1º Domingo do Advento

3 de Dexembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, mostrai-nos o vosso rosto, Az. Oliveira, NRMS 56

Salmo 24,1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começa o Advento e, com ele, um novo Ano Litúrgico. A Igreja convida-nos a preparar nestas quatro semanas que precedem o Natal, a vinda do Senhor.

Como podemos falar na Sua vinda, se Ele já veio, nascendo numa pobre gruta, da sempre - Virgem Maria?

Vamos celebrar a Sua vinda histórica — o nascimento em Belém, há dois mil anos. Procuramos ter presente a Sua vinda escatológica, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos — os que vão para o Céu e os que se condenam.

As duas vindas ajudam-nos a preparar o nascimento de Cristo em nós, pela eliminação do pecado e crescimento da intimidade com Deus.

 

Acto penitencial

 

Aceitamos lealmente na presença do Senhor que somos, na vida espiritual, pessoas sem desejos, fartas das coisas de Deus e conformados com a nossa mediocridade de sempre.

Deixamo-nos adormecer para as exigências de Deus e perdemos o sentido da nossa caminhada para o Céu.

Peçamos humildemente perdão deste estado doentio da nossa alma e disponhamo-nos a começar com alegria esta caminhada do Avento.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Quantas vezes na vida vivemos sem nada mais esperar,

    como se esta vida terminasse na terra e não houvesse a Vida Eterna!

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Todas esperanças têm estado viradas para a vida presente,

    sonhando com coisas que nada valem e que deixam a alma vazia.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Temos limitado a preparação do Natal a ter coisas,

    e não a procurar os autênticos valores para uma eternidade feliz.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías dirige um apelo dramático ao Senhor para que venha libertar Israel dos seus pecados, recriando um Povo de Deus de coração renovado.

Como Isaías, elevemos ao Senhor uma oração para que nos transforme interiormente, neste Advento da Salvação.

 

Isaías 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7

13bVós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. 17Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. 19bOh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! 2bMas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. 3Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. 4Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos. 5Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. 6Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. 7Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.

 

O texto desta leitura, tirado do Terceiro Isaías (Is 56 – 66), é um veemente e comovente apelo à misericórdia de Deus, de grande afinidade com alguns Salmos, e também um hino ao seu amor de Pai.

16b «Nosso Pai». Já no A. T. Deus é designado Pai, mas é no N. T. que se revela o sentido profundo da sua paternidade e sobretudo a nossa condição de «filhos no Filho». «E nosso Redentor» (goél, em hebraico). A Deus é dado o mesmo nome que se dava ao parente mais próximo encarregado de defender a pessoa oprimida e necessitada: o goél tinha obrigação de resgatar quem caísse na escravidão, de resgatar uma propriedade, de vingar o sangue dum parente assassinado, e até de obviar à falta de filhos de uma viúva dum parente, casando com ela. Quando se designa a Deus Redentor (goél) de Israel, indica-se que Yahwéh é o responsável pela defesa do povo que elegeu para si. Chamar-lhe Redentor é apelar para a sua segura defesa e protecção.

19 «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!» A Liturgia do Advento aplica este texto à vinda de Deus à terra no mistério da Incarnação: Jesus Cristo é o próprio Deus que vem resgatar-nos do pecado e da perdição eterna.

1-2a.5-6 «Pecámos». Os primeiros versículos do capítulo 64 são obscuros, traduzidos de diversos modos (a versão litúrgica atém-se basicamente ao texto oficial da Neovulgata). Uma ideia, porém, fica clara: o reconhecimento das culpas é o ponto de partida para o veemente apelo do Profeta à misericórdia divina. Também não se poderia exprimir com mais veemência a repugnante situação de impureza do pecador perante Deus: «as nossas acções justas eram todas como veste imunda» (a Vulgata traduz à letra o original hebraico bem expressivo e realista – «pannus menstruatæ» –, que, para não ferir a sensibilidade de algum leitor, a Neovulgata suavizou para «pannus inquinatus», «um trapo sujo»). A confissão humilde dos nossos pecados é também uma atitude básica para preparar o Natal, aliás este poderia ficar reduzido a um bonito folclore, mas vazio.

