aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

REFORMULAÇÃO DO INSTITUTO

PARA O MATRIMÓNIO E A FAMÍLIA

 

Foi publicada no passado dia 19 de Setembro a Carta Apostólica Summa Familiae Cura do Papa Francisco em forma de Motu Proprio, com a qual institui o “Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família”.

 

O Instituto, ligado à Pontifícia Universidade Lateranense, substitui o Pontifício Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimónio e a Família.

Portanto, o que era “Estudo” agora torna-se “Ciência”, pois, para Francisco, é importante prosseguir a intuição de João Paulo II, ampliando o raio de pesquisa sobre a família, seja no que diz respeito à sua dimensão pastoral e eclesial, seja no campo da cultura antropológica.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que reflectem formas e modelos do passado.

O novo Instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro académico de referência, ao serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimónio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.

O Instituto Teológico tem a faculdade de conferir iure proprio aos seus estudantes os seguintes graus académicos: Doutoramento, Licenciatura e Bacharelado em Ciências sobre o Matrimónio e a Família.

 

 

PRÉMIOS DO VATICANO

 

O Vaticano anunciou no passado dia 26 de Setembro que o compositor estónio Arvo Pärt, cristão ortodoxo, é um dos três vencedores da 7ª edição do Prémio Ratzinger, considerado o Nobel da Teologia.

 

Arvo Pärt, nascido em 1935, membro do Conselho Pontifício da Cultura desde 2011, compôs a peça musical Os três pastorinhos de Fátima, que se estreou em Portugal em Fevereiro de 2015, por ocasião do Centenário das Aparições.

A Fundação vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI explica que o prémio é atribuído fora do âmbito “estritamente teológico”,  pela “inspiração altamente religiosa da arte musical de Pärt”, tendo em consideração o apreço do Papa emérito pela música.

Os outros dois vencedores da edição de 2017 são Theodor Dieter (nascido em 1951), teólogo luterano da Alemanha que se distinguiu no diálogo ecuménico com a Igreja Católica, e o padre alemão Karl-Heinz Menke (nascido em 1950), professor emérito de Teologia Dogmática em Bona e especialista no estudo do pensamento de Joseph Ratzinger, que integra a Comissão Teológica Internacional desde 2014.

O Vaticano anunciou ainda os vencedores da primeira edição dos novos prémios Razão Aberta.

Entre as 367 candidaturas, de 170 universidades e de 30 países, foram distinguidos os trabalhos de Darcia Narvaez, da Universidade de Notre Dame (EUA), sobre a “Neurobiologia e o desenvolvimento da Moralidade Humana”, e Claudia Vanney e Juan Franck, da Universidade Austral de Buenos Aires, com um trabalho colectivo sobre “Determinismo ou indeterminismo? Grandes perguntas da ciência à filosofia”.

 

 

REUNIÃO PRÉ-SINODAL

SOBRE OS JOVENS

 

No fim da audiência geral da quarta-feira dia 4 de Outubro passado, o Papa Francisco anunciou uma Reunião pré-sinodal sobre os jovens:

 

“Desejo anunciar que de 19 a 24 de Março de 2018 está convocada pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos uma Reunião pré-sinodal para a qual estão convidados jovens provenientes de todas as partes do mundo: católicos, de diversas confissões cristãs e de outras religiões, ou não-crentes.

“Esta iniciativa insere-se no caminho de preparação da próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos que terá como tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, em Outubro de 2018. Com este caminh, a Igreja pretende pôr-se à escuta da voz, da sensibilidade, da fé e também das dúvidas e das críticas da juventude. Por isso, as conclusões da Reunião de Março serão transmitidas aos Padre sinodais”.

 

 

RISCO DA PRESENÇA DE

MENORES NA INTERNET

 

No passado dia 6 de Outubro, ao receber os participantes do Congresso Internacional “A dignidade do menor no mundo digital”, o Papa Francisco alertou para a vulnerabilidade dos menores na Net como um “problema novo e gravíssimo, característico do nosso tempo”.

 

Segundo o Papa, o mundo digital é fruto do progresso da ciência e da técnica e transformou em poucas décadas o nosso ambiente de vida e o nosso modo de comunicar e de viver e está transformando inclusive o nosso modo de pensar e de ser.

