5.º Domingo dA QUARESMA

18 de Março de 2018

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia deste V Domingo da Quaresma ensina-nos que a nossa fé em Jesus supera a morte. É necessário que o grão de trigo morra para que dê fruto. É necessário perder a vida passageira para ganhar a vida eterna. Jesus, obediente a Seu eterno Pai, aceitou a morte, por isso, agora vive eternamente como Sumo-Sacerdote da Nova Aliança: “N’Ele temos a redenção pelo seu sangue.”

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ao longo da História da Salvação, Deus foi concluindo várias alianças com o Povo de Israel. Agora, através do profeta Jeremias anuncia uma aliança nova e definitiva: «Estabelecerei uma aliança nova e não mais recordarei os seus pecados.»

 

Jeremias 31, 31-34

 

31Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. 32Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. 33Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.

 

O nosso texto insere-se num conjunto de anúncios de restauração, tanto política como religiosa, o chamado Livro da Consolação de Jeremias (Jer 30, 1 – 33, 26). Os versículos da leitura são fulcrais na obra do profeta de Anatot: os seus apelos para «uma aliança nova» são considerados como o pivot da reforma religiosa do piedoso rei Josias, por isso se pensa que foi pronunciado logo no início da sua actuação como profeta. Este oráculo, tem uma importância central na Teologia do Novo Testamento, como uma das grandes profecias messiânicas. O povo de Israel tinha violado a aliança, não observando a Lei de Deus que no Sinai solenemente se comprometera a observar (Ex 24), por isso Deus já não estava, por assim dizer, obrigado a proteger este povo que se negava a ser de Yahwéh. Mas Ele não volta atrás no seu amor misericordioso, e anuncia que vai oferecer aos homens uma aliança «nova», isto é, definitiva, interior, pois gravada «no íntimo da alma… no coração» (v. 33) e que estabelece uma nova relação afectiva, de sincero e fiel amor, como o amor perfeito entre os esposos: «Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 33; cf Os 2, 21-22.25). Esta aliança de amor teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo que selou a nova, definitiva e universal aliança com o seu próprio sangue (Hebr 9, 12; Lc 22, 20), tornando antiquada a aliança do Sinai (Hebr 8, 6-13).

34 «Vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas». Trata-se de uma aliança que, além de nova, é renovadora, pois implica «a remissão dos pecados» (cf. Mt 26, 28). A Liturgia, ao propor este texto em pleno tempo da Quaresma, presta-se a lembrar-nos o perdão que Deus concede no Sacramento da Reconciliação.

 

Salmo Responsorial    Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15 (R. 12a)

 

Monição: Este salmo penitencial corresponde à história de David e também à de todo o povo de Israel. O salmista pede perdão pelas infidelidades do rei e de todo o povo. Podemos rezar este salmo como súplica individual a Deus, porque reconhecemos que somos pecadores; em nome da Igreja, Povo Santo mas sempre necessitado de purificação; e em nome de toda a humanidade, onde não cessam de aumentar a corrupção, a violência e “o sangue derramado.” Em comunhão com a Igreja, santa e pecadora, e com toda a humanidade, onde existem o bem e o mal, peçamos misericórdia para as nossas faltas. (Saltério Litúrgico, p 201)

 

 

Refrão:        Dai-me, Senhor, um coração puro.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos

e os transviados hão-de voltar para Vós.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Aprendeu a obediência e tornou-se causa de salvação eterna.» 

A Aliança anunciada pelo profeta Jeremias, veio a realizar-se por Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens. Jesus Cristo, Filho de Deus e irmão de todos os homens, estabeleceu a comunhão perfeita entre Deus e a humanidade.

 

Hebreus 5, 7-9

 

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre sermão, que é esta epístola (Hebr 4, 14 – 7, 28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22, 43. «Com um grande clamor e lágrimas»: os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23, 46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão.

«Foi atendido», em quê? É difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido». Limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7, 24; 10, 10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, pois, se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5, 19 e Filp 2, 8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «tendo chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 12, 26

 

Monição: «Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morrer, produz muito fruto."  Aceitando a morte, em filial e amorosa obediência ao Pai, Jesus «deu-nos a vida com abundância». Só morrendo é que a semente dá origem a uma vida nova, revelando assim a sua maravilhosa fecundidade. Graças à Sua morte redentora, toda a humanidade recebeu os benefícios da salvação.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Se alguém Me quiser servir, que Me siga, diz o Senhor,

e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo.

