Nosso Senhor Jesus Cristo

34.º Domingo COmum

26 de Novembro de 2017

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Todas as pessoas suspiram por uma vida melhor, nos vários aspectos: na saúde, economia, ensino, trabalho, etc.

Isto só será possível quando procurarmos colocar a cruz de Cristo a coroar todas as actividades humanas, isto é, fizermos a vontade de Deus, manifestada nos Mandamentos.

Falamos em instaurar tudo em Cristo. Este ideal concretiza-se reconduzindo o universo criado por Jesus Cristo, no Espírito Santo, ao Pai, procurando que todos os aspectos da nossa vida sejam ordenados segundo a vontade de Deus: a família, as actividades económicas, o trabalho, e a educação.

Verificamos em cada dia que o Demónio, por meio dos que o seguem, tenta impor-nos uma falsa ordem social: pela destruição da família — pelo aborto, contracepção, homossexualidade, união de facto —, a ditadura do liberalismo económico, a luta de classes no trabalho e a procura louca do prazer a qualquer preço.

De que lado nos encontramos, nesta luta pelo Reino de Deus? A vitória está prometida, mas nós podemos estar do lado errado. A Liturgia da Palavra desta Solenidade de Cristo Rei ajuda-nos a responder a esta pergunta.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que, pelos nossos pecados por pensamentos, desejos, actos e omissões, nos temos colocado muitas vezes na vida contra o Reino de Deus.

Peçamos perdão ao Senhor e prometamos, contando com a Sua ajuda, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a separação que fazemos entre as exigências da fé e a vida,

    que nos leva a viver como quando que deveríamos dar testemunho,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o medo que sentimos ao sacrifício e a atracção para o prazer

    que nos leva, a transgredir muitas vezes a Lei de Deus cada dia,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a indiferença com que olhamos para os problemas dos outros,

    recusando-lhes preguiçosamente a ajuda que lhes deveríamos oferecer,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ezequiel, o profeta da esperança nos tempos do exílio, utiliza a imagem do Bom Pastor para renovar nos israelitas a confiança em Deus. Esta imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo.

 

 

Ezequiel 34, 11-12.15-17

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor vigia o seu rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu guardarei as minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 15Eu apascentarei as minhas ovelhas, Eu as levarei a repousar, diz o Senhor. 16Hei-de procurar a que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentá-las com justiça. 17Quanto a vós, meu rebanho, assim fala o Senhor Deus: Hei-de fazer justiça entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos».

 

A leitura é tirada da secção que contém uma série de oráculos animadores e de esperança de salvação, proferidos depois da queda de Jerusalém. A aplicação desta profecia a Jesus é uma forma de apresentar Jesus na sua condição divina: «Eu apascentarei as minhas ovelhas» (v. 15; cf. Jo 10, 1-16); «Hei-de procurar a que anda perdida» (cf. Lc 15, 4-7). Também no A.T. o rei é chamado pastor; daqui se justifica a esta leitura da Solenidade de Cristo Rei. Também no Evangelho Jesus aparece como Rei-Pastor, a separar as ovelhas dos cabritos exercendo o papel de Rei (cf. Mt 25, 34) e Juiz.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)

 

Monição: A imagem do bom Pastor, usada pelo profeta Ezequiel e no salmo responsorial, aplica-se ao rei e ao Deus protector.

Ele cuida de tudo o que nos falta — o descanso, o alimento, e a segurança contra os inimigos —, sem nos dispensar o esforço que podemos fazer, para que tenhamos merecimento na vida presente.

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor

                     nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas,

por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, lembra-nos que o fim último da nossa caminhada é a participação no “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e actuará como Senhor de todas as coisas.

 

1 Coríntios 15, 20-26.28

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, 22do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». 28Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

 

S. Paulo começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos mortos (vv. 1-19). Nestes versículos 22 e 23, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos».

24 «Quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai». Isto parece indicar que, na consumação dos tempos, cessará a função redentora de Jesus Cristo, quando todos os eleitos tiverem atingido a plenitude da salvação – fruto da obra do próprio Cristo. Com a ressurreição final a obra da Redenção fica plenamente cumprida. É este também o sentido do último versículo da leitura (v. 28).

