2º Domingo da Páscoa

8 de Abril de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo ressuscitou e está vivo, J. Santos, NRMS 65

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebra a Igreja, neste 2.º Domingo da Páscoa, por instituição de S. João Paulo II, o Dia da Divina Misericórdia.

A misericórdia é o amor gratuito, perseverante e sempre disposto a recomeçar, sem esperar qualquer recompensa. Só Deus pode amar assim, mas pede-nos que tentemos imitá-l’O, como gratidão pelo modo como temos sido tratados. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia

 

Acto penitencial

 

(Sugere-se, especialmente no Tempo Pascal, que o Acto Penitencial seja substituído pela aspersão da Assembleia com água benta).

 

Muitas vezes, pelas nossos pensamentos, palavras e atitudes, manifestamos um coração duro, insensível e vingativo, totalmente oposto aos sentimentos de misericórdia para com os outros que devemos cultivar.

Recorramos à misericórdia inesgotável do Senhor, pedindo perdão e prometendo que vamos procurar imitá-l’O, a partir de agora, usando de misericórdia para com todos. 

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A — Confissão “Deus todo poderoso...”)

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Actos dos Apóstolos oferecem-nos, na Primeira Leitura, um vislumbre da Igreja primitiva, aquela que era constituída pelos fiéis que conheceram pessoalmente Jesus, ouviram a Sua Palavra e testemunharam os Seus milagres.

O seu exemplo há-de ajudar-nos a viver o nosso cristianismo segundo as exigências de Deus. Eles tinham «Um só coração e uma só alma.»

 

 

Actos dos Apóstolos 4, 32-35

32A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. 33Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. 34Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, 35que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.

 

Este trecho é chamado o segundo «relato sumário». O primeiro (Act 2, 42-47) leu-se neste mesmo Domingo do ano A. O terceiro (Act 5, 12-16) lê-se no ano C. Chamam-se relatos sumários por serem uma espécie de bosquejos do estado da primitiva comunidade de Jerusalém, uma descrição um tanto idealizada, generalizando o que de mais positivo e edificante se verificou nos inícios. Todos estes três sumários focam três pontos importantes da vida dos primeiros cristãos, mas este desenvolve o cuidado dos pobres que havia entre eles. O 1º detém-se mais na sua vida religiosa, e o 3º no dom de operar milagres, que tinham os Apóstolos.

32 «Um só coração e uma só alma». Note-se a redundância que confere grande expressividade ao facto. Assim os primeiros cristãos viviam de acordo com as palavras de Jesus na sua oração sacerdotal (Jo 17, 11.21-23; cf. Filp 1, 27). «Uma tal união brota espontaneamente duma mesma fé em Jesus e dum mesmo amor pela sua adorável Pessoa» (Renié).

32-34 «Tudo entre eles era comum. Todos... vendiam...» Esta atitude extraordinariamente generosa dos nossos primeiros irmãos de Jerusalém ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental. Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Mas esta atitude cristã nada tem a ver com a colectivização de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, uma vez que aqui era respeitada a legítima liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum. É por isto mesmo que se louva o gesto de Barnabé, logo a seguir, nos vv. 36-37, e se censura a fraude de Ananias e Safira, que muito bem poderiam não ter vendido o seu campo, ou então ter ficado para si com o produto da venda (cf. Act 5, 4). Daqui se conclui que «todos» não se deve entender à letra, ao ser uma generalização, ou uma hipérbole. Em todos os tempos da vida da Igreja, desde então até aos nossos dias, numerosos grupos de cristãos têm posto em comum os seus bens, renunciando mesmo à sua posse, total ou parcial, imitando assim voluntariamente os primeiros cristãos.

 

Salmo Responsorial    Sl 117, 2-4. 16ab-18, 22-24

 

Monição: O salmo que a Liturgia nos propõe cantar, como resposta à interpelação que o Espírito Santo nos fez pelo texto dos Actos dos Apóstolos, é uma solene acção de graças ao Senhor de quem acaba de vencer os inimigos.

Agradeçamos ao Senhor a vitória de Jesus Cristo sobre a morte e o pecado, e pela Ressurreição gloriosa.

