5º Domingo da Páscoa

29 de Abril de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, cantemos, M. Faria, NRMS 6 (II) ou 68

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o 5º Domingo da Páscoa.

A liturgia da Palavra convida-nos a continuar unidos a Jesus Ressuscitado, ao longo dos nossos dias, apresentando verdadeiros frutos de amor em favor dos irmãos.

Certamente que nenhum de nós gostará de se assemelhar a uma árvore estéril, pois Jesus disse-nos que a glória de Seu Pai é que demos muito fruto.

Reflectindo sobre o nosso modo de viver, examinemo-nos para ver se estamos a corresponder ao que Cristo espera de nós e peçamos a sua misericórdia, se não estivermos a agir em conformidade.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta primeira leitura, tirada do livro dos Actos dos Apóstolos, salienta o exemplo de S. Paulo que, apesar das incompreensões, desconfianças e difíceis complicações que teve de enfrentar, soube manter-se unido a Cristo e à Comunidade dos discípulos.

 

Actos dos Apóstolos 9, 26-31

Naqueles dias, Saulo 27chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. 28Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus. 29A partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusalém e falava com firmeza no nome do Senhor. Conversava e discutia também com os helenistas, mas estes procuravam dar-lhe a morte. 30Ao saberem disto, os irmãos levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. 31Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo.

 

A leitura relata a primeira visita do cristão Saulo a Jerusalém, após a fuga de Damasco, onde a sua vida corria perigo. Há uma correspondência perfeita com os dados que o próprio S. Paulo fornece no início da sua Carta aos Gálatas (Gal 1, 19-19). Também a vida do convertido, que não se calava, não estava segura em Jerusalém (v. 30).

27 «Barnabé». Era levita e cipriota; o seu nome de origem aramaica, «bar-nahmá», podia significar «filho da consolação», isto é, o amigo de consolar (também se pode entender como «filho da profecia», isto é, profeta). Foi ele que apresentou Saulo aos Apóstolos, concretamente a Pedro (cf. Gal 1, 18) acabando-se assim com o receio de que ele fosse um falso irmão, um espião. Havia de ser o mesmo Barnabé que, passados bastantes anos, após a retirada de Saulo para a sua terra natal, Tarso na Cilícia, o vai buscar para o trabalho apostólico em Antioquia da Síria (Act 11, 22-26), grande centro helenista, onde os cristãos tomam este nome e a fé se expande extraordinariamente. Daqui sairá Paulo e Barnabé para a primeira grande viagem missionária

29 «Helenistas». Judeus provenientes da diáspora, isto é, emigrantes de passagem para Jerusalém ou mesmo já retornados que falavam grego e nesta mesma língua liam a Bíblia, em sinagogas próprias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 21 (22), 26b-27.28.30.31-32

 

Monição: Neste salmo de meditação, louvaremos a Deus e convidamos todos os povos a também louvarem e adorarem o Senhor pelas maravilhas que fez em favor dos Seus filhos, sobretudo na obra da Redenção operada por Jesus Cristo.

 

Refrão:        Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.

 

Ou:               Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

 

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.

Os pobres hão-de comer e serão saciados,

louvarão o Senhor os que O procuram:

vivam para sempre os seus corações.

 

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele

todos os confins da terra;

e diante d’Ele virão prostrar-se

todas as famílias das nações

 

Só a Ele hão-de adorar

todos os grandes do mundo,

diante d’Ele se hão-de prostrar

todos os que descem ao pó da terra.

 

Para Ele viverá a minha alma,

há-de servi-l’O a minha descendência.

Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras

e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir: «Eis o que fez o Senhor».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Só manifestaremos exteriormente a nossa fé através das obras de amor que realizarmos e não pelas bonitas palavras que possamos proferir, diz-nos S. João nesta segunda leitura.

 

1 São João 3, 18-24

Meus filhos, 18não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. 19Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque, se o nosso coração nos acusar, 20Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus 22e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. 23É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. 24Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.

 

19-20 A ideia central é a de uma absoluta confiança em Deus, consequência da nossa filiação divina de que falava o texto do passado Domingo (1 Jo 3, 1-3). É assim que, embora a consciência nos possa acusar de pecado, o cristão nunca tem motivo para deixar abalar a sua confiança em Deus, pois o amor de Deus é maior, isto é, supera toda a miséria humana; e, mesmo que não tivéssemos consciência de ter pecado, Ele, que «conhece todas as coisas», não deixaria de nos perdoar, pois despacha favoravelmente «tudo o que Lhe pedirmos» (v. 22; cf Jo 16, 26-27); e «a pedra de toque da aceitação da parte de Deus é a boa vontade para «fazer o que Lhe é agradável» (cf. Jo 8, 29)» (Ph. Perkins).

