Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Meia-noite

25 de Dezembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Chegou a hora mais alta, M. Faria, NRMS 44

Salmo 2, 7

Antífona de entrada: O Senhor disse-me: Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.

 

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Que alegria podermos celebrar mais este Natal do Senhor!

E podermos celebrá-lo ao vivo com Jesus aqui no meio de nós.

 

Vamos varrer o presépio que é o nosso coração, o lixo, pedindo perdão dos nossos pecados.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que fizestes resplandecer esta santíssima noite com o nascimento de Cristo, verdadeira luz do mundo, concedei-nos que, tendo conhecido na terra o mistério desta luz, possamos gozar no Céu o esplendor da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Vamos escutar uma profecia muita bela de Isaías sobre a vinda do Messias. Jesus traz conSigo a luz, a alegria e a paz.

 

Isaías 9, 1-6

2«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 5Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 6Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 7O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo. Enquadra-se às mil maravilhas na noite de Natal, em que «uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «Menino» (v. 5) que nasce para nós nesta noite, «luz do mundo» (Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas (Jz 7).

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora expressos em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial            Salmo 95 (96), 1-2a.2b-3.11-12.13 (R. Lc 2, 11)

 

Monição: O salmo é todo ele um convite à alegria pela chegada do Salvador.

 

Refrão:    Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Alegrem-se os céus, exulte a terra,

ressoe o mar e tudo o que ele contém,

exultem os campos e quanto neles existe,

alegrem-se as árvores das florestas.

 

Diante do Senhor que vem,

que vem para julgar a terra:

julgará o mundo com justiça

e os povos com fidelidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Menino nascido no presépio trouxe-nos a graça e a salvação e anima-nos a viver a vida nova, com os olhos na Sua vinda gloriosa.

 

Tito 2, 11-14

Caríssimo: 11Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, 12ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, 13aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, 14Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

 

Este breve texto é tirado da 2ª parte da breve carta a Tito. Depois de lhe dar orientações pastorais para a organização da Igreja em Creta (cap. 1), o autor passa a desenvolver o tema das exigências da vida cristã (cap. 2 e 3). Da leitura queremos fazer ressaltar o v. 13, que foi adoptado pela liturgia da Missa (final do embolismo) e o v. 14 que é uma síntese da soteriologia paulina.

11 A Vulgata tinha traduzido este versículo incorrectamente: «Apparuit gratia Dei Salvatoris», um texto já corrigido na Nova Vulgata: «gratia Dei salutaris»: «Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação». Esta manifestação é expressa por um termo próprio relativo à manifestação de Cristo (cf. 2 Tim 1, 10), epifáneia, o mesmo que se usava no mundo helenístico para falar da vinda dos reis. O Rei, agora Jesus recém-nascido, é a grande graça em ordem à «salvação para todos os homens».

12 «Ensinando-nos a renunciar»: a graça recebida no Baptismo mete-nos no caminho da «renúncia» – recordem-se as renúncias do ritual do Baptismo –, pois sem renúncia e sacrifício não se pode seguir a Cristo (cf. Lc 9, 23). S. Bernardo diz que, no Corpo de Cristo que é a Igreja, se deve ter vergonha de ser um membro regalado sob uma cabeça coroada de espinhos: «Pudeat sub spinato capite membrum fieri delicatum» (Na Festa de Todos os Santos, IV, 9).

13 «Nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo». É uma das mais categóricas afirmações da divindade de Jesus Cristo em todo o N. T. Com efeito, como no original grego há um só artigo para «Deus e Salvador», estas duas designações, Deus e Salvador, referem-se à mesma pessoa, Jesus Cristo.

14 «Um povo especialmente seu», isto é, a Igreja, povo que Jesus Cristo conquista, não pelo poder das armas, mas pelo resgate do seu sangue redentor. A Igreja é o novo povo de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 2, 10-11

 

Monição: A Igreja convida-nos a participar da alegria dos anjos, que anunciavam aos pastores o nascimento de Jesus.

Ele vem até nós mais uma vez nesta missa.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Anuncio-vos uma grande alegria:

Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 1-14

1Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. 2Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. 3Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. 4José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, 5a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. 6Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz 7e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. 8Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

 

A narrativa do nascimento do Filho eterno de Deus – nunca houve nem haverá Menino como este! – é deveras encantadora na sua simplicidade. O teólogo Lucas, dotado de génio de historiador nada precisa de inventar, para a sua peculiar teologia. Dispondo provavelmente de não muitos dados, como bom historiador, começa por situar o acontecimento no tempo e no lugar.

