4º Domingo do Advento

24 de Dezembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Avé, Senhora do Advento, Az. Oliveira, NRMS 95-96

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este 4.º Domingo do Advento entrega-nos uma mensagem importante: o Messias esperado será descendente do rei David e filho de Maria. Neste último Domingo do Advento, a Liturgia convida-nos a contemplar a Mãe de Jesus e a renovar a nossa devoção para com Ela.

Na vida espiritual, Maria é o sinal da proximidade de Deus. Quando uma pessoa se volta para Ela, por muito afastada que ande dos caminhos de Deus, está perto do Salvador.

Ele foi profetizada no Génesis, depois do pecado dos nossos primeiros pais, como uma Mulher singular que enfrentaria o demónio e o venceria, na luta entre ele, a personificação do Mal, e os filhos de Deus. Aproximar-se de Maria é aproximar-se da porta do Céu.

 

Acto penitencial

 

Poucos dias nos restam para prepararmos o nosso coração em ordem a acolher o Senhor que vem trazer-nos a verdadeira felicidade.

Façamos um esforço generoso para descobrir nele o que pode desagradar aos seus divinos olhos e procuremos o perdão de tudo o que é desordem e pecado em nossa vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Temos preocupado exclusivamente, nesta aproximação do Natal,

    em fazer preparar uma boa mesa e em procurar nele maior conforto possível.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Mesmo no que diz respeito à vida espiritual, pensamos apenas em nós,

    e não tomamos consciência de que muitos esperam a nossa ajuda para o Natal.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Ainda não nos decidimos seriamente a viver bem este Natal,

    de modo que ele seja um princípio de vida nova na caminhada para o Céu.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O rei David, pacificado o reino e conquistada Jerusalém para capital, manifesta ao profeta Natã o desejo de construir um templo para o Senhor.

O profeta anuncia-lhe que Deus é que vai construir um templo maravilhoso, a Santíssima Virgem, templo para o Seu Filho unigénito na Sua vinda ao mundo.

 

2 Samuel 7, 1-5.8b-12.14a.16

1Quando David já morava em sua casa e o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam, 2o rei disse ao profeta Natã: «Como vês, eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda». 3Natã respondeu ao rei: «Faz o que te pede o teu coração, porque o Senhor está contigo». 4Nessa mesma noite, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? 8bTirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel. 9Estive contigo em toda a parte por onde andaste e exterminei diante de ti todos os teus inimigos. Dar-te-ei um nome tão ilustre como o nome dos grandes da terra. 10Prepararei um lugar para o meu povo de Israel; e nele o instalarei para que habite nesse lugar, sem que jamais tenha receio e sem que os perversos tornem a oprimi-lo como outrora, 11quando Eu constituía juízes no meu povo de Israel. Farei que vivas seguro de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais estabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

David tinha exposto ao profeta Natã o seu projecto de vir a construir para a arca da aliança uma casa digna, que substituísse de vez o modesto tabernáculo feito de cortinados. O profeta apoia a ideia do rei, mas Deus falou a Natã transmitindo-lhe uma mensagem do mais alto alcance: não seria David a erguer uma casa a Yahwéh, mas Yahwéh a fazer uma casa a David! O profeta joga com o duplo sentido de bayit, casa e dinastia (v. 11).

16 «O teu trono será firme para sempre». Este versículo contém uma das mais importantes profecias do messianismo régio. A profecia aparece cumprida no N. T., uma vez que Jesus é descendente legal de David. O seu reino, não tem fim (Lc 1, 33), pois a realeza manteve-se dentro da casa (família) de David; o seu reino é eterno, entenda-se, no sentido religioso, não no sentido político.

 

Salmo Responsorial            Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)

 

Monição: O salmista, como resposta a tanta misericórdia do Senhor para connosco, convida-nos a proclamar a Sua bondade.

Entoemos este salmo com verdadeiro sentimento de gratidão pelas graças que temos recebido e agora pela maior das graças que será o nascimento de Jesus.

 

Refrão:    Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Ou:          Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes:

«A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

«Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

‘Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

 

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador’.

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta aos fiéis da igreja de Roma, S. Paulo, convida-os a glorificar o Senhor pelas bênçãos que no tem concedido.

