6º Domingo da Páscoa

6 de Maio de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com voz de Júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

cf. Is 48, 20

Antífona de entrada: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Antes de subir ao Céu Jesus prometeu aos Apóstolos que lhes enviaria o Espírito Santo. Ele está connosco quando rezamos e guia-nos para vivermos bem a Santa Missa, para, unidos a Jesus, irmos com Ele e por Ele até ao Pai.

 

Rito penitencial pela aspersão da água

Introdução: Irmãos, abençoamos e aspergimos esta água como sinal do nosso baptismo, a nossa iniciação à vida em Jesus Cristo. Ouçamos hoje o amor que Jesus nos manifesta mandando-nos que nos amemos uns aos outros. [Aspersão]

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S.Pedro é chamado por Deus a casa dum estrangeiro, o centurião romano Cornélio. O Espírito Santo desce sobre aquela família, mostrando que também os pagãos são chamados à fé.

 

Actos dos Apóstolos 10, 25-26.34-35.44-48

Naqueles dias, 25Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». 34Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». 44Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. 45E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, 46pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. 47Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» 48E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-Lhe que ficasse alguns dias com eles.

 

A leitura refere a vinda de Pedro a anunciar a salvação a um gentio, «Cornélio». Era centurião romano do destacamento militar de Cesareia, e bem podia ser descendente dalgum daqueles dez mil escravos que libertou Cornélio Sila, cerca do ano 80 a. C., os quais tomaram o apelido deste. Pertenceria à «coorte itálica», de que nos chegaram várias inscrições. Era «justo e temente a Deus» (v. 22), isto é, homem que aceitava o único Deus de Israel e a sua lei moral, mas sem aderir ao judaísmo pela circuncisão e outras práticas rituais. Segundo Act 10, 1-8, tinha recebido uma mensagem angélica para mandar chamar Pedro a Jope (Jafa, hoje Yafo), a fim de lhe vir anunciar a «Boa-Nova da paz» (cf. v. 36). Pedro, dada a visão que teve – «o que foi purificado por Deus não o chames impuro» (v. 15) –, vendo como o Espírito Santo, com manifestações semelhantes às do Pentecostes, nomeadamente a glossolalia (cf. vv. 45-46), descia sobre os ouvintes da sua pregação, não hesitou em fazer entrar os ouvintes directamente na Igreja pelo Baptismo (vv. 47-48). Isto aparece como um passo de extraordinário alcance para a vida da Igreja (por isso se conta mais uma vez no cap. 11); com efeito, a Igreja é católica desde o princípio, isto é, destinada aos homens de todas as raças, e não apenas ao fechado e estreito âmbito de judeus e judaizados. Mas nem todos os cristãos afeitos à Lei de Moisés haviam de compreender isto facilmente, o que motivou o sínodo de Jerusalém (ano 49-50); os cristãos judaizantes, porém, haveriam de continuar na sua e a fazer grande oposição a S. Paulo.

34-35 Estes versículos representam uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa de Cornélio, em Cesareia Marítima, quando Pedro recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem terem de passar primeiro pelo judaísmo. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (mas não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20), «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 – «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» (v. 36) deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas» e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso literário de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

 

Salmo Responsorial    Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b)

 

Monição: Este salmo convida-nos a louvar a Deus que chama todos os povos a fazer parte da Sua Igreja.

 

Refrão:        O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

 

Ou:               Diante dos povos manifestou Deus a salvação.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.João fala-nos do amor que Deus nos  tem e diz-nos que Deus é amor e que temos de amar-nos uns aos outros à maneira de Deus.

 

1 São João 4, 7-10

Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. 8Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

 

A Carta de S. João que temos vindo a ler no tempo pascal deste ano B atinge agora o seu ponto mais alto (vv. 1-16). O tema central da Epístola é o amor, um tema a que volta repetidas vezes, desenvolvendo-o em espiral. A chamada espiral joanina consiste em que, cada vez que volta a um tema, avança e aprofunda-o um pouco mais.

