4.º Domingo dA QUARESMA

11 de Março de 2018

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. Silva, NRMS 90-91

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Qualquer pretexto nos serve para começarmos a duvidar do Amor infinito com que Deus nos ama: uma oração de petição ainda não atendida, alguma coisa que nos desagrada, como uma doença ou uma contradição; o simples facto de não vermos o Seu rosto.

Aceitar que Deus nos ama infinitamente é um acto de fé que devemos fazer. Toda a nossa relação com Ele fundamenta-se na verdade de que somos filhos de Deus a caminho da eternidade feliz. Isto não é uma lenda: é uma verdade que não admite dúvidas.

Neste 4.º Domingo da Quaresma, o Senhor quer que fundamentemos todo o nosso desejo de conversão — seja qual for a nossa vida — nesta certeza que nos dá a fé: Deus amam-nos e não desiste de nos amar, aconteça o que acontecer!

 

Acto penitencial

 

As nossas dúvidas indelicadas de que Deus nos ama ofendem-n’O. Qualquer um de nós sentir-se-ia profundamente magoado se a pessoa a quem ama — a esposa ou marido; a noiva ou o noivo; os pais em relação aos filhos ou vice-versa — pusesse em dúvida a amizade.

Peçamos humildemente perdão pelas nossas dúvidas e hesitações e renovemos a nossa confiança no Amor de Deus a cada um de nós.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Pensamos que sois como nós, com dificuldade em perdoar,

    e mantemo-nos receosos, em vez de Vos pedirmos perdão com humildade.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Ficamos indiferentes perante os que vivem afastados da salvação

    e nunca tentamos ajudá-los a procurar o Vosso Coração misericordioso.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Cada um de nós também sente a dificuldade em perdoar

    e não imitamos a maravilha da Vossa misericórdia sempre disponível.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Segundo Livro das Crónicas descreve-nos o itinerário infeliz dos Hebreus que os levou ao Cativeiro da Babilónia. Depois de setenta anos longe da Pátria, o Senhor suscitou Ciro que não só lhes facultou o regresso, mas ajudou-os na reconstrução de Jerusalém e do Templo.

Nesta vida, Deus não castiga. Permite situações que nos ajudam a cair em nós e a regressar ao Seu Amor de Pai.

 

 

2 Crónicas 36, 14-16.19-23

 

Naqueles dias, 14odos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. 15O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. 16Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. 19Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. 20O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. 21Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». 22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 23«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».

 

Esta leitura, extraída do final das Crónicas, é grandemente apropriada ao tempo da Quaresma. Com efeito, os livros dos Paralipómenos («coisas omitidas», na designação dos LXX), ou Crónicas (título hebraico), são uma recapitulação de toda a história da Salvação desde Adão até ao edito de Ciro, em particular da dinastia davídica e da organização do culto. S. Jerónimo chamou-lhes «Chronicon totius divinæ historiæ». Esta recapitulação tem por fim fazer tomar consciência ao povo de que as promessas divinas não caíram no esquecimento de Deus e que as desgraças que se abateram sobre o povo não eram definitivas, mas o justo castigo pela infidelidade dos reis e do povo (vv. 14-16). Assim, o autor (talvez um levita) incitava a gente à conversão, a condição indispensável para de novo se beneficiar do favor divino. A reconstrução do templo favorecida pelo próprio Ciro era um grande sinal de esperança, a garantia de que, a seu tempo, viria o esperado «rebento de David», pois a sua linhagem não tinha sido destruída com o exílio, e ela ali estava no meio deles (1 Cr 3, 17-24).

Esta recapitulação provoca-nos hoje a também nós fazermos uma revisão da nossa vida e das nossas infidelidades, à luz do «grande amor que Deus nos consagrou». (2.ª leitura) a ponto de que por nós «entregou o seu Filho único» à morte e morte de cruz (Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial    Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a)

 

Monição: O salmo de meditação que a Liturgia da Igreja nos convida a cantar é uma lembrança dolorosa dos sofrimentos padecidos pelos Hebreus no exílio de Babilónia.

