3º Domingo da Páscoa

15 de Abril de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fé na ressurreição de Jesus é que verdadeiramente dá sentido à nossa vida. Guiados por esta luz, temos a garantia de verdadeiro sucesso terreno e eterno. A morte foi vencida! Na Sua bondade infinita, Jesus quis que este facto fundamental de Sua vida fosse também devidamente testemunhado: “Sou Eu mesmo! Tocai-me e vede”, assim Ele desafiou os Seus Apóstolos. E por esta certeza que viram e apalparam deram as suas vidas. Deixemo-nos também nós tocar por Ele. Com esta certeza tão consoladora, vamos ser sempre coerentes com ela. Ele ressuscitado, está connosco! Ele quer-nos ajudar a vencer as dificuldades da vida e assim, com Ele, depois de também passarmos pela prova da morte, podermos viver eternamente no reino dos céus.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Apóstolo Pedro, cheio de coragem e convicção anuncia a ressurreição de Jesus. Como ele, tenhamos sempre a mesma coragem para O anunciar aos homens de hoje, tantos deles ainda perdidos nos caminhos da vida por desconhecerem verdades tão sublimes e consoladoras.

 

Actos dos Apóstolos 3, 13-15.17-19

Naqueles dias, Pedro disse ao povo: 13«O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O. 14Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; 15matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. 17Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes. 18Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. 19Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».

 

A leitura é extraída do segundo discurso de Pedro em Actos, após a cura do coxo que mendigava na Porta Formosa do Templo. O discurso obedece ao molde kerigmático do primeiro anúncio aos judeus, mas, na perspectiva de Lucas, visa também os seus leitores e também continua a falar-nos a nós.

13 «O seu Servo Jesus». O termo original grego é ambíguo – «pais» –, e tanto pode significar filho, como servo. A nossa tradução preferiu «servo» pela referência que parece haver a Jesus enquanto cumpre a figura messiânica do Servo de Yahwéh (cf. Is 42 – 53). Trata-se de um título cristológico de sabor primitivo, que se enquadra bem num discurso a ouvintes judeus.

15 «Autor». É mais outro título cristológico, raro no N. T. (em grego, arkhêgós; assim também em 5, 31; cf. Hebr 2, 10; 12, 2). Jesus não é apenas o chefe que conduz à vida, mas é quem comunica a vida aos que nele crêem. O paradoxo é impressionante: matar o Autor da vida, uma vez que Jesus é Deus. Nas traduções, como a primitiva litúrgica, «príncipe da Vida», deixa-se ver mais claramente o contraste estabelecido com «assassino» (v 14), isto é, aquele que tira a vida.

«E nós somos testemunhas disso» (da ressurreição). A Ressurreição de Jesus é um facto real que se comprova por testemunhas altissimamente verídicas! É certo que não é um simples facto histórico natural que tenha entrado no âmbito duma observação experimental comum, pois Jesus só Se manifestou ressuscitado quando quis, como quis e a quem quis e com um corpo glorioso (não como um cadáver reanimado); isto, porém, em nada diminui o valor histórico da sua Ressurreição. É um facto sobrenatural, mas um facto, embora não encaixe em acanhadas perspectivas historicistas.

 

Salmo Responsorial    Sl 4, 2.4.7.9 (R. 7a)

 

Monição: Que felicidade a nossa, quando seguimos e vivemos iluminados pela ressurreição de Jesus!

 

Refrão:     erguei, senhor, sobre nós a luz do vosso rosto.

               

 

Escutai-me quando Vos invoco,

Ó Deu, meu defensor.

Vós que na tribulação me pusestes a salvo,

por piedade ouvi a minha oração.

 

Sabei que o Senhor me fez maravilhas.

Ele me ouve quando eu O chamo.

 

Há quem diga: «quem nos dará a felicidade?»

Fazei brilhar sobre nós a luz do Vosso rosto!

 

Em paz me deito e adormeço.

Só Vós, Senhor, me fazeis viver tranquilo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo S. João, que se sentiu particularmente amado por Jesus, fala-nos desse mesmo Amor, que, como tal, exige correspondência da nossa parte. Só o poderemos fazer, se guardarmos os Seus mandamentos.

