Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

8 de Dezembro de 2017

 

PADROEIRA DE MOÇAMBIQUE E PORTUGAL

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ditosa Virgem, cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas jóias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja dirige o seu olhar, na presente solenidade, para Aquela criatura escolhida por Deus para ser a Porta pela qual entra no Mundo a Redenção. Ela própria é a primeira redimida mesmo antes de vir a Terra o Redentor. É concebida Imaculada, sem contrair o pecado original, em previsão dos méritos do seu Filho, Jesus Cristo. No tempo de Advento, que estamos a percorrer, olhemos agradecidos, e admirados, para esta Porta que se abre na Terra para que venha o Céu até nos.

 

Ato penitencial

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na leitura do livro do Génesis, que vamos escutar, o Espírito Santo nos transmite verdades que estão na origem da nossa situação terrena. Recordaremos o pecado dos nossos Primeiros Pais, e o amor de Deus por nos que permanece intacto apesar da nossa recusa. O Senhor promete um Salvador, e aparece já anunciada a presença da Mulher pela qual chegará ao Mundo o Redentor que vence o mal e o demónio

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. (...) O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. (...) A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72), 9; Is 49, 23; Miq 7, 17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Neovulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se quisesse designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial            Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

 

Monição: No salmo que vamos rezar repetiremos “Cantai ao Senhor um cântico novo”; e de facto a maior “novidade” que aconteceu na Terra desde o início da Criação foi a conceição da criatura nova, Maria, que inaugura a Nova Criação da Humanidade redimida

 

Refrão:    Cantai ao Senhor um cântico novo:

o Senhor fez maravilhas.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo recorda-nos o Projeto divino para o homem, que foi destruído pelo pecado dos nossos Primeiros Pais, e restaurado por Jesus Cristo e em Jesus Cristo, com a perfeita cooperação de Maria.

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus; estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3, 1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos, demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 1, 28

 

Monição: Aclamemos o Evangelho com coração agradecido ante o mistério da Encarnação do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco;

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

Nossa Senhora Imaculada e a nossa vida “imaculada”.

A impecabilidade de Nossa Senhora e a nossa.

 

Nossa Senhora Imaculada e a nossa vida “imaculada”.

Mal foram dados os primeiros passos no caminho penitencial do Advento, e a Igreja, hoje, em lugar de entoar lamentações canta com Isaías: “Exulto de alegria no Senhor, e a minha alma rejubila no meu Deus”. A penitencia é sempre alegre, mas torna-se uma alegria exultante quando vivida em companhia de Nossa Senhora. Por isso hoje paramos para contemplar, na sua radiosa beleza e santidade, Àquela que nos irá acompanhar até Belém. A Igreja celebra hoje a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. Para que, olhando para Ela, desejemos purificar as nossas vidas com uma alegre e frutuosa penitencia.

Na oração coleta de este dia, que procede do s. XV, encontramos um resumo perfeito do Dogma que celebramos: “Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós”.

Deus redimiu Nossa Senhora não purificando a sua alma do pecado original, mas evitando que o contraísse. Poderíamos dizer, sem faltar ao respeito, que Deus, no plano da graça, para curar a “doença” do pecado original, em lugar de utilizar um “antibiótico”, como faz connosco, utilizou uma “vacina”, no caso de Nossa Senhora.

Nós, a diferença de Maria Santíssima, nascemos com a mancha (macula) do pecado de origem, e muitos outros pecados sujaram, ao longo dos anos, a nossa alma. Mas houve um momento em que fomos verdadeiramente “imaculados”. Esse momento foi o dia do nosso batismo. Ao ser “lavados”, na pia batismal, pela água do sacramento, voltamos a nascer, mas agora “imaculados”. Os próprios ritos do batismo exprimem essa realidade. A veste branca, “imaculada”, que é imposta ao batizado significa a alma purificada pela graça. Nos primeiros tempos do cristianismo, quando muitas pessoas eram batizadas adultas, costumava-se guardar cuidadosamente essa túnica, para ser vestida de novo ao chegar o momento do trânsito final. Queria significar-se que a alma continuava limpa como as túnicas brancas dos justos no Céu (cf. Apoc. 7.9). Mas a verdade é que nós não podemos guardar a nossa alma numa arca protegida de qualquer sujidade. A nossa alma a levamos sempre “vestida” e o normal será que a tenhamos que a lavar muitas vezes, a pesar de todo o cuidado que tivermos.