Ainda ninguém apresentou nenhuma razão convincente para pôr em dúvida o lugar do nascimento de «Jesus de Nazaré» em Belém (a pari, todo o mundo fala de Santo António de Pádua e a verdade é que nasceu em Lisboa!). Por outro lado, as referências do nosso historiador ao tempo não são contaminadas pela sua preocupação teológica de apresentar o nascimento do Salvador, em contraste com o César romano, Augusto, que se ufanava do título de salvador da humanidade. Embora o recenseamento geral na época de Quirino como governador da Síria – que está bem documentado – seja bastante posterior (no ano 6 da era cristã), a verdade é que houve muitos outros censos; Lucas poderia não dispor de dados muito precisos, mas o historiador teólogo não precisava de mais pormenor para que o nascimento de Jesus ficasse enquadrado na História geral. De qualquer modo, a história profana documenta-nos vários recenseamentos a que na época se procedeu; papiros descobertos no Egipto falam de censos ali feitos, em que se obrigavam também as mulheres casadas a acompanharem os seus maridos (para se garantir a verdade das declarações), e a apresentarem-se ante o recenseador ou seu delegado para a prestação das declarações tributárias; assim se explica que Maria tivesse de acompanhar a José numa viagem tão incómoda (cerca de 150 Km). Da escassa documentação romana depreende-se que com Quirino se poderia mesmo ter iniciado um recenseamento durante a sua primeira missão (militar, não como governador) na Síria, entre os anos 10 a 6 a. C.. Dado que o nascimento de Jesus se deu uns seis ou sete anos a. C., em virtude do erro cometido por Dionísio, o Exíguo, quando no séc. VI fez as contas para a adopção da era cristã, a época referida por Lucas concorda substancialmente com os dados da história profana.

Para solucionar o problema da data do recenseamento Ratzinger/Bento XVI adopta a explicação de que o recenseamento teria duas fases, a do arrolamento dos bens e a da aplicação do imposto, esta no ano 6 da nossa era em que se deu a revolta de que fala Flávio Josefo, quando Quirino era governador da Síria. Mas o problema fica bem resolvido se adoptamos outra tradução possível: “Aquele recenseamento veio a ser anterior ao que foi feito quando Quirino era governador da Síria” (assim traduz a Bíblia Catalã).

«César Augusto», o imperador Octávio, que reinou dos anos 27 a. C. a 14 d. C.

«Belém», em hebraico bet-léhem, significa casa do pão; ali nasce o «Pão da vida». Fica a uns 8 Km a sul de Jerusalém. Deduz-se que S. José ali teria a sua origem próxima, ou alguma propriedade ou condomínio. Pensa-se mesmo que ele se teria deslocado da sua Belém natal para Nazaré, participando na campanha de expansão religiosa do judaísmo na Galileia dos Gentios, que já se vinha promovendo desde o séc. II a. C.; não abundando o trabalho neste pequeno lugar, daqui poderia muito bem ir trabalhar nas obras da importante cidade de Séforis, apenas a 5 Km a Noroeste de Nazaré.

6 «Enquanto ali se encontravam». O texto deixa ver, como é compreensível, que estiveram em Belém durante algum tempo antes de o Menino nascer. De facto é inverosímil a aventura de empreenderem uma viagem de cerca de 150 Km nas vésperas do parto.

7 «Filho primogénito». Ao chamar-se Jesus «primogénito» não se faz referência a outros filhos que depois a Santíssima Virgem de facto não veio a ter, mas sim aos direitos e deveres do filho varão que uma mãe dava à luz pela primeira vez (pertencia a Deus, tinha que ser resgatado, etc.). Também parece que «primogénito» era uma designação corrente para o primeiro filho independentemente de que fosse o único, segundo se depreende de uma inscrição egípcia da época, encontrada em 1922 perto do Tell-el-Jeduiyeh, onde se diz que uma tal Arsinoe morreu com as dores do parto do seu filho primogénito. A tradução da Bíblia Inter-confessional em português corrente – «o menino, que era o seu primeiro filho» – não atende a este aspecto, como se presta a pensar que a Virgem Maria veio a dar à luz mais filhos.

«Manjedoura». A palavra grega, fátnê, também pode significar curral. Seja como for, fica patente a extrema humildade em que quis nascer o Senhor do mundo. Segundo uma tradição que vem do séc. II (S. Justino, palestino nascido em Nablus), Jesus nasceu numa gruta natural, já fora de Belém. Ali Santa Helena, mãe de Constantino, nos princípios do séc. IV, ergueu uma basílica de cinco naves que, depois de várias modificações, chegou até nós, sendo, por isso, a mais antiga igreja de toda a Cristandade. A confirmar a tradição da gruta, temos vários testemunhos que falam da profanação desta nos tempos do imperador Adriano, que ali erigiu uma estátua de Adónis. Isto confirma que se tratava de um lugar de culto dos primeiros cristãos.