 

1 São João 2, 1-5a

Meus filhos, 1escrevo-vos isto, para que não pequeis. Mas se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai. 2Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro. 3E nós sabemos que O conhecemos, se guardamos os seus mandamentos. 4Aquele que diz conhecê-l’O e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. 5aMas se alguém guardar a sua palavra, nesse o amor de Deus é perfeito.

 

Nestes domingos pascais continuamos a ler extractos da 1ª Carta de S. João. Prestam-se a apelar para os ensinamentos da encíclica de Bento XVI, Deus caritas est. Não presidiu à selecção litúrgica dos textos joaninos a ideia de pôr em evidência a estrutura da obra e todo o seu maravilhoso conteúdo, por isso algumas palavras-chave, como «comunhão», «vida eterna» e «luz/trevas» não chegam a aparecer nos versículos respigados para estes domingos. A escolha parece privilegiar as noções de «cumprir os mandamentos», «amor fraterno», «nascer de Deus», «filiação divina», «libertação do pecado», «conhecer/saber», «verdade», «permanecer em…»

1 «Mas, se alguém pecar…». Se bem que «todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado (...) não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o maligno não o apanha» (1 Jo 3, 9; 5, 18), a verdade é que a pecabilidade não está excluída, devido à nossa limitada liberdade. Mas, se alguém pecar, que não desespere da sua desgraçada situação, pois Jesus – como vítima de expiação – dá-nos a possibilidade de obter o perdão, «se confessamos os nossos pecados» (1, 9). Estas afirmações aparentemente contraditórias (confrontar 1, 8 – 2, 1; 3, 3; 5, 16-17 com 3, 6.9; 5, 18) não são um obstáculo para a unidade da Carta (negada por Bultmann), pois a contradição é apenas aparente, devendo-se ao estilo semítico do autor que gosta de afirmações absolutas e contundentes, sem se preocupar de as matizar devidamente; assim, «o cristão não pode pecar», corresponde a: «o cristão não deve pecar». De qualquer maneira, há autores que consideram que, assim como sucedeu no IV Evangelho, pode ter havido uma redacção sucessiva com a intervenção de um redactor final, discípulo e continuador fiel do Apóstolo (tendo em conta o pronome plural nós joanino), assim também poderia ter acontecido com esta epístola.

1-2 «Jesus Cristo, o Justo, como advogado… vítima de expiação…»: a insistência em que Jesus é justo (cf. 1, 9: justo e fiel) facilita compreender como Ele pode libertar do pecado os pecadores. Ele é intercessor perante Deus (paráklêtos, advogado, conselheiro, um termo exclusivo da tradição joanina: cf. Jo 14, 16), na linha da teologia desenvolvida na Epístola aos Hebreus (Hebr 9 – 10), onde Cristo aparece à direita de Deus, continuando a purificar-nos com o seu sangue derramado como num sacrifício expiatório oferecido pelos pecados (cf. Hebr 9, 14-28). Vítima de expiação corresponde à linguagem sacrificial do AT (cf. Ex 29, 36-37) e apresenta a morte de Jesus como um sacrifício voluntário, revelador do seu imenso amor (cf. 1 Jo 4, 19; Rm 3, 25; 5, 8-9; 2 Cor 5, 19; Ef 2, 4-5; Apoc 5, 9).

4 «Aquele que diz: Eu conheço-o, mas não guarda…». Esta linguagem parece ser uma crítica aos gnósticos que se ufanavam de possuir um conhecimento superior de Deus, que garantia a salvação e eximia do pecado, sem cuidar de «guardar os seus mandamentos»; quem assim fala é «mentiroso e a verdade não está nele».