26 «O último inimigo a ser aniquilado é a morte»: Paulo gosta de apresentar a morte como personificada: uma força viva que acaba por levar o golpe fatal com a ressurreição final (cf. 1 Cor 15, 54-55).

28 «Deus seja tudo em todos» (cf. v. 24 e nota). Com a vitória final de Cristo na consumação dos tempos, todos os redimidos pertencerão totalmente ao Pai, Deus que será tudo para eles. 

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 11, 9.10

 

Monição: Esta vida na terra é um tempo de prova. Espera-nos uma eternidade feliz, de fizermos da nossa vida um cântico de amor de Deus, presente nos nossos irmãos mais carenciados.

Alegremo-nos e aclamemos, com a vida, a Palavra de Deus que vai ser proclamada no Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31«Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; 33e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; 36não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. 37Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? 38Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? 39Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. 40E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. 41Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demónio e os seus anjos. 42Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; 43era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. 44Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ 45E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. 46Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

 

Cristo Rei é-nos apresentado hoje no exercício do seu supremo poder judicial no fim dos tempos, na célebre parábola de do Juízo Final.

32 «Todas as nações» Toda a humanidade – fiéis e infiéis – será julgada  pela mesma medida, contra o que pensava o judaísmo da época, que privilegiava o povo eleito, à hora do juízo de Deus.

35-40 O Juízo Final é uma verdade de fé. «De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus (Rom 14, 10). «É perante Cristo, que é a verdade, que será definitivamente posta a nu a verdade da relação de cada homem com Deus (…). O Juízo Final revelará até às suas últimas consequências o que cada um tiver feito, ou tiver deixado de fazer durante a sua vida terrena… O Pai …pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1039-1040). Este Juízo é encenado na parábola de modo a pôr em evidência a caridade como virtude central e resumo de todas as virtudes e de toda a lei de Deus. Como diz S. João da Cruz, «seremos julgados pelo amor», pois Deus há-de pedir-nos contas não só do mal que fizemos, mas também do bem que devíamos ter feito e que omitimos, por falta de amor. «A Mim o fizestes»: Jesus como que se esconde no necessitado, por isso a caridade cristã não é mera beneficência ditada pela filantropia, mas é amor ditado pela fé, que nos faz descobrir no próximo um filho de Deus, um irmão, uma imagem de Cristo, ainda que muito desfigurada, por vezes.

46 «Para o suplício eterno». «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade (…). As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão (…). Deus não predestina ninguém ao Inferno. Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim… A Igreja implora a misericórdia de Deus, ‘que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender’ [2 Pe 2, 9]» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1035-1037).

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor cuida de nós

Deus, Pastor do rebanho

Sigamo-l’O na vida

Na Verdade e no Amor

• Somos ovelhas e pastores do rebanho

Prestaremos contas desta vida

Seremos julgados pelo Amor

Partilhar o Amor

 

1. O Senhor cuida de nós.

 

Ezequiel é profeta da esperança, nos tempos amargurados do cativeiro de Babilónia. Ao Povo de Deus, convencido de que o Senhor os tinha abandonado, anuncia a misericórdia de Deus, sob a figura do bom Pastor.

A todos, mergulhados em crises de que não vemos possibilidade de solução humana — a insegurança do terrorismo, da crise económica, de novas e mais sofisticadas formas de escravidão, a imoralidade incontrolada — o Senhor promete cuidar de nós, se nos quisermos deixar ajudar por Ele.

 

a) Deus, Pastor do rebanho. «Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las

No Antigo Médio Oriente, o título de “pastor” é atribuído, com frequência, aos deuses e aos reis. Era, nessa época, um título bastante expressivo porque essas civilizações viviam da agricultura e do pastoreio dos rebanhos.

Esta figura exprime admiravelmente vários aspectos para todos nós: o pastor é um chefe que dirige o seu rebanho; é um companheiro que acompanha as ovelhas na sua caminhada para as pastagens onde há vida. É um homem forte, capaz de defender o seu rebanho contra os animais selvagens; e é também delicado para as suas ovelhas. Conhece o estado e as necessidades de cada uma, leva nos braços as mais frágeis e débeis, ama-as e trata-as com carinho. A sua autoridade não se discute: está fundada na entrega e no amor.

