4º Domingo Comum

28 de Janeiro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Sl 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste domingo apresenta-nos o carisma dos profetas.

O profeta não é um adivinho do futuro, mas alguém que é escolhido por Deus e caminha com o povo ao encontro de Deus.

Assim nos aparece Moisés no Antigo Testamento e Jesus, o Profeta esperado, e que envia os seus apóstolos a proclamarem a Boa Nova da salvação.

Hoje nós, os baptizados, somos enviados com esta missão. Será que a temos cumprido como é exigido a todo o cristão?

Cientes de que nem sempre correspondemos ao que o Senhor nos pede, peçamos perdão ao Senhor.

 

oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na antiguidade, os poderosos consultavam astrólogos, adivinhos e magos para descobrir os acontecimentos futuros. Em Israel eram proibidas tais práticas, mas o único meio válido era o recurso aos profetas. Assim nos é apresentado Moisés como o grande profeta de Deus.

 

Deuteronómio 18, 15-20

Moisés falou ao povo, dizendo: 15«O Senhor teu Deus fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deveis escutar. 16Foi isto mesmo que pediste ao Senhor teu Deus no Horeb, no dia da assembleia: 'Não ouvirei jamais a voz do Senhor meu Deus, nem verei este grande fogo, para não morrer'. 17O Senhor disse-me: 'Eles têm razão; 18farei surgir para eles, do meio dos seus irmãos, um profeta como tu. Porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar. 19Se alguém não escutar as minhas palavras que esse profeta disser em meu nome, Eu próprio lhe pedirei contas. 20Mas se um profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome o que não lhe mandei, ou de falar em nome de outros deuses, tal profeta morrerá'».

 

Estamos perante um texto verdadeiramente institucional do profetismo em Israel. Moisés não é simplesmente o libertador da escravidão do Egipto e o legislador e organizador do povo, mas é tido como o primeiro e o modelo de todos os profetas (cf. Dt 34, 10). O contexto dos vv. 19-22 deixa ver que profeta tem aqui um sentido colectivo; alude-se à permanência do carisma profético ao longo da história do povo. Mas também se pode incluir aqui o próprio Messias, como reconhecia a tradição judaica no tempo de Jesus, concretamente os manuscritos de Qumrã (1 QS 9). O v. 18 é citado textualmente no discurso de Pedro no Templo (Act 3, 20-23) e em S. João Jesus é chamado «o Profeta» (Jo 6, 14; 7, 40; cf. 1, 21.45). Jesus cumpre esta profecia de modo eminente.

 

Salmo Responsorial            Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Monição: O cântico de meditação é tirado do salmo 94 e convida-nos a ouvir a voz do Senhor e a caminhar com alegria ao seu encontro.

 

Refrão:    Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso Salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou;

pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Em Israel, os homens e as mulheres que não casavam e não tinham filhos eram desprezados, como ramos secos e sem vida. Nesta leitura S. Paulo, sem desprezar o matrimónio, faz o elogio da virgindade autêntica de quem tem o coração livre para se dedicar completamente a Deus e aos irmãos.

 

1 Coríntios 7, 32-35

Irmãos: 32Não queria que andásseis preocupados. Quem não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, com o modo de agradar ao Senhor. 33Mas aquele que se casou preocupa-se com as coisas do mundo, com a maneira de agradar à esposa, 34e encontra-se dividido. Da mesma forma, a mulher solteira e a virgem preocupam-se com os interesses do Senhor, para serem santas de corpo e espírito. Mas a mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo, com a forma de agradar ao marido. 35Digo isto no vosso próprio interesse e não para vos armar uma cilada. Tenho em vista o que mais convém e vos pode unir ao Senhor sem desvios.

 

Na continuação do texto do passado Domingo, S. Paulo continua a fazer a apologia do celibato por amor do Senhor. Aqui recorre a outro argumento a favor: «aquele que se casou… encontra-se dividido» (v. 34). Mesmo que a pessoa casada ame o seu cônjuge por amor de Deus, com um amor recto e puro, sem mistura de egoísmo, a verdade é que nela se produz uma inevitável divisão afectiva, para além do facto de não dispor de tanto tempo para dedicar só a Deus. S. Paulo louva e encarece o celibato por amor do Reino, mas sem o impor (cfr. vv-25-26.38.40). O Magistério da Igreja definiu solenemente a superioridade do celibato apostólico sobre o matrimónio, mas isto não quer dizer que os casados não estejam chamados igualmente à santidade, nem que não possam vir a ser até mais santos do que muitos que vivem o celibato apostólico; o que sucede é que estes arrancam de um escalão mais elevado rumo à santidade – a entrega dum coração indiviso –, embora possa suceder que não cheguem tão alto como muitos casados podem chegar. Convém sublinhar que este ensinamento paulino é original e está ao arrepio da mentalidade da época, nada tendo que ver com o desprezo pelo corpo, pela mulher e pelo matrimónio, próprio do maniqueísmo posterior; a mentalidade da época era avessa à continência e até à castidade em geral; o celibato praticado pelo insignificante grupo dos essénios era um fenómeno isolado e sem qualquer impacto. O apreço de Paulo pela santidade do matrimónio leva-o a propô-lo como imagem da união entre Cristo e a Igreja (cf. 2 Cor 11, 2; Ef 5, 21-33).