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 24, 32

 

Monição: S. João é testemunha ocular de tudo quanto nos narra. Com fé e profunda gratidão, vamos meditar no Amor infinito que Deus-Pai nos tem e revela através da paixão e morte de Seu amantíssimo Filho Jesus Cristo. Que todo este profundo drama de Amor, transforme a nossa vida e nos converta ao Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,

falai-nos e inflamai o nosso coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 35-48

Naquele tempo, 35os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. 36Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 37Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. 38Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? 39Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». 40Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» 42Deram-Lhe uma posta de peixe assado, 43que Ele tomou e começou a comer diante deles. 44Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». 45Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

 

O trecho evangélico de hoje contém uma primeira parte (vv. 35-43), que poderíamos chamar demonstrativa do facto da Ressurreição, centrada na afirmação de Jesus «Sou Eu mesmo (em pessoa)» (v. 39), e outra mais catequética (vv. 44-48): «Depois disse-lhes…».

35-43 A aparição aqui descrita corresponde à do Evangelho do Domingo passado, descrita em S. João (Jo 20, 19-23), mas a verdade é que nós temos dificuldade em estabelecer uma cronologia exacta das aparições, pois não era essa a preocupação dos evangelistas; o que acima de tudo lhes interessava a eles (e aos crentes) era mostrar que Jesus apareceu realmente aos seus, isto é, se deixou ver, muito cedo, logo a partir do terceiro dia, e não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus (Act 10, 41). No referido relato paralelo, João fixou-se sobretudo no dom do Espírito Santa em ordem à absolvição dos pecados; Lucas fixa-se na dificuldade que os Onze – Tomé especialmente (cf Jo 20, 24-29) – tiveram em acreditar na Ressurreição, apesar dos testemunhos que já havia naquele momento. Em ambos os Evangelistas se refere o pormenor surpreendente da entrada de Jesus com as portas fechadas: «apresentou-Se no meio deles» (v. 36), mas aqui também se mostra Jesus a tomar alimento, uma forma gráfica de pôr em evidência que não se tratava de uma alucinação, mas de verdadeiros encontros pessoais. Lucas, como bom observador psicológico, gosta de sublinhar aquilo que não podiam deixar de ser os sentimentos de uns discípulos que, tendo admirado e amado apaixonadamente o Mestre, vieram a abandoná-lo e a negá-lo miseravelmente; como podiam eles enfrentar-se com um encontro destes tão inesperado, sem experimentarem umas emoções extraordinariamente fortes, estonteantes e contraditórias? Por isso, Lucas não se limita a referir o sentimento de alegria, como João, mas fala de que ficaram «espantados e cheios de medo» (v. 37), «perturbados» (v. 38), e dominados por um misto de alegria, admiração e dúvida (cf. v. 41).

44-48 Estes vv. constituem uma densa síntese catequética, em se salientam elementos básicos da pregação primitiva, centrados no cumprimento das Escrituras, a desembocar na missão universal dos discípulos «a todas as nações» (v. 47), em ordem a pregar «o arrependimento e o perdão dos pecados». Note-se o valor dado ao testemunho dos discípulos (v. 48), «vós sois as testemunhas»: «o homem contemporâneo crê mais nas testemunhas do que nos mestres; crê mais na experiência do que na doutrina; na vida e nas acções, do que em teorias. O testemunho de vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão» (João Paulo II). E, para que o crente alcance uma correcta compreensão das Escrituras, é preciso que o Senhor lhe abra o entendimento (cf. v. 45).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Erguei, Senhor, sobre nós a luz do vosso rosto.

2. Ele ressuscitou mesmo. Não podem existir dúvidas.

3. Temos responsabilidade deste anúncio aos homens que ainda O desconhecem.

 

 

1. Erguei, Senhor, sobre nós a luz do vosso rosto.

 

Fazei brilhar, sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto. Assim pedimos há momentos. Fazemos este pedido pois sabemos, à luz da fé, que só a luz do rosto de Jesus verdadeiramente ilumina e quer mesmo iluminar a nossa vida. É à luz deste Rosto de Jesus ressuscitado que a nossa vida tem sentido. Por isso os Apóstolos não se cansaram de O anunciar.

Na primeira Leitura, Pedro, depois de ter restituído o andar a um coxo de nascença, o que causou grande admiração aos que o presenciaram, aproveitou a ocasião para anunciar àquele povo que o que acaba de se realizar não era fruto de poderes especiais que ele possua, mas sim que tal se ficava a dever a Jesus Cristo ressuscitado. Àquele Jesus que por ignorância eles crucificaram, mas que agora está vivo. Resta-lhes pedir perdão do que fizeram. “Arrependei-vos pois e convertei-vos, para que os vossos pecados vos sejam perdoados”.