É à luz destas considerações que melhor entendemos o que se proclama na primeira leitura.

A Israel, tão maltratado pelos pastores humanos — os reis, os sacerdotes, a classe dirigente —, o profeta anuncia a chegada desse tempo novo em que Jahwéh vai assumir a sua função de pastor do seu Povo. Como é que Deus desempenhará essa função?

Deus vai cuidar das suas ovelhas — das pessoas — e interessar-se por elas. O mesmo promete a cada um de nós.

Neste momento, são muitos os problemas que nos afligem e para os quais não vislumbramos qualquer solução. O Senhor que vai reunir-nos, reconduzir-nos à paz e harmonia e ajudar-nos a encontrar caminhos de solução para os nossos problemas.

Mais: Deus, o Bom Pastor, irá procurar cada ovelha perdida e tresmalhada, cuidar da que está ferida e doente, vigiar a que está gorda e forte (vers. 16); além disso, julgará pessoalmente os conflitos entre as mais poderosas e as mais débeis, a fim de que o direito das fracas não seja pisado (vers. 17).

 

b) Sigamo-l’O na vida. «Quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas

Que significa isto para nós? Talvez não nos estejamos a preocupar com os problemas de maior importância.

Sentimos a crise económica, mas não a crise moral, bastante mais grave que ela; preocupamo-nos com a insegurança na rua, mas não com a insegurança que há dentro de nós: desorientação doutrinal em assuntos de importância capital, como são a santidade do matrimónio, a pureza de vida, a necessidade de oração e dos sacramentos.

Ele disse-nos e nós temo-lo esquecido: «Procurai primeiro o Reino de Deus — a santidade de vida pessoal — e tudo o mais vos será dado por acréscimo.» O que verdadeiramente nos faz falta é uma conversão pessoal a sério, deixando de estar convencidos de que somos bons e podemos continuar nesta rotina de morte.

Muitas vezes temos medo de encarar a sério a nossa vida, com as responsabilidades que tem.

(O avestruz é uma ave parecida com o peru, mas muito mais corpulenta. Se quiser decidir-se a correr, pode alcançar a velocidade de um cavalo.

Mas quando vê aproximar-se o caçador ou um animal que o pode devorar, esconde a cabeça na areia, convencido de que, pelo facto de ter deixado de ver o inimigo, também este deixou de o ver a ele.

Muitas pessoas procedem assim diante dos problemas sérios da vida).

Também aqui, a questão não é saber se Deus é ou não “pastor” (Ele é sempre “pastor”!); mas é se estamos ou não dispostos a segui-l’O, a deixar-nos conduzir por Ele, a confiar n’Ele para atravessar vales sombrios, a deixar-nos levar ao colo por Ele para que os nossos pés não se firam nas pedras do caminho.

Anda no ar uma certa cultura contemporânea assegurando às pessoas que só nos realizaremos se nos libertarmos de Deus e nos guiarmos pela nossa cabeça. Queremos até dar opinião, contra os ensinamentos da Igreja, em questões de fé e de moral.

que escolhemos para nos conduzir à felicidade e à vida plena: Deus ou o nosso orgulho e auto-suficiência?

 

c) Na Verdade e no Amor. «Hei-de procurar a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa

Temos necessariamente de começar por aqui: melhorar nos conhecimentos da doutrina, lutando contra esta ignorância religiosa asfixiante. Este é o princípio de renovação da nossa vida.

Há pessoas que fogem de Deus e agarram-se a outros “pastores”, fazendo deles os seus guias.

— Não acreditamos nos ensinamentos do Papa, mas acreditamos no que nos diz uma bruxa ou qualquer charlatão;

— Pomos de lado a oração para resolver os nossos problemas, e acreditamos em superstições: uma ferradura no carro, uma figa ao pescoço, ou qualquer outro sinal que nos parece eficaz para nos ajudar.

O que é que nos conduz e condiciona as nossas opções: a riqueza e o poder? Os valores ditados por aqueles que têm a pretensão de saber tudo? O que é considerado política e socialmente correcto? A opinião pública? O presidente dum partido ou governo?