Ao recordá-lo, imploramos também a misericórdia do Senhor para os nossos descaminhos, nesta peregrinação que nos levará — assim esperamos do Senhor — da terra ao Céu.

 

Refrão:        Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém,

                     fique presa a minha língua.

 

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,

com saudades de Sião.

Nos salgueiros das suas margens,

dependurámos nossas harpas.

 

Aqueles que nos levaram cativos

queriam ouvir os nossos cânticos

e os nossos opressores uma canção de alegria:

«Cantai-nos um cântico de Sião».

 

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor

em terra estrangeira?

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,

esquecida fique a minha mão direita.

 

Apegue-se-me a língua ao paladar,

se não me lembrar de ti,

se não fizer de Jerusalém

a maior das minhas alegrias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta à Igreja de Éfeso, ensina-nos que Deus nos ama com um amor total, incondicional e desmedido.

É este amor que nos levanta da nossa condição de finitude e debilidade e que nos oferece este mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim que nos está prometido no fim da nossa caminhada na terra.

 

Efésios 2, 4-10

 

Irmãos: 4Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, 5a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com 6Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus, 7para mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Cristo Jesus. 8De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. 9A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. 10Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

 

A leitura é extraída da primeira parte do ensino doutrinal da Carta (capítulos 1 a 3), em que o autor se detém a expor o plano divino da salvação (1,3 – 2, 22). Nestes vv. 4-10, o autor sagrado põe em evidência «a grande caridade com que nos amou» Deus: a salvação deve-se pura e exclusivamente ao dom gratuito de Deus, por isso insiste «é pela graça que fostes salvos» (v.5), «a salvação não vem de vós, é dom de Deus» (v. 9). Nunca é demais insistir no primado absoluto da graça divina (cf. Carta Apostólica Novo millennio inneunte, nº 38).

5-6 A obra da salvação inclui a Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, mistérios dos quais participamos, ao sermos «criados em Cristo Jesus» (v. 10) como membros seus (alusão ao Baptismo: cf. Rom 6); daí os três aoristos de verbos gregos do texto original compostos da preposição «com» (syn): «con-vivificou-nos» («restituiu-nos à vida com Cristo»), «con-ressuscitou-nos» («com Ele nos ressuscitou»), «con-sentou-nos» («nos fez sentar nos Céus com Cristo»), dificilmente traduzíveis em vernáculo.

8-10 «As boas obras… como caminho que devemos seguir»: A salvação não procede das nossas obras nem dos nossos esforços, mas são um caminho indispensável a seguir para que com elas corresponder livremente à graça de Deus. E as nossas boas obras são, antes de mais, obras de Deus, da sua graça que actua em nós.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: Deus ama-nos e não se cansa de nos manifestar o Seu Amor. No Evangelho que vai ser proclamado renova, mais uma vez, o ensino desta verdade.

Aclamemos com alegria o Evangelho que nos manifesta as maravilhas do amor de Deus por cada um de nós.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito:

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 14-21

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14«Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. 19E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. 20Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. 21Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

 

Estamos no contexto do discurso (dialogado) de Jesus a Nicodemos (Jo 3, 1-21). As palavras de Jesus foram tão profundamente meditadas que não se pode distinguir onde acabam as palavras de Jesus e onde começa a reflexão do evangelista.

14 «A serpente no deserto». Desde os primeiros tempos da Igreja que a serpente de bronze erguida na haste (Nm 21, 4-9) foi considerada, a partir destas palavras de Jesus, como o «tipo», ou figura, da morte de Cristo na Cruz (Pseudo-Barnabé, 12, 5-7; S. Justino, Apol. I, 60; Dial. 91; 94; 112. Tertuliano, Adv. Marc. 3, 18). A serpente de bronze, que se diz que era venerada em Jerusalém, foi destruída por Ezequias (2 Re 18, 4), para evitar o perigo de idolatria. Note-se como o livro da Sabedoria (16, 6-7) sublinha que a serpente não era mais do que um «sinal de salvação», que salvava «não porque se contemplava», mas pela virtude de Deus, «Salvador Universal»: salvava através da fé em Deus. Também para que Cristo nos salve com a sua Morte é indispensável acreditar: Ter a fé vem a ser a condição de nos ser aplicado o efeito salvífico da Redenção realizada. «Também o Filho do Homem será elevado», na Cruz, entenda-se. S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é então que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. Jo 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (Jo 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9; Sb 16,5-15 e o Targum (tradução aramaica), que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus amou tanto o mundo…» Esta frase é um dos pontos culminantes de todo o Evangelho: a morte de Cristo é a suprema manifestação do amor que Deus nos tem; aqui o mundo aparece no sentido positivo de criatura de Deus, noutros lugares de S. João tem o sentido oposto, como obra do maligno (cf. 1 Jo 5, 19).

