Solenidade de todos os santos

1 de Novembro de 2017

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os santos resplandecem como luz, J. Santos, NRMS 63

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa de Todos os Santos. A Santa Missa é como que uma antecipação do Céu. Estamos diante do trono de Deus. Connosco estão os santos do Céu, as almas do Purgatório e toda a Igreja espalhada pela terra. Porque unidos a Cristo Sacerdote na unidade do Seu Corpo Místico. Apesar de não podermos contemplá-los alegremo-nos e avivamos a nossa fé..

 

Para chegar ao Céu temos de lavar a túnica do nosso Baptismo no sangue de Cristo. Pela dor dos nossos pecados e pelo Sacramento da Penitência.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S.João nesta visão do Apocalipse mostra a multidão imensa dos eleitos do Céu, que hoje celebramos e de que faremos parte um dia.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial    Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: O salmo lembra as condições para alcançarmos o céu. Entusiasmemo-nos para chegar lá no final da nossa caminhada.

 

Refrão:        Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus chamou-nos a fazer parte da Sua família. Somos Seus filhos. Vê-Lo-emos cara a cara no céu.

 

1 São João 3, 1-3

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 11, 28

 

Monição: As bem-aventuranças lembram-nos que o Céu começa já neste mundo para os que vivem à maneira de Jesus. Aclamemos o Senhor com alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados

e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

 

Sugestões para a homilia

 

Multidão que ninguém podia contar

 Veremos a Deus tal como Ele é

 Alegrai-vos e exultai

 

Multidão que ninguém podia contar

O último livro da Bíblia fala das tribulações que temos de passar neste mundo para ser fiéis a Cristo. Mas fala também do Céu, da meta onde havemos de chegar.

Dele é tirada a primeira leitura que ouvimos. Nessa visão o Apóstolo mostra-nos a multidão imensa que ninguém pode contar dos que alcançaram a vitória com Cristo. E não são apenas cento e quarenta e quatro mil, como pretendem algumas seitas, que lêem a Bíblia com olhos torcidos.

Olhamos, hoje, para esses irmãos que já venceram. Animamo-nos com eles a ganhar o prémio. É preciso trabalhar e sofrer. É preciso passar pela grande tribulação. É preciso lutar por ser fiel, apesar da guerra que nos move o demónio e os que trabalham para ele. É preciso lutar contra as paixões desordenadas, que estão em nós até ao fim da nossa vida.

Com a graça de Deus, alcançaremos a vitória. Se somos humildes e se empregamos os meios que o Senhor pôs à nossa disposição. Ele lava-nos uma e outra vez no Seu Sangue divino, no Sacramento do Perdão. E alimenta-nos com o Pão da Vida eterna.

Os santos animam-nos a correr para a meta com mais entusiasmo. São a nossa claque, que puxa por nós. Entre eles estão, neste momento, muitos familiares e amigos que viveram connosco na terra.

Os santos do Céu são nossos irmãos, filhos de Deus como nós, pelo Baptismo. Formamos uma família maravilhosa muito mais real e unida que a família de sangue.

Eles são também para nós modelos para imitar. Lutaram e venceram. Copiaram nas suas vidas a Jesus, o Primogénito entre muitos irmãos, verdadeiro Deus e verdadeiro homem e modelo da nova Humanidade.

E foi dEle que receberam a graça. Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. Com Ele alcançaram a palma da vitória.

Os santos do céu dizem-nos, hoje, que vale a pena amar e sofrer por Jesus e trabalhar para que todos O conheçam e amem..

 

Veremos a Deus tal como Ele é

Todos desejam o Céu, porque todos anseiam por ser felizes. Muitos não descobrem o caminho. Por ignorância, ou por não quererem seguir as indicações de Jesus. Outros já desanimaram de lá chegar.

Vale a pena pensar no Céu. Como os ciclistas sonham com a meta e com o prémio. E este não é nada comparado com o que nos espera um dia. S.Paulo lembra: ”Nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram, nem pela imaginação do homem passou o que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1 Cor 2,9 ).

Que é afinal o Céu? Como podemos imaginá-lo ? Numa das cantigas de Afonso, o sábio, conta-se a história dum monge que no seu convento pedia a Nossa Senhora lhe deixasse saborear um pouquinho do Paraíso. A Virgem acolheu o seu pedido.

Quando regressou, ficou surpreendido. O mosteiro tinha mudado de aspecto. Os frades já não eram os mesmos. Ninguém o conhecia nem ele reconhecia ninguém. E bem explicava que tinha saído há uns instantes…O Abade pegou na história da casa. Ali constava que, havia trezentos anos, tinha desaparecido um monge com o nome do que estava à porta.

Trezentos anos pareciam uns instantes, para quem saboreava uma amostra do paraíso. Leo Treese num dos seus livros lembra que, ao chegarmos ao céu, se perguntarmos aos que ali se encontram se já chegaram há muito olharão para nós admirados: - mas nós chegámos mesmo agora!

Que é o Céu?