8 «Nós o barro...» Esta imagem tão frequente na Escritura (cf. Is 29, 16; 30, 14; 45, 9; Jer 18, 1-6; 19, 1-13; Sir 33, 13; Rom 9, 9-20-21) é muito expressiva, pois, por um lado, exprime a fragilidade do homem, por outro, o domínio total de Deus sobre nós. Pode-se tirar partido da imagem para falar da docilidade à acção do Espírito Santo na alma, a fim de que Deus possa moldar-nos segundo a imagem de Cristo, que quer «nascer» em nós.

 

Salmo Responsorial            Sl 79, 2ac e 3b, 15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios a resposta à Sua interpelação que nos fez pelo profeta Isaías.

Também nós, neste Advento da Salvação, pedimos ao Senhora a graça da nossa conversão pessoal, preparando a vinda de Jesus neste Natal.

 

Refrão:    Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

            mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.

Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes;

e não mais nos apartaremos de Vós:

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na sua primeira Carta aos fiéis da Igreja de Corinto, encoraja-os a corresponder às graças que lhes foram concedidas e anima-os a confiar que o Senhor os manterá firmes até ao fim.

Deus é fiel e não deixa de nos ajudar, se Lhe manifestarmos a nossa boa vontade em corresponder a esta graça do Advento.     

 

1 Coríntios 1, 3-9

Irmãos: 3A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. 5Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. 7De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 8Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

S. Paulo, nas suas cartas, utiliza o formulário epistolar greco-romano. A leitura de hoje contém a segunda parte (vv. 3-9) do início (a præscriptio) da sua carta, deixando de parte os vv. 1-2 (o remetente, a superscriptio – «Paulo e Sóstenes», e os destinatários, a adscriptio: «à Igreja de Deus que está em Corinto…»). A nossa leitura começa no v. 3, com a saudação (salutatio). A saudação judaica era «a paz!» (a que muitas vezes acrescentavam «a bênção»; a sudação entre os gregos era «alegra-te!» khaire / khairein; entre os romanos era «tem saúde!, salutem). Paulo utiliza simultaneamente a saudação grega e a judaica, mas dando-lhes um novo sentido, o sentido cristão; assim não diz khairein (alegria), mas sim kháris (graça); e a sudação «paz» é especificada acrescentando «da parte de Deus… e do Senhor Jesus», pondo assim em evidência o dom gratuito da salvação que vem de Deus por Jesus. Como era corrente à saudação segue-se um agradecimento, mas aqui é «a Deus» que Paulo agradece os dons concedidos à comunidade de Corinto (vv. 4-7).

7-8 «Esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo». É a manifestação que corresponde ao «dia de Nosso Senhor Jesus Cristo», o dia da segunda e última vinda de Jesus, para o julgamento final de todos os homens (cf. Mt 25, 31-46). Em cada festa de Natal toda a Igreja recorda e revive a primeira vinda do Senhor e antecipa e prepara a sua segunda vinda (a parusía, assim chamada noutros lugares), ou manifestação [apokálypsis]. Pensa-se que S. Paulo, nalgum momento, poderia mesmo ter chegado a participar da esperança que havia entre os primeiros cristãos de uma vinda próxima de Jesus; com efeito, sendo estes conscientes de que em Jesus se dava o culminar da história da salvação, não podiam imaginar que Ele pudesse tardar a sua manifestação definitiva; com efeito, do plano teológico era fácil resvalar para o plano cronológico; mas isto nunca foi objecto propriamente do ensino apostólico.

 

Aclamação ao Evangelho   Salmo 84 (85), 8

 

Monição: Que faríamos sem a ajuda do Senhor, se é já Ele quem faz nascer dentro de nós o desejo de uma verdadeira conversão pessoal?

O mesmo Senhor que desperta em nosso coração o desejo de nos emendarmos dar-nos-á as graças necessárias para o conseguirmos.

Manifestemos esta Esperança, aclamando O Evangelho que para nós vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33«Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. 34Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; 36não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!»

 

O texto evangélico de hoje é o final do discurso escatológico de S. Marcos (Mc 13, 1-37), o Evangelista do ano B.

33 «Vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». O momento em que Jesus «de novo há-de vir a julgar os vivos e os mortos» é-nos absolutamente desconhecido. Esta ignorância não nos deve assustar, mas sim estimular-nos a aproveitar bem o tempo, com sentido de urgência e a estar sempre preparados para comparecer diante do nosso Salvador, que aparecerá como Juiz remunerador; também aqui bem se aplica o célebre aforismo de «douta ignorância» (Sto. Agostinho). No seu Comentário ao Diatéssaron, 18, 15-17, Santo Efrém diz que o Senhor «quis ocultar-nos isto a fim de permanecermos vigilantes e para que cada um de nós possa pensar que este acontecimento se produzirá durante a sua vida. Ele disse muito claramente que há-de vir, mas sem precisar em que momento. E assim todas as gerações O esperam ardentemente». E a Liturgia do Advento desperta em nós esta atitude de espera ansiosa.