De um lado, vivemos esta transformação com admiração e fascínio e, de outro, com medo e temor pelas consequências. Sentimentos contrastantes que nos levam a questionar se somos capazes de guiar os processos que nós mesmos criamos ou se estamos a perder o controlo.

O Papa citou também alguns dados: dos mais de três biliões de usuários da Internet, mais de 800 milhões são menores. “O que encontram na rede?”, questionou Francisco.

Por isso, é preciso manter os olhos bem abertos e enfrentar o aspecto obscuro da Net, que se tornou um lugar propício para vários crimes: pornografia, bullying, tráfico online de pessoas, prostituição, transmissão ao vivo de estupros e novos fenómenos de tipo sexual.

O Papa convida a combater três possíveis erros de perspectiva.

O primeiro é subestimar o dano que esses crimes provocam nos menores e inclusive nos próprios adultos. “Seria uma grave ilusão pensar que uma sociedade em que o consumo aberrante do sexo se expande entre os adultos seja depois capaz de proteger de modo eficaz os menores.”

O segundo erro é pensar que as soluções técnicas automáticas, como os filtros do computador para identificar e bloquear a difusão de imagens, sejam suficientes para combater o problema. “Certamente essas soluções são necessárias, mas também é necessária a força da exigência ética”.

O terceiro erro é pensar a Net como o reino da liberdade sem limites, quando – na verdade – também necessita de ser gerida por leis, com a colaboração de governos e da polícia.

 

 

TER A PEITO A FORMAÇÃO SACERDOTAL

 

No passado dia 7 de Outubro, o Papa Francisco recebeu os 268 participantes no Colóquio Internacional promovido pela Congregação para o Clero, sobre a nova Ratio Fundamentalis – documento sobre a formação dos sacerdotes –, publicado a 8 de Dezembro de  2016.

 

Francisco disse-lhes que “a formação sacerdotal é determinante  para a missão da Igreja: a renovação da fé e o futuro das vocações é possível só se tivermos padres bem formados”; mas – sublinhou – “a formação sacerdotal depende em primeiro lugar da acção de Deus na nossa vida e não das nossas actividades”. É preciso ter a “coragem de se deixar plasmar pelo Senhor, a fim de que transforme os nossos corações e a nossa vida”. “É Deus o artesão paciente e misericordioso da nossa formação sacerdotal e, como está escrito na Ratio, este trabalho dura toda a vida”.

“Se uma pessoa não se deixa formar todos os dias pelo Senhor, torna-se num padre apagado, que se arrasta no ministério por inércia, sem entusiasmo pelo Evangelho nem paixão pelo Povo de Deus. Pelo contrário, o padre que, dia a dia, se confia às mãos sapientes do Oleiro com “O” maiúsculo, conserva ao longo dos tempos o entusiasmo do coração, acolhe com alegria a frescura do Evangelho, fala com palavras capazes de tocar a vida das pessoas; e as suas mãos, ungidas pelo Bispo no dia da Ordenação, são capazes de ungir, por sua vez, as feridas, as expectativas e as esperanças do Povo de Deus.”

E concluiu deixando para a reflexão esta profunda interrogação:

“Que padre desejo ser? Um padre de salão, tranquilo e colocado, ou então um discípulo missionário a quem arde o coração pelo Mestre e pelo Povo de Deus? Um tíbio que prefere o quieto viver ou um profeta que acorda nos corações do homem o desejo de Deus?”

 

 

PAPA DÁ NOVO IMPULSO ÀS

TRADIÇÕES RITUAIS NA ÍNDIA

 

Com data de 9 de Outubro passado, o Papa Francisco enviou uma carta aos Bispos da Índia para providenciar melhor o cuidado pastoral dos fiéis siro-malabares.

 

“A Igreja católica na Índia tem a sua origem na pregação do Apóstolo Tomé, e desenvolveu-se através dos contactos com as Igrejas de tradição caldeia e antioquena e, a partir do século XVI, graças aos esforços enviados pelos missionários latinos. Deste modo, a história do cristianismo neste grande país levou finalmente à configuração de três distintas Igrejas sui iuris, que correspondem a expressões eclesiais da mesma fé celebrada em diferentes ritos, correspondentes às três tradições litúrgicas, espirituais, teológicas e disciplinares”. São elas: latina, siro-malabar e siro-malancar.