23 «Este é o seu mandamento: acreditar… em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros». A expressão aparece aqui como uma fórmula joanina correspondente ao amar a Deus e ao próximo nos Sinópticos (cf. Mc 12, 28-31 par). Há mesmo quem veja nesta fórmula uma síntese da essência do cristianismo, a saber, a fé em Jesus Cristo e o amor fraterno; também podemos ver outra síntese que define o cristianismo como amor, em 1 Jo 4, 21: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão». O Papa Bento XVI desenvolve este tema que escolheu para a sua primeira encíclica.

24 «Permanece em Deus e Deus nele». A imanência mútua é uma noção típica joanina, que aparece muitas vezes para indicar, mais que uma adesão firme de alma e coração, uma íntima comunhão, uma união vital; daí o aparecer por vezes em contextos eucarísticos (Jo 6, 56; cf. 15,4.5.6.7.9.10). Permanecer é uma das palavras-chave tanto no IV Evangelho (cf. Evangelho de hoje: Jo 15, 1-8), como nesta Carta (cf. 1 Jo 2, 6.10.14.24.28; 3, 6.17.24; 4, 12.13.15.16. Mais ainda, se temos em conta o lugar paralelo do Evangelho de hoje: «Permanecei em Mim e Eu… em vós» (Jo 15, 3), pode-se pensar numa actualização destas palavras de Jesus feita na Carta (certamente posterior, por aparecer mais elaborada), constituindo assim o que penso poder classificar-se como um «deraxe cristológico intraneotestamentário», isto é, uma actualização (dentro do N. T.) alusiva à divindade de Cristo, ao actualizar as palavras de Cristo apontando-o como Deus. A permanência no amor implica uma observância dos mandamentos (cf. tb. 1 Jo 2, 3-8; 5, 2-3; Jo 15, 9-17; 13, 34; 14, 15.21). «E sabemos… pelo Espírito…»: O Espírito Santo também aparece como garantia nos Escritos Paulinos (cf. Rom 8, 14; 2 Cor 1, 22); como nota Muñoz-León, «o dom do Espírito é sinal da Comunhão divina».

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 15, 4a.5b

 

Monição: Através da união com Cristo os cristãos continuam, nos dias de hoje, a produzir frutos agradáveis a Deus nosso Pai.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Diz o Senhor: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós;

quem permanece em Mim dá muito fruto».

 

 

Evangelho

 

São João 15, 1-8

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. 3Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. 4Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. 5Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. 7Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. 8A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

 

O pano de fundo para esta solene afirmação de Jesus – Eu sou a videira autêntica! – bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo.

1-8 A imagem bíblica da «videira» designava o povo escolhido e tantas vezes infiel (cf. Os 10, 1; Is 5, 1-7; Jer 2, 21; Ez 15, 1-8; 19, 10-14; Salm 80, 9-17). Jesus inaugura um novo povo de Deus, por isso diz que Ele é «a verdadeira» (no sentido de autêntica, em grego, alêthinê) «videira» (cf. Sir 24, 17-21), que com os seus discípulos forma uma unidade vital e não uma simples comunidade, como a de Israel, pois nela se vive a própria vida de Cristo (cf. Ef 4, 16; 1 Cor 12, 27; Gal 2, 20), em ordem a dar «fruto» para a vida eterna. Esta íntima comunhão exprime-se com o insistente apelo «permanecei em Mim» (vv. 4.5.6.7). Pode-se mesmo vislumbrar uma alusão à Eucaristia (cf. Jo 6, 56); o melhor fruto desta videira seria o vinho eucarístico, que prefigura e antecipa o do banquete escatológico do Reino de Deus (cf. Mc 14, 15; 1 Cor 11, 26). Mas uma tão profunda união pressupõe a purificação, a «poda» (cf. v. 2: o verbo grego katháirei tanto significa podar como purificar). O termo traduzido por vide, ou videira, tanto designa a árvore toda (v. 1), como a cepa ou o tronco (vv. 4-5). Permanecer em Cristo aparece com toda a radicalidade evangélica, como uma questão de vida ou morte: «sem Mim, nada podeis fazer» (v. 5); caso contrário, é-se ramo seco, que não pode dar fruto (v. 4); só serve para ser cortado, ser laçado fora, ser lançado ao fogo (v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

O fruto do Espírito são as boas obras

Quando realizadas por amor

Nunca renunciando à unidade, apesar das dificuldades

 

O fruto do Espírito são as boas obras

 

Como são agradáveis e saborosas as uvas, frutos da videira. Esta não é constituída apenas pela cepa, mas também pelas varas. E são precisamente as suas varas que nos dão os frutos.

