Santa Maria Mãe de Deus

D. M. da Paz

1 de Janeiro de 2018

 

Na Oitava do Natal do Senhor

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Ou

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Dia Mundial da Paz foi estabelecido pelo beato Paulo VI em 1968, pouco depois de encerrado o Concílio Vaticano II, em plena guerra fria, pairando sobre o mundo a ameaça da guerra das estrelas.

É também o primeiro dia do novo ano civil, início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que em cada dia nos cumula da sua bênção e nos oferece a vida em plenitude e com a Mãe que afasta de nós os perigos.

A Igreja convida-nos a percorrer estes 365 dias conduzidos pela mão maternal de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

 

Acto penitencial

 

Neste Dia Mundial da Paz, detenhamo-nos uns momentos para verificar as vezes em que temos cedido à violência e a temos fomentado no trabalho, na família e nos grupos de convivência humana.

Peçamos perdão para, ao longo do ano que findou, não termos sido, muitas vezes, verdadeiros construtores da paz entre as pessoas.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Vivemos muitas vezes sem paz na consciência

    e não a procuramos numa confissão sacramental bem feita.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Cedemos muitas vezes à violência nas palavras e obras

    e custa-nos reconhecer depois que procedemos como pagãos.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Descuidamo-nos de promover a reconciliação

    entre as pessoas e famílias que estão zangadas e não se falam.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor ensina a Moisés como é que ele e os seus sucessores hão-de abençoar o Povo de Deus. «Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei.»

Na tríplice invocação de Deus há uma insinuação sobre o mistério da Santíssima Trindade.

 

Números 6, 22-27

22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».

 

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade.

Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

 

Salmo Responsorial            Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

 

Monição: O Povo de Deus cantava o salmo que a liturgia nos apresenta nesta Missa para agradecer ao Senhor as colheitas e para pedir-Lhe novas bênçãos.

Ao cantá-lo, peçamos ao nosso deus que nos conceda uma colheita abundante de boas obras ao longo deste ano que dá agora os primeiros passos.

 

Refrão:    Deus Se compadeça de nós

            e nos dê a sua bênção.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os seus caminhos

e entre os povos a sua salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo fala, na carta aos cristãos da Galácia, em Nossa Senhora, dizendo que «Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher.»

E porque de Maria nos veio Jesus, quando mais perto d’Ela permanecermos ao longo deste ano, por uma devoção verdadeira, mais seguro será o nosso caminho do Céu.

 

Gálatas 4, 4-7

Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

 

O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico, parece querer manter a mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de Jesus.

 

Aclamação ao Evangelho   Hebr 1, 1-2

 

Monição: O Senhor dirige-nos a Sua Palavra em abundância, para que ela frutifique na nossa vida pelas boas obras.

Aclamemos o Evangelho que nos vai ser anunciando, manifestando, deste modo, a disponibilidade para cumprirmos os seus ensinamentos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Muitas vezes e de muitos modos

falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

 

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

 

Sugestões para a homilia

 

• Um novo ano

Com a bênção de Deus

Para que tenhamos paz

Sinais de bênção uns para os outros

• Maria, Rainha da Paz

Presépio, remanso de Paz

Maria, Mãe do Príncipe da Paz

Construtores da Paz

 

1. Um novo ano

 

A “bênção” (“beraka”) é concebida, no universo dos povos semitas, como uma comunicação de vida, real e eficaz, que atinge o “abençoado” e que lhe transmite vigor, força, êxito, felicidade.

Esta “bênção” apresenta-se numa tríplice fórmula, sempre em crescendo (no texto hebraico, a primeira afirmação tem três palavras; a segunda, cinco; a terceira, sete). Em cada uma das fórmulas, é pronunciado o nome de Jahwéh... Ora, pronunciar três vezes o nome do Deus da aliança é dar uma nova actualidade à aliança, às suas promessas e às suas exigências; é lembrar aos israelitas que é do Deus da aliança que recebem a vida nas suas múltiplas manifestações e que tudo é um dom de Deus.

A tríplice formula que o Senhor ensina a Moisés pode ser encarada como uma alusão velada ao Mistério da Santíssima Trindade que somente é revelado na aurora do Novo Testamento.

 

a) Com a bênção de Deus. «O Senhor disse a Moisés: «Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: ‘O Senhor te abençoe e te proteja

Como alcançar a bênção de Deus.

