S. José, Esp. da V. Santa Maria

19 de Março de 2018

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o servo fiel e diligente, F. Silva, NRMS 89

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Louvemos e glorifiquemos a Santíssima Trindade pelo dom precioso de São José. A sua santidade revela um edifício humano belo e harmonioso onde Deus irradia de forma invulgar.

Um jovem de uma personalidade encantadora que nos lança desafios de maturidade humana, na entrega fundada numa vontade totalmente configurada com a vontade de Deus.

Um jovem de fé sem sombra de banalidade e protagonismo, que avança na entrega à vontade de Deus em cada momento, aderindo fielmente à graça e abandonando-se no compromisso eficaz, na simplicidade do quotidiano como bela expressão do projeto de Deus.

Um jovem que caminha passo-a-passo com Deus, podendo assim acompanhar Jesus- o Filho do Altíssimo- e a sua bela esposa Maria de Nazaré.

Um jovem, um Justo, um santo. Uma vida referencial e tão oportuna para os cristãos para a Igreja atual.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Um trono firme que também se apoia na pessoa e missão de São José.

 

2 Samuel 7, 4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1, 1; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30-31; 21, 9; 22, 42; Act 2, 30; 13, 22-23; Rom 1, 3; 2 Tim 2, 8; Apoc 5, 5; 22, 16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1, 1; Lc 1, 31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 «Naqueles dias», isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial    Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: Como São José exaltemos, louvemos e cantemos a bondade, a fidelidade, a aliança do Deus admirável.

 

Refrão:        A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Contemplemos São José como homem de fé, que se abandona à torrente de graça que por ele passa. E assume esmerada e fielmente a missão confiada.

 

Romanos 4, 13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. 22Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 83 (84), 5

 

Monição: “José, filho de David, não temas”. Este temor não é medo mas experiência vivida diante das grandes manifestações de Deus.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo se diz «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. Não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois, em face dos dados das suas fontes, nem sequer disso precisava. Maria nada teria revelado a José do mistério que nela se passava e José ao saber da gravidez de Maria, não a denuncia como adúltera; sendo um santo, «justo», não a condena, pois conhecia a santidade singular de Maria; não admite qualquer suspeita, mas pressente que está perante algo de sobrenatural e não quer intrometer-se num mistério que o ultrapassava. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. A sua delicadeza extrema levava-o a não pedir explicações a Maria. Ela também não falou de algo tão extraordinário, inaudito e incrível. Maria calava, sofria também, deixando nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: Julgando-se indigno de Maria, decide não se imiscuir num mistério que o transcende; «tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, quis deixá-la ocultamente... José tinha-se, por indigno...» (S. Bernardo). Zerwick pensa que o texto poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar-(te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus», exercendo assim para Ele a missão de pai». O Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqar’at referido a virgem, que é quem põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generaliza­ção, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (era ao pai que pertencia pôr o nome, não à mãe). Mateus não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Note-se que esta técnica de actualização (o deraxe) não é arbitrária, pois se baseia na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular da forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqar’at – «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqar’ata «e tu chamarás» (lembrar que em hebraico há formas diferentes para o masculino e feminino das 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás». Assim, S. João Crisóstomo parafraseia: «Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...» S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexívo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz» (em vez de: «quando Ela deu à luz»), uma afirmação que não significa necessariamente que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera (assim é também em Jo 9, 18).

 

 

Evangelho alternativo:

São Lucas 2, 41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas, em todos os passos da sua vida, actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou – «em Jerusalém» –, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento tanto o próprio como o dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)»?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

Beleza da pessoa de São José.

Maria testemunha a grandeza de São José.

Jesus: centro da vida e da missão de São José.

 

 

 

Homilia:

1-     Beleza da pessoa de São José.

A beleza da pessoa de São José transparece da palavra de Deus.

O jovem José, no seu silêncio, diz-nos imenso sobre a sua personalidade. Uma personalidade madura pela profunda e bela sintonia entre as dimensões humanas e as divinas. Dimensões humanas elevadas com a sua fé e a ação da graça de Deus.