No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus apresenta-se como a cepa e os seus discípulos as varas. Todavia, como acontece nesta e noutras plantas, um ramo separado do tronco, parece ainda vivo: as folhas continuam verdes durante algum tempo e mesmo os frutos não murcham de imediato. Mas, depois de certo tempo, o ramo cortado deixa vislumbrar todos os sinais de morte.

O mesmo acontece com aqueles que se separam de Cristo e da Sua comunidade, bem depressa deixam de viver e produzir frutos. E, as suas opiniões e maneiras de ser passam, normalmente, a estiolar e a manifestar-se como fruto apodrecido pelo seu operante individualismo.

Ora, Jesus só continua a produzir os frutos de boas obras que são agradáveis ao Pai, através do Espírito Santo, que age nos discípulos das nossas comunidades eclesiais. Todavia, para que tal possa acontecer é necessário que os discípulos estejam unidos a Cristo, sob pena de se tornarem ramos secos, morrerem e não produzirem mais nada. Por isso, não é possível sentir-se unido a Cristo, sem estar unido aos irmãos de fé, a estes irmãos concretos, santos sim, mas também muito fracos e pecadores. Há muitos ramos secos que só ocupam espaço, causam incómodo, fazem apenas sombra e impedem que os outros ramos bons se possam expandir. Mas não será possível criticar a Igreja por sua causa. O tronco continua a ser excelente, e há muitos ramos que continuam a dar bom fruto.

Deus comporta-Se como o vinhateiro: limpa continuamente a sua Igreja e a palavra do Evangelho continua a ser a tesoura utilizada para a necessária poda. O confronto com a pessoa de Jesus e com a Palavra de Deus é uma limpeza contínua e necessária, que põe a descoberto os nossos limites, os nossos defeitos e os nossos egoísmos que nos impedem de produzir bons frutos.

Assim no-lo recomenda S. João na epístola que escutamos: “Não amemos com palavras [], mas com obras e em verdade”.

 

Quando realizadas por amor

 

O sinal de que o Espírito de Cristo está presente em nós são as boas obras, concretas e verdadeiras, realizadas por amor em favor dos homens. As palavras não satisfazem para convencer. É necessário que o anúncio da Ressurreição de Cristo seja acompanhado pelos sinais de vida nova produzida pelo Espírito.

Quando pensamos com seriedade nas nossas acções, reconheceremos que cometemos muitos erros. Permanecem em nós muitos defeitos e certos hábitos de que não nos conseguimos facilmente libertar. Por isso, somos tentados a desanimar e a pensar que Deus já não quer saber de nós e nos condenará, como nos condena nessa altura o nosso coração. João diz-nos que se amamos realmente os nossos irmãos, não devemos recear as nossas imperfeições, nós podemos ficar em paz, porque “Deus é muito maior que o nosso coração”. E quem realiza obras de amor é porque possui o Espírito de Deus e é sinal de que está unido a Cristo e a Deus.

 

Nunca renunciando à unidade, apesar das dificuldades

 

Nós estamos inseridos numa comunidade cristã, pertencemos à Igreja. Todavia, por vezes, encontramos dificuldades para estar em comunhão com todos os irmãos da nossa comunidade eclesial. É natural, porque, como atrás reconhecemos, a Igreja é composta por homens que têm muitas qualidades, mas também os seus defeitos. Somos capazes de nos confrontar com incompreensões e divergências. Nesses momentos talvez sintamos a tentação de abandonar tudo, de nos distanciar da comunidade e agir sozinhos. Mas, como Paulo, não podemos por nenhum motivo renunciar à unidade. Paulo, não agiu sozinho, não viveu à margem da comunidade, mas procurou de todas as maneiras pôr-se em comunhão com os irmãos na fé, não desanimando perante as desconfianças e dificuldades. A sua coragem é um exemplo e um estímulo para nós, no sentido de nunca fugirmos ou atraiçoarmos os compromissos assumidos no dia do nosso baptismo. Que as opções que tomamos, e que nem sempre são julgadas de maneira favorável pelos amigos, colegas e mesmo familiares, não nos impeçam de continuar indubitavelmente unidos a Cristo.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus é a videira, e através d’Ele passa para os rebentos o amor de Deus, o Espírito Santo.

Os rebentos dependem totalmente da videira na qual se encontra a fonte da sua vida.»