 

Sugestões para a homilia

 

• Esperamos de Deus a Salvação

Precisamos que Ele venha sem demora

Como preparar a Sua vinda

A Esperança cristã

• Estejamos vigilantes

A vigilância, virtude indispensável

Temos uma missão a cumprir

Não nos deixemos adormecer

 

1. Esperamos de Deus a Salvação

 

a) Precisamos que Ele venha sem demora. «Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, [...]. Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos [...].»

Estamos convencidos de que precisamos da vinda do Redentor do mundo, para sermos felizes, ou não?

O primeiro passo no caminhão errado é que temos uma falsa noção de felicidade: para muita gente é o mesmo que o prazer dos sentidos até à saciedade. As únicas aspirações de muitos — também de cristãos — são o dinheiro, como arma de importância social e acesso ao que se deseja — a boa mesa e o sexo.

Tudo o que não encaminha para isso é posto e parte, embora haja uma vaga nostalgia de Deus que se procura vencer com a religiosidade popular.

Queremos mesmo a sério que Ele venha e Se meta na nossa vida?

Achamos que Deus é incómodo, demasiadamente exigente e, por isso, desmancha prazeres. Seremos capazes de Lhe pedir a sério que venha e tome conta da nossa vida?

Não queremos ser incomodados, perturbados no nosso alheamento. Para isso, inventou-se o sexo sem risco, o álcool sem risco e até para os riscos da gula se procura encontrar uma solução.

Acredita-se piamente que a ciência vai chegar a uma fase em que todas as doenças serão curadas e a dor deixará de existir.... esperamos que este paraíso na terra chegue ainda a tempo para a nossa vida na terra.

Custa-nos pensar até às últimas consequências dos nossos actos. O pensar a fundo na vida foi posto de parte, porque é incómodo.  Impera o “espontâneo”, e a ditadura dos sentidos. Ouve-se com frequência. “Gostei”, “disse-me muito”

 

b) Como preparar a Sua vinda. «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! Mas Vós descestes [...]. Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam

Muito antes do Natal, já o mundo consumista, pela publicidade, nos impinge uma falsa noção do Natal: em vez de conversão pessoal, de mudança de vida, metralham os olhos e os ouvidos das pessoas com a publicidade. Natal = a comprar mais, a consumismo alienante: uma saborosa e abundante refeição no Natal, uma distribuição generosa de prendas — muitas vezes, de inutilidades — e um vago desejar Boas Festas, de Paz, e não sei que mais.

Mas bem sabemos que tudo isto é para nos iludir, porque soa a mentira. A paz de consciência — a verdadeira paz — tem de vir do alto e instalar-se dentro de cada pessoa que a procura numa sincera reconciliação com Deus.

Aprofundar a consciência da fé. Muitos não apreciam a sua condição de cristãos, de filhos de Deus, porque ignoram completamente esta riqueza.

Cada pessoa tem de caminhar para Deus na sua integridade: pela inteligência, pela vontade e pela emotividade. Não podemos mutilar a pessoa humana, quando se trata de nos aproximarmos de Deus.

O conhecimento de Deus leva-nos a amá-l’O, porque Ele é a mesma Bondade infinita, o Amor. Por isso, a fé — o Amor de Deus — é inseparável da nossa vida de cada dia. Não temos compartimento estanques no nosso comportamento.

Concretizar a fé na vida. Um olhar lançado sobre a nossa vida ajuda-nos a tomar consciência de que há aspectos nela que não estão conformes com as exigências da fé que professamos. Vemos essas exigências na medida da nossa generosidade. Uma pessoa tíbia acha que está tudo bem na sua vida e não sente necessidade de mudar.

Ajudar os outros. É uma dimensão imprescindível deste Advento. Se o nosso amor a Deus é sincero, havemos de sentir a necessidade de aproximar d’Ele muitos amigos, lembrando o que Ele disse: «Eu vim para que (as pessoas) tenham vida (da graça) e a tenham em abundância.» (S. João 10, 10).

Peçamos a Sua vinda a nós, à nossa vida de cada dia, e não uma vinda que não se concretiza em nada. Ele quer vir para nos fazer felizes.

