2º Domingo do Advento

10 de Dezembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F. da Silva, NRMS 39

cf. Is 30, 19.30

Antífona de entrada: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Por maiores que sejam as dificuldades que encontremos no nosso caminhar para a Pátria eterna, Deus, nosso Pai, sempre nos quer ajudar a vencê-las. Importa estar atento a essas tão preciosas e imprescindíveis ajudas divinas. Será assim que estaremos a preparar os caminhos do Senhor. É o grande apelo que a sagrada liturgia nos faz neste segundo Domingo do Advento. Com atenção e fé escutemos o que o Senhor nos quer hoje dizer.

 

Ato Penitencial

 

Como é importante cada vez mais tomar consciência do Amor infinito que é Deus! Da correspondência a esse Amor depende a nossa felicidade terrena e eterna. O pecado surge sempre como algo que ignora ou mesmo se opõe a esse Amor. Pela falta de correspondência a essa Bondade infinita queremos desde já pedir perdão. (Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa.)

 

. Senhor Jesus, porque nem sempre temos correspondido ao vosso Amor, perdendo assim muito do tempo que nos tendes generosamente concedido, tende de nós misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

. Cristo, que com tanta facilidade não escutamos os vossos conselhos para o bom aproveitamento do tempo que nos tendes concedido, tende de nós misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

. Senhor Jesus, sois o verdadeiro tesouro da nossa vida, perdoai as nossas faltas de atenção ao Vosso Amor e tende de nós misericórdia.

 

oração colecta: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías encoraja o Povo de Israel e anuncia-lhe para breve o fim do cativeiro da Babilónia e o tão desejado regresso à Pátria.

 

Isaías 40, 1-5.9-11

1Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. 3Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. 4Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. 5Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».9Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. 10O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. 11Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

 

A leitura corresponde ao início do Segundo Isaías (Is 40, 1 – 55, 13), também chamado «Livro da Consolação», que começa com uma voz misteriosa que diz em nome de Deus: «Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus» (v. 1). O contexto deuteroisaiano é o da situação do Povo no cativeiro de Babilónia, para onde os judeus mais válidos e importantes tinham sido levados em sucessivas deportações, que culminaram com a destruição de Jerusalém e do Templo em 587. O Profeta, continuador do grande Isaías do século VIII, começa, no início da 1ª parte desta obra (cap. 40 – 48), por animar os deportados abatidos a disporem-se para o caminho de regresso à terra-mãe, aproveitando o decreto de Ciro, rei dos Persas, que, tendo em 539 conquistado Babilónia, autorizava os deportados a regressarem às suas terras de origem. O Profeta esclarece que esta libertação é obra de Deus, Senhor do mundo e do curso da história, que se serve do rei Ciro, como seu «ungido», para trazer a liberdade ao Povo. Este regresso, difícil sobretudo para quem já tinha nascido no desterro e para quem ali se encontrava sofrivelmente instalado, é enaltecido e apresentado poeticamente como um «novo êxodo», ainda mais maravilhoso do que o primeiro. O regresso não será um caminho difícil e penoso, pois o Senhor vai fazer grandes prodígios a favor dos retornados.

3 «Uma voz clama: 'Preparai no deserto o caminho do Senhor…’», tem uma esplêndida actualização na abertura do Evangelho de S. Marcos, o Evangelista deste ano B. Na tradição bíblica o deserto, passa a ter um profundo significado simbólico, como o lugar do encontro com Deus, na solidão e na intimidade da alma em oração, como o tempo de prova e purificação. O abater dos montes e o altear das terras abatidas para construir estradas – coisa então impensável sem a potente maquinaria moderna – é uma ousada metáfora, que se presta a ser aplicada às disposições da alma para que Deus entre nela. O texto da leitura, admiravelmente musicado no início do Messias de Händel, é bem adequado para nos introduzir no espírito do Advento, a preparar a vinda do Senhor, com disposições de humildade e rectidão para endireitar tudo o que na nossa vida ande mais ou menos desviado da vontade de Deus (cf. v. 4).