O comodismo e a instalação? A preservação dos nossos esquemas egoístas e dos nossos privilégios? O êxito e o triunfo a qualquer custo? O herói mais giro da telenovela? O programa de maior audiência da estação televisiva de maior audiência?

Precisamos, neste final do Ano Litúrgico, de uma profunda revisão da nossa vida.

 

2. Somos ovelhas e pastores do rebanho.

 

O Senhor fala, no Evangelho do juízo final, de que haverá inevitavelmente uma avaliação da nossa vida, antes de recebermos o prémio ou castigo eterno.

O Juízo Universal é uma verdade de fé. Proclamamos no Credo: «De novo (Jesus Cristo) há-de vir em Sua glória para julgar os vivos (os que tiverem morrido na graça de Deus) e os mortos (os que morreram em pecado mortal).»

Será um julgamento sem apelo, definitivo, porque «o Seu Reino não terá fim.»

 

a) Prestaremos contas desta vida. «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso

O que mais impressiona no Evangelho, é que Jesus não fala dos grandes pecados: matar. roubar, pecar contra o sexto ou nono mandamento.

O Mestre falava a um público que se vangloriava de não ter pecados desses — julgava que os não tinha! — enchendo-se de orgulho. Esse já estão ensinados nos Dez Mandamentos.

Limita o exame às boas obras que fizemos e às omissões. Deste modo ajuda-nos a libertarmo-nos da ilusão de que, porque não fizemos mal, somos santos.

Também na Parábola dos Talentos — com uma alusão concreta ao juízo particular — nos alertava para este perigo.

Quando alguém nos avisa dum perigo em que estamos, não o faz para nos atormentar, assustando-nos, mas porque é nosso amigo e quer ajudar-nos a que nos libertemos dele.

Ter estas contas em dia significa, praticamente para nós:

— Viver habitualmente na graça de Deus;

— Frequentar os Sacramentos, para que tenhamos força na hora da tentação;

— Especialmente devemos procurar a confissão sacramental. Recebemos o perdão dos pecados e graças especiais para vencermos esta luta de todos os dias.

— Saldemos as nossas dívidas, fazendo penitência dos pecados cometidos.

 

b) Seremos julgados pelo Amor. «Vinde, bem ditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo

O que mais nos impressiona no Evangelho do juízo final é que todo o julgamento é sobre o amor que vivemos na vida presente.

Falamos muito de justiça e de direitos e tudo deve ser tido em conta. Mas... há espaço para o Amor de deus presente nos outros?

Quem são hoje os famintos, os sedentos, os abandonados na rua, os nus, e os doentes ou encarcerados?

Hoje á novas formas de pobreza e de escravidão:

— A droga e o álcool (que também pode chegar a ser droga!);

— A escravidão degradante e infra-humana da prostituição;

— O desemprego e mesmo o abandono do trabalho;

— A ignorância religiosa;

— Os pais adormecidos que não cuidam seriamente da educação moral, religiosa e cívica dos filhos.

Poderemos encontrar muitos outros, infelizmente, sem grande dificuldade.

«Quem é que a nossa sociedade considera uma “pessoa de sucesso”? Qual o perfil do homem “importante”? Quais são os padrões usados pela nossa cultura para aferir a realização ou a não realização de alguém?

No geral, o “homem de sucesso”, que todos reconhecem como importante e realizado, é aquele que tem dinheiro suficiente para concretizar todos os sonhos e fantasias, que tem poder suficiente para ser temido, que tem êxito suficiente para juntar à sua volta multidões de aduladores, que tem fama suficiente para ser invejado, que tem talento suficiente para ser admirado, que tem a pouca vergonha suficiente para dizer ou fazer o que lhe apetece, que tem a vaidade suficiente para se apresentar aos outros como modelo de vida…

No entanto, de acordo com a parábola que o Evangelho propõe, o critério fundamental usado por Jesus para definir quem é uma “pessoa de sucesso” é a capacidade de amar o irmão, sobretudo o mais pobre e desprotegido. Para mim, o que é que faz mais sentido: o critério do mundo ou o critério de Deus? Na minha perspectiva, qual é mais útil e necessário: o “homem de sucesso” do mundo ou o “homem de sucesso” de Deus?» (Dehonianos).

