3º Domingo do Advento

17 de Dezembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos a uma semana do Natal. A liturgia deste domingo convida-nos à preparação mais cuidada para a festa que se aproxima. Tal preparação não consistirá apenas em purificação e conversão. Há-de ser também feita de alegria. Hoje celebramos o Domingo da Alegria.

Devemos alegrar-nos, certamente por causa do Natal, que celebramos uma vez por ano, mas também porque Jesus já está no meio de nós. 

Conscientes de que nem sempre fugimos da rotina e que talvez tenhamos banalizado ou descurado a nossa preparação do Natal de Jesus, confessemo-nos arrependidos.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os israelitas estavam desiludidos com as dificuldades e hostilidade que encontraram após o seu regresso do exílio na Babilónia. O profeta anuncia-lhes uma Boa Nova de grande alegria e infunde-lhes coragem e esperança.

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60, 1 – 64, 11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21, 1 – 22, 5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49, 1-6 e 42, 1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4, 21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21, 2-11; Jer 34, 14; Ez 46, 17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia veja nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial            Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: Neste cântico de meditação exprimimos os nossos sentimentos de acção de graças e de louvor, com as mesmas palavras de Maria, pela bondade de Deus, que nos envia Seu Filho Jesus.

 

Refrão:    Exulto de alegria no Senhor.

Ou:          A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, nesta segunda leitura, exorta-nos à alegria que nasce da oração e abre a nossa mente aos impulsos do Espírito, a fim de vivermos uma vida irrepreensível.

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2, 18; 3, 1; 4, 4; 2 Cor 2, 11; 7, 4; Col 1, 24; Mt 5, 12; Jo 15, 11; 16, 22.24. 17, 13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1 Cor 14, 1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, n.º 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está a firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1 Cor 1, 9; 10, 13; 2 Cor 1, 18; Filp 1, 6; 2 Tes 3, 3; 2 Tim 1, 12…

 

Aclamação ao Evangelho   Is 61, 1

 

Monição: O Espírito do Senhor repousou sobre o profeta para anunciar a boa nova aos pobres. A missão de João Baptista, e também a nossa, é anunciar e preparar com renovada alegria a chegada de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3, 1-22 par.); apenas se refere o seu testemunho a favor de Jesus (1, 15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19, 35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3, 23; Sir 48, 10-11; Mt 11, 14; 17, 19; e de o Profeta, ver Dt 18, 15; Jo 6, 14; Act 3, 22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se por escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas» pertencentes à tribo sacerdotal de Levi; eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2 Re 2, 11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3, 23 (4, 5); Sir 48, 10; Mt 17, 10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18, 15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13, 1; Jer 4, 14; Ez 36, 25; 37, 23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3, 11; Mc 1, 4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10, 39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11, 1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

O cristão deve ser pessoa alegre e feliz

A felicidade, que é dom de Deus, constrói-se progressivamente

Só é feliz quem escuta a Palavra que indica a única luz a ser seguida

 

 

O cristão deve ser pessoa alegre e feliz

 

 Na carta que S. Paulo dirige aos Tessalonicenses e que há pouco ouvimos ler, encontram-se vários conselhos para a construção da vida comunitária. 

«Vivei sempre alegres!» é a primeira recomendação. Isto leva-nos a interrogarmo-nos sobre o que significa andar alegre. A questão maior é mesmo saber qual é e onde se encontra a alegria mais genuína. No dinheiro, no conforto, na segurança, no prazer dos sentidos? Admitindo que tudo isso pode ajudar à alegria e tem o seu lugar na vida, reconhecemos também que nada disso chega, se a alegria não vier de dentro. A alegria cristã não é uma atitude passageira de festas humanas, mas um estado permanente de quem confia que a vida cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem. Ela é um dos sinais da presença do Espírito de Deus no coração de uma pessoa.

Paulo também recomenda: «orai sem cessar». A riqueza interior, os valores, a espiritualidade, que nascem da oração, promovem a abertura do coração aos impulsos do Espírito que enriquece a comunidade com os seus dons. Rico ou pobre, doente ou de boa saúde, o cristão é feliz. Quem descobre a alegria sente a necessidade de a partilhar com os outros. Só assim é que a alegria é genuína! E quanto mais se partilha, mais se possui. A fonte fundamental da alegria é o próprio Deus e a sua Palavra, mesmo quando a vida não corre de feição. Por isso é que o cristão sabendo onde está o motivo da sua fé e da sua esperança não se pode deixar abater pelas dificuldades e contrariedades da vida, se quer alcançar a felicidade, que, como dom de Deus, se vai construindo progressivamente.