 

Aclamação ao Evangelho   Mt 4, 16

 

Monição: Jesus é a luz verdadeira, o Profeta anunciado desde o princípio do mundo e que fala com toda a autoridade a qual lhe advém da condição de Filho dilecto de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;

para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 21-28

21Jesus chegou a Cafarnaúm e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, 22todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. 23Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: 24«Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». 25Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». 26O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. 27Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!» 28E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

 

O final do texto da leitura evangélica de hoje (v. 27) põe em evidência dois aspectos notáveis: a autoridade de Jesus e o seu poder sobre os demónios. Jesus ensina uma «nova doutrina» – é a novidade do Evangelho – e «com que autoridade!». Não era «como os escribas» (v. 22); de facto, estes limitavam-se a repetir as lições que procediam da tradição rabínica, a lei oral atribuída a Moisés. Jesus não é um repetidor, ainda que frequentemente recorra aos ensinamentos dos mestres de Israel (cf. Strack-Billerbeck), nunca os cita e as suas palavras sempre estão iluminadas por um espírito novo. Nunca apela para os mestres rabínicos e, quando apela para Moisés, atreve-se a acrescentar: «Eu, porém, digo-vos».

O outro aspecto é o poder sobre os demónios. Que o demónio existe não se pode pôr em dúvida. Que as doenças eram então atribuídas ao demónio também é verdade. Que todas as vezes que Jesus cura um endemoninhado, o que faz é simplesmente curar algum tipo de doença psíquica era o que em 1779 escrevia o protestante J. S. Semler e alguns hoje repetem, sem que o possam provar. Recentemente a Igreja católica publicou o ritual dos exorcismos, onde aparecem orações que qualquer pessoa pode rezar para se livrar do demónio e onde estão os exorcismos propriamente ditos que só se podem fazer com autorização da autoridade diocesana e só depois de esgotados todos os recursos humanos de ciência médica.

24-25 «Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus» Não é uma confissão de fé do demónio, mas um expediente para captar o favor de Jesus, que o Evangelista regista para mostrar quem é Jesus. «Cala-te e sai desse homem» é a forma original que Jesus emprega para expulsar demónios, ao invés dos exorcistas tradicionais, que se serviam de várias técnicas complicadas e demoradas; a palavra de Jesus encerra um poder divino, pois para Deus basta dizer, para que se faça o que Ele quer (cf. Gen 1).

 

Sugestões para a homilia

 

Os profetas e a sua autoridade

Jesus falou aos homens com toda a autoridade

O anúncio de S. Paulo sobre a virgindade

 

Os profetas e a sua autoridade

 

Desde sempre os homens quiseram conhecer os mistérios de Deus e o futuro. Por isso, recorriam ao magos, astrólogos, adivinhos e bruxos. Estas práticas, porém, eram proibidas em Israel. Se alguém a elas recorresse era condenado à morte. O único meio admitido para conhecer a vontade de Deus era o recurso aos seus profetas.

Moisés é apresentado como modelo e exemplo do verdadeiro profeta: Deus está na origem e no centro da sua vocação e a sua mensagem é sempre a que Deus lhe ordena. Ele, com autoridade, dá a conhecer a vontade divina contida na lei do Sinai, como intermediário entre Deus e os homens. Ao falar ao povo comunica-lhes que o Senhor fará surgir profetas como ele, a quem devem escutar, pois comunicarão aos irmãos - com toda a autoridade que lhes provém da sua escolha por Deus - o pensamento e a vontade do Senhor.

No nosso tempo, os homens também desejam ultrapassar os limites da sua condição humana, a fim de tentarem conhecer os mistérios do mundo de Deus. Então, alguns procuram recorrer a artes adivinhatórias, práticas mágicas, bruxarias e outros artifícios para conseguirem tal objectivo.