 

c) Partilhar o Amor. «tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; [...] não Me recolhestes; [...] não Me vestistes; [...] e não Me fostes visitar

Talvez não tenhamos bens para repartir pelos mais carenciados, pelo menos de modo que resolvamos os seus apertos.

Mas temos um coração para amar, para estar mais atento aos outros e cuidar mais deles, para os ajudar com uma palavra amiga, um sorriso, ou ao menos para os escutar.

Podemos visitar tantas pessoas que passam o dia fechadas em casa, na cama, sem visitas, e que ficariam muito contentes se pudessem falar com alguém que inclusivamente, lhes desse uma ajuda para arrumar a casa.

Fala-se muito de voluntariado. É uma ocupação eventual, sem compromisso permanente. Hoje, dia de renovação do compromisso daqueles que trabalham nas obras de apostolado, não encontraremos um pouco de tempo para os outros: para a catequese ou para trabalhar em qualquer obra de apostolado?

A Santa Missa de cada Domingo é uma escola de verdadeiro Amor. Sem a frequentarmos, perdemo-nos no egoísmo de cada dia. Só pensamos em nós. Só encontramos tempo para nós e para nos queixarmos de que os outros não nos ajudam.

Nela aprendemos  a darmo-nos, como Jesus Cristo se entregou à morte por nós.

O Reino de Cristo só se pode construir com o Amor. Cristo deseja ardentemente amar os outros com o nosso coração. Estamos dispostos a permitir-Lhe que o faça?

Nossa Senhora dá-nos o exemplo, abrindo de par em par o seu coração Imaculado em Nazaré, na manhã da Anunciação. Peçamos-Lhe ajuda para fazermos o mesmo.

 

Fala o Santo Padre

 

«A salvação não começa pela confissão da realeza de Cristo,

mas pela imitação das obras de misericórdia mediante as quais Ele realizou o Reino.

Quem as cumpre demonstra que acolheu a realeza de Jesus.»

 

Hoje a liturgia convida-nos a fixar o olhar em Jesus como Rei do Universo. A bonita oração do Prefácio recorda-nos que o seu é um «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz». As Leituras que acabamos de ouvir mostram-nos como Jesus realizou o seu reino; como o realiza no porvir da história; e o que nos pede.

Antes de tudo, como realizou Jesus o reino: com a proximidade e a ternura para connosco. Ele é o Pastor, do qual nos falou o profeta Ezequiel na primeira Leitura (cf. 34, 11-12.15-17). Todo este trecho está embebido de verbos que indicam a solicitude e o amor do Pastor pelo seu rebanho: passar em resenha, congregar da dispersão, levar à pastagem, fazer repousar, procurar a ovelha perdida, reconduzir a tresmalhada, ligar as feridas, curar a doença, ser solícito, apascentar. Todas estas atitudes se tornaram realidade em Jesus Cristo: Ele é deveras o «grande Pastor das ovelhas e guarda das nossas almas» (cf. Hb 13, 20; 1 Pd 2, 25).

E quantos na Igreja estão chamados a ser pastores, não podem afastar-se deste modelo, se não quiserem tornar-se mercenários. A este propósito, o povo de Deus possui um faro infalível para reconhecer os bons pastores e distingui-los dos mercenários.

Depois da sua vitória, ou seja, depois da sua Ressurreição, como leva por diante Jesus o seu reino? O apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, diz: «Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés» (15, 25). É o Pai que pouco a pouco submete tudo ao Filho, e contemporaneamente o Filho submete tudo ao Pai, e no final também a si mesmo. Jesus não é um rei à maneira deste mundo: para Ele, reinar não é comandar, mas obedecer ao Pai, entregar-se a Ele, para que se cumpra o seu desígnio de amor e de salvação. Assim há plena reciprocidade entre o Pai e o Filho. Por conseguinte, o tempo do reino de Cristo é o tempo longo da submissão de tudo ao Filho e da entrega de tudo ao Pai. «O último inimigo aniquilado será a morte» (1 Cor 15, 26). E no final, quando tudo tiver sido posto sob a realeza de Jesus, e tudo, também o próprio Jesus, tiver sido submetido ao Pai, Deus será tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28).