«Hospedaria». A palavra grega, katályma, oferece alguma dificuldade de tradução devido ao facto de tanto poder significar «hospedaria» (o kan que existia em muitas povoações), como «sala de cima» (cf. Lc 22, 11; Mc 14, 14), o aposento superior ao rés-do-chão, que tanto podia servir de salão como de dormitório. É estranho que, em qualquer dos casos, não coubessem mais duas pessoas, dada a boa hospitalidade oriental. Mas, para a hora do parto, não haveria o mínimo de condições de privacidade, por isso se recolhem para uma gruta ou curral. Um relato destes não se inventa, pois não era este o lugar digno para o Messias glorioso que se esperava. É impressionante verificar que para o «Senhor» de toda a Criação não havia na terra um sítio digno!

8 «Pastores». É significativo que os primeiros a quem o Messias se manifesta seja gente desprezada e sem valor aos olhos da sociedade judaica, que os incluía entre os «publicanos e pecadores», pois a sua ignorância religiosa levava-os a constantemente infringirem as inúmeras prescrições legais. O facto de guardarem o gado de noite não significa que não fosse inverno, embora não saibamos nem o dia nem sequer o mês em que Jesus nasceu, o que se compreende, pois então só se celebrava o aniversário natalício dos filhos dos reis e pouco mais. Só tardiamente se começou a celebrar o nascimento de Jesus (em Roma já se celebrava no séc. IV a 25 de Dezembro). Ao chegar a noite, os pastores reuniam o gado numa vedação campestre (redil) e eles abrigavam-se da inclemência do tempo nalguma cabana feita de ramos, mesmo durante o inverno.

14 Com o nascimento de Jesus, Deus é glorificado – «glória a Deus» e advém para os homens a síntese de todos os bens – «a paz». O texto original grego pode ter uma dupla tradução, qual delas a mais rica: «homens de boa vontade» (que possuem boa vontade, segundo a interpretação tradicional), ou «os homens que são objecto de boa vontade» (ou da benevolência divina)». Os textos litúrgicos preferiram a segunda, mais de acordo com a visão universalista de Lucas. Segundo uma variante textual (menos provável) teríamos uma frase com três membros: «glória a Deus..., paz na terra, benevolência divina entre os homens».

 

Sugestões para a homilia

 

1)Deitou-O numa manjedoura

2) Uma grande alegria

3) Manifestou-se a graça de Deus  

 

1) Deitou-O numa manjedoura          

É muito bonita a festa de Natal. Mas temos de vivê-la em profundidade.

 E ter cuidado para não a deixar roubar. Muitos se querem apoderar dela apenas para fazer negócios.

Podemos também correr o perigo de deixá-la diluir em compras, presentes e reuniões de família.

Vale a pena fazer esforço para não ficar só na poesia do presépio. Jesus fez-se menino. Nasceu numa gruta em Belém, como nos recordava o Evangelho. É este o acontecimento fundamental da História humana.

Mas é acontecimento actual, como se recorda na Carta aos Hebreus: Cristo ontem, hoje e sempre.  Nasceu, há 2000 anos, na humildade duma gruta. Ele, o Senhor do Céu e da terra, está ali como criança inermeque precisa que lhe façam tudo.

Agora na Eucaristia está de modo parecido, mas ainda mais escondido e mais pequeno e mais carente dos nossos cuidados.

Um muçulmano dizia uma vez para um católico: -Se soubesse que Jesus era Deus e estava escondido na hóstia, como vós dizeis, passaria o dia todo prostrado diante dEle.

Ainda bem que O não vemos na Sua grandeza infinita, pois não só estaríamos prostrados, mas sumir-nos-íamos debaixo da terra. O profeta Isaías conta-nos que, diante da visão de Deus, exclamou cheio de temor: -“ai de mim que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros…e vi com os meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos!” (Is 6,1-5).

Jesus está escondido para que nos sintamos bem junto dEle. Mas está vivo como em Belém.

 

2) Uma grande alegria

Com os anjos vamos manifestar também a nossa alegria. Uma alegria que nos vem da fé e que tem de se renovar em cada Natal.

Abramos os olhos para Jesus na Eucaristia. Vivamos de verdade a Santa Missa. Nela copiamos dos anjos os seus cânticos de louvor: o Glória, que rezámos há instantes, o Santo, santo, que  vamos repetir daqui a pouco.