 

 

Refrão:     Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:           Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                o seu amor é para sempre.

 

Ou:           Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

 

Não morrerei, mas hei-de viver,

para anunciar as obras do Senhor.

Com dureza me castigou o Senhor,

mas não me deixou morrer.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João Evangelista recorda aos primeiros cristãos como hão-de viver um cristianismo com autenticidade: o verdadeiro fiel é aquele que ama Deus, que acredita em Jesus Cristo e acolhe o convite à salvação eterna que, por Ele, o Pai nos faz.

Quem vive deste modo, vence o mundo e passa a integrar a família cristã. Escreve S. João: «Todo o que nasceu de Deus vence o mundo.»

 

1 São João 5, 1-6

Caríssimos: 1Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. 2Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, 3porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 5Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

 

Nos domingos pascais do Ano B, a partir deste 2º Domingo, vamos ter como 2ª leitura trechos respigados da 1ª Carta de S. João (no ano A temos trechos de 1 Pe; no ano C, do Apoc). O facto de hoje não começarmos pelo início, mas pela parte final da epístola, só se explica pelo carácter baptismal deste Domingo, que se chamou In albis, numa alusão às vestes brancas do Baptismo, e Quasi-modo pelas primeiras palavras latinas do célebre texto baptismal da Prima Petri adoptado como cântico de entrada da Missa (1 Pe 2, 2). No breve texto da leitura de hoje aparece por três vezes a palavra «água» (v. 6) e três vezes «nascer de Deus» (vv. 2a.2b.4), em que se pode ver uma alusão ao Baptismo. É interessante notar neste trecho o nexo entre a fé e o amor, e entre o amor de Deus e o dos irmãos, que, pelo Baptismo, se tornaram «filhos de Deus» (vv. 1-2).

1 «Quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d'Ele». Há duas possibilidades de entender o texto original. A versão litúrgica, pela utilização das maiúsculas, vê-se que prefere o sentido de que quem ama o Pai ama também o Filho (um sentido trinitário); mas o contexto próximo do amor fraterno levou-nos a preferir outra tradução: «todo aquele que ama Quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado» (cf. a nossa tradução na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica). Assim, o amor aos irmãos é proposto como uma consequência da filiação divina, a derivar do amor a Deus (cf. 1 Jo 2, 29 – 3, 2; 4, 7.15; 1 Pe 1, 22-23).

3 «O amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos». O ensino de Jesus no Evangelho é neste sentido: Mt 7, 21; 12, 50; Jo 14, 15.21; 15, 14. «E os seus mandamentos não são pesados» é uma expressão que faz lembrar Mt 11, 30: «o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

6 «Veio com água e com sangue»: esta insistência faz pensar na intenção de refutar os gnósticos, concretamente a heresia de Cerinto, para quem o Filho de Deus tomou posse de Jesus no Baptismo – a «água» –, e o abandonou ao chegar à sua Paixão – o «sangue». Muitos autores, seguindo os Santos Padres, vêem na referência à água e ao sangue uma alusão aos Sacramentos do Baptismo (cf. Jo 3, 5), em que se recebe o Espírito Santo (cf. Jo 7, 37-39) e da Eucaristia (cf. Jo 6, 53.55-56), figurados, por sua vez, na água e no sangue que brotaram do lado aberto de Cristo na Cruz (Jo 19, 33-35), o Novo Adão, de cujo lado saiu a Igreja, qual nova Eva. O versículo 7 (que não aparece na leitura de hoje) diz: «São três os que dão testemunho, o Espírito, a água e o sangue», o que levou os Padres a verem nestes três testemunhos unânimes um símbolo e um reflexo da SS. Trindade; daqui resultou que, em muitos manuscritos da Vulgata, o texto foi transcrito de diversas maneiras, sendo a mais corrente: «Três são os que dão testemunho no Céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um só». Este acrescento (o chamado comma ioanneum, que foi objecto de tanta discussão inútil) veio a entrar para o texto oficial da Igreja, mas, embora a edição da Vulgata sisto-clementina o aceite, a Nova Vulgata já não o mantém.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 20, 29

 

Monição: Jesus proclama, no encontro do Cenáculo com os Apóstolos, depois de ter confirmado na fé da Sua Ressurreição o Apóstolo Tomé, que são bem-aventurados, felizes, os que acreditam sem terem visto.