Todavia, é Deus que nos continua a dirigir a Sua palavra servindo-se dos verdadeiros profetas. Os Actos dos Apóstolos dizem-nos que após a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, todos os membros da comunidade cristã se tornaram «profetas». Hoje, todos os cristãos devem ser profetas, verdadeiros comunicadores da Boa Nova de Deus trazida por Jesus Cristo Seu amado Filho.

Será que somos esses profetas? Não nos deixaremos seduzir pelo orgulho, pelas paixões, pelo egoísmo, pelo dinheiro ou pelas honras que nos levarão a sermos falsas testemunhas do Senhor?

Com que autoridade poderemos apresentar a libertação das forças negativas que dominam o homem?

Essa autoridade tem de vir do nosso testemunho de vida coerente com a Palavra de Jesus que falou aos homens em nome de Deus Seu Pai, com toda a autoridade.

 

 

Jesus falou aos homens com toda a autoridade

 

Jesus começou a ensinar, diz-nos o evangelho de hoje, e a sua intervenção na sinagoga de Cafarnaum foi considerada com muito apreço, porque, ao contrário dos escribas, falava da Escritura com toda a autoridade.

Neste episódio é-nos apresentado um homem possuído de um espírito impuro, demoníaco. É conveniente salientar que no tempo de Jesus as pessoas não possuíam os conhecimentos científicos que hoje temos. Daí que pensassem que todas as doenças eram provocadas por algum «espírito mau» que entrava numa pessoa e desencadeava nela comportamentos estranhos, que a levavam a praticar actos reprováveis. Ora, o homem com o tal «espírito impuro» sempre se tinha comportado bem na assistência ao serviço religioso. Todavia, ao ouvir Jesus, manifesta-se incomodado e apresenta-Lhe duas perguntas: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder?».

Jesus não lhe responde com gestos ou palavras mágicas, como faziam os exorcistas do seu tempo. Repreende-o e dá-lhe duas ordens que não admitem contestação: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-se, obedeceu-Lhe e saiu do homem. Os ouvintes ficaram admirados e reconheceram-Lhe absoluta autoridade sobre os «espíritos impuros» a ponto de estes Lhe obedecerem. A "autoridade" revela-se nas palavras de Jesus e nas ações concretas: O homem possuído pelo espírito imundo foi transformado e purificado pela palavra de Jesus, dita com autoridade.

Esta leitura lembra-nos que o cristão também é profeta por vocação e está chamado, com a sua palavra e com suas obras, a revelar os caminhos de Deus e a condenar tudo aquilo que se opõe ao mistério do reino de vida proclamado por Jesus.

Vivemos num mundo de muitas palavras: na Rádio, na Televisão, na Política, na Escola, nos Sindicatos, em tantas religiões e seitas. Quantas palavras vazias que não possuem “autoridade..." Que há de verdade em tantas palavras? Será que elas libertam ou oprimem as pessoas?

Mas há uma palavra muito mais forte e poderosa do que todas: é a Palavra de Jesus a única que liberta, transforma e dá vida.

A autoridade não brota das palavras, não se impõe, mas conquista-se com uma autêntica e coerente vivência humana e cristã. Todos somos chamados a essa vivência de santidade: solteiros, casados, jovens e idosos, pessoas cultas e ignorantes, cada um no seu estado de vida e na sua profissão.

 

O anúncio de S. Paulo sobre a virgindade

 

Na epístola de S. Paulo aos Coríntios pode ter-nos chocado (ou não!) o elogio que ele faz da virgindade. Para compreendermos bem o que ele quer dizer é conveniente recordar que em Israel, como em todos os povos antigos, as pessoas que não casavam e não tinham filhos eram desprezados. Eram considerados como impeditivos da continuidade da vida recebida dos seus antepassados. Não interpretemos, pois, a palavra de S. Paulo como desvalorização do matrimónio e do sexo, pois ele começa por constatar que o matrimónio é uma instituição santíssima e, por sua vez, caminho de santidade. Mas, diz-nos Paulo, as pessoas casadas têm o coração dividido, ao passo que as celibatárias podem estar mais disponíveis para servir o Senhor com mais dedicação.

Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a viver com generosidade o nosso amor, cada um no seu estado, servindo a Deus e aos outros com verdadeiro espírito de santidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Não vos esqueçais! Lede um trecho do Evangelho todos os dias. É a força que nos muda, que nos transforma: muda a vida, muda o coração, transforma as inclinações ao mal em propósitos de bem.»

O trecho evangélico deste domingo (cf. Mc 1, 21-28) apresenta Jesus que, com a sua pequena comunidade de discípulos, entra em Cafarnaum, a cidade onde vivia Pedro e que naquele tempo era a maior da Galileia. E Jesus entra naquela cidade.

Narra o evangelista Marcos que Jesus, sendo aquele dia um sábado, foi imediatamente à sinagoga e pôs-se a ensinar (cf. v. 21). Isto faz pensar na primazia da palavra de Deus, Palavra que deve ser ouvida, Palavra que deve ser acolhida, Palavra que deve ser anunciada. Ao chegar a Cafarnaum, Jesus não adia o anúncio do Evangelho, não pensa primeiro onde hospedar, certamente necessário, a sua pequena comunidade, não perde tempo com a organização. A sua principal preocupação é comunicar a Palavra de Deus com a força do Espírito Santo. E as pessoas na sinagoga ficam admiradas, porque Jesus «lhes ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas» (v. 22).

Que significa «com autoridade»? Significa que nas palavras humanas de Jesus se sentia toda a força da Palavra de Deus, se sentia a própria autoridade de Deus, inspirador das Sagradas Escrituras. E uma das características da Palavra de Deus é que realiza aquilo que diz. Porque a Palavra de Deus corresponde à sua vontade. Enquanto que nós, muitas vezes, pronunciamos palavras vãs, sem raiz ou palavras supérfluas, palavras que não correspondem à verdade. Ao contrário a Palavra de Deus corresponde à verdade, é unidade com a sua vontade e realiza o que diz. Com efeito Jesus, depois de ter pregado, demonstra imediatamente a sua autoridade libertando um homem, presente na sinagoga, que estava possuído pelo demónio (cf. Mc 1, 23-26). Precisamente a autoridade divina de Cristo tinha suscitado a reacção de satanás, escondido naquele homem; Jesus, por sua vez, reconheceu imediatamente a voz do maligno e «disse severamente: "Cala-te e sai deste homem"!» (v. 25). Com a força da sua palavra, Jesus liberta a pessoa do maligno. E mais uma vez os presentes permanecem admirados: «comanda até os espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» (v. 27). A Palavra de Deus faz-nos admirar. Possui a força de nos deixar surpreender.

O Evangelho é palavra de vida: não oprime as pessoas, ao contrário, liberta quantos são escravos de muitos espíritos malignos deste mundo: o espírito da vaidade, o apego ao dinheiro, o orgulho, a sensualidade... O Evangelho muda o coração, muda a vida, transforma as inclinações ao mal em propósitos de bem. O Evangelho é capaz de mudar as pessoas! É portanto tarefa dos cristãos difundir em toda a parte a sua força redentora, tornando-se missionários e arautos da Palavra de Deus. Também no-lo sugere o trecho de hoje o qual termina com uma abertura missionária e diz assim: «E a sua fama — a fama de Jesus — logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia» (v. 28). A nova doutrina ensinada com autoridade por Jesus é a que a Igreja leva ao mundo, juntamente com os sinais eficazes da sua presença: o ensinamento influente e a acção libertadora do Filho de Deus tornam-se as palavras de salvação e os gestos de amor da Igreja missionária. Recordai-vos sempre de que o Evangelho tem a força de mudar a vida! Não vos esqueçais disto. Ele é a Boa Nova, que nos transforma unicamente se nos deixarmos transformar por ela. Eis por que vos peço sempre que tenhais um contacto diário com o Evangelho, que o leiais todos os dias, um trecho, um excerto, que o mediteis e que o leveis convosco por toda a parte: no bolso, na bolsa... Ou seja, alimentai-vos todos os dias nesta fonte inexaurível de salvação. Não vos esqueçais! Lede um trecho do Evangelho todos os dias. É a força que nos muda, que nos transforma: muda a vida, muda o coração.

Invoquemos a intercessão materna da Virgem Maria, Aquela que acolheu a Palavra e a gerou para o mundo, para todos os homens. Que ela nos ensine a ser ouvintes assíduos e anunciadores influentes do Evangelho de Jesus.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de Fevereiro de 2015

 

Oração Universal

 

Apresentemos

a Deus, nosso Pai,

com muita fé e esperança

as nossas preces, rezando:

 

A nossa confiança, Senhor, está em Vós.

 

1.    Que o Papa (N.), Bispos, Presbíteros e Diáconos,

testemunhem, como verdadeiros profetas,

a presença de Cristo no meio dos homens,

a fim destes conhecerem e amarem a Deus cada vez mais,

oremos, irmãos.

 

2.    Que todos os cristãos sejam profetas,

verdadeiros comunicadores da Boa Nova de Deus

 trazida por Jesus Cristo Seu amado Filho,

oremos, irmãos.

 

3.    Que saibamos revelar os caminhos de Deus

 e condenar tudo aquilo que se opõe

 ao mistério do reino de vida proclamado por Jesus,

 oremos, irmãos.

 

4.    Que procuremos reconhecer as palavras

que circulam à nossa volta,

e não nos deixemos seduzir por elas,

oremos, irmãos,

 

5.    Que tomemos consciência de que solteiros,

casados, jovens e idosos, pessoas cultas e ignorantes,

cada um no seu estado e vida e na sua profissão

é chamado à vivência da sua vocação à santidade,

oremos, irmãos.

 

6.    Que os jovens de todo o mundo

se deixem guiar

pela inspiração do Divino Espírito Santo,

a fim de o renovarem,

oremos, irmãos. 

 

Senhor,

Deus do Amor e da Esperança,

escutai a nossa oração

e ajudai-nos a praticar actos concretos

de responsabilidade cristã,

de acordo com a própria vocação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvai o nosso Deus, F. da Silva, NRMS 60

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

Jesus está realmente no meio de nós. Saibamos acolhê-l’O no nosso coração, a fim de que nos transformemos em verdadeiros filhos de Deus, coerentes com a própria vocação.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Sl 30, 17-18

Antífona da Comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

Ou:    Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneio, NRMS 21

 

Oração depois da Comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois da Palavra escutada, não nos esqueçamos que a autoridade não brota das palavras nem se impõe, mas conquista-se com a autêntica vivência humana e cristã, no serviço a Deus e aos irmãos.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª feira, 29-I: A fé e os males humanos.

2 Sam 15, 13-14. 30; 16, 5-13 / Mc 5, 1-20

Narraram o que havia sucedido ao possesso e o que se passara com os porcos. Começaram então a pedir a Jesus que se retirasse do seu território.

Os gerasenos pedem a Jesus que se retire do seu território porque, para salvar dois homens, tinham morrido dois mil porcos (Ev.). Pelo contrário, o rei David aceita todas as pedradas e insultos que lhe são dirigidos, como permitidos por Deus :«Deixa-o amaldiçoar, foi o Senhor quem lho ordenou» (Leit.). O mesmo fará Jesus na Cruz, com as maldições recebidas.

É muito frequente que a lógica de Deus não coincida com a dos homens. Só a fé nos ajudará a descobrir a mão de Deus, por detrás do que chamamos males humanos. Aproveitemos os males humanos para sermos mais felizes aqui na terra e na vida eterna.

 

3ª Feira, 30-I: Cristo toca-nos para nos curar.

2 Sam 18, 9-10. 14. 24-25. 30; 19, 4 / Mc 5, 21-43

Pois dizia consigo: se eu, ao menos, lhe tocar nas vestes, ficarei curada.

A oração dirigida a Jesus por esta mulher, foi por Ele atendida durante o seu ministério público. Ele tanto atendia a oração expressa em palavaras, como a de Jairo; ou a feita em silêncio, como a da hemorroissa (Ev.). E continua sempre a responder à oração, quando é feita com fé: «Minha filha, foi  a tua fé que te salvou».

O Senhor também nos 'toca', através dos sacramentos, especialmente na Eucaristia e na Penitência. Utiliza estes meios para nos curar das nossas feridas, através do ministério dos sacerdotes, que são seus instrumentos.

 

4ª Feira, 31-I: A contrição e a penitência.

2 Sam 24, 2. 8-17 / Mc 6. 1-6

Jesus não podia fazer ali qualquer milagre. Estava admirado com a falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se com a falta de fé dos seus conterrâneos (Ev.). Tambem David, por falta de confiança no Senhor, quis saber com quantos guerreiros podia contar para ganhar os seus combates (Leit.). Mas acabou por reconhecer a sua falta, pediu perdão ao Senhor e aceitou qualquer penitência que lhe fosse imposta.

David aparece pois como um modelo de arrependimento. Quando ofendermos o Senhor não deixemos de recorrer à contrição, que é uma dor de alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de emenda de não voltar a pecar no futuro.

 

5ª Feira, 1-II: Uma nova visão da doença e dos doentes.

1 Re 2, 1-4. 10-12 / Mc 6, 7-13

Os Apóstolos partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.

Ao seguirem Jesus, os Apóstolos adquirem uma nova dimensão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. E fá-los participar do seu ministério de compaixão e de cura.

O rei David, ao ver aproximar-se o dia da sua morte, quis deixar um testamento a seu flho (Leit.). Não deixemos de ajudar aqueles que padecem graves enfermidades ou estão moribundos, animando-os a receberem a Unção dos Enfermos, insinuada nesta passagem: «ungiam com óleo numerosos doentes» (Ev.).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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