A maior de todas as graças é, sem dúvida, a vinda do Salvador, pelo mistério da Incarnação.

 

Romanos 16, 25-27

Irmãos: 25Àquele que tem o poder de vos confirmar, segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos 26mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos pelas escrituras dos Profetas segundo a ordem do Deus eterno, dado a conhecer a todos os gentios para que eles obedeçam à fé 27a Deus, o único sábio, por Jesus Cristo, seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos aqui a doxologia com que, de modo singular, termina a epístola. A verdade é que esta mesma doxologia aparece nalguns códices no fim ou do capítulo 14 ou do 15, devido à supressão de ou dois capítulos finais para o uso litúrgico da epístola, por se tratar de partes pessoais de menos interesse para os fiéis de outras comunidades.

«O meu Evangelho» identifica-se com «a (minha) pregação» que tem por objecto Jesus Cristo (a sua Pessoa, os seus ensinamentos e a sua obra). «O mistério… agora manifestado» e apenas vislumbrado pelos Profetas é o plano divino de salvar todos os homens (judeus e gentios) por meio da obra redentora de Jesus, que fez de nós um só corpo, a família dos filhos de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 1, 26-38

 

Monição: O melhor modo de nos mostrarmos agradecidos ao Senhor por tantos benefícios é imitar a generosidade de Maria Imaculada, no mistério da Anunciação do Arcanjo.

Manifestemos este propósito, aclamando o Evangelho de S. Lucas  que nos anuncia o mistério da Incarnação do verbo no seio de Maria.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

Evangelho

 

Ver supra, notas para a Solenidade da Imaculada Conceição

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus, descendente de David

Uma casa para o Senhor

Uma família para o Senhor

Reinará eternamente

• Filho de Maria, sempre Virgem

O plano do Altíssimo

O acolhimento livre de Maria

O Verbo fez-Se Homem

 

 

1. Jesus, descendente de David

 

No decorrer dos séculos, Deus vai concretizando a promessa na vinda de um Redentor, enviando sinais para que ele seja reconhecido por nós. Em cada Domingo do Advento recordamos um deles: o Senhor virá salvar-nos, descenderá do Povo Escolhido, será descendente de David, nascerá de uma Mulher sempre Virgem, virá à luz em Belém.

Hoje é-nos apresentado como descendente do Rei David e ocupará eternamente o seu trono.

 

a) Uma casa para o Senhor. «Quando David já morava em sua casa e o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam, o rei disse ao profeta Natã: “Como vês, eu moro numa casa de cedro, e a arca de Deus está debaixo de uma tenda”.»

David tinha deixado a lembrança de um reinado grandioso de justiça, de paz e de aceitação livre. Na verdade. Esperou que uma parte de Israel acolhesse voluntariamente a sua autoridade de rei, sem a impor pela força.

Ele sente mal estar por viver numa casa rica e cómoda — feita de madeiro de cedro — enquanto a Arca da Aliança está debaixo de uma tenda e propõe-se construir para o Senhor um templo.

Num primeiro momento, o profeta Natã louva o seu gesto: «Natã respondeu ao rei: “Faz o que te pede o teu coração, porque o Senhor está contigo”.»

A delicadeza do rei David é uma chamada d atenção para todos nós.

Acolher bem o Senhor. Aproximamo-nos da Mesa Celeste para receber o Senhor do Céu e da terra, sob as aparências de pão. O nosso coração está limpo e adornado de virtudes quando nos dispomos a recebê-l’O? Que preparação fazemos para cada comunhão, procurando limpar do coração tudo o que desagrada ao Senhor?

É fácil deixar-se cair na rotina a aproximar-se a comungar com um coração frio e distraído ou mesmo — o que Deus nunca permita — em pecado mortal. Para algumas pessoas nada é pecado e só vêem virtudes quando olham para dentro de si. Pior ainda seria se nele levássemos sensualidade, ódio ou qualquer outro sentimento indigno.

O cuidado das nossas igrejas. Os nossos templos deixaram de ser os edifícios mais asseados e artísticos, em confronto com as casas particulares.

Uma falsa ideia de pobreza, aliada a uma crescente falta de fé e de amor, leva as pessoas a construir igrejas e objectos de culto sem arte e sem gosto.

Um templo bem arranjado é uma pelo permanente à nossa fé.