 

c) A Esperança cristã. «já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho [...].»

Quando pensamos em recomeçar o caminho da generosidade com Deus, somos tentados contra a virtude da Esperança. É uma tentação perigosa, porque se disfarça em prudência e em humildade. “É uma imprudência tentar o recomeço do caminho, porque já o fizemos muitas vezes e foi preciso desistir, porque nada conseguimos.” “Quem sou eu, para sonhar com altos voos na vida?”

Deus nunca falta com a Sua ajuda e é Ele o primeiro a querer a nossa felicidade em plenitude.

Não vemos a nossa perfeição. Parece-nos — mesmo quando fazemos esforços — que estamos sempre no mesmo sítio. O texto de S. Paulo na Primeira Carta aos fiéis de Corinto recorda-nos isto mais uma vez: «Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo

É Ele quem nos chama. Deus não brinca com os nossos sentimentos e desejos.

Desejar o que tem valor. Fala-se muito de esperança em coisas banais. Outras vezes, nem fazemos referência a nada: é uma palavra botita que fica bem pronunciar.

É também costume desejar o melhor, ou que “esteja tudo bem consigo!”

A nossa esperança deve orientar-se para o Alto, para os bens que não perecem e dos quais não podemos prescindir. Termos esperança do Céu. Se o não alcançássemos com a vida presente, para que seria ter vivido? É um tudo ou nada.

Confiar na bondade do nosso Deus. Pensando em experiências vividas de tentativas não alcançadas, poderíamos cair no pessimismo. De facto, por nós mesmos, nada podemos conseguir.

Mas o nosso Deus é omnipotente e infinitamente bom. É o Espírito Santo quem desperta em nós estes bons desejos. O mesmo Senhor que os desperta em nós ajudar-nos-á a consegui-los. Esta empenhada nisso a Palavra do nosso Deus.

O Advento é um tempo especial para viver esta Esperança de santidade pessoal e de conquista, para sempre, da felicidade no Paraíso.

Sem o amor Deus, a vida não tem sentido. «Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.»

 

2. Estejamos vigilantes

 

a) A vigilância, virtude indispensável. «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento

Vigiar é estar de vigília, acordado, atento e desperto contra qualquer surpresa desagradável. Tanto pode ser um inimigo que nos surpreende, como umas contas que temos a prestar e não estamos preparados para o fazer, porque nos descuidamos.

A surpresa pode acontecer de dia ou de noite e, por isso, a vigilância tem de ser permanente.

A vigilância a que Nosso Senhor se refere é a permanência na graça santificante, n amizade de Deus. Como não sabemos o dia nem a hora, nem o lugar onde terminará a nossa vida meritória na terra, temos de a conservar sempre.

É indispensável vencer a última batalha. E como não sabemos qual é a última, temos de as vencer todas, uma a uma, à medida em que se nos apresentam.

Uma pessoa pode viver das contas acumuladas no banco ou da reforma devida ao seu tempo laboral. Mas na vida espiritual não podemos viver dos rendimentos. No momento em que se interrompe a vida — pelo pecado — ficamos fora do combate porque já estamos derrotados.

Jesus recomenda-nos a vigilância para que a vinda do Senhor não nos apanhe desprevenidos e não preparados para prestar contas da nossa vida.

Em que se concretiza a vigilância na vida espiritual?

Conservar a vida da Graça. Uma pessoa morta não pode estar vigilante. Uma pessoa em pecado mortal, também não.

Não podemos dizer “agora ando sem cuidado e, no fim da vida, ponho-me de bem com Deus:” Quem te garante o dia de amanhã?

Não nos entreguemos à preguiça. A preguiça é a grande tentação dos cristãos. À primeira vista, parece que não acontece qualquer mal, se deixarmos correr os acontecimentos, sem tentarmos mudar o seu rumo. Mas, na verdade, o Inimigo alimenta as suas vitórias da inactividade dos bons.

 

b) Temos uma missão a cumprir. «Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse

Somos administradores dos bens de Deus: o dom da vida, do tempo disponível, das qualidades, do ambiente em que vivemos e das possibilidades que se nos oferecem.

Muitas pessoas enchem-se de satisfação própria porque — dizem — nunca fizeram mal a ninguém. Ressalvando que podem estar enganadas, porque somos maus juízes em causa própria, não basta não fazer mal para alcançar a salvação.