17-21 «Deus não enviou o Filho… para condenar o mundo…». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o «Salvador do mundo» (Jo 4, 42). Se há quem se condene, isto só pode suceder porque esse se coloca numa situação de condenação, ao rejeitar o Único que pode salvar: «porque não acreditou no Nome (isto é, na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus». Esta é uma situação verdadeiramente dramática – crítica (krisis=juízo) –, bem posta em evidência no IV Evangelho: «quem não acredita já está condenado» (v. 18): o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o homem não se pode alhear, à espera do que possa vir a acontecer-lhe, mas a pessoa é colocada perante um dilema inevitável e urgente; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (ver vv. 36; 5, 24; 12, 31).

 

Sugestões para a homilia

 

• O pecado, incompatível com o amor de Deus

O pecado afasta-nos de Deus

O pecado atrai sobre nós a infelicidade

Deus oferece-nos uma nova possibilidade

• A Salvação vem do Senhor

Deus pagou um preço elevado pelo nosso resgate

Ele ama-nos e quer salvar-nos

Deus, rico em misericórdia

 

1. O pecado, incompatível com o  amor de Deus

 

a) O pecado afasta-nos de Deus. «Naqueles dias, todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém

No Segundo Livro das Crónicas narra-se o afastamento do Povo de Deus dos caminhos do Senhor.

Deus mandou-lhe profetas que os chamavam sem cessar à conversão, à emenda de vida; mas eles não só taparam os ouvidos, como se riram e perseguiram e mataram os profetas, para ouvirem as suas admoestações.

As pessoas são propensas a falar de um Deus que castiga impiedosamente, insensível às dores, quando as pessoas se afastam dos Seus caminhos.

A verdade é bem diferente. Ele não castiga. Somos nós que nos metemos na infelicidade e na dor. Não foi o pai do filho pródigo que condenou o filho à vergonha duma vida imoral e a passar fome. Ele é que se lançou teimosamente nessa vida, com desgosto profundo do pai.

Quando um filho se mete pelos caminhos da toxicodependência ou por outros que o destroem, os pais fazem todo o esforço para o libertar da ruína. A teimosia do filho, que se afunda cada vez mais, dar-nos-ia direito de culpar os pais pela desgraça do filho?

Acontece sempre assim quando nos afastamos de Deus. Não queremos aceitar o jugo da Sua lei — suave e leve — e acabamos por nos meter em caminhos de escravidão.

Há também pessoas que pretendem ser amigas e Deus, mas vivem no meio de todos os desmandos e pecados, como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra. Não se pode amar a Deus, sem cumprir os Mandamentos. «Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra. Meu Pai amá-lo-á e nós viremos a ele(S. João)

O pecado dá origem a uma vida que se degrada cada vez mais. A pessoa que por ele se deixa aprisionar vai perdendo de cada vez mais a sua liberdade até se transformar num farrapo humano.

Pode mesmo chegar o momento em que uma pessoa já não é capaz de recuperar a sua liberdade sem ser ajudada.

 

b) O pecado atrai sobre nós a infelicidade. «Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém. Lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; [...].»

O Livro das Crónicas conta-nos uma facto histórico. Na verdade, o Povo de Deus começou a voltar-se para os falsos deuses, cometeu as maiores abominações.

Como se afastou voluntariamente de Deus, não pôde contar com a Sua protecção, como o filho pequeno que se afasta para longe do pai, quando surge um perigo, não pode contar com a sua ajuda.