Além disso, a comodidade e arranjo da casa de Deus, embora se realize inspirado pela fé, acaba por ser para nós. Deus não precisa de bancos, de luz ou de instalação sonora. Tudo isto é para nos ajudar a viver melhor a nossa fé nas celebrações.

Tudo o que está em função do culto, deve ter qualidade. Os santos escolhiam para o culto o melhor que podiam. Assim procedeu o Santo Cura de Ars. Ainda hoje admiramos a riqueza dos paramentos que usava e o arranjo da pequenina igreja que lhe foi confiada.

S. Josemaria vivia em grande pobreza toda a sua vida, mas especialmente nos primeiros tempos de sacerdote, mas procurava para o culto o melhor que podia. Costumava dizer: “Quando os noivos enamorados começarem a oferecer às suas noivas, em vez de uma aliança em ouro, um pedaço de cimento, então deixaremos de escolher para Deus o melhor.

O templo de cada pessoa. Cada pessoa, seja qual for o seu estatuto social, é um templo de Deus. Procuramos que vista e se conduza com dignidade? Tratamos as pessoas com sumo respeito, nas palavras e atitudes?

 

 b) Uma família para o Senhor. «o Senhor falou a Natã, dizendo: “Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? [...]. O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa..”»

O profeta, na resposta que dá ao rei David, usa a palavra casa e, depois, uma outra palavra que tem um sentido aproximado: casa real, família real. Assim, Deus vai construir para David uma casa (família). Também na língua portuguesa estes dois termos são equivalentes, num determinado contexto. Quando dizemos a casa de tal, queremos referir-nos, não à construção material, mas à família.

Natã anuncia que um descendente do rei profeta assumirá para sempre o governo do Povo de Deus, da Igreja. “O Seu reinado não terá fim.” Estamos perante uma profecia messiânica.

Deus vai construir um templo maravilhoso no qual o Verbo Incarnado habitará durante nove meses e do qual receberá a natureza humana igual à nossa.

Maria é esse templo maravilhoso que o Espírito Santo construiu e adornou de todas as virtudes. Por isso cantamos: “És a obra mais perfeita /Que saiu das mãos de Deus.”

A riqueza espiritual deste templo é incomensurável. Ao saudá-l’A na manhã da Anunciação, o Arcanjo trata-A por “Cheia de Graça”, como nome próprio.

De facto, Deus criou-A imune do pecado original e adornada já com a graça santificante, a filiação divina e todos os dons do Espírito Santo.

Ao mesmo tempo, Ela é modelo do acolhimento ao Senhor: da pureza e amor com que O havemos de receber na Sagrada Comunhão.

Ela é a imitação mais perfeita que temos de Jesus Cristo, nosso modelo de vida de filhos de Deus, de santidade.

Se queremos viver numa família feliz, coloquemos lá Nossa Senhora, não apenas na sua imagem, mas na oração e presença constantemente lembrada.

O tempo do Natal é propício para renovar praticas tradicionais da devoção a Nossa Senhora: o Terço — agora diante do Presépio — a consagração a Nossa Senhora e as três ave Marias ao deitar, a modos de quem lhe pede a bênção, antes de se entregar ao descanso.

 

c) Reinará eternamente. «Eu consolidarei para sempre o teu trono real. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre

Jesus Cristo vem para ser o Nosso Senhor, nosso modelo no caminho da santidade, fazendo de todos nós um só Povo, um só Corpo de que Ele é a Cabeça.

Para sempre o Mistério da Incarnação. Uma vez unido o verbo à natureza humana, no seio imaculado de Maria, nunca mais se separarão. Fomos assumidos pela divindade para sempre.

Podia Ele, terminado o nosso resgate, deixar de lado a nossa humanidade e voltar ao que era antes: o verbo de Deus. A maior maravilha é que O Verbo assumiu-nos por toda a eternidade.

Para sempre reinaremos com Ele. Trabalhamos para estarmos com Jesus Cristo para sempre na alegria do Céu.

Este pensamento enche-nos de alegria, ao mesmo tempo que nos anima a construir uma situação definitiva e feliz na eternidade, procurando conhecer, servir e amar a deus com todas as nossas forças na terra. Assim construímos uma casa na eternidade.

