DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

DIa MUndial Da JUVENTUDE

25 de Março de 2018

 

Introdução ao espírito da celebração

 

O Domingo de Ramos é o solene pórtico da Semana Santa e apresenta-se na liturgia como um drama em dois actos:

Celebramos hoje a entrada solene de Jesus em Jerusalém, aclamado pela multidão como o Messias anunciado aos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento, ao longo de milhares de anos.

Celebramos a Paixão e Morte do Senhor. Fazemo-lo com paramentos vermelhos — a cor do martírio — lembrando o Preciosíssimo Sangue que Ele derramou pela nossa Redenção.

Lembremos que numa celebração Litúrgica não nos limitamos a comemorar um acontecimento, a recordá-lo com louvável sentimento, mas transportamo-lo para este momento que nos é dado viver e tomamos parte nele como os contemporâneos de Jesus.

 

 

A. PROCISSÃO DE RAMOS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

À hora marcada, reúnem-se todos numa igreja secundária ou noutro lugar apropriado fora da igreja para a qual se dirige a procissão. Os fiéis levam ramos na mão.

O sacerdote e o diácono, revestidos de paramentos vermelhos próprios da Missa, dirigem-se para o lugar onde o povo está reunido. O sacerdote, em vez da casula, pode levar o pluvial, que deporá terminada a procissão.

Entretanto, canta-se a antífona seguinte ou outro cântico apropriado.

 

Mt 21, 9

Antífona: Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas.

 

O sacerdote, ao chegar, saúda o povo na forma habitual. Depois exorta os fiéis a participarem activa e conscientemente na celebração deste dia, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Transportemo-nos em espírito ao Monte das Oliveiras, ao lado de Jerusalém, onde os jovens tomam nas mãos palmas e ramos de oliveira, para aclamarem Jesus como o Enviado do Senhor.

Revistamo-nos do espírito de humildade do Senhor do universo que se recusa e revestir-se do esplendor e poder dos grandes reis e conquistadores, para entrar na Cidade Santa, não em fogoso cavalo bem ajaezado e revestido de vestes reais, mas montado num jumentinho.

 

Seguidamente, o sacerdote, de mãos juntas, diz uma das seguintes orações:

 

 

Oremos.

Deus eterno e omnipotente, santificai com a vossa bênção estes ramos, para que, acompanhando a Cristo nosso Rei nesta celebração festiva, mereçamos entrar com Ele na Jerusalém celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Ou:

 

Aumentai, Senhor, a fé dos que esperam em Vós e ouvi com bondade as nossas humildes súplicas, para que, aclamando com estes ramos a Cristo vitorioso, permaneçamos unidos a Ele e dêmos fruto abundante de boas obras. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Terminada a oração, asperge os ramos com água benta, sem dizer nada.

A seguir, faz-se a proclamação do Evangelho da entrada do Senhor, segundo o texto evangélico correspondente a cada um dos ciclos. Esta proclamação é feita do modo habitual pelo diácono, ou, na falta dele, pelo sacerdote.

 

Evangelho

 

São Marcos 11, 1-10

Naquele tempo, 1ao aproximarem-se de Jerusalém, cerca de Betfagé e de Betânia, junto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos 2e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, logo à entrada, vereis um jumentinho preso, que ninguém montou ainda. Soltai-o e trazei-o. 3E se alguém perguntar porque fazeis isso, respondei: ‘O Senhor precisa dele, mas não tardará em mandá-lo de volta’». 4Eles partiram e encontraram um jumentinho, preso a uma porta, cá fora na rua, e soltaram-no. 5Alguns dos que ali estavam perguntaram-lhes: «Porque estais a desprender o jumentinho?» 6Responderam-lhes como Jesus tinha dito e eles deixaram-nos ir. 7Levaram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele. 8Muitos estenderam as suas capas no caminho e outros, ramos de verdura, que tinham cortado nos campos. 9E tanto os que iam à frente como os que vinham atrás clamavam: «Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor! 10Bendito o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hossana nas alturas!»

 

ou

 

São João 12, 12-16

12Naquele tempo, a grande multidão que tinha vindo à festa da Páscoa, ao ouvir dizer que Jesus ia chegar a Jerusalém, 13apanhou ramos de palmeira e saiu ao seu encontro, clamando: «Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!» 14Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, como está escrito: 15«Não temas, filha de Sião: Eis que vem o teu Rei, sentado sobre o filho de uma jumenta». 16Os discípulos não entenderam isto ao princípio, mas, quando Jesus foi glorificado, lembraram-se de que assim estava escrito acerca d’Ele e era isso mesmo que eles tinham feito.

 

Os quatro evangelistas referem a entrada de Jesus em Jerusalém, com algumas pequenas diferenças. Em S. João aparece mais como uma iniciativa da multidão, ao passo que nos Sinópticos é Jesus a preparar a sua entrada.

«Um jumentinho». Mateus fala também da jumenta, mãe do jumentinho para sublinhar o cumprimento da letra da profecia de Zacarias 9, 9. A entrada dos peregrinos em Jerusalém fazia-se a pé; Jesus, porém, quer entrar a cavalo, desta vez. Tendo evitado até então todas as aclamações messiânicas, mostrar-se agora como o Messias nesta última visita à cidade, entrando montado num humilde jumentinho, e não como um rei temporal, ou um general vitorioso, montado num corcel. Ele não é um rei dominador, em concorrência com os poderosos da terra, mas o rei cheio de mansidão, o príncipe da paz.