Deus espera que nos voltemos para Ele voluntariamente, porque tem um respeito infinito pela nossa liberdade. Sem ela não põe haver merecimento, e Ele estabeleceu que  quiséssemos voluntária e livremente a comunhão com Ele, nesta vida e na eternidade.

Mas oferece-nos continuamente a Sua ajuda e anima-nos a aceitá-la, ao mesmo tempo que está atento ao mais pequeno sinal de mudança da nossa parte, para correr em nossa ajuda.

Que são essas inspirações interiores, esses desejos de emenda de vida que despertam em nós, Senão outros tantos sinais de que Deus nos chama á reconciliação com Ele?  

Nesta vida, nada tem o sinal de castigo e abandono de Deus. Ele nunca desiste de nos tornar felizes, enquanto houver em nós uma réstia de vida.

Aceita, com tristeza, que as pessoas Lhe fechem a porta do coração no último momento, afundando-se na infelicidade para sempre.

O primeiro sinal que sentimos — chamando-nos à mudança de vida — quando desobedecemos a Deus, é a tristeza, a desolação interior que sentimos.

Muitas pessoas deixam-se cair na tentação de abafar a voz da consciência, entregando-se à agitação e ao ruído. Mas quando este cessa, não conseguem aguentar o peso do silêncio. Deus está aí, e chama-as à conversão.

Israel sentiu isto ao longo da sua história e cada um de nós pode testemunhar o mesmo na sua vida.

 

c) Deus oferece-nos uma nova possibilidade. «No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, [...] mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, [...] Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele”.»

Deus escolheu Ciro — rei dos persas e conquistador de Babilónia — para reconduzir à liberdade os hebreus, depois de um exílio de setenta anos.

Humanamente não era possível que se libertassem por si mesmos. Quanto mais tempo passava mais enfraquecidos e desacreditados ficavam, de modo que a libertação pelas próprias forças ou merecimentos era impossível.

Ciro reconhece que Deus o escolheu para esta missão tornando-o vitorioso e facilitando-lhe a conquistas duma cidade que parecia inexpugnável, porque tinha como defesa dois rios caudalosos, um de cada lado.

Não só deu licença aos hebreus para que regressassem à sua terra, mas recomendou, por cartas, aos governadores por onde tinham de passar que os ajudassem e protegessem e deu-lhes dinheiro para a restauração do Templo de Jerusalém e da Cidade Santa.

O exílio foi um tempo de purificação para os israelitas: ajudou-os a serem humildes e a confiar só em Deus; começaram a compreender que o Messias não viria ao mundo só para eles, mas para toda a gente. Tornam-se, de facto, “o pequeno resto” que esta do Senhor a Salvação.

Deus oferece-nos nesta Quaresma uma nova possibilidade de regresso ao Seu amor, pela conversão pessoal, concretizada numa confissão bem feita, seguida da emenda de vida.

Convida-nos a reconstruir o templo da nossa alma que Ele tornou, no dia do Baptismo, morada da Santíssima Trindade e que os pecados pessoais tornaram uma fonte de desolação.

 

2. A Salvação vem do Senhor

 

a) Deus pagou um preço elevado pelo nosso resgate. «disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna

As palavras do Evangelho são tiradas do diálogo de Jesus com Nicodemos. Ele era um fariseu importante de Israel, membro do Sinédrio, Mestre da Lei, que foi ter com Jesus de noite, não por respeito humano, mas porque desejava encontrar Jesus livre, para falar à vontade e tirar dúvidas. Era um homem sério que gostava de esclarecer as coisas na própria fonte e, por isso, foi procurar Jesus quando Ele estava livre das multidões, para dialogar à vontade.

 Na hora mais, difícil, na Paixão de Jesus, Nicodemos aparece e dá a cara, defendendo o Mestre quando querem prendê-l’O durante a festa dos Tabernáculos (João 7:45-51) e tratando de ajudar José de Arimateia na preparação do Corpo de Jesus  para ser sepultado, sem se importar com o ambiente adverso ao Mestre.