 Quando Santa Teresa, ainda criança, resolveu fugir de casa com o seu irmão Rodrigo, para ir a Marrocos procurar o martírio, dizia ao irmão, já cansado, para o animar:

— Para sempre, Rodrigo!. Referia-se à felicidade do Céu. E ele respondia-lhe:

Para sempre, Teresa!

O encontro com um tio que passava, acabou com este sonho de criança.

A esperança de que reinaremos eternamente com Jesus Cristo anima-nos a preparar com generosidade este Natal.

 

2. Filho de Maria, sempre Virgem

 

a) O plano do Altíssimo. «Disse-lhe o Anjo: “[...]. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim”.»

O Arcanjo S. Gabriel — embaixador de Deus — apresenta a Maria, na sua casa de Nazaré, o plano de Amor que Ele tem a seu respeito.

Maria terá nessa altura 16 ou 17 anos e está desposada virginalmente com um homem que Deus enriqueceu com todos os dons para desempenhar o papel de pai nutrício do Redentor.

Ela aparece perfeitamente identificada no texto da Anunciação. «Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria

À semelhança do que aconteceu com Maria, Deus tem desígnios de Amor e de Misericórdia sobre cada um de nós.

Quer fazer-nos participar das suas obras no mundo. Já no princípio a formar Adão e Eva do pó da terra, entregou-lhes um projecto de vida: Crescei e multiplicai-vos e dominai a terra.

Que monótona seria a vida, se já encontrássemos tudo feito e não tivéssemos o gosto de sonhar e idealizar novas coisas!

Deus quer que o — a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — assuma uma natureza humana em tudo igual à nossa, excepto no pecado no seio virginal de uma Mulher que anunciou no Génesis, A formou imaculada no seio materno e dotou de privilégios singulares.

Também sonhou com grandes coisas realizadas por cada um de nós nesta vida, coroando-as com a participação na Sua mesma Felicidade para sempre depois esta vida.

 “De que tu e eu nos portemos como Deus quer - não o esqueças - dependem muitas coisas grandes.” (S. Josemaria Escrivá, Caminho, 755).

 

b) O acolhimento livre de Maria. «Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem

Deus conta sempre com a nossa humilde, livre e generosa colaboração, porque resolveu fazer as Suas maravilhas no mundo de mãos dadas connosco: um novo ser humano, de colaboração com a generosidade dos pais; uma obra de arte, em colaboração com o artista a quem deu qualidades; as culturas dos campos que alimentam os homens, contando com a generosidade de quem os cultiva.

O Arcanjo apresenta a Maria o plano do Altíssimo, mas aguarda o seu consentimento para que ele se realize.

Procurando fazer a vontade de Deus, Maria tinha abraçado um propósito de virgindade perpétua e conseguira que S. José — seu noivo — acolhesse com alegria viver virginamente a sua vida matrimonial.

Maria não discute as condições da sua aceitação. Era inocente, mas não ingénua e, por isso, sabe que será preciso sacrificar a virgindade para ser mãe.

Afinal, o que quer Deus d’Ela? Que seja virgem ou mãe? A sua pergunta tem este sentido: saber qual a vontade de Deus a seu respeito. «Maria disse ao Anjo: “Como será isto, se eu não conheço homem?”»

Com um sorriso, o Arcanjo responde-lhe em nome de Deus: As duas coisas: Virgem e Mãe. Ela será a única mulher da história a reunir em si estes dois ideais, em princípio incompatíveis: a maternidade física e a virgindade. «O Anjo respondeu-lhe: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.”»

Os profetas apresentavam sinais como garantia de que falavam da parte de Deus. O faraó contempla as maravilhas operadas pela vara de Moisés, tornando-se numa serpente que devora as outras, transformando a água em sangue...; Gedeão recebe a resposta do velo de lã molhado, enquanto a terra à sua volta permanece enxuta, e ao invés; Zacarias fica mudo, por não acreditar na maternidade de Isabel.

 O Arcanjo oferece também a Nossa Senhora um sinal: Isabel, a pesar a sua idade avançada, vai ser mãe. «E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice porque a Deus nada é impossível

 

c) O Verbo fez-Se Homem. «Maria disse então: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”»

Deus esperava pelo sim de Maria. Durante momentos, a Incarnação do Verbo e a redenção da humanidade esteve suspensa dos lábios de Maria.