O Evangelho diz-nos o que nos pede o reino de Jesus: recorda-nos que a proximidade e a ternura são a regra de vida também para nós, e sobre isto seremos julgados. Será este o protocolo do nosso julgamento. É a grande parábola do juízo final de Mateus 25. O Rei diz: «Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me» (25, 34-36). Os justos perguntarão: quando fizemos tudo isto? E Ele responderá: «Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt 25, 40).

A salvação não começa pela confissão da realeza de Cristo, mas pela imitação das obras de misericórdia mediante as quais Ele realizou o Reino. Quem as cumpre demonstra que acolheu a realeza de Jesus, porque deu espaço no seu coração à caridade de Deus. Na noite da vida seremos julgados sobre o amor, sobre a proximidade e sobre a ternura para com os irmãos. Disto dependerá a nossa entrada ou não no reino de Deus, a nossa colocação de um lado ou do outro. Jesus, com a sua vitória, abriu-nos o seu reino, mas depende de cada um de nós entrar nele, já desde esta vida — o Reino começa agora — tornando-nos concretamente próximos do irmão que pede pão, roupa, acolhimento, solidariedade, catequese. E se amamos deveras aquele irmão ou irmã, seremos levados a compartilhar com ele ou com ela o que temos de mais precioso, ou seja, o próprio Jesus e o seu Evangelho!

[...] Não nos deixemos distrair por outros interesses terrenos e passageiros. E guie-nos no caminho rumo ao reino dos Céus a Mãe, Maria, Rainha de todos os Santos.

 Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 23 de Novembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Chamados a participar na missão do bom Pastor,

para a edificação do reinado de Jesus Cristo, hoje,

peçamos-Lhe nos ajude a amar com generosidade,

participando no Seu Amor e na divina solicitude.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos e os Presbíteros,

    para o Senhor abençoe a sua missão de bons pastores,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

2. Pelos missionários, e outros mensageiros da Boa Nova,

    para que o Senhor abençoe os seus esforços generosos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

3. Pelos militantes das obras de Apostolado da Igreja,

    para que encontrem alegria no seu trabalho generoso,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

4. Pelas famílias cristãs da nossa comunidade (paroquial),

    para que colaborem generosamente no serviço da vida,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

5. Pelos carenciados de bens espirituais e materiais,

    para que encontrem ajuda e solidariedade cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

6. Pelas almas dos nossos familiares e amigos falecidos,

    para que Deus lhes conceda, quanto antes, a luz do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

Senhor, que nos chamais a fazer parte da Vossa Família,

para nela participarmos na eterna felicidade do Paraíso:

ajudai-nos a construir  nesta vida o Vosso Reino,

para cantarmos a Vossa glória por toda a eternidade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Como dizia João Paulo II, é a Eucaristia que constrói a Igreja, com a Palavra e o Corpo e Sangue do Senhor.

Deus prepara-nos um Banquete na Celebração da Liturgia, no qual é servido o Alimento Divino , penhor da felicidade eterna no reino de Deus.

Peçamos ao Senhor que ajude a nossa fé, para vivermos estes santos mistérios.

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A verdadeira paz é uma semente divina, dom de Deus, que deve germinar e dar fruto no coração de cada um de nós.

Sejamos generosos e não sufoquemos este dom. Perdoemos as ofensas recebidas e aceitemos ser perdoados. Significando-o no gesto litúrgico da saudação da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Quando os Apóstolos suplicaram ao Mestre que os ensinasse a orar, o Senhor ensinou-nos a pedir o pão nosso de cada dia. Agora que Ele no-l’O oferece generosamente, na Santíssima Eucaristia, recebamo-l’O com gratidão e Amor, se estamos preparados espiritualmente para o fazer.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Cristo Rei, M. Carneiro, NRMS 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos enviados pelo Senhor, no final desta Celebração da Eucaristia, para o meio do mundo em que vivemos — da família, do trabalho e dos tempos livres — como construtores do Reino de Jesus Cristo. Para o conseguirmos, temos de necessidade de procurar, sempre e em tudo, fazer a Sua vontade.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-XI: Vida eterna e desprendimento.

Dan 1, 1-6. 8-20 / Lc 21, 1-4

Então afirmou: Em verdade vos digo, esta pobre viúva deitou mais do que todos.