Jesus tudo isso suportou, como nos diz S. João, na segunda Leitura, pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro. Os que O reconheceram provam esse conhecimento com o facto de guardarem os seus mandamentos. Caso contrário serão mentirosos, pois estariam a ofender a Quem sabem que tanto os ama.

 

2. Ele ressuscitou mesmo. Não podem existir dúvidas.

 

A certeza do conhecimento de Jesus ressuscitado, não foi fácil de ser aceite pelos Apóstolos. A comprová-lo está o Evangelho de hoje. Mas o Senhor tudo fez para que neles não fiquem dúvidas. Permite mesmo que O toquem e chega mesmo a comer com eles. Mostrou-lhes as mãos e os pés, com os sinais da crucifixão. Era Ele mesmo.

Mais: explica-lhes os escritos de Moisés, dos Profetas e os Salmos e abre-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras.

Por esta verdade fundamental da nossa fé, os Apóstolos a tudo se sujeitaram, dando mesmo a vida. E com que alegria e convicção o fizeram! Assim eles cimentam a nossa fé.

 

3. Temos responsabilidade deste anúncio aos homens que ainda O desconhecem.

 

Este Jesus ressuscitado que eles proclamam é o mesmo que nós devemos anunciar com a nossa vida alegre e confiante. Ele perdoa os nossos pecados. Ele quer ver-nos felizes, contentes, confiantes.

Assim, com a certeza de Sua companhia amorosa, tudo em nós se renova e é desta renovação que o mundo tanto, tanto precisa.

É à luz da ressurreição do Senhor que sabemos que a morte não é o fim. Como Ele ressuscitou, também nós ressuscitaremos para uma vida que não tem fim e que como tal, merece todo o nosso interesse e cuidado.

Como é importante este anúncio! Por isso são necessários muitos anunciadores, vocações do Senhor para que este feliz anúncio, seja feito com convicção e entusiasmo à semelhança de como o fizeram os Apóstolos e seus seguidores ao longo dos séculos.

 

Fala o Santo Padre

 

«O testemunho do cristão é tanto mais credível quanto mais transparecer

de um modo de viver evangélico, jubiloso, corajoso, manso, pacífico, misericordioso.»

Nas Leituras bíblicas da liturgia de hoje ressoa duas vezes a palavra «testemunhas». A primeira vez é dita por Pedro: ele, depois da cura do paralítico junto da porta do templo de Jerusalém, exclama: «Matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-o dos mortos: e nós somos testemunhas disso» (Act 3, 15). A segunda vez é Jesus ressuscitado que a pronuncia: Ele, na noite de Páscoa, abre a mente dos discípulos ao mistério da sua morte e ressurreição e diz-lhes: «Disto vós sois testemunhas» (Lc 24, 48). Os Apóstolos, que viram com os seus olhos Cristo ressuscitado, não podiam deixar de contar a sua extraordinária experiência. Ele tinha-se-lhes mostrado para que a verdade da sua ressurreição chegasse a todos mediante o seu testemunho. E a Igreja tem a tarefa de prolongar no tempo esta missão; cada baptizado está chamado a testemunhar, com as palavras e com a vida, que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo e presente no meio de nós. Todos estamos chamados a dar testemunho de que Jesus está vivo.

Podemos perguntar-nos: mas quem é a testemunha? A testemunha é quem viu, recorda e conta. Verrecordar e contar são os três verbos que descrevem a sua identidade e missão. A testemunha é quem viu, com um olhar objectivo, viu uma realidade, mas não com um olhar indiferente; viu e deixou-se envolver num acontecimento. Por isso recorda, não só porque sabe reconstruir de modo claro os factos que se verificaram, mas também porque aqueles factos lhe falaram e ele captou o seu sentido profundo. Então a testemunha conta, não de modo insensível e distante, mas como alguém que se deixou pôr em questão, e a partir daquele dia mudou de vida. A testemunha é uma pessoa que mudou de vida.