A sensatez faz parte da sua vida, pensando e agindo de maneira ponderada assuntos densos e difíceis. Faz parte da sua maneira de ser, pois é pessoa discreta e não se coloca no centro, compreendendo onde se coloca o principal ou o centro da questão. Daí que seja o homem que tem noção dos acontecimentos e age com eficácia rodeada de alta dignidade.

Uma pessoa enamorada. Enamorado pela pessoa mais formosa, uma verdadeira Mulher bíblica.

Maria estava desde cedo no seu coração e no seu sonho de vida. Podemos imaginar quanta alegria a jovem Maria não lhe trazia. E bastava só pensar nela. Certamente que agradecia a Deus este dom precioso e único: Maria de Nazaré.

A sua grandeza brota diante do Mistério da Incarnação. Aqueles primeiros sinais de gravidez de Maria. O seu pensamento, a sua oração, o seu caminho em busca de uma resposta que enchesse o seu coração e não pusesse em causa a dignidade da Mulher grande e bela que tinha escolhido.

E esse tempo de espera até encontrar resposta permite descobrir que nunca se excede, nunca deixa de amar, nunca deixa de se abrir a Deus. Foram momentos da sua grandeza que Deus saboreou na beleza da doação de José, abandonado inteiramente a Deus e nunca deixando de amar, de confiar e de se entregar.

Mas no momento de Deus, por sonhos é revelado o Mistério que ele tenta compreender. A revelação dos sonhos do José do Antigo Testamento trouxe vida abundante, misericórdia, reconciliação e paz. Em São José o sonho que viveu trouxe o acolhimento do Deus da Vida, do Deus da misericórdia e da paz, o Filho do Altíssimo. E trouxe uma alegria indiscritível de saber que não precisaria de se afastar. É-lhe pedida esta missão: de acolher a Mãe de Deus e o Seu Filho: “pôr-Lhe-ás o nome de Jesus”. O nome é um elemento de identidade tão importante e logo com a força desse nome: Jesus. E significa o vínculo que São José terá com este dom precioso do Filho de Deus.

 

2-     Maria testemunha a grandeza de São José.

 

Quem mais eloquentemente nos fala e diz de São José é a sua esposa, Maria de Nazaré.

Maria estava enamorada de São José. Admirava n’Ele tudo. Admirava o seu amor a Deus, a sua docilidade, educação, inteligência, a sua simplicidade, a capacidade de trabalho e a maneira tão elegante como a tratava e cuidava. São José era o sonho da sua vida que Deus tinha colocado ao seu lado. Ela sabia que com ele seria feliz, com ele realizaria a vontade de Deus.

Mas tendo Deus manifestado surpreendentemente um projeto tão grande e belo, o da Incarnação, tendo respondido com a docilidade o seu sim, percebeu que José teria de responder com atitude semelhante quando e como Deus quisesse.

Certamente que Maria rezou por José. Mesmo nesses momentos, sempre dizendo sim a Deus, esteve em comunhão com José pela justiça devida, mas sobretudo para que ele compreendesse o momento de Deus, belo e exigente.

Este segredo já revelado pelo sinal da gravidez, numa total obediência e entrega a Deus, não quis ser Maria a falar. Sendo serva deixou que fosse o Senhor a revelar a José que esse sinal escondia a profecia: “ A virgem conceberá e dará á luz um filho. O seu nome será Emanuel”.

Ainda hoje, Maria nos apresenta São José, como modelo do crente, do discípulo obediente, que se entrega num total despojamento de si.

 

3-     Jesus: centro da vida e da missão de São José.

 

A vida e a missão de São José só tem sentido e compreensão no mistério do Verbo Incarnado, Jesus, o Filho de Deus.

A sua maneira de ser e de estar, a riqueza da sua personalidade, a frescura e profundidade da sua fé, a sua capacidade de entrega estão profundamente relacionadas com o Mistério de Jesus. Por isso ele é o “servo fiel e prudente”, “constituído chefe da sagrada família, para guardar com paterna solicitude o Filho Unigénito de Deus”.

