Epifania do Senhor

7 de Janeiro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vimos a sua estrela, F da Silva, NRMS 68

cf. Mal 3, 1; 1 Cr 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Somos interpelados na celebração de hoje pela atitude sábia dos Magos. Somos desafiados a fazermos da Eucaristia uma experiência única com o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus e de Maria.

Cada eucaristia supõe a caminhada da fé, a docilidade do encontro com o Senhor, a partilha da vida e o compromisso. Supõe fazemos a experiência máxima da presença amorosa de Deus, da sua entrega por nós, doado sobre o Altar, e doado na simplicidade de um Menino, como proposta de acolhimento dos pequeninos, dos pobres e dos frágeis. Dessa experiência brota a alegria e brota vocação e missão de enviados. Quem encontra Cristo encontra um caminho novo onde a vida, a verdade e a esperança se contrapõem aos caminhos da hipocrisia e falsidade, da violência e da morte.

Levanta-te e resplandece. Chegou a tua luz. Brilha sobre ti a glória do Senhor. Teu coração se dilatará. Traz ouro e incenso e proclama as glórias do Senhor.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos os sinais da chegada do Messias. Que o nosso coração seja de ouro para O acolher.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial            Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

 

Monição: Encontrar Deus é compromisso com a Justiça, a paz, a defesa dos pobres, dos fracos e dos oprimidos.

 

Refrão:    Virão adorar-Vos, Senhor,

                todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deixemos que o Espírito Santo nos possa conduzir à revelação de Jesus Cristo pelo dinamismo do Evangelho.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho   Mt 2, 2

 

Monição: Jesus Cristo, Filho de Deus e de Maria, deixa-se encontrar por todos os que o procuram com sinceridade, fidelidade e perseverança. Este encontro leva a um caminho novo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura: cf. Jo 19,39) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc.. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc..

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7,42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento.

Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew, 2007, ou Klaus Berger (Kommentar z. N.T., 2011), que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma dita lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos; Tácito e Suetónio falam mesmo da expectativa de um dominador do mundo que sairia de Judá.

Posto a inventar, Mateus, em vez de uns magos, mal vistos na tradição bíblica, teria antes recorrido à visita de uns reis, cumprindo-se assim o que diz o Salmo 72,10-11.15 e Isaías 60,6.10.16. Foi em relação com estes textos que a tradição veio a identificar os magos como sendo reis e acabou por prevalecer o número de três em atenção às três ofertas simbólicas.

A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo.

Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa; por outro lado, para Mateus poder falar duma estrela, nem sequer é preciso que se trate dum elemento astronómico ou até mesmo de algo externo aos Magos (assim pensava S. João Crisóstomo).

Apelar para o silêncio de Lucas como sinal de que não houve a visita de Magos torna-se ridículo, pois seria partir do princípio que os Mateus e Lucas pretenderam fazer o relato da infância de Jesus, quando a sua intenção foi aproveitar alguns dos dados de que dispunham para mostrar a dignidade de Jesus como Messias e Salvador. Sendo assim, não devemos estranhar diferenças nem ter a preocupação fundamentalista de harmonizar as narrativas, que em nada se contradizem.

Como observa Ratzinger/Bento XVI, “na avaliação da historicidade, é preciso constatar que, ao longo dos últimos 50 anos, se verificou uma mudança de opinião, que não se baseia em novos conhecimentos históricos, mas numa atitude diversa frente à Sagrada Escritura e à mensagem cristã no seu todo […]. Os dois capítulos da narrativa da infância em Mateus não são uma meditação expressa sob a forma de histórias, antes pelo contrário: Mateus narra-nos verdadeira história, que foi meditada e interpretada teologicamente, e assim ajuda-nos a compreender mais profundamente o mistério de Jesus” (Infância de Jesus, p. 99-100).

 

 

 

 

Sugestões para a homilia

 

Luz: Criação, Incarnação e Páscoa.

Sinais e docilidade.

Compromisso.

 

Criação, Incarnação e Páscoa.