A aclamação é a do Salmo 118 (117), e dela se fazem eco todos os fiéis na Liturgia eucarística: «Bendito o que vem» (baruk habá é ainda hoje a saudação de boas-vindas em Israel). «Hossana» é uma palavra hebraica que aqui tem um sentido de aclamação, correspondente ao nosso «viva!», e não uma mera prece, como indicaria a tradução literal do hebraico: «salva, por favor, (ó Deus)». A saudação do Salmo era uma bênção com que se recebia o peregrino que subia a Jerusalém; aqui é uma aclamação do povo que acompanha Jesus no cortejo. Nos Sinópticos a aclamação, com distintos matizes, tem o carácter de aclamação messiânica, mas em João a entrada tem claramente o aspecto de um rito de entronização, com pormenores que não aparecem nos Sinópticos: a gente sai da cidade a recebê-Lo, e com ramos de palmeira (Jo 12, 13), como a um rei vitorioso.

 

Depois do Evangelho, conforme as circunstâncias, pode fazer-se uma breve homilia. A anunciar o começo da procissão, o sacerdote ou outro ministro idóneo pode fazer uma admonição, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Imitemos, irmãos caríssimos, a multidão que aclamava Jesus na cidade santa de Jerusalém, e caminhemos em paz.

 

Inicia-se a procissão em direcção à igreja onde é celebrada a Missa.

À frente vai o turiferário com o turíbulo aceso (se se usa o incenso); depois, no meio de dois ministros com velas acesas, o cruciferário com a cruz ornamentada; segue-se o sacerdote com os outros ministros: finalmente, os fiéis com os ramos na mão.

 

Cântico:    As crianças de Jerusalém, M. Faria, NRMS 25

Com ramos de vitória, Az. Oliveira, NRMS 117

 

Á entrada da procissão na igreja, canta-se o responsório seguinte ou outro cântico alusivo à entrada do Senhor.

 

V. Ao entrar o Senhor na cidade santa, as crianças de Jerusalém, com ramos de palmeira, anunciaram a ressurreição da vida, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

V. Quando o povo ouviu dizer que Jesus vinha para Jerusalém, saiu ao seu encontro com ramos de palmeira, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

Cântico de entrada: Hossana ao Filho de David, Az. Oliveira, NRMS 29

 

Ao chegar ao altar, o sacerdote faz-lhe a devida reverência e, conforme as circunstâncias, incensa-o. Seguidamente, dirige-se para a sua cadeira (depõe o pluvial e veste a casula) e, omitindo tudo o mais, diz, como conclusão da procissão, a oração colecta da Missa. Terminada esta oração, a Missa continua na forma habitual.

 

A Missa deste domingo é dotada de três leituras, que muito se recomendam, se não há um motivo pastoral que aconselhe outra coisa.

Dada a importância da leitura da Paixão do Senhor, compete ao sacerdote, tendo em conta a natureza de cada grupo de fiéis, a opção de ler apenas uma das duas leituras que precedem o Evangelho, ou apenas a história da Paixão, se for necessário, mesmo na forma breve.

Isto vigora apenas para as Missas celebradas com participação do povo.

 

B. Santa Missa

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Santa Missa deste Domingo introduz-nos desde o primeiro momento na Paixão e Morte de Jesus Cristo.

A cor litúrgica do paramento deste dia é vermelho, para nos recordar que celebramos o Rei dos Mártires.

Ao mesmo tempo, encerra um convite: «Se alguém quer ser Meu discípulo, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.»

Estamos aqui para dizer ao Senhor que, contando com a Sua graça, queremos dizer sim ao Seu convite.

 

Acto penitencial

 

Quando se realiza a procissão de ramos, omite-se o acto penitencial, porque esta o substitui.

 

A Paixão de Jesus Cristo lembra-nos que fomos nós, com os nossos pecados, que causamos tão grande sofrimento e continuamos ainda a causá-lo às outras pessoas porque, onde estiver um, aí está Cristo misteriosamente presente.

Peçamos humildemente perdão e prometamos emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

Depois da procissão ou da entrada solene, o sacerdote começa a Missa com a oração colecta.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías, cerca de seiscentos anos antes da vinda de Cristo ao mundo, descreve-nos a Sua Paixão com um realismo impressionante.

Guardemos no coração as últimas palavras para recordarmos — sobretudo nos momentos em que o sofrimento desabar sobre nós — as últimas palavras da profecia: «o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido

 

Isaías 50, 4-7

 

4O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. 5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

 

O texto é tirado do II Isaías e corresponde aos primeiros 4 vv. do 3° poema do Servo de Yahwéh (Is 50, 4-9). Quem está a falar parece ser o próprio servo, embora não seja aqui nomeado, mas é o que se deduz do contexto imediato deste canto (v. 10). De qualquer modo, considera-se como a figura profética de Jesus Cristo. O texto consta de três estrofes iniciadas com a mesma fórmula (que a tradução não respeitou): «O Senhor Deus»; na primeira sublinha-se a docilidade de discípulo; na segunda, o sofrimento que esta docilidade acarreta; na terceira, a fortaleza no meio das dores.