Assim o anuncia o profeta na primeira leitura. Ele faz uma declaração de alegria pela "boa notícia" de salvação, prometida por Deus.

 

A felicidade, que é dom de Deus, constrói-se progressivamente

 

Dirigindo-se aos israelitas regressados do exílio na Babilónia, exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus».

Os retornados do exílio estão desanimados e sem esperança, pela frieza e hostilidade com que foram recebidos pelos habitantes de Jerusalém. O povo espera dias melhores para breve. E o Profeta anuncia ao povo oprimido a "boa notícia" da plena recuperação da paz e da justiça e um ano de graça para restaurar a harmonia. O povo reage agradecido numa atitude de louvor e alegria. A descoberta do amor e da presença libertadora de Deus sempre conduz ao louvor, à adoração, à alegria.

Todavia, as injustiças e as corrupções continuaram durante os tempos que se lhe seguiram. Seria motivo para que os israelitas desanimassem e baixassem os braços pensando que Deus os havia abandonado. Mas não desanimaram e continuaram a acreditar que as promessas do Senhor se realizariam, embora não no imediato. Tais promessas realizaram-se com a vinda do Messias, Jesus Cristo, que trouxe a vida nova ao mundo.

A experiência vivida pelos israelitas é motivo de exemplo para nós.

Hoje somos convidados a ter a mesma confiança e a manifestar a mesma esperança do profeta, para alcançarmos o caminho que, através da Palavra de Deus,  nos poderá guiar para a luz da felicidade, como nos anuncia o Baptista no evangelho.

 

Só é feliz quem escuta a Palavra que indica a única luz a ser seguida

 

Ele é apresentado como aquele que deve dar testemunho da luz. Atento à Palavra de Deus e aos sinais dos tempos, anuncia-se como uma «voz» no deserto que prepara o caminho para o Senhor. As suas palavras convertem uns e perturbam outros. Curiosos, alguns perguntam por que baptiza, se não é Cristo, nem Elias, nem o profeta. João responde, insistindo na sua qualidade de precursor, e anunciando claramente que o Messias já veio, já Se encontra no meio do seu povo, sem que este se aperceba. É que, para descobrir Jesus, conhecer a Sua presença, aceitá-l’O, importa primeiro converter-se. À conversão dos seus concidadãos se dirigia a pregação de João Baptista. E hoje, à nossa também.

Se não modificarmos a nossa maneira de pensar e de viver. Se fecharmos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz, se não convertermos as nossas ideias, os nossos hábitos, a nossa vivência em cada dia, se não nos purificamos, também não reconheceremos Jesus que passa ao nosso lado; que vem até nós encarnado nas mais diversas maneiras, nas pessoas que escutamos, nas coisas e nos acontecimentos do dia-a-dia.

Como poderemos, no meio de tantas vozes que ouvimos e nos acontecimentos a que assistimos, reconhecer aquilo que nos conduz à luz? De onde ressoam essas vozes? Aonde nos querem conduzir? Seremos hoje «voz» que anuncia Cristo aos irmãos? A "Voz" não tem rosto, é anónima. Ela passa despercebida, transmite a mensagem e depois desaparece.  Que espécie de "Voz" somos nós?  Quais os desertos, nos quais devemos clamar: na família, na escola, no trabalho, na sociedade?...

Procuremos reflectir nisto.

 

Fala o Santo Padre

 

«Ter fé não significa não ter momentos difíceis mas ter força para os enfrentar sabendo que não estamos sós.

E é esta a paz que Deus concede aos seus filhos.»

São já duas semanas que o tempo de Advento nos convida à vigilância espiritual para preparar o caminho para o Senhor que vem. Neste terceiro domingo a liturgia propõe-nos outra atitude interior com a qual viver esta expectativa do Senhor, ou seja a alegria. A alegria de Jesus, como diz aquele cartaz; «Com Jesus temos a alegria em casa». Eis que nos propõe a alegria de Jesus!