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, por que chegou a tua Luz. A estrela é um sinal maravilhoso que tem sobretudo contornos bíblicos na grande simbologia da Luz.

A Luz intensa que brilha na serenidade da beleza do rosto do Menino Deus tem para nós também o sabor da Criação inteira, obra maravilhosa e extasiante que ilumina como expressão da verdade, da gratuidade, da graça e da misericórdia. Criação que atingiu o seu máximo na incarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo feito Homem.

Luz da Incarnação, do Verbo feito carne, Ele que é a Vida e a vida era a luz dos homens. Luz que brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Ele, o Verbo, a luz verdadeira que veio ao mundo para iluminar todo o homem.

Luz como sinal da páscoa do povo da primeira aliança. Ela se projeta na noite escura iluminando a caminhada de um povo por entre o itinerário árduo da libertação, de vida nova, de transformação radical na construção da vida embebida pela Palavra de Deus. Uma vitória de povo simples frente às forças do Faraó.

Menino Deus de Belém, frágil frente a tanta arrogância e violência. E sobretudo a Páscoa do Senhor morto e ressuscitado que vence todas as forças do mal pela admirável grandeza do seu amor. Páscoa de cada um de nós em batismo e eucaristia em que nos é dado fazer a mesma experiência do encontro com o Senhor que se revela e se dá a conhecer, nos seduz na aventura do seu evangelho e nos envia como sábios construtores num mundo com traços de Herodes que joga toda a habilidade, ciência e maldade, na tentativa da destruição de Deus e dos pequeninos.

 

Sinais e docilidade.

Poderíamos repetir que esta é a geração dos que procuram o Senhor. Vimos a sua estrela. Não foi só ver e analisar, mas seguir e procurar até encontrar o seu sentido pleno, até encontrar Cristo. Cristo incarnado e nascido de Maria, não uma ideia, uma ideologia ou mera simbologia. O nosso Deus fez-se carne e habitou entre nós. Carne hoje entregue em eucaristia.

Por isso o sinal mais belo é terem encontrado o Menino, que é o Messias, com Maria, sua Mãe. Maria é na verdade o sinal que Deus nos oferece para o encontro com o Deus verdadeiro. Maria é a testemunha mais bela e mais transparente do Deus verdadeiro, na sua surpreendente aventura de amor e entrega à humanidade.

Caminhada por entre sinais de contradição. Na caminhada o discípulo e filho de Deus encontra também dificuldades, muitas vezes aparecidas de onde menos se espera. Dificuldades, simbolizadas na figura pessoal de Herodes, que no fingimento e na hipocrisia, pretendem roubar o sentido mais interessante da descoberta do verdadeiro tesouro, Jesus Cristo. E certamente em todos os tempos no cocktail de fingimento, hipocrisia e falsidade, aliadas aos argumentos mais ágeis para atacar, violentar e destruir Deus e os irmãos, sobretudo os indefesos, os frágeis e os vulneráveis.

Também os sinais da subtil e eficaz presença amorosa de Deus, da Sua graça, conjugada com a sabedoria, a oração, a escuta de Deus, mesmo em sonhos, edificando novos caminhos onde vence a verdade, a vida, Deus e a pessoa humana.

A alegria é o sinal do nosso encontro com Deus feito Homem, nascido e oferecido a nós, eucaristia acessível, que transforma o nosso coração na plenitude, que nos faz saborear a unidade de vida e a certeza de que a nostalgia e vontade de Deus se realiza e se torna bem acessível.

 

Compromisso

O compromisso da procura e do encontro com Deus faz da nossa vida de cristãos um inteiro dinamismo. A vida cristã é na realidade dinâmica, tende sempre a crescer até atingir a plenitude no encontro com Deus, e por Ele, com os irmãos.

Onde está? É uma pergunta que devemos fazer. Mas onde está o Rei que acaba de nascer. Cada vida humana é um dom a ser encontrado, servido e amado. Quando encontramos o verdadeiro Deus feito Homem, n’Ele e por Ele, encontramos os irmãos que querem nascer, que nasceram, vivem e necessitam da nossa presença, da nossa alegria, da nossa partilha e dos nossos caminhos construídos com base na verdade, na justiça e no amor. Cada ser humano frágil é rei à espera da nossa fidelidade e entrega.