O Evangelho de hoje apresenta-nos Jesus durante a Última Ceia, no momento em que sabe que a morte já está perto. Tinha chegado a sua «hora». Pela última vez Ele estava com os seus discípulos, e então quis deixar bem claro nas suas mentes uma verdade fundamental: também quando Ele não estiver fisicamente no meio deles, ainda assim eles poderão permanecer unidos a Ele de um modo novo, e produzir muitos frutos. Todos podemos estar unidos a Jesus de um modo novo. Se, ao contrário, alguém perdesse esta união com Ele, esta comunhão com Ele, tornar-se-ia estéril, aliás, prejudicial para a comunidade. Para exprimir esta realidade, este modo novo de estar unido a Ele, Jesus usa a imagem da videira e dos rebentos, dizendo: «Como o ramo não pode dar fruto por si mesma se não estiver na videira, assim acontecerá convosco se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira, vós os ramos» (Jo 15, 4-5). Com esta imagem ensina-nos o modo como permanecer n’Ele, estar unidos a Ele, mesmo que não esteja fisicamente presente.

Jesus é a videira, e através d’Ele — como a linfa na árvore — passa para os rebentos o amor de Deus, o Espírito Santo. Eis, então: somos os rebentos, e através desta parábola Jesus quis que entendêssemos a importância de permanecer unidos a Ele. Os rebentos não são auto-suficientes, dependem totalmente da videira na qual se encontra a fonte da sua vida. Assim é também para nós, cristãos. Enxertados em Cristo com o Baptismo, recebemos gratuitamente d’Ele o dom da vida nova; e podemos permanecer em comunhão vital com Cristo. É preciso que nos mantenhamos fiéis ao Baptismo e cresçamos na amizade com o Senhor mediante a oração diária, a escuta e a docilidade à sua Palavra — lendo o Evangelho — a participação nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia e na Reconciliação.

Se alguém estiver intimamente unido a Jesus, usufruirá dos dons do Espírito Santo, que — como nos diz são Paulo — são: «caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança» (cf. Gl 5, 22); e por conseguinte faz muito bem ao próximo e à sociedade, é uma pessoa cristã. De facto, a partir destes comportamentos reconhece-se se uma pessoa é um cristão verdadeiro, como dos frutos se reconhece a árvore. Os frutos desta união profunda com Jesus são maravilhosos: toda a nossa pessoa é transformada pela graça do Espírito: alma, inteligência, vontade, afectos e até o corpo, porque somos unidade de espírito e corpo. Recebemos um novo modo de ser, a vida de Cristo torna-se nossa: podemos pensar, agir, ver o mundo e a realidade com os seus olhos, como Ele. Consequentemente, podemos amar os nossos irmãos, a partir dos mais pobres e sofredores, como Ele fez, amando-os com o seu coração e assim produzir frutos de bondade, caridade e paz.

Cada um de nós é um rebento da única videira e todos juntos somos chamados a produzir os frutos desta comum pertença a Cristo e à Igreja. Confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria, a fim de podermos ser rebentos vivos na Igreja e testemunhar de modo coerente a nossa fé — precisamente coerência de vida e pensamento, de vida e fé — cientes de que todos, de acordo com as nossas vocações particulares, participam na única missão salvífica de Cristo.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 3 de Maio de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor Jesus disse-nos no Evangelho:

“Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras

permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes

e ser-vos-á concedido.”

Como sabemos que Ele não nos engana,

cheios de confiança digamos (ou cantemos):

 

Senhor, nós esperamos na vossa Palavra, atendei-nos.

 

1.     Que o Santo Padre, o Papa N., juntamente com todos os Bispos,

Presbíteros e Diáconos unidos na fé de Cristo,

dêem testemunho dessa mesma fé,

oremos, irmãos.

 

2.     Que todo o povo cristão,

seja ramo vivo na unidade a Cristo,

e dê testemunho dessa unidade,

oremos, irmãos.

 

3.     Que os cristãos que se encontram divididos entre si,

procurem ardentemente a unidade,

oremos, irmãos.

 

4.     Que as nossas obras, concretas e verdadeiras,

realizadas por amor em favor dos homens,

sejam o sinal de que o Espírito de Cristo

está presente em nós, 

oremos, irmãos.

 

5.     Que todos nós aqui presentes,

nunca desanimemos perante desconfianças e dificuldades

por que eventualmente tenhamos de passar,

oremos irmãos.

 

6.     Que todos os que se encontram em dificuldade,

os doentes e os que estão vivendo em solidão,

sintam a nossa unidade e ajuda em fraterna caridade,

oremos, irmãos.