Nós queremos pertencer ao número destes bem-aventurados, acolhendo o anúncio do Evangelho com alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto».

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma mera saudação, a mais corrente entre os judeus, mesmo ainda hoje. Esta insistência joanina na sudação do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é muito expressiva; com efeito nunca os Evangelhos registam tal saudação, mas só agora, quando Jesus, com a sua Morte e Ressurreição, acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13), conforme Jesus prometera. «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor. Ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa «sopro»). Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. Act 1, 14; 2, 1), iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes…» A Igreja viu nestas palavras a instituição do Sacramento da Reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu mesmo o seu sentido literal; de facto Jesus diz: «a quem perdoardes os pecados», e não: «a quem pregardes o perdão dos pecados» (segundo entendeu a reforma protestante). A expressão é muito forte, pois deve-se ter em conta o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus (passivum divinum); sendo assim, dizer ficarão perdoados corresponde a «Deus perdoará» e «ficarão retidos» equivale a «Deus reterá», isto é, não perdoará (cf. Mt 16, 19; 18, 18; 2 Cor 5, 18-19). Aqui se funda o ensino do Concílio de Trento ao falar da necessidade de confessar todos os pecados graves cometidos depois do Baptismo, uma doutrina que, já depois do Vaticano II, o magistério de Paulo VI reafirma: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); também o Catecismo da Igreja Católica, nº 1497, afirma: «a confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja»; cf. tb. o Motu proprio de João Paulo II, Misericordia Dei (7.4.2002) e Código de Direito Canónico (nº 960.).

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

28 «Meu Senhor e meu Deus!» É da boca do discípulo incrédulo que sai a mais elevada profissão de fé explícita na divindade de Cristo, a qual engloba todo o Evangelho numa unidade coerente.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê confiando em Deus, que na sua Revelação não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Como Tomé, também nós temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem ou de o céu estar nublado.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs: fazer progredir na fé e na vida cristã os fiéis, sem que se possa excluir também uma intenção de trazer à fé os não crentes. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca, aposta, ou caminhada, sem uma base doutrinal, implica um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, pois é o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Note-se que há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

• A Igreja misericordiosa

Uma família que partilha

Com um ambiente saudável

Com atenção aos mais carenciados

• Jesus, Mestre da misericórdia

Dá o primeiro passo para a reconciliação

Oferece o perdão gratuito

Procura reconduzir-nos à fé e ao Amor

 

1. A Igreja misericordiosa

 

Os Actos dos Apóstolos apresentam-nos como modelo e inspiração da nossa vida a Igreja de Jerusalém dos primeiros anos, depois da Ascensão do Senhor.

Ela vive e pratica a misericórdia, porque a aprendeu com o exemplo e a Palavra de Jesus.

 

a) Uma família que partilha. «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum

Os primeiros cristãos punham tudo em comum e não apenas os bens materiais: as alegrias, preocupações e problemas de cada um. Quando, por exemplo, Pedro é encarcerado para ser martirizado, toda a Igreja reza incessantemente, pedindo a sua libertação

São comuns também o tempo e energias: entregam-se generosamente à evangelização, no meio dos perigos e sem esperar qualquer recompensa humana. Os que se entregam À vida política têm esperança de recompensas humanas no futuro, mas eles, não. Espera-os o martírio, com toda a probabilidade.

Também nós possuímos, na verdade, muitos bens que podemos pôr em comum: tempo disponível; conhecimentos adquiridos; préstimos; alegrias; etc.

Na verdade, tudo o que recebemos de Deus — o dom da vida e a qualidade da mesma, os talentos, etc. — é-nos dado para servir, não para glória, afirmação ou utilidade pessoal. Devemos viver, não voltados sobre nós mesmos — seria egoísmo — mas para os outros, como as flores, que se abrem para fora, para ofereceram a sua cor e perfume.

Quando, numa família, as pessoas se fecham sobre si mesmas, prisioneiras do egoísmo, o ambiente dela torna-se insuportável.