4 Apresenta-se «a falar como um discípulo», embora não se trate de um discípulo qualquer; é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24).

5 «Não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Os evangelistas hão-de deixar ver como o pleno cumprimento deste hino profético se deu no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Mc 15, 19; Lc 22, 63-64…

 

Salmo Responsorial    Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

 

Monição: A Liturgia deste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor convida-nos a cantar o salmo que Jesus Cristo rezou na Cruz.

As suas palavras continuam actuais em cada pessoa que procura fazer a vontade de Deus, sem qualquer desconto.

 

Refrão:        Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?

 

Todos os que me vêem escarnecem de mim,

estendem os lábios e meneiam a cabeça:

«Confiou no Senhor, Ele que o livre,

Ele que o salve, se é seu amigo».

 

Matilhas de cães me rodearam,

cercou-me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,

posso contar todos os meus ossos.

 

Repartiram entre si as minhas vestes

e deitaram sortes sobre a minha túnica.

Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,

sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

 

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,

hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,

glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,

reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O texto da Carta de S. Paulo aos Filipenses que vai ser proclamado seria, primitivamente, um hino em honra de Jesus Cristo que os primeiros cristãos cantavam nas suas celebrações.

Nele se exalta a humildade de Jesus e convida-nos a imitá-l’O nos caminhos da nossa vida.

 

Filipenses 2, 6-11

 

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, um hino que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino; é a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considerar o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou em sentido passivo (coisa roubada). A Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo). Segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón) … Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22), e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo n’Ele a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje. «Tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o humilhante desfecho dum história trágica com que tudo acabou. Temos em paralelo o sublime paradoxo da sua «exaltação»: «por isso Deus – não Ele próprio, mas o Pai – O exaltou» de modo singularíssimo, à letra, acima de tudo o que existe, como o sugere a preposição hypér na composição do verbo hypsóein (exaltar). Esta exaltação deu-se com a glorificação da humanidade de Jesus na sua Ressurreição e Ascensão. A esta sublime exaltação corresponde o «Nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes em todos os tempos. Com efeito, já não se trata do simples nome de Jesus, um nome corrente com que era tratado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, nem apenas o título da sua condição messiânica, «Cristo», pois o nome que agora Lhe compete é o mesmo nome com que o próprio Deus é designado no A. T.: «Kyrios-Senhor», nome divino, como consta da tradução grega de «Yahwéh». Desde agora, a todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) – e o seu domínio sobre toda a criação, a saber: «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 55/56 (data mais provável), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho        Filip 2, 8-9

 

Monição: A obediência generosa de Jesus Cristo aos desígnios do Pai levou-O à morte na Cruz, em resgate dos nossos pecados. Mas a mesma obediência conduziu-O também à glória da Ressurreição.

O mesmo acontecerá com cada um de nós — salvas sempre as distâncias — se formos dóceis à vontade do Pai.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.

Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

 

 

 

Evangelho

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: São Marcos 14, 1-15, 47                            Forma breve: São Marcos 15, 1-39

 

N   [1Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos e os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição para Lhe darem a morte. 2Mas diziam:

R   «Durante a festa, não, para que não haja algum tumulto entre o povo».

N   3Jesus encontrava-Se em Betânia, em casa de Simão o Leproso, e, estando à mesa, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro com perfume de nardo puro de alto preço. Partiu o vaso de alabastro e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. 4Alguns indignaram-se e diziam entre si:

R   «Para que foi esse desperdício de perfume? 5Podia vender-se por mais de duzentos denários e dar o dinheiro aos pobres».

N   E censuravam a mulher com aspereza. 6Mas Jesus disse:

J    «Deixai-a. Porque estais a importuná-la? Ela fez uma boa acção para comigo. 7Na verdade, sempre tereis os pobres convosco e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem; mas a Mim, nem sempre Me tereis. 8Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura. 9Em verdade vos digo: Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro, dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».

N   10Então, Judas Iscariotes um dos Doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11Quando o ouviram, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

N   12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus:

R   «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»

N   13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:

J    «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o 14e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso».

N   16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 17Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze. 18Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse:

J    «Em verdade vos digo: Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».

N   19Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:

R   «Serei eu?»

N   20Jesus respondeu-lhes:

J    «É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato. 21O Filho do homem vai partir, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído! Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».

N   22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse:

J    «Tomai: isto é o meu Corpo».

N   23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus:

J    «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».

N   26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

N   27Disse-lhes Jesus:

J    «Todos vós Me abandonareis, como está escrito: ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’. 28Mas depois de ressuscitar, irei à vossa frente para a Galileia».

N   29Disse-Lhe Pedro:

R   «Embora todos Te abandonem, eu não».

N   30Jesus respondeu-lhe:

J    «Em verdade te digo: Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás».

N   31Mas Pedro continuava a insistir:

R   «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».

N   E todos afirmaram o mesmo. 32Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani e Jesus disse aos seus discípulos:

J    «Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».

N   33Tomou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir pavor e angústia. 34Disse-lhes então:

J    «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai».

N   35Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. 36Jesus dizia:

J    «Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres».

N   37Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os dormindo e disse a Pedro:

J    «Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora? 38Vigiai e orai, para não entrardes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».