Mas a vida cristã não consiste em evitar os pecados. Isso é uma condição necessária para ser “santos e imaculados na Sua presença” (2ª Leit). Mas a santidade é uma união com Deus que está chamada a crescer sempre. Também Nossa Senhora, que desde a sua Imaculada Conceição era “Cheia de graça”, cresceu nessa plenitude. Pela sua correspondência à vontade de Deus foi colmada com novas “plenitudes” ao longo da sua vida. É como se a sua alma fosse um recipiente, ou um balão, cheio, que ao receber mais graça se dilatasse permanecendo sempre colmado, más com maior conteúdo do que antes.

Nós recebemos a graça santificante de modo limitado quando fomos batizados. Mas com as nossas boas obras, podemos merecer um aumento de essa graça inicial. A veste branca do nosso batismo deve ser cada vez mais branca e luminosa. Não só devemos evitar suja-la com os pecados, mas pelo amor a Deus e aos irmãos irá adquirindo uma brancura mais intensa e radiosa. O desejo de Deus e nosso é que ao chegar ao fim a nossa vida, a sua brancura seja mais imaculada do que a que que teve no dia do nosso batismo.

 

A impecabilidade de Nossa Senhora e a nossa.

Nossa Senhora além de carecer do pecado original também foi impecável; não podia pecar. Os santos no Céu, com a “luz da gloria “, possuem uma visão de Deus intuitiva e tão luminosa que a sua vontade fica com que “cativa”, e nada os pode desviar do amor à Santíssima Trindade. Mas não deixam, por isso, de ser livres, pois livremente reafirmam o seu amor em todos os seus atos.

Maria não teve essa permanente “visão intuitiva” de Deus. Mas teve um conhecimento de Deus e das realidades divinas maior do que qualquer outra criatura. A sua contemplação não era imediata e intuitiva, mas sim fruto da “luz da fé” e da abundancia de dons e privilégios divinos. Nossa Senhora correspondeu a todos eles com uma generosidade total, e por isso a sua alma “via” Deus com uma claridade e proximidade tais, que nada a podia desviar do amor ao seu Senhor. Não podia pecar.

Nós recebemos, no dia do nosso batismo, o dom grandioso da graça santificante e todos os outros dons que a acompanham. Mas a diferença de Nossa senhora temos a graça de modo limitado, sem a plenitude que Ela recebeu. Nós não somos impecáveis, e a nossa triste experiencia nos confirma que somos pecadores. A pesar de tudo, podemos, e devemos, ser contemplativos, retificando sempre que for necessário. A nossa contemplação de Deus requer um esforço ascético progressivo, apoiado na graça. Mas tudo o que nos foi dado com o batismo orienta-se para essa finalidade.

Na medida em que, apoiados na graça sejamos mais esforçados na oração e contemplemos mais Deus, seremos menos pecadores. Contemplar é olhar para Deus, com os olhos da fé movida pela caridade. Quando esse olhar é mantido ao longo do dia no meio das mais diversas atividades, e com ocasião de elas, a pessoa vai-se tornando uma alma contemplativa. Nessas circunstâncias é mais difícil que as tentações tenham eficácia.

Uma pessoa profundamente apaixonada por outra, só pensa nela, e todo o que a possa separar dela carece de qualquer atrativo. Por isso podemos dizer que “quanto maior contemplação, menos pecados”.