Onde está também levou a bater numa porta equivocada, mas um equívoco superado pela graça misteriosa de Deus, que na sinceridade de quem procura tudo fará para que se encontre: “procurai e acharei. Batei e abrir-se-vos-á”.

Compromisso na adoração. Um Deus encontrado e feito Menino, adorado como centro da vida e fundamento do nosso ser. Assim como fonte da nossa oração, do nosso pensar do nosso agir.

Compromisso sábio de saber discernir, de possuir a verdadeira sinceridade, a coerência científica como serviço à verdade e não ao serviço do poder e dos interesses. Compromisso de fazer frente à hipocrisia, aos planos de destruição a que pessoas concretas, instituições e ideologias pretendem usar para fazer desaparecer Deus e a vida humana.

Compromisso com a partilha atenta, oportuna e eficaz. Quem encontra Deus sabe abrir os tesouros e sabe oferecer com alegria.

Entraram na casa. O perfume desta família torna esta casa, apesar de pobre e frágil, um berço de embalar, um sorriso de vida, um calor de humanidade, um incenso de agradável sacrifício, um sinal de entrega total, um Deus maravilhoso, um encontro de vida, um caminho seguro.

 

Anuncio Solene do Dia da Páscoa

(Depois da Leitura do Evangelho ou depois da oração da comunhão).

 

Irmãos caríssimos,

A glória do Senhor manifestou-se

e manifestar-se-á sempre no meio de nós,

até a sua vinda no fim dos tempos.

Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo,

recordamos e vivemos os mistérios da salvação.

 

O centro de todo o ano litúrgico

é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado,

que culminará no Domingo da Páscoa, este ano a 1 de Abril.

Em cada domingo, Páscoa semanal,

a santa Igreja torna presente este grande acontecimento,

no qual Jesus venceu o pecado e a morte.

 

Da Páscoa derivam todos os dias santos:

as Cinzas, início da Quaresma, a 14 de Fevereiro;

a Ascensão do Senhor, a 13 de Maio;

O Pentecostes, a 20 de Maio;

o 1º domingo do Advento, a 2 de Dezembro.

 

Também nas festas da Santa Mãe de Deus,

dos Apóstolos, dos Santos,

e na Comemoração dos Fiéis Defuntos,

a Igreja peregrina sobre a terra

proclama a Páscoa do Senhor.

 

A Cristo que era,

que é e que há de vir,

Senhor do tempo e da história,

louvor e glória pelos séculos dos séculos.

R. Amen.

 

Fala o Santo Padre

 

«Os Magos representam os homens e as mulheres à procura de Deus nas religiões

e nas filosofias do mundo inteiro: uma busca que jamais terá fim.»

Aquele Menino, nascido em Belém da Virgem Maria, não veio só para o povo de Israel, representado pelos pastores de Belém, mas para toda a humanidade, representada neste dia pelos Magos, vindos do Oriente. E é precisamente a propósito dos Magos e do seu caminho à procura do Messias que a Igreja nos convida hoje a meditar e rezar.

Estes Magos, vindos do Oriente, são os primeiros daquela grande procissão de que nos falou o profeta Isaías na primeira Leitura (cf. 60, 1-6): uma procissão que nunca se interrompeu desde então e que, através de todas as épocas, reconhece a mensagem da estrela e encontra o Menino que nos mostra a ternura de Deus. Há sempre novas pessoas que são iluminadas pela luz da estrela, que encontram o caminho e chegam até Ele.

Segundo a tradição, os Magos eram homens sábios: estudiosos dos astros, perscrutadores do céu, num contexto cultural com crenças que atribuíam às estrelas explicações e influxos sobre as vicissitudes humanas. Os Magos representam os homens e as mulheres à procura de Deus nas religiões e nas filosofias do mundo inteiro: uma busca que jamais terá fim. Homens e mulheres à procura.

