Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

29 de Setembro de 2005

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Somos a Igreja de Cristo, M. Silva, NRMS 17.

Sl 102, 20

Antífona de entrada: Bendizei ao Senhor todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

Ao realçarmos esta solenidade, procuremos estar atentos àquilo que Deus Pai, neste dia, nos quer transmitir.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta leitura, sob a aparência de um venerando ancião, o próprio Deus dá poderes muito especiais a um «Filho de Homem» que, entre nuvens, se aproxima do trono divino e a Quem será dado todo o poder nos céus e na terra. Tal expressão foi depois utilizada pelo próprio Jesus, aplicando-a a Si mesmo.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

Ver notas de CL, atrás neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.

 

Salmo Responsorial    Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)

 

Monição: O atendimento divino às nossas súplicas é recitado, neste salmo, como oração de agradecimento por essa experiência.

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Apocalipse 12, 7-12a

7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. 10Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».

 

7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2 Pe 2, 4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).

«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protector do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico - Xatan (aramaico - xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

 

Aclamação ao Evangelho       Sl 102 (103), 21

 

Monição: Associemo-nos a todos os anjos, que são convidados a louvar a Deus por causa do Seu amor pelos homens.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46.

 

Bendizei o Senhor todos os seus exércitos,

poderosos executores da sua vontade.

 

 

 

Evangelho

 

São João 1, 47-51

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». 49Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

 

Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objecções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).

47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21, 2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14).

48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exacto a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.

49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20, 31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14, 33; 16, 16).

51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63, 19; Apoc 19, 11; Mt 3, 16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adoptámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.

 

Sugestões para a homilia

 

Os anjos: mensageiros e servidores de Deus e de Seu Filho

Os anjos: defensores da Igreja

Os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

Os anjos: mensageiros e servidores de Deus e de Seu Filho

A Revelação dá como certa a criação dos anjos e o seu chamamento à comunhão com Cristo. O salmo 102 diz que os anjos «são poderosos executores das Suas ordens, sempre atentos à Sua palavra».

Eles intervêm na história, como mensageiros de Deus, ao serviço do Seu desígnio de salvação.

Estão ao lado de Cristo nos momentos decisivos da Sua vida: O anjo Gabriel leva a Maria e José o anúncio da encarnação do Filho de Deus; uma multidão de anjos louva a Deus pelo Seu nascimento; um anjo protege-O da perseguição de Herodes; servem-No no deserto; um anjo conforta-O na agonia do Getsémani; são os anjos que anunciam a Sua ressurreição; e serão ainda os anjos a assisti-Lo no Juízo Final.

Os anjos: defensores da Igreja

Do mesmo modo, os anjos acompanham e ajudam a Igreja na sua caminhada. São eles que encorajam os Apóstolos quando estes estavam imobilizados olhando para o céu, aquando da Ascensão de Jesus (Act 1, 10-11); libertam-nos da prisão (Act 5, 19-20); apoiam-nos na evangelização (Act 8, 26; 18, 3-8; 27, 23-26); protegem todos os fiéis e orientam-nos para a salvação (Heb 1, 14).

Os arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

Apenas são mencionados, na Sagrada Escritura, o nome de três anjos: S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.

São Miguel, que significa «quem como Deus?», é-nos apresentado como o Príncipe das milícias celestes e defensor da glória do Senhor. No livro de Daniel é apresentado como o Anjo do Povo de Deus e o seu defensor no tempo da angústia (Dan 10, 12-21).

Ora, a Igreja é o novo Povo de Deus. São Miguel é chamado a defendê-la dos seus inimigos, como seu protector, pois o mal continua no mundo a perseguir os homens.

São Gabriel, que significa «Deus é forte», é o Anjo anunciador da encarnação de Jesus. Apareceu a Zacarias anunciando o nascimento de João Baptista e pede a Maria o consentimento para ser a Mãe do salvador, saudando-a com as palavras com que ainda hoje rezamos à Virgem Nossa Senhora: «Ave, ó cheia de graça. O Senhor é convosco».

Unamo-nos a este anjo na nossa saudação a Maria e peçamos-lhe a mesma emoção e piedade com que ele o fez.

São Rafael, que significa «Deus cura», é o anjo que acompanha o jovem Tobias na sua viagem de Nínive até à Média e que o defende de todos os perigos. Patrocina o seu casamento com Sara. É ele que cura da cegueira o velho Tobias (Tob 5-12).

Honrando os anjos, exaltamos o poder de Deus, Criador do mundo visível e invisível, pois, como diz o prefácio da Missa de hoje: «honrando estes mensageiros celestes, exaltamos a vossa infinita bondade, porque a veneração que eles merecem é sinal da vossa incomparável grandeza sobre todas as criaturas».

 

Oração Universal

 

Senhor, nosso Deus,

que criastes os anjos

para servirem os Vossos desígnios de salvação,

atendei as nossas preces.

 

1.  Pelo Santo Padre, bispos, presbíteros e diáconos,

para que, com a ajuda dos santos anjos

nos orientem pelos caminhos da salvação.

Oremos ao Senhor.

 

2.  Por todo o povo de Deus,

para que seja protegido pelo arcanjo S. Miguel

na luta contra todo o mal.

Oremos ao Senhor.

 

3.  Por todos os fiéis,

para que, por intercessão de S. Gabriel

rezem a Maria com piedade e emoção.

Oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos jovens,

para que sejam acompanhados pelo arcanjo S. Rafael

em todas as dificuldades da vida.

Oremos ao Senhor.

 

5.  Por todos nós aqui presentes,

para que honremos os anjos

e exaltemos neles o poder de Deus.

Oremos ao Senhor.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

não nos deixeis sem a protecção

dos vossos santos anjos

e atendei propício as nossas orações,

por intermédio de Vosso Filho Jesus Cristo,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria, NRMS 11-12.

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de salvação eterna Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38.

 

Monição da Comunhão

 

Unidos aos santos anjos e por eles amparados, saibamos ser dignos de comungar o sagrado Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por nós e para nossa salvação sofreu, morreu e ressuscitou.

 

 

Cântico da Comunhão: Santos Anjos e Arcanjos, J. Parente, NCT 701.

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Confiados na protecção dos santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, saiba cada um de nós pôr em prática os ensinamentos de Jesus Cristo, para honra e louvor de Deus Pai e reverência pelos Seus desígnios de salvação.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I).

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 30-IX: Contrição e recomeço.

Bar. 1, 15-22 / Lc. 10, 13-16

Desde o dia em que o Senhor fez sair os nossos pais da terra do Egipto até este dia, fomos rebeldes ao Senhor nosso Deus.

O profeta fala com Deus, em nome de todo o povo, pedindo perdão por sucessivas rebeldias, «não querendo escutar a sua voz» (Leit.). O mesmo aconteceu com os habitantes das cidades de Corazim e Betsaida (cf. Ev.). Receberam tantas graças e viram tantos milagres mas não se arrependeram dos seus pecados.

Aproximemo-nos do Senhor com um coração contrito, reconhecendo as nossas faltas, sem nos desculparmos: «o Senhor está perto dos que têm um coração contrito» (S. Agostinho). Não demoremos a conversão que Ele espera de nós.

 

Sábado, 1-X: O sim, o fiat e o Amen.

Bar. 1, 5-12. 27-29 / Lc. 10, 17-24

Jesus estremeceu de alegria... e disse: Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra... Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

«O seu (de Jesus) estremecimento – sim, ó Pai – revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao beneplácito do Pai, como um eco do fiat de sua Mãe, aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia» (CIC, 2603).

Lembremo-nos também da «profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amen que cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor» (IVE, 55).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          António Elísio Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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