Hoje a tentação do egoísmo é maior, porque temos conforto e muitos “brinquedos” para ocupar o tempo: televisão, jogos de computador, deslocação automóvel para onde nos apetecer, e muitos outros.

Se não nos habituarmos a pôr as necessidades e problemas das outras pessoas em primeiro lugar, nunca encontraremos tempo para as servir.

 

b) Com um ambiente saudável. «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia

A simpatia — a capacidade para comungar nos sentimentos dos outros e dos outros com os nossos — é uma virtude muito importante na convivência humana e na Igreja, a começar pela “Igreja doméstica” que é a família.

Não procuremos o exercício da misericórdia nas ocasiões excepcionais, com gestos que chamam a atenção dos outros, mas naquilo que encontramos todos os dias no nosso caminho.

Ser simpático e optimista na família, no ambiente de trabalho e na roda de amigos deve ser um programa de cada um de nós.

Dois temas devem ser evitados na mesa familiar: política e desporto (especialmente futebol), porque rapidamente dividem as pessoas e degeneram em discussão violenta.

Ajudemos a fomentar no ambiente trabalho um clima de amizade sincera, de entreajuda e de mútuo apoio fraterno.

A raiz no nosso optimismo e alegria é que somos filhos de Deus a caminho do Céu. Com esta certeza e sabendo que temos o melhor dos pais e vamos a caminho da felicidade eterna, como nos poderemos deixar vencer por um mau humor indelicado, quando alguma coisa não corre segundo os nossos desejos e gostos?

Deixemos de falar de coisas negativas e tristes, de contar histórias que não ajudam a construir, ou comentários que não animam a caminhar na virtude.

O Santo Padre fala-nos com frequência da necessidade de “ir às periferias”, de nos aproximarmos daqueles que estão mais afastados da vivência da fé.

É o exemplo dos que se proclamam católicos que os há-de atrair aos braços do Senhor, na medida em que dermos testemunho da misericórdia e não nos arvorarmos em censores dos erros, defeitos e pecados dos outros.

 

c) Com atenção aos mais carenciados. «Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade

Na família partilhamos tudo: alegrias e tristezas, sonhos e triunfos, alem das refeições e do tempo.

Mas numa família saudável, as maiores atenções e carinhos vão para os doentes ou que passam um bocado mais incómodo nas suas vidas.

Alguém disse que quando a família vai a passeio, são os mais pequeninos que marcam o andamento no caminho. Não são os mais pequenos, com pés infantis que se devem adaptar aos passos dos maiores, das ao invés.

Conhecemos verdadeiramente quem são os mais carenciados no meio em que vivemos ou trabalhamos?

Quando nos propomos esta pergunta, pensamos logo naqueles que não têm o indispensável para viver, comer e vestir. Para os socorrer, nasceram na Igreja as sete obras de misericórdia corporais: 1ª Dar de comer a quem tem fome; 2ª Dar de beber a quem tem sede; 3ª Vestir os nus; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Assistir aos enfermos; 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos.

Hoje, em geral, há mais possibilidades de vida. Mas temos ainda os sem abrigo, os toxicodependentes, os alcoolizados, etc.

No entanto, esquecemo-nos facilmente das obras de misericórdia espirituais, porque aqueles que precisam delas disfarçam a sua carência com um nível de vida material elevado.

As obras de misericórdia espirituais são: 1ª Dar bom conselho; 2º Ensinar os ignorantes; 3ª Corrigir os que erram; 4ª Consolar os aflitos; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Deixamos de as exercitar porque são mais incómodas de realizar. Além de que as pessoas recusam frequentemente a ajuda, elas interpelam a nossa vida. Como podemos recomendar aquilo que nos recusamos a viver?

E, no entanto, só é misericordioso quem pratica as obras de misericórdia corporais e espirituais.

 

2. Jesus, Mestre da misericórdia

 

No Cenáculo, Jesus exercita verdadeiramente a misericórdia, ensinando-nos praticamente como ela se há-de viver.

 

a) Dá o primeiro passo para a reconciliação. «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”.»

O Evangelho dá-nos diversos exemplos. Tenta desculpar os que O atormentam com a flagelação, coroação de espinhos e insultos e Lhe dão a morte.