Que bênção queremos para nós? Por outras palavras: quais são os desejos mais íntimos que acalentamos? Há quem volte o seu olhar para a terra e não pense em mais nada. O homem é o único animal que foi criado para olhar de frente, para o alto, ao longe. É este olhar que deve guiar os nossos desejos.

Não o de um animal sem inteligência que apenas procura o alimento para cada dia e reproduzir-se, quando chega a época propícia do ano.

•  Longa vida. Para quê? Precisamos de um projecto que abarque toda a vida, e não apenas alguns dias ou anos.

Agradecemos ao Senhor mais um ano que vivemos, além de todos os outros e queremos aproveitar melhor este que agora começa.

Vamos a caminho da eternidade feliz e não podemos descuidar-nos com coisas que nos amarguram e roubam a paz da consciência.

Muito dinheiro e saúde. Para quê? São tudo ajudas que o Senhor nos oferece para chegarmos à meta. São apeadeiros, não estações, fins de viagem.

Ou algo mais. Estamos na terra para preparar uma eternidade feliz, crescendo na amizade com o Senhor por meio das boas obras e oração.

A reflexão pode fazer-se a partir dos seguintes dados:

Em primeiro lugar, somos convidados a tomar consciência da generosidade do nosso Deus, que nunca nos abandona, mas que continua a sua tarefa criadora derramando sobre nós, continuamente, a vida em plenitude.

É de Deus que tudo recebemos: vida, saúde, força, amor e aquelas mil e uma pequeninas coisas que enchem a nossa vida e que nos dão instantes plenos. Tendo consciência dessa presença contínua de Deus ao nosso lado, do seu amor e do seu cuidado, somos gratos por isso? No nosso diálogo com Ele, sentimos a necessidade de O louvar e de Lhe agradecer por tudo o que Ele nos oferece? Agradecemos todos os dons que Ele derramou sobre nós no ano que acaba de terminar?

É preciso ter consciência de que a “bênção” de Deus não cai do céu como uma chuva mágica que nos molha, quer queiramos, quer não (magia e Deus não combinam); mas a vida de Deus, derramada sobre nós continuamente, tem de ser acolhida com amor e gratidão e, depois, transformada em gestos concretos de amor e de paz. É preciso que o nosso coração diga “sim”, para que a vida de Deus nos atinja e nos transforme.

 

b) Para que tenhamos paz. «O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’

Como o dinheiro e o ouro, há verdadeiro, autêntico, e falso, assim há verdadeira e falsa paz. Tudo o que é falso é enganoso e destina-se a prejudicar-nos.

Paz superficial. E como a paz de um ébrio, de um toxicodependente ou de quem está a dormir. No mundo irreal em que vive nem dá pelos problemas que encontra, mas esta não é uma paz fiável porque não está fundada na realidade.

Paz ilusória. Há quem sonhe construir a paz, fugindo de todos os problemas ou fingindo não os ver. Mesmo que os não vejamos, eles existem; e mais cedo ou mais tarde, eles abatem-se sobre nós como uma tempestade.

 Não há vida sem problemas. Eles são inseparáveis do crescimento, do progresso.

Paz verdadeira. Santo Agostinho definiu a paz como sendo a tranquilidade na ordem de todas as coisas. Esta ordem engloba o respeito pelos direitos de Deus e pelos todas as pessoas.

Fora desta tranquilidade na ordem encontramos:

A paz da morte, da insensibilidade e da indiferença perante da vida. É a paz dos nossos cemitérios e que, portanto, não queremos para nós.

A paz do medo. Para a ter, abdicamos da nossa condição de pessoas e reduzimo-nos à condição de objectos. Foi esta a paz que os mártires de todos os tempos recusaram.

Para gozar a verdadeira paz é urgente abolir todas as formas de escravidão. Abolir as escravidões das pessoas. Mensagem do papa. Formas de escravidão.

As nossas escravidões.

— Com Deus. «A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus. O progresso da ciência e as invenções da técnica evidenciam que reina uma ordem maravilhosa nos seres vivos e nas forças da natureza. Testemunham outrossim a dignidade do homem capaz de desvendar essa ordem e de produzir os meios adequados para dominar essas forças, canalizando-as em seu proveito.» (S. João XXIII, Enc. Pacem in terris, Introdução).