7-8 «Amemo-nos uns aos outros» é como que um refrão que S. João não se cansa de repetir (cf. 1 Jo 3, 11.23); mas aqui não se limita a apelar para «o mandamento do Senhor» (1 Jo 3, 23; cf. Jo 15, 12), pois vai até ao ponto de tocar na mais profunda razão de ser deste mandamento. É que «Deus é amor», por isso o cristão, que «nasceu de Deus» e «conhece a Deus», não pode deixar de amar; sendo assim, «quem não ama não conhece a Deus», isto é, não participa da sua vida e do seu ser, não entra na sua intimidade. Notar que em S. João «conhecer» não é «ter notícia ou informação», mas é «ter experiência pessoal, penetrar na intimidade de outro»; é assim que «conhecer a Deus» implica agir na mesma linha do amor de Deus.

9-10 A afirmação de que Deus é amor não é uma afirmação teórica, ou uma definição metafísica de Deus; é uma afirmação sapiencial, é o resultado da contemplação estonteante da sua obra salvadora, a saber, do modo como «se manifestou o amor de Deus para connosco», que chegou ao ponto de que «enviou ao mundo o seu Filho Unigénito» (v. 9), como «vítima de expiação pelos nossos pecados» (v. 10). Este amor de Deus – a entrega do Criador à sua criatura para se dar dando a vida – é tão fascinante e inimaginável, que é expresso no Novo Testamento com um substantivo novo, não usado na literatura grega profana: agápê. Não estamos perante qualquer espécie de amor, mas em face da mais absoluta gratuidade, pois a referência é o próprio amor que Deus nos manifesta: «não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou» (v. 10).

 

Ou

1 São João 4, 11-16

Caríssimos: 11Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12A Deus ninguém jamais O viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. 13Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. 16Nós conhecemos o amor de Deus por nós e acreditamos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.

 

A espiral joanina à volta do amor, a que nos referíamos no comentário aos versículos anteriores (vv. 7-10), progride aprofundando e esclarecendo o fundamento do amor mútuo: «se Deus nos amou assim, também nós nos devemos (o grego, ofeîlomen,  indica obrigação estrita) amar uns aos outros» (v. 11). Com efeito, são os outros que visibilizam (cf. Mt 25, 40) a Deus invisível, «que nunca ninguém viu», como filhos do mesmo Deus. Também se pode ver neste pormenor do v. 12 uma alusão aos gnósticos que se ufanavam de uma intuição directa de Deus, a epopteia das religiões mistéricas. Por outro lado, temos aqui a mais séria justificação da maravilhosa realidade da vida cristã, que ao longo de todos os séculos se tem manifestado na doação e no serviço aos outros, nomeadamente àqueles que, por serem carenciados, nada têm com que retribuir, sendo o apostolado a forma mais sublime do amor cristão.

Também o voltar ao outro tema fulcral da Carta – permanecer – atinge aqui (vv. 13-16) o seu clímax (ver supra o comentário feito a 1 Jo 3, 24, na 2ª leitura do 5º Domingo de Páscoa): «Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chega à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos n’Ele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito» (vv. 12-13). O autor, ao mover-se na densidade de expressões de fé tão elevadas, com uma referência explícita ao mistério da Trindade e da Incarnação (vv. 13-15), apela, de uma maneira tipicamente joanina, para o testemunho alicerçado, não apenas numa experiência interior, de comunhão vital e mística (cf. v. 13), mas na própria experiência sensorial – hêmeîs tetheámetha (v. 14), «nós vimos (contemplámos)» –, não se tratando de uma mera experiência individual isolada, mas de um colectivo (pode pensar-se na dita comunidade do Discípulo amado em ligação com as primeiras testemunhas directas).

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 14, 23

 

Monição: Jesus fala-nos do amor que nos tem e do mandamento novo: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.

Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São João 15, 9-17

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. 11Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. 12É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. 16Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. 17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

 

Temos hoje a continuação do chamado discurso do adeus, centrada no tema central do amor e no permanecer, correspondentes à 2ª leitura (1 Jo 4, 11-16).

9-17 Estes versículos constituem um dos cumes mais elevados de todo o Evangelho e uma das chamadas «sínteses do cristianismo»: o anterior apelo permanecei em Mim (v. 3) concretiza-se agora em permanecei no meu amor (vv. 9.10). A referência básica é o amor do Pai, «como o Pai Me amou»: é assim que Jesus nos ama (v. 9); trata-se, pois, de um amor de eleição de Jesus (v. 16), que exige uma correspondência de fidelidade aos seus mandamentos (vv. 10.12.14.17; 13, 34; 14, 15.21). Este amor divino constitui os discípulos numa relação totalmente nova com Jesus: a da amizade (vv. 13-15; 13, 34; 1 Jo 3, 11), a tal ponto que fica esbatida a infinita distância entre Deus e o homem, entre o Senhor e os «servos», facultando liberdade interior. Esta nova situação conduz à alegria, a uma «alegria completa» (v. 11; 16, 24; 17, 13; 1 Jo 1, 4), (v. 15), e à fecundidade, dando um fruto sobrenatural, «que permaneça» (v. 16). Por outro lado, este amor é exigência do amor mútuo, fornecendo-lhe a sua mais sólida base e a sua mais elevada medida: como Eu vos amei (v. 12), até dar a vida (v. 13). E não se pode permanecer no amor de Jesus se não se guardarem os seus mandamentos (cf. v. 10).

15-16 «Já vos não chamo servos». Bela forma de mostrar as especiais relações de amizade que Jesus tem com os seus; um servo enquanto tal, é indigno da amizade do seu senhor e limita-se a receber ordens, mas os discípulos recebem de Jesus as mais íntimas confidências: «porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai». É evidente que se trata de uma amizade que não se baseia em igualdade de natureza; é fruto duma eleição gratuita: «fui Eu que vos escolhi e destinei…». Escolhidos para dar frutos que permaneçam, isto é, frutos espirituais, frutos de vida eterna – de santidade, de apostolado –, só darão esses frutos na dependência e união com Cristo (cf. v. 5); daí o apelo à oração, a qual dá garantia de eficácia: «tudo quanto pedirdes… Ele vo-lo concederá». A oração sempre ouvida pelo Pai é a que é feita «em nome de Jesus», isto é, em plena sintonia com Jesus, numa perfeita união de vontades; esta forma de se dirigir ao Pai tornou-se a pauta para a oração litúrgica: «por Cristo, Nosso Senhor».

 

Ou:

São João 17, 11b-19

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: 11b«Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que Me deste, para que sejam um, como Nós. 12Quando Eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que Me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição; e assim se cumpriu a Escritura. 13Mas agora vou para Ti; e digo isto no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da minha alegria. 14Dei-lhes a tua palavra e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 18Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade».

 

O capítulo 17 de S. João veio a ser chamado «a oração sacerdotal de Jesus», a partir das observações de S. Cirilo de Alexandria (PG 74, 505-508); constitui «a síntese mais completa e elevada da teologia do evangelista» (Segalla). Lê-se no 7º Domingo de Páscoa, distribuída pelos anos A, B e C, mas sempre introduzida pelo v. 1: «Jesus ergueu os olhos ao céu…», uma forma de orar muito ao jeito de Jesus (cf. Jo 11, 41; Mt 14, 19; Mc 6, 41; Lc 9, 16; Mc 7, 34), mas mal documentada no judaísmo. Com este gesto, «Jesus dava uma expressão corporal à dimensão fundamental do ser humano, a saber, a sua relação com a fonte que o ultrapassa, que está acima dele e o envolve…» (D. Mollat). Nos países, como o nosso, onde a Ascensão é celebrada no 7º Domingo, Jo 17 pode ler-se, como alternativa, no 6º Domingo de Páscoa. O trecho lido no ano B corresponde àquela parte da oração em que Jesus intercede pelos seus discípulos.