 

Salmo Responsorial            Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: Como é importante tomarmos consciência do Amor de Deus por nós!

 

Refrão:    Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:          Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Escutemos o que diz o Senhor:

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pedro recorda-nos a autêntica dimensão da esperança cristã: preparar-nos para a vinda do Senhor por uma maior santidade de vida.

 

2 São Pedro 3, 8-14

8Há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se. 10Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão: nesse dia, os céus desaparecerão com fragor, os elementos dissolver-se-ão nas chamas e a terra será consumida com todas as obras que nela existem. 11Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, 12esperando e apressando a vinda do dia de Deus, em que os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo! 13Nós esperamos, segundo a promessa do Senhor, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça. 14Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz.

 

No final desta epístola o autor inspirado tenta dar uma resposta aos que estavam perplexos com a demora da segunda vinda de Cristo; com efeito, tão grande era o desejo de que Ele chegasse, que chegaram a convencer-se da sua proximidade! Temos aqui um apelo à fé, pois o Senhor sempre cumpre o que promete, mas a verdade é que o dia da sua vinda nos é desconhecido e todos os cálculos humanos estão destinados a falhar, uma vez que para Deus «mil anos são como um só dia», no dizer do Salmo 89 (90), 4; por outro lado, Ele quer dar tempo para que «todos se possam arrepender» (v. 9).

10 «O dia do Senhor chegará como um ladrão» é uma expressão tradicional que consta dos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos: cf. Mt 24, 36.43-44.48-50; Lc 12, 35-48; 1 Tes 5, 4-6;2 Tim 2, 13-14; Apoc 3, 3.

12-13 «Os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo»: Não parece que se esteja a falar dos quatro elementos da Natureza, segundo os antigos: terra, água, ar e fogo; pela oposição à «Terra», parece que a expressão se refere aos corpos celestes. No entanto, o género destas expressões é claramente apocalíptico, uma linguagem figurada, grandiosa e aterradora, com que se alude a uma poderosa intervenção de Deus, mas sem que nada de concreto se possa especificar. Mas não se pense que tudo vá terminar na destruição; acabará certamente este tipo de vida e, em vez de aniquilamento, o que acontecerá há-de ser uma radical transformação – «os novos céus e a nova terra» –, que também não sabemos em que vai consistir. Estamos perante uma outra rara citação do A. T. na Secunda Petri (Is 65, 17; 66, 22; cf. Rom 8, 18-30; 2 Cor 5, 14-15; Apoc 21, 1; cf. tb. Jds 24). Trata-se de uma nova ordem de coisas, «onde habitará a justiça», isto é, a santidade e a plena harmonia de acordo com o projecto de Deus, pois não haverá mais pecado e os pecadores rebeldes estarão para sempre apartados para o fogo eterno (cf. Mt 25, 41). O mais que se diga é especulação e alimento mais ou menos edificante da imaginação.

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 3, 4.6

 

Monição: O Advento, em cujo 2º Domingo nos encontramos, deve ser tempo de conversão. Tal acontecerá na medida em que cada vez mais nos apercebermos do Amor infinito de Deus por nós. Que a palavra do Senhor, que vamos escutar, nos ajude nesse aprofundamento. Assim preparemos o melhor possível os caminhos do Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Carneiro, NRMS 97

 

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 1-8

1Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. 3Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'». 4Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. 5Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

 

S. Marcos começa o seu Evangelho com umas breves referências à pregação do Baptista (vv. 2-8) e ao Baptismo de Jesus (vv. 9-11) e uma brevíssima alusão às tentações no deserto (vv. 12-13), que constituem como que o prólogo da sua obra. À primeira vista, poderia parecer que no 1º versículo – «Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» – a palavra Evangelho designaria o seu escrito. Mas a verdade é que estas palavras são como que a síntese de toda a obra: «Jesus» é «Cristo», isto é, o Messias anunciado pelos profetas e também o «Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos está enquadrado nesta confissão de fé, com que também finaliza a vida terrena de Jesus: «verdadeiramente este homem era Filho de Deus (Mc 15, 39). O próprio Jesus é Ele mesmo o «princípio» da salvação, pois Ele é a Boa Nova, o «Evangelho». A palavra grega «evangelho» significa boa notícia; no Novo Testamento é o feliz anúncio da salvação que Deus comunica aos homens por meio de seu Filho.