“Para a Igreja católica, é essencial mostrar o seu semblante ao mundo em toda a sua beleza, ou seja, com a riqueza das suas tradições. Por este motivo, a Congregação para as Igrejas Orientais, que este ano celebra o seu centenário, desejada pela clarividência do Papa Bento XV em 1917, deu impulso ao restabelecimento, onde era necessário, das tradições católicas orientais, garantindo a salvaguarda e o respeito pela dignidade e pelos direitos destas antigas Igrejas. O Concílio Vaticano II abraçou esta visão da Igreja e recordou a todos os fiéis a necessidade de guardar e preservar o tesouro da tradição particular de cada uma das Igrejas”.

Há trinta anos, São João Paulo II, escreveu uma carta aos Bispos da Índia. Inspirando-se no Concílio Vaticano II, mostrou que a necessidade de unidade na pastoral não se opunha à preservação da diversidade das tradições de cada rito. E autorizou a erecção de uma eparquia siro-malabar na região de Bombaim-Pune. Em 2012, Bento XVI erigiu a Eparquia de Faridabad dos siro-malabares na região de Deli e Estados confinantes. Em 2015, Francisco erigiu uma Eparquia e um Exarcado Apostólico para os fiéis siro-malancares.

“Todos estes passos demonstram que, embora não sem problemas, dispor de mais bispos num mesmo território não compromete a missão da Igreja; pelo contrário, estes passos conferiram mais energia às Igrejas locais, para os seus esforços pastorais e missionários”. Portanto, – continua Francisco – “autorizei a Congregação para as Igrejas Orientais a providenciar o cuidado pastoral dos fiéis siro-malabares em toda a Índia, através da erecção de duas Eparquias e da extensão das fronteiras de duas já existentes”.

“A presença de diversos bispos das várias Igrejas sui iuris num mesmo território poderá certamente ser motivo de belíssima e vivificante comunhão e testemunho”.

 

 

NOS 300 ANOS DA IMAGEM

APARECIDA DE NOSSA SENHORA

 

O Papa Francisco enviou no passado dia 12 de Outubro uma mensagem aos católicos do Brasil por ocasião da comemoração dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, nas águas do Rio Paraíba do Sul.

 

“Em 2013, na ocasião da minha primeira viagem apostólica internacional – escreve o Papa –, tive a alegria e a graça de estar no Santuário de Aparecida e rezar aos pés de Nossa Senhora, confiando-lhe o meu pontificado e lembrando o povo brasileiro com a acolhida tão calorosa, que vem do seu abraço e coração generoso. Naquela ocasião, inclusive, manifestei o meu desejo de estar com vocês no ano jubilar; mas a vida de um Papa não é fácil. Por isso, quis nomear o Cardeal Giovanni Battista Re como Delegado Pontifício para as celebrações do dia 12 de outubro. Confiei a ele a missão de garantir assim a presença do Papa entre vocês!”

E mais adiante: “Em Aparecida – e repito aqui as palavras que proferi em 2013 no altar do Santuário Nacional – aprendemos a conservar a esperança, a deixar-nos surpreender por Deus e a viver na alegria. Esperança, querido povo brasileiro, é a virtude que deve permear os corações dos que crêem, sobretudo, quando ao nosso redor as situações de desespero parecem querer desanimar-nos. Não se deixem vencer pelo desânimo. Não se deixem vencer pelo desânimo. Confiem em Deus, confiem na intercessão de nossa Mãe Aparecida. No Santuário de Aparecida e em cada coração devoto de Maria podemos tocar a esperança que se concretiza na vivência da espiritualidade, na generosidade, na solidariedade, na perseverança, na fraternidade, na alegria que, por sua vez, são valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.

“Em 1717, quando foi retirada das águas pelas mãos daqueles pescadores, a Virgem Mãe Aparecida já os inspirou a confiar em Deus que sempre nos surpreende. Peixes em abundância, graça derramada de modo concreto na vida dos que estavam temerosos diante dos poderes estabelecidos. Deus os surpreendeu. Pois. Aquele que nos criou com amor infinito, nos surpreende sempre! Deus nos surpreende sempre!”