 

 

Evangelho

 

São João 12, 20-33

 

Naquele tempo, 20alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, 21foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». 22Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. 25Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. 27Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». 29A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». 30Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. 31Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. 32E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». 33Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

 

Estamos na parte final da 1ª parte do IV Evangelho, do chamado «livro dos sinais». Ouvem-se os últimos apelos de Jesus à fé, mas a multidão permanece dividida (v. 29), e a sua entrega à morte está iminente (vv. 31-33).

20 «Gregos»: não deveriam ser judeus de língua grega, nem prosélitos, mas simples tementes a Deus ou adoradores de Deus, isto é, uns gentios convertidos ao único Deus de Israel, sem no entanto se sujeitarem aos ritos judaicos como o da circuncisão (cf. Act 10, 2; 13, 16.26.50; 16, 14; 17, 4.17; 18, 7).

21-22 «Filipe… André». Filipe é nome grego, bem como o de André, o que ajuda a explicar a mediação de ambos para um encontro com Jesus, pessoas mais acessíveis e compreensíveis para com os estrangeiros. Filipe, tendo em conta que Jesus só se dirigia aos judeus (cf. Mt 15, 24; Mc 7, 27), teve a prudência de tratar do assunto com o conselho de André. «Betsaida» não era rigorosamente da Galileia, mas da Gaulonítide, tetrarquia de Filipe, ficando a oriente da entrada do Jordão no lago de Genesaré. Alguns, para evitar que S. João pudesse ser acusado dum indesculpável erro geográfico, imaginam uma outra Betsaida ocidental. O mais natural é que os habitantes judeus de Betsaida se considerassem galileus, como o próprio Apóstolo Filipe, dando assim lugar a que se pudesse falar, impropriamente, de Betsaida da Galileia.

23-26 A «hora» da «glória» não é de modo nenhum a da glória humana, como poderia ser a da entrada triunfal em Jerusalém, mas a hora de dar a vida, de morrer para dar fruto; e, para o seguidor de Cristo, também já não lhe resta outra alternativa (cf. Jo 15, 18-20). O sentido da morte de Jesus fica esclarecido com a comparação do «grão de trigo», que deve morrer para dar fruto; nisto está a sua glória e a glória dos seus seguidores. «Desprezar a vida», à letra, odiar:  de acordo com o uso semítico, odiar em oposição a amar, significa não dar grande valor ou amar menos (cf. Gn 29,31-33; Dt 21,15; Mt 6,24; Lc 14,26; 16,13).

27-28 «A minha alma está perturbada… Pai, salva-me…». Esta passagem faz pensar na agonia do Getxemaní relatada nos Sinópticos e a que S. João mal alude (18, 11), a fim de que o leitor não se fixe em tão grande humilhação do Senhor no momento em que Ele avança para a glória da Cruz. Tenha-se na devida conta que em S. João glorificar tem frequentemente um sentido «manifestativo» (cf. 17,1-6.24-26), e o nome equivale à pessoa, por isso «glorifica o teu nome» equivale a manifesta a tua glória. A voz vinda do Céu era um grande motivo de credibilidade na época, a chamada bat-qol; esta ilumina com o sentido optimista da fé a Paixão e Morte do Senhor.

30-31 «Agora, vai chegar a «hora» de Jesus, a hora da glória, que é ao mesmo tempo de vida e salvação e, simultaneamente, de julgamento e condenação (cf. Jo 16, 11). Ao terminar a primeira parte do Evangelho, esta alternativa, a que não se pode fugir, é posta em relevo (vv. 35-36.45-48): ninguém pode ficar na penumbra; tem de optar entre a Luz e as trevas. Mundo aqui identifica-se com os que rejeitam a fé e se situam no domínio tenebroso de Satanás (cf. Lc 4, 5-6).