Temos um valor infinito. Deus pagou, em Jesus Cristo, um elevado preço pelo nosso resgate. Deu todo o Seu Sangue e a vida, no meio de indizíveis sofrimentos. É verdade que Ele podia resgatar-nos com um só acto de amor ao Pai.

Mas submeter-Se a todos os tormentos, para nos ajudar a compreender o Seu Amor infinito por cada um de nós.

Fé e vida. Quando Jesus fala em acreditar n’Ele para ser salvo, como os hebreus que se salvavam da picadura da serpente, olhando para o poste, onde estava a serpente de bronze, não se refere apenas a um acreditar teórico, sem qualquer compromisso de vida.

O acreditar é inseparável das consequências no comportamento de cada dia, no fazer a vontade do Pai na nossa vida.

Reconheçamos quanto valemos. Perante a tentação de vender a vida da graça, a salvação por um prazer passageiro, pensemos na leviandade de Isaú que vendeu ao seu irmão Jacob o direito de ser o primogénito por um prato de lentilhas. Depois lamentava-se, arrependido, mas era tarde para voltar atrás.

Olhar para Jesus. Quando o Mestre fala a Nicodemos em olhar para a Cruz em que Ele mesmo está pregado, refere-se a um olhar de amor e de arrependimento, com propósito firme de emenda.

Desde há muitos séculos que os cristãos veneram a Cruz de Cristo, e gostam de trazer consigo o crucifixo, para se agarrarem a ele nas horas difíceis, e beijá-lo no momento das tentações.

 

b) Ele ama-nos e quer salvar-nos. «Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele

Deus tem um plano de salvação para cada um de nós. Chamou-nos à vida e à Igreja, pelo Baptismo e pela vida sobrenatural que nos foi infundida, porque nos quer eternamente felizes à Sua mesa, no Céu.

O pecado que nos afasta de Deus é também uma violência para o Seu Coração divino, porque nos separa d’Ele e, como consequência, dos caminhos da felicidade nesta vida e na outra.

Cristo veio para nos salvar e conduzir ao Céu, não para nos julgar friamente, como se nada tivesse a ver com a nossa salvação ou perdição.

A única coisa que O impede de nos fazer entrar À força no Céu é o respeito, por Amor, pela nossa liberdade pessoal porque, sem liberdade não há responsabilidade, e sem esta não há merecimento.

Na verdade, Ele pode perguntar a qualquer um de nós: “Que mais poderia Eu ter feito pela tua salvação?” Deu-nos a vida em graça no Baptismo, participação da vida divina.

Deixou tudo facilitado na Igreja para que, tendo-a perdido pelo pecado, possamos recuperá-la, em qualquer momento, pelo arrependimento e uma boa confissão.

Chama-nos constantemente ao bom caminho, pela voz da Igreja e no íntimo da nossa consciência.

Na verdade, Ele toma infinitamente mais a sério a nossa salvação, do que nós próprios.

A misericórdia está sempre presente. A porta do Coração do Senhor está sempre aberta para nós, por maiores que sejam os nossos pecados. Nunca alguém pode chegar a uma situação neste mundo da qualquer se possa dizer: “já não tem remédio!” Está perdido para sempre.”

É sempre tempo de recomeçar. Enquanto estamos nesta vida, é sempre tempo de nos arrependermos e mudarmos de vida.

Mas como não sabemos quando chegará o último momento, não podemos adiar indefinidamente a nossa conversão. Correríamos o risco de sermos surpreendidos no último momento afastados de Deus.

 Além disso, a felicidade eterna no Céu não é fruto de uma lotaria que pode, por sorte, sair-nos no último momento da vida. A vida em graça — na amizade de Deus — é uma vida, isto é, uma situação permanente na qual lutamos para sermos fieis ao Senhor.

Deus chama-nos com insistência. Ele insiste amorosamente nos Seus convites, porque nos ama e quer ajudar-nos a compreender que, longe dos caminhos de Deus, não somos felizes.

 

c) Deus, rico em misericórdia. «Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida em Cristo [...].»