Deus mandou os anjos a anunciar aos pastores o Natal de Jesus. Também hoje nos ajudarão a vós e a mim a adorar ao Senhor, a louvá-LO, a agradecer-Lhe.

Ele disse aos Apóstolos quando vieram ter com Ele nos princípios: “vereis os céus abertos e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem “(Jo 1,51).

Em Fátima o anjo ensinou aos pastorinhos a adorar e desagravar a Jesus na Eucaristia. Numa das aparições, em 1916, trazia nas mãos o cálice e a hóstia e, depois de rezar com eles, deu-lhos a comungar. Para a Jacinta e o Francisco, há pouco canonizados, foi a sua primeira comunhão.

Enchamo-nos de alegria neste dia de Natal, avivando a nossa fé e o nosso amor a Jesus, que nasce de algum modo de novo no meio de nós, em cada missa. Porque pela consagração muda o pão no Seu Corpo e o vinho no Seu sangue sobre o altar, o mesmo corpo e o mesmo sangue nascidos da Virgem em Belém. Agora já no estado de ressuscitado.

 

3) Manifestou-se a graça de Deus  

Manifestou-se a graça de Deus-dizia o apóstolo. Continua a manifestar-se em cada missa. 

Aproveitemos neste Natal a graça que o Senhor nos oferece. Ele vem até nós mais uma vez para nos encher.

Ele que é cheio de graça e verdade (Ev. 3ª Missa). Ele é a fonte, o trono da graça (Heb 4,16). Da Sua plenitude todos nós recebemos  (Ev. 3ª missa).

Abastecidos dessa energia, saberemos renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança justiça e piedade (2ª leit.). Ele quer que sejamos um povo purificado, zeloso das boas obras (2ª leit).

E, como os pastores, iremos depois contar aos que nos rodeiam a nossa alegria e contagiá-los com a nossa fé.

João Paulo II dizia aos jovens em Roma, no ano 2.000, que se fossem o que deviam ser iriam incendiar o mundo no fogo de Deus.

Vamos aprender com Maria e José a acolher a Jesus neste novo Natal e pedir-lhes que nos alcancem uma fé grande como a deles há 2000 anos. E que saibamos adorar e tratar com muito carinho a Jesus na Eucaristia.

 

 

Oração Universal

 

Ao celebrar o nascimento de Jesus, os Seus anos, trouxemos-Lhe as nossas prendas.

Mas Ele tem muitas mais para nos dar. Vamos pedir tudo o que precisamos para nós e para todos os homens.

 

1-Pela Santa Igreja

    -enchei-a, Senhor, da Vossa graça, na celebração da Eucaristia.

 

2-Pelo Santo Padre

    -confortai-o com a Vossa fortaleza e a Vossa Sabedoria no governo de todo o Povo de Deus.

 

3-Pelos bispos, sacerdotes e diáconos

    -fazei deles mensageiros audazes e fiéis da Boa Nova e arautos da Eucaristia.

 

4-Por todo o povo cristão, por todos nós aqui reunidos

    - fazei que saibamos encontrar-vos no Sacramento do Vosso amor.

 

5-Por todos os que sofrem a solidão, a pobreza, a doença, a marginalização

    -consolai-os, Senhor, com a luz do Vosso Amor e a caridade dos que os rodeiam.

 

6-Pelas crianças e jovens do mundo inteiro

    -que Vos conheçam e Vos procurem, decididos a seguir-Vos em toda a sua vida.

 

7-Pelas famílias de todo o mundo

    -fazei delas oásis de paz, de amor, de fé, de união.

 

Senhor, que em Vosso Amado Filho nos enchestes de todos os bens, dai-nos o que não sabemos pedir.

Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó noite de Natal, Az. Oliveira, NRMS 76

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério do Verbo encarnado, nova luz da vossa glória brilhou sobre nós, para que vendo a Deus com os nossos olhos, aprendamos a amar asa coisas invisíveis.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

O Natal repete-se de algum modo em cada Missa, sobretudo na comunhão. Jesus está mais pequenino que no presépio, mas é o mesmo e vem reclinar-se em nosso coração.

 

Cântico da Comunhão: Meia-noite dada, M. Simões, NRMS 15

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Anjos e pastores, F. da Silva, NRMS 31

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir, como os pastores, jubilosos por termos estado com Jesus e com o desejo de comunicar a todos a nossa alegria.

 

Cântico final: Naquela noite escura, M. Borda, NRMS 47

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:         Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      Duarte Nuno Rocha

 


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