Procuremos, pois, tempo para orar, todos os dias, nem que seja dez ou quinze minutos. Esse tempo, dedicado exclusivamente a Deus, será o impulso para que consigamos levantar o coração para o Céu no resto do dia. Podemos assim, continuar a orar no meio do trabalho, do descanso, das viagens, das mil e uma ocupações. Também devem ser ocasião para falar com Deus as alegrias, os sofrimentos, as noticias, os êxitos e os fracassos.

Se formos mais contemplativos pecaremos menos. Por isso o demónio concentra as suas tentações em tornar-nos distraídos, superficiais e dispersos pelas coisas da terra, para que vivamos como se Deus não existisse.

Mas olhemos para Nossa Senhora na sua Imaculada Conceição. Costuma ser representada, nas imagens, esmagando com o pé a cabeça da serpente. Ela esmagará, na nossa alma essas tentações, e ajudar-nos-á, a ser contemplativos, com a paciência e bondade com que as mães ensinam a falar ou a caminhar aos seus queridos filhos. 

 

Fala o Santo Padre

 

«Recebemos gratuitamente, gratuitamente somos chamados a dar. De que modo?

Deixando que o Espírito Santo faça de nós um dom para os outros e nos torne instrumentos de acolhimento, reconciliação e perdão.»

A mensagem da hodierna festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria pode resumir-se com estas palavras: tudo é dom gratuito de Deus, tudo é graça, tudo é dom do seu amor por nós. O Arcanjo Gabriel chama Maria «cheia de graça» (Lc 1, 28): nela não há lugar para o pecado, porque Deus a escolheu desde sempre como mãe de Jesus e preservou-a do pecado original. E Maria corresponde à graça e a ela se abandona dizendo ao Anjo: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (v. 38). Não diz: «farei segundo a tua palavra»: não! Mas: «Faça-se em mim...». E o Verbo fez-se carne no seu seio. Também a nós é pedido que ouçamos Deus que nos fala e que acolhamos a sua vontade; segundo a lógica evangélica nada é mais activo e fecundo do que ouvir e acolher a Palavra do Senhor, que vem do Evangelho, da Bíblia. O Senhor fala-nos sempre!

A atitude de Maria de Nazaré mostra-nos que o ser vem antes do fazer, e que é preciso deixar que Deus faça para ser verdadeiramente como Ele quer. É Ele quem faz em nós tantas maravilhas. Maria é receptiva, mas não passiva. Assim como, a nível físico, recebe o poder do Espírito Santo mas depois doa carne e sangue ao Filho de Deus que se forma nela, também a nível espiritual, acolhe a graça e corresponde a ela com a fé. Por isso santo Agostinho afirma que a Virgem «concebeu primeiro no coração e depois no seio» (Discursos, 215, 4). Concebeu primeiro a fé e depois o Senhor. Este mistério do acolhimento da graça, que em Maria, por um privilégio único, era sem o obstáculo do pecado, é uma possibilidade para todos. Com efeito, são Paulo abre a sua Carta aos Efésios com estas palavras de louvor: «Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais no céu em Cristo» (1, 3). Como Maria é saudada por santa Isabel, assim também nós fomos desde sempre «abençoados», ou seja, amados, e por isso «escolhidos antes da criação do mundo para ser santos e imaculados» (Ef 1, 4). Maria foi preservada, enquanto nós fomos salvos graças ao Baptismo e à fé. Mas todos, tanto ela como nós, por meio de Cristo, «em louvor do esplendor da sua graça» (v. 6), daquela graça da qual a Imaculada foi colmada em plenitude.