Adianta-Se aos que precisam d’Ele, para curar uma doença ou restituir a vida sacrificada pela morte; perdoa generosa e prontamente ao Bom ladrão; procura Tomé para o reconciliar consigo e com a fé da Igreja.

Tomé afastara-se do Colégio Apostólico, porque não aceitou o testemunho deles — que era a Igreja nascente — sobre a Ressurreição do Mestre.

Na aparição que fez no Cenáculo, oito dias depois da Ressurreição, Jesus não fica à espera que Tomé se aproxime, pedindo-Lhe perdão da incredulidade.

O conhecimento que tem deste homem é profundo, porque Deus vê onde o olhar do homem não consegue chegar. Tomé acolheu o convite de Jesus para se integrar nos Doze com toda a alegria e generosidade; Certo dia em que Jesus anuncia que vaia a Jerusalém para ser morto, Tomé avança com a proposta: “Vamos nós também, para morrermos com Ele!”

Mas agora está desorientado. Ele amava profundamente Jesus, mas não aguentou a Sua prisão e Morte e faz uma proposta: “Se não meter os meus dedos no lugar dos cravos e a minha mão no Seu lado, não acreditarei.” Neste contexto, qual seria o nosso comportamento?

Começamos por julgar superficialmente as pessoas, vendo-as apenas por fora, sem atentar nos seus reais problemas; deixamo-nos levar por qualquer boato ou palavra impensada que a pessoa disse, e levantamos imediatamente um muro de separação. Ou “arrumamos” definitivamente esta pessoa, ou ficamos à espera que ela dê o primeiro passo em direcção a nós.

Jesus facilita este primeiro passo a Tomé, iniciando o diálogo, porque foi precisamente à procura dele que veio ali.

 

b) Oferece o perdão gratuito. «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.»

Começado o diálogo, Jesus convida Tomé a resolver as dúvidas, para o reintroduzir na comunhão da Igreja.

Ele inquieta-nos na consciência e convida-os a recuperar a Sua amizade ou a intensificá-la no Sacramento da Reconciliação. Não é por acaso que antes de reconciliar Tomé, instrui este Sacramento onde especialmente exercita a misericórdia, num perdão gratuito e sem qualquer demora ou condição.

Sobre este Sacramento, diz o Papa Francisco: «Viver o Sacramento como meio de educar para a misericórdia, significa ajudar os nossos irmãos a fazer experiência de paz e compreensão, humana e cristã. A Confissão não deve ser uma «tortura», mas todos deveriam sair do confessionário com a felicidade no coração, com o rosto radiante de esperança, mesmo se por vezes — sabemo-lo — molhado pelas lágrimas da conversão e da alegria que disso deriva (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 44). O Sacramento, com todos os actos do penitente, não implica que ele se torne um interrogatório pesado, importuno e indiscreto. Ao contrário, deve ser um encontro libertador e rico de humanidade, através do qual poder educar para a misericórdia, que não exclui, aliás inclui até o justo compromisso a reparar, na medida do possível, o mal cometido. Assim o fiel sentir-se-á convidado a confessar-se com frequência, e aprenderá a fazê-lo no melhor dos modos, com aquela delicadeza de espírito que tanto bem faz ao coração — também ao coração do confessor! Deste modo nós sacerdotes fazemos crescer a relação pessoal com Deus, para que se dilate nos corações o seu Reino de amor e de paz.» (Discurso ao aos participantes no Curso da Penitenciaria Apostólica, 12-03-15).

 

c) Procura reconduzir-nos à fé e ao Amor. «Depois disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”

O que faltou a Tomé? Aceitar a mediação da Igreja, ali presente pelos Dez, na fé da Ressurreição. Muitas pessoas entram em crise de fé, porque estão à espera e compreender tudo; ou de ver milagres que comprovem aquela verdade.

Este não é o modo usual de Deus conduzir as pessoas. Concede-lhes a graça da fé pela mediação da Igreja militante que proclama a Palavra e a celebra pela Santa Missa e pelos Sacramentos, convidando-nos a vivê-la e a anunciá-la.