11b «Pai santo». A circunstância de não estarmos perante uma forma usual de Jesus se dirigir ao Pai, leva a pensar numa influência litúrgica (cf. Didakhê 10, 2) na redacção desta belíssima oração, a oração mais longa que aparece nos lábios de Jesus. «O nome que Tu Me deste» pode entender-se como a própria essência divina, comum ao Pai e ao Filho, que é Jesus; e o pedido «um só, como Nós», sugere já uma primitiva reflexão trinitária. Com efeito, a unidade dos discípulos tem como primeira referência (analogatum princeps) a unidade do ser divino, na distinção de pessoas, visando uma unidade que transcende a meramente moral e sociológica; por outro lado, podemos ver, no semitismo «dar o nome», um sentido aberto, coadunando-se bem com a doutrina teológica da processão, ou geração eterna do Filho pelo Pai. Esta prece pela unidade dos primeiros discípulos, vai ser feita, mais adiante (vv. 20-23), de forma mais desenvolvida, pela unidade de todos os que depois hão-de vir a crer em Jesus.

12-15 Jesus, que, como Bom Pastor, guardou os discípulos, agora, consciente da sua partida, intercede «para que eles tenham sem si a plenitude da alegria», própria de Jesus, uma alegria que deriva da sua união com o Pai. Por outro lado, roga «que os guarde do Maligno», pois eles terão de ficar no mundo, que está «todo sob o poder do Maligno» (cf. 1 Jo 5, 19). «O mundo» é aqui tomado no seu aspecto negativo: são os homens que recusam a graça e, na sua auto-suficiência, se fecham a Deus, a ponto de odiarem a Cristo e os seus seguidores (v. 14). Os discípulos, vivendo no mundo, estão sujeitos às suas seduções, e Jesus não suplica que os tire do mundo, onde se desenrola a sua vida e está o seu campo de acção, mas que os guarde de serem mundanizados, deixando-se influenciar pelo «dominador deste mundo» (cf. Jo 12, 31).

17-19 «Consagra-os na verdade», à letra, santifica-os; santificar é retirar da esfera do profano para destinar a uma missão divina (cf. Hebr 2, 11). Estas palavras não são apenas o centro da oração, mas um dos pontos altos do Evangelho: a consagração e missão dos discípulos. Este envio ao mundo encerra um mistério que se exprime através dum paradoxo: escolhidos mas não retirados do meio do mundo. É que não se trata de um simples envio pragmático, mas insere-se no mistério do envio de Jesus ao mundo (v. 18; cf. 10, 36; 15, 27; 20, 21); os discípulos não se limitam a continuar a sua missão; participam da sua própria vida (15, 1-16), uma vida que não pertence a este mundo e a que se tem acesso apenas pela palavra (v. 17) da revelação, a «verdade». Mas, para além desta misteriosa realidade bipolar – a vocação-missão –, o texto deixa ver um outro aspecto: «Eu consagro-Me por eles» tem uma conotação sacrificial, como se dissesse «ofereço-Me em sacrifício por (em vez de ou a favor de) eles», pois corresponde à linguagem cultual do A. T. (cf. Ex 13, 2.12.15; 28, 41; Dt 15, 19-20) e tem paralelos no N. T. (cf. 1 Cor 11, 24; 15, 3). É por isso que a oração sacerdotal adquire a dimensão de ofertório do sacrifício do Senhor, que vai ser consumado no Calvário e também a de uma declaração de intenção: Jesus entrega a sua vida por todos (cf. 11, 51-52; 15, 13), em sacrifício, a fim de que os seus, uma vez purificados, venham a ser pertença exclusiva de Deus (v. 19: «consagrados», ou santificados). A alusão a Cristo como sumo sacerdote da nova Aliança – sacerdote oferente e vítima oferecida (cf. Hebr 9, 11-14; 10, 10) – pode ver-se na ressonância vétero-testamentária de Ex 28, 36-38. Há quem veja também alusões à Eucaristia, em especial nos vv. 21-24 (cf. Jo 15, 4-7; 6, 56; 1 Cor 10, 17).