   

Senhor Jesus Cristo,

nós somos ramos muito frágeis da vossa vinha,

ajudai-nos a corrigir os nossos defeitos e os nossos egoísmos,

a fim de que possamos produzir bons frutos.

Vós que sois Deus com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor, que vamos receber, reforcem em nós a unidade a Cristo, à Igreja e a todos os homens nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a videira, S. Marques, NRMS 57

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminarmos esta nossa celebração, continuemos com alegria a nossa caminhada pascal.

Que por nenhum motivo caiamos na tentação de renunciar à unidade com Cristo e com a Igreja nossa mãe.

Que essa unidade esteja alicerçada nas boas obras de amor que viermos a realizar, pela acção do Divino Espírito Santo em nós.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 57

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-IV: Uma morada digna de Deus.

Act 14, 5-18 / Jo 14, 21-26

Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos e faremos nele a nossa morada.

O fim da nossa vida é a união perfeita com a Santíssima Trindade no Céu. Mas Jesus revela-nos até onde pode chegar esta 'loucura do amor de Deus por nós': aqui na terra a Santíssima Trindade vem habitar dentro de nós (Ev.), prenúncio da união definitiva.

S. Paulo e S. Barnabé pediram que abandonassem os ídolos, e se voltassem para o Deus vivo (Leit.). Para sermos boa morada de Deus, teremos que abandonar os 'ídolos' que há na nossa vida, que ocupam o lugar de Deus. Deus preparou Nossa Senhora para ser uma digna morada para o seu Filho. Imitemo-la.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 

S. José Operário

1 de Maio de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o servo fiel e diligente, F. Silva, NRMS 89

cf. Salmo 127, 1-2

Antífona de entrada: Feliz de ti que temes o Senhor e andas na sua lei: comerás do trabalho das tuas mãos e serás feliz em todos os teus caminhos. Aleluia.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebrar S.José Operário ajuda-nos a entender o valor e a dignidade do trabalho humano. Olhando para o seu exemplo aprendemos a fazer dele um caminho de santidade cá na terra.

Peçamos hoje pelos trabalhadores do mundo inteiro.

 

Oração colecta: Deus, criador do universo, que estabelecestes a lei do trabalho para todos os homens, concedei-nos que, a exemplo de São José e com a sua protecção, realizemos a obra que nos mandais e recebamos o prémio que nos prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro do Génesis fala-nos da criação do mundo e do homem. Deus entrega-lhe todos seres vivos e encarrega-o de cuidar do mundo com o seu trabalho.

 

Génesis 1, 26 – 2, 3

26Disse Deus: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre os animais selvagens e sobre todos os répteis que rastejam pela terra». 27Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. 28Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra». 29Disse Deus: «Dou-vos todas as plantas com semente que existem em toda a superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. 30E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que se movem na terra dou as plantas verdes como alimento». E assim sucedeu. 31Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. 1Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm. 2Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado. 3Deus abençoou e santificou o sétimo dia, porque nele descansou de todo o trabalho da criação.

 

A primeira página da Escritura apresenta-nos Deus não apenas como um trabalhador que descansa após uma semana de trabalho, mas como o Criador de tudo e o Senhor soberano e providente, que tudo orienta para a sua obra prima, o ser humano, criado à sua «imagem e semelhança». No texto, o ser humano aparece como um ser pessoal, interlocutor de Deus. Como comentário desta rica expressão, limitamo-nos a transcrever a síntese do Catecismo da Igreja Católica: «Porque é à imagem de Deus, o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e entrar em comunhão com outras pessoas. E é chamado, pela graça, a uma aliança com o seu Criador, a dar-Lhe uma resposta de fé e amor que nenhum outro pode dar em seu lugar» (nº 357). Note-se que neste texto inspirado se proclama, pela primeira vez na história da humanidade, a igual dignidade do homem e da mulher, pois ambos são igualmente imagem e semelhança de Deus (v. 27). Também na comunhão de pessoas, homem e mulher (no matrimónio), se reflecte a imagem de Deus; fazendo finca-pé na expressão «e disse-lhes» (esta força expressiva aparece diluída no «dizendo» da tradução litúrgica do v. 28), João Paulo II comenta: «O homem acolhe a palavra de Deus como pessoa, e como tal tem de orientar o exercício da sexualidade; a geração não é fruto do instinto inscrito da natureza, como no caso dos animais, mas um acto de resposta pessoal a Deus que lhe disse: crescei e multiplicai-vos». Por outro lado, também no trabalho o homem manifesta a sua condição de imagem de Deus.

 

Ou:

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Monição: Em nosso trabalho devemos viver a presença de Deus e encaminhá-lo para Ele, que um dia nos dará uma paga maravilhosa.