N   39Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. 40Voltou novamente e encontrou-os dormindo, porque tinham os olhos pesados e não sabiam que responder. 41Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:

J    «Dormi agora e descansai...Chegou a hora: o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. 42Levantai-vos. Vamos. Já se aproxima aquele que Me vai entregar».

N   43Ainda Jesus estava a falar, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e os anciãos. 44O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O e levai-O bem seguro». 45Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:

R   «Mestre».

N   46Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O. 47Um dos presentes puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. 48Jesus tomou a palavra e disse-lhes:

J    «Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender, como se fosse um salteador. 49Todos os dias Eu estava no meio de vós, a ensinar no templo, e não Me prendestes! Mas é para se cumprirem as Escrituras».

N   50Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos. 51Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol. Agarraram-no, 52mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

N   53Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54Pedro, que O seguira de longe, até ao interior do palácio do sumo sacerdote, estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume. 55Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para Lhe dar a morte, mas não o encontravam. 56Muitos testemunhavam falsamente contra Ele, mas os seus depoimentos não eram concordes. 57Levantaram-se então alguns, para proferir contra Ele este falso testemunho:

R   58«Ouvimo-l’O dizer: ‘Destruirei este templo feito pelos homens e em três dias construirei outro que não será feito pelos homens’».

N   59Mas nem assim o depoimento deles era concorde. 60Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos e perguntou a Jesus:

R   «Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»

N   61Mas Jesus continuava calado e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:

R   «És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»

N   62Jesus respondeu:

J    «Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso vir sobre as nuvens do céu».

N   63O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:

R   «Que necessidade temos ainda de testemunhas? 64Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»

N   Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte. 65Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe, a tapar-Lhe o rosto com um véu e a dar-Lhe punhadas, dizendo:

R   «Adivinha».

N   E os guardas davam-Lhe bofetadas. 66Pedro estava em baixo, no pátio, quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote. 67Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:

R   «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».

N   68Mas ele negou:

R   «Não sei nem entendo o que dizes».

N   Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou. 69A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:

R   «Este é um deles».

N   70Mas ele negou segunda vez. Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:

R   «Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».

N   71Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:

R   «Não conheço esse homem de quem falais».

N   72E logo o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito: «Antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás». E desatou a chorar.]

N   15, 1Logo de manhã, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l’O a Pilatos. 2Pilatos perguntou-Lhe:

R   «Tu és o Rei dos judeus?»

N   Jesus respondeu:

J    «É como dizes».

N   3E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. 4Pilatos interrogou-O de novo:

R   «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».

N   5Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. 6Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. 7Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que numa revolta tinham cometido um assassínio. 8A multidão, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes. 9Pilatos respondeu:

R   «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»

N   10Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregado por inveja. 11Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. 12Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:

R   «Então que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos judeus?»

N   13Eles gritaram de novo:

R   «Crucifica-O! 13»

N   14Pilatos insistiu:

R   «Que mal fez Ele?»

N   Mas eles gritaram ainda mais:

R   «Crucifica-O!»

N   15Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado. 16Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio, que era o pretório, e convocaram toda a corte. 17Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. 18Depois começaram a saudá-l’O:

R   «Salve, Rei dos judeus!»

N   19Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele. 20Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

N   21Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. 22E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário. 23Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. 24Depois crucificaram-n’O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. 25Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. 26O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: «Rei dos Judeus». Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. (27) 28Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:

R   «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, 30salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».

N   31Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo:

R   «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! 32Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos».

N   Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. 33Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. 34E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:

J    «Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»

N   que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» 35Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:

R   «Está a chamar por Elias».

N   36Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:

R   «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».

N   37Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. 38O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. 39O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:

R   «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

N   [40Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, 41que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém. 42Ao cair da tarde – visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado – 43José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 44Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. 45Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. 46José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol; depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. 47Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus tinha sido depositado.]

 

A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente por todos os Evangelistas é a sua Paixão, pois culmina a vida e a obra redentora de Cristo. Houve até quem chegou ao extremo de afirmar que os Evangelhos são «um relato da Paixão, com uma introdução desenvolvida» (M. Kähler). No entanto, os dados registados são muitíssimo parcos e concisos, pois o primeiro objectivo destas quatro narrações não era dar uma informação completa de tudo o que aconteceu; se fosse assim, seria imperdoável que não se diga nada dos sentimentos dos intervenientes na acção. Jesus também não é apresentado como um herói que sofre dores morais e físicas absolutamente indizíveis – a crucifixão era esse crudelissimum teterrimumque supplicium (Cícero) – com uma serenidade majestática. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência do modo mais significativo tanto o seu amor infinito para com todos e cada um de nós (cf. Gal 2, 20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gál 1, 4). Não obstante, não se nota que esteja subjacente aos relatos qualquer intenção de mover o leitor à piedade, descrevendo a tragédia de uma forma comovedora. O que preside à intenção dos relatos é mostrar o sentido da Paixão do Senhor, o modo como, através de todos estes passos, se realiza e torna visível a nossa salvação, no pleno cumprimento das Escrituras, facilitando ao leitor entender o porquê de que tudo isto – tão assombrosamente paradoxal e escandaloso – tenha realmente acontecido. E é assim que todos os relatos da Paixão estão ligados aos da glória da Ressurreição, que acaba por oferecer a saída para tão misterioso enigma (J. M. Casciaro).