 

 

PAPA ENCERRA

CENTENÁRIO DE FÁTIMA

 

O Papa Francisco encerrou o Centenário das Aparições, enviando uma Mensagem aos peregrinos do dia 13 de Outubro passado, que foi lida por ele próprio em espanhol nos écrans do recinto, no fim da celebração. Eis o texto:

 

“Queridos Irmãos, neste dia em que celebrais o encerramento do Centenário das Aparições da Santíssima Virgem em Fátima, quero enviar-vos a minha bênção e a minha saudação.

“Trago ainda no meu coração a memória da viagem e as bênçãos que a Virgem me quis dar e dar à Igreja nesse dia. Nunca tenhais medo, Deus é muito melhor do que todas as nossas misérias; e gosta muito de nós.

“Ide em frente. E nunca vos afasteis da Mãe. Como uma criança que está junto da sua mãe e se sente segura, assim também nós ao lado da Virgem nos sentimos muito seguros. Ela é a nossa garantia.

“E, finalmente, quero-vos dar um conselho: Nunca deixeis o Rosário.

“Nunca deixeis o Rosário, rezai o Rosário, como Ela o pediu.

“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

“E rezem também por mim.

“Obrigado”.

 

 

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO

PARA A REGIÃO PAN-AMAZÓNICA

 

No passado domingo 15 de Outubro, antes de rezar a oração mariana do Angelus, o Papa anunciou um Sínodo Extraordinário para a Região Pan-Amazónica:

 

“Atendendo ao desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo, decidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazónica. O Sínodo será em Roma, em Outubro de 2019. O objectivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazónica, pulmão de capital importância para o nosso planeta”.

Há vários meses, se falava da realização de um encontro do Papa no Vaticano com os bispos de toda a região (9 países que compõem a Pan-Amazónia) para avaliar os desafios e buscar respostas comuns para os seus mais de 30 milhões de habitantes.

 

 

VALOR PASTORAL DAS ENTREVISTAS

DO PAPA FRANCISCO

 

"As entrevistas, para mim, têm sempre um valor pastoral", "se não tivesse esta confiança, não concederia entrevistas" – explica o Papa Francisco.

  

É o que enfatiza o Papa Francisco no prefácio do livro  "Adesso fate le vostre domande" ("Agora façam as vossas perguntas"), do Padre António Spadaro, apresentado no final da tarde do passado sábado 22 de Outubro na sede da revista dos jesuítas Civiltà Cattolica.

Jorge Mário Bergoglio recorda que, quando era Arcebispo em Buenos Aires, "tinha um pouco de medo dos jornalistas" e por esta razão não concedia entrevistas. Como Pontífice, porém, convenceu-se de que as entrevistas são "uma maneira de comunicação" do seu ministério.

E, significativamente, une "estas conversações nas entrevistas com a forma cotidiana das homilias na Santa Marta, que é – digamos assim – a minha paróquia".

Francisco sublinha que nas entrevistas, assim como nas conferências com os jornalistas no avião, lhe agrada "olhar as pessoas nos olhos e responder às perguntas com sinceridade".

"Sei que isto me pode tornar vulnerável, mas – acrescenta – é um risco que quero correr".

Para mim – prossegue – "as entrevistas são um diálogo, não uma lição", eis porque "não me preparo".

O livro traz também duas conversas com os Superiores Gerais. "Conversar – escreve o Papa – sempre me pareceu o melhor modo para encontrar-nos realmente".

Existem também conversas com os jesuítas, onde – destaca – "me sinto em família e falo a nossa linguagem de família, e não temo incompreensões".

O Papa conclui o prefácio do livro, reiterando o desejo de uma "Igreja que saiba inserir-se nas conversas dos homens, que saiba dialogar". "É a Igreja de Emaús – observa Francisco – em que o Senhor entrevista os discípulos que caminham desencorajados. Para mim, a entrevista é parte desta conversação da Igreja com os homens de hoje".