José patriarca de genuína e profunda fé faz sua caminhada nas noites de abandono e de espera silenciosa de uma resposta, um sinal. Na noite sonhou e ouviu do Anjo convite a seguir avante amarrando na sua missão, sem medo e com amor.

A missão de cuidar de Jesus. Ele acolheu-O com alegria no ventre de Maria, assistiu ao seu nascimento, defendeu-O dos perigos, pôs-lhe o nome de Jesus, acolheu-O em sua casa, procurou-O e encontrou-O ao terceiro dia. Escutou Anjos, pastores, Simeão, Ana e tantos outros simples e anónimos que falaram sobre Jesus. Escutou Jesus. Ele viveu a experiência admirável de um contínuo e maravilhoso convívio dos anos da vida oculta de Jesus.

A missão de cuidar de Maria: “ Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo”. José amou sempre Maria com toda a frescura da sua entrega. Admirou-A, contemplou-A. Escutou-A. Amou-A intensamente. Para Jesus e Maria trabalhou, se sacrificou, se abandonou, se doou numa vida plena, sacrificada, discreta, silenciosa, profundamente bela e santa. Ele viveu uma experiência admirável e única com Maria e Jesus.

A missão de cuidar de nós. Sim porque cuidando de Maria e do Filho de Deus permitiu as maravilhas que todos celebramos e vivemos em Cristo Jesus. Por isso é colocado como Patrono da Igreja. A Igreja colocou a missa votiva de São José, todas as quartas feiras, quando possível. Os santos lhe dedicaram tanta devoção aprendendo com ele as mesmas atitudes e estilo de vida.

 

Oração Universal

Irmãs e irmãos:

Reunidos para celebrar as maravilhas que Deus realizou em São José, homem justo e humilde,

elevemos ao Pai do Céu as nossas súplicas,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Pai nosso, que estais nos céus, ouvi-nos.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela santa Igreja, dispersa por toda a terra,

para que anuncie a palavra de Deus com alegria

e dê fruto no coração dos seus fiéis,

oremos.

 

2. Pelos que exercem a autoridade neste mundo,

para que sejam humanos nas suas decisões

e pratiquem obras de justiça e de retidão,

oremos.

 

3. Pelos pais e mães de família,

para que a oração em família e os sacramentos

alimentem a sua fé e a de seus filhos,

oremos.

 

4. Pelos jovens dos nossos Seminários

e pelos que trabalham na sua formação,

para que os dons do Espírito Santo os iluminem,

oremos.

 

5. Pelos homens que ganham o pão com o seu trabalho,

para que os seus direitos sejam respeitados

e a sua dignidade humana reconhecida,

oremos.

 

6. Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que, por intercessão de São José,

tenhamos uma boa morte, na paz de Deus,

oremos.

 

Senhor, nosso Deus, velai por todos os filhos da Igreja,

para que, nas alegrias e provações desta vida,

descubram, como São José, a vossa vontade misteriosa

e colaborem na obra da redenção.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

dar-Vos graças, sempre e em toda a parte,

e exaltar, bendizer e proclamar a vossa bondade

na solenidade do bem-aventurado São José.

Homem justo, foi por Vós escolhido para Esposo da Mãe de Deus;

servo fiel e prudente,

foi constituído chefe da vossa família,

para guardar com paterna solicitude

o vosso Filho Unigénito,

concebido pelo poder do Espírito Santo,

Jesus Cristo, nosso Senhor.

Por Ele, numa só voz,

os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes

proclamam alegremente a vossa glória.

Permiti que nos associemos às suas vozes,

cantando humildemente o vosso louvor:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

São José é nosso modelo porque soube como ninguém acolher Maria e Jesus Cristo, filho de Deus. É modelo de toda a ternura no acolhimento, na comunhão constante e permanente com Jesus. Uma comunhão que o levava à vida, ao compromisso do quotidiano, a respostas pessoais exigentes, maduras e eficazes.