— Consigo mesmo. «No entanto, imprimiu o Criador do universo no íntimo do ser humano uma ordem, que a consciência deste manifesta e obriga peremptoriamente a observar: "mostram a obra da lei gravada em seus corações, dando disto testemunho a sua consciência e seus pensamentos" (Rm 2,15). E como poderia ser de outro modo? Pois toda obra de Deus é um reflexo de sua infinita sabedoria, reflexo tanto mais luminoso, quanto mais essa obra participa da perfeição do ser (cf. Sl 18,8-11).» (Pacem in terris, Introdução).

— Com os irmãos. Não haverá paz enquanto os direitos de cada pessoa não forem respeitados «Justiça é o novo nome da paz.» (Pacem in terris).

 

c) Sinais de bênção uns para os outros. «Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei

Com a boa vontade de todos, poderíamos melhorar rapidamente a paz no ambiente em que vivemos.

Não responder à violência com violência. À semelhança das ondas que encontram no seu caminho a muralha do cais e aí para a sua fúria, de modo semelhante, as pessoas que vêm ter connosco cheias de violência deviam encontrar em nós a serenidade e não um comportamento do mesmo género. De outro modo, a espiral da violência vai crescendo cada vez mais.

Não ser violento. Trazer os nervos à flor da pele não é sinal de fortaleza, mas de fraqueza e, por vezes, de falta de educação e de virtude. É preciso renunciar de uma vez para sempre à violência das palavras e nas atitudes, porque nada resolve.

Quem diz tudo o que lhe vem à cabeça, especialmente em momentos de irritação, parece-se com um animal selvagem, não com uma pessoa humana.

Às vezes pode ajudar o ter à mão um copo de água, para beber no momento oportuno. A água apaga incêndios.

Fugir do que nos torna violentos. Há diversos estimulantes à violência própria: o álcool. Há três fazes sucessivas na embriaguez: de macaco, de leão e de porco. É na segunda fase que acontecem os casos de violência doméstica, as grandes desordens e até mortes.

A falta de descanso suficiente — de dormir — provoca o mau humor e pode levar à agressividade.

É preciso evitar a companhia e dialogo com outras pessoas que têm prazer em provocar a violência nos outros. O mais forte é o que consegue calar-se em primeiro lugar.

Não incitar à violência. A falta de domínio das palavras e a continuação com uma linguagem agressiva pode levar os outros à violência. É preciso pedir a graça de saber perder e não querer dizer a última palavra, atirar a última pedra na conversa ou na discussão.

Semeadores de paz e de alegria. Isto não significa que não possamos ter problemas ou que as ofensas reais ou imaginárias não nos magoem e façam sofrer.

 

2. Maria, Rainha da Paz

 

a) Presépio, remanso de Paz. «Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura

Depois de terem sido avisados pelo Anjo do grande acontecimento do Natal os pastores dirigiram-se imediatamente para gruta de Belém, possivelmente com alguns humildes presentes para o Menino recém-nascido.

Encontraram-se com o silêncio, um silêncio que falava que cuja mensagem penetrava em seus corações. Encontraram a verdadeira paz.

Para a conseguir, é preciso seguir o exemplo de Jesus ao nascer.

Desprendimento. O Senhor do universo dispensou, ao nascer, uma casa e um berço. Foi aconchegado numa manjedoira de animais, depois de ter nascido numa gruta que servia para acolher os animais durante a noite.

Mas não dispensa o amor de Maria e José, uma amor diligente e generoso que se manifesta em tudo, no meio daquela pobreza.

A ambição desmedida rouba a paz às pessoas. Há quem esteja sempre a pensar no que não tem, sem reparar naquilo que já possui; quem sofra pelos bens que os outros possuem e que foram ganhos com o suor do rosto.

Humildade. Entramos em desassossego porque nos revoltamos contra a nossa pequenez, contra as nossas normais limitações, ou seja: não nos aceitamos como somos, porque nos imaginamos maiores e melhores do que os outros.

Só a verdadeira humildade — que consiste em nos conhecermos e aceitarmos como somos — nos pode dar a verdadeira paz.

Oração. Quando sentirmos dificuldade em recuperar a paz de espírito, entremos na igreja, ponhamo-nos diante do Sacrário algum tempo, e sairemos de lá tranquilos e felizes. Se não nos pudermos aproximar do Tabernáculo, entremos no nosso quarto ou noutro lugar recolhido e conversemos com Deus, desabafando as nossas mágoas com Ele e logo recuperaremos a serenidade perdida.