A misericórdia é o amor gratuito, sem se cansar de amar e sem esperar qualquer recompensa. Só Deus é capaz de amar assim, embora sejamos convidados a imitá-l’O.

A maior alegria de Deus é perdoar. Nós achamos que perdoar é rebaixar-se, descer da própria dignidade e diminuir-se aos olhos dos outros.

Temos dificuldade em compreender este atributo de Deus, porque ultrapassa a nossa capacidade de compreensão, uma vez que tal modo de amar não passa pela nossa experiência.

Com a certeza que nos dá a fé que Deus é rico em misericórdia, nunca temos razão para termos medo de nos aproximarmos d’Ele, sejam quais forem os nossos pecados e as vezes que tenhamos voltado atrás no caminho. 

A salvação não é fruto exclusivo do nosso esforço, mas da misericórdia de Deus, de mãos dadas com a nossa generosidade. Nós acolhemo-la pela contrição dos pecados e prática de boas obras.

Não nos devemos preocupar com a enormidade da nossa dívida para com Deus, porque Ele aproveita o mais pequeno gesto de boa vontade para nos reconduzir à salvação.

O sacrifício da Cruz é a demonstração mais ao alcance doa nossa compreensão desta misericórdia de Deus. Jesus Cristo não só abraçou generosamente a Sua Paixão e Morte por nosso Amor, mas desculpa ainda os que Lhe dão a morte diante do Pai: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem

O Senhor convida-nos a imitá-l’O, sendo misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso. Para o conseguirmos, não precisamos de compreender, nem de sentir consolação em fazê-lo. Basta fazer esforço para usar de misericórdia para quem nos ofendeu ou prejudicou, ainda que a natureza sinta repugnância em fazê-lo.

Invocamos Nossa Senhora como Mãe de misericórdia. De facto, ao pé da Cruz, perdoa generosamente e intercede pelos seus filhos que deram a morte ao Seu Filho. Não é possível imaginarmos no seu Coração Imaculado qualquer sentimento de revolta, e vingança ou de má vontade em relação aos que contribuíram física ou moralmente para a Paixão e Morte de Jesus. Ela ajudar-nos-á a sermos misericordiosos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Se na criação o Pai nos deu a prova do seu imenso amor, concedendo-nos a vida, na paixão e na morte do seu Filho Ele deu-nos a prova das provas: veio sofrer e morrer por nós.

A misericórdia de Deus é imensa: Ele ama-nos e perdoa-nos; perdoa tudo e perdoa sempre.»

 

O Evangelho de hoje volta a propor-nos as palavras dirigidas por Jesus a Nicodemos: «Com efeito, Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho único» (Jo3, 16). Ouvindo estas palavras, dirigimos o olhar do nosso coração a Jesus Crucificado e sentimos dentro de nós que Deus nos ama, nos ama verdadeiramente, nos ama muito! Eis a expressão mais simples, que resume o Evangelho inteiro, toda a fé, toda a teologia: Deus ama-nos com amor gratuito e sem limites.

É assim que Deus nos ama, e manifesta este amor principalmente na criação, como proclama a liturgia, na Prece eucarística IV: «Deste origem ao universo para infundir o teu amor em todas as tuas criaturas e para as animar com os esplendores da tua luz». Na origem do mundo só há o amor livre e gratuito do Pai. Santo Ireneu, um santo dos primeiros séculos, escreve: «Deus não criou Adão porque tinha necessidade do homem, mas para ter alguém a quem conceder os seus benefícios» (Adversus haereses, IV, 14, 1). É assim, o amor de Deus é assim.

Depois, a Prece eucarística IV acrescenta: «E quando, pela sua desobediência, o homem perdeu a tua amizade, Tu não o abandonaste ao poder da morte, mas na tua misericórdia vieste ao encontro de todos». Ele veio com a sua misericórdia. Como na criação, também nas etapas seguintes da história da salvação sobressai a gratuitidade do amor de Deus: o Senhor escolhe o seu povo não porque ele o merece, mas porque é o mais pequenino dentre todos os povos, como Ele diz. E quando chegou «a plenitude do tempo», não obstante os homens tivessem desrespeitado várias vezes a aliança, Deus, em vez de os abandonar, estipulou com eles um novo vínculo, no sangue de Jesus — a união da nova e eterna aliança — um vínculo que nada jamais poderá interromper.