Os Magos indicam-nos o caminho por onde seguir na nossa vida. Eles procuravam a verdadeira Luz: «Lumen requirunt lumine», diz um hino litúrgico da Epifania, aludindo precisamente à experiência dos Magos. «Lumen requirunt lumine». Seguindo uma luz, eles buscam a luz. Andavam à procura de Deus. Tendo visto o sinal da estrela, interpretaram-no e puseram-se a caminho, fazendo uma longa viagem.

Foi o Espírito Santo que os chamou e impeliu a pôr-se a caminho; e, neste caminho, terá lugar também o seu encontro pessoal com o verdadeiro Deus.

No seu caminho, os Magos encontram muitas dificuldades. Quando chegam a Jerusalém, vão ao palácio do rei, porque consideram óbvio que o novo rei nasceria no palácio real. Lá perdem de vista a estrela – quantas vezes se perde de vista a estrela! – e embatem numa tentação, posta lá pelo diabo: é o engano de Herodes. O rei Herodes mostra interesse pelo Menino, não para O adorar, mas para O eliminar. Herodes é homem do poder, que consegue ver no outro apenas o rival. E, no fundo, considera Deus também como um rival, antes, como o rival mais perigoso. No palácio, os Magos atravessam um momento de escuridão, de desolação, que conseguem superar graças às sugestões do Espírito Santo, que fala através das profecias da Sagrada Escritura. Estas indicam que o Messias nascerá em Belém, a cidade de David.

Então eles retomam a viagem e de novo vêem a estrela: o evangelista observa que sentiram «imensa alegria» (Mt2, 10), uma verdadeira consolação. Tendo chegado a Belém, encontraram «o menino com Maria, sua mãe» (Mt 2, 11). Depois da tentação em Jerusalém, apareceu aqui a segunda grande tentação: rejeitar esta pequenez. Mas não o fizeram; em vez disso, «prostrando-se, adoraram-No», oferecendo-Lhe seus preciosos e simbólicos dons. É sempre a graça do Espírito Santo que os ajuda: aquela graça que, por meio da estrela, os chamara e guiara ao longo do caminho, agora fá-los entrar no mistério. Aquela estrela que os acompanhou no caminho, fá-los entrar no mistério. Guiados pelo Espírito, chegam a reconhecer que os critérios de Deus são muito diferentes dos critérios dos homens, já que Deus não Se manifesta no poder deste mundo, mas vem até nós na humildade do seu amor. O amor de Deus é certamente grande. O amor de Deus é forte, sem dúvida. Mas o amor de Deus é humilde, tão humilde! Assim os Magos são modelo de conversão à verdadeira fé, porque acreditaram mais na bondade de Deus do que no brilho aparente do poder.

Deste modo, podemos interrogar-nos: Qual é o mistério onde Deus Se esconde? Onde posso encontrá-Lo? Ao nosso redor, vemos guerras, exploração de crianças, torturas, tráficos de armas, comércio de pessoas... Em todas estas realidades, em todos estes irmãos e irmãs mais pequeninos que sofrem por tais situações, está Jesus (cf. Mt25, 40.45). O presépio propõe-nos um caminho diferente do sonhado pela mentalidade mundana: é o caminho do abaixamento de Deus, aquela humildade do amor de Deus que Se abaixa, aniquila, a sua glória escondida na manjedoura de Belém, na cruz do Calvário, no irmão e na irmã que sofre.

Os Magos entraram no mistério. Passaram dos cálculos humanos ao mistério: esta foi a sua conversão. E a nossa? Peçamos ao Senhor que nos conceda fazer o mesmo caminho de conversão vivido pelos Magos. Que nos defenda e livre das tentações que escondem a estrela. Que sintamos sempre a inquietação de nos interrogarmos «onde está a estrela», quando a perdermos de vista no meio dos enganos do mundo. Que aprendamos a conhecer de forma sempre nova o mistério de Deus, que não nos escandalizemos do «sinal», do sinal referido pelos Anjos, da indicação «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12), e que tenhamos a humildade de pedir à Mãe, à nossa Mãe, que no-Lo mostre. Que encontremos a coragem de nos libertar das nossas ilusões, das nossas presunções, das nossas «luzes», e que busquemos tal coragem na humildade da fé e possamos encontrar a Luz, Lumen, como fizeram os santos Magos. Que possamos entrar no mistério. Assim seja.