 

Colossenses 3, 14-15.17.23-24

14Irmãos: Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. Vivei em acção de graças. 17Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 23Qualquer que seja o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como quem serve ao Senhor e não aos homens, 24certos de que recebereis como recompensa a herança do Senhor. Servi a Cristo, que é o Senhor.

 

14 «A caridade, que é o vinculo da perfeição». Eis o comentário de S. João Crisóstomo: «O Apóstolo não diz: a caridade é a coroa, mas sim algo com maior alcance, a saber, o vínculo, pois que este é mais necessário do que aquela; com efeito, uma coroa culmina a perfeição, ao passo que o vínculo mantém juntas as partes da perfeição».

15 «A paz de Cristo reine....»: O original grego (bravenétô) significa «seja o árbitro» (a Nova Vulgata traduz dominetur; a Vulgata, exultet). O mesmo Crisóstomo exclama: «o Apóstolo coloca nos nossos corações um estádio, jogos, e um árbitro! Realmente, se no coração do cristão falta a paz de Cristo, não só não pode haver ordem nas intenções e afectos, como também se torna difícil encaminhar os múltiplos afazeres para a glória de Deus» (cf. 1 Cor 10, 31).

17 «Seja tudo em nome do Senhor Jesus». Deve-se fazer tudo, concretamente o trabalho, com os mesmos sentimentos de Jesus (cf. Fil 2, 5), como faria Jesus, se estivesse no nosso lugar! Assim, será feito «de boa vontade, como quem serve o Senhor» (v. 23).

 

Salmo Responsorial    Sl 89 (90), 2.3-4.12-13.14 e 16 (R. 17c)

 

Monição: Deus é o Senhor do Universo e de todos os homens. Apesar da nossa pequenez Deus acompanha-nos amorosamente nas tarefas de cada dia.

 

Refrão:        Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.

 

Antes de se formarem as montanhas

e nascer a terra e o mundo,

desde toda a eternidade

Vós, Senhor, sois Deus.

 

Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 67 (68), 20

 

Monição: No evangelho fala-se do trabalho de Jesus em Nazaré durante trinta anos e da naturalidade com que o realizou. Por isso os seus conterrâneos têm dificuldade em reconhecê-Lo como Messias. Agradeçamos a Jesus o exemplo de trabalho que nos deu.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Bendito seja Deus em cada dia.

Vela por nós o Senhor, nosso Salvador.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 13, 54-58

54Naquele tempo, Jesus foi à sua terra e começou a ensinar os que estavam na sinagoga, de tal modo que ficavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem esta sabedoria e este poder de fazer milagres? 55Não é Ele o filho do carpinteiro? A sua Mãe não se chama Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56E as suas irmãs não vivem entre nós? De onde Lhe vem tudo isto?». 57E estavam escandalizados com Ele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa». 58E por causa da falta de fé daquela gente, Jesus não fez ali muitos milagres.

 

55 «O filho do carpinteiro». É o único lugar do Evangelho onde aparece a profissão de S. José. Provavelmente ele era o artesão que na aldeia de Nazaré realizava vários tipos de ofícios manuais: tanto forjaria o ferro, como construiria móveis ou arados para lavrar. Em Mc 6, 3, a mesma profissão é aplicada ao próprio Jesus, mas, ao não ter relatado a sua concepção virginal, Marcos tem o cuidado de não o chamar filho de José, como fazem Lucas e Mateus nos lugares paralelos, mas expressamente «filho de Maria». É de supor que S. José foi um desses trabalhadores que se deslocou da Judeia para a Galileia a fim de trabalhar nas obras da famosa cidade de Séforis, apenas a 5 Km da pequena aldeia de Nazaré.

«Os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas». Nas antigas línguas semíticas, hebraico, árabe, arameu, etc., não era costume usarem-se palavras diferentes para indicar os diversos graus de parentesco, como nas nossas línguas modernas (cf. Gn 13, 8; 14, 14.16; 29, 15; Tob 7, 9-11). Os que pertenciam à mesma família, clã, ou tribo, eram chamados «irmãos». Estes irmãos de Jesus não são filhos da Virgem Maria; a fé da Igreja na sua perpétua virgindade é confirmada pelos lugares paralelos dos Evangelhos; com efeito, os dois primeiros irmãos aqui nomeados, Tiago e José, eram filhos de uma outra Maria, a esposa de Cléofas, segundo se diz em Mt 27, 56; Mc 15, 40.47; Jo 19, 25; os outros dois irmãos, Simão e Judas, ao serem nomeados em segundo lugar, com mais razão seriam simples parentes de Jesus. O facto de em Israel haver uma mesma palavra para designar toda a espécie de parentes leva a que, quando se nomeia em Jo 1, 41 Simão como irmão de André, em Jo 1, 41, se especifique acrescentando o adjectivo grego próprio (ídios), a fim de que se veja que se trata dum verdadeiro irmão, no sentido próprio, e não apenas dum simples parente.