32 «Erguido da terra, no sentido físico – na Cruz – encerra um segundo sentido espiritual de exaltação e glória, que S. João quer acentuar (cf. Jo 3, 14; 8, 28; 18, 32). Há manuscritos que têm atrairei tudo, em vez de todos: Jesus crucificado exerce um poderoso atractivo sobre todas as almas sinceras, provocando uma resposta de amor incondicional, até que Ele venha a tornar-se o centro de tudo, de todas as actividades humanas e de todo o universo criado por Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

“Senhor, nós queremos ver Jesus»

“Quando Eu for elevado da terra, atrairei tudo a Mim.”

Para a festa da Páscoa tinham vindo à cidade santa alguns Gregos, tementes a Deus, que vinham para adorar o Deus de Israel. Foram ao encontro de Filipe. Por sua vez, Filipe foi ter com André. Os dois Apóstolos, com nomes gregos, servem como que de intérpretes junto de Jesus. A resposta do Senhor à sua pergunta parece um pouco enigmática. Jesus diz que tinha chegado a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Depois acrescentou: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto" (12, 23-24).

Estas palavras revelam o segredo da vida de Jesus. Compreendemos que “não há triunfo se não houver batalha. Não há ressurreição sem haver a morte” (Hino IV Laudes, Tempo Pascal). Jesus afirmou: “Saí do Pai e vim ao mundo agora deixo mundo e volto para o Pai” (Jo 16,28). Sabemos que Jesus “desejou ardentemente esta passagem (Páscoa) deste mundo para o Pai” (Luc 22,15). “Pai chegou a hora” (Jo 12,24) A hora de Jesus corresponde ao tempo da sua Paixão, morte e Ressurreição. Jesus será glorificado. Aproximam-se os dias solenes da paixão salvadora e da ressurreição gloriosa. A Páscoa de Jesus é a nossa redenção. Será uma Páscoa dolorosa e humilhante até à morte de cruz. Mas as trevas da Paixão serão dissipadas pela aurora da Ressurreição. Jesus tinha vindo para “morrer não só pela Nação judaica, mas também para reunir os filhos de Deus que andavam dispersos” (Jo 11,14). Havia um preço a pagar: “Era necessário que o Messias sofresse tudo isso para entrar na Sua glória” (Luc 24,26). Para atrair a Si todos os homens, Jesus deveria ser levantado da terra. Moisés elevou num poste uma serpente de bronze e pediu ao povo que olhasse para ela, para ser curado da mordedura das serpentes venenosas. Jesus aplica a si mesmo essa página do livro dos Números: “Assim como Moisés elevou a serpente no deserto também o Filho do Homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna” (Jo 3, 14). 

São João Paulo II explicou: “Ao falar assim, foi com se dissesse: o encontro entre mim e os Gregos terá lugar, mas não como simples diálogo, estimulado pela curiosidade. Com a minha morte, comparável à queda na terra de um grão de trigo, chagará a hora da minha glorificação. A minha morte na cruz originará grande fecundidade. O encontro com o mundo grego, realizar-se-á naquela profundidade à qual faz alusão a morte do grão de trigo que atrai para si as forças da terra e do céu e se torna Pão vivo. O sepulcro é a última etapa deste morrer de Cristo ao longo de toda a sua vida terrena; é sinal do seu supremo sacrifício por nós e pela nossa salvação. Bem depressa, este sepulcro tornar-se-á o primeiro anúncio de louvor e exaltação do Filho de Deus na glória do Pai. Creio em Jesus que foi crucificado, morto e sepultado, mas ao terceiro dia ressuscitou dos mortos”. (Via-Sacra do Vaticano-2000)

Estes estrangeiros querem ver Jesus. Eles representam a humanidade inteira atraída por Jesus. Os habitantes de Jerusalém, ouvindo contar o milagre da ressurreição de Lázaro, em Betânia, vieram ao Seu encontro, manifestando grande alegria e muito entusiasmo. Jesus fez a Sua entrada triunfal na cidade santa. O significado deste dia não será entendido senão à luz da verdadeira glorificação. A glória de Jesus não é terrena. Jesus entrará na Sua glória depois da humilhação e da morte. O Evangelho de hoje vem logo a seguir à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O sucesso popular leva os fariseus a dizerem uns aos outros: “Toda a gente segue Jesus”, incluindo os estrangeiros gregos.

 

“Quando Eu for elevado da terra, atrairei tudo a Mim.”