O conteúdo do testemunho cristão não é uma teoria, não é uma ideologia, um sistema complexo de preceitos e proibições nem um moralismo, mas é uma mensagem de salvação, um evento concreto, aliás, uma Pessoa: é Cristo ressuscitado, vivo e único Salvador de todos. Ele pode ser testemunhado por quantos fizeram a experiência pessoal d’Ele, na oração e na Igreja, através de um caminho que tem o seu fundamento no Baptismo, o seu alimento na Eucaristia, o seu selo na Confirmação, a sua conversão contínua na Penitência. Graças a este caminho, guiado sempre pela Palavra de Deus, cada cristão pode tornar-se testemunha de Jesus ressuscitado. E o seu testemunho é tanto mais credível quanto mais transparecer de um modo de viver evangélico, jubiloso, corajoso, manso, pacífico, misericordioso. Se ao contrário o cristão se deixar cativar pela comodidade, pela vaidade, pelo egoísmo, se se tornar surdo e cego ao pedido de «ressurreição» de tantos irmãos, como poderá comunicar Jesus vivo, como poderá comunicar o poder libertador de Jesus vivo e a sua ternura infinita?

Maria, nossa Mãe, nos ampare com a sua intercessão, para que possamos tornar-nos, com os nossos limites, mas com a graça da fé, testemunhas do Senhor ressuscitado, levando às pessoas que encontramos os dons pascais da alegria e da paz.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 19 de Abril de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

A Cristo ressuscitado, que intercede pelos pecadores junto do Pai,

peçamos que os seus fieis sejam testemunhas do perdão e da paz

Rezemos com alegria:

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

 

1.     Para que os cristãos saibam encontrar Jesus Cristo nas Escrituras;

O reconheçam no “partir do Pão”,

O toquem misericordioso na reconciliação;

E O possam ver e tocar nos irmãos,

oremos ao Senhor.

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos

 

2.     Pelos que trabalham pela paz e pela justiça,

pelos que exercem grandes responsabilidades

e pelos povos do mundo inteiro e seus governantes,

oremos ao Senhor.

 

        R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos

 

3.     Para que os responsáveis pelas nações e suas leis

respeitem a vida humana e não desprezem os pequeninos,

libertem as vítimas das injustiças e de todas as maldades,

oremos ao Senhor.

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

 

4.     Para que os casais, as famílias e os idosos

vejam em Cristo a salvação que Deus nos deu,

e haja entre todos o carinho, a compreensão, a alegria e o testemunho,

oremos ao Senhor.          

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

 

5.     Pelos que não ousam crer na Ressurreição de Jesus Cristo,

pelos que, por vergonha, negam o Senhor e o Justo

e pelos que agem contra Ele por ignorância,

oremos ao Senhor.

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

6.     Por todos nós aqui presentes neste dia,

pelos que celebram connosco a santa Páscoa

e pelos que já a celebram na glória eterna,

oremos ao Senhor.

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

 

Senhor Jesus Cristo, amigo dos homens,

que pela vossa cruz e ressurreição cumpristes o que diziam as Escrituras,

fazei de nós testemunhas audazes da Palavra

 no mundo onde nos enviais a trabalhar.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

O mesmo Jesus ressuscitado que tanto alegrou os discípulos de Emaús, enchendo os seus corações de santo entusiasmo, vai entrar em cada um de nós pela Sagrada Comunhão. Deve ser também para nós motivo de grande alegria e de felicidade. Vamos fazê-lo com muita fé, amor e gratidão.

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. santos, NRMS 62

Lc 24, 46-47

Antífona da comunhão: Cristo tinha de sofrer a morte e ressuscitar ao terceiro dia, para ser proclamado, em seu nome, o arrependimento e o perdão dos pecados. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Vós sois testemunhas de todas estas coisas”. E de facto os Apóstolos e seus sucessores ao longo dos séculos o foram. Muitos, para fazer o anúncio destas verdades tão consoladoras, deram as suas próprias vidas. Vamos nós anunciá-las também aos que ainda as desconhecem. Com esse propósito ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-IV: Procurar e seguir Cristo.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, subiram todos para as embarcações e foram todos a Cafarnaúm, à procura de Jesus.