O coração do homem deseja a alegria. Todos desejamos a alegria, cada família, cada povo aspira à felicidade. Mas qual é a alegria que o cristão está chamado a viver e a testemunhar? É a que vem da proximidade de Deus, da sua presença na nossa vida. Desde quando Jesus entrou na história, com o seu nascimento em Belém, a humanidade recebeu o germe do Reino de Deus, como um terreno que recebe a semente, promessa da colheita futura. Não é preciso continuar a procurar noutra parte! Jesus veio trazer a alegria para todos e para sempre. Não se trata de uma alegria apenas esperada ou adiada para o paraíso: aqui na terra somos tristes mas no paraíso seremos jubilosos. Não! Não é esta, mas uma alegria já real e que pode ser experimentada agora, porque o próprio Jesus é a nossa alegria, e com Jesus temos a alegria em casa, como diz o vosso cartaz: «com Jesus temos a alegria em casa». Digamos todos: «Com Jesus temos a alegria em casa». Outra vez «Com Jesus temos a alegria em casa». E sem Jesus há alegria? Não! Muito bem! Ele está vivo, é o Ressuscitado, e age em nós e entre nós sobretudo com a Palavra e com os Sacramentos.

Todos nós baptizados, filhos da Igreja, somos chamados a acolher sempre de novo a presença de Deus no meio de nós e a ajudar os outros a descobri-la, ou a redescobri-la no caso que a tenham esquecido. Trata-se de uma missão muito bela, semelhante à de João Baptista: orientar o povo para Cristo — não para nós mesmos! — porque é Ele a meta para a qual tende o coração do homem quando procura a alegria e a felicidade.

Ainda são Paulo, na liturgia de hoje, indica as condições para ser «missionários da alegria»: pregar com perseverança, dar sempre graças a Deus, obedecer ao seu Espírito, procurar o bem e evitar o mal (cf.1 Ts 5, 17-22). Se for este o nosso estilo de vida, então a Boa Nova poderá entrar em tantas casas e ajudar as pessoas e as famílias a redescobrir que em Jesus há a salvação. N’Ele é possível encontrar a paz interior e a força para enfrentar todos os dias as diversas situações da vida, também as mais pesadas e difíceis. Nunca se ouviu falar de um santo triste ou de uma santa com a cara de enterro. Nunca se ouviu falar disto! Seria um absurdo. O cristão é uma pessoa que tem o coração repleto de paz porque sabe pôr a sua alegria no Senhor também quando atravessa os momentos difíceis da vida. Ter fé não significa não ter momentos difíceis mas ter força para os enfrentar sabendo que não estamos sós. E é esta a paz que Deus concede aos seus filhos.

Com o olhar dirigido para o Natal já próximo, a Igreja convida-nos a testemunhar que Jesus não é uma personagem do passado; Ele é a Palavra de Deus que continua hoje a iluminar o caminho do homem; os seus gestos — os Sacramentos — são a manifestação da ternura, do conforto e do amor do Pai para com todos os seres humanos. A Virgem Maria, «causa da nossa alegria», nos torne cada vez mais alegres no Senhor, que nos vem libertar de tantas escravidões interiores e exteriores.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 14 de Dezembro de 2014

 

Oração Universal

 

Senhor,

nosso Deus e Pai amoroso,

nós confiamos no Vosso amor.

Escutai as preces que Vos dirigimos neste dia,

a fim de podermos viver com alegria cristã.

Nós Vos pedimos, rezando:

 

Senhor, a nossa alegria está em Vós.

 

1.    Que o Papa (N.), Bispos, Presbíteros e Diáconos,

sejam na Igreja testemunho de oração,

alegria, acção de graças e voz que anuncia

a presença de Jesus no meio dos homens,

oremos, irmãos.

 

2.    Que os missionários, os catequistas

e todos os fiéis saibam anunciar com alegria

o nascimento de Jesus,

oremos, irmãos.

 

3.    Que os refugiados, os oprimidos e os desprotegidos

recebam com alegria e renovada esperança

a vinda do Senhor,

oremos, irmãos.

 

4.    Que os governantes das nações

pugnem pela paz e pela justiça,

para que a alegria, a paz e a concórdia se expandam

no meio deste mundo,

oremos, irmãos.

 

5.    Que os fiéis do mundo inteiro,

sejam conscientes das suas responsabilidades,

e levem a luz do Evangelho a todas as pessoas,

oremos, irmãos.

 

6.    Que todos os que se afastaram da fé,

a readquiram em contacto com a nossa alegria,

coerência e fidelidade,

oremos, irmãos. 

 

Senhor, 

Deus de amor,

escutai, a nossa oração

e ajudai-nos a sermos voz e testemunho

de alegria autenticamente cristã

de acordo com os Vossos desígnios de salvação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: F. Silva, NRMS99-100

 

 

Monição da Comunhão

 

Jesus é o pão vivo descido do Céu e o seu sangue verdadeira bebida que se partilha, nesta e em todas as eucaristias, como fonte de amor e alegria.