 

b) Maria, Mãe do Príncipe da Paz. «Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração

Maria é verdadeira Mãe de Deus. No seu seio virginal uniu-se para sempre o Verbo de Deus, Segunda Pessoas da Santíssima Trindade e a nossa natureza humana.

Maria é ainda com mais propriedade Mãe da Pessoa divina e humana de Jesus do que qualquer mãe da terra o é de seu filho. Para a geração do Menino Jesus não contribuiu qualquer homem.

Tudo o que Jesus tem de humano recebeu-o de Maria: as feições do rosto, o tom da voz, o jeito de se explicar, o sorriso aberto, o imenso carinho com que atendia as pessoas na Sua vida Pública.

Queremos imaginá-l’A prestando a Jesus Menino os cuidados que as nossas mães prestam aos seus filhos: aleitou-O com os seus seios virginais; vestiu-O com a maior elegância possível; ensinou-lhe a pronunciar as primeiras palavras e amparou-O nos primeiros passos incertos e titubeantes.

Teve a alegria de ouvir dos lábios de infante a palavra que todas as mães gostam de ouvir nos lábios dos filhos: Mãe!

Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. O Evangelho de S. Lucas repete-nos várias vezes este pensamento, como que a dizer-nos que é muito importante.

 À imitação de Nossa Senhora, havemos de procurar guardar estes acontecimentos da vida no nosso coração, para fazermos oração pensando neles, para lhes descobrirmos o sentido e o que o Senhor nos quer dizer por meio deles.

 

c) Construtores da Paz. «Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado

Para construir uma verdadeira paz é preciso acabar com todas as formas de escravatura. É este o tema da mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2015 e ele enumera as principais: «Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fenómeno da sujeição do homem pelo homem. Houve períodos na história da humanidade em que a instituição da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contrário, nascia escravo, bem como as condições em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuperá-la.» (n.º 3).

Chama a atenção para uma coisa importante: «apesar de a comunidade internacional ter adoptado numerosos acordos para pôr termo à escravatura em todas as suas formas e ter lançado diversas estratégias para combater este fenómeno, ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura.» (n.º 3).

Passa depois a enumerar algumas delas:

«Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos sectores, a nível formal e informal, desde o trabalho doméstico ao trabalho agrícola, da indústria manufactureira à mineração, tanto nos países onde a legislação do trabalho não está conforme às normas e padrões mínimos internacionais, como – ainda que ilegalmente – naqueles cuja legislação protege o trabalhador.»

«Penso também nas condições de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajecto dramático, padecem a fome, são privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados física e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois duma viagem duríssima e dominada pelo medo e a insegurança, ficam detidos em condições às vezes desumanas.»

«Penso nas pessoas obrigadas a prostituírem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres forçadas a casar-se, quer as que são vendidas para casamento quer as que são deixadas em sucessão a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou não o próprio consentimento.»

E logo aponta as causas desta escravatura: «Entre elas, penso em primeiro lugar na pobreza, no subdesenvolvimento e na exclusão, especialmente quando os três se aliam com a falta de acesso à educação ou com uma realidade caracterizada por escassas, se não mesmo inexistentes, oportunidades de emprego.»

Agradeçamos ao Senhor os dons da liberdade e da paz que estamos a celebrar nesta Eucaristia e tomemos o compromisso diante de Deus de ajudar a libertarem-se os que estiverem ao nosso alcance.

Nossa Senhora, Rainha da Paz, nos ajude a conquistar a liberdade para nós e para os nossos irmãos.

 

Fala o Santo Padre

 

«A paz é sempre possível e a nossa oração está na raiz da paz.»

Neste primeiro dia do ano, no clima alegre — embora frio — do Natal, a Igreja convida-nos a dirigir o nosso olhar de fé e amor para a Mãe de Jesus. Nela, mulher humilde de Nazaré, «o Verbo fez-se carne e veio habitar no meio de nós» (Jo 1, 14). Por isso, é impossível separar a contemplação de Jesus, o Verbo da vida que se fez visível e tangível (cf.1 Jo 1, 1), da contemplação de Maria, que lhe doou o seu amor e a sua carne humana.

Hoje, escutámos as palavras do apóstolo Paulo: «Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher» (Gl 4, 4). A expressão «nascido de mulher» manifesta de maneira essencial, e por isso ainda mais forte, a verdadeira humanidade do Filho de Deus. Como afirma um Padre da Igreja, santo Atanásio: «O nosso Salvador foi verdadeiramente homem e disto vem a salvação de toda a humanidade» (Carta a Epiteto: pg 26).