Os estudiosos pensam que foi a parte do Evangelho que tomou a forma definitiva escrita mais cedo. As quatro narrativas da Paixão não se contradizem, mas completam-se e deixam ver a focagem teológica própria de cada evangelista. Marcos é o que se apresenta como mais espontâneo e o que melhor apresenta, na sua crueza realista, o horror do sofrimento de Jesus. Na agonia do Getxemaní, só ele diz que Jesus «sentiu pavor» (Mc 14, 33), e não apenas angústia, e também o pedido de que se afaste o cálice de amargura aparece como mais urgente: «Abbá,… tudo te é possível. Afasta de mim este cálice» (v. 36). Por outro lado, só ele diz, na censura aos discípulos adormecidos, que eles «não sabiam o que Lhe haviam de responder» (Mc 14, 40) e já antes a censura aparecia mais directamente dirigida a Pedro: «não foste capaz…» (v. 37). Também é de notar o pormenor exclusivo do segundo canto do galo nas negações de Pedro (Mc 14, 72). Só Marcos diz que Simão Cireneu era «pai de Alexandre e Rufo» (pensa-se que este pormenor se deve a que estes vieram a ser cristãos bem conhecidos: cf. Rom 16, 13).

A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente por todos os Evangelistas é a sua Paixão, pois culmina a vida e a obra redentora de Cristo. Houve até quem chegou ao extremo de afirmar que os Evangelhos são «um relato da Paixão, com uma introdução desenvolvida» (M. Kähler). No entanto, os dados registados são muitíssimo parcos e concisos, pois o primeiro objectivo destas quatro narrações não era dar uma informação completa de tudo o que aconteceu; se fosse assim, seria imperdoável que não se diga nada dos sentimentos dos intervenientes na acção. Jesus também não é apresentado como um herói que sofre dores morais e físicas absolutamente indizíveis – a crucifixão era esse crudelissimum teterrimumque supplicium (Cícero) – com uma serenidade majestática. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência do modo mais significativo tanto o seu amor infinito para com todos e cada um de nós (cf. Gál 2, 20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gál 1, 4). Não obstante, não se nota que esteja subjacente aos relatos qualquer intenção de mover o leitor à piedade, descrevendo a tragédia de uma forma comovedora. O que preside à intenção dos relatos é mostrar o sentido da Paixão do Senhor, o modo como, através de todos estes passos, se realiza e torna visível a nossa salvação, no pleno cumprimento das Escrituras, facilitando ao leitor entender o porquê de que tudo isto, tão assombrosamente paradoxal e escandaloso, tenha realmente acontecido. E é assim que todos os relatos da Paixão estão ligados aos da glória da Ressurreição, que acaba por oferecer a saída para tão misterioso enigma.

Os estudiosos pensam que foi a parte do Evangelho que tomou a forma definitiva escrita mais cedo. As quatro narrativas da Paixão não se contradizem, mas completam-se e deixam ver a focagem teológica própria de cada evangelista. Marcos é o que se apresenta como mais espontâneo e o que melhor apresenta, na sua crueza realista, o horror do sofrimento de Jesus. Na agonia do Getxemani, só ele diz que Jesus «sentiu pavor» (Mc 14, 33), e não apenas angústia, e também o pedido de que se afaste o cálice de amargura aparece como mais urgente: «Abbá,… tudo te é possível. Afasta de mim este cálice» (v. 36). Por outro lado, só ele diz, na censura aos discípulos adormecidos, que eles «não sabiam o que Lhe haviam de responder» (Mc 14, 40) e já antes a censura aparecia mais directamente dirigida a Pedro: «não foste capaz…» (v. 37). Também é de notar o pormenor exclusivo do segundo canto do galo nas negações de Pedro (Mc 14, 72). Só Marcos diz que Simão Cireneu era «pai de Alexandre e Rufo» (pensa-se que este pormenor se deve a que estes vieram a ser cristãos bem conhecidos: cf. Rom 16, 13).

N.B. – Para não nos alongarmos mais em comentários, podem ver-se as notas sobre a Paixão do Senhor, infra, em Sexta-feira Santa, assim como as do ano passado, ao Evangelho de S. Mateus (Celebração Litúrgica, Ano A, 2016/2017, pp. 507-511).

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Comprados por elevado preço

Atento e dócil à vontade do Pai

Cheio de fortaleza

Deus nunca nos desilude

• Reconheçamos quanto valemos

A medida do Amor de Deus

Deus quer todo o nosso coração

Acompanhar Jesus.

 

1. Comprados por elevado preço

 

O Servo de Yahweh — Servo do Deus Altíssimo — de que nos fala o profeta Isaías — é o mesmo Jesus na Sua Paixão e Morte. Propõe-Se «dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos

 

a) Atento e dócil à vontade do Pai. «Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos

Jesus vem fazer e ensinar-nos a fazer a vontade do Pai. Não temos outro caminho ara o Céu senão este.