São Paulo recorda-nos: «Deus, que é rico em misericórdia — nunca nos esqueçamos disto, Ele é rico em misericórdia — impelido pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência dos nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo» (Ef 2, 4). A Cruz de Cristo é a prova suprema da misericórdia e do amor de Deus por nós: Jesus amou-nos «até ao fim» (Jo 13, 1), ou seja, não apenas até ao último instante da sua vida terrena, mas até ao extremo limite do amor. Se na criação o Pai nos deu a prova do seu imenso amor, concedendo-nos a vida, na paixão e na morte do seu Filho Ele deu-nos a prova das provas: veio sofrer e morrer por nós. A misericórdia de Deus é imensa: Ele ama-nos e perdoa-nos; Deus perdoa tudo e perdoa sempre.

Maria, que é Mãe de misericórdia, instile no nosso coração a certeza de que somos amados por Deus. Esteja próxima de nós nos momentos de dificuldade e nos conceda os sentimentos do seu Filho, para que o nosso itinerário quaresmal seja uma experiência de perdão, de acolhimento e de caridade.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Março de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Deus amou de tal modo o mundo

que lhe deu o Seu Filho Unigénito.

Apoiados no grande amor de Deus,

peçamos pela Igreja e por todos os homens,

Oremos (cantando), confiadamente:

 

    Iluminai, Senhor, o nosso coração.

 

1. Pelo Santo Padre, arauto da misericórdia divina,

    para que nos anime a sermos misericordiosos,

    oremos, irmãos.

 

2. Pelos que desconfiam do amor que Deus nos tem,

    para que, vendo Jesus Cristo na Cruz, se rendam,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos.

 

3. Por todos nós, que estamos a celebrar a santa Missa,

    para que combatamos a rotina, avivando a nossa fé,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos.

 

4. Pelos que sentem dificuldade em perdoar ofensas,

    para que imitem a Cristo no perdão aos inimigos,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos.

 

5. Pelos que já chegaram ao fim da sua vida na terra,

    para que se encham de confiança no Senhor Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos.

 

6. Pelos que, falecidos, são purificados das faltas,

    para que o Senhor os acolha na felicidade eterna 

    oremos, irmãos.

 

    Iluminai, Senhor, os nossos caminhos.

 

Senhor, que nos cumulais de bênçãos

e nos manifestais constantemente

o Vosso Amor infinito e misericordioso:

dai-nos a graça de nos sabermos abandonar

ao Vosso Amor que nos conduz ao Céu.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Pela abundância da Sua Palavra — luz que nos chama ao caminho da Vida — e pela Eucaristia em que Ele Se nos dá como alimento, o Senhor manifesta o seu infinito amor por nós.

Reconheçamo-lo uma vez mais, agora que, pelo ministério do sacerdote, Jesus prepara para nós a Mesa da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Quando meditamos no amor de Deus por nós, enchemo-nos de verdadeira paz.

Imitemos a divina liberalidade. Levemo-la aos outros, perdoando e aceitando humildemente que nos perdoem.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

No Presépio de Belém, Jesus ocultou aos nossos olhos a Sua divindade. Na Cruz do Calvário despojou-Se do bom nome e morreu como um criminoso, crucificado entre dois malfeitores. Na Eucaristia ocultou também a Sua Humanidade Santíssima, oferecendo-Se-nos  sob as aparências de pão vulgar, para que não tenhamos receio  de O receber.

Avivemos a nossa fé e o nosso amor, antes de nos abeirarmos da Sagrada Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Salmo 121, 3-4

Antífona da comunhão: Jerusalém, cidade de Deus, para ti sobem as tribos do Senhor, para celebrar o seu santo nome.

 

Cântico de acção de graças: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Confiemos na misericórdia de Deus, sejam quais forem os nossos pecados, e peçamos humildemente perdão, com um profundo desejo de mudarmos de vida.