Jesus insiste na necessidade de encher a vida com boas obras. Censura como servo mau e preguiçoso o servo que enterrou o talento recebido em vez de o fazer render com boas obras.

Formar-se bem doutrinalmente. Como podemos ser luz do mundo e fermento de santidade, se não sabemos a quantas andamos? Também no campo da formação doutrinal não é possível viver dos rendimentos. A vida apresenta constantemente problemas a que não basta o bom senso para lhes dar resposta.

Vida de oração. Há um compromisso mínimo de oração diária a que não podemos faltar. Deixemos de planear a nossa vida ao sabor do sentimentalismo.

Trabalho. É o eixo da nossa santificação. Se não nos procurarmos tornar cada vez melhores profissionais, não nos podemos santificar.

Atenção aos outros.  Esta atenção deve começar pela nossa família e alargar-se aos companheiros de trabalho e a todos aqueles com quem nos cruzamos na vida.

Quem está vigilante não se pode limitar a olhar só para um lado, para um sentido da vida. Tem de manter sob o seu olhar estes diversos aspectos da mesma vida que o Senhor nos concedeu para administrar.

 

c) Não nos deixemos adormecer. «Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir

O Advento que agora iniciamos é mais uma oportunidade que o Senhor nos oferece para ouvirmos o Seu chamamento à santidade respondermos com um sim generoso.

Quem nos garante que não é o último Advento que vamos passar na terra?

O Senhor não nos quer encontrar a dormir, quando vier procurar, no último momento da nossa vida.

O sono espiritual tem o nome de tibieza. É a doença das almas boas, das pessoas que se preocupam em não cometer pecados mortais, em terem uma certa honestidade de vida, mas que se negam a caminhar a ritmo de Deus na nossa vida. Arranjam falsas razões para negar continuamente ao Espírito Santo aquilo que Ele amorosamente lhes vai sugerindo.

O sono na vida espiritual chama-se tibieza. A tibieza é a doença das almas boas, das pessoas que têm preocupação em salvar-se. Por isso evitam os pecados graves e levam uma vida decente sob o aspecto cristão.

S. João escreve, por ordem de Deus aos sete Anjos — Bispos — de sete Igrejas da Ásia Menor. Não é aos pagãos, nem aos simples cristãos, mas aos pastores das Igrejas.

Na carta ao Bispo de Laodiceia mostra-nos o estado desgraçado da alma tíbia:

«Conheço as tuas obras, e sei que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Porque dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.» (Apocalipse 3,15-18).

• Pessoa sem pecados graves, mas também sem grandes voos de generosidade: sei que nem és frio nem quente.

• Vive iludida sobre o estado da sua alma, pensando que está cheia de virtude e de méritos: Porque dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta.

• Deus vê-a de modo muito diferente: e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

• Que medidas tomar? Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.

A tibieza é uma doença com sintomas conhecidos: «És tíbio se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor; se procuras com cálculo ou "manha" o modo de diminuir os teus deveres; se não pensas senão em ti e na tua comodidade; se as tuas conversas são ociosas e vãs; se não aborreces o pecado venial; se ages por motivos humanos.» (S. Josemaria, Caminho, 331).

Começa o Advento no mesmo dia em que iniciamos a Novena da Imaculada Conceição com a qual preparamos a celebração deste mistério da Mãe de Deus.

Uma novena vivida com generosidade, concretizada em pormenores de devoção a Nossa Senhora é uma ajuda oportuna para começarmos bem este Advento.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste princípio do tempo do Advento da Salvação

em que nos preparamos para a vinda do Redentor,

peçamos humildemente a ajuda do Espírito Santo,

para correspondermos a este tempo de misericórdia.

Oremos (cantando):

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

1.             Pelo Santo Padre, Pastor visível do rebanho de Cristo,

    para que nos anime a procurar os irmãos transviados,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

2.             Pelas pessoas que perderam o sentido da vida eterna,

    para que Deus os ajude a encontrar o caminho do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

3.             Por todos nós que nos propomos celebrar este Advento,

    para que aproveitemos as graças que nos são oferecidas,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

4.             Por todos os jovens desta nossa comunidade paroquial,

    para que celebrem com devoção a Novena da Imaculada,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

5.             Pelos que estão agora a terminar a sua vida neste mundo,

    para que aguardem vigilantes o Senhor que vem salvá-los,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

6.             Por todos os que terminaram a sua vida de prova na terra,

    para que o Senhor os acolha, já purificados na Sua Glória,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Jesus, vinde salvar-nos!