Depois de ter reconciliado Tomé a resolvido as suas dúvidas, Jesus corrige-o suave e corajosamente do seu erro: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Nisto consiste o mérito da fé: acreditar sem ter visto, “fiando-se” em Alguém.

Regressando ao Sacramento da Reconciliação, havemos de procurar um confessor que nos corrija suavemente, ajudando-nos a encontrar o caminho. Diz o Papa no mesmo discurso: «Muitas vezes confunde-se a misericórdia com ser confessor «de mangas largas». Mas pensai nisto: não é misericordioso um confessor de mangas largas, nem um confessor severo. Nenhum dos dois. O primeiro, porque diz: «Vai em frente, isto não é pecado, vai, vai!». O outro porque diz: «Não, a lei diz...». Mas nenhum dos dois trata o penitente como irmão, nem o toma pela mão e o acompanha no seu percurso de conversão! Um diz: «Vai, tranquilo, Deus perdoa tudo. Vai, vai». O outro diz: «Não, a lei diz não». Ao contrário, o misericordioso escuta-o, perdoa-o, mas ocupa-se dele e acompanha-o, porque a conversão, sim, começa — talvez — hoje, mas deve continuar com a perseverança... Assume-o sobre si, como o Bom Pastor que vai procurar a ovelha tresmalhada e a carrega sobre os ombros. Mas não se deve confundir: isto é muito importante. Misericórdia significa ocupar-se do irmão ou da irmã e ajudá-los a caminhar.»

Deus não quer apresentar-se como juiz, como seleccionador, mas como Salvador, com a arma da misericórdia. Ela é um atributo divino que somos chamados a imitar. Só Deus é plenamente misericordioso no seu verdadeiro sentido.

Somos incapazes de pagar toda a dívida que temos para com Deus, como o homem da Parábola de que nos fala Jesus. Contamos com a Sua misericórdia.

Mas o Senhor não se contenta em que confiemos na Sua misericórdia. Pede-nos que usemos nós também misericórdia uns para com os outros. Na verdade, a justiça é incapaz de resolver todos os problemas que surgem entre nós.

O Senhor manifestava o seu desagrado quando um devedor foi perdoado de uma grande dívida e não foi capaz de perdoar a outro uma pequena dívida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus é deveras misericordioso e não se assusta com as nossas misérias.

Nas suas chagas, Ele cura-nos e perdoa todos os nossos pecados.»

Hoje é o oitavo dia depois da Páscoa, e o Evangelho de João documenta-nos as duas aparições de Jesus Ressuscitado aos Apóstolos reunidos no Cenáculo: na tarde de Páscoa, quando Tomé estava ausente, e oito dias mais tarde, na presença de Tomé. Na primeira vez, o Senhor mostrou aos discípulos as feridas do seu corpo, fez o sinal de soprar sobre eles e disse: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio» (Jo 20, 21). Transmite-lhes a sua própria missão, com a força do Espírito Santo.

Mas naquela tarde não estava presente Tomé, que não queria acreditar no testemunho dos outros. «Se eu não vir nem tocar as suas chagas — disse — não acreditarei» (cf. Jo 20, 25). Oito dias depois — ou seja, precisamente como hoje — Jesus volta a apresentar-se no meio dos seus e dirige-se imediatamente a Tomé, convidando-o a tocar as feridas das suas mãos e do seu lado. Ele vai ao encontro da sua incredulidade para que, através dos sinais da paixão, ele possa alcançar a plenitude da fé pascal, isto é, a fé na Ressurreição de Jesus.