A citação inicial (vv. 2-3) de Isaías 40, 3 (cf. 1ª leitura de hoje) tem o valor da citação do Profeta messiânico por excelência, por isso engloba na citação uma parte que nem sequer é de Isaías, o v. 2, mas do profeta Malaquias (Mal 3, 1; cf. Ex 23, 20). A grandeza de Jesus é posta em relevo pela humildade de João que afirma: «eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias» (v. 7); com efeito desatar as sandálias era considerado algo tão humilhante, que nem sequer se podia exigir a um escravo que fosse judeu. O convite do Baptista à «penitência» (v. 4) é o melhor apelo a «preparar o caminho do Senhor» para o Natal que se aproxima; o próprio João aparece como um modelo de preparação: um homem desprendido e penitente (cf. v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

2. A experiência do Povo de Deus.

3. Preparai os caminhos do Senhor.

 

 

1. Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

 

 Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação. Assim pedimos há momentos. Como é importante “ver” e “sentir” o Amor de Deus por nós! Nunca é demais que o façamos. Com certeza não ficaremos indiferentes a esse Amor. Amor com amor se paga. E ao correspondermos ao Amor de Deus, estaremos no caminho da salvação.

As Leituras da Missa de hoje, falam-nos mais uma vez do Amor que Deus nos tem e indicam os caminhos que devemos seguir para corresponder a Esse Amor, onde estão os caminhos da salvação.

 

2. A experiência do Povo de Deus.

 

A 1ª Leitura reporta-se, como já o fez a do Domingo passado, à experiência que o Povo de Deus sentiu no exílio da Babilónia. Há 40 anos que este Povo tinha sido levado como escravo para a Babilónia, após as tropas de Nabucodonosor terem destruído Jerusalém e matado ao fio da espada muitos dos seus habitantes. Mas o Senhor não os esqueceu. Assim, o Profeta Isaías, lhes anuncia a libertação. Encontravam-se a cerca de mil quilómetros de Jerusalém, mas o Senhor pede já que sejam aplanados os caminhos no deserto, endireitando os caminhos tortuosos! O Senhor quer libertá-los, mas quer também que eles aceitem colaborar nessa mesma libertação. Então todos verão a glória do Senhor.

 

3. Preparai os caminhos do Senhor.

 

Preparai os caminhos do Senhor, é também o apelo que nos é dirigido. Tempo do Advento deve ser tempo de conversão. O nosso encontro com o Senhor que acontecerá, como mais uma vez nos lembra S. Pedro na 2ª Leitura, na hora em que menos pensarmos, virá como um ladrão. Exige a nossa vigilância com o endireitar os caminhos do Senhor.

Os dias da vida serão bem vividos na medida em que o fizermos à luz da eternidade.

Foi este o apelo de João Batista. E o povo acorria de toda a parte para o escutar. Ele mesmo, além do apelo a todos deu exemplo para essa preparação. Apareceu no deserto vestido pobremente e comendo gafanhotos e mel silvestre. Deu exemplo de penitência e oração, o mesmo que Nossa Senhora veio lembrar na Sua mensagem, em Fátima. Aceitemos a penitência que o Senhor nos der: dores, contrariedades da vida, cumprimento integral de nossos deveres. Transformemos a vida em oração: tudo fazendo para maior honra e glória do Senhor. É este o caminho sempre atual, que importa percorrer para experimentar o amor do Senhor, preparar o melhor possível a Festa de Natal e chegar à Pátria definitiva, para a qual todos fomos criados - o reino dos Céus. Nesta caminhada a Virgem Maria, Mãe da esperança, acompanhar-nos-á com a Sua intercessão poderosa no esforço deste Advento.