É a contemplação de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. ”Veremos a Deus tal como Ele é “(2º leitura). Vê-Lo-emos “face a face” (1 Cor 13,12), a Ele que é a beleza infinita e fonte da bondade e do amor. Se há coisas maravilhosas cá na terra, elas não passam de sombras de Quem as criou. E a sombra pouco é perante a realidade.

Essa visão amorosa de Deus não cansa. E sacia o coração do homem até o fazer transbordar. Por isso S.João, no Apocalipse, fala do céu como uma festa, com aclamações e cânticos de júbilo. Será um festim de felicidade, de harmonia, de amor, que não satura. Mergulharemos no mar de amor infinito que é Deus, inebriar-nos-emos desse amor, que O levou a tornar-nos Seus filhos, membros da Sua família, irmãos de todos os santos.

Com a visão e o amor de Deus teremos todos os bens que se possam sonhar. Como num banquete de iguarias maravilhosas.

Ali “não há nem luto, nem dor, nem pena. Tudo isso passou” (Apoc,21,4).

Vale a pena pensar no céu, sonhar com os olhos abertos, imaginar tudo o que há de melhor e de mais belo. E depois disso tudo ficaremos ainda infinitamente longe da realidade.

Vale a pena lutar e sofrer para amar a Deus. E para ajudar os outros a chegar ao Céu, a alcançar a salvação, a que todos são chamados. ” Os sofrimentos deste mundo –diz S.Paulo -não têm comparação com a glória que se manifestará em nós” (Rom 8,18 )

S.Tomás Moro, Primeiro Ministro de Inglaterra, condenado à morte por Henrique VIII, porque não aprovava o divórcio do rei, deu uma moeda de ouro ao carrasco que lhe ia cortar a cabeça, como gorjeta, porque lhe abria as portas do céu.

 

Alegrai-vos e exultai

 O céu pode ser muito bonito -pensam alguns - mas vem muito tarde. E vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Vamos comer e beber e divertir-nos, gozar a vida neste mundo, pois o resto não passará dum sonho…

Esta mentalidade está metida em muitas cabeças. Até de muitos cristãos.

Jesus diz no Evangelho que isso é um disparate. O céu começa já neste mundo para os que amam a Deus. As bem-aventuranças são o código da felicidade já na terra.

Não são os ricos deste mundo que são felizes. Não são os poderosos. Não são os que têm o estômago cheio. Não são os que chafurdam no lamaçal de todos os vícios que são felizes. Vemos isso, aliás, com frequência, no mundo que nos rodeia.

Meditemos nas bem-aventuranças. Não são as coisas terrenas que podem dar a felicidade. Esta vem de Deus, fonte de todo o bem. Se nos dão um pouquito de prazer é por serem uma sombra do Seu Criador. Temos de ter o coração desprendido delas se queremos ser felizes. Não podemos permitir que nos afastem de Deus.

Se amamos a Deus, se temos fome e sede de justiça, se temos desejos de santidade, seremos felizes já na terra, mesmo que tenhamos de sofrer por Jesus. ”Bem-aventurados sereis quando por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, pois será grande no céu a vossa recompensa “ (Ev.).

O papa S.João Paulo II dizia aos jovens em Toronto: “O homem é feito para a felicidade. A vossa sede de felicidade é portanto legítima. Cristo tem resposta para as vossas expectativas. Pede porém que confieis nEle. A alegria verdadeira é uma conquista que não se alcança sem uma luta longa e difícil. Cristo possui o segredo da vitória”.

O cristão tem Deus no íntimo da sua alma. E o céu é Deus. Só não pode vê-Lo ainda. Mas sabe que tudo está nas mãos do seu Pai e que “tudo concorre para o bem daqueles que O amam” (Rom 8,28).

E tem a certeza que o espera a felicidade plena no céu. Se vive a sério a esperança que vem da fé, se luta por ser fiel ao Senhor nas coisas grandes e pequenas de cada dia, vive feliz já neste mundo.

Por isso ser santo é ser feliz. O papa S.João Paulo II recordou como programa para este novo milénio a santidade, a que todos somos chamados. Vale a pena lutar a sério por consegui-la. As coisas deste mundo dão mais alegria antes de se terem. O miúdo a quem a mãe prometeu um brinquedo anda todo contente só com a promessa Depois de o possuir depressa se cansa e, passado pouco, já o brinquedo está a um canto.

Com as coisas de Deus é ao contrário. Dão mais alegria depois. O céu ultrapassará mil vezes os nossos sonhos.

Em Fátima Nossa Senhora falou do Céu logo na primeira aparição e prometeu aos pastorinhos que os levava para lá. Como viviam felizes no meio dos sofrimentos pensando no Céu e na alegria de estar com Nossa Senhora e com Jesus. Avivemos também nós a nossa fé e a nossa esperança e viveremos alegres a vida de cada dia.

 

Fala o Santo Padre

 

«A comunhão dos santos é uma união espiritual: nós, aqui na terra,

juntamente com quantos já entraram na eternidade, formamos uma única e grande família.»

