos Padres dos Sagrados Corações, ordenado em 1955, três anos depois, com outros colegas, chegou a Lisboa para as missões populares que foram pedidas pelo Cardeal Cerejeira. Foi coadjutor na paróquia da Penha de França e colaborador na paróquia de Arroios. Em 1960 foi um dos sacerdotes responsáveis pelo primeiro Cursilho de Cristandade na diocese de Lisboa.

Durante mais de 30 anos foi também colaborador da Rádio Renascença, onde teve vários programas. Em 1966 recebeu a nomeação para capelão do Estabelecimento Prisional do Linhó e, em 1988, foi nomeado como coordenador nacional da assistência religiosa nas cadeias portuguesas. Do seu importante trabalho na Pastoral Penitenciária em Portugal, destaca-se a fundação da instituição “O Companheiro” que se dedica a apoiar ex-reclusos.

No dia 10 de Junho de 2009 o padre Dâmaso Lambers foi condecorado pelo então Presidente da República, Cavaco Silva, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito. Em 2011, o sacerdote recebeu uma homenagem da “Prison Fellowship International”, pelo seu trabalho de mais de 50 anos em favor dos presos.

 

O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, escreveu no site da Presidência:

“Morreu um Homem Bom, que fez da Santidade o seu caminho, sempre ao lado dos mais necessitados: o Padre Dâmaso Lambers, nascido na Holanda, mas que morreu, como era seu desejo, em Portugal, país que fez seu há mais de seis décadas.

“Uma vida feita de constante dádiva, mas também de combate pela Liberdade, o Padre Dâmaso deixa, na Rádio Renascença e nos seus ouvintes, nos ex-reclusos que quis reintegrar através d’O Companheiro, em cada um dos que foram tocados pela sua Alegria, um testemunho vibrante de Fé e de amor pelo próximo”.

 

 

LISBOA

 

PADRE TOLENTINO MENDONÇA

ORIENTOU RETIRO DO PAPA

 

O P. José Tolentino Mendonça orientou na primeira semana da Quaresma, de 18 a 23 de Fevereiro passado, os Exercícios Espirituais do Papa Francisco e dos colaboradores da Cúria Romana, realizados em Ariccia, próximo de Roma.

 

“Elogio da sede” foi o tema geral das reflexões propostas pelo biblista português, Vice-reitor da Universidade Católica de Lisboa e Consultor do Pontifício Conselho da Cultura.

De segunda a quinta-feira, os Exercícios Espirituais começaram com a concelebração eucarística (7h30), continuando com o pequeno-almoço, meditação, almoço, nova meditação, Vésperas, adoração eucarística e jantar.

Nascido em 1965 em Machico, Ilha da Madeira, José Tolentino Mendonça foi ordenado sacerdote aos 24 anos. Doutorado em Teologia Bíblica, em Roma, torna-se professor e investigador de disciplinas bíblicas na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

Poeta, ensaísta e tradutor, tem em “O pequeno caminho das grandes perguntas” o seu livro mais recente (2017), de um conjunto que ultrapassa as duas dezenas.

Actualmente responsável pastoral pela capela de Nossa Senhora da Bonança (capela do Rato), em Lisboa, o Padre Tolentino Mendonça foi o primeiro director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organismo que tem como um dos principais objectivos o diálogo da Igreja com o mundo da arte e pensamento contemporâneos.

Foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant'lago da Espada pelo anterior presidente da República, Cavaco Silva, além de ter sido distinguido com vários prémios literários.

 

Ao concluir os Exercícios Espirituais, o Papa Francisco agradeceu ao Padre Tolentino Mendonça pelas meditações propostas nesses cinco dias de retiro:

“Padre, gostaria de agradecer, em nome de todos, por este acompanhamento nesses dias, que hoje se prolongarão com o dia de oração e jejum pelo Sudão do Sul, o Congo e também a Síria.

“Obrigado, Padre, por nos ter falado da Igreja, por nos ter feito sentir a Igreja, este pequeno rebanho. E também por nos ter advertido a não «diminui-lo» com as nossas mundanidades burocráticas! Obrigado por nos ter recordado que a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que o Espírito voa também fora e trabalha fora. E, com as citações e as coisas que o senhor nos disse, fez-nos ver como trabalha nos não crentes, nos «pagãos», nas pessoas de outras confissões religiosas: é universal, é o Espírito de Deus, que é para todos. Também hoje existem os «Cornélios», «centuriões», «guardiões da prisão de Pedro», que vivem uma busca interior ou sabem também distinguir quando há algo que chama. Obrigado por esta chamada a abrir-nos sem medo, sem rigidez, para sermos suaves no Espírito e não nos mumificar nas nossas estruturas que nos fecham. Obrigado, padre. E continue a rezar por nós. Como dizia a mãe superiora às irmãs: «Somos homens!», pecadores, todos. Obrigado, padre. E que o Senhor o abençoe”.

 

 

FÁTIMA

 

NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO

DE IMPRENSA DE INSPIRAÇÃO CRISTÃ

 

No passado dia 2 de Março, Paulo Ribeiro, chefe de redacção do jornal Alvorada, da Lourinhã, foi eleito presidente da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIIC), na Assembleia-Geral do organismo.

 

Paulo Ribeiro, também chefe de redacção do jornal Voz do Mar, de Peniche, considera que é necessário “convocar os associados” para a defesa de um sector dos media em Portugal, que é um “elemento crucial” na “defesa da democracia local e nacional” e do ponto de “vista cultural e educativo”.

O novo presidente da AIC referiu-se às “terríveis dificuldades” que a imprensa regional atravessa, nomeadamente a de inspiração cristã, pela “aplicação arbitrária” da legislação por parte da entidade reguladora do sector.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social está a classificar como “imprensa doutrinária” títulos da AIC até agora considerados regionais e com conteúdos generalistas, sem que seja pedida qualquer reclassificação, terminando com os apoios estatais para este sector.

“Convém recordar que estes órgãos da imprensa regional, ligados à Igreja Católica, são sustentados pelo mercado, pelos leitores”, lembrou Paulo Ribeiro, referindo que há quem os considere “financiados pela Igreja Católica”.

Na Assembleia Geral da AIC foram também eleitos Paulo Rocha, director da Agência Ecclesia, para vice-presidente da AIC; Maria da Conceição Vieira, directora do Jornal da Família, como tesoureira; António Marques, director do Jornal Raio de Luz, como secretário; e António Rodrigues, director do Mensageiro de Bragança, como vogal.

Para presidente da Assembleia Geral foi eleito o padre Manuel Correia Fernandes, director da Voz Portucalense; o padre Francisco Barbeira, director do Jornal A Guarda, para vice-presidente; e Pedro Miguel Conceição, director de O Montemorense, para secretário.

O Conselho Fiscal é presidido pelo padre Paulo Terroso, do Diário do Minho; o vice-presidente é o cónego António Salvador dos Santos, director do jornal A Defesa; e o padre Elísio Assunção, da Fátima Missionária, vogal.

 

 

PORTO

 

NOVO BISPO, D. MANUEL LINDA

 

No passado dia 15 de Março, o Papa Francisco nomeou como novo bispo do Porto D. Manuel Linda, de 61 anos, até agora Bispo do Ordinariato Castrense, que compreende a comunidade católica das Forças Armadas e de Segurança.

 

O novo Bispo sucede no cargo a D. António Francisco dos Santos, falecido a 11 de Setembro de 2017, aos 69 anos, devido a um problema cardíaco.

Manuel da Silva Rodrigues Linda nasceu na Freguesia de Paus, Resende (diocese de Lamego), em Abril de 1956. Frequentou os Seminários de Lamego e o Instituto de Ciências Humanas e Teológicas do Porto, onde terminou o curso superior de Teologia em 1980. Foi ordenado presbítero em Junho de 1981, para a diocese de Vila Real.

Ao longo dos anos desempenhou várias funções eclesiásticas: a principal, foi a de reitor do Seminário de Vila Real, cargo que desempenhou ao longo de 19 anos, e de Vigário episcopal para a Cultura. Foi, ainda, coordenador diocesano da pastoral e membro dos Conselhos Presbiteral, Pastoral e de Consultores.

Paralelamente à sua actividade eclesiástica, licenciou-se em Humanidades pela Faculdade de Filosofia de Braga da UCP (1987), em Teologia pela Faculdade de Teologia (Porto) da mesma Universidade (1988), obteve a licenciatura canónica em Teologia, pela Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma (1991), e o doutoramento em Teologia, especialidade de Teologia Moral, pela Universidad Pontifícia Comillas, em Madrid (1998).

Ao longo dos anos foi leccionando em diversas Escolas (Escolas Básicas e Secundárias e na Escola de Enfermagem de Vila Real, nesta ao longo de cerca de três décadas) e, na Universidade Católica Portuguesa, nas Faculdades de Teologia e de Direito e na Escola das Artes.

Foi nomeado Bispo auxiliar de Braga, em Junho de 2009, pelo Papa Bento XVI, tendo sido ordenado em Setembro desse ano.

Em Outubro de 2013, o Papa Francisco nomeou-o Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, sucedendo a D. Januário Torgal Mendes Ferreira e tomando posse em Janeiro de 2014, em Fátima; consequentemente, em Abril de 2014 foi nomeado Capelão Chefe do Serviço de Assistência Religiosa católica das Forças Armadas e de Segurança.

Recentemente, em 23 de Fevereiro passado, D. Manuel Linda tinha recebido a Medalha da Cruz de São Jorge, atribuída pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Artur Pina Monteiro.

Esta insígnia destina-se a galardoar militares e civis, nacionais ou estrangeiros, que revelem, no âmbito técnico-profissional, “elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais”, contribuindo significativamente para “a eficiência, prestígio e cumprimento” da missão do Estado-Maior-General.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Linda é desde 2014 Presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização e membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade.

O lema episcopal de D. Manuel Linda é “Sede alegres na esperança”.

Depois do falecimento do anterior Bispo do Porto, o Bispo auxiliar D. António Bessa Taipa tinha sido eleito como Administrador diocesano. A diocese do Porto tem ainda como bispos auxiliares D. Pio Alves de Sousa e D. António Augusto Azevedo.

Celebração Litúrgica, que recorda D. Manuel Linda quando era Bispo auxiliar de Braga (2009-2013), deseja-lhe um apostolado fecundo na sua nova missão eclesial.

 


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