Quantas maravilhas ficam por realizar, porque nos negamos a colaborar com Deus, aceitando os Seus projectos de Amor!

Maria não responde com ostentação e soberba. Ela é a humildade personificada, e até na resposta dela resplandece esta virtude fundamental. Considera-se uma escrava, a pessoa de mais baixa condição no contexto social da sua época.  O escravo não era dono de si mesmo, não podia dispor de si mesmo.

Também em casa de Isabel há-de repetir esta afirmação de humildade: «A minha alma glorifica ao Senhor [...]. porque olhou para — a pequenez, a insignificância, — a humildade da sua serva

Pronunciadas estas palavras por Maria, Deus, o Verbo, faz-se um de nós, com as nossas limitações, excepto o pecado.

Quando o sacerdote — porque recebeu o Espírito Santo na sua Ordenação — pronuncia sobre a hóstia e sobre o cálice as palavras da consagração, Deus torna-se presente sobre o altar, tão vivo e real como no seio de Maria, depois do seu fiat.

Este pensamento há-de ajudar-nos a participar com mais fé e devoção na Santa Missa e a recordar que Maria está ali também presente, porque este Celebração da Eucaristia é obra de Santíssima Trindade e de toda a Igreja.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um “sim” pessoal e sincero,

colocando-se plenamente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor.»

Hoje, quarto e último Domingo de Advento, a liturgia quer preparar-nos para o Natal, já às portas, convidando-nos a meditar a narração do anúncio do Anjo a Maria. O Arcanjo Gabriel revela à Virgem a vontade do Senhor, que Ela se torne Mãe do seu Filho unigénito: «Eis que conceberás e darás à luz um filho, e que lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo!» (Lc 1, 31-32). Fixemos o olhar nesta simples jovem de Nazaré, no momento em que se torna disponível à mensagem divina com o seu «sim»; vejamos dois aspectos essenciais da sua atitude, que para nós é modelo do modo como nos devemos preparar para o Natal.

Antes de tudo, a sua , a sua atitude de fé, que consiste em ouvir a Palavra de Deus para se abandonar a esta Palavra com plena disponibilidade de mente e de coração. Respondendo ao Anjo, Maria disse: «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra» (v. 38). No seu «Eis-me» repleto de fé, Maria não sabe por que caminhos se deverá aventurar, quais dores deverá suportar, quais riscos enfrentar. Mas está consciente de que é o Senhor que a interpela, e confia totalmente nele, abandona-se ao seu amor. Esta é a fé de Maria!

Outro aspecto é a capacidade da Mãe de Cristo de reconhecer o tempo de Deus. Maria é aquela que tornou possível a encarnação do Filho de Deus, «a revelação do mistério, conservado em segredo durante séculos» (Rm 16, 25). Ela tornou possível a encarnação do Verbo, precisamente graças ao seu «sim» humilde e intrépido. Maria ensina-nos a captar o momento favorável em que Jesus passa na nossa vida e pede uma resposta pronta e generosa. E Jesus passa. Com efeito, o mistério do nascimento de Jesus em Belém, que ocorreu historicamente há mais de dois mil anos, concretiza-se como acontecimento espiritual, no «hoje» da Liturgia. O Verbo, que encontrou morada no seio virginal de Maria, na celebração do Natal vem bater novamente à porta do coração de cada cristão: passa e bate à nossa porta. Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um «sim» pessoal e sincero, colocando-se plenamente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor. Quantas vezes Jesus passa na nossa vida, e quantas vezes nos envia um Anjo, e quantas vezes não nos damos conta, porque estamos profundamente imersos nos nossos pensamentos, nos nossos afazeres e, nestes dias, até nos nossos preparativos para o Natal, a ponto de não nos apercebermos que Ele passa e bate à porta do nosso coração, pedindo acolhimento, pedindo-nos um «sim», como fez com Maria. Um Santo dizia: «Temo que o Senhor passe!». Sabeis por que motivo ele temia? Tinha medo de não se dar conta que Ele passa. Quando nós sentimos no nosso coração: «Gostaria de ser melhor... Estou arrependido daquilo que fiz...», é precisamente o Senhor que bate à nossa porta. Ele faz-nos sentir isto: o desejo de sermos melhores, a vontade de permanecermos mais próximos dos outros, de Deus. Se sentires isto, detém-te! É o Senhor que passa! Detém-te para rezar, para te confessares e talvez para uma pequena limpeza... isto faz bem! Contudo, recorda-te: se sentires este desejo de melhorar, é Ele que bate à tua porta: não O deixes passar!