Mas são Paulo diz também: «nascido sob a lei» (Gl 4, 4). Com esta expressão evidencia que Cristo assumiu a condição humana, libertando-a da mentalidade legalista fechada. De facto, a lei privada da graça torna-se um jugo insuportável e em vez de nos fazer bem, faz-nos mal. Jesus dizia: «O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado». Eis o fim para o qual Deus envia o seu Filho sobre a terra para se tornar homem: uma finalidade de libertação, aliás de regeneração. De libertação «a fim de salvar quantos estavam sob a lei» (v. 5); e a salvação deu-se com a morte de Cristo na cruz. Mas sobretudo de regeneração: «para que recebêssemos a adopção como filhos» (v. 5). Incorporados n’Ele os homens tornam-se realmente filhos de Deus. Esta transformação maravilhosa acontece em nós através do Baptismo, que nos une como membros vivos em Cristo e nos insere na sua Igreja. […]

Esta proximidade de Deus à nossa existência doa-nos a paz verdadeira: o dom divino que queremos implorar especialmente hoje, Dia Mundial da Paz. Leio ali: «A paz é sempre possível». Sempre é possível a paz! Devemos buscá-la... e lá, leio: «Oração na raiz da paz». A oração é precisamente a raiz da paz. A paz é sempre possível e a nossa oração está na raiz da paz. A oração faz brotar a paz. Hoje, Dia Mundial da Paz, «Já não escravos, mas irmãos»: eis a Mensagem deste Dia. Porque as guerras nos tornam escravos, sempre! Uma mensagem que compromete todos. Somos chamados a combater qualquer forma de escravidão e a construir a fraternidade. Todos, cada um segundo a própria responsabilidade. E recordai: a paz é possível! E na raiz da paz, está sempre a oração. Rezemos pela paz. Há também aquelas bonitas escolas de paz, escolas para a paz: devemos ir em frente com esta educação para a paz.

Apresentemos a Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, os nossos propósitos de bem. Peçamos a Ela que estenda sobre nós e sobre todos os dias do ano novo o manto da sua protecção materna: «Santa Mãe de Deus, não desprezeis as súplicas de nós que estamos na provação, e livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita». […]

Bom ano a todos. Seja um ano de paz no abraço de ternura do Senhor e com a protecção materna de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Saúdo todos vós!

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de Janeiro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs caríssimos:

Na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,

façamos subir até ao Pai do Céu a nossa oração pela paz

e pelo bem-estar de todas pessoas do mundo e da Igreja.

 Oremos (cantando), com alegria:

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

1.             Para que o Senhor dê aos fiéis da sua Igreja e àqueles que os apascentam

    um ano de bênçãos e de graças, que se concretizem na santidade de vida.

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

2.             Para que os pais de família e demais educadores da nossa paróquia

    se empenhem a em preparar os jovens para uma vida fiel a Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

3.             Para que todos nós, aqui reunidos a celebrar a Santíssima Eucaristia

    procuremos, ao longo deste ano, construir um ambiente mais cristão,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

4.             Para que o Santo Padre, com os Bispos em comunhão na fé com ele

    não se cansem de nos ensinar os caminhos da verdadeira paz de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

5.             Para que o Menino encontrado pelos pastores que visitaram a gruta e Belém

    ensine aos homens que trabalham pela paz a construí-la na fidelidade a Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

6.             Para que os nossos fiéis defuntos que ainda não entraram no Paraíso

    vejam os seus pecados perdoados e entrem hoje na comunhão celeste,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa paz!

 

Pai santo, Deus do Amor, que chamais filhos vossos

àqueles que promovem entre os homens a paz,

concedei-nos a graça de trabalhar incansavelmente

pela instauração da justiça, e do amor entre todos

a fim de garantir aos homens a paz firme e verdadeira.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi-nos ensinado o caminho da Salvação na Liturgia da Palavra em que acabamos e participar.

Vai agora ser preparada a refeição eucarística, a partir das ofertas que levamos ao altar, para nos alimentarmos com o Corpo e sangue do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Santa Maria, Mãe de Deus, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Neste Dia Mundial a Paz, ao trocarmos entre nós o sinal litúrgico da paz e reconciliação, queremos renovar na presença do Senhor o compromisso de sermos construtores da paz verdadeira, perdoando as ofensas recebidas e aceitando ser perdoados das que tivermos cometido.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Comungar sacramentalmente é receber no coração o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Senhor, Rei do Universo, que os pastores, em união com Maria e José, adoraram no presépio de Belém.