 

Sugestões para a homilia

 

1) Se guardardes os Meus mandamentos

2) Que a minha alegria esteja em vós

3) O Espírito Santo desceu sobre eles

 

 

1)Se guardardes os Meus mandamentos   

 

Jesus diz-nos: Se guardardes os Meus mandamentos permanecereis no Meu amor.

É a prova dos nove. Somos amigos de Jesus se procuramos guardar a Sua palavra e vivê-la em nossa vida, ajudados pela graça que nos dá e guiados pelo Espírito Santo. É uma luta de todos os dias sem nunca desanimar e sem nunca nos darmos por satisfeitos. Vale a pena. Jesus promete na mesma ocasião: Se alguém Me ama guardará a minha palavra, meu Pai o amará e Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada (Jo 14,23).

Tornamo-nos templos vivos de Deus, unidos a Ele pelo amor. Em nossa alma estará não só o Espírito Santo mas toda a Santíssima Trindade.

Sóror Isabel da Santíssima Trindade exclamava: “Tenho o Céu dentro de mim, porque o Céu é Deus e Deus está na minha alma”.

Procuremos deveras ser santos, crescer cada dia no amor de Deus, vivendo esse amor na vida cada dia: no trabalho, na oração, no convívio com os outros, nas alegrias e penas de cada dia.

Jesus deixa também o mandamento novo. É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. É o sinal dos cristãos. Nisto conhecerão que sois Meus discípulos se vos amardes uns aos outros (Jo13,35).

 

2) Que a minha alegria esteja em vós        

 

O Senhor promete a alegria aos Seus discípulos, quando está prestes a começar a Sua Paixão.

Disse-vos estas coisas para que a Minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.

O sofrimento não impede a alegria verdadeira, que Jesus garante aos Seus amigos. É alegria de quem se sabe filho de Deus, um Pai que sabe tudo e tem todo o poder. O sofrimento será um remédio amargoso mas necessário para a nossa alma e para a salvação dos outros à nossa volta.

S.Paulo lembra: Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam (Rom8,28).

Um dos frutos da ação do Espírito Santa em nossa alma é a alegria. Os Apóstolos quando foram presos e chicoteados saíram alegres por sofrerem pelo nome de Jesus.

Ele está em nossa alma em graça. É Ele que nos faz santos. Temos de colaborar com Ele lutando por evitar o pecado mesmo venial. Estando atentos às Suas inspirações por uma vida de oração contínua, pela prática da mortificação, que retira os obstáculos à Sua ação em nossa alma.

S.Paulo lembra que não podemos sequer dizer Senhor Jesus senão pelo Espírito Santo (1 Cor 12,3). Temos de agradecer-Lhe a Sua atividade em nossa alma e deixar-nos guiar mais docilmente por Ele.

Ser santos é ser felizes já na terra, no meio de contradições e dificuldades. S.Tomás Moro, quando estava prestes a ser morto na Torre de Londres, dizia ao alcaide -ajuda-me a subir que para descer não vou pedir-te ajuda. E ao carrasco que ia cortar-lhe a cabeça acrescentava com bom humor: -desvia a minha barba. Teria pena que a cortasses. Ela não é réu de alta traição.

 

 

3)  O Espírito Santo desceu sobre eles

Os Apóstolos e os primeiros cristãos sentiram muito vivamente a ação do Espírito Paráclito

na vida da comunidade cristã e no seu crescimento maravilhoso. Ele dava sabedoria e fortaleza a Pedro e aos Doze para proclamarem o Evangelho. Movia os diáconos e leigos a espalharem com entusiasmo a mensagem de Cristo.