 

Cântico da Comunhão: Ó famintos de Pão divino, J. Santos, NRMS 89

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Os justos viverão eternamente, M. Faria, NRMS 36

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus quer contar connosco como contou com São José: numa fidelidade a toda a prova; numa maturidade humana que ilumina todos os ambientes do quotidiano; no compromisso responsável, sábio, prudente e eficaz; na vivência e proclamação do Evangelho de Jesus Cristo.

Ele o homem simples, o carpinteiro de Nazaré, nos ajude a descobrir os pobres e os simples; a dignidade que nasce com cada pessoa; o Deus da vida, da ternura e da misericórdia; a vivermos só para Deus e para os outros, independentemente dos títulos, das aparências e dos círculos de poder e interesse.

Ele nos ensine a Amar a Jesus e a Maria com a santidade da nossa vida quotidiana.

 

Cântico final: Outrora S. José, M. Faria, NRMS 5 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

3ª Feira, 20-III: Olhar para o crucifixo.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente é uma prefigura da Cruz de Cristo no Calvário. Já no Antigo Testamento Deus ordenou a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação como, por exemplo, a serpente de bronze (Leit.).

É muito útil andarmos acompanhados por um crucifixo. Assim, ao aparecer alguma dificuldade ou cansaço, poderemos olhar para o crucifixo e pensar que pequeno é o nosso sofrimento comparado com o dEle, ou pedirmos forças para continuar a nossa tarefa, ou unir-nos à paixão de Cristo, oferecendo os nossos sofrimentos pela salvação das almas.

 

4ª Feira, 21-III: A Verdade que liberta.

Dan 3, 14-20 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nEle.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens foram salvos e libertados pela sua confiança em Deus, que é a Verdade (Leit.)

Jesus recorda-nos igualmente que é a «Verdade que vos libertará» (Ev.), e que Ele levou a cabo pela sua Paixão. Pela sua morte na Cruz, obteve a salvação de todos. Resgatou-nos do pecado, que nos mantinha na situação de escravatura. Ao libertar-nos desta, ficámos livres. Chegaremos ao conhecimento da Verdade, contida nos ensinamentos de Jesus e que encontraremos na leitura dos Evangelhos.

 

5ª Feira, 22-III: Fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Esta é a minha Aliança contigo: serás pai de um grande número de nações.

Deus estabelece uma Aliança com Abraão, que será válida para os seus descendentes (Leit.). Ele confiou em Deus e venceu todas as provações, tornando-se um exemplo de fidelidade. Se nós confiarmos igualmente na palavra de Deus, seremos salvos: «se alguém guardar a minha palavra, nunca mais verá a morte» (Ev.).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. Quando se actualiza o sacrifício da Cruz na Santa Missa, é o momento adequado para reiterarmos a nossa fidelidade aos compromissos do Baptismo.

 

6ª Feira, 23-III: A vitória obtida na Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 19, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (Leit.) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. No entanto, os judeus querem matá-lo, apedrejando-o (Ev.).

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos de esperança, porque Cristo venceu e nada temos a temer, porque a derrota já está consumada. Esta vitória foi alcançada na Cruz e, de uma vez para sempre, no momento em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida. A nossa vida será um combate, mas temos a oração e a Cruz como recursos.

 

Sábado, 24-III: Meios para conseguir a unidade.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte. Farei deles um só povo.

Segundo esta profecia, Deus promete reunir os filhos de Israel, dispersos por todo o mundo. E Caifás afirma que esta unidade será um dos frutos da morte de Cristo (Ev.). Mas é mais do que isso: é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão de diferentes línguas.

A oração do Pai-nosso ajudará a unidade: «Rezar o Pai-nosso é orar com e por todos os homens que ainda não O conhecem, para que sejam reunidos na unidade (Ev.)» (CIC, 2739). Esta unidade é indispensável para que a Igreja seja um sinal visível para toda a humanidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial