Baptismo do Senhor

8 de Janeiro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Louvemos a Santíssima Trindade, J. Santos, NRMS 80

cf. Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Baptismo do Senhor é um acontecimento da vida do Senhor em que o Céu proclama solenemente a divindade de Jesus.  O Pai aclama-O solenemente como Seu Filho Unigénito e o Espírito Santo desce sobre Ele sob a figura de uma pomba.

Ao entrar nas águas do Jordão santifica todas as águas do mundo, de modo que as torna capazes de, pelo Sacramento do Baptismo, lavarem os nossos pecados.

Não é um sacramento, como no nosso caso, — Cristo não precisava de ser baptizado, porque não tinha pecados e era a fonte da Graça — mas uma proclamação solene e pública de aceitar plenamente o plano salvífico do Pai.

 

Acto penitencial

 

O Senhor tem todo o direito de perguntar a cada um de nós: que fizeste da graça do teu Baptismo? Como estás a viver este maravilhoso dom de Deus? A tua vida é a de um baptizado, ou de um pagão?

Reconheçamos humildemente as nossas infidelidades ao dom do Baptismo, à Aliança de Amor que fizemos com Deus nesse dia e peçamos humildemente perdão ao Senhor, com a promessa de nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Esqueço-me facilmente da graça do meu Baptismo cristão

    e não cumpro os solenes compromissos que nele assumi nesse dia feliz.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Penso poucas vezes no Céu cujas portas abriu para mim Baptismo

    e não procuro praticar boas obras na vossa graça, para merecer nele entrar.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Em vez de viver com fidelidade a renúncia que fiz a Satanás,

    torno-me amigo dele quando cometo o pecado mortal e nele me deixo andar. 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia um misterioso Servo de Yahweh escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, ele realizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses modos de actuar não são os do nosso Deus.

À imitação d’Ele, de cada um nós, pela vida que levamos, deve o Senhor poder anunciar: «Eis o meu servo, enlevo da minha alma.»

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem; talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (v. 4.7), escolhido por Deus e com uma missão universal (v. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus (v. 1: cf. Mt 3, 17 e Lc 9, 35; vv. 2-4: cf. Mt 12, 15-21; v. 6: Lc 1, 78-79 e 2, 32 e Jo 8, 12 e 9, 5; v. 7: Mt 11, 4-6 e Lc 7, 18-22). É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque, assim Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é assim que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial            Salmo 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: Depois de termos ouvido proclamar as maravilhas do Servo de Yahweh que o Pai enviou para nos salvar, somos convidados a cantar as maravilhas do Senhor e adorar a Sua majestade que nos é recordada também quando ressoa nas nuvens.

 

Refrão:    O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, em casa do centurião Cornélio, em Cesareia, onde foi conduzido pelo Espírito Santo, para o baptizar, proclama que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projecto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos.

É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia, quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20); «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico. Por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente. E Lucas – o historiador-teólogo –, ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11, 2; 61, 1 (cf. Lc 2, 18). Ver supra nota à 1ª leitura do 3º Domingo do Advento (nota ao v. 26).

 

Aclamação ao Evangelho   cf. Mc 9, 6

 

Monição: O que aconteceu o Baptismo de Jesus lembra-nos o que aconteceu — salvas as distâncias, no momento do nosso Baptismo.

Demos graças ao Senhor por tão gratas recordações e aclamemos o Evangelho que proclama estas maravilhas.

 

Aleluia

 

Cântico: F da Silva, 73-74

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 7-11

Naquele tempo, 7João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». 9Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. 10Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. 11E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».

 

São Marcos inicia o seu Evangelho com os brevíssimos relatos da pregação do Baptista no deserto, do Baptismo e das tentações de Jesus.

7-8 O contraste entre as duas personalidades, Jesus e João, reforça a superioridade de Jesus e do seu Baptismo: «não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias»; note-se que este gesto era considerado de tal modo humilhante, que nem sequer um judeu o podia impor a um criado da sua raça. É o próprio Baptista (assim chamado, sem mais, nos Sinópticos e também por Flávio Josefo) que estabelece o confronto entre o seu baptismo (banho) e o de Jesus: o seu apenas significava a graça e dispunha para a conversão; o de Jesus não só significa a graça purificadora e regeneradora, mas também a produz eficazmente: «Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Ver nota a Jo 1, 26 (supra, 3º Domingo do Advento).

9 Jesus quer ser baptizado, mas não é para se inscrever como discípulo na escola do Baptista, nem sequer para ensinar a acatar a missão dum extraordinário enviado de Deus, nem mesmo simplesmente para nos deixar um exemplo de humildade; é sobretudo para realizar uma espécie de «acção simbólica», à maneira dos antigos profetas, como a entendeu a tradição patrística da Igreja: Ele que era a Vida (cf. Jo 1, 4; 14, 6), entra em contacto com a água para lhe dar a força vivificante de vir a ser a matéria do nosso Baptismo. Por outro lado, logo no início da vida pública, é-nos dado um sinal da divindade de Jesus, constituindo, por assim dizer, a sua apresentação pública como Messias e Filho de Deus, a inauguração solene do seu ministério público, credenciado pelas restantes Pessoas divinas. Também a SS. Trindade – que se manifesta no Baptismo do Senhor – toma posse da alma do fiel que é baptizado.

10 A «pomba», representa o Espírito Santo, porque os rabinos da época costumavam representar o Espírito de Deus por esta ave, a adejar sobre as águas na obra da criação (cf. Gn 1, 1). Segundo os Santos Padres, ela é o símbolo da paz e da reconciliação entre Deus e a Humanidade.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Servo de Yahweh

É o Eleito do Senhor

Vem ao nosso encontro

Tem a sabedoria e a Fortaleza de Deus

• O Baptismo de Jesus e o nosso

Deus humilha-se para nos exaltar

Baptizados no Espírito Santo

As riquezas recebidas no Baptismo

 

1. O Servo de Yahweh

 

Para alcançar a Salvação eterna, o resgate do pecado e a infusão da graça santificante, não é o homem que vai ao encontro de Deus, porque seria incapaz de o fazer; é Deus quem vem à procura dele, como ovelha tresmalhada e filho pródigo.

Isaías fala-nos de um personagem misterioso chamado Servo de Yahweh que virá ao mundo para nos salvar.

 

a) É o Eleito do Senhor. «Diz o Senhor: “Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito,para que leve a justiça às nações

Isaías profetiza para o Povo de Deus no tempo do cativeiro de Babilónia, para o consolar, avivando nele a esperança do Redentor prometido.

A Santíssima Trindade decidiu, desde toda a eternidade, que a Segunda Pessoa iria assumir uma natureza humana em tudo igual à nossa, à excepção do pecado. Como Deus, tinha merecimento infinito em todas as Suas obras e podia assim pagar a nossa dívida incomensurável contraída pelo pecado; como Homem, descendente de Adão e Eva, Jesus podia saldar a dívida por eles contraída.

Ele é o Servo de Deus, protegido d’Ele. Sendo Senhor do universo, apresentou-Se sob a forma de servo, resgatando-nos pela obediência humilde.

Como nosso Mestre e guia no caminho do Céu, convida-nos a segui-l’O pelos caminhos da humildade.

É o enlevo do Senhor, no Qual o Pai pôs todas as Suas complacências. Porque formamos um só Corpo do qual Jesus é a Cabeça, devemos comportar-nos de tal modo que o Pai nos olhe com complacência. É Ele Quem, possuindo o espírito de Deus, e vai levar a justiça — a santidade — a todos os povos da terra de todos os tempos.

A salvação que o Senhor nos anuncia conta com a benevolência de Deus e a Sua ajuda, mas exige necessariamente a nossa conversão, aceitando a justiça que lança as raízes em cada coração.

Estamos sempre a sonhar com uma mudança do mundo que não nos incomode, não mexa com a nossa comodidade, nem nos obrigue a qualquer esforço.

Esperamos que Deus faça tudo e nós sejamos meros espectadores, batendo palmas ao que Ele faz. Salvamo-nos de mãos dadas com Deus.

Mas este não é o plano de Deus. Ele decidiu desde toda a eternidade actuar no mundo e em nós mesmos de mãos dadas connosco.

 

b) Vem ao nosso encontro. «Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam

Que meios vai usar o Senhor para nos resgatar? Porque nós temos de O imitar.

• A mansidão. «Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças». Deus nunca aprova a violência, a falta de respeito pela vontade de cada um. Espera com uma paciência divina a nossa decisão de O amar e seguir.

• Atento à boa vontade as pessoas. «não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega». O Senhor aproveita o mais pequeno sinal de amor, de boa vontade no coração e cada pessoa. Os homens vêem no rosto; Deus vê no coração.

• Fidelidade à doutrina. «proclamará fielmente a justiça». Por vezes, aparece a tentação de fechar os olhos ao pecado e deixar entrar toda a gente na Igreja. Seria uma exigência da misericórdia… Que diríamos do medico que tentasse convencer o doente — ainda com possibilidade de tratamento eficaz — que não está doente e não precisa de qualquer medicação?

O pecado é uma doença contagiosa. Passar por alto a situação de pecado, admitindo as pessoas à comunhão plena na Igreja, é tratá-las com crueldade, porque se convencem de que não estão doentes e não tratam de procurar a cura.

O caminho que o Senhor nos ensina é da fidelidade à doutrina do Evangelho. Jesus não veio destruir os mandamentos, mas chamar-nos à conversão pessoal, oferecendo-nos o Seu perdão generoso, a Sua misericórdia.

 

c) Tem a sabedoria e a Fortaleza de Deus. «Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Depois de nos ter arrancado ao anonimato, chamando-nos à vida, o Senhor entregou-nos um plano de actuação que havemos realizar com liberdade e responsabilidade.

Devemos realizar um projecto de vocação pessoal. «eu te chamei pelo nome; tu és meu». (Isaías 43, 1).

Na Sua misericórdia infinita, Deus quis pôr ao serviço de cada um de nós a Sua infinita Sabedoria e Omnipotência.

A história do “Servo” mostra-nos, desde já, que Deus actua sempre por meio de instrumentos a quem Ele confia a transformação do mundo e a libertação dos homens. Eu não posso constituir uma excepção na história do mundo: está-me confiada uma parcela dele que eu devo cuidar.

Tenho consciência de que cada baptizado é um instrumento de Deus na renovação e transformação do mundo? Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir os meus compromissos para renovar o ambiente e ajudar muitas pessoas que estão à minha volta a encontrarem o caminho da vida, ou prefiro fechar-me no meu canto e demitir-me da minha responsabilidade profética?

Estamos continuamente queixar-nos do ambiente em que vivemos. Que estamos dispostos a fazer para o mudar? Os pobres, os oprimidos, todos os que “jazem nas trevas e nas sobras da morte” podem contar com o nosso apoio e empenho?

Deus confia-me a missão de ajudar muitas pessoas que estão ao meu lado para que abram os olhos e vejam as maravilhas de Deus.

Há muitas pessoas que o demónio aprisionou no pecado, em maus hábitos, numa vida que não é digna de um filho de Deus e o Senhor confia em nós para que as ajudemos a recuperar a liberdade e a alegria.

 

2. O Baptismo de Jesus e o nosso

 

a) Deus humilha-se para nos exaltar. «Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: “Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu,diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias.”»

Sem deixar de ser Deus, Jesus humilhou-Se até assumir a nossa condição humana com todas as limitações, excepto a do pecado.

Submeteu-se às nossas condições de vida — excepto a do pecado — sem querer qualquer excepção.

Viveu a experiência de ser pequenino de tal modo que precisou de todas as ajudas, como qualquer criança; teve necessidade de quem O ensinasse a andar, a falar e a integrar-Se na comunidade humana, como uma pessoa mais entre todas.

Teve fome, sede, calor frio; cansou-Se da caminhada e até adormeceu com a fadiga durante a tempestade no lago; e sentiu a dor física e moral perante as ingratidões das pessoas e na Paixão; aceitou ser tentado pelo demónio a desobedecer ao Pai, deixando de cumprir o Seu plano salvador.

Não aceitou gozar de qualquer privilégio que O isentasse da dureza da nossa vida na terra.

Submeteu-Se a exercer uma profissão humana — a de carpinteiro artesão — para nos mostrar como nos havemos de santificar pelo trabalho de cada dia.

Aceitou a morte injusta para que aprendêssemos a ser justos uns para com os outros, fugindo de todo o pecado.

Veio para nos salvar e nos ensinar a fazer a vontade do Pai em cada momento da nossa vida.

Fez-Se pequenino para nos elevar à Sua grandeza, pela graça que recebemos no Sacramento do Baptismo e retomamos do Sacramento da Reconciliação e Penitência.

 

b) Baptizados no Espírito Santo. «Eu baptizo na água,mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo

Qualquer pessoa — mesmo não sendo cristã — pode baptizar validamente, desde que tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz e empregando a matéria e a forma do Baptismo.

Se a Igreja confia este ministério aos sacerdotes e diáconos, é para garantir a maior segurança na sua administração e para dar solenidade à entrada de uma nova pessoa na Família dos filhos de Deus que é a Igreja.

• A matéria é a água pura, natural e corrente. Não seria válida a água oxigenada e é matéria duvidosa a água destilada.

• O Baptismo deve ser administrado, tanto quanto possível, na cabeça da pessoa. Enquanto a água é derramada sobre ela, pronunciam-se as palavras, tendo a intenção de fazer o que faz a Igreja: F., eu te baptizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

A partir daqui, não se pode repetir a administração deste Sacramento. Apenas quando ele é administrado por uma pessoa particular, por necessidade que surge da urgência, numa cerimónia própria, é admitida solenemente na Igreja.

Muitos suspiram por este Sacramento. Um muçulmano convertido ao cristianismo no Iraque, andou vários anos a pedir para ser baptizado, esteve preso e incomunicável, tendo sido espancado todos os dias durante meses e houve mesmo uma tentativa de assassinato com um tiro quando ele já tinha fugido para a Jordânia. Os seus irmãos e outros familiares foram procurá-lo e só o abandonaram caído no chão porque pensaram que o rito o havia ferido mortalmente.

Depois fugiu para a Europa e vive anónimo e escondido na França, com a esposa, que também se converteu, e os filhos. (O preço a pagar pela conversão, Paulinas).

 

c) Tornamo-nos filhos de Deus. «naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre ele. E dos céus ouviu-se uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência”.»

O que aconteceu no rio Jordão, quando Jesus desceu às suas águas, para ser baptizado por João Baptista ensina-nos as maravilhas que aconteceram no Baptismo de cada um de nós.

• Reconciliamo-nos com Deus. «Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se». O testemunho de Deus é acompanhado por três factos estranhos que, no entanto, devem ser entendidos em referência a factos e símbolos do Antigo Testamento…Assim, a abertura do céu significa a união da terra e do céu. As portas do Paraíso tinham sido fechadas para nós, por causa do pecado dos nossos primeiros pais. O Anjo com uma espada de fogo colocado à porta do paraíso para impedir Adão e Eva de entrar lá significa isto mesmo.

Pelo nosso Baptismo, as portas voltam a abrir-se para nós. O Baptismo, sob qualquer uma das suas formas, é indispensável para entrar na Igreja, receber os Sacramentos, participar na sua vida e entrar no Céu.

• O Espírito Santo tomou conta de nós. «viu [...] o Espírito, como uma pomba, descer sobre ele.» Pelo Baptismo, fomos constituídos Templos do Espírito Santo, dignos de um respeito imenso.

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade fez de nós morada e tabernáculo da Divindade, infundiu em nós a vida sobrenatural da graça santificante e dotou-nos de um verdadeiro organismo sobrenatural, com as virtudes e os dons.

• Filhos de Deus. «E dos céus ouviu-se uma voz: ”Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência”.»

O Baptismo é o acontecimento fundamental e mais importante da nossa vida terrena.

Conscientes desta verdade, os pais hão-de ter a preocupação de dotar quanto antes os filhos com esta riqueza sobrenatural. Quando se trata de coisas fundamentais — a alimentação, a roupa e os cuidados de saúde —, os pais não esperam que o filho manifeste a sua vontade, mas optam por ele, uma vez que a criança não seria ainda capaz de o fazer.

Por que haviam de deixar de fazê-lo, quando se trata de receber este maravilhoso dom? Procederiam deste modo se uma pessoa se propusesse deixar em herança ao filho uma fortuna, esperando quando ele fosse adulto para se pronunciar se queria ou não recebê-la?

Agradeçamos aos nossos pais o cuidado que tiveram em procurar que recebêssemos quanto antes o Baptismo e esforcemo-nos viver generosamente — com a ajuda de Maria, nossa Mãe — esta Aliança de Amor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Com o Baptismo de Jesus não só se rasgam os céus, mas Deus fala de novo, fazendo ressoar a sua voz:

“Tu és o meu Filho muito amado: em ti pus todo o meu enlevo”»

Celebramos hoje a festa do Baptismo do Senhor, que conclui o tempo de Natal. O Evangelho descreve o que aconteceu na margem do Jordão. No momento em que João Baptista confere o baptismo a Jesus, o céu abre-se. «E imediatamente — diz são Marcos — saindo da água, viu os céus abertos» (1, 10). Volta à mente a súplica dramática do profeta Isaías: «Como gostaríamos que tu rasgasses os céus e descesses!» (63, 19). Esta invocação foi atendida no evento do Baptismo de Jesus. Deste modo findou o tempo dos «céus fechados», que indicam a separação entre Deus e o homem, consequência do pecado. O pecado afasta-nos de Deus e interrompe o vínculo entre a terra e o céu, determinando assim a nossa miséria e a falência da nossa vida. Os céus abertos indicam que Deus doou a sua graça para que a terra produza o seu fruto (cf. Sl 85, 13). Assim a terra tornou-se a habitação de Deus entre os homens e cada um de nós tem a possibilidade de encontrar o Filho de Deus, experimentando todo o seu amor e a misericórdia infinita. Podemos encontrá-lo realmente presente nos Sacramentos, sobretudo na Eucaristia. Podemos reconhecê-lo no rosto dos nossos irmãos, em particular nos pobres, nos doentes, nos presos, nos refugiados: eles são carne viva de Cristo sofredor e imagem visível do Deus invisível.

Com o Baptismo de Jesus não só se rasgam os céus, mas Deus fala de novo, fazendo ressoar a sua voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em ti pus todo o meu enlevo» (Mc 1, 11). A voz do Pai proclama o mistério que se esconde no Homem baptizado pelo Precursor.

E depois a descida do Espírito Santo, em forma de pomba: isto permite que Cristo, o Ungido do Senhor, inaugure a sua missão, que é a nossa salvação. O Espírito Santo: o grande esquecido nas nossas orações. Nós muitas vezes rezamos a Jesus; rezamos ao Pai, especialmente com o «Pai Nosso»; mas não rezamos com tanta frequência ao Espírito Santo, é verdade? É o esquecido. E precisamos de pedir a sua ajuda, a sua fortaleza, a sua inspiração. O Espírito Santo que animou inteiramente a vida e o ministério de Jesus, é o mesmo Espírito que guia hoje a existência cristã, a existência de um homem e de uma mulher que se dizem e querem ser cristãos. Pôr sob a acção do Espírito Santo a nossa vida de cristãos e a missão, que todos recebemos em virtude do Baptismo, significa reencontrar a coragem apostólica necessária para superar fáceis comodidades mundanas. Ao contrário, um cristão e uma comunidade «surdos» à voz do Espírito Santo, que estimula a levar o Evangelho aos extremos confins da terra e da sociedade, tornam-se também um cristão e uma comunidade «mudos» que não falam nem evangelizam.

Mas recordai-vos disto: rezar muitas vezes ao Espírito Santo para que nos ajude, nos dê força, nos dê inspiração e nos faça ir em frente.

Maria, Mãe de Deus e da Igreja, acompanhe o caminho de todos nós baptizados; nos ajude a crescer no amor a Deus e na alegria de servir o Evangelho, para dar, deste modo, pleno sentido à nossa vida.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de Janeiro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Oremos ao Pai, no Espírito Santo que nos ungiu,

por mediação de Jesus Cristo, o Filho de Maria,

pedindo-Lhe, para todos os homens e mulheres,

a graça da fé, do Baptismo e a fidelidade generosa

aos compromissos assumidos nesta Aliança de Amor.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1.             Pelos baptizados que vivem a sua fé, e pelos que a abandonaram,

    para que o Amor de Deus os reconduza ao caminho da Salvação,

    oremos ao Filho de Deus Pai.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

2.             Pelos catecúmenos jovens e adultos, e pelas crianças baptizadas,

    para que todos encontrem neles o testemunho da fé e do Amor,

    oremos ao Filho de Maria.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

3.             Pelos cristãos que ajudam os mais pobres, e sustentam os fracos,

    para que os animem fraternalmente a recomeçar o caminho da fé,

    oremos a Jesus, o Salvador.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

4.             Pelos homens que se deixam guiar pelo Espírito, e servem a Igreja,

    para que o Senhor os torne felizes, generosos e santos nesta vida,

    oremos a Jesus de Nazaré.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

5.             Por todos os baptizados desta Paróquia, e pelos que não vêm à Missa

    para que reconheçam o seu erro e sejam cristãos activos e fervorosos,

    oremos ao Messias do Senhor.

   

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

6.             Pelos cristãos falecidos que ainda estão a ser purificados no Purgatório,

    para que o Senhor lhes limpe as manchas e os acolha agora no Paraíso,

    oremos ao Senhor da misericórdia.

 

    Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

Senhor Jesus Cristo, reavivai em nós, pelo Espírito Santo,

o dom e a alegria do Baptismo que recebemos um dia,

para que, ao chamarmos, como filhos, a Deus nosso Pai,

nos sintamos, de verdade, filhos do Pai que está nos Céus.

Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

É o Baptismo que nos dá a capacidade para nos sentarmos à Mesa da Eucaristia, depois de termos acolhido a Palavra do Senhor.

Exercitemos a fé que nos foi infundida neste acontecimento inesquecível e preparemo-nos para, entro de alguns minutos mais, recebermos a Santíssima Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Alegres tirareis a água pura, M. Simões, NRMS 80

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

O Senhor quer dar-nos a verdadeira paz. Mas não a podemos receber, se houver em nosso coração qualquer ressentimento contra alguém.

Acolhamos a paz do Senhor, perdoando e aceitando sermos perdoados pelas ofensas cometidas.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Baptismo abre-nos as portas da Eucaristia, mas havemos de recebê-la com uma fidelidade generosa à Aliança que nesse dia fizemos com Deus.

Peçamos-Lhe, ao comungar, que guarde o nosso corpo e a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, NRMS 58

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: O amor de Deus, M. Luís, NCT 388

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos viver fielmente na vida a Aliança que fizemos com o Pai, em Jesus e no Espírito Santo, no dia do nosso Baptismo.

Renovemos todas as noites estas promessas, ao benzermo-nos com água benta todas as noites.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro, F. da Silva, NRMS 82-83

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

3ª Feira, 9-I: A nossa colaboração na obra da Redenção.

1 Sam 1, 9-20 / Mc 1, 21-28

Ana orou ao Senhor: Se vos dignardes conceder-me um filho varão, eu hei-de consagrá-lo ao Senhor por toda a vida.

Conforme prometera, Ana consagrou o seu filho Samuel ao Senhor, colocando-o no Templo ao serviço do Sumo-Sacerdote Eli.

Também Jesus coloca toda a sua vida ao serviço da Redenção. Este mistério está presente em toda a vida de Cristo: na sua Encarnação, na vida Oculta, na palavra que dirige aos seus ouvintes, nas curas e expulsões de demónios (Ev.), ao tomar sobre si as nossas enfermidades e carregar com as nossas doenças. Podemos também colaborar na obra da Redenção com a nossa vida de trabalho e de oração, com cada uma das nossas acções.

 

4ª Feira, 10-I: Oração e disponibilidade

1 Sam 3, 1-10. 19-20 / Mc 1, 29-39

 De manhãzinha, ainda muito escuro, Jesus levantou-se e saíu. Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar.

Samuel não sabia distinguir a voz de Deus das vozes humanas. Por isso, o sacerdote Eli teve que ensiná-lo a dizer: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (Leit.). Jesus também nos dá exemplo de dedicação à oração logo de manhãzinha cedo (Ev.).

Peçamos ao Senhor que nos aumente o nosso desejo de orar. É na oração que aprenderemos  a escutar o que Deus espera de nós, como aconteceu com Samuel. E, como ele, termos mais disponibilidade para os encontros com o Senhor: ele várias vezes se levantou de noite, sempre disposto a ouvir a voz de Deus.

 

5ª Feira, 11-I: Significado da Arca da Aliança e das curas.

1 Sam 4, 1-11 / Mc 1, 40-45

Vamos buscar a Silo a Arca da Aliança do Senhor: que ela venha para o meio de nós e nos salve das mãos dos inimigos.

Já no Antigo Testamento, Deus utilizou imagens que conduziriam à salvação pelo Verbo Encarnado como, por exemplo, a serpente de bronze, a Arca da Aliança (Leit.).

As curas realizadas têm igualmente o mesmo significado. As curas que Jesus fazia eram sinais da vinda do Reino de Deus. E anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a Páscoa. Assim, os sacramentos da Penitência e da Eucaristia curam as nossas feridas e revestem-nos da santidade de Deus. O msmo acontece com a misericórdia de Deus para com o seu povo e que Jesus  amplia para toda a história dos homens.

 

6ª Feira, 12-I: Cristo, Rei e Médico.

1 Sam 8, 4-7. 10-22 / Mc 2, 1-12

Que é mais fácil, dizer ao paralítico: 'os teus pecdos são perdoados', ou dizer: 'levanta-te e anda'?

Os anciãos de Israel manifestaram a Samuel os seu desejo de ter um rei: «o nosso rei é que há-de governar-nos, há-de comandar-nos em combate» (Leit.).

Jesus é igualmente Rei, pois as curas que vai realizando indicam que o reino de Deus está próximo. Ele veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo (Ev.). Dirige-se pessoalmente a cada um dos pecadores: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Ev.). E é o Médico que se inclina sobre cada um dos doentes. A Confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa de reconciliação.

 

Sábado, 13-I: A salvação dos pecadores.

1 Sam 9, 1-4. 17-19; 10, 1 / Mc 2, 13-17

Tu, Saúl, é que hás-de reger o povo do Senhor e o salvarás dos inimigos que o rodeiam,

Samuel ungiu Saúl para uma missão e governo e salvação dos inimigos (Leit.). Cristo é também ungido para o cumprimento de uma missão divina (Ev.).

A sua missão divina consiste na salvação dos pecadores: «Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino. 'Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores'» (Ev.). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino. Seguindo Jesus, procuremos igualmente convidar os nossos amigos e conhecidos para uma nova conversão, para se sentarem à mesa do Reino.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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