Guiou Pedro para ir a casa do centurião Cornélio em Cesareia. Enquanto falava o Espírito Santo desceu sobre aquela família, mostrando claramente a Pedro que os pagãos também deviam ser admitidos na Igreja sem terem de sujeitar-se às imposições da Lei mosaica.

O livro dos Atos dos Apóstolos fala-nos uma e outra vez desta manifestação do Paráclito na vida da Igreja. Foi chamado o Evangelho do Espírito Santo. Em quase todas as páginas se fala da sua atuação na Igreja primitiva.

Antes de morrer Jesus falou aos Apóstolos do Espírito Santo que lhes enviaria para os confortar, para os ensinar e para os guiar. Ele é o Paráclito, o Consolador que ficará sempre com eles e os guiará no conhecimento e na compreensão das verdades da fé que Jesus lhes tinha confiado.

Ele é Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Procede do Pai e do Filho, é o Amor que une o Pai e o Filho desde toda a eternidade.

Vamos aproveitar melhor estes dias para rezar ao Divino Consolador, para pedir as Suas luzes, para estarmos mais atentos às Suas inspirações e nos deixarmos guiar por Ele.

Depois da Ascensão os Apóstolos ficaram em Jerusalém em oração com Maria, preparando-se para a vinda do Espírito Santo, como Jesus lhes havia recomendado.

Muitos cristãos aproveitam estes dez dias, este decenário depois da Ascensão, para rezarem mais ao divino Paráclito, para Lhe pedirem muitos favores para a Igreja e para si próprios.

Devemos também ter consciência da Sua atividade na vida da Igreja em nossos tempos. Ele continua a conduzi-la e a renová-la pelo mundo fora. O demónio procura destruí-la e semear o joio no campo de Deus. Às vezes parece que consegue vencê-la com os escândalos de alguns dos seus membros, com a confusão de erros que vão surgindo, com o enfraquecimento da fé em alguns países. Mas Jesus prometeu a Pedro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não levarão a melhor contra ela (Mt 16,18). A palavra de Jesus não falha, porque Ele é a Verdade e tem todo o poder. O Espírito Santo trabalha nos corações dos homens e nos pastores da Igreja.  Rezemos mais ao Divino Paráclito para que renove a face da terra e trabalhemos unidos a Ele, para que o Reino de Cristo chegue a todas as almas.

Aprendamos com Nossa Senhora a viver, como Ela viveu, unidos ao Espírito Santo e, com Ele, ao Pai e a Jesus Nosso Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Esta Palavra do Senhor chama-nos a amar-nos uns aos outros, mesmo se nem sempre nos compreendemos,

nem sempre estamos de acordo... mas é precisamente ali que se vê o amor cristão.»

O Evangelho de hoje — João, capítulo 15 — reconduz-nos ao Cenáculo, onde ouvimos o mandamento novo de Jesus. Diz assim: «Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (v. 12). E pensando no sacrifício da cruz já iminente, acrescenta: «Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando» (vv. 13-14). Estas palavras, pronunciadas durante a Última Ceia, resumem toda a mensagem de Jesus; aliás, resumem tudo o que Ele fez: Jesus deu a vida pelos seus amigos. Amigos que não o tinham compreendido, que no momento crucial o abandonaram, atraiçoaram e renegaram. Isto diz-nos que Ele nos ama mesmo se nós não merecemos o seu amor: assim nos ama Jesus!

Deste modo, Jesus mostra-nos o caminho para o seguir, a via do amor. O seu mandamento não é um simples preceito, que permanece sempre algo abstracto ou exterior em relação à vida. O mandamento de Cristo é novo porque o realizou primeiro, deu-lhe carne, e assim a lei do amor está inscrita de uma vez para sempre no coração do homem (cf. Jr 31, 33). E como está inscrita? Com o fogo do Espírito Santo. E com o mesmo Espírito, que Jesus nos doa, podemos caminhar também nós por esta vereda!

