Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2005

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630.

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O nascimento da Virgem Maria é motivo de esperança para toda a humanidade. Assim como o dia é anunciado pela aurora, assim o dia sem ocaso, Jesus Cristo, é anunciado pelo nascimento de sua Mãe. Hoje celebramos o nascimento da Virgem Maria, a eleita por Deus entre todas as mulheres para ser a Mãe do Redentor!

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus anuncia através do profeta Miqueias a cidade onde há-de nascer o Messias: De ti Belém sairá Aquele que apascentará o rebanho do Senhor.

 

Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a dum outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…» S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de um recurso próprio da hermenêutica judaica (chamado al-tiqrey: «não leias»); tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, as consoantes da palavra hebraica com que se diz «as cidades de» alfey – é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de»: al-lufey. É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Rom: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espirito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do «aoristo proléptico»), dada a nossa intima união a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial    Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: Sabemos que o Senhor concorre em tudo para a nossa salvação. Exultemos de alegria, confiemos na sua bondade.

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho      

 

Monição: Escutemos todos estes nomes que nos recordam o mistério da Encarnação: o Verbo de Deus veio habitar entre nós. Conhecemos o seu país, a sua cidade, a sua família: Jacob gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus! Cantemos aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: Ó Santíssima, M. Faria, NRMS 33-34.

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

 

 

Evangelho *

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23;           forma breve: São Mateus 1, 18-23

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não corresponde a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada um daqueles homens da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), e não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora não descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, dado que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e assim o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo ali; poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se presta a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: ‘e (tu, José) o chamarás’».

 

Sugestões para a homilia

 

Maria, causa da nossa alegria

A família cristã

Maria é a causa da nossa alegria

Nasceu a Virgem Maria,

 como promessa de Deus.

Que possa a nossa alegria

Encher a terra e os Céus!

Ao longo dos séculos, Deus foi preparando um povo no qual se havia de inserir o seu Filho. Ao chegar a plenitude dos tempos, cumpridas as profecias, Deus enviou-nos o Messias desejado. Estava escrito no livro do profeta Miqueias que o Salvador havia de nascer da Virgem Mãe, na terra de Judá, em Belém! Exultemos de alegria! A nossa fé fica hoje mais enriquecida com o nascimento da Virgem Santa Maria! Também ela faz parte desse povo bíblico. Também o seu nome está escrito no Evangelho! Ela é esposa de José. Ela é a Mãe de Jesus! Maria aparece inseparavelmente unida a Jesus. Hoje celebramos o nascimento da gloriosa Virgem Maria, descendente de Abraão, da tribo de Judá, da nobre família de David. Há-de crescer, há-de tornar-se mulher, há-de conceber e dar à luz um filho, que será chamado Filho do Altíssimo! Ele salvará o povo dos seus pecados. Exultemos de alegria no Senhor.

A família cristã

No mistério insondável da misericórdia divina encontramos sempre motivos para exultarmos de alegria. Dizia o salmista «o meu coração alegra-se com a salvação de Deus». Também nós nos alegramos. Também nós confiamos na sua bondade. Também nós hoje cantamos pelo grande dom da vida. Quando nasce uma criança a família alegra-se! Que felicidade para os pais de Nossa Senhora, Santa Ana e S. Joaquim, ao serem abençoados com esta Menina eleita por Deus para ser a Mãe do Redentor! Os filhos são uma bênção do Senhor, ensina-nos o salmo 127, cantando a felicidade da vida familiar. Que as nossas famílias sejam um berço de paz, um berço de amor, um berço fecundo!

Infelizmente vivemos numa sociedade onde se levantam nuvens negras, pressagiando uma cultura de morte. No horizonte avizinha-se uma tempestade furiosa, querendo referendar o direito à vida. Querem aprovar o aborto. Mas poderemos resolver o drama das mães à custa da tragédia dos filhos?

Demos graças pelo dom da vida. Demos graças pela generosidade e pelo amor de nossos pais. Rezemos para que Deus abençoe e renove as famílias cristãs, as famílias portuguesas e as famílias de todo o mundo.

 

 

Oração Universal

 

Alegremente confiados na mediação de Maria,

a omnipotência suplicante, rezemos cantando

Santa Maria, rogai por nós.

 

1.  Pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI,

Bispos, sacerdotes, diáconos e todo o povo cristão, oremos

 

2.  Para que alegria desta festa seja sentida nas nossa famílias

Agradecidas pelo dom dos filhos, oremos.

 

3.  Por todos os doentes, por todos os que sofrem

para que em Nossa Senhora

encontrem conforto para os seus males, oremos,

 

4.  Por todos os nossos familiares e amigos que já partiram deste mundo

para que exultem de alegria na bem-aventurança eterna, oremos

 

Escutai, Senhor, benignamente os nossos pedidos,

na festa do nascimento da Virgem Santa Maria, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Santíssima, M. Faria, NRMS 33-34.

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade : p. 486 [644-756] ou II, p. 4 7

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84.

 

Monição da Comunhão

 

Rezemos com o evangelista S. João: «O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós!» Encarnou pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria! A Carne de Cristo é verdadeiramente carne de Maria!

 

Cântico da Comunhão: Como é suave Senhor, M. Luis, NRMS 36.

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21.

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Gostamos de celebrar o aniversário natalício dos nossos familiares, dos nossos amigos. Gostamos de oferecer um presente como prova da nossa amizade. Qual a nossa prenda especial para a nossa Mãe celeste? Aproveitemos a alegria das crianças, tenhamos um bolo na mesa, cantemos os parabéns e sobretudo rezemos em família o Terço, explicando que cada Ave Maria rezada é uma flor espiritual que hoje oferecemos à Mãe de Jesus! Que grande e lindo ramo!

 

Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74.

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 9-IX: Necessidade de ‘ver bem’.

1 Tim. 1, 1-2. 12-14 / Lc. 6, 39-42

Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: Poderá um cego guiar outro cego?

A cegueira interior impede ver as coisas como Deus as vê. S. Paulo reconhece essa cegueira, antes da sua conversão: «tinha sido blasfemo, perseguidor e insolente» (Leit.). Depois da conversão, caíram-lhe as ‘escamas dos olhos’ e já pode vislumbrar o Senhor.

De igual modo a cegueira espiritual tende a descobrir demasiados defeitos nos outros e muito poucos em nós. «Procuremos sempre descobrir as virtudes e coisas boas nos outros e ocultar os seus defeitos com os nossos grandes pecados» (S. Teresa). Diante da Eucaristia ouçamos o que o Senhor disse a Tomé: «Bem aventurados os que não viram e acreditaram».

 

Sábado, 10-IX: Eucaristia ‘rocha’ da nossa vida.

1 Tim. 1, 15-17 / Lc. 6, 43-49

Vos mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

A vida de um cristão, que procura seguir a Cristo por palavras e obras, não se desfaz quando está edificada sobre o cumprimento da sua vontade (cf. Ev.). Mas, para isso, é preciso que estejamos dispostos a «fazer a sua vontade, a ser aquilo que Ele quer que sejamos» (S. Teresa).

De igual modo a casa edificada sobre a rocha é a vida apoiada na Eucaristia: «Aos germes de desagregação, tão enraizados na humanidade por causa do pecado, contrapõe-se a força geradora de unidade do corpo de Cristo. A Eucaristia, construindo a Igreja, cria por isso mesmo a comunidade entre os homens» (IVE, 24).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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