 

Fala o Santo Padre

 

«Na tristeza e na desolação quase nos sentimos protagonistas. Na consolação o protagonista é o Espírito Santo!

É Ele que nos infunde a coragem de sair de nós mesmos e nos leva ao Pai, a fonte da consolação verdadeira.»

Este domingo assinala a segunda etapa de Advento, um tempo maravilhoso que desperta em nós a expectativa da vinda de Cristo e a memória da sua vinda histórica. A liturgia de hoje apresenta-nos uma mensagem cheia de esperança. É o convite do Senhor expresso pelos lábios do profeta Isaías: «Confortai, confortai o meu povo, diz o vosso Deus» (40, 1). Com estas palavras abre-se o Livro da consolação, no qual dirige ao povo no exílio o anúncio jubiloso da libertação. O tempo da tribulação acabou; o povo de Israel pode olhar com confiança para o futuro: espera-o finalmente o regresso à pátria. Por isso o convite é para se deixar confortar pelo Senhor.

Isaías dirige-se ao povo que atravessou um período tenebroso, que sofreu uma provação muito dura; mas agora chegou o tempo do consolo. A tristeza e o medo podem deixar o lugar à alegria, porque o próprio Senhor guiará o seu povo pelo caminho da libertação e da salvação. E como fará tudo isto? Com a solicitude e a ternura de um pastor que cuida do rebanho. Com efeito, ele dará unidade e segurança ao rebanho, apascentá-lo-á, reunirá no seu redil seguro as ovelhas dispersas, dedicará especial atenção às mais frágeis e débeis (v. 11). É esta a atitude de Deus para com cada um de nós, suas criaturas. Por isso o profeta convida quem o ouve — inclusive nós, hoje — a difundir entre o povo esta mensagem de esperança: que o Senhor nos conforta. E dar lugar ao conforto que vem do Senhor.

Mas não podemos ser mensageiros do consolo de Deus se não experimentarmos primeiro a alegria de ser consolados e amados por Ele. Isto acontece sobretudo quando ouvimos a sua Palavra, o Evangelho, que devemos levar no bolso: não esqueçais isto! O Evangelho no bolso ou na bolsa, para o ler continuamente. E isto dá-nos consolo: quando estamos em oração silenciosa na sua presença, quando nos encontramos com Ele na Eucaristia ou no sacramento do Perdão. Tudo isto nos conforta.

Deixemos então que o convite de Isaías — «Consolai, consolai o meu povo» — ressoe no nosso coração neste tempo de Advento. Hoje há necessidade de pessoas que sejam testemunhas da misericórdia e da ternura do Senhor, que incentiva os resignados, reanima os desanimados, acende o fogo da esperança. Ele acende o fogo da esperança! Não nós. Tantas situações exigem o nosso testemunho confortador. Ser pessoas jubilosas, consoladas. Penso em quantos estão oprimidos por sofrimentos, injustiças e abusos; em quantos são escravos do dinheiro, do poder, do sucesso, da mundanidade! Coitados! Têm consolações mascaradas, não a verdadeira do Senhor! Todos estamos chamados a confortar os nossos irmãos, testemunhando que só Deus pode eliminar as causas dos dramas existenciais e espirituais. Ele pode fazê-lo! É poderoso!