 

Os primeiros dois dias do mês de Novembro constituem para todos nós um intenso momento de fé, de oração e de reflexão sobre as «últimas coisas» da vida. Com efeito, celebrando todos os Santos e comemorando todos os fiéis defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra vive e exprime na Liturgia o vínculo espiritual que a une à Igreja celeste. Hoje louvamos a Deus pela inumerável plêiade de santos e santas de todos os tempos: homens e mulheres comuns, simples, às vezes «últimos» para o mundo mas «primeiros» para Deus. Ao mesmo tempo, já recordamos os nossos queridos finados, visitando os cemitérios: é motivo de grande consolação pensar que eles estão em companhia da Virgem Maria, dos apóstolos, dos mártires, bem como de todos os santos e santas do Paraíso!

Assim, a solenidade hodierna ajuda-nos a considerar uma verdade fundamental da fé cristã, que nós professamos no «Credo»: a comunhão dos santos. Que significa isto: a comunhão dos santos? É a comunhão que nasce da fé e une todos aqueles que pertencem a Cristo em virtude do Baptismo. Trata-se de uma união espiritual — todos estamos unidos! — que não é interrompida pela morte, mas continua na outra vida. Com efeito, subsiste um vínculo indestrutível entre nós, vivos, neste mundo e aqueles que já ultrapassaram o limiar da morte. Nós, aqui na terra, juntamente com quantos já entraram na eternidade, formamos uma única e grande família. Conserva-se esta familiaridade!

Esta comunhão maravilhosa, esta admirável união comum entre terra e céu verifica-se do modo mais excelso e intenso na Liturgia, e sobretudo na celebração da Eucaristia, que exprime e realiza a união mais profunda entre os membros da Igreja. Efectivamente, na Eucaristia nós encontramos Jesus vivo e a sua força, e através dele entramos em comunhão com os nossos irmãos na fé: quantos vivem ao nosso lado aqui na terra e aqueles que já nos precederam na outra vida, na vida que não conhece ocaso. Esta realidade enche-nos de alegria: é bom ter tantos irmãos na fé, que caminham ao nosso lado, que nos apoiam com a sua ajuda e, juntamente connosco, percorrem o mesmo caminho rumo ao Céu. E é consolador saber que existem outros irmãos que já alcançaram o Céu, que nos esperam e intercedem por nós a fim de que, juntos, possamos contemplar eternamente a Face gloriosa e misericordiosa do Pai.

Na grande assembleia dos santos, Deus quis reservar o primeiro lugar à Mãe de Jesus. Maria está no âmago da comunhão dos santos, como guardiã singular do liame da Igreja universal com Cristo, do vínculo da família. Ela é a Mãe, é a nossa Mãe, a nossa Mãe! Para quantos desejam seguir Jesus no caminho do Evangelho, Ela é a guia segura, porque é a primeira discípula. Ela é a Mãe cheia de desvelos, à qual confiar todas as aspirações e dificuldades.

Oremos juntos à Rainha de todos os Santos, a fim de que nos ajude a responder com generosidade e fidelidade a Deus, que nos chama a ser santos como Ele mesmo é Santo (cf. Lv 19, 2; Mt 5, 48).

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de Novembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos, com a nossa alma cheia de esperança ao contemplarmos os nossos irmãos do Céu apresentemos ao nosso Pai Deus os nossos pedidos:

 

1-Pela Santa Igreja, para que anime a todos na luta pela santidade, oremos irmãos.

 

2-Pelo Santo Padre, para que o seu exemplo de amor a Deus dê frutos em todos os cristãos e em todos os homens de boa vontade, oremos irmãos.

 

3-Pelos bispos, sacerdotes e diáconos, para que sejam modelos e arautos do amor de Deus e da esperança do Céu, oremos irmãos.

 

4-Pelos que sofrem, pelos que já desanimaram de lutar pela felicidade, para que o Senhor os encoraje e ilumine, oremos irmãos.

 

5-Pelos que procuram o céu por caminhos errados, para que o Senhor os ilumine e converta, oremos irmãos.

 

6-Pelas almas benditas do Purgatório, que esperam ansiosamente a entrada no céu, oremos irmãos.

 

Senhor que nos reunistes numa só família, a Santa Igreja, para vivermos como Vossos filhos cá na terra, fazei saibamos amar-Vos cada vez mais no meio das coisas terrenas, para com elas sabermos ganhar as do céu. Por N.S.J.C. Vosso Filho, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Acolhamos a Jesus com a fé, a humildade e o fervor com que O receberam os santos.

 

Cântico da Comunhão: Louvai, nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Mt 5, 8-10

Antífona da comunhão: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Bem- Aventuranças, B. Salgado, NRMS 7 (I)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrar os santos do Céu é animar-nos a chegar aonde se encontram. Se lutamos por amar deveras a Jesus o Céu começa já neste mundo, pois nEle encontramos o segredo da alegria.

 

Cântico final: Nós vos louvamos, ó Deus, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino F. Correia

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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