Ajudemos os nossos amigos a seguirem pelo caminho de uma confiança ilimitada no amor de Deus.

 

Cântico final: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-III: A renovação pessoal e a da sociedade.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.

A renovação da face da terra é uma grande promessa (Leit.). Jesus, por exemplo, contribuiu para esta renovação, ressuscitando o filho do funcionário real (Ev.).

Esta renovação consiste em sair do pecado e das suas consequências, em que se encontra a humanidade; em abandonar as coisas velhas, feitas de lágrimas, aflições, morte (Leit.). A Quaresma é um tempo adequado para levarmos a cabo esta renovação pessoal, evitando o pecado. E também para levarmos a cabo a renovação da sociedade. Rezemos: Vinde ó Espírito Santo e renovareis a face da terra. Contribuiremos com a nossa renovação.

 

3ª Feira, 13-III: Os poderes da água viva.

Ez 47, 1-9 / Jo 5, 1-3. 6-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Desde o princípio do mundo a água, embora sendo uma criatura humilde, é fonte de vida e fertilidade. A Sagrada Escritura, ao ver que o Espírito Santo paira sobre as águas, dá-lhe um novo relevo: é o que se verifica na profecia de Ezequiel (Leit.).

Com a vinda de Jesus, a água adquire um poder medicinal, curativo (Ev.). Passa a ser água viva, da qual Jesus fala à Samaritana, com a paixão e morte de Cristo: «O sangue e água, que manaram do lado aberto do Crucificado, são tipos do Batismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (CIC, 1225).

 

4ª Feira, 14-III: A comunicação da vida sobrenatural.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscita dos mortos e os faz viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

Deus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu Filho único, para que tivéssemos vida sobrenatural. E o seu amor por nós é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos (Leit.).

Para nos conceder a vida sobrenatural dá-nos os alimentos adequados (Leit.), concretizados na Palavra de Deus: «quem ouve a minha palavra tem a vida eterna» (Ev.). Comunica-nos igualmente a sua vida, especialmente através dos Sacramentos, «obras primas de deus, na nova e eterna Aliança» (CIC, 116).

 

5ª feira, 15-III: As intercessões de Moisés e de Jesus.

Ex 32, 7-14 / Jo 6, 31-47

Moisés: Deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

Depois do terrível acto de adoração do bezerro de ouro (Leit.), Moisés tornou-se um poderoso intercessor diante de Deus, para salvar o povo, que o Senhor lhe tinha confiado.

Agora, o intercessor é Cristo, «que se ofereceu ao Pai, uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da Cruz, para realizar a favor dos homens uma redenção eterna. Ele quis deixar à Igreja um sacrifício visível, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia» (CIC, 1366).

 

6ª Feira, 16-III: A cooperação na Paixão de Cristo.

Sab 2, 1. 12-22 / Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus, Deus estará a seu lado. Condenemo-lo a morte infame, pois ele diz que será socorrido.

Estes pensamentos dos ímpios (Leit.) são uma profecia do que viria a acontecer na paixão de Cristo: «os judeus procuravam dar-lhe a morte» (Ev.).

O Senhor aceitou livremente a sua paixão e morte, para cumprir a vontade do Pai e por amor dos homens, a quem o Pai quer salvar. Todos nós beneficiamos dos méritos da sua Paixão e, ao mesmo tempo, somos chamados a associar-nos ao seu sacrifício. O mesmo aconteceu com sua Mãe, embora em sumo grau. Ela ficou associada mais intimamente do que ninguém ao mistério do sacrifício redentor do Filho.

 

Sábado, 17-III: O Cordeiro Pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura que teciam contra mim.

Foi João Baptista que aplicou a Jesus esta profecia do 'Cordeiro de Deus'. Com efeito, Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor, que se deixa levar ao matadouro (Leit.) sem dizer qualquer palavra e carregando sobre os seus ombros os pecados de todos, e o Cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa.

A morte de Cristo na Cruz é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal por meio do Cordeiro que tira o pecado do mundo, e o sacrifício da Nova Aliança, que restabelece a comunhão entre Deus e os homens.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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