A multidão não procurava Jesus com a melhor das intenções, pois lhes tinha saciado a fome (Ev.), Mas a verdade é que acabaram por encontrá-lo. Noutras ocasiões, encontrar Cristo e segui-lo pode acabar em martírio, como aconteceu com Santo Estêvão (Leit.).

Procuremos seguir o Senhor para que nos dê os alimentos de vida eterna, recomendados no Evangelho: o Pão e a Palavra. E, nesta semana de orações pelas vocações consagradas, peçamos a Deus que muitas pessoas procurem o Senhor e se dediquem ao seu serviço, e que Deus as ajude a ultrapassar as dificuldades que encontrarem.

 

3ª Feira, 17-IV: Coerência de vida.

Act 7, 51-8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Santo Estêvão deixou-nos um exemplo de coerência de vida com a fé. Devido ao ambiente paganizado, nós temos dificuldades em defendermos os valores cristãos como, por exemplo, o início e o fim a vida, a família autêntica, a educação, etc.

A maior revolução que podemos levar a cabo é precisamente a coerência de vida (S. Josemaria), pois estamos a promover a dignidade e a liberdade de cada pessoa, e a atrairmos os outros para Cristo. Contamos com o poder da Eucaristia: «O Pão de Deus é o que desce do Céu, para dar a vida ao mundo» (Ev.).

 

4ª Feira, 18-IV: A expansão da Boa Nova.

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

Porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Jesus apresenta-se como exemplo do cumprimento da vontade de Deus, ao mesmo tempo que nos revela qual é vontade do Pai: que nenhum se perca e que todo o que nEle acredita terá a vida eterna (Ev.).

A pregação de Filipe está centrada no Messias e há-de continuar a ser assim nos nossos dias. Os primeiros cristãos sofreram muito ao anunciar a Boa Nova, mas isso até foi uma boa ajuda apara a expansão da Igreja: «os irmãos dispersos andaram de terra em terra a anunciar a Boa Nova da palavra» (Leit.). Deus aproveita tudo para bem.

 

5ª Feira, 19-IV: Os elementos para uma vida nova.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-51

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.

O homem comeu um alimento de morte no pecado original, e agora deve tomar um remédio que sirva de antídoto, como acontece com aqueles que tomam um veneno e devem tomar um contra-veneno (S. Gregório Magno).

O primeiro antídoto é o Baptismo (cf. Leit: baptismo do eunuco por Filipe), pelo qual recebemos uma vida nova: a vida divina. E o seu crescimento faz-se pelo alimento da palavra de Deus: «quem acredita possui a vida eterna» (Ev.), e pela Eucaristia: «quem comer deste Pão viverá eternamente» (Ev.).

 

6ª Feira, 20-IV: Frutos da Comunhão.

Act 9, 1-20 / Jo 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele.

Um dos frutos principais da Comunhão eucarística é a união íntima com Cristo (Ev.). Jesus quer associar a sua vida à nossa de um modo novo: é uma comunhão misteriosa e real entre a sua Pessoas e a nossa.

Mas também tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Esta foi uma das verdades fundamentais, descoberta por S. Paulo no momento da sua conversão (Leit.). Podemos ser uma grande ajuda para os outros, vivendo com fidelidade os compromissos da nossa vocação cristã, rezando por todos e pedindo a conversão dos pecadores.

 

Sábado, 21-IV: As palavras de vida eterna.

Act 9, 31-42 / Jo 6, 60- 69

Respondeu-lhe Simão Pedro: Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

Muitos acreditaram e se converteram ao Senhor quando presenciaram os dois milagres realizados por Simão Pedro (Leit.). Mas, quando confrontados com o mistério da Eucaristia, muitos vão-se embora (Ev.).

Noutra ocasião, quando Jesus anunciou a sua Paixão, e quando se referiu à Eucaristia, os discípulos escandalizaram-se. Como a eles, o Senhor também nos pergunta: «Também vos quereis ir embora? Como S. Pedro digamos:«Tu tens palavras de vida eterna» (Ev.). As palavras de Jesus hão-de ser um programa para a nossa  vida até à eternidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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