 

Sugestões para a homilia

 

1) Não é Ele o filho do carpinteiro?

2) Tudo o que fizerdes por palavras e por obras 

 

 

1)Não é Ele o filho do carpinteiro?

 

Jesus viveu em Nazaré até aos trinta anos. Trabalhou de carpinteiro ao lado de S.José. Era conhecido como o filho do carpinteiro, como nos refere o Evangelho. Durante aqueles anos Jesus estava já a ensinar verdades muito importantes da nossa fé. O trabalho é algo de muito importante não só para ganhar o sustento, mas também como caminho de santidade.

Jesus quis aprender com S.José esse trabalho humilde. O humilde carpinteiro fez dele o meio para sustentar a sua família, mas também para servir os seus conterrâneos e para amar a Deus. Foi santo na sua vida de cada dia, no seu trabalho bem feito e encaminhado para Deus.

Nele procurava viver em oração, unido a Deus pelo dia fora procurando encaminhar tudo para o Senhor. Quando Jesus começou a trabalhar a seu lado sentiria com alegria esta presença amorosa do Filho de Deus e para Ele encaminhava toda a sua atividade com olhos de fé e cheios de amor.

O carpinteiro de Nazaré é modelo de santidade para todos os trabalhadores, na vida humilde de cada um.

 

2)Tudo o que fizerdes por palavras e por obras

 

Pelo trabalho o homem torna-se colaborador de Deus na obra da criação. Vai tornando este mundo mais belo e mais habitável para a humanidade. Deus encarregou-o de dominar o mundo à sua volta e ser o senhor de toda a criação. Pô-lo no Jardim do Éden para que o cultivasse. O trabalho é algo de nobre e dignificante. O homem exprime através dele as suas capacidades criadoras e põe-nas ao serviço dos outros à sua volta.

Deve fazer-se com perfeição e com amor. Na carta aos Colossenses S.Paulo escrevia: Tudo o que fizerdes por palavras ou por obras seja tudo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Qualquer que seja o vosso trabalho fazei-o de boa vontade como quem serve ao Senhor e não aos homens.

Para um cristão o trabalho tem um valor maior. Está a trabalhar para Deus, que o vê e contempla com amor o que ele faz. Não só não estorva a sua tarefa de ser santo mas é a matéria prima para construir a santidade a que somos chamados.

Deus fez ver a um sacerdote santo, em 1928, esta chamada de todos à santidade no meio das atividades quotidianas. S.Josemaria Escrivá podia escrever: ”Qualquer trabalho, humanamente digno e nobre se pode converter numa tarefa divina. No serviço de Deus não há ofício de menos categoria: todos são de muita importância. Para amar a Deus e servi-Lo, não é preciso fazer coisas extravagantes. A todos os homens, sem exceção, Cristo pede que sejam perfeitos como o Seu Pai Celeste é perfeito. Na sua grande maioria, os homens, para serem santos, devem santificar o seu trabalho, santificar-se no seu trabalho e santificar os outros com o seu trabalho, encontrando assim Deus no caminho das suas vidas” (em SALVADOR BERNAL, Apontamentos sobre a vida do Fundador do Opus Dei (Lisboa 1978 p135).

Aprendamos com S.José e com Maria a encaminhar para o Senhor tudo o que fazemos e a servir os outros com alegria.

 

 

Oração Universal

 

Jesus é o nosso grande intercessor junto do Pai. Unidos a Ele com todos os santos, com S.José, apresentemos agora os nossos pedidos:

Digamos: Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    1-Pela Santa Igreja, para que anime todos os seus filhos a lutarem pela santidade, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    2-Pelo Santo Padre, para que sejam ouvidos os seus apelos a favor dos marginalizados, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que saibam animar as famílias a aceitar generosamente os filhos e educá-los no amor de Deus, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    4-Por todos os trabalhadores, para que lutem mais a sério pela santidade nas suas tarefas de cada dia, empregando com diligência os meios tão abundantes ao seu dispor, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    5-Para que no ambiente de trabalho se viva ajustiça e a fraternidade entre todos, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    6-Por todos os que andam afastados de Deus, para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

    7-Por todos os que se encontram no Purgatório, para que o Senhor os purifique e lhes conceda a felicidade do Céu, oremos ao Senhor.