Jesus exige a todos que renunciem a tudo por Ele: «Jesus impõe aos seus discípulos que o prefiram a tudo e a todos, e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa dEle e do Evangelho» (CIC, 2544). Que  belo exemplo deram Daniel e seus companheiros e que bela recompensa tiveram (Leit).

Este desprendimento é necessário para a vida eterna: «Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da viúva pobre que, da sua penúria, deu tudo que tinha para viver (Ev.) Este preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no reino dos Céus» (CIC, 2644).

 

3ª Feira, 28-XI: O reino de Cristo nunca será destruído.

Dan 2, 31-45 / Lc 21, 5-11

Jesus respondeu-lhes: Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra, que não venha a ser derrubada.

Jesus profetiza a destruição do magnífico Templo de Jerusalém (Ev.). O mesmo aconteceu ao reino de Nabucodonossor, simbolizado na estátua que se desfez (Leit.). Mas um dia, «o Deus do céu fará surgir um reino, que nunca será destruído (Leit.).

Mas este reino de Cristo ainda não está terminado: «É ainda atacado pelos poderes do mal, embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para que se apresse o regresso de Cristo, dizendo-lhe: 'Vem, Senhor'» (CIC. 671).

 

4ª Feira, 29-XI: A balança e o peso do amor.

Dan 5, 1-6. 13-14. 16-17. 23-28 / Lc 21, 12-19

'Contou' Deus o tempo do teu reinado e pôs-lhe termo; 'pesado' foste na balança e achado sem peso.

«Ante da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição acompanha a sua peregrinação na terra (Ev.)» (CIC, 675).

Depois desta peregrinação na terra, seremos julgados por Deus que verificará o 'peso' das nossas vidas: «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular, que põe a sua vida em referência a Cristo. 'Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor' (S. João da Cruz)» (CIC, 1022). É uma consequência lógica do resumo dos dez mandamentos a dois: Amar a Deus e aos outros.

 

5ª Feira, 30-XI: Santo André: A vocação e a missão.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Quando viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão, André...Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.

Santo André foi dos primeiros a ouvir o chamamento do Senhor e a segui-lo (Ev,). Todos recebemos a vocação cristã que, ao longo da vida, se vai concretizando em novos apelos do Senhor, para nos identificarmos mais com Ele, para melhorarmos o nosso trabalho,  a vida familiar, as virtudes. Precisamos levar à prática estes apelos do Senhor.

Depois da vocação vem a missão: «A voz deles propagou-se por toda a terra, e as suas palavras até aos confins da terra» (Leit.). Santo André, segundo a tradição, pregou o Evangelho na Grécia, e morreu na Acaia, crucificado numa cruz em forma de X.

 

6ª Feira,  1-XII: Aproveitamento das graças de Deus.

Dan 7, 2-14 / Lc 21, 29-33

Estava eu a olhar as visões da noite quando, entre as  nuvens do Céu, veio alguém semelhante a um Filho de homem.

«Na sequência dos profetas (Leit.), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um e o segredo dos corações. Então será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta as graças oferecidas por Deus» (CIC, 678).

Aproveitemos bem as graças que Deus nos concede em cada dia. Ele pode servir-se de acontecimentos e sinais: «quando virdes isto acontecer, ficai a saber que o reino de Deus está perto» (Ev.). Os sinais podem ser: um sofrimento, o bom exemplo dos outros, um infortúnio...

 

Sábado, 2-XII: A entrada no reino eterno de Deus.

Dan 7, 15-27 / Lc 21, 34-36

Os que irão receber o reino são os santos do Altíssimo: possuirão este reino para sempre por toda a eternidade.

Vale a pena entrar neste Reino, que é eterno. Para isso, é necessário que lutemos aqui na terra para sermos santos (Leit.), vivendo bem todas as virtudes e aproveitando todas ocasiões para amar a Deus.

Mas também é preciso evitar que os nossos «corações se tornem pesados, com a intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida» (Ev.). Ficaremos mais leves se vivermos as bem-aventuranças: pobreza de espírito, pureza de coração, aceitação dos sofrimentos e injustiças, por amor de Deus, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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