No mistério do Natal, ao lado de Maria, há uma presença silenciosa de São José, como está representado em todos os presépios — inclusive naquele que podeis admirar aqui na Praça de São Pedro. O exemplo de Maria e de José é para todos nós um convite a acolher com total abertura de espírito Jesus, que por amor a nós se fez nosso irmão. Ele vem para trazer ao mundo a dádiva da paz: «Paz na terra aos homens por Ele amados!» (Lc2, 14), como anunciaram em coro os anjos aos pastores. O dom precioso do Natal é a paz, e Cristo é a nossa paz verdadeira. Cristo bate à porta dos nossos corações para nos conceder a paz, a paz da alma. Abramos as portas a Cristo!

Confiemo-nos à intercessão da nossa Mãe e de São José, para viver um Natal autenticamente cristão, livres de toda a mundanidade, prontos para receber o Salvador, o Deus-connosco.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 21 de Dezembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

A Boa Nova que acabámos de ouvir proclamar,

nestes poucos dias que precedem o próximo Natal,

inspire os nossos pedidos que desejamos fazer,

e nos leve a dizer (cantando) com toda a confiança:

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

1.             Pela santa Igreja de Cristo, a casa prometida por Deus a David,

    para que Maria Imaculada seja sempre o seu amparo e modelo,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

2.             Pelos poderosos deste mundo e pelos governantes das nações,

    para que reconheçam que sem o auxílio de Deus nada é seguro,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

3.             Pelos leigos, religiosos e catecúmenos da Santa Igreja de Cristo,

    para que, imitando a humildade de Maria, viam na graça de Deus,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

4.             Pelos casais à espera de um filho e pelos meninos abandonados

    para que o Natal de Jesus Cristo lhes revele o sentido desta vida,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

5.             Por todos nós e nossos familiares, a celebrar aqui a Santa Missa,

    para que recebamos a graça de anunciar a alegria deste Natal,

    oremos por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

6.             Pelos todos os fieis defuntos que se encontram em purificação

    para que o Senhor os acolha a celebrar já no Céu este Natal,

    oremos por intercessão de Maria.

 

    Vinde Jesus, por Vós esperamos!

 

Escutai, Senhor, as nossas súplicas

e preparai hoje os nossos corações

para acolherem o vosso Filho,

luz do mundo e nosso Salvador,

com a fé e a simplicidade de Maria e José.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A celebração da Eucaristia torna permanente a vinda de Jesus ao nosso encontro, na Palavra e na Eucaristia.

Acolhemo-l’O na Palavra de Deus, primeira parte da liturgia. Preparemo-nos agora para O acolhermos na consagração do pão e do vinho, onde Ele se torna presente tão real e perfeitamente como está no Céu.

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

O Filho de Deus feito Homem vem trazer ao mundo a verdadeira paz que lança as suas raízes no coração de cada um de nós.

Estamos verdadeiramente disponíveis para entregar-Lhe o nosso coração, para que Ele reine com a Sua paz no mundo?

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O acolhimento chio de fé e amor que Nossa Senhora faz a Jesus menino, no seu seio virginal, há-de ser o modelo da nossa comunhão.

Procuremos comungar Jesus Cristo na graça de Deus, com toda a pureza, fé, amor e devoção com que Nossa Senhora O acolhia na sua vida terrena.

 

Cântico da Comunhão: Todos vós que tendes sede, J. Santos, NRMS 42

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Virgem Santa e Imaculada, M. Luís, NRMS 15

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Preparemos com toda a diligência o Natal que se aproxima, procurando a graça de Deus numa confissão bem feita, e ajudemos os nossos irmãos a participar desta mesma felicidade que Jesus Cristo veio trazer à terra.

Feliz Natal para todos!

 

Cântico final: Sabei que o nosso Deus, M. Simões, NRMS 24

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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