A PALAVRA DO PAPA

POR QUE IR À MISSA AOS DOMINGOS?

 

 

Desde Novembro do ano passado, o Papa Francisco tem dedicado as audiências gerais das quartas-feiras à celebração da Eucaristia, para ajudar a compreender e a viver a Santa Missa.

Oferecemos aos nossos leitores para meditação o texto da audiência geral de 13-XII-2017.

 

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomando o caminho das catequeses sobre a Missa, hoje perguntamo-nos: por que ir à Missa aos domingos?

A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2177). Nós, cristãos, vamos à Missa aos domingos para encontrar o Senhor Ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele, escutarmos a sua palavra, alimentarmo-nos à sua mesa, e assim tornarmo-nos Igreja, isto é, o seu Corpo místico vivo no mundo.

Compreenderam isto, desde o princípio, os discípulos de Jesus, que celebraram o encontro eucarístico com o Senhor no dia da semana ao qual os hebreus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “dia do Sol”, porque naquele dia Jesus tinha ressuscitado dos mortos e aparecido aos discípulos, falando com eles, comendo com eles, concedendo-lhes o Espírito Santo (cf. Mt 28, 1; Mc 16, 9.14; Lc 24, 1.13; Jo 20, 1.19), como escutámos na Leitura bíblica. Também a grande efusão do Espírito no Pentecostes aconteceu no domingo, cinquenta dias depois da Ressurreição de Jesus. Por estas razões, o domingo é um dia santo para nós, santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor entre nós e para nós. Portanto, é a Missa que torna o domingo cristão! O domingo cristão gira em volta da Missa. Que domingo é, para o cristão, aquele no qual falta o encontro com o Senhor?

Existem comunidades cristãs que, infelizmente, não podem beneficiar da Missa todos os domingos; no entanto, também elas, neste dia santo, são chamadas a recolherem-se em oração em nome do Senhor, escutando a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia.

Algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é pecado! Em tais contextos é preciso reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade e do descanso que revigora a alma e o corpo (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2177-2188). De todos estes valores a Eucaristia é a nossa mestra, domingo após domingo. Por isso, o Concílio Vaticano II quis reafirmar que «o domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar na piedade dos fiéis, de modo que se torne também dia de alegria e de abstenção do trabalho» (Const. Sacrosanctum Concilium, 106).

A abstenção dominical do trabalho não existia nos primeiros séculos: é uma contribuição específica do cristianismo. Por tradição bíblica, os hebreus descansam no sábado, enquanto na sociedade romana não estava previsto um dia semanal de abstenção dos trabalhos servis. Foi o sentido cristão de viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, que fez do domingo – quase universalmente – o dia do descanso.

Sem Cristo estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia, com as suas preocupações, e pelo medo do amanhã. O encontro dominical com o Senhor dá-nos a força para viver o presente com confiança e coragem, e para andar para a frente com esperança. Por isso nós, cristãos, vamos encontrar-nos com o Senhor aos domingos, na celebração eucarística.

A Comunhão eucarística com Jesus, Ressuscitado e Vivo eternamente, antecipa o domingo sem ocaso, quando já não haverá canseira nem dor, nem luto, nem lágrimas, mas só a alegria de viver plenamente e para sempre com o Senhor. Também deste abençoado descanso nos fala a Missa dominical, ensinando-nos, no decorrer da semana, a confiarmo-nos nas mãos do Pai que está nos céus.

Como podemos responder a quem diz que não é preciso ir à Missa, nem sequer aos domingos, porque o importante é viver bem, amar o próximo? É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar, como disse Jesus: «Por isto todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35); mas como poderemos praticar o Evangelho sem haurir a energia necessária para o fazer, um domingo após outro, na fonte inesgotável da Eucaristia? Não vamos à Missa para oferecer algo a Deus, mas para receber d’Ele aquilo de que verdadeiramente temos necessidade. Recorda-o a oração da Igreja, que assim se dirige a Deus: «Tu não precisas do nosso louvor, mas por um dom do teu amor chamas-nos a dar-te graças; os nossos hinos de bênção não aumentam a tua grandeza, mas obtêm para nós a graça que nos salva» (Missal Romano, Prefácio comum IV).

Em conclusão, por que ir à Missa aos domingos? Não é suficiente responder que é um preceito da Igreja; isto ajuda a preservar o seu valor, mas só isto não basta. Nós, cristãos, temos necessidade de participar na Missa dominical, porque só com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos pôr em prática o seu mandamento, e assim ser suas testemunhas credíveis.

 

 

 

 


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