A mensagem de Isaías, que ressoa neste segundo domingo de Advento, é um bálsamo sobre as nossas feridas e um estímulo a preparar com intrepidez o caminho do Senhor. Com efeito, o profeta fala hoje ao nosso coração para nos dizer que Deus se esquece dos nossos pecados e nos conforta. Se nos confiarmos a Ele com coração humilde e arrependido, Ele derrubará os muros do mal, preencherá as lacunas das nossas omissões, aplanará os declives da soberba e da vaidade e abrirá o caminho do encontro com Ele. É curioso, mas muitas vezes temos medo do conforto, de ser consolados. Aliás, sentimo-nos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabeis porquê? Porque na tristeza quase nos sentimos protagonistas. Na consolação o protagonista é o Espírito Santo! É Ele quem nos consola, é Ele que nos infunde a coragem de sair de nós mesmos. É Ele quem nos leva à fonte de qualquer consolação verdadeira, ou seja, o Pai. Esta é a conversão. Por favor, deixai-vos consolar pelo Senhor! Deixai-vos confortar pelo Senhor!

A Virgem Maria é o «caminho» que o próprio Deus preparou para vir ao mundo. Confiemos a ela a expectativa de salvação e de paz de todos os homens e mulheres do nosso tempo.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de Dezembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos,

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito.

Oremos com toda a confiança ao Deus todo-poderoso,

dizendo: Vinde, Redentor do mundo!

 

 

1.    Pelo Papa Francisco, Bispos e Sacerdotes:

Para que anunciem corajosamente o Reino de Cristo,

e estimulem os corações dos fieis

a receberem com alegria a vinda do Salvador,

oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

2.    Pelos governantes das nações

para que trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

estejam sempre abertos ao seu bem espiritual,

oremos, irmãos.

 

R.  Vinde, Redentor do mundo!

 

3.    Pela paz e prosperidade de todo o mundo:

Para que a esperança cristã se estenda a todos os homens,

e a fome, as calamidades e guerras se afastem dos povos,

 oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

4.   Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos converta ao Seu Amor,

e os pobres, doentes e famintos

jamais se sintam abandonados por nós,

oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

5.    Por todos os fieis defuntos,

para que, por intercessão de Maria,

alcancem de Deus a Sua misericórdia,

oremos irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

Deus eterno e omnipotente,

Que nos mandais preparar os caminhos de Cristo,

curai as nossas fraquezas e movei-nos à penitência,

a fim de vivermos o efeito pleno do nosso Batismo.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Preparai os caminhos do Senhor, M. Carneiro, NRMS 95-96

 

Oração sobre as oblatas: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454

 

Santo: Santo II, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da paz

 

Os caminhos do Senhor são caminhos de amor a Deus e ao próximo. São caminhos de perdão, paz, e verdadeira reconciliação. Com desejos sinceros de sempre os seguirmos com generosidade, Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Somos peregrinos da eternidade. São muitas as dificuldades que temos a vencer nesta caminhada. Para não desfalecermos no caminho, o Senhor veio viver no nosso meio. Quer dar-se em alimento para matar a nossa fome e como bebida, para matar a nossa sede e nos transmitir a força de que precisamos para sempre e a todos amar.

Vamos receber Jesus com muito fé, paz e amor. Ele é  o verdadeiro Pão vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor nos visitará, F. da Silva, NRMS 64

Bar 5, 5; 4, 36

Antífona da Comunhão: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Virá o grande profeta (Antífona 3), Az. Oliveira, NRMS 39

 

Oração depois da Comunhão: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela Palavra de Deus, vamos estar particularmente atentos para sempre percorrermos os caminhos certos da vida, apontados e vividos por S. João Batista e lembrados por Nossa Senhora em Fátima: penitência e oração. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Desça o orvalho, J. Santos, NRMS 15

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-XII: Deus vem salvar-nos.

Is 35, 1-10 / Lc 6, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

Com a vinda do Messias realizar-se-ão acontecimentos extraordinários (Leit.).  E Jesus cura um paralítico e perdoa-lhe os pecados (Ev.).

Aproximemo-nos do Senhor para que Ele nos perdoe os nossos pecados, recorrendo ao sacramento da Penitência, e ajudemos os outros a fazerem o mesmo. E também para que Ele cure as nossas 'paralisias': o afastamento dos sacramentos e da vida de oração, a pouca ajuda na vida familiar e no trabalho, o receio de falar de Deus e dos seus ensinamentos, a falta de um testemunho de um bom filho de Deus, etc.