Trata-se de um caminho concreto, que nos leva a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos outros. Jesus mostrou-nos que o amor de Deus se concretiza no amor ao próximo. Os dois caminham juntos. As páginas do Evangelho estão cheias deste amor: adultos e crianças, cultos e ignorantes, ricos e pobres, justos e pecadores foram acolhidos no coração de Cristo.

Portanto, esta Palavra do Senhor chama-nos a amar-nos uns aos outros, mesmo se nem sempre nos compreendemos, nem sempre estamos de acordo... mas é precisamente ali que se vê o amor cristão. O amor que se manifesta mesmo quando há diferenças de opinião ou de carácter, mas o amor é maior do que estas diferenças! Foi este amor que Jesus nos ensinou. É um amor novo porque renovado por Jesus e pelo seu Espírito. É um amor remido, libertado do egoísmo. Um amor que dá alegria ao nosso coração, como diz Jesus: «Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e o vosso júbilo seja pleno» (v. 11).

É precisamente o amor de Cristo, que o Espírito Santo derrama nos nossos corações, que realiza todos os dias prodígios na Igreja e no mundo. São tantos pequenos e grandes gestos que obedecem ao mandamento do Senhor: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 15, 12). Gestos pequenos, de todos os dias, gestos de proximidade a um idoso, a um doente, a uma pessoa sozinha e em dificuldade, sem casa, sem trabalho, imigrada, rejeitada... Graças à força desta Palavra de Cristo, cada um de nós pode estar próximo do irmão e da irmã que encontra. Gestos de proximidade. Nestes gestos manifesta-se o amor que Cristo nos ensinou.

Ajude-nos nisto a nossa Mãe Santíssima, para que na vida diária de cada um de nós o amor de Deus e o amor ao próximo estejam sempre presentes.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 10 de Maio de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos ao Senhor os nossos pedidos por nós, por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos:

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

1-Pelo Santo Padre Francisco - para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza, para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

  Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

2-Pelos bispos e sacerdotes - para que preguem com valentia a Jesus Crucificado e nos animem a cumprir fielmente os mandamentos de Deus, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

3-Por todos os cristãos - para que renovem a sua fé e o seu amor a Jesus, com obras e em verdade, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

4-Pelos irmãos separados -para que Deus lhes dê luz abundante na busca da unidade numa só Igreja e com um só pastor, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

5-Por todos os homens afastados de Deus -para que conheçam e sigam a Jesus Salvador, o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

6-Para que aumente em todos os cristãos a devoção ao Divino Paráclito, oremos, irmãos.

 Guiai-nos Senhor pelo Vosso Espírito

 

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer melhor as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vós sereis meus amigos, M. Faria, NRMS 29

 

Oração sobre as oblatas: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Rito da paz

Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos os nossos irmãos.

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos ao Espírito Santo nos ensine a tratar bem a Jesus que agora vem a nós.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

cf. Jo 14, 15-16

Antífona da comunhão: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Deus é Amor, M. Luís, NCT 380

 

Oração depois da comunhão: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Guiados pelo Espírito Santo vamos daqui com o desejo de renovar o mundo à nossa volta.   

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-V: A necessidade do Consolador.

Act 16, 11-15 / Jo 15, 26-16, 4

Quando vier o Defensor, que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito de Verdade...

«Jesus, ao anunciar e prometer a vinda o Espírito Santo, chama-lhe o Paráclito que, à letra, quer dizer aquele que é chamado para adjunto (Ev.). Paráclito traduz-se por Consolador, sendo Jesus o primeiro Consolador» (CIC, 692). Nos  momentos difíceis, pequenos ou grandes, precisamos do Consolador.

É no momento do Baptismo, como aconteceu com Lídia e toda a sua família (Leit.), que recebemos este dom de Deus. Também o encontramos na vida de Nossa Senhora, desde o início. E igualmente na santa Missa, no momento da Consagração.