 

 

COMEMORAÇÃO EM ROMA

DOS 50 ANOS DA UCP

 

No passado dia 26 de Outubro, o Papa Francisco recebeu em audiência uma delegação de 150 pessoas da Universidade Católica Portuguesa, que assinalavam em Roma os 50 anos da sua história.

 

A Reitora Isabel Capeloa Gil entregou ao Papa dois presentes: o Fundo de Apoio Social Papa Francisco e uma cruz peitoral, desenhada por uma jovem artista portuguesa, Carolina Curado, bióloga por formação e designer por vocação.

“Para que possamos de forma mais reforçada responder ao desafio que Vossa Santidade nos lançou em Fátima, criámos o Fundo de Apoio Social Papa Francisco que, com fundos da Universidade e dos seus benfeitores, tem como objectivo apoiar financeiramente estudantes carenciados ou em situações de fragilidade social, refugiados e migrantes, a frequentar os cursos da Universidade Católica Portuguesa”, referiu a reitora da UCP na ocasião.

A cruz peitoral é inspirada na encíclica Laudato Si’ e feita de “materiais simples, em latão, madeira e pérola, representando o espírito da ecologia integral, da relação essencial da obra da Natureza com a mensagem cristã”, acrescentou.

Na audiência, o Papa destacou o papel da Universidade Católica Portuguesa na “formação superior dos guias e líderes que a sociedade precisa”, disse que a qualificação “católica” em “nada diminui a Universidade, antes valoriza-a ao máximo” e afirmou que os alunos devem encarar a formação superior como sinal de “maior responsabilidade social” e não de “mais dinheiro ou prestígio”.

Para além da audiência no Vaticano, a delegação da UCP participou, pelas 16h00, numa sessão comemorativa na Pontifícia Universidade Gregoriana, cujo reitor é o jesuíta português padre Nuno Gonçalves.

Na igreja de Santa Ana, no Vaticano, celebrou-se no dia 28 de Outubro a Missa de Acção de Graças pelos 50 anos da Universidade Católica Portuguesa; e, à tarde, houve um concerto de Órgão na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, seguido da recepção oferecida pela UCP.

 

 

CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ

PARA O FUTURO DA EUROPA

 

No passado dia 28 de Outubro, o Papa Francisco pronunciou um discurso na Conferência sobre “Repensar a Europa. Uma contribuição cristã para o futuro do Projecto Europeu”, promovida pela COMECE, a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia.

 

O início do discurso, dirigido aos cerca de 350 participantes da Conferência, dá ideia do tema abordado pelo Papa:

“Sinto-me feliz por participar neste momento conclusivo do Diálogo (Re)Thinking Europe. Uma contribuição cristã ao futuro do projeto europeu, promovido pela Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE). Saúdo de modo particular o Presidente, Sua Eminência o Cardeal Reinhard Marx, assim como o Deputado Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu, aos quais agradeço as deferentes palavras que há pouco me dirigiram. A cada um de vós desejo expressar vivo apreço por terdes participado tão numerosos neste importante âmbito de debate. Obrigado!

“O Diálogo destes dias forneceu a oportunidade para refletir amplamente acerca do futuro da Europa com uma multiplicidade de perspectivas, graças à presença entre vós de diversas personalidades eclesiais, políticas, académicas ou simplesmente provenientes da sociedade civil. Os jovens puderam expor as suas expectativas e esperanças, confrontando-se com os mais idosos, os quais, por sua vez, tiveram a oportunidade de oferecer a sua bagagem cheia de reflexões e experiências. É significativo que este encontro tenha pretendido ser antes de mais um diálogo no espírito de um confronto livre e aberto, através do qual enriquecer-se reciprocamente e iluminar o caminho do futuro da Europa, ou seja, o caminho que todos juntos estão chamados a percorrer para superar as crises que atravessamos e enfrentar os desafios que nos aguardam.

“Falar de uma contribuição cristã ao futuro do continente significa antes de tudo questionar-se acerca da nossa tarefa como cristãos hoje, nestas terras tão ricamente plasmadas ao longo dos séculos pela fé. Qual é a nossa responsabilidade num tempo em que o rosto da Europa está cada vez mais conotado por uma pluralidade de culturas e de religiões, enquanto para muitos o cristianismo é sentido como um elemento do passado, distante e alheio?”

 

 


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