Diante do amor, face à misericórdia, à graça divina derramada nos nossos corações, a consequência que se impõe é uma só: a gratuitidade. Ninguém pode comprar a salvação! A salvação é um dom gratuito do Senhor, um dom gratuito de Deus que vem em nós e habita em nós. Assim como recebemos gratuitamente, também gratuitamente somos chamados a dar (cf. Mt 10, 8); à imitação de Maria que, logo depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, vai partilhar o dom da fecundidade com a sua prima Isabel. Porque, se tudo nos foi doado, tudo deve ser doado de novo. De que modo? Deixando que o Espírito Santo faça de nós um dom para os outros. O Espírito é dom para nós e nós, com a força do Espírito, devemos ser dom para os outros e deixar que o Espírito Santo nos torne instrumentos de acolhimento, instrumentos de reconciliação, instrumentos de perdão. Se a nossa existência se deixa transformar pela graça do Senhor, porque a graça do Senhor nos transforma, não podemos reter para nós a luz que vem do seu rosto, mas deixaremos que ela passe para que ilumine os outros. Aprendamos de Maria, que manteve o olhar fixo constantemente no Filho e o seu rosto tornou-se «a face que mais se assemelha a Cristo» (Dante, Paraíso, XXXII, 87). E a ela nos dirijamos agora com a oração que recorda o anúncio do Anjo.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 8 de Dezembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Bendigamos a Deus, que nos enviou

a grande bênção prometida a nossos pais

e, por intercessão da Virgem Imaculada, nossa Padroeira,

Mãe da Misericórdia, peçamos (ou: cantemos), com alegria:

R. Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou:. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1. Pelos filhos da santa Igreja, presentes em toda a terra,

para que não se deixem enganar pelo Demónio

e sejam dignos filhos da esposa de Cristo, santa e imaculada,

oremos, por intercessão de Maria.

 

2. Pelo Papa N., pelos bispos e presbíteros,

para que Deus, que os chamou e os escolheu,

lhes dê a graça de serem sempre bons pastores,

oremos, por intercessão de Maria.

 

3. Pelos fiéis cristãos do mundo inteiro,

para que com a ajuda da Virgem Imaculada sejam

 sinal eficaz da misericórdia de Deus junto dos mais necessitados.

oremos, por intercessão de Maria.

 

4. Pelos governantes e autoridades da nossa terra,

para que pensem sobretudo nos mais pobres

e sirvam o bem comum dos cidadãos,

oremos, por intercessão de Maria.

 

5. Pelas mulheres que estão prestes a ser mães,

para que saibam acolher e agradecer o dom da vida

que Deus entrega em suas mãos,

oremos, por intercessão de Maria.

 

6. Pelos que cederam à tentação do Inimigo

e por todos os que vivem em pecado,

para que se arrependam e recebam o perdão,

neste ano jubilar que hoje começa.

oremos, por intercessão de Maria.

(Outras intenções).

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que convocastes e reunistes estes vossos filhos

para celebrarem os louvores da Virgem Imaculada,

fazei que, olhando para Ela,

aprendam a imitá-lA e a progredir na santidade.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Gloriosa Rainha do mundo, C. Silva, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Monição da Comunhão

 

Deus fez Imaculada Nossa Senhora porque haveria de receber Jesus. Nós recebemos também Jesus na Sagrada Comunhão. Examinemos a nossa alma para ver se estamos em condições de comungar, e se estivermos, preparemo-nos com a ajuda de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Como é bela e formosa, M. Luís, NRMS 33-34

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Canta um cântico novo, J. dos Santos, NRMS 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Voltemos aos nossos afazeres acompanhados de Maria, para proclamar como Ela, em casa de Isabel, que o Senhor fez em nós coisas maravilhosas e a Sua Misericórdia se estende por todas as gerações. Com a ajuda da Mãe Imaculada demos a conhecer Jesus com o nosso bom exemplo e as nossas palavras.

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilia Ferial

 

Sábado, 9-XII: A abundância de frutos.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35- 10. 1.5. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

De acordo com o profeta, o Messias exercerá a sua misericórdia e haverá frutos abundantes (Leit.). Jesus manifesta essa misericórdia, curando as doenças e proclamando a Boa Nova aos que andavam como ovelhas sem pastor (Ev.).

Para que haja abundância de frutos é preciso acolher bem a palavra de Deus. Jesus pede-nos que continuemos a sua missão. Ensinemos, pois, os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostrando-lhes o caminho da felicidade. Acompanhemos o nosso trabalho com a oração: «pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a messe» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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