 

3ª Feira, 8-V: As famílias: pequenas ilhas de vida cristã.

Act 16, 22-34 /  Jo 16, 5-11

O carcereiro logo recebeu o Baptismo. E encheu-se de alegria com toda a família, por ter acreditado em Deus.

«Quando se convertiam (caso do carcereiro) desejavam também que 'toda a sua casa' fosse salva (Leit.). Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã dum mundo descrente» (CIC, 1655). É necessário que se vençam os problemas actuais da vida familiar para que continue a haver estas pequenas ilhas de vida cristã.

Também é necessário que se mantenha a prática tradicional de baptizar, quanto antes, as crianças: «É bem possível que, desde o princípio da pregação apostólica, quando 'casas inteiras' receberam o baptismo (Leit.), se tenham baptizado também as crianças» (CIC, 1252).

 

4ª Feira, 9-V: O homem, ser religioso.

Act 17, 15. 22-18, 1 / Jo 16, 12-15

Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens. Encontrei um altar com esta inscrição: Ao deus desconhecido.

Desde sempre, o homem procurou traduzir a sua presença de Deus através de sinais sensíveis (neste caso, uma estátua). Na verdade, pode chamar-se ao homem um ser religioso (Leit.), por natureza, e Deus não está longe dele.

Às vezes esta religiosidade está oculta, devido a uma grande indiferença, a um excesso de preocupação pelos bens materiais, etc. Temos que procurar que o Deus desconhecido se torne mais conhecido, com a ajuda do Espírito Santo (Ev.), como fez S. Paulo. Nossa Senhora é igualmente um caminho mais rápido para chegar até Deus.

 

5ª Feira, 10-V: Rogações: Um uso correcto dos bem da terra.

Act 18, 1-8 / Jo 16, 16-20

Paulo foi procurá-los, ficou em casa deles, e começou a trabalhar. Tinham a profissão de fabricantes de tendas.

Neste dia das Rogações procuremos elevar até Deus as nossas preces para que Ele nos ajude a levar à prática o seu projecto a respeito do mundo e dos homens. A Sagrada Família de Nazaré colaborou neste projecto, também através do trabalho humano.

«O trabalho humano procede imediatamente das pessoas criadas à imagem de Deus e chamadas a prolongar, umas com as outras, a obra da criação, dominando a terra. O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrenas no Espírito de Cristo» (CIC, 2427).

 

6ª Feira, 11-V: O verdadeiro sentido da vida.

Act 18, 9-18 / Jo 16, 20-23

Haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Encontramos estas palavras do Senhor também na nossa vida corrente. Com efeito, parece-nos que, às vezes, os que nada querem com a religião se divertem, gozam a vida, enquanto nós, que procuramos seguir o Senhor, enfrentamos muitos sofrimentos. Veja-se o sofrimento de S. Paulo, que é levado a tribunal por proclamar a Boa Nova (Leit.).

No entanto, Jesus mostra-nos que verdadeiro sentido da vida pessoal do homem, não está confinado ao horizonte terreno, mas se abre para a eternidade (S. João Paulo II). É este o sentido das bem-aventuranças.

 

Sábado, 12-V: A oração, respiração dos cristãos.

Act 18, 28-38 / Jo 16, 23-28

O que pedirdes ao Pai, Ele vo-lo dará em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Porque somos filhos de Deus ousamos dirigir-nos ao Pai como Cristo nos ensinou, pois a oração dominical é um verdadeiro resumo de todo o Evangelho (CIC, 2761).

É bom que nas famílias se reserve um espaço para a oração feita em comum. No entanto, nunca deve descurar-se a oração pessoal, que é como a respiração do cristão. Procuremos transformar tudo o que fazemos em oração, oferecendo as nossas ocupações diárias. A oração é também a base do apostolado e da pregação, como se vê em Apolo (Leit.). Aprendamos com Nossa Senhora, mestra de oração, a pedir o que mais necessitamos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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