 

Cântico da Comunhão: Povos que caminhais, J. Santos, NRMS 64

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com a Palavra escutada estejamos conscientes da responsabilidade cristã de sermos chamados a ser voz que anuncia a verdadeira luz, Jesus Cristo, que está já no meio de nós como fonte de alegria, esperança e paz entre todos os homens.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com justiça.

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (Leit).

S. José, descendente de David, recebe a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus (Ev.). O Anjo disse assim a José: 'dar-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados' (Ev.). O nome de José significa em hebreu 'Deus acrescentará', isto é, aquele que cumpre a vontade do Senhor. E José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor. Procuremos integrar-nos diariamente nos planos do Senhor, cumprindo os nossos deveres.

 

3ª Feira, 19-XII: A missão do Precursor.

Jzs 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

Não temas Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Tua esposa. Isabel, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João.

Uma mulher estéril, esposa de Manoá, recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento do filho, Sansão (Leit.). O mesmo acontecerá mais tarde com Isabel, esposa de Zacarias, que deu à luz João Baptista (Ev.). O Senhor compadece-se destas duas mulheres estéreis e integra-as nos planos da salvação.

João Baptista é o enviado ao povo para preparar os caminhos do Senhor (Ev.). Procuremos melhorar as nossas disposições para recebermos bem o Messias: com alegria, vigilantes na oração, e celebrando os seus louvores (Prefácio II do Advento).

 

4ª Feira, 20-XII: Advento com Nª Senhora (I).

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de Emanuel.

Esta profecia, já anunciada no Proto-Evangelho, vai realizar-se na Virgem Maria (Ev.). Desde toda a eternidade, Deus escolheu para ser a mãe do seu Filho, uma virgem que era noiva de José, um descendente de David (Ev.).

Com esta Anunciação do Anjo, começa o Advento de Nª Senhora. Na sua companhia, queremos viver melhor o que nos resta do Advento. Podemos imitar a sua disponibilidade para as coisas de Deus: 'Eis a serva do Senhor'; o seu 'sim', que contribuiu para a salvação da humanidade, vencendo o 'não' de Eva.

 

5ª Feira, 21-XII: Advento com Nª Senhora (II).

Sof 3, 14-18 / Lc 1, 39-45

O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como herói que te vem salvar. Exultará de alegria por causa de ti, como em dia de festa.

O Messias está no meio de nós, vem salvar-nos e exultamos de alegria (Leit.). Nª Senhora exulta igualmente com muita alegria, porque o Senhor está no seu ventre puríssimo. Dirige-se à casa de Isabel, que a recebe como grandes louvores: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Ev.).

Gostaríamos de viver como Ela, com o mesmo espírito de serviço e de misericórdia para com as necessidades do próximo. Louvemo-la como Isabel, rezando bem cada Avé-Maria e a oração do Anjo do Senhor.

 

6ª Feira, 22-XII: A misericórdia de Deus em todas as gerações.

1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.

Ana levou o seu filho Samuel para o entregar ao serviço do Senhor no Templo e o seu coração exulta de alegria (Leit.), Nossa Senhora, ao transportar o Filho de Deus no seu ventre, fez chegar a Deus um cântico de louvor e alegria (Ev.).

Durante a sua visita disse: «'A sua misericórdia estende-se de geração em geração'. Tais palavras, já desde o momento da Encarnação, abrem nova perspectiva na história da salvação. Maria, portanto, é a que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina» (João Paulo II, Dives in misericordia, 9). Que Ela nos ajude a penetrar melhor neste mistério.

 

Sábado, 23-XII: A missão do Precursor.

Mal 3, 1-4. 23-24 / Lc 1, 57-66

Vou enviar o meu mensageiro, para desimpedir o caminho diante de mim.

Malaquias profetiza sobre as missões de Elias e João Baptista: preparar o caminho do Senhor (Leit.). De João perguntava-se: «Quem virá a ser este menino? (Ev.) As missões de ambos estão intimamente ligadas, mas João Baptista é o precursor imediato.

Uma das missões importantes da nossa vida, bem como para João, é manifestar a presença de Cristo. Ele há-de estar presente nas nossas acções, fruto da nossa identificação com Ele, e também nas nossas palavras, indicado aos outros os caminhos do Senhor. Assim fez João Baptista ao indicar aos seus discípulos a presença do Messias: «Eis o Cordeiro de Deus».

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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