 

Na sua Infância Jesus manifestou-se aos Pastores e aos Magos, aos homens simples e aos homens sábios. Escreveu S. Leão Magno: “Entrem todos os povos e recebam a bênção da descendência de Abraão, representados pelos três Magos. Adorem todos os povos o Autor do Universo e Deus seja conhecido em toda a Terra.” Ao terminar a Sua Vida terrena, Jesus pode antever a universalidade da sua obra redentora. Os gregos são um exemplo da entrada na Igreja das pessoas vindas de toda terra. Por outras palavras, Jesus profetiza a Igreja dos gregos, a Igreja dos pagãos, a Igreja espalhada por todo o mundo como fruto da sua Páscoa.  Jesus diz-nos que morre para nos oferecer a vida com abundância. A Sua morte será fecunda, produzindo muito fruto, atraindo a si todos os homens: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei tudo a Mim” (J 12, 32) Esta é a resposta de Jesus ao pedido dos gregos, ao desejo de todos os que O procuram com fé e sinceridade de coração. (cf Noel Quesson, Parole de Dieu pour chaque Dimanche)

 “Dirijamos hoje para Jesus Cristo os nossos olhares muitas vezes distraídos pelos efémeros interesses terrenos; detenhamo-nos a contemplar a sua Cruz. A Cruz é fonte de vida imortal, é escola de justiça e de paz, é património universal de perdão e de misericórdia; é prova permanente de um amor infinito que levou Deus a fazer-se homem vulnerável como nós, até morrer crucificado. Os seus braços pregados abrem-se para cada ser humano e convidam-nos a aproximar-nos d’Ele na certeza de que nos acolhe e nos estreita num abraço de ternura infinita: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12, 32). (Papa Emérito Bento XVI)

 

Fala o Santo Padre

 

«A quantos hoje “querem ver Jesus”, a quantos estão à procura do rosto de Deus; a todas estas pessoas podemos oferecer três coisas: o Evangelho; o crucifixo e o testemunho da nossa fé, pobre, mas sincera.»

Neste Quinto Domingo de Quaresma, o evangelista João chama a nossa atenção com um pormenor curioso: alguns «gregos», de religião hebraica, vindos de Jerusalém para a festa da Páscoa, dirigem-se ao apóstolo Filipe, dizendo-lhe: «Senhor, queremos ver Jesus» (Jo 12, 21). Na cidade santa, onde Jesus foi pela última vez, há muitas pessoas. Estão presentes os pequeninos e os simples, que acolheram alegremente o profeta de Nazaré reconhecendo Nele o Enviado do Senhor. Estão presentes os sumos sacerdotes e os chefes do povo, que o querem eliminar porque o consideram herético e perigoso. Há também muitas pessoas, como por exemplo aqueles «gregos», que estão curiosos para o ver e saber mais sobre a sua pessoa e as obras cumpridas por Ele, a última dos quais — a ressurreição de Lázaro — causou grande alarido.

«Queremos ver Jesus»: estas palavras, como muitas outras nos Evangelhos, vão para além do episódio particular e exprimem algo universal; revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de muitas pessoas que ouviram falar de Jesus, mas ainda não o encontraram. «Eu desejo ver Jesus», assim sente o coração desta Gente.

Respondendo indirectamente, de maneira profética, àquele pedido de o poder ver, Jesus pronuncia uma profecia que desvela a sua identidade e indica o caminho para o conhecer verdadeiramente: «É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado» (Jo 12, 23). Chegou a hora da Cruz! Chegou a hora da derrota de Satanás, príncipe do mal, e do triunfo definitivo do amor misericordioso de Deus. Cristo declara que será «levantado da terra» (32), uma expressão que tem um duplo significado: «levantado» porque crucificado, e «levantado» porque exaltado pelo Pai na Ressurreição, para atrair todos a si e reconciliar os homens com Deus e entre eles. A hora da cruz, a mais obscura da história, é também a fonte da salvação para quantos acreditam Nele.