Tomé é alguém que não se contenta e procura, tenciona averiguar pessoalmente, realizar uma sua experiência pessoal. Após as resistências e inquietações iniciais, no final também ele consegue crer; não obstante proceda com dificuldade, alcança a fé. Jesus espera-o pacientemente e oferece-se às dificuldades e às inseguranças daquele que chegou por último. O Senhor proclama «bem-aventurados» aqueles que crêem sem ver (cf. v. 29) — e a primeira é Maria, sua Mãe — mas vai também ao encontro da exigência do discípulo incrédulo: «Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos...» (v. 27). Ao contacto salvífico com as chagas do Ressuscitado, Tomé mostra as suas feridas, as suas chagas, as suas dilacerações, a sua humilhação; no sinal dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, esperado e entendido. Encontra-se diante de um Messias cheio de docilidade, de misericórdia e de ternura. Era aquele o Senhor que ele procurava, Ele, nas profundidades secretas do próprio ser, porque sempre soubera que era assim. E quantos de nós procuram, no profundo do coração, encontrar Jesus como Ele é: dócil, misericordioso e terno! Pois no íntimo nós sabemos que Ele é assim! Tendo recuperado o contacto pessoal com a amabilidade e a paciência misericordiosa de Cristo, Tomé compreende o significado profundo da sua Ressurreição e, intimamente transformado, declara a sua fé completa e total n’Ele, exclamando: «Meu Senhor e meu Deus!» (v. 28). Como é bonita esta expressão de Tomé!

Ele conseguiu «tocar» o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico de misericórdia (cf. Ef 2, 4). E como Tomé, também todos nós: neste segundo Domingo de Páscoa, somos convidados a contemplar nas feridas do Ressuscitado a Misericórdia Divina, que ultrapassa qualquer limite humano e resplandece sobre a obscuridade do mal e do pecado. […] Mantenhamos o nosso olhar voltado para Ele, que sempre nos procura, espera e perdoa; Ele é deveras misericordioso e não se assusta com as nossas misérias. Nas suas chagas, Ele cura-nos e perdoa todos os nossos pecados. Que a Virgem Mãe nos ajude a ser misericordiosos com o próximo, como Jesus é com cada um de nós.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 12 de Abril de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Acolhamo-nos confiadamente a Divina Misericórdia,

para alcançarmos as graças de que necessitamos.

Imploremos a mediação de Maria, Mãe de Misericórdia,

para que interceda por nós junto do seu Filho.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão de fé com ele,

    para que nos conduza pelos caminhos da Divina Misericórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

2. Pelos que vivem tristes e desanimados, por falta de confiança,

    para que aceitem a oferta divina da misericórdia e do perdão,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

3. Pelos sacerdotes, ministros do Sacramento da Misericórdia,

    para que estejam sempre disponíveis a receber os penitentes,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

4. Pelos que sentem dificuldade em perdoar ofensas recebidas,

    para que procurem imitar a misericórdia de Jesus Crucificado,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

5. Pelos que dedicam a vida à prática das obras de misericórdia,

    para que recebam de Deus a recompensa da sua generosidade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

6. Pelos que nos deixaram e em luto e necessitam de sufrágios,

    para que  o Pai os acolha hoje misericordiosamente no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Misericórdia!

 

Senhor Jesus Cristo que, ao aparecer aos discípulos,

lhes destes a paz e os enviastes a anunciar a alegria

e o perdão misericordiosos dos nossos pecados,

fazei que acreditemos na Vossa Ressurreição, sem ter visto,

para alcançarmos a vida eterna em vosso nome.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi na fracção do pão — na Consagração do Pão e do Vinho — que os discípulos de Emaús reconheceram o Senhor Ressuscitado, depois de uma longa catequese feita pelo Mestre, a caminho de casa.

Ele vai renovar este mistério dentro de instantes e prepara, para isso, o pão e o vinho que levámos ao altar, para o transubstanciar no Seu Corpo e Sangue. Acolhamos com fé e amor esta dádiva de Deus.

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Quando se encontrava com os Apóstolos, depois de Ressuscitado, Jesus saudava-os dando-lhes a paz.

Saudemo-nos também uns aos outros, desejando a cada um a paz que só Jesus Cristo nos pode dar.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

É Jesus Cristo Ressuscitado, tão vivo e real como está no Céu, que recebemos na Sagrada Comunhão que agora vamos fazer: verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor que padeceu, morreu na cruz e ressuscitou.

Digamos-Lhe com toda a sinceridade que não somos dignos de O receber e peçamos-Lhe que guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Entreguemo-nos confiadamente à misericórdia divina, para vivermos felizes e confiantes nos caminhos da vida.

Animemos os nossos irmãos na fé a confiarem-se inteiramente ao Senhor que nunca nos desilude com o Seu Amor.

 

Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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