 

3ª Feira, 12-XII: Os cuidados do Bom Pastor.

Is 40, 1-11 / Mt 18-12-14

Olhai que o Senhor vai chegar com poder. É como o pastor que apascenta o seu rebanho.

A profecia anuncia que o Messias será o Bom Pastor, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho (Leit.). E Jesus diz que exercitará essa tarefa, procurando que todas as ovelhas se salvem (Ev.), pois são guiadas e alimentadas pelo próprio Cristo.

O amor de Deus por nós é um amor misericordioso, porque não quer que se perca ninguém: «não é da vontade de meu Pai que se perca um só destes pequeninos» (Ev.). O Advento é um tempo de esperança, que devemos aproveitar através de pequenas conversões; e do recurso à nossa Mãe, sob a invocação de Nª Senhora de Guadalupe.

 

4ª Feira, 13-XII: A recuperação de forças.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 25-30

Os que esperam no Senhor recuperam as forças. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

O Messias vem ajudar todos os cansados. Mas a perda de forças é uma coisa natural: «Os jovens cansam-se e fatigam-se e até os homens feitos desfalecem» (Leit.).

Para recuperarmos as forças, o Senhor convida-nos a aproximar-nos dEle: «Vinde a mim todos os que vos afadigais» (Ev.), e a termos muita esperança: «Os que esperam no Senhor recuperam as forças» (Leit.). Precisamos da sua ajuda para enfrentarmos com coragem as dificuldades, para rejeitarmos as tentações, para termos paciência nos momentos difíceis. Precisamos igualmente ser um bom apoio para aqueles que nos rodeiam e têm problemas.

 

5ª Feira, 14-XII: Os combates exigem forças.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor. Irás bater e triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

O Messias vem trazer-nos as forças necessárias para ultrapassarmos os obstáculos: os montes e colinas (Leit.) da nossa vida. Essa é também a força necessária para alcançarmos o reino dos Céus (Ev.).

Vendo as nossas debilidades, Jesus tem misericórdia de nós, e anima-nos para podermos enfrentar com coragem as dificuldades, para rejeitarmos as tentações, para superarmos os obstáculos, para termos paciência nos momentos difíceis, etc. Peçamos igualmente ajuda à nossa Mãe, Virgem Poderosa, para compensar as nossas debilidades.

 

6ª Feira, 15-XII: O acolhimento do Messias.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Oh! Se tivesses atendido as minhas ordens, o teu bem estar seria como um rio, e a tua prosperidade como as ondas do mar.

O segredo da nossa felicidade está ligado ao modo como acolhemos a palavra de Deus (Leit.). Mas, infelizmente, a situação referida pelo Senhor repete-se: Não fizeram caso do que disseram João Baptista e o próprio Cristo (Ev.).

Preparemo-nos para acolher muito bem o Senhor, que é a própria Palavra de Deus. Aceitemos cada dia melhor os seus ensinamentos, que são tesouros de bondade e misericórdia; tenhamos uma grande fé e plena confiança nos seus mandatos. E rejeitemos completamente o comportamento dos ímpios e os seus conselhos (S. Resp.).

 

Sábado, 16-XII: Elias, um Precursor do Messias.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 9. 10-13

Como tu brilhaste, Elias, pelos teus prodígios! Foste preparado em ordem ao futuro.

Em ambas as Leituras é recordada a figura do profeta Elias. Também ele realizou grandes prodígios: ressuscitou a filha da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o holocausto do Monte Carmelo. O seu nome significa: o Senhor será o meu Deus.

Elias foi preparado em ordem ao futuro, isto é, para a vinda do Messias, que realizará ainda maiores prodígios. Assim, o fogo passa a ser o fogo do Espírito Santo, que queimará todas as impurezas do nosso coração e nos fará aumentar o amor de Deus; a restauração que o Messias vem fazer é para que tudo fique como no princípio da criação.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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