 

Senhor, que nos concedeis este Advento da Salvação,

para que renovemos a nossa esperança em Vós,

ajudai-nos a aproveitar este tempo de graça e misericórdia

a fim de que sejamos dignos das Vossas Promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de nos iluminar com a Sua Palavra, Jesus prepara tudo para Se nos dar em Alimento, servindo-se do ministério do sacerdote que Lhe “empresta”, para transubstanciar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, as suas mãos, a sua voz, os seus olhos.

Preparemo-nos interiormente para participar estes santos mistérios com fé, humildade e profunda devoção.

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

O Reino de Jesus Cristo é um Reino de Paz, porque o é também de verdade e de vida, de santidade e de graça e de amor.

Estes predicados não se podem separar. Quem deseja a verdadeira paz tem de cultivá-los generosamente.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor do Céu e da terra entra na espelunca do nosso coração para nos transformar n’Ele. Deseja encontrar em nós fé viva, humildade profunda e muito e generoso amor, como encontrou no Coração de Nossa Senhora quando Ela O recebia na terra.

Peçamos à Rainha do Universo que nos ajude hoje especialmente a preparar esta Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta chamo, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas, povo de Deus, M. Borda, NRMS 56

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos levar duas lembranças para a vida desta semana:

Preparamos, neste Advento, uma eternidade feliz, cultivando com generosidade o Amor de Deus.

Vivamos a solidariedade, ajudando as outras pessoas a viver este Advento como se fosse o último da sua vida na terra.

 

Cântico final: O Senhor virá governar, F. da Silva, NRMS 7

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

 

2ª Feira, 4-XII: Vamos com alegria para a casa do Senhor.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

Vinde, pois! Subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob.

No início do ano Litúrgico, somos convidados para nos aproximarmos mais do Senhor, que vem ter connosco  (Leit.). O centurião aproxima-se do Senhor para que Ele cure a doença de um seu criado (Ev.).

As virtudes referidas nas Leituras são fundamentalmente: a fé (do centurião) e a alegria (iremos com alegria para a Casa do Senhor: S. Resp.). A Igreja também nos anima a viver estas virtudes, quando nos preparamos para a Comunhão sacramental (o encontro com o Senhor: Senhor eu não sou digno...), e a alegria de o podermos receber em nossa casa.

 

3ª Feira, 5-XII:A actuação do Espírito Santo.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Sobre Ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza.

O profeta anuncia a actuação do Espírito Santo no Messias esperado (Leit.). E S. Lucas mostra já realizada essa actuação: «Jesus estremeceu de alegria pela acção do Espírito Santo». E recebeu os sete dons (Ev.).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser comunicada a todo o povo de Deus para que se obtenham frutos abundantes. Nª Senhora foi a primeira a recebê-lo, e deu à luz a Jesus. E também nos dará a todos os seus dons, para formar a imagem de Cristo, restituindo em cada um de nós a 'semelhança divina'  e assim nos pareceremos cada vez mais a Ele.

 

4ª Feira, 6-XII: A 'fome de Deus' e a Eucaristia.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos, no monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

Há no mundo uma grande 'fome de Deus'. O Messias prepara um grande banquete de pratos suculentos (Leit.). E, até materialmente, mata a fome a uma grande multidão: «todos comeram e ficaram saciados» (Ev.).

Este milagre prefigura a superabundância do pão eucarístico e também o banquete da vida eterna (Oração). Peçamos, pois: «o pão nosso de cada dia nos dai hoje»; preparemos o melhor possível cada celebração eucarística em que participamos, através de muitas comunhões espirituais e lembranças da presença do Senhor no Sacrário mais próximo.

 

5ª Feira, 7-XII: Apoiar a nossa vida em Cristo.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

O Messias é apresentado como uma 'rocha eterna' (Leit.).  E todos somos convidados a edificar a nossa vida apoiada em Cristo, e não sobre a areia, que não tem consistência (Ev.), ou apoiando-nos apenas em nós.

Edificamos a nossa vida, apoiados em Cristo, quando ouvimos a suas palavras, que são palavras de vida eterna, e que são conselhos sobre os problemas que afectam diariamente os nossos trabalhos, a vida familiar, a construção de uma sociedade mais justa, etc. E, depois, procuremos levar estes conselhos à prática (Ev.). Seremos também uma rocha para os outros.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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