Prosseguindo a profecia sobre a sua Páscoa já iminente, Jesus usa uma imagem simples e sugestiva, a do «grão de trigo» que, ao cair na terra, morre para produzir fruto (cf. 24). Nesta imagem encontramos outro aspecto da Cruz de Cristo: o da fecundidade. A cruz de Cristo é fecunda. Com efeito, a morte de Jesus é uma fonte inesgotável de vida nova, porque traz em si a força regeneradora do amor de Deus. Imergidos neste amor pelo Baptismo, os cristãos podem tornar-se «grãos de trigo» e dar muito fruto se, como Jesus, «perderem a própria vida» por amor de Deus e dos irmão (cf. 25).

Por esta razão, a quantos hoje «querem ver Jesus», a quantos estão à procura do rosto de Deus; a quem recebeu uma catequese quando era pequeno e depois não a aprofundou e talvez perdeu a fé; aos numerosos que ainda não encontraram Jesus pessoalmente...; a todas estas pessoas podemos oferecer três coisas: o Evangelho; o crucifixo e o testemunho da nossa fé, pobre, mas sincera. O Evangelho: ali podemos encontrar Jesus, ouvi-lo, conhecê-lo. O crucifixo: sinal do amor de Jesus que se entregou a si mesmo por nós. E também uma fé que se traduz em gestos simples de caridade fraterna. Mas principalmente na coerência de vida entre o que dizemos e o que vivemos, coerência entre a nossa fé e a nossa vida, entre as nossas palavras e as nossas acções. Evangelho, crucifixo, testemunho. Que Nossa Senhora nos ajude a carregar estas três coisas.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de Março de 2015

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Oremos a Deus, nosso Pai,

que gravou a sua lei no íntimo dos corações,

e peçamos-Lhe a graça de O conhecer sempre melhor,

rezando:  Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, as nossas súplicas.

Ou: Senhor, tende piedade de nós.

 

1. Pelos bispos, presbíteros, diáconos e catequistas,

para que falem aos homens do amor que Deus lhes tem 

e da esperança pascal que o seu Filho trouxe ao mundo, oremos.

 

2. Por todos os povos da terra,

para que vivam em paz e se desenvolvam,

na justiça, no respeito e na compreensão mútua, oremos.

 

3. Por todos aqueles que desejam ver Jesus,

 para que os cristãos os levem até Ele

pela forma como vivem o Evangelho, oremos.

 

4. Pelos que trabalham e se cansam pelos outros,

 para que recordem sempre que o grão lançado à terra,

morrendo, produz fruto abundante, oremos.

 

5. Pelos fiéis da nossa comunidade,

para que sigam a Cristo e O sirvam nos mais pobres,

nos doentes e nos que sofrem, oremos. 

 

 Deus, nosso Pai,

 escutai aqueles por quem o vosso Filho

aceitou cair na terra e morrer e fazei brotar em nossos corações

o desejo de seguirmos os seus passos

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho

 

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Escutai a minha prece, A. Cartageno, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O triunfo da Paixão

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

 é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças,

sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Aproximam-se os dias solenes da paixão salvadora e da ressurreição gloriosa,

 em que é vencida a iniquidade da antiga serpente

 e se renova o mistério da nossa redenção.

 Por isso, com a multidão dos Anjos que adoram a vossa majestade 

e se alegram eternamente na vossa presença, proclamamos na terra a vossa glória, 

cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo. 

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

«Nós queremos ver Jesus» (Jo. 12, 21).

Com estas palavras os gregos fazem-se porta-voz de toda a humanidade, evidenciando o valor universal da salvação oferecida por Jesus Cristo. Nós queremos ver Jesus! É o grito que a humanidade dirige ainda hoje aos discípulos de Cristo, pedindo-lhes que mostrem na vida e nas obras o rosto do divino Mestre”. (São João Paulo II)

Nesta Comunhão podemos rezar com as palavras da Oração final da Missa de hoje: “Pai Santo, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Jesus Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue.” (Missal, Oração depois da Comunhão)

 

Cântico da Comunhão: Amai como Eu vos amei, J. Santos, NRMS 87

Jo 12, 24-25

Antífona da comunhão: Em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará fruto abundante,

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Santa Teresinha

“A Paixão de Jesus Cristo deve ser completada com o nosso sofrimento. Vejo que só o sofrimento pode gerar as almas, e que mais do que nunca, essas sublimes palavras de Jesus me revelam sua profundeza: Se o grão de trigo, lançado na terra, não morrer fica só, mas se morrer dá muito fruto.” (Manuscrito A 81).

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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