A Paixão e Morte de Jesus não é um acontecimento inesperado, uma surpresa indesejada que os Seus inimigos prepararam às ocultas. Ela esteve presente no pensamento de Jesus desde o primeiro momento da Incarnação do Verbo. À medida que se aproxima o desenlace final, Jesus fala dela aos Apóstolos, não como algo que quer evitar, mas «Eu desejei ardentemente — como que com impaciência — celebrar convosco esta Páscoa

Ela entra nos planos de Deus desde toda a e eternidade, não como desgraça, mas como bênção e como pedagogia divina que nos ajuda a vislumbrar o amor infinito do Pai a cada um de nós e o que valemos aos Seus olhos. Valemos tanto, que não hesitou em dar a vida por nós, no meio de indescritíveis sofrimentos.

Não nos é lícito, portanto, tratar com leviandade a nossa salvação, arriscando comprometê-la na procura de qualquer prazer passageiro, como fez Isaú com o direito de progenitura que vendeu por um prato de lentilhas.

Também a cada um de nós, todas as manhãs o Senhor desperta os ouvidos para que tenhamos sempre presente esta maravilha do amor de Deus por nós.

 

b) Cheio de fortaleza. «O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam

Quando caminha para a Paixão e Morte, Jesus sabe bem o que Lhe vai acontecer, e isto aumenta-Lhe o sofrimento.

Não é na primeira vez que vamos ao dentista, que fazemos um curativo a uma ferida, que sofremos mais, mas nas outras vezes, porque a imaginação antecipa-nos as dores.

Isaías fala com um realismo que impressiona. Refere-se aos insultos — «O Senhor Deus abriu-me os ouvidos»; — à prisão — «eu não resisti nem recuei um passo»; à flagelação — «Apresentei as costas àqueles que me batiam» — às bofetadas e escarros atirados para o Seu rosto divino — «a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam

Ao meditar na Paixão de Jesus sentimo-nos envergonhados, porque passamos o tempo a queixarmo-nos das incomodidades e dores da vida. Continuamos a sonhar com uma vida sem cruz, sem contrariedades, nós que somos os verdadeiros culpados da Paixão e Morte de Jesus Cristo.

 

c) Deus nunca nos desilude. «Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido

Como é possível encontrar a alegria no sofrimento? A verdade é que os santos que estão nos altares e outras almas de Deus, viveram esta experiência.

Dar a vida por amor, onde, quando e como Deus quiser, é a meta de todo o cristão: num serviço de oração contemplativa, de caridade operativa em favor dos necessitados, na aceitação generosa do trabalho, no abraçar da vocação pessoal sem hesitações nem recuos.

Dar a vida, como a dão a mãe e o pai, numa entrega generosa à criação e educação dos filhos — tantos quantos Deus quiser —;

como o sacerdote, na sua missão de instrumento de Jesus Cristo, “impersonando-O” para que ajude cada pessoa;

como o religioso ou religiosa chamados à vida contemplativa para que, como Moisés no alto do monte, de braços abertos, interceda pelo Povo de Deus, para que leve de vencida Satanás.

 

2. Reconheçamos quanto valemos

 

Quando meditamos a sério a Paixão de Jesus, ficamos desconcertados, porque não acabamos por compreender o que aconteceu.

Entre as lições que podemos aprender ao meditar no mar de sofrimento de Jesus, podemos lembrar três.

 

a) A medida do Amor de Deus.

Na Paixão de Seu Filho, o Pai quis ensinar-nos que o Seu Amor por nós não tem medida. É o Amor infinito, sempre pronto a acolher-nos, porque deseja ardentemente salvar-nos e tornar-nos felizes eternamente.

Deus podia não Se ter entregue à Sua Paixão e Morte. Bastava um acto de amor ao Pai para nos redimir.

Avançou para a Paixão porque, possivelmente, era a única linguagem humana que podíamos entender. Com um só olhar, compreendemos a maldade do pecado e o amor de Deus por nós.

A qualquer pessoa pode o Senhor perguntar: Que mais poderia ter feito por ti que o não fizesse?

Esta certeza enche-nos de confiança, porque nos ensina que Ele nada nos recusa e tudo fará para nos salvar. Deseja apenas um gesto de boa vontade da nossa parte.

 

b) Deus quer todo o nosso coração.

Na Semana Santa multiplicam-se as manifestações de religiosidade religiosa: procissões, encenações da Via-Sacra, adorno das ruas e casas com sinais da Paixão de Jesus, silêncio dos sinos, etc. Comovem-se as pessoas ao recordar a Paixão do Senhor.

Tudo isto é muito belo e significativo. Mas o que Deus nos pede verdadeiramente é o coração, a vida, em conformidade com a Sua Vontade Santíssima.

Devemos reparar também que a Paixão de Jesus continua hoje presente em cada pessoa. Temos especialmente presentes os que sofrem doenças, injustiças e marginalização.

Toda a pessoa humana, criança, jovem adulto ou idoso, rico ou pobre, tem uma dignidade infinita aos olhos de Deus. Ele chamou à vida neste mundo cada um de nós, para que participemos eternamente da Sua felicidade no paraíso.

 

c) Acompanhar Jesus.

Jesus Cristo ajuda-nos a seguir os caminhos da fé. Pela humilhação chega à glória; pela aparente eficácia e aniquilamento, obtém-nos a salvação; pela derrota aparente conduz-nos à vitória. 

Sentimos a necessidade de acompanhar os amigos e familiares nos momentos de alegria e de sofrimento. Reunimo-nos para celebrar um aniversário, um casamento, uma ordenação sacerdotal; e também para acompanhar as pessoas de luto, quando alguma pessoa deixa esta vida terrena.

Havemos de levar este pensamento à Semana Santa. Cristo entrega-se à Paixão e Morte, com sofrimentos que não encontram paralelo na história dos homens.

Para mais, Ele está a substituir-nos, porque os verdadeiros culpados de toda a Paixão do Senhor somos nós. Como poderíamos encarar com indiferença e alheamento a Semana Santa que agora começa?

Quinta feira Santa. É o dia da instituição da Santíssima Eucaristia e do Sacerdócio Ministerial. Celebramos nela a Solene Comemoração da Ceia do Senhor.

Sexta feira Santa. Com a celebração da tarde de Sexta-Feira Santa, comemoramos a Paixão e Morte do Senhor. Podemos comungar nesta celebração, embora não seja celebrada a Santa Missa.

Vigília Pascal. É culminar de toda a caminhada quaresmal que vinha orientada para esta noite em que renovamos a nossa Aliança baptismal.

Connosco estará especialmente Nossa Senhora que permaneceu firme e serena ao pé da Cruz, embora mergulhada na maior dor humana que possamos imaginar.

 

Fala o Santo Padre

 

«Nesta Semana Santa, que nos leva à Páscoa, caminharemos por esta estrada da humilhação de Jesus.

E só assim será “santa” também para nós!»

No centro desta celebração, que se apresenta tão festiva, está a palavra que ouvimos no hino da Carta aos Filipenses: «Humilhou-Se a Si mesmo» (2, 8). A humilhação de Jesus.

Esta palavra desvenda-nos o estilo de Deus e, consequentemente, o que deve ser do cristão: a humildade. Um estilo que nunca deixará de nos surpreender e pôr em crise: não chegamos jamais a habituar-nos a um Deus humilde!

Humilhar-se é, antes de mais nada, o estilo de Deus: Deus humilha-Se para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades. Isto é evidente, quando se lê a história do Êxodo: que humilhação para o Senhor ouvir todas aquelas murmurações, aquelas queixas! Embora dirigidas contra Moisés, no fundo eram lançadas contra Ele, o Pai deles, que os fizera sair da condição de escravatura e os guiava pelo caminho através do deserto até à terra da liberdade.

Nesta Semana, a Semana Santa, que nos leva à Páscoa, caminharemos por esta estrada da humilhação de Jesus. E só assim será «santa» também para nós!

Ouviremos o desprezo dos chefes do seu povo e as suas intrigas para O fazerem cair. Assistiremos à traição de Judas, um dos Doze, que O venderá por trinta denários. Veremos ser preso o Senhor e levado como um malfeitor; abandonado pelos discípulos; conduzido perante o Sinédrio, condenado à morte, flagelado e ultrajado. Ouviremos que Pedro, a «rocha» dos discípulos, O negará três vezes. Ouviremos os gritos da multidão, incitada pelos chefes, que pede Barrabás livre e Ele crucificado. Vê-Lo-emos escarnecido pelos soldados, coberto com um manto de púrpura, coroado de espinhos. E depois, ao longo da via dolorosa e junto da cruz, ouviremos os insultos do povo e dos chefes, que zombam de Ele ser Rei e Filho de Deus.

Este é o caminho de Deus, o caminho da humildade. É a estrada de Jesus; não há outra. E não existe humildade, sem humilhação.

Percorrendo até ao fim esta estrada, o Filho de Deus assumiu a «forma de servo» (cf. Flp 2, 7). Com efeito, a humildade quer dizer também serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, «esvaziando-se», como diz a Escritura (v. 7). Esta – esvaziar-se – é a maior humilhação.

Há outro caminho, contrário ao caminho de Cristo: o mundanismo. O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso... É o outro caminho. O maligno propô-lo também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. Mas Jesus rejeitou-o sem hesitação. E, com Ele, só com a sua graça, com a sua ajuda, também nós podemos vencer esta tentação da vaidade, do mundanismo, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.

Nisto, serve-nos de ajuda e conforto o exemplo de tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir os outros: um familiar doente, um idoso sozinho, uma pessoa deficiente, um sem-abrigo...

Pensamos também na humilhação das pessoas que, pela sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e pagam na própria pele. E pensamos ainda nos nossos irmãos e irmãs perseguidos porque são cristãos, os mártires de hoje (e são tantos): não renegam Jesus e suportam, com dignidade, insultos e ultrajes. Seguem-No pelo seu caminho. Verdadeiramente, podemos falar duma «nuvem de testemunhas» (cf. Heb 12, 1): os mártires de hoje.

Durante esta Semana, emboquemos também nós decididamente esta estrada da humildade, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força. E, onde Ele estiver, estaremos também nós (cf. Jo 12, 26).

Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 29 de Março de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Neste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor,

invoquemos a bondade de Deus todo-poderoso,

para que nos conceda o que Lhe pedimos com fé.

Oremos (cantando), cheios de confiança:

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que o Redentor dos homens, que Se entregou à morte

    acolha os povos de todas raças e nações no Seu Reino de Paz,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

2. Para que o Redentor do mundo, que orou na Cruz por nós

    interceda junto do Pai por todas as pessoas de boa vontade,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

3. Para que o Redentor do mundo, que sofreu a angústia da Cruz

    socorra os que sofrem e vivem tristes e incompreendidos,

    oremos. irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

4. Para que o Redentor do mundo, que foi coroado de espinhos,

    dê coragem e conforte todos os que estão prestes a perdê-la,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

5. Para que o Redentor do mundo, perseguido e incompreendido,

    conforte os que são perseguidos e martirizados por causa da fé,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

5. Para que o Redentor do mundo, que na morte Se entregou ao Pai

    acolha no Reino do Céu os que partem desta vida ao Seu encontro,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

Senhor, nosso Deus, que Vos dignastes contar-nos

entre o número daqueles para quem o vosso Filho

implorou o perdão, ao expirar no madeiro,

dai-nos a graça de descobrir hoje, à luz da fé,

o amor infinito com que nos amais até ao fim.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

No desenrolar de uma celebração litúrgica encontramos sempre a proclamação da Palavra, logo seguida do rito celebrativo. Assim acontece na Santa Missa e na Celebração dos Sacramentos.

Depois de termos participado da Mesa da Palavra, somos agora convidados para a Mesa da Eucaristia. O Senhor vi, como na Última Ceia, transubstanciar o pão e o vinho do nosso ofertório no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Pela paixão do vosso Filho Unigénito, apressai, Senhor, a hora da nossa reconciliação: concedei-nos, por este único e admirável sacrifício, a misericórdia que nossos pecados não merecem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. E nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Sendo inocente, entregou-Se à morte pelos pecadores; não tendo culpas, deixou-Se condenar pelos culpados. A sua morte redimiu os nossos pecados e a sua ressurreição abriu-nos as portas da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Saudação da Paz

 

Foi para nos dar a verdadeira paz que Jesus Se imolou por nós no altar da Cruz.

Se queremos receber este dom divino, temos de lutar contra as nossas paixões desordenadas e amar generosamente, sem qualquer distinção, todas pessoas.

Manifestemos este desejo, trocando entre nós o gesto litúrgico da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Pão que repartimos e o Vinho que bebemos na Comunhão Eucarística é o Corpo e Sangue de Cristo imolado por nós.

Procuremos receber o Senhor do Universo com humildade, reverência e amor.

 

Cântico da Comunhão: Tomai e comei, diz o Senhor, F. da Silva, NRMS 25

Mt 26, 42

Antífona da comunhão: Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-Se a tua vontade.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor é clemente, M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Oração depois da comunhão: Saciados com estes dons sagrados, nós Vos pedimos, Senhor: assim como, pela morte do vosso Filho, nos fizestes esperar o que a nossa fé nos promete, fazei-nos também chegar, pela sua ressurreição, às alegrias do reino que esperamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos com piedoso recolhimento esta Semana Maior.

Se os nossos horários no-lo permitem, participemos nas celebrações do Tríduo Pascal.

 

Cântico final: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA SANTA

 

2ª Feira, 26-III: O cumprimento do plano de salvação.

Is 42, 1-7 / Jo 12, 1-11

Fui eu, o Senhor, quem te chamou, num projecto de salvação. 

O plano divino de salvação (Leit.) apoia-se na entrega de Jesus à morte. Ele próprio apresentou o plano da sua vida como cumprimento da vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus: «Eis o meu servo, a quem protejo, o meu eleito» (Lei.).

No começo da Semana Santa é-nos sugerido o exemplo da unção de Maria de Betânia, como modo de preparar a paixão do Senhor, derramando sobre Ele uma libra de perfume de elevado preço (Ev.). Esta unção é também uma boa pauta para o ambiente das celebrações eucarísticas: para o Senhor, o melhor que pudermos preparar.

 

3ª Feira, 27-III: Darás a vida por mim?

Is 49, 1-6 / Jo 13. 21-33. 36-38

Não basta que sejas meu servo. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a  minha salvação chegue aos confins da terra.

Pela sua obediência até à morte, Jesus leva a cabo a missão do servo sofredor, que ofereceu a sua vida em expiação, carregando sobre os seus ombros as nossas faltas e oferecendo ao Pai uma satisfação pelos nossos pecados.

Na Última Ceia, Jesus vê partir Judas, que O vai entregar e profetiza as negações de Pedro (Ev.). Também a nós nos pergunta: «darás a vida por mim?» (Ev.). Procuremos oferecer igualmente a nossa vida em expiação pelos nossos pecados; aceitemos as contrariedades, dores e sofrimentos, que Ele nos enviar; arrependamo-nos das nossas faltas de fidelidade, etc.

 

4ª Feira, 28-III: Preparativos para a Última Ceia.

Is 50, 4-9 / Mt 26, 14-25

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?

Jesus dá o encargo aos discípulos de levarem a cabo uma cuidadosa preparação da casa onde terá lugar a última ceia pascal (Ev.)

Façamos igualmente uma cuidadosa preparação para esta Páscoa: ofereçamos ao Senhor as indelicadezas que tiverem connosco; ajudemos os que andam extenuados; oiçamos melhor a palavra de Deus (Leit.). Tenhamos também um grande desejo de nos reunirmos com Ele e os discípulos, para celebrarmos a instituição da Eucaristia nesta próxima 5ª Feira. Jesus deseja a nossa companhia, mas pede-nos que evitemos as nossas infidelidades (como Judas).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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