 Papa Francisco, Homilia, Basílica Vaticana, 6 de Janeiro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Por Jesus, verdadeira luz das nações,

supliquemos ao Pai que dê a paz e o bem-estar

aos homens e mulheres de todo o mundo,

dizendo ( ou: e cantando) com toda a confiança:

 

R. Ouvi-nos Senhor.

Ou: Iluminai, Senhor, a terra inteira.

Ou: Iluminai, Senhor, a nossa vida.

 

1-Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que, seguindo o caminho da fé,

irradiem confiança, alegria, disponibilidade e coerente testemunho,

oremos, irmãos.

 

2-Pelas dioceses e paróquias do mundo inteiro,

para que na sabedoria do Evangelho,

irradiem o dinamismo de Cristo luz do mundo,

sejam espaço de acolhimento, de bondade e misericórdia,

oremos, irmãos.

 

3- Por todos nós,

Interpelados pelo encontro com Jesus,

para que sintamos amor pelos pobres,

pelos marginalizados e espezinhados,

e partilhemos os nossos tesouros com eles,

oremos, irmãos.

 

4-Pelos doentes que mais sofrem

para que encontrem alívio em Cristo,

que no seu nascimento revela já a sua

vida doada, sacrificada e entregue em sacrifício,

oremos, irmãos.

 

5- Por todos as pessoas da ciência,

pela investigação médica,

para que vejam a pessoa humana com toda a dignidade,

e tudo façam como serviço à vida,

e não cedam às ideologias da arrogância contra a vida humana,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

Ouvi as preces que Vos dirigimos,

E fazei que, procurando a vossa luz,

Percorramos os caminhos da verdade,

Que o Espírito Santo nos revela.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó vós que andais buscando, M. Simões, NRMS 47

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

Prefácio

 

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Em Cristo, luz do mundo,

revelastes hoje a todos os povos o mistério da salvação

e, manifestando-O na nossa natureza mortal,

nos renovastes com o esplendor da sua imortalidade.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes,

proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Senhor, quero encher meu coração de gratidão e ação de graças. Tu na Eucaristia te tornas tão acessível, mais ainda do que em Belém. Por isso eu quero encontra-te e ser iluminado por Ti. Quero comprometer-me com o mistério da Tua Incarnação até ao Teu Mistério Pascal. Tu me tocas no mais profundo. Tu vens dar-me vida em abundância.

Quero seguir pelo caminho novo que necessariamente me ofereces. Neste mundo de nefastas ideologias, de aparências científicas, de promessas falsas e de enganos, quero ir, sem medo e com alegria contagiante, como alguém que Te encontrou e Te anuncia. Ajuda-me a ser comprometido para que haja vida, dignidade, justiça, liberdade e paz.

 

Cântico da Comunhão: Uns Magos vindo do além, F. da Silva, NRMS 76

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Tu és a Luz, Az. Oliveira, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Também eu fiz a experiência do encontro com Jesus Cristo: fonte de Vida Nova, beleza de Deus em rosto humano.

Que eu me torne como os Magos: nunca endureça o meu coração de procurar Deus nascido de Maria; que manifeste a alegria de encontrar Jesus Cristo; que nunca deixe de sorrir e nunca seja profeta da desgraça; que seja sempre carinhoso com Maria que me oferece Deus e com Ela aprenda a amar; que seja sábio pela escuta da Palavra de Deus e da oração; que seja dócil ao Espírito Santo para também descobrir a falsidade, a mentira e o engano; que seja mensageiro da justiça, da paz; que meus olhos estejam bem abertos diante de todas as tentativas reducionistas e empobrecedoras da vida e da família; que minha vida seja luz sempre alimentada da Eucaristia.

 

Cântico final: Vamos cantar meu povo, F. da Silva, NRMS 47

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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