Por intercessão de S.José ouvi-nos, Senhor

 

 

Senhor, que nos chamastes à vida nova em Cristo, aumentai em nós a fé e o amor, para que levemos uma vida de santidade e cheguemos todos à glória do Céu, onde já se encontram os santos, nossos irmãos.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Procuremos S. José, Az. Oliveira, NRMS 89

 

Oração sobre as oblatas: Deus, fonte de misericórdia, olhai para os dons que Vos apresentamos na festa de São José e fazei que estas oferendas alcancem a vossa protecção para aqueles que Vos invocam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de S. José: p. 492

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Ao comungar podemos imitar S.José quando tomava nos seus braços a Jesus Menino.

 

Cântico da Comunhão: Ó famintos do Pão divino, J. Santos, NRMS 89

Col 3, 17

Antífona da comunhão: Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Os justos viverão eternamente, M. Faria, NRMS 36

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, ouvi as nossas súplicas e fazei que, à imitação de São José, levemos sempre em nossos corações o testemunho do vosso amor e gozemos eternamente da verdadeira paz. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir jubilosos por termos estado com Jesus e com o desejo de comunicar a todos a nossa alegria.

 

Cântico final: Nós vos louvamos, José, M. Carneiro, NRMS 89

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 2-V: Frutos da união com Cristo.

Act 15, 1-6 / Jo 15, 1-8

Se alguém permanece em mim e Eu nele, esse dará muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revela-nos mais uma misteriosa realidade: uma comunhão mais íntima entre Ele e os que o seguem (Ev.), É principalmente na Eucaristia que nos pomos em comunhão com Ele. E também através de sua Mãe Santíssima, principalmente neste mês de Maio.

Esta comunhão há-de estender-se também ao campo doutrinal. Os Apóstolos, para decidirem sobre o problema da circuncisão, «reuniram-se para examinar o assunto» (Leit.). Procuremos conhecer muito bem os ensinamentos o Senhor e dos seus sucessores. Quem deles se afastar deixa de estar em comunhão com Ele.

 

5ª Feira, 3-V: S. Tiago e Filipe, Apóstolos.

1 Cor 15, 1-8 / Jo 14, 6-14

Há tanto tempo que estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me vê, vê o Pai.

«Toda a vida de Jesus é revelação do Pai: as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar. Jesus pode dizer: «Quem me vê, vê o Pai (Ev.)» (CIC, 516). E podemos chegar à contemplação de Cristo através de Nossa Senhora, meditando nos mistérios do Santo Rosário.

O Evangelho é igualmente um modo de conhecer Jesus: «recordo-vos o Evangelho que vos anunciei» (Leit.). Os Apóstolos Filipe e Tiago foram fiéis ao espírito do Evangelho e procuraram transmiti-lo: Filipe chegou à Frígia e Tiago foi o primeiro Bispo de Jerusalém.

 

6ª Feira, 4-V: A verdadeira amizade.

Act 15, 22-31 / Jo 15, 12-17

Não há maior amor do que dar a vida pelos outros.

Jesus deixa-nos um belo exemplo do que é a verdadeira amizade. Em primeiro lugar, ser capaz de viver uma entrega ao amigo (Ev.), com o nosso apoio e dedicação; em segundo lugar, dar a conhecer aos outros o que sabemos de Deus: «porque tudo o que ouvi de meu Pai vo-lo dei a conhecer» (Ev.), e 'mandámos Judas e Silas, que vão transmitir-vos as nossas decisões'; em terceiro lugar, se fizermos tudo o que Cristo nos indica (Ev.).

Este amor há-de levar-nos a dar aos outros o melhor que temos (EG, 101). A Mãe do bom Conselho diz-nos:  'fazei tudo o que Ele vos disser'.

 

Sábado, 5-V: Entusiasmo na evangelização.

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

Paulo teve de noite uma visão. Um macedónio dirigia-lhe este pedido: Faz a travessia para a Macedónia e vem ajudar-nos.

Devemos sentir estas palavras como dirigidas a cada um de nós. É uma súplica que sai do coração de muitas pessoas, que têm fome e sede de Deus, de uma esperança que não desiluda as suas vidas, tão enganadas por vãs promessas.

Bem tentaram calar Jesus e persegui-lo (Ev.), e o mesmo aconteceu a Paulo. O ambiente secularizado tentará calar essas vozes suplicantes, deixando-as cair no desalento. Temos que estar convencidos de que Deus nos chama a anunciar a Boa Nova (Leit.). O Espírito Santo dar-nos-á forças para cumprir este mandato do Senhor.

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 

 


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