Peçamos ao Senhor a graça de o fazermos com uma fé profunda e um amor verdadeiro que nos prepare para a Vida Eterna.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 52

Hebr 13, 8

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus chama-nos, ao longo do ano que hoje começa, a sermos construtores da paz verdadeira.

E faz-nos uma promessa: Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

 

Cântico final: O Povo de Deus Te aclama, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL ATÉ À EPIFANIA

 

3ª Feira, 2-I: Endireitar os caminhos do Senhor.

1 Jo 22-28 /Jo 1, 19-20

João declarou: Eu sou a voz de quem brada no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor.

João Baptista anuncia a proximidade do aparecimento do Messias, pedindo: «Endireitai os caminhos do Senhor»(Ev.).

Mas  há muitos que se afastam do Senhor: são o Anticristo (Leit.) todos aqueles que querem ser os senhores da vida e da morte, que decidem quem deve nascer e quem deve morrer, esquecendo que a vida é sagrada e a Deus pertence. E também aqueles que se põem no lugar de Deus, fazento tudo, ou quase tudo, como se Deus não existisse. O Apóstolo aconselha-nos: E agora, permanecei em Cristo.

 

4ª Feira, 3-I: Santíssimo Nome de Jesus.

1 Jo 2, 29- 3, 6 / Jo 1, 29-36

João Baptista viu Jesus, que lhe vinha ao encontro, e exclamou: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Celebramos a memória do Santíssimo Nome de Jesus, que lhe foi imposto no momento da circuncisão.

João Baptista mostrou que Jesus é «o Cordeiro pascal», símbolo da Redenção de Israel na 1ª Páscoa. E S. João: «Bem sabeis que Jesus se manifestou, para tirar os pecados» (Leit.). No Nome de Jesus está a esperança do perdão, a esperança da indulgência. Ele concede o perdão dos pecados, renova os costumes. Todos os que têm devoção a este nome, encontram a glória da salvação (S. Bernardino de Sena, que difundiu esta devoção).

 

5ª feira, 4-I: Modo de vencer o demónio.

1 Jo 3, 7-10 / Jo 1, 35-42

João Baptista olhou para Jesus que passava, e disse: Eis o Cordeiro de Deus.

João Baptista assinala Jesus como o Cordeiro de Deus a dois dos seus discípulos. O Cordeiro de Deus era o símbolo da redenção de Israel na 1ª Páscoa. Agora passará a ser o Redentor do novo povo de Deus.

Foi para destruir as obras do demónio que apareceu o Filho de Deus (Leit.). Dessas obras a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus. Apoiemo-nos, pois, muito no Senhor nos combates diários e resistamos às tentações de desobediência a Deus.

 

6ª feira, 5-I: Encontros com Jesus e vida nova.

1 Jo 3, 11-21 / Jo 1, 43-51

Filipe: Acabámos de encontrar Aquele de quem Moisés e os profetas escreveram na Lei: É Jesus de Nazaré.

Os encontros de Jesus com Filipe e Natanael mudaram a vida deles (Ev.).

O Senhor, quando vem ao nosso encontro, pede igualmente pequenas mudanças de vida. Por exemplo, o amor ao próximo: «Nós sabemos também que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos» (Leit.). Se o relacionamento com os outros se torna mais difícil, lembremo-nos como Cristo os ama, oferecendo a sua vida por eles. E esse amor tem que traduzir-se necessariamente em obras: «não amemos por palavras e com a língua, mas por obras e de verdade».

 

Sábado, 6-I: A vida nova que o Filho nos traz.

1 Jo 5,5, 5-6. 8-13 / Mc 1, 6-11

O testemunho de Deus é superior, porque o testemunho de Deus é o que Ele deu acerca do seu Filho.

Este testemunho de Deus é João Baptista, que o recorda no momento do baptismo de Jesus: «Tu é o meu Filho muito amado: em ti pus o meu enlevo» (Ev.).

É no momento do nosso Baptismo que recebemos uma vida nova, a vida sobrenatural, semente da vida eterna. E esta vida está no Filho: «quem tem o Filho, tem a vida». Mantenhamos e aumentemos esta vida sobrenatural através da união com Cristo, pela recepção dos sacramentos e da vida de oração, da presença de Deus nas nossas ocupações diárias habituais.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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